Comitê científico do Nordeste recomenda ‘lockdown’ para João Pessoa e Campina Grande

Entidade publicou documento ontem, recomendando ampliação das medidas de isolamento devido ao crescimento de casos de Covid-19

Bloqueio já é feito na orla de João Pessoa. Foto: Divulgação/Secom-JP

O Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Nordeste recomendou, nesta quinta-feira, que os governadores da região ampliem medidas de isolamento social e adotem o lockdown, forma mais restrita de isolamento social, em grandes cidades nordestinas de quatro estados, devido à piora da epidemia e elevada utilização dos hospitais. A indicação de medidas mais restritivas é vista como necessária em João Pessoa e Campina Grande (Paraíba), Natal e Mossoró (Rio Grande do Norte), Arapiraca e São Miguel dos Campos (Alagoas), cidades com curvas ascendentes de casos e mais de 80% de ocupação dos leitos de UTIs e enfermaria. Salvador (Bahia) está no limite de ocupação que gera a recomendação, ou seja, 80% dos leitos de UTIs ocupados.

“Esta é uma recomendação científica para os governadores e prefeitos dos estados e cidades supracitados, cabendo a esses gestores decidir pela sua implementação ou não”, informa o boletim do comitê, formado pelo Consórcio Nordeste, dos governadores da região, e coordenado por Miguel Nicolelis e Sergio Rezende. O documento aponta que o sistema de saúde está próximo do colapso em Arapiraca, com 92% dos leitos de UTIs ocupados, seguidos de João Pessoa (92%) e Campina Grande (57%). Em São Miguel dos Campos, 91% dos leitos de enfermaria estão ocupados no momento.

O documento lembra que o lockdown já é utilizado na região nas cidades São Luiz (MA), Fortaleza (CE) e na área metropolitana do Recife (PE). Mas, com casos crescentes e aumento de óbitos por Covid-19, o comitê alerta que toda a região precisa ampliar o isolamento social de suas populações. E a coincidência de outras doenças torna a situação ainda mais complicada. Além disso, pede a ampliação da testagem para o novo coronavírus e a criação de brigadas emergenciais de saúde.

“Em razão da continuidade de curvas crescentes de casos e óbitos em toda a região Nordeste, o Comitê Científico de Combate ao Coronavírus continua apoiando, de forma unânime, a manutenção e ampliação das medidas de isolamento social como única forma eficiente de reduzir o número de contágios e evitar a sobrecarga e o colapso dos sistemas de saúde. A manutenção e ampliação desta medida se faz ainda mais urgente com a constatação do aumento de casos de dengue e chikungunya em toda a região Nordeste e no resto do país”, diz o documento.

O comitê ainda informa no documento que mantém sua posição contra o uso do cloroquina ou de hidroxicloroquina a todos os pacientes com Covid-19. “Em resposta à Portaria do Ministério da Saúde, publicada no dia 20 de maio de 2020, o Comitê mantém sua posição inicial, baseada em amplas evidências científicas e clínicas publicadas nas maiores revistas científicas do mundo e ratificadas pelas mais importantes instituições de pesquisas internacionais, entre as quais o National Institute of Health (EUA), a European Medical Agency (Comunidade Européia) e a Fiocruz, no Brasil, contrárias ao uso da rasil, contrárias ao uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, isoladas ou em associação com outros medicamentos, para o tratamento de qualquer fase da infecção provocada pelo Coronavírus”, diz o boletim.

Por Henrique Gomes Batista, Jornal O Globo ***

Profissionais da construção civil protestam em frente à Granja e à casa do prefeito

Grupo critica o governador João Azevêdo por decreto que proibiu o funcionamento do setor

Motoristas querem a revogação de trecho do decreto que proibiu a atividade do setor por 11 dias. Foto: Walter Paparazzo/G1

Vários profissionais que atuam no setor da construção civil fizeram protesto na manhã desta segunda-feira (18), em João Pessoa. Eles saíram em carreata, em caminhões, pelas ruas da capital e protagonizaram atos na frente da Granja Santa, residência oficial do governador João Azevêdo (Cidadania), e em frente à residência do prefeito Luciano Cartaxo (PV), no Bairro dos Estados.

