Somadas, penas aplicadas na Lava Jato chegam a 1.200 anos

Muitas algemas foram utilizadas durante o ano pela Polícia Federal. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O ano de 2016 foi o mais produtivo da Lava Jato, operação que apura o esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras e outros órgãos da administração federal. A avaliação é do Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), responsável pela condução da força tarefa desde 2014.

Em balanço divulgado na quinta-feira (29), a procuradoria paranaense relata que em 2016 foram deflagradas 17 operações e oferecidas 20 denúncias contra acusados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiros e organização criminosa. O número supera as ações realizadas nos dois anos anteriores.

Em 2016, também ocorreu a terceira restituição de recursos aos cofres da Petrobras, por meio de acordos de delação premiada e de leniência. Em novembro, a empresa recebeu de volta mais de R$ 204 milhões, o maior valor já devolvido pela justiça criminal brasileira a uma vítima. Desde o início da operação, aproximadamente R$ 500 milhões foram devolvidos à Petrobras.

Segundo a nota, de 2014 até o momento foram cumpridos 103 mandados de prisão temporária, 79 de prisões preventivas, 730 de busca e apreensão, 197 de condução coercitiva e seis prisões em flagrante. A prisão do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, em novembro, foi uma das ações desenvolvidas este ano pelo MPF-PR em parceria com a procuradoria fluminense.

O balanço do MPF-PR também faz menção ao projeto de iniciativa popular conhecido como pacote anticorrupção, que, segundo a nota, foi desfigurado pela Câmara dos Deputados para inibir a atuação dos procuradores. Para a procuradoria, as alterações feitas foram “claramente retaliatórias”.

O Ministério Público Federal do Paraná também critica a lei de abuso de autoridade e outras iniciativas apresentadas no Congresso, como as propostas de alteração na Lei de Repatriação de Recursos e na lei que trata dos acordos de leniência. As mudanças propostas pelos parlamentares teriam o intuito de abrir a possibilidade de impunidade e anistia para crimes graves de corrupção e lavagem de dinheiro.

Os procuradores responsáveis pela força-tarefa afirmam ainda que é a sociedade que protegerá a Operação Lava Jato das investidas do Legislativo e alertam para o impacto econômico da corrupção. “Apenas a sociedade poderá levar o país na direção certa, com reformas políticas e do sistema de justiça que previnam novos escândalos de corrupção e nos coloquem nos trilhos do desenvolvimento econômico e social”, diz Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa.

“Estudos mundiais revelam que, se queremos uma economia forte, precisamos passar pela diminuição dos índices de corrupção. Dizer que o combate à corrupção prejudica a economia não só ignora as reais causas da crise como também que o caminho para o desenvolvimento econômico e social passa pelo enfrentamento desse mal”, disse o procurador Orlando Martello.

Da Agência Brasil

Memes mostram Lava Jato como “receita” de emagrecimento

A criatividade dos internautas não tem limite. Tem circulado nas redes sociais fotos comparando o antes e o depois de empresários e políticos presos em fases da operação Lava Jato. As fotos são seguidas de comentários que vão de “receita de emagrecimento” a “fórmula para ficar com cara de pobre”. Grosserias à parte, é visível que a rudeza dos dias na prisão fizeram muito mal à aparência dos acusados de envolvimento em corrupção ativa e passiva que passaram ou estão confinado no Presídio Federal de Curitiba. Vamos aos casos:

Marcelo Odebrecht

Ex-presidente da Construtora Norberto Odebrecht, preso em 2015, é acusado de corrupção ativa contra políticos e gestores públicos. É temido pela delação premiada que deverá envolver um grande número de políticos. Tenta, com as delações, reduzir o tempo na prisão. Foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro.

Sérgio Cabral (PMDB-RJ)

Ex-governador do Rio de Janeiro, Cabral foi preso com a mulher, Adriana Ancelmo, sob a acusação de recebimento de propinas. Eles teriam usado a compra de jóias em dinheiro para disfarçar o recebimento de dinheiro ilegal. Cabral foi transferido para o Presídio Federal do Paraná, mas depois teve o retorno para Bangu autorizado.

