Crise no PSB: será erro governista se isolarem Galdino e Pollyanna na Assembleia

Deputada é excluída de reunião do partido e não esconde o desconforto com tratamento dispensado por “aliados”

Deputada Pollyanna Dutra expõe desconforto com tratamento dispensado a ela pelo governo. Foto: Divulgação/ALPB

A deputada estadual Pollyanna Dutra (PSB) não tem escondido de ninguém o desconforto com o tratamento dispensado a ela pelo partido. A parlamentar não esteve estre os convidados para a reunião da executiva com o governador João Azevêdo (PSB). De quebra, aponta o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), como outro excluído do ninho socialista. A postura, convenhamos, não parece das mais inteligentes. Afinal, no círculo dos excluídos estão o dirigente maior do Legislativo e a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“Eu e Adriano estamos sendo tratados como se não fôssemos do PSB. O presidente da Casa exerce uma posição política muito importante neste Estado. Também não pode ser esquecido e nem isolado. Ele também não foi convidado para esta reunião”, desabafou a deputada, lembrando, em outro momento, que vai junto com o colega procurar o partido para pedir uma reunião para ser ouvida. O clima dentro do partido vem se tornando irrespirável desde a eleição para presidente do Legislativo. Mesmo sem ser o favorito do ex-governador Ricardo Coutinho e de João Azevêdo, Galdino costurou a eleição dele para os dois biênios.

Sobre Pollyanna Dutra, o desconforto criado em relação a ela entrou em novo patamar quando a deputada aderiu ao G10. O bloco, ela reforça, é governista e vota com o governador. Mesmo assim, ela alega não ser convidada para as reuniões da sigla e também não ser lembrada na hora das definições para compor as comissões na Assembleia. Ao ser perguntada sobre não ser convidada para uma reunião que discutiria estratégias eleitorais para 2020, ela desabafou: “Esquecimento? Isso não é esquecimento, é proposital. A gente não esquece um membro que está aqui, que conquistou um espaço. Não é esquecimento, é proposital”.

A questão é polêmica. Basta perguntar a qualquer liderança do PSB. Todos vão dizer que não há isolamento. Os sinais, no entanto, apontam em outro sentido. E isso é um perigo quando se fala em peças que comandam o Legislativo. A justificativa para não convidar os parlamentares para a reunião foi o fato de eles não serem membros da executiva do partido. Uma justificativa que seria digerida, com certeza, mas em tempos de menor acirramento interno. Esse acirramento, por isso, tem levado para o lado de fora do PSB a impressão de que há, efetivamente, socialistas de primeira e de segunda classe. Uma posição incômoda para os “excluídos”.

O quadro interno do partido se confunde com o do governo, sob o comando de João Azevêdo. Há uma parcela significativa de socialistas cobrando postura mais aguerrida na defesa dos aliados. E isso inclui o embate em defesa de secretários que, eventualmente, se tornem alvos de investigações. As cobranças vão no sentido oposto aos que defendem a busca da governabilidade. Alguns secretários, vale ressaltar, deixaram o governo ao serem citados na operação Calvário. Em relação ao Legislativo, se não tomar cuidado, João poderá acordar sem uma base aliada consistente para chamar de sua…

João Azevêdo e mais 12 governadores assinam carta contra flexibilização do porte de armas

Gestores veem perigo armamentista e defendem a revogação do decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro

Governadores de 13 estados demonstram preocupação com a flexibilização do porte de armas. Foto: Divulgação/Secom-PB

O governador da Paraíba está entre os 13 gestores brasileiros que assinaram carta contra a flexibilização do porte de armas. Eles alertam para o perigo trazido pela facilitação do acesso aos armamentos. Entre eles, são ressaltadas os riscos delas pararem nas mãos do crime organizado e também e aumentarem “os riscos de que discussões e brigas entre nossos cidadãos acabem em tragédias”. Os gestores, por isso, pedem ajuda aos poderes constituídos da União (Executivo, Legislativo e Judiciário) para a devida revogação do decreto presidencial.