Eles protestam contra o decreto assinado pelo governador no fim de semana, que proíbe a atividade da construção civil entre os dias 20 e 31 de maio. Eles não foram recebidos pelos gestores. Os profissionais alegam que, com a medida, haverá desemprego em um setor que já vem sofrendo com a baixa nas vendas, em decorrência da proibição, também, do trabalho dos corretores de imóveis.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP), José William, criticou a medida do governo. Ele garante que foram adotados protocolos de proteção dos trabalhadores nos canteiros de obras. Todos receberam máscaras, têm a temperatura aferida na entrada do trabalho e foram estabelecidas regras de distanciamento nos refeitórios e dormitórios.

“Entre os dias 10 e 12 de março, quando o governo e as prefeituras ainda não tinham adotado qualquer medida, já tínhamos criado um Plantão Coronavírus. Instruímos e massificamos as orientações nos canteiros de obras, já respeitando, naquele momento, as regras de distanciamento”, ressaltou William. Ele diz que foi ampliado o número de lavatórios nos canteiros e as pessoas foram orientadas sobre os procedimentos de higiene ao voltar para casa.

“Posso dizer com certeza que os colaboradores da construção civil estão mais bem guardados nos canteiros de obra que em casa”, ressaltou José William. Os trabalhadores dizem que os atos de protestos vão continuar. Eles reclamam, também, do risco de perderem o emprego por causa da paralisação do setor.

Os empresários dizem que vão antecipar as férias dos trabalhadores no período e as folgas do banco de horas. As medidas de endurecimento definidas pelo governador João Azevêdo atingem também outras áreas. Ele proibiu o funcionamento dos transportes intermunicipais e liberou a instalação, pelos municípios, de barreiras sanitárias em pontos específicos.

Vereador de João Pessoa testa positivo para Covid-19

Bruno Farias está em isolamento e postou vídeo nas redes sociais pedindo orações

O vereador de João Pessoa, Bruno Farias (Cidadania), testou positivo para Covid-19. Em vídeo divulgado pela assessoria de imprensa, ele diz que está em isolamento social e tomando cuidados para não contaminar outras pessoas. O parlamentar completa pedindo orações para o pronto restabelecimento da saúde dele. Confira o vídeo:

Coronavírus: governador e prefeitos discutem nesta quinta medidas mais duras de isolamento

Gestores discutem criação de barreiras entre as cidades e há quem defenda lockdown na Região Metropolitana

Bloqueio já é feito na orla de João Pessoa. Foto: Divulgação/Secom-JP

O governador João Azevêdo (Cidadania) e os prefeitos da Região Metropolitana de João Pessoa voltam a discutir, nesta quinta-feira (14), o endurecimento das medidas de isolamento social. O grupo defende, entre outras coisas, a instalação de barreiras entre as cidades e o fechamento completo de parques e locais turísticos. Há quem defenda lockdown também. A região é considerada o epicentro dos casos do novo Coronavírus na Paraíba e está com o número de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) chegando em nível crítico.

A reunião vai acontecer por videoconferência, a partir das 9h. O encontro é promovido após o Estado atingir a marca de 3.045 casos da Covid-19, com a confirmação de 157 mortes. E para piorar, houve novo recorde de casos confirmados nesta quarta-feira, com 268 registros de novas contaminações. A cidade de João Pessoa é responsável pela maior parte dos registros, com 1368. Ela é seguida por Santa Rita, também da Região Metropolitana, que tem 250 casos registrados oficialmente.

Outra grande preocupação para os gestores é que na Região Metropolitana de João Pessoa, a taxa de ocupação de UTI para adultos é de 81%. Quando o parâmetro é todo o Estado, a taxa de ocupação nas UTIs supera a marca de 65%. Os casos do novo Coronavírus já são registrados em 120 municípios. O Índice de Isolamento Social registrado pela Inloco no dia anterior foi de 43,7%.

Além do governador João Azevêdo, estarão presentes no encontro os prefeitos de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV); de Santa Rita, Emerson Panta (PSDB); de Cabedelo, Vitor Hugo (DEM); de Bayeux, Berg Lima (PL), e do Conde, Márcia Lucena (PSB). Entre as cidades da Região Metropolitana, João Pessoa já mantém medidas restritivas de acesso a locais públicos, como praias, praças e mercados. Em Santa Rita, os mercados públicos foram fechados.

TJ derruba lei de João Pessoa que obrigava presença de empacotadores em supermercados

Lei de 2002 foi considerada inconstitucional e exigência de empacotador foi derruba na capital

Se o cliente for a um supermercado, não encontrar empacotadores e pensar em denunciar o estabelecimento, não poderá mais fazê-lo. Pelo menos não se ele morar em João Pessoa. Isso por que o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) considerou inconstitucional uma lei aprovada na capital em 2002 e que estava em vigor até agora. A decisão atende Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pela Associação de Supermercados da Paraíba.

