Ministério Público opina pela cassação de Luciano Cartaxo em Aije de 2016

Gestor é acusado de abuso do poder político e econômico e defesa nega que tenha havido irregularidade

Luciano Cartaxo é acusado de abuso do poder econômico nas eleições de 2016. Foto: Divulgação

O Ministério Público Eleitoral emitiu parecer pela condenação do prefeito Luciano Cartaxo (PV) em ação que pede a cassação do mandato do gestor por suposto abuso do poder político e econômico nas eleições de 2016. Ele foi acusado pelo órgão de nomeação e manutenção de servidores precários, não estáveis, contratados sob a denominação “codificados”. O pedido de cassação da chapa, que inclui o vice-prefeito Manoel Júnior (PSC), foi feito pelo promotor eleitoral João Arlindo Correia Neto, da 77ª Zona Eleitoral de João Pessoa. Ele também pede a inelegibilidade do gestor.

Procurado pelo blog, o advogado do prefeito, Rodrigo Farias, se disse tranquilo em relação ao processo. Ele diz que a instrução processual mostrou justamente o contrário do que é alegado pelo Ministério Público na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije). “O prefeito Luciano Cartaxo foi muito cuidadoso, em 2016, quando disputou a reeleição. Havia a orientação para que não houvesse aumento na folha de pessoal. Na verdade, foi um ano em que se constatou a elevação no quadro de servidores concursados e redução de comissionados ou contratados por excepcional interesse público”, ressaltou.

Farias acrescentou ainda que se forem levados em consideração o quadro de pessoal em outros anos, se perceberá que não houve abuso do poder político e econômico. O processo será analisado pelo juiz da 77ª Zona Eleitoral, Manoel Gonçalves Abrantes. A ação foi protocolada, em 2016, pelo promotor João Geraldo Barbosa. Na época, ele classificou alguns servidores na condição de “codificados”. O advogado Rodrigo Farias, no entanto, alega que não existe e nunca existiu na prefeitura ninguém contratado com esta figura jurídica.

Cartaxo elogia Manoel Júnior, mas joga para base aliada escolha para o Senado

Prefeito diz que partidos aliados vão discutir o preenchimento do último espaço disponível na majoritária

Luciano Cartaxo (D) revela que Manoel Júnior precisará de apoio dos partidos da base para ser candidato ao Senado. Foto: Alessandro Potter SECOM-JP

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), não descarta a escolha de Manoel Júnior (PSC) para ocupar uma das vagas na chapa majoritária encabeçada pelo irmão, Lucélio. O gestor foi questionado sobre o assunto durante café da manhã que marcou, nesta terça-feira (26), a preparação para a entrega dos prédios do Villa Sanhauá, no Centro. O gestor garantiu que a relação com o vice-prefeito é muito boa e que tem havido interação entre eles na gestão. A escolha do colega de gestão para a disputa de vaga no Senado, na chapa de Lucélio, ele ressalta, dependerá dos outros aliados.

O prefeito, que preside o PV no Estado, deixou claro que tem havido conversas entre os partidos da base aliada. Resta apenas uma vaga no agrupamento político. Além de Lucélio, estão definidos a vice (Micheline Rodrigues) e um dos candidatos ao Senado (Cássio Cunha Lima). Resta a outra vaga para o Senado e as suplências para a Casa Alta (são quatro). Manoel Júnior chegou a namorar a participação na chapa que deverá ser encabeçada pelo senador José Maranhão (MDB). A decisão de Raimundo Lira (PSD) de não disputar a reeleição deixou o jogo aberto.

Ricardo diz que não viu coragem em Luciano Cartaxo para disputar a eleição

Governador faz críticas à oposição por causa das declarações de que pré-candidatura de João não decola

Ex-aliados: Ricardo Coutinho (E) durante encontro com Luciano Cartaxo (C) para definir aliança em 2014. Foto: Divulgação/PMJP

O embate infrutífero entre governo e oposição, na Paraíba, anda a todo vapor. Os grupos políticos, antes de ensaiar as promessas de campanha, claramente estão se voltando para os ataques pessoais. Depois de uma semana com a oposição espalhando a tese de que o candidato governista João Azevedo (PSB) não empolga, chegou a vez do governador Ricardo Coutinho (PSB) dar o troco. Durante entrevista na manhã desta segunda-feira (25), ele desdenhou do desempenho da oposição.

