Saúde pública vira trincheira da briga política em João Pessoa

Os pretensos candidatos a prefeitos de João Pessoa, no próximo ano, bem como seus aliados, elegeram a saúde como bandeira para o embate antecipado. Houve confusão e troca de ataques nesta quarta-feira na Câmara de João Pessoa, envolvendo aliados do atual prefeito, Luciano Cartaxo (PSD), e do governador Ricardo Coutinho (PSB). Ao mesmo tempo, o deputado federal Wilson Filho (PTB) anunciou para segunda uma audiência da Comissão de Saúde da Câmara Federal.

Na Câmara de João Pessoa, houve disputa na abordagem da já saturada e politizada briga pelas macas do Samu. O vereador Marmuthe Cavalcanti propôs voto de repúdio contra o diretor do Hospital de Emergência e Trauma, do governo do estado. Tudo porque o gestor acusou o Samu, da prefeitura, de ficar com as ambulâncias paradas em frente à unidade de saúde para dar a ideia de que tem havido retenção de macas. A oposição protestou contra a proposta e ela não vingou.

Apesar de recusado o repúdio, os vereadores aprovaram o voto de solidariedade proposto pelo vereador João Almeida (SD), segundo ele, para mostrar o reconhecimento da Casa pelos bons trabalhos prestados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Desde a semana passada, reina um jogo de empurra entre a prefeitura e o estado por causa da distribuição de pacientes que, na visão do Estado, estaria sendo muito maior para o Hospital Emergência e Trauma.

Já Wilson Filho (PTB), que tem pretensões eleitorais para 2016, em João Pessoa, usou os dados de um levantamento feito pelo vereador Renato Martins (PSB) para convencer a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados a visitar a capital. Eles vão percorrer Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais e postos do saúde pela manhã. À tarde haverá uma audiência no auditório do Ministério Público da Paraíba. Saúde, pelo menos agora, é o tema da moda em João Pessoa.

Estado, João Pessoa e Campina Grande terão orçamento mais modesto

A crise econômica e política vivida no país tem produzido os seus reflexos nas leis orçamentárias enviadas pelos executivos do Estado para análise do Legislativo. Tanto o governo estadual, quanto as prefeituras de João Pessoa e Campina Grande abandonaram a correção da inflação como parâmetro. O medo é que haja agravamento da crise, o que implicaria em redução ainda mais acentuada dos repasses federais à Paraíba.

A Lei Orçamentária Anual (LOA) enviada pelo governo do Estado para a Assembleia Legislativa chega a R$ 12,1 bilhões, cerca de R$ 900 milhões a mais que o orçamento em vigor na Paraíba neste ano. O governador Ricardo Coutinho reforçou ontem o apelo à presidente Dilma Rousseff para que autorize a celebração dos empréstimos junto a instituições financeiras internacionais, a exemplo do Banco Mundial e da Corporação Andina de Fomento (Caf). Se for liberado, são mais de R$ 2 bilhões para reforçar o caixa do Estado. Isso a partir de 2016.

A situação é mais preocupante para os prefeitos de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD) e Romero Rodrigues (PSDB), porque os dois vão disputar a reeleição. Na capital, o orçamento mandado para a Câmara Municipal prevê gastos de R$ 2,5 bilhões. O crescimento em relação ao deste ano foi de 6%, que sequer repõe a previsão da inflação para este ano, que será 9,5%, segundo projeção do Banco Central. O prefeito Luciano Cartaxo colocou como prioridade a construção da reforma na Lagoa.

Já em Campina Grande, Romero Rodrigues mandou para a Câmara Municipal um orçamento de R$ 928 milhões, que é, vale ressaltar, R$ 55 milhões menor que o executado neste ano. Também trabalhando pela sua reeleição, o tucano põe como prioridade a construção do Complexo Aluízio Campos, que prevê investimentos de R$ 300 milhões.

PSB vai ressuscitar conselho político para discutir eleição em João Pessoa

O PSB do governador Ricardo Coutinho vai ressuscitar o conselho político para discutir a disputa eleitoral em João Pessoa. O partido oficializou o desejo de disputar a prefeitura da capital desde que o atual prefeito e ex-aliado Luciano Cartaxo decidiu trocar o PT pelo PSD, há duas semanas. A sigla socialista entendeu o movimento como rompimento de aliança, já que os pessedistas são vistos como oposição ao governo do Estado. As discussões em torno da formação do conselho ocorrerão no início do próximo ano.

O presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas, explicou que pelo menos dez partidos já integram o arco de alianças da sigla socialista com vistas às eleições do próximo ano. A lista é composta principalmente pelos partidos que dão sustentação ao governo socialista. É bom lembrar que o conselho político não é a única instância para a definição do candidato socialista à prefeitura da capital, já que o partido decidiu realizar plenárias para isso. O nome mais forte é o do secretário de Recursos Hídricos, João Azevedo, mas a deputada estadual Estela Bezerra não está descartada.

O artifício do conselho político foi usado pelo hoje governador Ricardo Coutinho quando ainda definia o vice para a disputa da reeleição em João Pessoa, em 2008. Na época, PMDB e PT se engalfinharam para indicar o vice, mas na hora da definição valeu a palavra de Ricardo, que optou pelo nome do ex-prefeito Luciano Agra, falecido no ano passado. Os desentendimentos resultantes do debate fizeram o então vice, Manoel Júnior, assumir uma postura de oposição em relação ao hoje governador.

PT de João Pessoa deve perder mais de 40 filiados para o PSD de Cartaxo

O Partido dos Trabalhadores, em João Pessoa, inicia a partir desta semana uma verdadeira profissão de fé, para recompor os seus quadros. Pelo menos 40 militantes, alguns deles históricos, se desfiliaram da legenda para seguir o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, que deixou a sigla para se filiar ao PSD. As atenções do PT estão voltadas para o vereador Benilton Lucena. O entendimento é o de que o mandato pertence ao partido, por isso, os dirigentes vão brigar na Justiça para reavê-lo.

O cálculo feito pelo presidente estadual do partido, Charliton Machado, é o de que mais de 40 petistas deixem a sigla. Do efetivo, ele coloca apenas o secretário de Desenvolvimento Urbano de João Pessoa, Hildevânio Macedo, e o de Articulação Política, Adalberto Fulgêncio, como históricos. Muitos dos outros, na avaliação dele, entraram no partido por questões fisiológicas. “Quando um partido vira poder, surgem muitos aproveitadores”, observa o dirigente, sem citar nomes.

O partido começa agora a discutir os planos para o próximo ano. A vice na Executiva, Aparecida Diniz, foi efetivada como titular e vai coordenar as discussões em relação à política de alianças. O partido poderá lançar candidatura própria no próximo ano ou investir em uma aliança com o PSB do governador Ricardo Coutinho. Não há a mínima possibilidade de uma composição com Luciano Cartaxo, pelo tom crítico dele ao deixar a sigla.

PT dá cinco dias para secretários entregarem os cargos em João Pessoa

A executiva do Partido dos Trabalhadores, em João Pessoa, decidiu endossar a decisão do diretório estadual da sigla, que determinou aos filiados que entreguem os cargos na Prefeitura de João Pessoa. A decisão foi tomada por causa da saída do prefeito Luciano Cartaxo do PT, na semana passada. Na oportunidade, o gestor lembrou as denúncias de corrupção que pesam sobre lideranças do partido e disse que a administração municipal não podia mais responder pelos erros dos outros.

Nesta terça-feira (22), o partido deu prazo de cinco dias para que quem decidiu permanecer no cargo possa rever a decisão. Quem desobedecer, vai responder a processo e deve ser expulso da sigla. O superintendente da Autarquia de Limpeza Urbana (Emlur), Lúcius Fabiani; o secretário de Desenvolvimento Urbano, Hildevânio Macedo, e o secretário adjunto de Comunicação, Ânderson Pires, decidiram não entregar os cargos e vão brigar para permanecer na sigla.

O partido também decidiu entrar na Justiça para reaver o mandato do vereador de João Pessoa, Benilton Lucena. Já o vereador Fuba foi orientado a assumir postura de independência em relação ao governo municipal, votando apenas no que for de interesse para a cidade.

 

Confira a nota divulgada pela sigla

1 – Endossar a Resolução Política aprovada pela Executiva Estadual do PT PB, que determinou a entrega imediata de todos os cargos em comissão de filiados petistas no atual Governo Municipal;

2 – Estabelecer um prazo de cinco (05) dias corridos, a contar desta data para que estes filiados deixem o governo ou sofrerão as sanções previstas no Estatuto Partidário;

3 – Orientar o nosso mandato na CMJP, representado pelo Vereador Flávio Eduardo (FUBA) a exercer uma linha de independência em relação ao Governo, votando apenas as matérias que sejam de total interesse do povo de João Pessoa, sempre exercendo seu papel constitucional de fiscalização do executivo;

4 – Em parceria com as instâncias Estadual e Nacional, envidar todos os esforços políticos e jurídicos na recuperação do mandato do Vereador Benilton Lucena eleito nas ultimas eleições municipais em nosso partido. Esta luta está apenas começando;

5 – Por fim, convocar para o próximo dia 26 de setembro de 2015 o Diretório Municipal, a fim de reorganizarmos a nossa instância e deliberarmos sobre a atual conjuntura política.

