Vereadores de João Pessoa tentam saída negociada para orçamento impositivo

Luciano Cartaxo não tem feito os pagamentos referentes às emendas desde o ano passado

Vereadores tentam uma solução para o pagamento do orçamento Foto: Divulgação/CMJP

Os vereadores governistas de João Pessoa estão tentando uma solução negociada para “salvar” o orçamento impositivo. O texto em vigor foi aprovado em 2017 e inserido na Lei Orgânica do Município. O problema é que o prefeito Luciano Cartaxo (PV) judicializou a questão. E o pior: desde que entrou em vigor, nenhum centavo foi pago. O montante represado neste ano é de R$ 15 milhões. Cada um dos parlamentares tiveram direito a indicar R$ 800 mil em emendas.

O líder do governo na Câmara, Milanez Neto (PTB), explicou que é possível uma solução alternativa. O tema foi colocado na mesa do prefeito. A ideia é baixar o atual patamar de repasses de 1,2% da Receita Corrente Líquida (RCL) para algo em torno de 0,8%. Outro ponto, é jogar para 2021 a primeira execução do orçamento impositivo. Ou seja, nem o prefeito e talvez nem os vereadores estejam mais no mandato.

Um dos pontos questionados pela prefeitura na Justiça foi o dispositivo que prevê a abertura do gestor por crime de responsabilidade, caso ele não pague as emendas. Esse ponto foi considerado inconstitucional pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Milanez Neto acredita ser possível uma decisão alternativa. “Temos que respeitar muito o empenho do ex-presidente da Câmara, Marcos Vinícius, e o atual presidente, João Corujinha, pela defesa que fizeram dos orçamento impositivo”, disse.

Câmara aprova projeto que permite compra de meia-passagem com dinheiro em espécie

Proposta ainda será submetida à sanção do prefeito Luciano Cartaxo

Projeto foi aprovado em votação apertada. Foto: Divulgação/CMJP

Os estudantes pessoenses ou de outras cidades e estados que estiverem na cidade poderão comprar a meia-passagem, nos ônibus, fazendo uso de dinheiro em espécie. Atualmente, o acesso é possível apenas com o uso da bilhetagem eletrônica. A proposta do vereador Marcos Henriques (PT) foi aprovada nesta quarta-feira (23).

A matéria foi aprovada em uma votação bastante acirrada, com oito votos a favor e seis contra. Os parlamentares que votaram a favor da proposta destacaram que a matéria vai garantir aos estudantes sua educação contínua, mesmo não tendo crédito em seus cartões eletrônicos. Já os vereadores que foram contra a matéria alegaram que será um retrocesso para a cidade, que voltará a permitir que sejam acumulados montantes em espécie nos ônibus, o que pode ampliar o número de assaltos.

A prerrogativa estabelece que, para ter assegurado o seu direito, o estudante deverá apresentar o comprovante estudantil, sendo esse direito estendido aos alunos pertencentes a qualquer município ou unidade da federação em visita a João Pessoa, desde que seja comprovada a sua condição de estudante.

Ainda fica determinado que caberá às empresas concessionárias e permissionárias da exploração dos serviços de transportes públicos de passageiras, atuantes na capital, adequar o sistema sistema de bilhetagem ao formato de pagamento da meia passagem estudantil em dinheiro.

A matéria agora segue para sanção do Executivo Municipal e, se aceita, entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário.

Repórter da CBN João Pessoa vence a 16ª Edição do Prêmio Abecip

Hebert Araújo acumula mais de 20 premiações em concursos locais e nacionais

Hebert Araújo é um dos jornalistas mais premiados da Paraíba. Foto: Felipe Lima

O repórter Hebert Araújo, da CBN João Pessoa, foi o grande vencedor da 16ª Edição do Prêmio Abecip. A premiação, promovida pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança contempla reportagens voltadas para as áreas da construção civil e financiamento imobiliário. Araújo foi o vencedor na categoria “Responsabilidade Socioambiental na Construção Civil”. Ao todo, foram inscritas 94 reportagens de TV, rádio, jornal, internet e revistas.