O alvo poderia ser o pré-candidato Lucélio Cartaxo (PV) ou o senador José Maranhão (MDB). Mas não, Ricardo preferiu mirar o prefeito da capital, Luciano Cartaxo (PV). Ele disse que houve uma movimentação intensa do verde com o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB) focando as eleições. Ambos eram pré-candidatos até o início do ano. Coutinho disse, no entanto, que nunca viu de fato o gestor campinense como postulante de fato. Já a Luciano, ele diz ter faltado coragem.

E alegou não precisar ser “Mãe Diná” para dizer isso. “Luciano só era candidato se entregasse a ele. Olha, toma aqui! Você não precisa disputar com ninguém… tome aqui. Porque jamais sairia (candidato), não tem perfil para isso. Ou seja, não tem… eu ia aqui dizer um palavrão, mas eu não posso dizer, não tem aquilo que as pessoas dizem para alguém que tem coragem”, disse.

Uma chapa inteira, e forte, já anunciou desistência da disputa neste ano

Compromissos pessoais e até demora em definições de aliados foram alegados como motivos para “pendurar as chuteiras”

Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo eram nomes especulados para a disputa das eleições deste ano. Foto: Divulgação/Secom-PB

As eleições deste ano prometem mesmo ser atípicas. Talvez por isso tem sido tão difícil fazer previsões. Só para se ter uma ideia, de janeiro para cá, o equivalente a uma chapa inteira foi retirada da disputa por causa de dispensas. E não por um acaso, todos nomes muito fortes. Basta lembrar do primeiro deles: o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV). O nome era dado como certo para a disputa do governo neste ano, reforçando a chapa da oposição. Sobraram idas e vindas, embebidas em desconfianças e brigas por espaço nos bastidores. Resultado: desistência de Luciano e escalação do irmão, Lucélio Cartaxo, para o posto.

Vencida a primeira fase nesta chapa imaginária (e improvável), vamos ao segundo ponto. O governador Ricardo Coutinho (PSB) era nome certo para a disputa do Senado. Entre os socialistas, a esperança era de que o principal líder do partido aceitasse a missão de disputar uma vaga na Casa Alta. O mistério foi feito até o final, com especulações para todos os gostos. Até que o governador confirmou aos 48 do segundo tempo que ficaria no cargo até o final do mandato. Iria, portanto, trabalhar para tentar emplacar o sucessor. O nome para encabeçar a chapa socialista saiu do governo, com a escolha de João Azevedo (PSB).

O senador Raimundo Lira (PSD) segue na mesma linha. Trabalhou por uma candidatura na base governista e se viu sem espaço por causa da escalação de Veneziano Vital do Rêgo para o posto. Era desejado pelo senador José Maranhão (MDB) para a chapa que deverá ser encabeçada pelo emedebista. Mas aí, questões familiares e partidárias acabaram falando mais alto. Lira também desistiu da reeleição. O outro nome especulado para a disputa foi o de Eva Gouveia (PSD). A viúva do deputado federal Rômulo Gouveia se escalou para a disputa de vaga na Câmara dos Deputados, foi sondada também para vice de Lucélio, mas desistiu da disputa.