Reprodução/Diário da Justiça/TJPB

O relator da matéria foi o desembargador Fred Coutinho. A corte entendeu que a Câmara de João Pessoa usurpou prerrogativa da União ao votar a matéria, lá em 2002. Isso por que o Legislativo versou sobre direito comercial e direito do trabalho, o que só poderia ser feito pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Os magistrados entenderam que, com isso, houve afronta à Constituição Federal.

Os desembargadores entenderam, com a decisão, que a contratação do empacotador fica sujeita “às leis de mercado, assim como à livre concorrência e à liberdade de concorrência”. “São inconstitucionais as leis que obrigam supermercados ou similares à prestação der serviços de acondicionamento ou embalagem das compras, por violação ao princípio da livre iniciativa”, diz a decisão, embasada em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, materializada em voto do ministro Luiz Fux.

Covid-19: Governo estuda instalação de “bloqueios” entre as cidades metropolitanas

Se os casos continuarem crescendo, João Azevêdo diz que o governo acionará Polícia Militar, Bombeiros e Polícia Civil para garantir o isolamento

Bloqueio já é feito na orla de João Pessoa. Foto: Divulgação/Secom-JP

O governador João Azevêdo (Cidadania) admitiu nesta sexta-feira (8), em entrevista a CBN João Pessoa, a possibilidade de instalação de barreiras entre as cidades da Região Metropolitana para conter o avanço do novo Coronavírus. A decisão é resultado de uma reunião com os prefeitos das cidades de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV); Santa Rita, Emerson Panta (PSDB); Conde, Márcia Lucena (PSB), e Bayeux, Berg Lima (PL). As medidas, ele reforça, serão proporcionais ao agravamento dos casos nos municípios.

As cidades da Região Metropolitana de João Pessoa somam quase 80% dos casos do Covid-19 na Paraíba. “É preciso ser feito bloqueio das principais vias das cidades de João Pessoa e também de Santa Rita, que é a segunda cidade com mais infectados e que sem ter uma estrutura para dar respaldo, os casos vão para hospitais da capital”, disse. João Azevêdo fala em redução, também, do fluxo entre as cidades de Cabedelo e Lucena e entre João Pessoa e Conde.

“As pessoas no final de semana estão passando a ir para estes municípios como se fosse um feriado. Não estão entendendo o que é isolamento”, criticou Azevêdo. Ele acrescentou: “As pessoas estão achando que é brincadeira. Estão achando que é possível instalar leitos de UTI e todo santo dia aumentar 10, 20, 30 leitos de UTI? Até por que nós precisamos de equipamentos que não tem disponível no mundo hoje e precisamos de pessoas (para atuar nos hospitais) e você não fabrica pessoas”.

O ato contínuo da reunião realizada nesta sexta-feira foi a marcação de uma outra para este sábado, desta vez com a participação dos órgãos de Segurança Pública (PM, Civil e Bombeiros), além de Secretaria de Saúde do Estado, da Secretaria de Mobilidade de João Pessoa e de representantes de cada uma das cidades metropolitanas.

O governador disse ainda que se até quarta-feira (13) o quadro não mudar, ele buscará o endurecimento das medidas. “A lógica é: se houver um aumento dos casos positivos e de óbitos, se nós tivermos o isolamento social caindo da forma que ele está e se nós nos aproximarmos de 90% da ocupação dos leitos de UTI, nós tomaremos todas essas medidas de endurecimento, seja a elas que nome seja dado, mas nós vamos ter que efetivamente endurecer esse jogo”.

Governador e prefeitos metropolitanos avançam na discussão sobre lockdown

Gestores demonstram preocupação com o crescimento no número de casos do novo Coronavírus

João Azevêdo participou de reunião com prefeitos. Foto: Divulgação

A reunião entre o governador João Azevêdo (Cidadania) e os prefeitos da Região Metropolitana de João Pessoa avançou em uma discussão que poderá resultar na decretação de lockdown em cidades paraibanas. Os casos do novo coronavírus têm preocupado principalmente os gestores de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), e de Santa Rita, Emerson Panta (PSDB). As duas cidades registram a maioria dos casos na Paraíba.

O grupo se reuniu pela manhã, por meio de videoconferência, quando se deteve sobre os números de casos de Covid-19 registrados nos últimos dias. O entendimento foi o de que eles vão monitorar a evolução das contaminações até quarta-feira (13). Se os números continuarem crescendo na mesma proporção, eles vão aumentar as medidas de isolamento. O lockdown é colocado como uma das medidas, mas ainda sem data para ser empregada.