A matéria vencedora, veiculada pela CBN João Pessoa, tem como título “Reusar, reciclar e reutilizar”. Na reportagem, o jornalista Hebert Araújo fala sobre como os resíduos sólidos que sobram da construção civil podem ser reutilizados de forma ecologicamente correta e economicamente viável. “O que a gente acaba concluindo a respeito disso é que quando a gente vê um entulho de construção sendo descartado e muitas vezes lançado no meio ambiente, causando poluição, o país, na verdade, está perdendo muito dinheiro”, disse.

A reportagem escolhida neste ano contou com a produção de Maria Eduarda Camilo e a edição de áudio de Emerson Martiniano. A entrega do prêmio será feita no dia 31 de outubro, em São Paulo. Hebert, que também atua como repórter da TV Cabo Branco, afiliada da Rede Globo na Paraíba, acumula mais de 20 premiações em concursos realizados no Brasil e no exterior.

Comissão de Orçamento da Câmara vota aumento no número de vereadores na capital

Proposta é elevar de 27 para 29 o número de cadeiras disponíveis na Câmara Municipal

João Almeida vai votar a favor do aumento no número de vereadores. Foto: Divulgação/CMJP

A Comissão de Orçamento da Câmara de João Pessoa vota nesta segunda-feira (14) projeto da Mesa Diretora que visa o aumento do número de vereadores na Casa. A proposta visa elevar das atuais 27 para 29 vagas, válidas já a partir das eleições de 2020. A tendência entre os membros da comissão é o de que a matéria seja aprovada e enviada para votação no plenário até a quarta-feira (16). Há votos suficientes para a aprovação.

O relator da matéria na comissão, João Almeida (SD), vai apresentar parecer favorável ao projeto. Ele assegura que a análise dele sobre o tema é técnica. “Não haverá aumento nos custos da Casa, já que as receitas serão as mesmas, o duodécimo repassado pela prefeitura”, ressaltou o parlamentar, alegando que haverá a vantagem do aumento da representatividade.

O tema não é consenso na Câmara de João Pessoa. Os vereadores Thiago Lucena (PMN) e Bruno Farias (PPS) criticam a matéria. Eles reconhecem que não haverá custo adicional, mas dizem que a Câmara hoje já oferece representatividade para a sociedade. Os dois votaram contra a matéria na Comissão de Constituição e Justiça e devem repetir a votação no plenário.

Justiça determina posse de Helena Holanda na vaga de Eduardo Carneiro

Ao todo, quatro suplentes brigavam pela vaga deixada pelo hoje deputado estadual

Helena Holanda assumirá vaga na Câmara de João Pessoa. Foto: Divulgação

A vaga deixada por Eduardo Carneiro (PRTB) na Câmara de João Pessoa será assumida por Helena Holanda (PP). A decisão liminar foi proferida pelo juiz Gutemberg Cardoso, do 2º Juizado Auxiliar da Fazenda Pública de João Pessoa. A vaga na Câmara de João Pessoa estava em aberto desde fevereiro, quando o magistrado proibiu a posse de Carlão do Cristo (Pros). Mesmo sendo o suplente diplomado da coligação, ele não atingiu a cláusula de barreira, a quantidade mínima de votos para assumir o cargo.

Carlão chegou a ser empossado pelo presidente da Casa, João Corujinha (DC), mas a posse foi tornada sem efeito. Depois disso, teve início uma batalha jurídica que percorreu Tribunal de Justiça da Paraíba, Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em nenhum deles, o suplente conseguiu sucesso. Isso por que para assumir o cargo na Casa, o suplente teria que alcançar 1.419 votos (10% do quociente eleitoral) pelo menos. Carlão conquistou apenas 1.269 votos.

O primeiro a judicializar a questão foi o também suplente Marcílio Pedro (PRB). A segunda a recorrer foi Helena Holanda (PP), que conquistou 3.327 votos. Ela ajuizou ação também na 3ª Vara da Fazenda Pública. O vereador Marmuthe Cavalcanti (PSD), suplente apesar de ocupar o cargo atualmente, se habilitou na ação protocolada por Marcílio. Dono de 4.138 votos, ele acreditava que poderia assumir o cargo em definitivo. O parâmetro, porém, para a escolha, foi a média obtida pela coligação.