José Dirceu (PT-SP)

O ex-deputado federal José Dirceu foi preso no bojo da operação Lava Jato no ano passado. Ele foi condenado em maio deste ano a 23 anos e três meses de prisão, pena reduzida um mês depois para 20 anos e 10 meses.
O ex-ministro foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

João Vaccari Neto (PT-SP)

Ex-tesoureiro do PT, Vaccari foi preso em 2015. Ele foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro, neste ano, a nove anos de prisão e ao pagamento de uma multa de R$ 420 mil pelo crime de corrupção passiva. Era acusado de  cobrar propina das empresas para financiar as disputas eleitorais do PT.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Inaldo Leitão rebate delator da Odebrecht: “‘TODO FEIO’, EU?”. Confira o artigo

Imagem: Reprodução\ Facebook

Imagem: Reprodução\ Facebook

O ex-deputado federal Inaldo Leitão divulgou nas redes sociais um texto em forma de desabafo para desmentir o ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, delator dos esquemas envolvendo políticos com a empreiteira. No texto, o ex-parlamentar se refere ao delator como “ex-amigo e atual canalha”. Também questiona o codinome atribuído a ele na delação. Leitão era chamado de “Todo Feio”. “Não é bem assim, né? Se fosse escolher um codinome para esse delator, ficaria em dúvida entre Todo Horroroso ou O Mentiroso”, disse na nota.

Confira o texto na íntegra:

‘TODO FEIO’, EU?
O ex-amigo e atual canalha Claudio Melo afirmou, na sua delação, que eu recebi 100 mil da Odebrecht na campanha de 2006. Como esse fato já faz 10 anos, não lembro exatamente o valor recebido, mas sei que foi em caráter oficial. E que fique claro: o delator confessa que me fez a doação por eu ter um cunhado trabalhando na empresa e por amizade pessoal, MAS SEM QUALQUER CONTRAPARTIDA.

Nunca tive relação de negócio com a Odebrecht, jamais fiz qualquer pagamento à empresa nos cargos que exerci e tampouco apresentei projeto de lei ou relatei proposição do seu interesse, direto ou indireto, na Câmara dos Deputados. Isso inclui qualquer outra empresa.

O delator afirma que os personagens delatados retribuíram a doação recebida por diversos meios e formas. MENOS EU.
Moro em Brasília desde 2007 pagando aluguel. Em 40 anos de atividade profissional (advogado, procurador do Estado e professor da UFCG), fui também Secretário de Estado por três vezes, Delegado do Mec, Deputado Estadual, Presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Federal por duas legislaturas e o único patrimônio imobiliário que tenho é um apartamento em João Pessoa (bem de família).

Ou seja, nunca me utilizei da carreira pública para acumular patrimônio ilegalmente. Nesse quesito, ocorreu o contrário: só perdi. E não me arrependo, pois jamais tive como objetivo de vida a riqueza.
Outra coisa que não gostei nessa delação do canalha Claudio Melo foi codinome de “Todo Feio”. rsrsrsrsrs Não é bem assim, né? Se fosse escolher um codinome para esse delator, ficaria em dúvida entre Todo Horroroso ou O Mentiroso.

P. S. Ora, ora, ora…

Acabei de ter acesso ao texto da delação do canalha Claudio Melo. Diz ele: “Durante a campanha de 2010, recebi um pedido do Ex-Deputado Inaldo Leitão para que reforçasse junto ao Pacífico, DS das regiões norte e nordeste e amigo pessoal de Inaldo, a solicitação que ele havia feito a Pacífico de contribuição financeira. Reforcei o pedido junto a Pacífico até porque tenho tenho uma relação com o parlamentar e o mesmo tinha capacidade demonstrada de ser um futuro líder na Câmara, já tendo sido membro da CCJ. Ressalto, ainda, que este ex-Deputado tem relações antigas na empresa, além de familiares.”

Detalhe: NÃO FUI CANDIDATO EM 2010!!!

Outro: como esse sujeito pode dizer que eu vou ser líder de uma bancada que ainda não existe e só será conhecida depois da eleição?