Ou seja, em eleição atípica, é possível dizer que o equivalente a uma chapa inteira e forte no papel foi sepultada antes do teste das urnas…

Se eleito governador, Lucélio deixará Luciano Cartaxo inelegível por até oito anos

Nome do irmão do prefeito começou nesta semana a ser defendido como opção por auxiliares do gestor pessoense

Luciano Cartaxo e Lucélio Cartaxo são irmãos gêmeos e sempre militaram juntos na política. Na imagem, os dois comemoram aniversário. Foto: Reprodução/Youtube

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), tem demonstrado um desprendimento pouco comum na política. Primeiro renunciou à disputa do governo do Estado pelo campo das oposições. Agora, os principais auxiliares e aliados começam a defender o nome do irmão do gestor, Lucélio Cartaxo (mesmo partido), para a disputa do governo. A ideia, com isso, é convencer os partidos que fazem oposição ao governador Ricardo Coutinho (PSB) a se unirem em torno do verde. Só tem um fato, talvez, não refletido neste ambiente de euforia: caso Lucélio seja eleito, Luciano fica inelegível por até oito anos. E isso sem que haja qualquer condenação em esfera judicial de segundo grau. O impedimento é constitucional.

A Constituição Federal de 88, em seu art. 14, § 7°, prevê:

Art. 14…

§ 7° São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.”

Que dureza, hein?!

Mas é fato. Caso o nome de Lucélio, defendido pelo secretário de Articulação Política, Zennedy Bezerra, e pelo líder do prefeito na Câmara, Milanez Neto (PTB), se viabilize, o prefeito não poderá disputar eleição para qualquer cargo enquanto durar o mandato conquistado. E isso inclui eventuais casos de reeleição. A liberação ocorreria em caso de disputa simultânea de mandato. Ou seja, Luciano e Lucélio disputariam os cargos ao mesmo tempo. Neste caso, vale ressaltar, as reeleições deverão ocorrer para os mesmos cargos. Um exemplo disso foi o período em que o hoje senador José Maranhão (MDB) foi governador. Os sobrinhos, Olenka (MDB) e Benjamin (SD), só puderam concorrer aos mesmos cargos. No caso, deputada estadual e deputado federal, respectivamente.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê uma exceção na Súmula Vinculante 06. É para o caso de renúncia do mandato com até seis meses antes da eleição. Ou seja, lembrando que, se eleito, Lucélio teria que renunciar ao mandato em abril de 2022 para que Luciano fosse candidato. Isso por que ele não pode mais concorrer à reeleição para prefeito, cargo ocupado atualmente, e encontraria vedação para disputar cargos para deputado estadual, federal ou de senador. Veja o que diz a Súmula Vinculante 06, depois da modificação feita em 2016:

Súmula-TSE nº 6
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O TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, no uso das atribuições que lhe confere o art. 23, inciso XV, do Código Eleitoral, resolve aprovar a proposta de atualização do seguinte verbete de súmula:

REDAÇÃO ATUAL – Ac.-TSE, de 10.5.2016, no PA nº 32345.

São inelegíveis para o cargo de chefe do Executivo o cônjuge e os parentes, indicados no § 7º do art. 14 da Constituição Federal, do titular do mandato, salvo se este, reelegível, tenha falecido, renunciado ou se afastado definitivamente do cargo até seis meses antes do pleito.

Referências:

CF, art. 14, § 7º;

 

Maísa diz que decisão do marido não tem volta e Rômulo Gouveia prega o ‘volta, Luciano’

Movimento para que prefeito reveja decisão de desistir de disputar ao governo, em outubro, cresceu com apoio de Romero.

 

Angélica Nunes

Maísa não acredite que marido volte atrás. Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo ainda em Brasília, o prefeito de João Pessoa, Luciano Pessoa (PSD), continua sendo bombardeado por opiniões divergentes sobre uma reavaliação da sua decisão de desistir da disputa ao governo do estado nas eleições deste ano. Primeiro foi o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), que surpreendeu com uma nota enviada à imprensa, na madrugada desta quinta-feira (15), em defende o nome do prefeito para a disputa ao governo.

O presidente estadual do PSD, deputado Rômulo Gouveia (PSD), rapidamente correu em soltar uma nota para reforçar a tese do ‘volta, Luciano’. A tese, entretanto, é combatida pela primeira-dama da capital, Maísa Cartaxo, que afirmou que a decisão do marido é “irreversível”.