Houve ainda quem pedisse administrativamente para ocupar o cargo. Trata-se de Cristiano Almeida (Pros), que teve menos votos ainda que Carlão do Cristo, da mesma coligação. Cristiano recebeu 1.132 votos. Carlão e Cristiano, mesmo barrados pela cláusula de barreira, acreditavam na possibilidade de chegar ao cargo por pertencerem à mesma coligação de Eduardo Carneiro.

A opção do magistrado, em decisão liminar, no entanto, foi pela escolha de Helena Holanda, que foi mais votada que Marcílio Pedro. Ele conquistou 2.159 votos disputando pela coligação PRB/PMN e assegurava ter a coligação com a melhor média. O entendimento de Gutemberg Cardoso, no entanto, foi o de que as melhores médias foram da coligação de Helena Holanda, que deverá ser empossada em três dias. Com a decisão, Sérgio da SAC (SD) deve retornar à casa na condição de suplente de Helena Holanda.

Eleição para os conselhos tutelares antecipou um pouco do debate ideológico de 2020

Partidos de esquerda e direita fizeram campanha junto aos eleitores para eleger militantes

A escolha dos novos conselheiros ocorreu por meio de urnas eletrônicas. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Os pessoenses talvez nunca tenham ouvido falar de uma campanha para conselheiro tutelar mais acirrada que a deste ano. De um lado, partidos de esquerda pedindo em grupos de WhatsApp apoio para vencer candidatos conservadores. Do outro, as mesmas mensagens, só que no sentido inverso, tendo como alvo o campo progressista. É um aperitivo do que serão as eleições do ano que vem, com um país ainda profundamente dividido por causa do pleito de 2018.

A mobilização fez com que o contingente de eleitores nas seções de votação crescesse em relação a anos anteriores. O secretário de Desenvolvimento Social da prefeitura da Capital, Diego Tavares, explicou que o número cresceu quase 300%. Foram pouco mais de 10 mil pessoas no pleito passado e agora esse número cresceu para 38 mil. “O que mostra que a população está consciente da importância do conselho tutelar, da credibilidade tanto da Prefeitura como do Conselho Municipal da Assistência Social”, disse.

Resta torcer para que o trabalho de guardião da integridade de crianças e adolescentes esteja na lista de prioridade máxima dos eleitos. Os conselheiros devem tomam posse no dia 10 de janeiro.

A lista com os nomes dos eleitos segue abaixo:

REGIÃO CRISTO

– Jaciara Lima
– Lázaro Joaquim
– Aniely Ribeiro
– Júnior Rato
– Rodrigo Dêdê

REGIÃO MANGABEIRA

– Val
– Jair Soares
– Vinícius Araújo
– Verônica Oliveira
– Wellington Cardoso

REGIÃO NORTE

– Silvânia
– Cida Pontes
– Rosana de Mandacaru
– Dé Cabeção
– Jairo Pessoa

REGIÃO PRAIA

– Kaline Ruffo
– Josevaldo Gomes
– Eduardo Toscano
– André Lima
– Patrícia Falcão

REGIÃO SUL

– Ricardson Dias
– Luzinete
– Rosemberg
– Cemar Oliveira
– Marquinhos

REGIÃO SUDESTE

– Alex
– Sandra
– Piragibe
– Gerlania
– Pollyana França

REGIÃO VALENTINA

– Clecia Santos
– Janete Araujo
– Professor Carlos Alberto
– Roqueane Dantas
– Rosely Lima

 

CCJ da Câmara aprova projeto que proíbe ‘pessoas trans’ de jogarem em João Pessoa

Projeto de autoria da vereadora Eliza Virgínia ainda vai tramitar no plenário da Câmara Municipal

Eliza Virgínia é autora do projeto aprovado na CCJ da Câmara. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de João Pessoa aprovou projeto que proíbe homens e mulheres trans de jogarem partidas esportivas em equipes de sexo distinto do biológico na capital. A proposta teve parecer favorável apresentado pelo relator Milanez Neto (PTB) e foi aprovada pelo colegiado. Votaram contra Bruno Farias (PPS) e Thiago Lucena (PMN). Para entrar em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado no plenário e sancionado pelo prefeito Luciano Cartaxo (PV). A punição em caso de descumprimento é uma multa de 50 Ufir (Unidades Fiscais de Referência), o equivalente a R$ 2.529.