Vitalzinho é alvo de busca e apreensão no âmbito da operação Lava Jato

Vital do Rêgo

Vital do Rêgo Filho (D). Ao fundo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, foi alvo de busca e apreensão em nova fase da operação Lava Jato. Ele é acusado de ter cobrado propinas de fornecedores da Petrobras para que eles não fossem convocados para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada pelo Congresso Nacional, em 2014, para apurar irregularidades na Petrobras. A ação incluiu o deputado federal Marco Maia, também alvo da operação, com buscas realizadas em Brasília e no Rio Grande do Sul. No caso de Vitalzinho, houve busca e apreensão em Campina Grande, João Pessoa e em Brasília. A nova etapa da operação recebeu o nome de Deflexão.

Os mandados de busca e apreensão para coleta de provas foram autorizados pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).Vitalzinho e Maia foram delatados, inicialmente, pelo ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT) e depois por donos de empreiteiras. O outro membro da CPMI, suspeito de envolvimento na suposta cobrança de propinas, foi o ex-senador Gim Argelo, que se encontra preso atualmente. Por não ter mais foro privilegiado, ele foi julgado pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato no primeiro grau.

Na época, Vitalzinho era senador e ocupava o cargo de presidente da comissão. Já Marco Maia era o relator da comissão parlamentar. Em maio, Teori havia autorizado a abertura de inquérito para investigar o envolvimento dos dois na Lava Jato com base na delação premiada do senador cassado Delcídio do Amaral. No pedido de abertura de inquérito, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, alegou que os fatos narrados por Delcídio indicam crimes de concussão ou corrupção passiva.

O inquérito apura se parlamentares teriam solicitado a empresários contribuição financeira para que não fossem convocados a prestar depoimento na CPMI. Os executivos afirmam ter repassado valores superiores a R$ 5 milhões para evitar retaliações e contribuir para campanhas eleitorais. O nome da operação faz referência ao verbo defletir, que significa provocar mudança ou alteração no posicionamento normal de algo. Uma alusão ao fato de que, mediante propina, empreiteiros investigados passaram à condição de blindados de uma eventual responsabilização.”

Um dos delatores da Lava Jato, o executivo da Andrade Gutierrez Gustavo Xavier Barreto afirmou em depoimento à Polícia Federal que a blindagem aos empreiteiros foi discutida em um almoço na casa de familiares do ex-senador Gim Argello (PTB-DF), preso e condenado na Lava Jato sob acusação de cobrar propina para barrar a convocação de empresários na CPI da Petrobras. Ainda de acordo com Barreto, Vital do Rêgo participou do almoço.

NOTA À IMPRENSA

“Com relação à diligência ocorrida na manhã de hoje, quero manifestar meu respeito e compreensão ao trabalho das autoridades competentes no exercício de suas funções legais.

Tenho certeza que a medida, cumprida com eficiência e urbanidade, vai confirmar que jamais tive qualquer participação nos fatos em apuração.

Quero renovar meu compromisso de irrestrita colaboração com as autoridades, naquilo que for necessário, dentro do que determina o devido processo legal e as regras que regem o Estado Democrático de Direito.”

Para Gilmar Mendes, tipificar o “caixa 2” não traz risco para a Lava Jato

Gilmar Mendes durante encontro em João Pessoa. Foto: Suetoni Souto Maior

Gilmar Mendes durante encontro em João Pessoa. Foto: Suetoni Souto Maior

A tipificação do “caixa 2”, em discussão na Câmara dos Deputados, não traz perigos para a operação Lava Jato. A opinião é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que participa, nesta sexta-feira (25), em João Pessoa, da conferência sobre Controle de Convencionalidade, promovida pela Escola Superior da Magistratura (Esma). O magistrado, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se mostrou favorável à movimentação dos deputados, apesar das especulações de que a proposta teria como pano de fundo a anistia dos acusados de “caixa 2”. Durante a entrevista coletiva, ele falou também sobre a proposta que tramita no Senado, que prevê a punição para os casos de abuso de autoridade, além de apresentar uma previsão para o julgamento da chapa Dilma-Temer.