PT dá ultimato aos filiados que ainda não deixaram a prefeitura

A saída do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, do PT, na semana passada, ainda não foi digerida pela direção do partido no Estado. Depois de determinar que todos os auxiliares do governo municipal entreguem os cargos, agora a sigla inicia o processo de conferência de quem atendeu. O partido não estabeleceu data limite, ainda, mas isso será feito em reunião do diretório de João Pessoa, nesta terça-feira (22).

O presidente estadual do partido, Charliton Machado, disse que quem não deixar a prefeitura será expulso do partido. Do primeiro escalão, até agora, deixaram o governo municipal Giucélia Figueiredo (Mulheres), Marta Moura (Ação Social), Jackson Macedo (Orçamento Participativo) e Eder Dantas (Transparência). Os dirigentes do PT esperam ainda a posição de Lucius Fabiani (Emlur) e Hildevânio Macedo (Sedurb).

Dos secretários, quem se antecipou em deixar o partido foi Adalberto Fulgêncio (Articulação Política). Ele, no entanto, não confirmou se vai se filiar ao PSD, assim como fez o prefeito Luciano Cartaxo e o irmão, Lucélio Cartaxo. Charliton Machado explicou que tem recebido a todo instante a confirmação de novas saídas de governo, vindas de secretários adjuntos, diretores e chefes de gabinete.

Os petistas não falam qual será o destino da sigla no ano que vem, se lançam candidatura própria ou entram na linha de apoio a outra sigla, a exemplo do PSB do governador Ricardo Coutinho que trabalha para lançar candidato no ano que vem. O PT é o partido com maior tempo de televisão, por ter o maior número de assentos na Câmara dos Deputados.

Sem fazer conta disso, o prefeito Luciano Cartaxo diz a aliados que tomou a decisão de sair do PT por causa dos escândalos nacionais que envolvem a sigla. Ele diz que não faz sentido os secretários municipais estarem dando justificativas o tempo todo pelos “erros” de dirigentes e lideranças do partido envolvidas com corrupção no plano nacional. Além disso, alega ainda que havia uma articulação dentro do partido para obrigá-lo a se submeter a prévias dentro da sigla.

Ricardo manda recado a Luciano: se for preciso, vai brigar para “salvar a cidade”

Os rumores de que o governador Ricardo Coutinho poderá tirar um candidato da manga para a eleição do próximo ano, em João Pessoa, contra a reeleição do hoje aliado Luciano Cartaxo (PT) não são descabidos, mas também não são totalmente verdadeiros. Com movimento de quem tem planos eleitorais para a capital, Ricardo tem feito chegar ao gestor pessoense a avaliação socialista de que cresce na cidade a “sensação de que alguém precisa salvá-la”.

Ricardo_Luciano

O recado do socialista foi dado a auxiliares do prefeito com duas observações: a primeira, como preâmbulo, é que pesquisas internas indicam Ricardo Coutinho como o melhor prefeito da história de João Pessoa. A outra, consequência da primeira, diz que que “existindo a sensação de que a cidade precise ser salva, ele vai trabalhar para que outro não o faça”. Ainda apontou as movimentações do deputado federal Manoel Júnior (PMDB) como risco.

A conclusão da conversa é a de que os socialistas virão com “sangue nos olhos” para a disputa do ano que vem, em João Pessoa, caso o prefeito Luciano Cartaxo não se transforme em um candidato incontestável. As pesquisas de avaliação de socialistas e petistas andam em sentido oposto, apesar de terem a capital como campo de estudo. De um lado, Luciano aparece como um candidato mediano, enquanto do outro, como alguém quase imbatível.

O jogo dos números existe e municia os discursos e a desconfiança dos dois lados. Enquanto no PSB lideranças como o deputado estadual Ricardo Barbosa defendem abertamente que o partido se antecipe na disputa, muitos petistas já não acreditam na possibilidade de aliança no próximo ano. Em todos os embates, o secretário de Articulação de João Pessoa, Adalberto Fulgêncio, demonstra confiança de que o modelo de gestão de Cartaxo será vitorioso. Os petistas dizem ainda que salvaram Ricardo Coutinho de uma derrota em 2014, quando ninguém queria estar com ele.

O jogo entre os dois lados, neste momento, é psicológico. Agosto foi um mês de inaugurações bancadas pelo governo do estado e pela prefeitura, em João Pessoa. De um lado e do outro, todos buscaram chamar a atenção do eleitor. Mesmo assim, até 2016, ninguém vai esticar a corda demais. Apesar disso, é seguro dizer que nenhuma aliança tem futuro quando os dois lados querem a mesma coisa.

