Apesar da pressão dos deputados, João Azevêdo descarta “orçamento impositivo”

Governador cita efeitos da crise econômica para negar apoio à proposta do Legislativo

Adriano Galdino (C) vai buscar . Foto: Divulgação/ALPB

A Assembleia Legislativa não vai conseguir emplacar a proposta de orçamento impositivo sem, com isso, contrariar o governador João Azevêdo (PSB). O socialista garante que não há como implantar o programa desejado pelos deputados estaduais. A proposta é das poucas unanimidades entre os deputados. Talvez seja a única, vale ressaltar. Por ela, os parlamentares ganham o direito de indicar como querem que uma parcela do orçamento seja aplicada.

O montante destinado para as emendas impositivas é de 1,2% da Receita Corrente Líquida (RCL). Isso representaria perto de R$ 150 milhões. Para João Azevêdo, quem pegar os números da economia estadual, assim como os do país como um todo vai perceber que não há possibilidade.

“Estamos com uma economia do país em que houve uma estagnação este ano. Basta se verificar os números. A quantidade de desempregados se mantém. As receitas não sobem e não há como fazer transferências, efetivamente, de recursos novos para os Estados. Ou seja, é muito difícil. E a emenda impositiva não traz nenhum tipo de benefício porque ela poderá prejudicar outros tipos de programa do Estado”, disse Azevêdo.

O presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), disse ao blog recentemente que o caminho será uma solução negociada. Essa possibilidade não é cogitada pelo governador. Para ele, a proposta de reduzir o repasse para 0,8% da Receita Corrente Líquida também prejudicará as contas do Estado. Ou seja, apesar da disposição dos deputados, eles não poderão fazer o omelete sem quebrar os ovos. Eles têm maioria para aprovar o projeto, mas terão que comprar briga com o governo.

João Azevêdo diz que até hoje conclui obras inauguradas por Ricardo Coutinho

Resposta veio após declarações de Ricardo de que agenda do governo dele ainda pauta a Paraíba

O governador João Azevêdo (PSB) não escondeu o desconforto, nesta sexta-feira (1º), com as declarações do antecessor, Ricardo Coutinho (PSB). O socialista publicou nas redes sociais postagem com crítica velada ao atual gestor. De acordo com ele, passados nove meses, o governo dele “ainda pauta a agenda da Paraíba”. A referência foi feita após falar sobre a inauguração de uma rodovia entre Pilar e Itabaiana. O atual gestor, no entanto, chamou as declarações de “se rebaixar a coisa pequena”.

Reprodução/Twitter

O governador alegou que está inaugurando, ainda hoje, obras consideradas concluídas no dia 31 de dezembro. A declaração segue no sentido de que Ricardo, de saída, inaugurou obras inconclusas. “Primeiro, sobretudo, é o conceito. Nós vamos terminar todas as obras iniciadas. Eu estou terminando obras que foram consideradas inauguradas em 31 de dezembro e que não estavam sequer prontas. Esta é a questão. Não precisamos descer a esse detalhe. Nós precisamos é continuar fazendo a Paraíba avançar”, disse.

“Eu não vi o comentário, até por que eu tenho mais o que fazer. Mas… será que as obras não eram para ser concluídas, não, era? Será que as obras, grande parte das obras que eu planejei (eu vou usar eu pela primeira vez na minha fala). Eu sou por formação, eu tenho a compreensão, de que o governo é formado por muitas mãos. Somos nós que fazemos, mas muitas destas obras evidentemente que têm a minha mão. Na campanha eu disse que todas as obras iniciadas seriam concluídas”, garantiu.

O ex-governador Ricardo Coutinho está na Europa, onde participa de eventos na Espanha e na França. O ex-gestor traçou rota de colisão com João Azevêdo desde quando fez movimento para assumir o comando do PSB no Estado.