Confira, em tópicos, os melhores trechos da entrevista:

Tipificação dos crimes de “caixa 2” sem riscos para a Lava-Jato

Eu tenho a impressão de que é positiva, a proposta de tipificar como crime o caixa 2. Até por que aqui havia uma certa confusão na própria jurisprudência da Justiça Eleitoral, do TSE. Às vezes se falava que era o crime do artigo 350 do Código Eleitoral, emitir uma declaração. A maioria das vezes se dizia que não havia crime. Então, agora passamos a ter a possibilidade desta definição. Não acho que haja a possibilidade de ela inviabilizar a Lava-Jato buscando uma anistia dos fatos passados. Os fatos anteriores não eram relevantes do ponto de vista jurídico quanto a caixa 2. Agora, se houve corrupção, se houve propina, lavagem de dinheiro, isso já estava caracterizado e será perseguido judicialmente sem maiores problemas. Não vejo que haja risco para a Lava Jato.

Nova carteira de punições para os casos de abuso de autoridade

Eu sou a favor. Aliás, esse projeto foi elaborado sobre a nossa supervisão no Supremo Tribunal Federal, em 2009. Eu entendo que faz falta no Brasil um novo catálogo de crimes de abuso de autoridade. A lei que nós temos é de (19)65 e está totalmente defasada. O que se discute hoje no Congresso não é a conveniência ou não de ter uma lei de abuso de autoridade. O que está se discutindo também no ambiente público é o momento. Se seria avisado fazer isso agora, essa lei, porque a investigação da Lava-Jato e tudo o mais. Eu tenho dito que esse argumento não se sustenta, porque eu não posso supor que os investigadores da Lava-Jato estejam cometendo abuso de autoridade. Até porque se houvesse esse tipo de prática certamente teria outros modos de impugnação. A lei é uma lei moderna. O projeto pode ser aperfeiçoado, mas eu acho oportuno que se legisle sobre o tema consolidando regras sobre o abuso de autoridade. Não tem a ver com o juiz, promotor, delegado… tem a ver com todo mudo, com todo mundo que exerce autoridade. Desde o guarda de esquina, o auditor fiscal, o parlamentar nas CPIs. Em suma, todo mundo que exerce autoridade em relação às pessoas ordinárias, às pessoas comuns, podem ser tentados a cometer abusos de autoridade e esta lei é um anteparo.

Julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE só no ano que vem

Este processo ainda está em tramitação, como vocês sabem, nós estamos na fase de instrução. O ministro Herman Benjamin está na fase de instrução ainda. Muitos daqueles delatores da Lava-Jato estão reiterando depoimentos agora, frente à Justiça Eleitoral, e eu acredito que isso será julgado somente no ano que vem.

Saída de Geddel Vieira Lima do governo federal após polêmica

Acho isso normal. A política é uma atividade muito dinâmica, por isso, os ministros são auxiliares do presidente e surgem problemas de compatibilidade política, de questões relativas à conduta. O próprio governo se formou em um quadro, digamos assim, de um certo improviso. Afinal, com o impeachment da presidente, teve que se fazer uma reunião com uma certa pressa, de afogadilho. Logo deve haver novas mudanças nos ministérios. Se nós formos olhar, aqui ou em outro governo, essa equipe é sempre um negócio instável, então, isso é uma coisa normal.

Moro determina a prisão de Eduardo Cunha

Brasília- DF 14-07-2016 Sessão da CCJ que não aceitou os recursos do deputado Eduardo Cunha. Foto Lula Marques/Agência PT

Brasília- DF 14-07-2016 Sessão da CCJ que não aceitou os recursos do deputado Eduardo Cunha. Foto Lula Marques/Agência PT

O ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) foi preso na manhã desta quarta-feira (19) por determinação do juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato na primeira instância. O despacho de Moro atende pedido de prisão preventiva formulada pelo Ministério Público Federal (MPF). A decisão foi tomada um dia depois de o deputado federal paraibano, Hugo Motta (PMDB), aliado de Cunha, ser ouvido pelo magistrado sobre ação penal envolvendo a mulher do ex-deputado, Cláudia Cruz. Ela é acusada de lavagem de dinheiro fruto de propina supostamente recebida pelo ex-parlamentar.