Das medidas restritivas já adotadas, há o caso de João Pessoa, onde as praias foram fechadas, além dos Parques da Lagoa, Parahyba e o Zoo Arruda Câmara. O prefeito de Santa Rita, Emerson Panta, tem cogitado o estabelecimento de barreiras sanitárias nos mercados públicos. Já a prefeita do Conde, Márcia Lucena (PSB), tem imposto restrições de acesso de turistas à cidade nos feriados.

O governador João Azevêdo demonstrou preocupação em relação ao baixo isolamento social no Estado. Ele relatou o fato de muita gente estar indo para as praias de Lucena, como se não existisse perigo para elas. Se a curva de crescimento dos casos continuar até a semana que vem, a possibilidade de ampliação das restrições estará na mesa dos gestores.

Até esta quinta-feira (7), a Secretaria Estadual de Saúde registrou 1.849 casos do novo Coronavírus. O número de mortes chegou a 111. Desde o dia 1º deste mês, os casos têm crescido a cada dia em proporção maior. Só João Pessoa responde por 992 casos.

Confira o quadro:

Mês de Maio

1. Mortos: 74
Casos : 1.034

2. Mortos: 76 (crescimento de 2,7%)
Casos: 1.169

3. Mortos: 79 (crescimento de 3,79%)
Casos: 1.219

4. Mortos: 85 (crescimento de 5,88%)
Casos: 1.361

5. Mortos: 92 (crescimento de 7,6%)
Casos: 1.493

6. Mortos: 101 (crescimento de 8,9%)
Casos: 1.657

7. Mortos: 111 (crescimento de 9%)
Casos: 1.849

Covid-19: “Procura-se médicos desesperadamente” para a prefeitura de João Pessoa

Com leitos de UTI prontos, mas sem médicos, prefeitura eleva valor dos plantões para atrair profissionais

Os novos médicos devem trabalhar nas UTIs que estão sendo abertas. Foto: Governo do Maranhão

É o emprego dos sonhos para a maioria das categorias profissionais, acostumada a baixos salários. A prefeitura de João Pessoa está oferecendo o pagamento de R$ 1,1 mil por cada plantão de 12 horas para médicos, mesmo assim, não tem conseguido preencher as vagas disponíveis na rede municipal de saúde. Os profissionais estão sendo buscados para o período de enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus, mas poucos têm se habilitado.

A prefeitura lançou uma seleção simplificada recentemente para contratar 100 médicos, mas apenas 21 participaram da disputa. Frustrada a primeira tentativa, o secretário de Saúde, Adalberto Fulgêncio, optou pela elevação do valor dos plantões. Eles passaram de pouco mais de R$ 800 para R$ 1,1 mil. Um novo edital foi lançado com 89 vagas e mais de 100 médicos participaram. Com isso, foram convocados 20 e apenas quatro apareceram.

Diante da situação, o secretário fez nova convocação, pedindo que 50 profissionais procurem a rede municipal de saúde. Ele aguarda que a procura seja maior desta vez. Fulgêncio demonstra preocupação com o quadro, que vem se agravando com o aumento no número dos casos do Covid-19. A capital é responsável por mais da metade dos casos de Coronavírus registrados na Paraíba, com 982 casos.

A falta de profissionais tem impedido que novos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) sejam abertos. “Se tivesse médico hoje, a prefeitura conseguiria abrir mais dez leitos e o governo do Estado certamente mais dez e ganharíamos um pouco mais de tranquilidade”, ressaltou. A rede municipal de saúde dispõe, hoje, de 1.200 profissionais da área médica atuando na rede municipal de saúde.

João Azevêdo não descarta ‘lockdown’ para a Região Metropolitana

Medidas serão endurecidas se número de casos continuar crescendo de forma acentuada

João Azevêdo demonstra preocupação com desrespeitos ao isolamento social. Foto: Aline Oliveira

O governador João Azevêdo (Cidadania) não descarta a implementação de um lockdown na Região Metropolitana de João Pessoa. A declaração foi dada pelo gestor durante entrevista ao programa CBN Paraíba, ancorado pelas jornalistas Carla Visani e Waléria Assunção. A opção pelas restrições mais duras vai acontecer se o número de casos do novo Coronavírus crescer de forma exponencial e for reduzido o percentual de isolamento social voluntário nas cidades.