A justificativa da matéria usa como parâmetro, para a proibição, a participação Tifanny Abreu da equipe de vôlei feminino do Bauru em partidas oficiais. A questão levantada é que a atleta é trans. Ela nasceu Rodrigo e mudou de sexo e categoria, trocando as equipes de vôlei masculinas por equipes femininas. A troca de sexo ocorreu em 2012, quando foi submetida a duas cirurgias e um tratamento hormonal para a diminuição dos teores de testosterona, um hormônio caracteristicamente masculino.

Na época, ela não imaginou que voltaria a jogar vôlei, mas, em 2017 recebeu da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), a entidade reguladora do Voleibol no planeta, uma autorização formal para se inscrever em ligas femininas. No final daquele ano, se tornou a primeira atleta transexual a atuar na Superliga feminina, a elite do vôlei brasileiro, pelo Bauru. Pelo texto aprovado na CCJ, caso a equipe mande alguma partida para João Pessoa, ela não poderá entrar em campo.

O artigo primeiro do projeto diz que o sexo biológico será o único critério definidor dos competidores em partidas esportivas oficiais no município de João Pessoa. Portanto, pela proposta, está “vedada a atuação de transsexuais em equipes que correspondam ao sexo oposto ao de nascimento”.

 

Calvário: contratos delatados por Livânia foram aprovados pelo Tribunal de Contas

Contrato da prefeitura de João Pessoa com a Bernardo Vidal Advogados rendeu prejuízo de R$ 49 milhões e pagamento de propinas a autoridades

Reprodução/Denúncia/MPPB

Essa é daquelas histórias que causam (ou deveriam causar) estranheza a qualquer pessoa com um mínimo de senso. O escritório Bernardo Vidal Advogados, aquele denunciado na operação Calvário, teve todos os contratos com a prefeitura de João Pessoa referendados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Quer dizer, todos, não. Um deles está há seis anos esperando retornar à pauta de julgamento. O fato é grave, quando se considera que essa discussão é feita desde 2009, quando o contrato foi firmado. A delação premiada da ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias, aponta irregularidades nos contratos desde a sua concepção, além do pagamento de propinas a autoridades. Nove suspeitos de envolvimento no esquema se tornaram réus em processo movido na Justiça pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba.

Vários dos problemas, no entanto, foram apontados pela Diretoria de Auditoria e Fiscalização (Diafi) do TCE lá atrás. Os relatos de irregularidades vêm desde o primeiro ano de vigência do contrato, que teria causado prejuízo de R$ 49 milhões. A contratação do escritório acendeu o sinal de alerta dos auditores ainda  2009, ou seja, há 10 anos. De acordo com pesquisa feita no sistema do Tribunal de Contas do Estado, o processo de número 01384/09 foi julgado regular, em grau de recurso. O contrato tinha sido considerado irregular pelo plenário. A primeira Câmara do TCE, no entanto, à unanimidade, resolveu acatar recurso interposto pelo então secretário de Administração, Gilberto Carneiro. Com isso, a inexigibilidade de licitação foi considerada regular.

Pouco tempo depois, os auditores do TCE retornaram a apontar falhas na contratação. O novo alvo foi o fato de que, segundo a auditoria, a própria prefeitura poderia fazer o levantamento dos créditos previdenciários, prometidos pela Bernardo Vidal. O alerta foi feito no processo TC nº 07919/11, tendo como alvo a Secretaria de Administração do Município de João Pessoa, então comandada por Gilberto Carneiro. O grupo ressalta que as informações estavam à disposição da secretaria e que a matéria não demandaria, por isso, extraordinários conhecimentos técnicos. Quanto à proposição de procedimentos na esfera administrativa ou judicial, a Procuradoria Geral do Município poderia patrocinar tais proposituras. Ao finalizar a análise, os auditores concluíra que, a aquela altura, já existia pagamento de R$ 646,3 mil a título de honorários ao escritório, sem garantias de sucesso na demanda junto à Receita Federal. A Primeira Câmara do Tribunal de Contas, no entanto, com base no relatório do conselheiro Arthur Cunha Lima, considerou regular o contrato.