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Eduardo Cunha é conduzido para avião que o levará para o presídio, em Curitiva (PR). Foto: Lula Marques/ AGPT

O peemedebista perdeu o mandato de deputado federal em setembro, após ser cassado pelo plenário da Câmara. Com isso, ele perdeu também o foro privilegiado, que é o direito de ser processado e julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação penal contra Cunha trata da existência de contas na Suíça, em nome do ex-parlamentar. O processo tramitava inicialmente na Suprema Corte e foi repassado para a primeira instância depois que Cunha teve o mandato cassado. O STF já havia aceitado a denúncia e Moro deu continuidade ao julgamento do caso, a partir de onde o processo parou na Suprema Corte.

Cunha é acusado de receber propina de contrato de exploração de Petróleo no Bênin, na África, e usar contas na Suíça para lavar o dinheiro. Cláudia Cruz, mulher de Cunha, já responde por lavagem de dinheiro e evasão de divisa na Justiça Federal do Paraná. De acordo com as investigações, Cláudia Cruz foi favorecida, por meio de contas na Suíça, de parte de valores de propina de cerca de US$ 1,5 milhão recebida pelo marido.

Eduardo Cunha foi preso em Brasília e a expectativa da Polícia Federal é que ele chegue a Curitiba no fim da tarde. Também houve cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do ex-parlamentar, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A prisão do ex-presidente da Câmara foi preventiva, por isso, é por tempo indeterminado. Na última segunda-feira (17), o juiz Sérgio Moro deu prazo de dez dias para os advogados do parlamentar apresentassem defesa prévia.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados é acusado de acusado manter R$ 5 milhões em contas na Suíça originários de suposta propina de contratos de exploração de petróleo da Petrobras na África. Durante suas defesas na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha alegou que era apenas usufrutuário das contas que pertencem, na verdade, a trusts (instrumento jurídico usado para administração de bens e recursos no exterior). Ele foi cassado por quebra de decoro parlamentar por ter mentido sobre a existência das contas no exterior em depoimento na CPI da Petrobras.

Íntegra da nota de Cunha sobre a prisão:

“Tendo em vista o mandado de prisão preventiva decretado hoje pela 13ª vara federal do Paraná, tenho a declarar o que se segue:
Trata-se de uma decisão absurda, sem nenhuma motivação e utilizando-se dos argumentos de uma ação cautelar extinta pelo Supremo Tribunal Federal.

A referida ação cautelar do Supremo, que pedia minha prisão preventiva, foi extinta e o juiz, nos fundamentos da decretação de prisão, utiliza os fundamentos dessa ação cautelar, bem como de fatos atinentes à outros inquéritos que não estão sob sua jurisdição, não sendo ele juiz competente para deliberar.

Meus advogados tomarão as medidas cabíveis para enfrentar essa absurda decisão.”

Lula aponta ignorância de investigadores da Lava Jato e fala que eles estão “condenados” a condená-lo

Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

A Folha de São Paulo traz artigo nesta terça-feira (18) assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na mesma semana em que se especulou a sua prisão, o petista acusa os investigadores da Lava Jato de desconhecerem o funcionamento de um governo de coalizão e de serem prisioneiros do “circo” que foi armado para incriminá-lo. Em termos de argumentos, o texto não traz nada além do que vem sendo dito pela liderança, mas pontua alguns lacunas que precisarão ser preenchidas pelos investigadores e pelo juiz federal Sérgio Moro para justificar uma eventual prisão do ex-gestor.

Questionamentos sobre as provas apontadas lotam o texto, pontuando, por exemplo, o suposto presente de um apartamento no Guarujá (SP). É bem verdade que a repercussão negativa da reforma pode ter amedrontado a família Lula da Silva na operação de compra do imóvel, que, segundo os investigadores, viria com vários bônus fora do contrato e que seriam fruto de propina. Mas é verdade também que o apartamento nunca esteve em nome do petista. Ele diz que o custo da reforma seria acrescido no valor final do imóvel. Como afirmar que não seria? Eu tenho as minhas crenças, assim como qualquer um tem o direito de ter convicções, mas elas precisam ser comprovadas.