O movimento para que Cartaxo reveja a decisão, segundo revelou o tucano, teve início após encontro dele com o prefeito da capital durante a solenidade de assinatura do convênio do programa ‘Internet para todos’. Após uma boa conversa, segundo Romero Rodrigues, os dois decidiram “marchar juntos nas eleições deste ano de 2018” e a decisão foi sacramentada após uma nova reunião entre as lideranças do PSDB e PSD, dentre elas o senador Cássio Cunha Lima, o deputado federal Pedro Cunha Lima, além de Rômulo Gouveia e o deputado Manoel Ludgério.

Para Rômulo Gouveia, a nota divulgada por Romero Rodrigues “reflete um gesto de grandeza de quem abdica de uma postulação natural, de uma oportunidade que tem um gestor bem avaliado como ele, com espírito público de decência e compromisso”. Para o presidente do PSD, o prefeito Romero toma essa decisão em torno de um projeto maior que é a união das oposições, confiando ao prefeito da Capital, Luciano Cartaxo, a missão de disputar o governo do Estado.

Primeira-dama

Maísa, no entanto, disse que a decisão de cartaxo em desistir de disputar o governo do estado foi bastante madura e pensada e que, embora tenha crescido essa “campanha” para que ele volte atrás da decisão, não acha que isso deve ocorrer. “De todo modo, estou com Luciano na decisão que ele tomar”, completou.
Luciano Cartaxo continua em Brasília nesta quinta-feira e só deve retornar a João Pessoa nesta sexta-feira (16). Auxiliares do prefeito têm evitado dar opiniões e conjecturas sobre as definições que serão tomadas por ele após os novos desdobramentos surgidos com o apoio do prefeito da Campina Grande ao projeto de manutenção da aliança das oposições.

O grande entrave para o prefeito ter coragem de desincompatibilizar para enfrentar a disputa contra a candidatura do secretário João Azevedo (PSB), apoiada pelo governador Ricardo Coutinho (PSB), não é o PSDB, mas o MDB do senador José Maranhão, que insiste na tese da sua candidatura própria ao governo do estado, ainda que o preço seja caro ao partido.

Cartaxo diz que partidos da oposição estão colhendo o que plantaram

Gestor não esconde mágoa em relação aos colegas e sinaliza que poderá apoiar candidatura do bloco governista

Luciano Cartaxo anunciou na semana passada a desistência do processo eleitoral. Foto: Alessandro Potter- SECOM-JP

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), não esconde o descontentamento com os partidos do bloco de oposição. O pessedista trabalhava para se consolidar como nome para a disputa, mas desistiu do pleito na semana passada. O gestor participou de evento nesta segunda-feira (5) para a entrega de escola no Bairro das Indústrias. Na oportunidade, assegurou que vai esperar a apresentação dos nomes para a disputa escolherá quem vai apoiar. Em nenhum momento, no entanto, deu sinais de que se manterá na oposição. A posição do gestor, por isso, embaralha o processo sucessório no Estado.

Cartaxo lembrou que o ano de 2017 foi voltado para a pauta administrativa, porém, esperava uma decisão para janeiro. Acreditava que o nome dele seria escolhido pelos partidos de oposição para a disputa. “O que a gente viu foi uma pulverização no campo das oposições. Então, ao invés de a gente somar, de a gente unir forças, houve uma divisão cada vez mais nítida no processo de discussão interna. Então, eu acho que cada partido está escolhendo o caminho que quer. Vai colher o que plantou. Cada partido vai tomar a sua decisão, eu já tomei a minha”, disse o prefeito.

As declarações do prefeito caem como uma bomba entre os partidos de oposição e animam os governistas. O governador Ricardo Coutinho (PSB), durante agenda na manhã desta segunda-feira (5), se mostrou aberto ao diálogo. Ele tenta reforçar a candidatura do afilhado político, João Azevedo. O secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, com a saída de Cartaxo do pleito, ganha fôlego para a disputa. O prefeito da capital deixou claro que o grupo mais próximo a ele vai seguir o entendimento dele em relação aos apoios no pleito deste ano.