Governo do Estado avalia incluir devedores de tributos no Serasa e no SPC

O governo do Estado está avaliando mandar para o Serasa e o SPC os nomes dos contribuintes devedores de tributos. A informação foi repassada ao JORNAL DA PARAÍBA pelo procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro. A dívida ativa do governo supera a casa dos R$ 5,2 bilhões, um escândalo em tempos de vacas magras. Para se ter uma ideia, o estado tenta a liberação de R$ 1,7 bilhão de empréstimos junto a instituições de fomento internacionais.

Caso os R$ 5,2 bilhões estivessem à disposição para investimentos, dariam para concluir pelo menos cinco obras do porte da adutora Acauã-Araçagi ou 500 escolas técnicas iguais à entregue recentemente em Mangabeira, em João Pessoa. A busca de meios civis para a cobrança da dívida traria benefícios também para a redução das ações judiciais, já que elas ocupam de forma exagerada a Justiça paraibana.

Assim com o governo do Estado, as dívidas ativas de João Pessoa (R$ 600 milhões) e Campina Grande (R$ 300 milhões) também assustam. A da capital daria para bancar três reformas da Lagoa do Parque Solon de Lucena, assim com a da Rainha da Borborema bancaria o Complexo Multimodal Aluízio Campos, avaliado em R$ 300 milhões. Em época de crise, como reforçou o procurador Gilberto Carneiro, não dá para abrir mão de recursos.

Efraim Filho coloca nome à disposição para a disputa em João Pessoa

Deputado federal, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão e no desempenho do seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados. É com essas credenciais que o deputado federal Efraim Filho (DEM) tem se colocado como opção para a disputa da prefeitura de João Pessoa. O seu partido, ele reforça, apesar de ter um vereador na base de apoio ao prefeito Luciano Cartaxo (PT), não dá apoio ao governo petista.

Efraim Filho na instalação da CPI

Efraim Filho na instalação da CPI

A situação do DEM em João Pessoa não é muito cartesiana. Enquanto o vereador Bosquinho apoia o prefeito, o também vereador Lucas de Brito se coloca no sentido oposto, como um dos maiores críticos da gestão. A situação fez com que Brito cobrasse da direção do partido uma posição mais forte e oficial, que veio nas declarações de Efraim Filho. “Até por coerência, já que somos críticos ao governo do PT no plano nacional, não poderia ser diferente aqui”, disse.

Ao falar sobre candidatura, Efraim Filho trata de dizer que ele não é a única opção do partido, que poderá, sim, investir no nome do vereador Lucas de Brito para a disputa, mas também não descarta uma composição com o PSB do governador Ricardo Coutinho. Na visão do democrata, o socialista será o principal cabo eleitoral no ano que vem e quem tiver o apoio dele chegará no pleito reforçado. “Temos até o próximo ano e vamos analisar os cenários”, ressalta.

Ricardo e uma bancada para chamar de sua na Câmara de João Pessoa

Um deputado acostumado a acompanhar as agendas do governador Ricardo Coutinho (PSB) confessou ao blog que uma hora dessas vai ter que se acotovelar com os vereadores de João Pessoa nas agendas do gestor paraibano. E não é para menos. Oficialmente não há uma bancada fiel ao governador na Câmara Municipal, mas, na prática, a coisa começa a mudar. Uma prova disso é a medalha Cidade de João Pessoa, aprovada nesta quarta-feira (26) por unanimidade nas Casa.

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

A proposta da comenda foi do vereador Djanilson da Fonseca, o Faca Cega, que tem trocado as agendas do prefeito, das quais era habitué, para acompanhar as inaugurações feitas pelo governador Ricardo Coutinho. Foi assim na entrega da Escola Técnica Estadual, em Mangabeira, e da Central de Polícia, em Geisel. Ele ainda pretende entregar a medalha ao gestor durante a inauguração do Trevo das Mangabeiras, previsto para segunda-feira (31).

O repórter-fotográfico do Jornal da Paraíba, Francisco França, tem registrado a presença em bloco dos vereadores acompanhando as agendas do governador. A foto que publicamos nesta matéria foi tirada na entrega da Central de Polícia e nela estão Djanilson (PPS), Zezinho do Botafogo (PSB) e Sérgio da SAC (PSL). Em outra está até o suplente de vereador Eduardo Carneiro (sem partido), que é cotado para assumir a Secretaria de Turismo de João Pessoa. Ou seja, vem bancada por aí.