 

“João recebe gato, cachorro e papagaio e nunca quis me receber”, diz Gervásio Maia

Deputado diz que governador foi ao gabinete dele, em Brasília, sabendo que não encontraria ninguém

Gervásio Maia critica postura de João Azevêdo. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Dizer que o clima no PSB paraibano é de desarmonia é redundância. Mesmo assim, surpreende no dia a dia conhecer o nível da contenda. Um dia depois do alarde de que o deputado federal Gervásio Maia (PSB) não quis receber o governador João Azevêdo (do mesmo partido) no seu gabinete, em Brasília, o socialista quebrou o silêncio. As primeiras notícias eram de que o parlamentar teria deixado o gabinete no maior estilo “Leão da Montanha”, com saída pela esquerda antes da chegada de João. A versão de Maia, no entanto, vai no sentido contrário.

Gervásio Maia acusa João Azevêdo de ter forçado um desgaste desnecessário sobre a imagem dele. O socialista assegura que o governador sabia que ele não estaria no gabinete. A assessoria do parlamentar conta que recebeu uma ligação do escritório de representação do governo às 10h42. Neste horário, Maia já estava no aeroporto, pronto para embarcar para João Pessoa. Eles foram avisados sobre a viagem, garantem os assessores. Apesar disso, meia hora depois João Azevêdo chegou ao gabinete. “Não tenho dúvida que o objetivo foi criar um desgaste desnecessário para a minha imagem”, assegura.

O socialista não baixa a guarda ao falar sobre a relação com o governador. Ele acusa Azevêdo de dar mais atenção aos deputados da base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que aos que o ajudaram a ser eleito. “Estou desde o início do ano, após a posse, tentando ser recebido pelo governador. Não consigo. Sabe quando foi a última vez que conversamos? Há três meses. Pergunta quando foi a última vez que ele conversou com o (ex)governador Ricardo Coutinho?”, questionou o parlamentar, que, questionado pelo blog, não soube dizer quando. “Não, estou pedindo para você perguntar a João Azevêdo”, explicou-se.

Maia diz não saber o porquê do tratamento dispensado pelo governador para os militantes do partido. Questionado, disse não acreditar que tenha a ver com a operação Calvário, desencadeada pelo Ministério Público da Paraíba e que tem agentes públicos do Estado como alvos. O socialista garante que não consegue enxergar o motivo do esfriamento da relação de João Azevêdo com o ex-governador Ricardo Coutinho. “É tão estranho que eu não sei responder”, garante.

O deputado diz ainda que passou a semana recebendo ligações de prefeitos que narraram estar sendo abordados pelo governo. As perguntas, ele garante, são no sentido de “com quem eles ficarão em caso de rompimento”. “É difícil compreender. Tem prefeito do PSB que muda de partido e, em seguida, aparece o governador para banquetear com ele”, diz Maia, expressando estranheza com o fato. Estes atos, assegura o parlamentar, estão conectados com o ultimato do governador, que poderá deixar o partido em dezembro.

Questionado sobre Calvário, João Azevêdo diz que o MPPB “faz o papel dele”

Governador exonerou cinco secretários até agora por causa de acusações de envolvimento em suposto esquema de propina

João Azevêdo que cabe a ele administrar o Estado e ao MP investigar. Foto: Francisco França/Secom-PB

Um dia depois da deflagração da quinta fase da operação Calvário, o governador João Azevêdo (PSB) evitou polemizar o assunto, durante agenda em Campina Grande, nesta quinta-feira (10). Questionado sobre o tema, ele se restringiu a dizer que “o Ministério Público faz o papel dele e o Executivo faz o papel que lhe cabe”. A última edição da operação teve três novos secretários como alvos de mandados de busca e apreensão. Um deles, o secretário Executivo de Turismo, Ivan Burity, foi preso preventivamente.

O Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira trouxe as exonerações de Ivan Burity (Executivo de Turismo), Aléssio Trindade (Educação) e Arthur Viana (Imeq). Os três foram acusados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, de terem atuado direta ou indiretamente em esquema de cobrança e recebimento de propinas de empresas fornecedoras do governo da Paraíba.