Entre os membros da oposição, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) não escondeu a surpresa com a decisão do prefeito. Ele alega que vai tentar ainda demovê-lo da decisão. Pretende amadurecer a discussão sobre o assunto para que, caso não deseje mesmo ser candidato, o prefeito da capital mantenha o apoio aos nomes da oposição. O tucano garante que não será candidato ao governo e buscará a reeleição. O parlamentar também deixou claro que o filho dele, o deputado federal Pedro Cunha Lima, também vai buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados.

O senador José Maranhão (MDB) assume a postura de manutenção da candidatura dele. O parlamentar diz manter a esperança de receber o apoio do prefeito Luciano Cartaxo, apesar de reconhecer a dificuldade de recebê-lo. A insistência para a manutenção da candidatura dele, inclusive, foi um dos motivos que levaram o prefeito a desistir da disputa. O pessedista reclamou da pulverização das candidaturas de oposição.

Com informações de Angélica Nunes, do jornaldaparaiba.com.br

Cartaxo viaja com a família e frustra reunião das oposições

Senador Cássio Cunha Lima esperava demover o gestor da desistência do processo e mantê-lo como opção para o governo

Ruy, Cartaxo, Cássio e Romero posaram para foto em evento no ano passado em um quadro que agora perde força. Foto: Divulgação

A esperada reunião dos tucanos com o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), neste fim de semana, não vai acontecer mais. O gestor viajou com a família e, por isso, alegou a impossibilidade para o encontro. A expectativa da reunião foi gerada pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB), nesta sexta-feira (2), após discussão com o tucanato. O prefeito anunciou na última quinta-feira a saída do processo de discussão para a disputa do governo do estado pela bandeira da oposição. Com isso, sobraram especulações de uma possível migração dos pessedistas para o campo governista. O gestor, no entanto, diz apenas que vai esperar a colocação dos nomes para dizer com quem vai ficar na disputa.

O senador Cássio Cunha Lima, em conversa com a imprensa, demonstrou surpresa com a decisão do prefeito. Ele acredita, no entanto, numa possível volta atrás de Cartaxo nas suas convicções. Não descarta, inclusive, que o pessedista ainda seja o nome das oposições para disputar o governo. Enquanto não há uma definição, ele tratou de afastar a tese de que ele mesmo seja o candidato ou então Pedro Cunha Lima (PSDB). Diz que o nome posto pelos tucanos para a disputa é do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues. O gestor campinense, inclusive, foi outro a demonstrar surpresa com a decisão do prefeito. Cartaxo tinha tentado falar com ele antes do pronunciamento, mas encontrou o telefone desligado.

Com a saída de Luciano Cartaxo do processo, cresce a expectativa na base governista. Os aliados do governador Ricardo Coutinho (PSB) caíram em campo, com um discurso amenizado. Eles convidam o prefeito para o apoio ao nome dos socialistas para a disputa, João Azevedo. O hoje secretário de Infraestrutura do Estado era visto com desconfiança pelos aliados, mas ganhou cancha com a desistência do prefeito. O deputado estadual Adriano Galdino (PSB) foi o primeiro a formalizar um convite. O vereador Eduardo Carneiro convocou uma reunião do seu partido, o PRTB, para discutir a posição em relação ao Cartaxo. Hoje ele faz oposição ao prefeito de João Pessoa.

As lideranças de oposição, no entanto, ainda vão insistir na conversa com o gestor pessoense.