A carta traz as assinaturas de todos os governadores do Nordeste, além do Distrito Federal (Ibaneis Rocha), Espírito Santo (Renato Casagrande), Amapá (Waldez Góes), e Tocantins (Mauro Carlesse). “Como governadores de diferentes estados do país, manifestamos nossa preocupação com a flexibilização da atual legislação de armas e munições em razão do decreto presidencial n. 9.785 (07 de maio de 2019) e solicitamos aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União que atuem tanto para a sua imediata revogação como para o avanço de uma efetiva política responsável de armas e munição no país”, diz trecho da carta.

Os governadores preveem o aumento da violência, caso o regramento ditado pelo presidente seja mantido. “Diante deste cenário, e a partir das evidências disponíveis, julgamos que as medidas previstas pelo decreto não contribuirão para tornar nossos estados mais seguros. Ao contrário, tais medidas terão um impacto negativo na violência – aumentando por exemplo, a quantidade de armas e munições que poderão abastecer criminosos – e aumentarão os riscos de que discussões e brigas entre nossos cidadãos acabem em tragédias”.

Confira a íntegra da carta:

Carta dos governadores sobre o Decreto Presidencial n. 9.785 (07 de maio de 2019) e a Regulação Responsável de Armas e Munições no País.

Como governadores de diferentes estados do país, manifestamos nossa preocupação com a flexibilização da atual legislação de armas e munições em razão do decreto presidencial n. 9.785 (07 de maio de 2019) e solicitamos aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União que atuem tanto para a sua imediata revogação como para o avanço de uma efetiva política responsável de armas e munição no país.

Sabemos que a violência e a insegurança afetam grande parte da população de nossos estados que representam um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento humano e econômico do Brasil. Nesse contexto, a grande disponibilidade de armas de fogo e munições que são usadas de maneira ilícita representa um enorme desafio para a segurança pública do país e é preciso enfrentá-lo.

Por essa razão, é urgente a implementação de ações que melhores a rastreabilidade das armas de fogo e munições durante toda a sua existência, desde sua produção. também é fundamental aumentar os meios de controle e fiscalização para coibir os desvios, enfrentar o tráfico ilícito e evitar que as armas que nascem na legalidade caiam na ilegalidade e sejam utilizadas no crime. Reconhecemos que essas não são soluções mágicas, mas são condições necessárias para a melhoria de nossa segurança pública.

Diante deste cenário, e a partir das evidências disponíveis, julgamos que as medidas previstas pelo decreto não contribuirão para tornar nossos estados mais seguros. ao contrário, tais medidas terão um impacto negativo na violência – aumentando por exemplo, a quantidade de armas e munições que poderão abastecer criminosos – e aumentarão os riscos de que discussões e brigas entre nossos cidadãos acabem em tragédias.

As soluções para reverter o cenário de violência e insegurança no país serão fortalecidas com a coordenação de esforços da União, Estados e Municípios para fortalecer políticas públicas baseadas em evidências e para implementar o Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, fortalecendo a prevenção focalizada nas populações e territórios mais afetados pela violência e a repressão qualificada da criminalidade.

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Doutrina do direito: “Estado de necessidade” vira manual de sobrevivência no governo

Em busca da governabilidade, João Azevêdo tem tirado da administração todos os citados na esteira da operação Calvário

Governador João Azevêdo tem enfrentado oposição interna dentro do partido, vinda dos aliados mais fiéis a Ricardo Coutinho Foto: Divulgação

Operador do direito e observador político, um leitor do blog aproveitou um artigo recente publicado neste espaço para fazer algumas observações. O tema escolhido foi justamente o movimento do governador João Azevêdo (PSB) para afastar o Executivo da operação Calvário. A leitura repassada a mim e que compartilho com todos, agora, é que o movimento do socialista lembra, no direito, a doutrina do “Estado de Necessidade”. Ela tem previsão no Código do Processo Penal, descrita no Art. 24, e cria ressalvas para justificar o salvamento de algumas almas em detrimento de outras. Ou seja, em nome da governabilidade, João tem largado a mão de todos os que, mesmo em alto mar, oferecem risco de causar o naufrágio do governo.