De fases anteriores, deixaram o governo Livânia Farias (Administração), Gilberto Carneiro (Procuradoria-Geral do Estado) e Waldson de Souza (Planejamento, Orçamento e Gestão). Todos foram alvos de denúncia do MPPB. João Azevêdo decidiu, também, determinar intervenção nos hospitais administrados pelo Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (Ipcep). Foram afastados servidores dos Hospitais Metropolitano de Santa Rita e Regional de Mamanguape.

Sobre mudanças no governo, João Azevêdo disse que elas poderão ocorrer até o dia 31 de dezembro de 2022, último ano da gestão. “Isso é um processo natural. É preciso que haja acomodação sempre que houver necessidade. E eu não tenho dúvida nenhuma e nem tenho problemas para fazê-las. Havendo necessidade serão feitas, sim”, ressaltou o governador. Ele acrescentou ainda em relação a eventuais novas etapas das investigações do Ministério Público que a ele cabe administrar o estado e entregar obras.

“A mim cabe exatamente ter ações como esta. Estar aqui em Campina Grande hoje entregando uma parte de obras, anunciando novas obras, que serão mais de R$ 135 milhões em novas e lembrando ao povo da paraíba e de Campina Grande que só neste ano nós já investimos na cidade de Campina Grande quase R$ 150 milhões. e é assim, é trabalhando. Essa é a função do poder Executivo”, ressaltou.

Com informações de João Paulo Medeiros, do blog Pleno Poder, do Jornal da Paraíba

Calvário: um dia após operação, João exonera Ivan Burity, Aléssio Trindade e Arthur Viana

Auxiliares do governador foram apontados como suspeitos de envolvimento em esquema de corrupção

Ivan Burity passa por audiência de custódia e é encaminhado para presídio de Mangabeira. Foto: Zuíla David/TV Cabo Branco

Um dia após a operação Calvário sair às ruas, na sua quinta fase, o governador João Azevêdo (PSB) tornou pública a exoneração de todos os secretários suspeitos de envolvimento no esquema de desvio de recursos públicos. A edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira (10) trás as exonerações de Ivan Burity (Executivo de Turismo), Aléssio Trindade (Educação) e Arthur Viana (Imeq). Os três foram apontados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, de terem atuado direta ou indiretamente em esquema de cobrança e recebimento de propinas de empresas fornecedoras do governo da Paraíba.

Em nota, ainda na quarta-feira, o João Azevêdo determinou a intervenção em dois hospitais que teriam sido alvos do esquema criminoso. “O Governo do Estado, diante do ocorrido nesta quarta-feira (9) e visando preservar as instituições e manter os serviços hospitalares com o devido atendimento à população, determinou a intervenção nos hospitais Metropolitano de Santa Rita e o Regional de Mamanguape, ao mesmo tempo que decidiu pelo afastamento imediato de todas as pessoas responsáveis pela administração da Organização Social citada nesta nova etapa da Operação Calvário”.

Vale ressaltar que em relação ao afastamento dos servidores das instituições, a decisão do governador apenas cumpre o que foi determinado pela Justiça, em decisão do desembargador Ricardo Vital de Almeida. Os afastados são do diretor administrativo do Hospital Geral de Mamanguape, Eduardo Simões Coutinho, preso durante a operação, além do diretor administrativo do Hospital Metropolitano, Henaldo Vieira da Silva; da diretora jurídica, Giovana Araújo Vieira, e do diretor financeiro, Mario Sérgio Santa Fé da Cruz. O primeiro é acusado de ter atuado em nome do mandatário da Cruz Vermelha Brasileira, Daniel Gomes da Silva, no recebimento de propinas.

Henaldo, Giovana e Mário são investigados pelo cometimento do crime de falsificação de documento público, consubstanciado na adulteração de Termo de Referência que ensejou a contratação da empresa DIMPI Gestão em Saúde Ltda para prestar serviços de imagens no Hospital Metropolitano de Santa Rita. Em relação a Eduardo Coutinho, ele teria recebido dinheiro de propina de fornecedores no Ipcep em nome de Daniel, a exemplo das vantagens indevidas entregues por José Aledson de Sousa Moura, proprietário de fato da Total LAB.