No final das contas é inegável dizer que há saia justa para a Lava Jato e que qualquer prisão não poderá ocorrer com as mesmas bases usadas para Léo Pinheiro ou mesmo Marcelo Odebrecht. Isso não funcionaria para uma liderança popular, sob o risco de haver romaria na porta do presídio. É preciso prova cabal. Se elas existem, melhor apresentá-las.

Confira a íntegra do artigo publicado na Folha de São Paulo:

 

Por que querem me condenar

Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.

Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.

Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.

Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.

Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.

Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.

Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.

Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma “organização criminosa”, e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que “não há fatos, mas convicções”.

Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do “chefe”, evidenciando a falácia do enredo.

Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.

De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.

Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.

Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.

A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.

Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.

Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?

Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.

Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.

É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.

Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.

Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA foi presidente do Brasil (2003-2010). É presidente de honra do PT (Partido dos Trabalhadores)

Empresa citada em delação sobre propina para Vitalzinho tinha contratos milionários na gestão de Veneziano

Vital do RêgoA empresa citada em delação premiada pelo ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, como canal para transferências de propinas da empreiteira para o hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, manteve contratos superiores a R$ 10,4 milhões com a prefeitura de Campina Grande, entre 2006 e 2012, período em que o agora deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) comandou o Executivo municipal. As informações são do Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres), do Tribunal de Contas do Estado (TCE). De acordo com o órgão, a Construtora Planicie LTDA. executou contrato da ordem de R$ 92,7 mil, em 2006, e outro de R$ 10,3 milhões, em 2012, para a gestão municipal, justamente no último ano de mandato de Veneziano.

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De acordo com Pinheiro, as propinas eram cobradas em 2014 pelos ex-senadores Vital do Rêgo Filho e Gim Argello, este último preso no curso da Operação Lava Jato. Os dois teriam cobrado “pedágio” para não dar seguimento aos requerimentos apresentados por outros parlamentares na Comissão Parlamentar de Inquérito Mista da Petrobras (CPMI), em 2014. Segundo o empreiteiro, a Construtora Planicie, com sede em Santa Rita, foi utilizada para lavar R$ 1,5 milhão de caixa 2 para a campanha de Vitalzinho que, na época, disputou o governo do Estado e foi derrotado ainda no primeiro turno. A informação foi revelada nesta terça-feira (4) em reportagem publicada pelo jornal O Estado de São Paulo e reproduzida pelo Blog do Rubão.

O primeiro a denunciar o suposto recebimento de propina por Vitalzinho foi o ex-senador Delcídio do Amaral, que, em depoimento ao Ministério Público Federal, deu detalhes sobre como teria funcionado o suposto esquema para “extorquir” empreiteiros. O resultado disso é que, em maio deste ano, o ministro Teori Zavaski aceitou as denúncias contra o ministro do Tribunal de Contas da União e determinou a abertura de investigação contra ele. Além de Vitalzinho, viraram réus no processo Gim Argello e o deputado federal petista Marco Maia (RS). Todos foram acusados por Delcídio de chantagear executivos das empreiteiras para evitar convocações para depor na CPMI.

Segundo a matéria de hoje de O Estado de São Paulo, esta “é a primeira vez que o empreiteiro implica a Construtora Planície, localizada no município paraibano de Santa Rita, de 140 mil habitantes e que recebeu R$ 2,5 milhões da OAS entre os dias 29 de setembro e 30 de outubro de 2014 sob a rubrica ‘locação de equipamentos’ para as obras do Canal do Sertão em Inhapi, Alagoas, parte das obras da Transposição do São Francisco”. “Parte desta quantia (R$ 1,5 milhão, segundo o empreiteiro) foi utilizada para viabilizar o pagamento da mencionada parcela da vantagem indevida”, afirma a defesa de Léo Pinheiro, preso pela segunda vez na Lava Jato em setembro.