Esse tem sido um tema de forte embate no ninho socialista. O cisma não poupa nem o ex-governador Ricardo Coutinho, com quem o atual governador já não reconhece tantas semelhanças. As baixas no governo, motivadas pela Calvário, deixaram marcas. Livânia Farias (Administração) foi a primeira. Presa em desdobramento de operação desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ela tem externado mágoas. Fala em abandono. Há quem aponte sentimento semelhante vindo de outros ex-auxiliares, como Gilberto Carneiro (Procuradoria) e Waldson de Souza (Planejamento e Gestão). Todos pediram exoneração. A namorada de Ricardo, Amanda Rodrigues (Finanças), deixou o governo sem qualquer aviso prévio a João. Fez o comunicado com uma nota singela na redes sociais.

Em meio aos desentendimentos entre a ala mais fiel a Ricardo e a mais fiel a João, o Judas escolhido pelo primeiro grupo foi Nonato Bandeira (Governo). Apontado como principal defensor da tese de busca da governabilidade e do não confronto direto com o Ministério Público, Bandeira não nega a opção pela fuga das brigas. Os socialistas do “R” cobram uma postura mais firme do governador de defesa dos aliados. Por isso, chamam Nonato de “traidor”. “Quanto a supostas críticas de o governador não ficar comprando brigas ser atribuídas a mim, essas críticas são justíssimas, embora também acho que seja um traço da própria personalidade de João Azevêdo”, diz o auxiliar do governo, que foi indicado por Ricardo para o cargo.

“Quem esperar que eu um dia defenda confrontos sistemáticos de quem está no Governo com entidades e instituições, com a imprensa, com a Justiça, com universidades, com os deputados, com os aliados e com membros do próprio governo, assim como está fazendo, por exemplo, o presidente Bolsonaro, pode tirar o cavalinho da chuva. Esse não é o meu estilo e nem a minha concepção de governo. Só sei fazer política somando, jamais dividindo e alimentando eternos conflitos. Quem me convida para cargos e funções, já sabe da minha conduta. E não é depois de 50 anos e com os cabelos brancos que sobraram que vou mudar. E mudar pra pior, pois não acredito que se construa nada à base de patadas e bravatas, comprando brigas em toda as esquinas da vida”, disse.

O ato contínuo desta discussão foi um desabafo da deputada estadual Cida Ramos, que classifica os auxiliares do governo em secretários de primeira e segunda categoria. Nonato foi colocado justamente na segunda. Os dirigentes do partido mais fiéis a Ricardo procuraram João para uma conversa nesta segunda-feira. Cobram uma mudança de postura. Entendem que será impossível, em caso de constatação dos crimes apontados, isso não afetar o governo com riscos, até, de cassação de mandato. Por conta disso, eles têm elevado as cobranças sobre o atual governador. A tendência de momento, no entanto, é que o “Estado de necessidade” dê as cartas na orientação governista.

João nega existência de secretários de “segunda categoria” no governo

Governador vai se reunir com lideranças do partido na tarde desta segunda-feira para tentar “aparar arestas”

Governador eleito pretende pacificar as discussões dentro do partido. Foto: Divulgação

O governador João Azevêdo vai se reunir nesta segunda-feira (20) com lideranças do PSB para discutir a crise interna no partido. Os desentendimentos começaram depois que o gestor deu início a um conjunto de posturas que os aliados veem como mudança de rumo. Eles alegam que o socialista tem se afastado do núcleo mais próximo ao ex-governador Ricardo Coutinho, padrinho político do atual gestor. O grupo elegeu o secretário de Governo, Nonato Bandeira, como responsável pela mudança no foco de João. Ele chegou a ser chamado de secretário de “segunda categoria” pela deputada Cida Ramos (PSB), por ser contra o mandatário do Estado fazer a defesa dos socialistas que, eventualmente, sejam alvos de operações do Ministério Público.