A intervenção sobre os hospitais administrados pelo Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (Ipcep) ocorre meses após o credenciamento e a contratação da Organização Social para administrar as instituições de saúde. Isso ocorreu mesmo após a atuação dela ter sido alvo de denúncias pelo Ministério Público da Paraíba no início do ano.

Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão e 25 de busca e apreensão durante a quinta fase da operação Calvário. A ação autorizada pela Justiça contou com a participação de Gaeco, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Controladoria-Geral da União. Entre os presos estão Ivan Burity, Eduardo Simões Coutinho e o empresário Jardel Aderico da Silva, da Inteligência Relacional.

 

Calvário: João Azevêdo decreta intervenção em hospitais, afasta servidores e Ivan Burity pede exoneração

Auxiliares e servidores do governo do Estado foram alvos de busca e apreensão e mandados de prisão

Hospital Metropolitano vai ser administrado por interventores. Foto: Divulgação

O governador João Azevêdo (PSB) determinou nesta quarta-feira (9) a intervenção nos Hospitais Regional de Mamanguape e Metropolitano de Santa Rita. A decisão é resultado da quinta fase da operação Calvário, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A nova fase da operação mirou contratos relacionados à Saúde e à Educação. O diretor administrativo do Hospital Geral de Mamanguape, Eduardo Simões Coutinho, foi preso. Também preso, o secretário Executivo de Turismo, Ivan Burity, pediu exoneração do cargo.

Mas não apenas ele foi alvo da operação. Foram alvos de mandados de busca e apreensão o diretor executivo do Ipcep, Antônio Carlos de sousa Rangel, o diretor administrativo do Hospital Metropolitano, Henaldo Vieira da Silva; a diretora jurídica, Giovana Araújo Vieira, e o diretor financeiro, Mario Sérgio Santa Fé da Cruz. Eles são investigados cometimento do crime de falsificação de documento público, consubstanciado na adulteração de Termo de Referência que ensejou a contratação da empresa DIMPI Gestão em Saúde Ltda para prestar serviços de imagens no Hospital Metropolitano de Santa Rita.

Em relação a Eduardo Coutinho, ele teria recebido dinheiro de propina de fornecedores no Ipcep em nome de Daniel, a exemplo das vantagens indevidas entregues por José Aledson de Sousa Moura, proprietário de fato da Total LAB. Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e dois de prisão.

Confira a nota do governador

NOTA
O Governo do Estado, diante do ocorrido nesta quarta-feira (9) e visando preservar as instituições e manter os serviços hospitalares com o devido atendimento à população, determinou a intervenção nos hospitais Metropolitano de Santa Rita e o Regional de Mamanguape, ao mesmo tempo que decidiu pelo afastamento imediato de todas as pessoas responsáveis pela administração da Organização Social citada nesta nova etapa da Operação Calvário.

 

João promete exonerar quem confundir governo com partido

Governador reuniu auxiliares no Centro de Convenções para “planejar as ações do quarto trimestre”

João Azevêdo chega para reunião com secretários no Centro de Convenções. Foto: Raniery Soares/CBN

O governador João Azevêdo (PSB) procurou afastar, durante reunião com secretários, nesta segunda-feira (7), o viés partidário do encontro. O socialista vive uma queda de braço na sigla com o ex-governador Ricardo Coutinho, padrinho político do socialista. Ele deixa claro que vai cortar da gestão todos aqueles que não consigam separar a questão partidária das relacionadas ao governo.

“Volto a dizer: eu separo muito as coisas, o que é partido e o que é governo. Eu tenho foco no governo. Evidentemente, se você tiver um auxiliar que não consiga fazer essa separação, o auxiliar vai ter que deixar o governo”, disse Azevêdo, acrescentando que não vai se preocupar com isso enquanto houver auxiliares que saibam dividir o que é uma coisa e o que é a outra.

A declaração de João Azevêdo ocorreu logo depois de declarações feitas pelo secretário de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido do Estado, Luiz Couto, também presente no evento. O auxiliar do governo disse que se sentiu desgostoso depois de saber do encontro, na semana passada, do governador com o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, o general Luiz Eduardo Ramos. João Azevêdo, ao ser questionado sobre o assunto, procurou afastar o ingrediente ideológico. Disse que gosta de ser bem recebido em Brasília e, por isso, procura receber bem os auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na Paraíba.