Outro processo no qual os auditores questionaram pagamentos ao escritório Bernardo Vidal Advogados é o de número 02527/13, que trata da inspeção especial de contas. Apesar de vários relatórios de auditoria, o processo que teve início em fevereiro de 2013 ainda não foi julgado e está há mais de dois anos sem qualquer movimentação. Nesse, os auditores apontaram em seu relatório que os pagamentos já chegavam a quase R$ 7 milhões em novembro de 2012. O caso não foi adiante, mesmo com a fundamentação feita pelos auditores, apontando casos similares julgados irregulares pelo próprio TCE e tribunais de contas de outros estados.

O Tribunal de Contas da Paraíba, recentemente, por exemplo, considerou de forma unânime irregular despesa com o escritório Bernardo Vidal, por não haver a efetiva recuperação dos créditos
previdenciários, imputando-se o débito de R$ 48.161,11 ao prefeito do Município de Umbuzeiro (Processo TC n. 04016/11). Diversas outros balancetes de municípios paraibanos foram considerados ilegais, assim como os de outros estados. E isso não foi suficiente, no entanto, para acelerar o processo referente ao contrato com a prefeitura de João Pessoa. Caso o histórico fosse outro, não estaríamos aqui falando sobre os prejuízos milionários para os cofres públicos.

João Pessoa: vai faltar prédios para abrigar ambulantes e os gestores têm culpa

Últimos anos em João Pessoa têm sido de protestos sazonais por causa das ocupações no passeio público

Ambulantes ocuparam a Câmara de João Pessoa para cobrar solução para o caso deles. Foto: Hebert Araújo/CBN JP

Vira e volta, os vendedores ambulantes são retirados das ruas, em João Pessoa, e se inicia um processo regado a protestos, agressões e desapropriação de imóveis para abrigar a categoria. O episódio mais recente ocorreu nesta quinta-feira (12). Os agentes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) chegaram cedo e impediram os comerciantes de ocuparem as calçadas. O ato contínuo disso foi um protesto com vias interditadas e queima de pneus. Depois, a ida dos manifestantes para um protesto na Câmara de João Pessoa.

Na Câmara, houve empurra-empurra e confronto entre manifestantes e comerciantes. A categoria foi ao Legislativo com o pedido para que os vereadores intermediassem o diálogo entre manifestantes e o secretário da Sedurb, Zenedy Bezerra. Caso contrário, eles prometem fazer ocupação em outras avenidas do Centro. Mesmo em meio a um tumulto sem tamanho, o vereador Milanez Neto (PP), que comandava a sessão, não quis encerrá-la para discutir com os manifestantes. O vereador Tibério Limeira (PSB) buscou um entendimento.

No final da manhã, houve a promessa de acordo. Os ambulantes querem ocupar as calçadas de João Pessoa até as festas de fim de ano. Depois disso, admitem ir para um endereço que seja indicado pelo prefeito Luciano Cartaxo (PV). A solução, caso saia do papel, seguirá o modelo de anos anteriores, quando os gestores deixaram as ruas serem ocupadas e, depois, tiveram que providenciar novos endereços para serem ocupados por esses comerciantes.

“A gente vai respeitar o código de postura de João Pessoa, vou respeitar a recomendação do Ministério Público, que pede a retirada dos ambulantes do Centro da cidade. Vamos respeitar também o próprio apelo da população para que as calçadas sejam devolvidas para a população. Pessoas com baixa mobilidade”, disse o Zenedy Bezerra. Ele disse ainda que vai discutir caso a caso com os ambulantes. O secretário diz acreditar que além dos ambulantes, há comerciantes pagando para pessoas ocuparem as calçadas também.

É inegável que o comércio informal cresce na mesma proporção do convulsionamento social. Pessoas desempregadas veem nas ruas a única forma de alimentar suas famílias. Contam para isso, também, com a omissão das gestões, que permitem a ocupação dos espaços no primeiro momento. E, neste processo, já foram criados desde a gestão de Chico Franca (1993-1996), seis espaços públicos destinados ao atendimento da população. A maioria deles não chegou a dar certo.