 

 

Rômulo espera que Luciano Cartaxo não deixe o partido e reforce a oposição

Lideranças do partido divulgam nota com a expectativa de que o prefeito reforce a atuação das oposições no Estado

Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo brigavam para se cacifar para a disputa de 2018. Foto: Divulgação

O deputado federal Rômulo Gouveia (PSD) quebrou o silêncio sobre a decisão do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), de não disputar a eleição para o governo do Estado. O gestor trabalhava entre os aliados a indicação para o pleito e vinha cobrando pressa em uma definição. A tese de Cartaxo era de que as siglas que se opõem ao governador Ricardo Coutinho (PSB) precisavam definir até o mês passado o nome do candidato. A empreitada enfrentou resistência de lideranças como o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), e do próprio senador Cássio Cunha Lima (PSDB). Dentro do próprio partido, o clima não era pacífico. O deputado estadual licenciado, Manoel Ludgério, defendia o nome de Romero.

Confira a nota da Executiva do Partido:

Luciano Cartaxo não desistiu de ser candidato a governador da Paraíba, como afirmam alguns. O Prefeito reeleito de João Pessoa, que recebeu mais de 60% dos votos na capital e foi eleito em primeiro turno, demonstrou o seu perfil corajoso e arrojado, por priorizar investimentos e toda a sua dedicação no bem estar da população, em mobilidade, infraestrutura, educação e saúde de qualidade. A gestão do Prefeito Luciano é marcada por resultados. Tudo isso com muita transparência, respeito e rigor com a coisa pública. Por isso repito, Luciano não desiste. O Prefeito Luciano não desistiu de contribuir com a Paraíba. Ele escolheu, isso sim, concluir o mandato para o qual foi escolhido pela população pessoense e que vem transformando a capital e centro das decisões do governo estadual. O PSD o vê como uma importante liderança no Estado, nome natural para disputar, e governar, a Paraíba. Como prefeito, seguirá como uma voz atuante nas discussões do rumo do nosso Estado. Como liderança do PSD, será um dos condutores nas decisões sobre a participação do Partido nas eleições que se aproximam, seja na composição de uma aliança, seja com o lançamento de uma candidatura própria, para a qual o presidente municipal do PSD, seu irmão Lucélio Cartaxo que possui todas as credenciais, seja até mesmo repensando a sua decisão. Afinal, é do sábio também mudar de opinião. Tenha certeza, Luciano, que tem o nosso apoio em sua decisão. Seguiremos atuando, como sempre fizemos, em defesa dos interesses de João Pessoa, da nossa Prefeitura, e de toda a população da Paraíba, em busca de mais verbas, investimentos e projetos, nos Ministérios, Autarquias, Secretaria e em todas as instituições públicas. A Paraíba, João Pessoa, o PSD e o Prefeito Luciano terá a nossa voz no Congresso Nacional e na Assembléia Legislativa.

Rômulo José de Gouveia
Deputado Federal e Presidente da Executiva Estadual do PSD

Manoel Ludgério
Deputado Estadual e Vice Presidente da Executiva Estadual do PSD

Em nome da Executiva Estadual do Partido Social Democrático – PSD

 

Cartaxo zera o jogo e não garante apoio a candidatos da oposição

Depois de anunciar desistência da disputa, prefeito diz que espera nomes serem colocados para decidir o destino

Luciano Cartaxo dá entrevista coletiva para falar sobre o futuro. Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Muito mais do que anunciar o abandono da disputa pelo governo do Estado, o prefeito Luciano Cartaxo (PSD) deixou claro que o jogo está zerado. Durante entrevista coletiva, na tarde desta quinta-feira (3), o gestor alegou que “as oposições” perderam o “timing” para a escolha de um nome para a disputa. Ele promete acompanhar o processo eleitoral, mas evita marcar posição. Vai esperar a definição dos nomes que estarão na disputa e, depois disso, definir quem receberá seu apoio. A decisão foi tomada após seguidas cobranças sobre PSDB, MDB e PSD, partido que o abrigou desde 2015, sobre a disputa.