“Eu sempre tenho dito que partido é partido, governo é governo. Fazer essa separação é a forma mais inteligente para todo mundo, para toda a equipe. Ninguém pode misturar as duas coisas. É óbvio que fazemos parte de uma agremiação, não há uma seperação por completa, mas a ação e a atitute, tem que ser compatível com cada local”, ressaltou João Azevêdo.

Colaboraram, Jhonathan Oliveira e Raniery Soares

As teses por trás da convocação “misteriosa” de João para o secretariado

Chefe do Executivo convocou equipe para reunião no Centro de Convenções e não revelou pauta

Governador não revela, a convocados, qual será a pauta do encontro. Foto: Divulgação

A “misteriosa” convocação de João Azevêdo (PSB) para encontro com os secretários estaduais tem provocado especulações diversas. De um lado, os adeptos do separatismo dizem que o gestor vai cobrar fidelidade da equipe. Quem revelar maior proximidade com o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) terá a porta de saída como serventia da casa. Azevêdo vem recebendo cobranças de governistas para “desarmar bombas” no governo, retirando recordistas da gestão.

As pressões vêm principalmente da base governista na Assembleia Legislativa, mas encontram eco entre secretários mais próximos. Azevêdo manteve, na gestão, mais de 90% do secretariado de Ricardo Coutinho. Alguns deles foram mantidos por pressão do socialista. Mesmo os que agora são apontados como responsáveis pelo afastamento de João do padrinho político. O exemplo típico é o do secretário de Comunicação, Nonato Bandeira.

O tensionamento entre os socialistas é explicitado nas brigas pelo comando do partido, mas tem como termômetro a operação Calvário, desencadeada no ano passado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba. Dizem os mais próximos a João Azevêdo que ele coloca as investigações na conta de herança maldita deixada pelo ex-governador.

Três secretários estaduais caíram em meio a desdobramentos da operação, além de outros servidores públicos supostamente envolvidos no esquema de corrupção e recebimento de propinas. O ponto inicial foi a relação da Cruz Vermelha Brasileira com o governo estadual, através da prestação de serviços no Hospital de Trauma de João Pessoa. Depois, outros desdobramentos da operação atingiram outras áreas do governo e até da prefeitura de João Pessoa, relacionadas a gestões socialistas.

A convocação “misteriosa”, invariavelmente, visa blindar a equipe das pressões externas e cobrar a execução dos programas estaduais. Esse, inegavelmente, será um ponto discutido. Todos os outros, acreditam governistas, têm a ver com a busca de fidelidade. Para estes observadores, o Diário Oficial do Estado (DOE) terá muito trabalho antes de, efetivamente, existir um governo com a cara de João.

 

João Azevêdo busca agenda positiva para se afastar de crise política

Governador vive às voltas com problemas internos no PSB e avanço da operação Calvário sobre agentes públicos

João Azevêdo tem se esforçado para blindar o governo de crises. Foto: Divulgação

O governador João Azevêdo (PSB) tem abraçado uma agenda alucinante de inaugurações, inspeções e lançamentos de novos empreendimentos e programas. A estratégia, dizem governistas, é afastar a gestão de temas incômodos, como o racha interno na base socialista e o avanço da operação Calvário. Nesta segunda-feira (30) , haverá assinatura de protocolo de intenções entre o governo do Estado e o Sebrae Paraíba para estimular o empreendedorismo.

O racha no PSB é causado pelo movimento feito pelo ex-governador Ricardo Coutinho para assumir o comando do partido. A iniciativa fez com que a sigla se fragmentasse, fazendo com que a maior parte dos socialistas sigam João. Outro ponto incômodo é a inclusão de auxiliares do governo no rol de investigados da operação Calvário.