“Não tem racha nenhum dentro do partido. Todo partido tem discussão interna e nós estamos exatamente dentro do processo democrático por que se todo mundo pensasse igual seria fácil, mas não é assim. Cada um tem o seu ponto de vista e deseja colocá-lo, incluindo, claro, a posição do Executivo dentro deste processo como um todo”, disse Azevêdo, em relação à reunião marcada para a tarde desta segunda. As críticas ao governo tiveram início, de forma mais evidente, na semana passada, quando João Azevêdo disse, em entrevista ao jornalista Heron Cid, que ele é completamente diferente do ex-governador Ricardo Coutinho. A mensagem foi vista como uma tentativa de se descolar do padrinho político.

O alvo favorito dos críticos da atual postura do governador é Nonato Bandeira. Eles criticam o secretário por defender a governabilidade, inclusive quando isso represente mudanças no secretariado. Em conversa com o blog, Bandeira ressaltou que não faz sentido o governo comprar brigas com as instituições. “Quanto a supostas críticas de o governador não ficar comprando brigas ser atribuídas a mim, essas críticas são justíssimas, embora também acho que seja um traço da própria personalidade de João Azevedo”, ressaltou.

Bolsonaro programa primeira viagem ao Nordeste após a posse e reúne governadores

Presidente vai aproveitar o encontro para apresentar o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE) para os governadores

O presidente Jair Bolsonaro participa de encontro com os governadores do Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) estará no Nordeste na próxima sexta-feira (24). Ele vai reunir os governadores da região, além dos mandatários de Minas Gerais e Espírito Santo, para anunciar o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), elaborado no âmbito da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). É a primeira vez que capitão reforma do Exército aporta na região onde ostenta os piores índices de avaliação no Brasil, com mais de 40% dos nordestinos classificando a gestão dele como ruim ou péssima. A reunião vai acontecer no Instituto Ricardo Brennand, no Recife, com a presença de pelo menos 11 governadores. O da Paraíba, João Azevêdo (PSB), ainda não confirmou presença, mas deve ir ao encontro.

A demora para que o presidente viesse ao Nordeste fez com que muitas lideranças políticas reclamasse do “esquecimento” do gestor, lembrando sempre que ele já foi a cinco países, mas não à região. Ele inicia a agenda, na próxima sexta, por Petrolina (PE), onde vai entregar um conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. No Recife (PE), deverá anunciar um acréscimo de R$ 2,1 bilhões ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, a ser usado em obras de infraestrutura. Ao todo, o fundo passará a ter R$ 25,8 bilhões em 2019. São esperados os governadores de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Minas Gerais e Espírito Santo. Parlamentares nordestinos, que cobravam a ida do presidente à região, também estão sendo convidados.

Na primeira entrevista após assumir o cargo, Bolsonaro disse que os governadores nordestinos não deveriam pedir dinheiro a ele. “Não venham pedir nada para mim, porque não sou presidente. O presidente está lá em Curitiba”, disse ele, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato. Bolsonaro, porém, argumentou que não abriria uma guerra política para não prejudicar os eleitores. “Não posso fazer uma guerra com governador do Nordeste atrapalhando a população. O homem mais sofrido do Brasil está na Região Nordeste. Vamos mergulhar para resolver muitos problemas do Nordeste.” A viagem de Bolsonaro foi precedida de encontros com esses governadores. Em uma reunião em Brasília, ministros palacianos apelaram por mais apoio à reforma da Previdência.