“As pessoas têm que ficar em casa. Elas têm que usar máscara quando tiver necessidade real de sair de casa, para evitar que a gente tenha que endurecer mais ainda as regras. Se por acaso, o escore de isolamento continuar caindo, não terá alternativa para os poderes públicos a não ser endurecer mais e chegar até o patamar de lockdown na Região Metropolitana de João Pessoa”, ressaltou Azevêdo, deixando claro que está descartado, por enquanto, uma medida estadual.

O governador disse esperar que a população entenda definidamente que é importante o isolamento. “Porque há atos inconsequentes como muitas vezes a gente vê. Poucas pessoas, ainda bem que são poucas pessoas, tentando fazer atos que geram aglomeração e são vetores de transmissão rápida, protestando, inclusive, contra a democracia deste país”, ressaltou o governador, com apelo para que todos que puderem fiquem em casa. “Essa doença não tem vacina e não tem remédio. O remédio para esta doença chama-se isolamento social”, acrescentou.

O novo decreto do governo do Estado que define o isolamento social entrou em vigor nesta segunda-feira (4) e estará em vigor até o dia 18 deste mês. O Estado registrou, até este domingo, 1.219 casos do novo Coronavírus na Paraíba. O número de mortes chegou a 79. A maior quantidade de casos é registrada na Região Metropolitana, justamente onde o governador destaca a possibilidade de lockdown. João Pessoa tem 711 casos e Santa Rita, 111. Nesta última, o prefeito Emerson Panta (PSDB) externou a disposição de decretar o isolamento forçado da população através do lockdown.

Coronavírus: menos da metade dos pessoenses respeitam o isolamento social

Gestores têm trabalhado com meta de 70% de isolamento para evitar o alastramento da Covid-19

Coronavírus tem provocado o colapso do sistema de saúde em todo o mundo. Foto: Divulgação

Um monitoramento realizado pela Prefeitura de João Pessoa detectou que menos da metade dos pessoenses está cumprindo o isolamento social. Ao todo, 48,3% da população se manteve em casa no fim de semana. O número é um pouco melhor do que o registrado na última quinta-feira (16), quando 47% das pessoas estavam em casa. Os gestores, em todo o Brasil, estão trabalhando com meta de 70% de isolamento social.

No fim de semana, o prefeito da capital, Luciano Cartaxo (PV), editou decreto ampliando até 3 de maio as medidas de restrição ao funcionamento do comércio, indústria e das escolas. Antes com o pior indicador, o bairro de Paratibe surpreendeu. Alvo de uma ação educativa do poder público para conter aglomerações, a região obteve o melhor desempenho ao lado do Portal do Sol, com 74,8% das pessoas permanecendo em casa. O número é superior ao recomendado pelas autoridades sanitárias, que é de 70%.

Os bairros de Mumbaba, Jardim Veneza e Bairro das Indústrias também obtiveram números positivos durante o final de semana, alcançando a marca de 60,8% de isolamento social. “Os indicadores dão maior assertividade a campanha de prevenção, como mostra o exemplo do bairro de Paratibe. Sabemos que também existe uma mudança natural de hábito durante os finais de semana, mas os primeiros resultados apontam para uma melhoria significativa em determinadas regiões”, explicou a secretária de Planejamento, Daniella Bandeira. Os bairros de Mangabeira e de Barra de Gramame registraram os números mais baixos de distanciamento social, entre 34,2% e 35,3%, respectivamente.

De acordo com a secretária, o índice de isolamento social é calculado em parceria com a startup InLoco, que produz uma avaliação sobre o tema com o objetivo de reduzir os efeitos da Covid-19 e nortear políticas públicas. “Não existe qualquer acesso ao nome ou qualquer informação que identifique as pessoas. A Prefeitura só recebe o dado de possíveis pontos de aglomeração, sem que haja invasão de privacidade. A tecnologia é utilizada a serviço de um bem maior, que é salvar vidas”, explicou.

Plataforma

O contador de casos da plataforma de vigilância epidemiológica de João Pessoa aponta que 40 bairros já registraram ao menos um caso do novo Coronavírus. O número equivale a 62,5% da Capital paraibana. A cidade agora tem 149 casos confirmados da doença, 63 pessoas recuperadas e 17 que não resistiram à Covid-19. “Quem fica em casa, se protege e ajuda a proteger outras pessoas. O momento exige serenidade e equilíbrio para a cidade vencer este grande desafio. Precisamos contar com o esforço de todos”, disse Daniella.