A reunião para comunicar a posição ocorreu na manhã desta quinta, para um grupo seleto de auxiliares. A definição, no entanto, segundo forte ouvida pelo blog, ocorreu há alguns dias. Ela vinha sendo amadurecida por causa do que alguns secretários do staff do prefeito chamava de “fritura” das lideranças de oposição. “Eles (as lideranças de oposição) não queriam a candidatura de Luciano. Estavam apenas cozinhando em banho-maria”, disse um auxiliar. Questionado sobre o que levou à decisão desta quinta, outro aliado foi enfático: “é só acompanhar os sinais que foram dados pela oposição. Cássio (Cunha Lima) vai ser o candidato”.

Sem verbalizar exatamente o que o fez abandonar a ideia de disputar o governo, o prefeito evitou fechar questão sobre apoios. “Essa é uma discussão que vamos fazer com muita gente. Não é uma decisão pessoal, de Luciano Cartaxo. Vamos dialogar com muita gente. Ver quem são os candidatos. Cada partido tem autonomia, da mesma forma que eu tomei a minha decisão, eu disse que ia tomar essa decisão, eu disse que tinha um prazo, eu disse que tinha um limite para avançar neste processo, então, eu tomei a decisão e vamos esperar a decisão dos outros partidos”, disse.

Cartaxo disse ainda nem saber que posicionamento adotará para a disputa. Ele deixou claro, no entanto, que não há questão fechada.  “Não sabemos quem são os candidatos que serão colocados à disposição da Paraíba e quando estes nomes estiverem à disposição, nós vamos fazer o bom debate”, ressaltou. Um ponto colocado por vários aliados do prefeito foi o clima de desconfiança que vinha aumentando. Desde o fechamento das urnas, em 2016, a definição do nome foi ficando mais difícil gradativamente. “Havia o compromisso dos partidos de oposição e ele foi paulatinamente sendo quebrado”, disse uma das fontes.

Mudança de partido

O clima de desconfiança vem numa crescente entre os aliados do prefeito Luciano Cartaxo. Não há certeza, inclusive, de que ele se manterá no PSD. Há a discussão de que a permanência dele no partido poderia inviabilizar uma disputa. Há até quem já bata o martelo sobre a possibilidade de mudança para um partido da base aliada do governador Ricardo Coutinho. Siglas como PTB, por exemplo, chegaram a ser ventiladas a boca miúda durante a entrevista coletiva. O gestor, no entanto, não toca no assunto. Se resume a dizer que vai esperar a definições dos nomes para escolher quem apoia.

Nota de Romero

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), divulgou nota logo após a oficialização da desistência de Cartaxo. Ele externou surpresa pela informação. Os dois disputavam internamente, entre os partidos de oposição, a indicação para a disputa. Nos bastidores, a informação era a de que o gestor campinense trabalhava uma saída da disputa. O gestor revelou que vai procurar o prefeito da capital e que só depois da conversa, vai se manifestar oficialmente.

“​Pela relevância do fato político e pela extrema consideração, respeito e amizade que nutre pelo colega de João Pessoa, Romero Rodrigues não pretende emitir qualquer opinião a respeito do assunto sem antes manter entendimentos pessoais com Luciano Cartaxo, avaliar com ele as circunstâncias e assumir qualquer decisão posterior em harmonia com o gestor da Capital, a quem considera um dos melhores quadros da politica paraibana da nova geração”, disse a nota divulgada pela assessoria do prefeito.

PSDB

O presidente estadual do PSDB, Ruy Carneiro, disse respeitar a opinião do prefeito. O dirigente prometeu procurar Luciano Cartaxo para discutir a composição de uma nova chapa. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) chega na tarde desta quinta-feira à Paraíba e participa de solenidade em Santa Rita. O dirigente evitou opinar sobre a decisão do pessedista.

Nos bastidores, entre os tucanos, há que fale que a desistência do prefeito de João Pessoa era uma hipótese prevista. Eles atribuem o fato à resistência do senador José Maranhão (MDB) de seguir no projeto que resultou na reeleição do gestor. “Cartaxo já havia conversado com Romero. Estava tudo certo. Romero já dava sinais de que abandonaria o projeto de disputar as eleições”, ressaltou.

O presidente estadual do PSD, Rômulo Gouveia, não foi localizado pelo blog.