Operação Calvário ‘força’ João Azevêdo a fazer mini reforma administrativa no governo

Seis secretarias sofreram mudanças por causa da relação de auxiliares do governo com a investigação do Gaeco

João Azevêdo tem procurado implementar uma agenda positiva para afastar a crise. Foto: Francisco França/Secom-PB

O governador João Azevêdo (PSB) precisou fazer mudanças no governo mais rápido do que ele esperava. Ao todo, foram seis mudanças desde a posse, cinco meses atrás. O maior motivador das mudanças foi justamente a operação Calvário, desencadeada pelo Ministério Público da Paraíba. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investiga supostos pagamentos a agentes públicos do Estado, feitos pela Cruz Vermelha Brasileira filial Rio Grande do Sul. As mudanças ocorreram no primeiro escalão e também nos cargos de assessoramento. As primeiras ocorreram na Secretaria de Administração, primeiro com a saída do assessor Leandro Nunes Azevedo e depois com a então titular da pasta, Livânia Farias.

O cargo de Livânia foi assumido interinamente por Jacqueline Fernandes Gusmão, executiva da pasta. Tanto Livânia quanto Leandro são acusados de ter recebido dinheiro de propina pago pela Cruz Vermelha. No mesmo sentido, foram feitas mudanças na Procuradoria-Geral do Estado e na Secretaria de Planejamento e Gestão, com as saídas de Gilberto Carneiro e Waldson de Souza, respectivamente. Eles foram substituídos por Fábio Andrade e Gilmar Martins. Este último deixou o comando da Controladoria Geral do Estado e, para o lugar dele, foi nomeado Letácio Tenório Guedes Júnior. Gilmar, vale ressaltar, é um nome de confiança de João Azevêdo. Ele comandou a equipe de transição.

Houve mudança, também, na Secretaria de Saúde do Estado. De lá saiu Cláudia Veras para dar lugar a Geraldo Antônio de Medeiros. A ex-titular da Saúde passou a exercer o cargo de Secretária de Estado do Desenvolvimento e da Articulação Municipal. Mesmo não havendo denúncias contra Veras, a Saúde é área sensível por causa das investigações do Gaeco. Outra que não tem relação direta com a operação é Amanda Rodrigues, que deixou primeiro o Empreender e, no fim de semana, pediu exoneração da Secretaria de Finanças. Para o lugar dela, foi escolhido para responder na condição de interino o atual secretário Executivo da pasta, Mário Sérgio de Freitas Lins Pedrosa.

As mudanças ocorrem também em relação a alvos da operação que não exercem cargos de ponta. Trata-se dos servidores da Procuradoria-Geral do Estado, Maria Laura Caldas de Almeida Carneiro e Geo Luiz de Sousa Fontes. A primeira foi presa na quarta fase da operação Calvário. Já Geo foi alvo de busca e apreensão na mesma etapa da investigação.

Em meio à Calvário, os movimentos de João para manter a governabilidade

Governistas dizem que João Azevêdo tem trabalhado para “corrigir erros e distorções”

João Azevêdo tem procurado implementar uma agenda positiva para afastar a crise. Foto: Francisco França/Secom-PB

O governador João Azevêdo (PSB) tem segurado uma verdadeira batata quente no início do governo. Recebeu do ex-governador Ricardo Coutinho (do mesmo partido) uma gestão bem avaliada, mas com algumas bombas de efeito retardado. O escândalo revelado pela operação Calvário é um bom exemplo disso. Os contratos com a Cruz Vermelha Brasileira filial Rio Grande do Sul, firmados em 2011, agora revelam consequências danosas para a gestão. Ao todo, já são três baixas no governo, com a saída de peças importantes das gestões socialistas. Num roteiro em que o governo busca vacinas para estancar a sangria.

A primeira a cair foi a ex-secretária de Administração, Livânia Farias. Ela foi presa preventivamente e libertada apenas depois de ter colaborado com a Justiça. O que ela disse faz medo aos socialistas. Mais recentemente, deixaram o governo Gilberto Carneiro (Procuradoria-Geral do Estado) e Waldson de Souza (Planejamento e Gestão). Ambos, em algum momento, foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Isso sem falar das mudanças na Saúde, com a saída de Cláudia Veras para assumir vaga na Secretaria de Desenvolvimento e da Articulação Municipal.