Resposta de Vital do Rêgo

Em nota, o ministro Vital do Rêgo informa que não recebeu recursos da referida empresa para sua campanha eleitoral. Ele ainda reitera que jamais negociou, com quem quer que seja, valores relacionados a doações ilícitas de campanhas eleitorais ou qualquer tipo de vantagem pessoal indevida.

Resposta da Construtora Planicie

“Ao cumprimentá-lo, em atendimento aos questionamentos trazidos, a Construtora Planície Ltda., tem a esclarecer:

• Não conhece o Sr. Leonardo Pinheiro;
• Foi contratada pela Construtora OAS S.A, para locação de equipamentos destinados para a obra no Estado de Alagoas, por já estar prestando serviços naquele Estado junto a obras de Transposição do Rio São Francisco pelo Exército Brasileiro e certamente por possuir em sua frota própria, todos os equipamentos necessários a execução da obra. A mencionada contratação se deu por meio de prepostos da contratante, sem qualquer intervenção de seus Diretores;
• Os serviços elencados nas notas fiscais anexas ao vosso e-mail podem ser facilmente comprovados por meio de documentação própria e comum a serviços desta natureza;
• Não possui conhecimento de quaisquer afirmações supostamente feitas pelo Sr. Leonardo Pinheiro, reitere-se, nunca o conheceu, ou a qualquer de seus assessores;
• Jamais prestou quaisquer serviços ao Sr. Vital do Rego ou qualquer de seus familiares;
• Quanto ao CNPJ, a empresa possui situação regular, estando ativa junto a Receita Federal do Brasil, encontrando-se adimplente com todas suas obrigações tributárias.”

Da redação com informações do jornal O Estado de São Paulo

“Governo sonrisal”: cai o terceiro ministro da gestão Temer

A operação Lava Jato fez a terceira “vítima” no governo interino de Michel Temer (PMDB-SP). Depois de Romero Jucá, ministro do Planejamento, e Fabiano Silveira, da Transparência, a mais nova baixa é a de Henrique Eduardo Alves (Turismo). O ministro, assim como os outros demitidos, foi citado na delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que gravou conversas com membros da cúpula do PMDB. Ele relata pagamento de propinas a Alves, que foi candidato ao governo do Rio Grande do Norte, em 2014.

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Machado afirmou à Polícia Federal ter viabilizado o pagamento de R$ 115 milhões a título de propina por meio das empreiteiras que prestam serviço à subsidiária. Nas gravações envolvendo Jucá, o ex-presidente da República, José Sarney (PMDB) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), indicam a pretensão dos peemedebistas de inviabilizar a operação Lava Jato. O impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) teria como objetivo “estancar a sangria” provocada pela operação, que tem os políticos como alvo.

Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), o ex-presidente da Transpetro afirmou que repassou a Henrique Alves R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014.

Vital do Rêgo será investigado na operação Lava Jato por suspeita de cobrar propina

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, vai ser investigado pela operação Lava Jato por suposta cobrança de propina de empreiteiras quando, no cargo de senador, comandava a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras no Congresso. A abertura do inquérito foi determinada pelo ministro Teori Zavascki, nesta quinta-feira (19), e inclui também o deputado federal petista Marco Maia (RS). Ambos foram acusados pelo ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT) de chantagear executivos das empreiteiras para evitar convocações para depor na CPMI.

Vital do Rêgo

A acusação inclui também o ex-senador Gim Argello (PTD-DF), que se encontra preso. Sem foro privilegiado, o ex-parlamentar responde às acusações à Justiça Federal do Paraná, diretamente ao juiz Sérgio Moro. Argello foi citado na delação premiada do executivo da Andrade Gutierrez, Gustavo Xavier, em depoimento à Polícia Federal. Ele disse que houve um almoço na casa de familiares do ex-senador, no qual também esteve o ex-senador Vital do Rêgo, em que foi falado sobre a preocupação da CPMI da Petrobras em “não prejudicar as empreiteiras”.

Em nota recente, Vital do Rêgo negou as acusações e disse que está à disposição da Justiça para prestar os esclarecimentos necessários. O parlamentar é acusado de ter cobrado propinas para que os empresários não fossem convocados pela CPMI comandada por ele. Confira detalhes da delação de Delcídio do Amaral:

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