Pelo menos quatro secretários e ex-secretários viraram alvos das investigações. Gilberto Carneiro (ex-PGE), Livânia Farias (ex-Administração) e Waldson de Souza (ex-Planejamento) já viraram réus. O secretário de Comunicação, Nonato Bandeira, foi denunciado em demanda judicial recente. O tema, lógico, gera preocupação.

Empreender

A assinatura de contratos de concessão de crédito do Empreender PB pela linha Pessoa Jurídica vai acontecer nesta segunda-feira (30), às 10h, no Salão Nobre do Palácio da Redenção. A parceria entre o Estado e o Sebrae Paraíba visa a promoção da competitividade e o desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios, além de estimular o empreendedorismo, fortalecendo a economia do estado.

O objetivo é combinar esforços entre as partes para desenvolvimento dos programas/projetos, visando contribuir para o surgimento de novos negócios, desenvolver negócios já existentes, bem como de produtos e serviços que apresentem reais oportunidades para o Estado da Paraíba.

Na solenidade ainda acontecerá a posse das pessoas que irão compor o conselho gestor do Empreender Paraíba e assinaturas de contratos da linha de crédito Pessoa Jurídica.

Rompendo com João, Ricardo terá um antagonista para chamar de seu

Trajetória política de Ricardo é repleta de histórias de ex-aliados que viraram adversários e foram “destruídos”

“No more”: Ricardo e João Azevêdo durante plenária do Orçamento Democrático no meio do ano. Foto: Divulgação

A política é a arte de unir inimigos e separar irmãos. Essa é uma frase antiga da política que sempre descreve bem acontecimentos novos. Uma simples passagem pela Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) por estes dias é capaz de mostrar o porquê. Os até bem pouco tempo “melhores amigos” do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) têm tido dificuldades para elencar adjetivos elogiosos que designem o ex-líder. A maior parte dos 24 parlamentares governistas já apresentaram as credenciais e devem seguir João Azevêdo (do PSB, por enquanto) no eventual rompimento entre os dois. No mesmo sentido, para tornar ainda mais atual a frase que abre o texto, adversários traçam rota de aproximação de João.

O ponto de convergência em relação ao atual governador, que une governistas e oposicionistas é, efetivamente, o afastamento de Ricardo. O tom tem sido dado por outro Ricardo, o Barbosa, líder do governo, em pronunciamentos na tribuna da Assembleia. Nesta terça-feira (17), ele usou o espaço para tecer críticas e desmerecer entrevista recente de Coutinho. Ao blog, o socialista puxou para si a responsabilidade pela eleição dos aliados. Entre eles, 22 dos 24 deputados governistas. Traço negado por Barbosa, para quem o projeto coletivo e não apenas Coutinho serviu para a eleição do grupo.

Antes de Ricardo Barbosa, coube ao próprio João Azevêdo traçar linha de colisão com Coutinho. Durante entrevista no fim de semana, ele rebateu ponto a ponto as declarações do mentor político, de que teria se sacrificado em nome do projeto. O ex-governador disse que não abriria mão de disputar o Senado, caso as eleições fossem hoje. Alega que fez um sacrifício no pleito de 2018. Um sacrifício que virou ironia nas palavras de João, para quem não seria necessário o esforço do hoje  (ex)aliado.

O roteiro discursivo, hoje, lembra muito mais o de inimigos que os de amigos de longas datas. A iminente separação tem potencial para provocar um novo arranjo na Assembleia Legislativa e na base aliada do ex-governador Ricardo Coutinho. Praticamente todos os prefeitos devem seguir com o atual governador, bem como vereadores e secretários. A separação deve melhorar a interlocução de João também com o governo federal. O ex-governador, havendo a separação, vai encarnar a parábola da águia que, ao envelhecer, tem que abrir mão das garras, penas e bico para se renovar e “viver outro tanto”. A história é contada por ele a aliados como uma forma de justificar decisões recentes.

No PSB, com a saída de muitas das atuais lideranças, deve restar apenas o grupo mais fiel ao ex-governador. A partir daí, ele tentará a reposição das garras, penas e bico que deve perder na briga com João. O efeito mais curioso disso é que, com o rompimento, o ex-governador voltará a ter o que não tem há anos: um antagonista.