As consequências disso têm sido a busca de uma agenda positiva pelo governo. O ritmo tem sido de visitas a obras e inaugurações quase que diárias. Procurados pelo blog, governistas dizem que o objetivo é não deixar a crise contaminar o governo. Há um esforço, também, para mostrar que a nova gestão, pelo menos em relação às crises, é uma outra gestão. “Faça um balanço e perceba o quanto o governo tem sido responsável em tomar todas as atitudes que demonstram a intenção de corrigir erros e distorções, de acertar, de aprimorar os mecanismos de controle, ou seja, de deixar claro que, neste ponto específico, é uma nova gestão”, disse uma fonte.

Especificamente em relação às organizações sociais, o esforço é para mostrar que a relação com elas mudou. Um ponto elencado é o termo de ajustamento de condutas firmado com os ministérios públicos da Paraíba, Federal e do Trabalho. Nele, há critérios mais rígidos para a contratação e classificação das instituições. O governador, inclusive, assinou decreto determinando que todos os contratos sejam revisados. As novas empresas contratadas para o trabalho também terão que se adequar às novas normas. O trabalho, agora, tem sido para estancar a sangria.

O governador, em todas as entrevistas, tem negado qualquer intenção de se afastar do padrinho político, Ricardo Coutinho. A atitude não pode ser classificada como equívoco. Agora, a verdade seja dita: dependendo do roteiro que as investigações da Calvário revelarem, o afastamento que hoje pode ser classificado como especulação vai ser convertido em realidade. A história é rica em episódios do gênero.

João Azevêdo diz que trocas no secretariado já eram previstas

Governador nega ligação das mudanças no secretariado com avanço da operação Calvário

João Azevedo diz que fará as mudanças que achar necessárias no governo. Foto: Francisco França

O governador João Azevêdo (PSB) negou nesta quinta-feira (2) que as mudanças recentes no secretariado tenham relação com a operação Calvário. O Diário Oficial do Estado publicado na última terça-feira (30) trouxe as saídas de Gilberto Carneiro (Procuradoria-Geral do Estado) e Waldson de Souza (Planejamento, Orçamento e Gestão), além da saída de Cláudia Veras da Saúde para ocupar o cargo de executiva da Secretaria de Desenvolvimento e da Articulação Municipal. Os atos, de acordo com o gestor, já estavam sendo pensados anteriormente.

As declarações de João foram dadas durante a abertura do Maio Amarelo, promovida pelo Detran da Paraíba. A campanha visa a redução dos acidentes de trânsito. Elas vão no sentido contrário da crença da oposição. O deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB) insinuou que as mudanças foram motivadas pela operação Calvário. “As exonerações foram feitas durante a madrugada”, alfinetou o tucano, que integra a bancada adversária do governador. O parlamentar classificou a turbulência gerada pela operação como “o fim do governo”.

João, por outro lado, disse ver com naturalidade as mudanças feitas e prevê que outras poderão ser vistas no governo. “Mudança dentro do governo é natural e acontece. Ela estava sendo pensada desde os 100 dias do governo e vai acontecer outras mudanças até o final do mandato, isso é óbvio. Mudança de secretário acontece normalmente e isso está previsto. Vamos continuar fazendo o que as pessoas esperam”, ressaltou o governador.

João Azevêdo acerta instalação na Paraíba do Centro de Distribuição da Colgate

Centro de Distribuição será responsável pelo atendimento a clientes do Norte e Nordeste

João Azevêdo debate medidas emergenciais para combater o déficit previdenciário. Foto: Divulgação/Secom-PB

O governador João Azevêdo (PSB) assina nesta segunda-feira (29) um acordo para a instalação, na Paraíba, de um centro de distribuição. A empresa interessada é a Colgate. Os detalhes sobre investimento e número de empregos que deverão ser gerados ainda não foram tornados públicos. De acordo com informações do governo, o encontro desta segunda também servirá para discutir prazos de instalação do empreendimento, local de construção, etc. A vinda da empresa é vista com muito otimismo pelos socialistas paraibanos.