A lista inclui um Camelódromo. Depois dele, vieram o Terceirão, o 4.400, o Centro Comercial de Passagem, o Centro Comercial do Varadouro e o Durval Ferreira. E tem espaço para mais…

Operação Calvário: escritório acusado de desvios em João Pessoa atuou em 34 municípios paraibanos

Bernardo Vidal Advogados oferecia o serviço de resgate de créditos tributários, mas teria atuado apenas para desviar recursos públicos

Esquema teria resultado no desvio de milhões dos cofres públicos. Foto: Daniel Isaia/Agência Brasil

A mesma empresa que produziu um prejuízo estimado de R$ 49 milhões em João Pessoa, no caso investigado na operação Calvário, atuou em 34 cidades paraibanas entre 2008 e 2012. O escritório Bernardo Vidal Advogados teria embolsado, só na prefeitura de João Pessoa, nada menos que R$ 7,7 milhões entre 2009 e 2011. Até 15% dos recursos arrecadados de forma ilícita iam para os bolsos da organização criminosa, de acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público da Paraíba. Na capital, a empresa teria sido credenciada através de uma dispensa de licitação considerada suspeita pelo órgão.

A lista dos municípios inclui Água Branca, Cacimbas, Camalaú, Curral Velho, Desterro, Igaracy, Imaculada, Manaíra, Massaranduba, Matureia, Passagem, Prata, São José de Caiana, São José do Sabugi, São Mamede, São Sebastião do Umbuzeiro, Taperoá, Tavares, Barra de São Miguel, Bernardino Batista, Boa Ventura, Cacimba de Areia, Caldas Brandão, Conde, João Pessoa, Tavares, Juru, Ouro Velho, Pilar, Poço José de Moura, Prata, Salgado de São Félix, Santarém e Juarez Távora.

O serviço oferecido girava em torno da promessa de “recuperação de créditos tributários”. O problema é que entre a promessa de recuperação do crédito e o fim do processo de cobrança, restava apenas a dívida para o erário. Pelo esquema, o escritório notificava a prefeitura sobre a existência de dívida a ser compensada com a Receita Federal, considerando valores fictícios ou prescritos. A compensação era lançada no GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social). A partir daí, mesmo sem o processo ser finalizado, eram pagos os honorários advocatícios. “Em alguns casos, parte dessa verba (honorários) é direcionada, em forma de ‘propina’, a agentes públicos”, diz a denúncia.

Aqui na Paraíba, o Tribunal de Contas detectou várias irregulares em municípios. O caso de Juripiranga é exemplar. “A respeito, durante a análise de contas, a auditoria do TCE/PB, procedimento número 0549/10, sinalizou neste sentido nos seguintes termos: ‘não há evidência da ocorrência de recuperação de créditos decorrente de decisão administrativa ou judicial. Deste modo, as despesas realizadas no exercício de 2009, no valor de R$ 19.558,37, não foram comprovadas. Por esse motivo, a própria empresa resolveu devolver aos cofres públicos o valor dos honorários recebidos indevidamente”, desta trecho da denúncia.

A denúncia alega, ainda, que a empresa tinha know-how para obter dinheiro de forma ilícita às custas das prefeituras pelo Brasil afora. Os casos foram denunciados pelos Tribunais de Contas de Pernambuco, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia, Acre, Sergipe, São Paulo e Maranhão. A denúncia diz que, para lucrar mais, o escritório protocolava pedido de recuperação de créditos tributários inexistentes, prescritos, não comprovados, em duplicidade e os realmente devidos à União. 

Veja a relação dos denunciados no esquema:
1. Bernardo Vidal Domingues dos Santos, gestor do escritório Bernardo Vidal Advogados;
2. Gilberto Carneiro da Gama, ex-procurador-geral do Estado;
3. Livânia Maria da Silva Farias, ex-secretária de Administração do Estado;
4. Laura Maria Farias Barbosa, ex-superintendente de Transportes e Trânsito de João Pessoa e depois passou a ocupar o cargo de secretária de Administração da capital;
5. Coriolano Coutinho, irmão do ex-governador Ricardo Coutinho;
6. Raymundo José Araújo Silvany, ex-secretário Executivo de Segurança Pública;
7. Aracilba Alves da Rocha, ex-secretária de Finanças do Estado;
8. Raimundo Nonato Costa Bandeira, ex-secretário de Comunicação do Estado (retornou ao cargo na atual gestão);
9. José Vandalberto de Carvalho, ex-assessor especial da Procuradoria-Geral do Município.

*Este texto passou por correção