Direção nacional do PSB quer disputa em João Pessoa e preocupa petistas

O processo de fusão do PSB com o PPS trouxe novo ânimo para os socialistas, que devem levar para a nova composição a sigla e o número 40. O partido também quer lançar candidato nas capitais dos 27 estados. O projeto põe em xeque a frágil relação entre socialistas e petistas em João Pessoa, presos ainda ao acordo firmado no ano passado, mas que, nas palavras do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), não está assegurado ainda para 2016.

PSB vs PT (2)

Em conversa com o blog, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, deixou claro que o objetivo é crescer. Ele acredita que poucos partidos têm tantos bons nomes como a sigla socialista. Em algumas capitais, como São Paulo (SP), as disputas são dadas como certas. O mesmo ocorre em relação a Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ) e Goiânia (GO). A meta é lançar candidato em todas as cidades com mais de 200 habitantes.

O caso de João Pessoa, Siqueira reforça, enseja um debate que se dará no tempo certo. Ele diz que ainda não conversou com Ricardo Coutinho e com o presidente estadual do partido, Edvaldo Rosas. O conceito é que se houver condições para a disputa, ela ocorrerá. A mensagem, quase subliminar, é como música para os ouvidos da deputada estadual Estela Bezerra e do secretário estadual João Azevedo. Ambos têm pretensões eleitorais.

Esta semana, em entrevista a uma emissora de TV local, Ricardo Coutinho voltou a colocar em aberto o debate sobre a eleição de 2016 e aproveitou para cobrar postura de aliado do PT na Assembleia. Os petistas, por outro lado, assumiram uma postura mais discreta. Uma das lideranças ligadas ao prefeito Luciano Cartaxo deixou claro que eles não vão revidar as provocações do PSB. “Se quiserem romper, vão ter que fazer isso sozinhos”, disse.

Manoel Júnior convicto de um lado, Gervásio Maia no papel de traído do outro

O cálculo do deputado estadual Gervásio Maia era simples: existia um acordo, o mandato do deputado federal Manoel Júnior acaba em 14 de julho, transcorrido o primeiro biênio, e ele assumiria o comando do PMDB de João Pessoa pelos próximos dois anos. Mero engano. Manoel Júnior mandou o recado: não sai e não abre do mandato “nem para um trem”. Quer organizar o partido para as eleições do ano que vem e ser candidato a prefeito da capital e, para isso, não quer enfrentar nenhum risco.

Foto: Kleide Teixeira

Foto: Kleide Teixeira

E tem sido muito direto nos seus recados para Gervásio Maia. Ele diz que tem credenciais para comandar a legenda e que o colega peemedebista não as tem. “Existem credenciais em relação ao meu nome. Se existir outro que tenha mais que eu, vamos pôr na mesa para comparar. A área de Gervasinho é Catolé do Rocha. Ele foi o quarto ou quinto do PMDB em votos em João Pessoa (na eleição passada). Perdeu até para Olenka (Maranhão), que só ganhou para suplente, e Raniery (Paulino), que tem a base eleitoral dele no Brejo”, alfinetou.

Manoel Júnior teme ficar sem legenda no PMDB, caso com outro presidente, o partido decida apoiar outro candidato. “Tenho uma relação com João Pessoa e venho estudando essa cidade há mais de 10 anos. Em 2004 era para eu ter sido o candidato do meu partido, que pediu para fazer uma coligação (com Ricardo Coutinho). Em 2012 eu acabei deixando para depois, já que (José) Maranhão foi o candidato. Ele queria ser de todo jeito e eu acatei por respeito ao nosso líder”, disse.

Foto: Rizemberg Felipe

Foto: Rizemberg Felipe

Gervásio Maia ficou perplexo com o que tem considerado uma manobra de Manoel Júnior. Segundo ele, o acordo foi registrado em ata e não pode ser quebrado. “Se ele não me entregar (o cargo), estará quebrando o que ficou pactuado, com a chancela da executiva estadual. Eu até havia sugerido que eu assumisse o primeiro biênio e ele ficasse com o segundo, porque o período das eleições é mais importante, mas ele preferiu assim”, disse, sem esconder o descontentamento.

Apesar de não confirmar que pretende entrar na disputar interna para ser o candidato a prefeito pelo PMDB, Gervasinho disse que o seu nome estará sempre à disposição do partido para qualquer investidura e alfinetou o “concorrente”, que segue orientação diferente do partido desde as últimas eleições, quando apoiou o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) para o governo. “Tem gente que só é partido na hora do bem bom”, finalizou. (Com informações de Angélica Nunes)

Orçamento Participativo um pouco mais modesto na Prefeitura de João Pessoa

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), lança nesta quarta-feira (22) um Orçamento Participativo um pouco mais realista que os de anos anteriores. O motivo é simples: desde que assumiu o mandato, em 2013, as demandas têm se tornado repetitivas, por serem maiores que a capacidade de execução da Prefeitura de João Pessoa. Por conta disso, a partir deste ano, o Círculo do Orçamento Participativo será bi-anual.

Foto: Kleide Teixeira

Foto: Kleide Teixeira

O secretário executivo do OP, Jacson Macedo, explicou que a decisão foi tomada porque nas reuniões do Orçamento Participativo, as demandas aprovadas pela população têm se repetido. A origem do problema é anterior à gestão petista. Sobrou uma carteira de pedidos não executados ainda na gestão anterior, que tinha à frente Luciano Agra (já falecido). Por conta disso, foi criada uma Câmara Técnica que vai trabalhar a hierarquização das demandas.

Ao todo estão previstas 14 audiências do Orçamento Participativo para este ano, quando a equipe de secretários municipais estará reunida com representantes de todos os bairros para receber as demandas prioritárias de investimentos públicos em cada região administrativa da Capital. Os encontros acontecerão de 5 de maio a 18 de junho, sempre às 19h. O OP, segundo Macedo, tem cumprido o seu papel, com estímulo à participação popular na gestão.

Durval Ferreira descarta Manoel Júnior e diz que PP estará com PT e PSB em 2016

O presidente da Câmara Municipal de João Pessoa e do PP da Capital, vereador Durval Ferreira, defendeu a manutenção da aliança do seu partido com o PT e PSB para as eleições municipais de 2016. Ele informou que, como presidente municipal da legenda, desautoriza quem quer que seja a falar em nome do PP sobre possíveis apoios e coligações para a disputa da prefeitura.

Durval Ferreira

As declarações foram feitas após o deputado federal Manoel Júnior (PMDB) se apresentar como opção para a disputa da prefeitura de João Pessoa e ter citado o PP como possível aliado.
“Eu acredito que a tendência é que essas três legendas (PT, PSB e PP) caminhem juntas para o processo eleitoral do ano que vem. E eu defendo essa tese”, ressaltou Durval.

O parlamentar afirmou que não foi procurado, até hoje, por nenhum representante de partidos, que não fazem parte dessa aliança, para dialogar sobre questões políticas ou eleitorais que fujam da sua tese de manter o PP, PT e PSB unidos. O tema foi abordado pelo Jornal da Paraíba em reportagem sobre os partidos que podem abandonar a base aliada do prefeito Luciano Cartaxo (PT).

O presidente Durval Ferreira defendeu ainda que, além do PP, PT e PSB, as demais legendas que também compõem a aliança permaneçam coligadas. “Apoio e concordo com a manutenção do diálogo com todos os partidos da coligação. Não concordo com outro pensamento foram dessa possibilidade. Nós continuaremos fortes e firmes”, avisou Durval.