Será o segundo protocolo de intenções para a instalação de empresa no Estado assinado neste mês. O primeiro, no dia 2, prevê a instalação de um estaleiro em Lucena, na Região Metropolitana de João Pessoa. O investimento previsto é superior a R$ 3,5 bilhões. O projeto atualmente está na etapa de viabilização de recursos. Ele será mostrado aos investidores estrangeiros pelas empresas McQuilling e IMC YY, e será levado para os Ministérios em Brasília pelo governo estadual, para que seja demonstrada a importância do empreendimento para a região e para o estado.

João prorroga por mais 90 dias intervenção sobre hospitais geridos pela Cruz Vermelha e IPCEP

Gestor diz que continuidade da intervenção é para ” assegurar a manutenção do regular e pleno funcionamento das unidades hospitalares”

João Azevêdo mantém os decretos assinados em janeiro durante novo ato publicado no Diário Oficial do Estado. Foto: Divulgação

O governador João Azevêdo (PSB) prorrogou por mais 90 dias as intervenções sobre os hospitais administrados pela Cruz Vermelha e o Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (IPCEP) na Paraíba. As duas instituições estão no centro do escândalo de corrupção investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, no âmbito da operação Calvário. As instituições em questão são responsáveis pelas gestões do Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, e do Hospital Geral de Mamanguape. A decisão foi publicada na edição desta quinta-feira (25) do Diário Oficial do Estado.

No decreto, Azevêdo diz que a medida visa garantir “a manutenção do regular e pleno funcionamento das unidades hospitalares indicadas na ementa do presente decreto”. A decisão é publicada dois dias depois da soltura da ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias. Ela foi presa preventivamente na terceira fase da operação, conduzida em conjunto pelos ministérios públicos da Paraíba e do Rio de Janeiro. A ex-auxiliar do governo foi liberada com parecer favorável do Gaeco, em consulta feita pela juíza relatora do caso, Andréa Gonçalves Lopes Lins. Isso fez crescerem as especulações de que houve acordo de colaboração premiada firmada por Livânia. O governo do Estado não divulgou ainda dados sobre auditoria nos três hospitais, previstas no primeiro decreto.

A Cruz Vermelha Brasileira filial Rio Grande do Sul, em conjunto com o Instituto de Psicologia Clínica, Educacional e Profissional (IPCEP), administrou recursos da ordem de R$ 1,1 bilhão entre 2011 e 2018. Elas são responsáveis pela gestão dos hospitais de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, Metropolitano Dom José Maria Pires e o Regional de Mamanguape. As três continuarão sob o controle dos interventores indicados por João Azevêdo, os mesmos que foram nomeados em janeiro. O Trauma permanecerá sob a tutela do coronel Bombeiro Lucas Severiano de Lima Medeiros. Já o Metropolitano e o Regional continuam sob o comando do procurador do Estado Lúcio Landim Batista da Costa.

Durante a vigência da intervenção, a Cruz Vermelha e o Ipsep ficam impedidos de movimentação de recursos financeiros e a ordenação de despesas; a admissão, movimentação e demissão de empregados, e a rescisão, aquisição e contratação de bens e serviços. Atualmente, o mandatário da Cruz Vermelha Brasileira e do IPCEP, Daniel Gomes da Silva, se encontra preso no Rio de Janeiro. Ele foi preso na primeira e na segunda fase da operação Calvário. Também continua presa, Michelle Louzada Cardoso, apontada como braço direito de Daniel. Foi ela quem foi flagrada em vídeo entregando uma caixa de vinho ao ex-assessor da Secretaria de Administração da Paraíba, Leandro Nunes Azevêdo. Ao Ministério Público, Leandro indicou que havia quase R$ 900 mil na embalagem a título de propina.