Peemedebista e tucano paraibanos ajudaram a “derrotar” orientação de Temer

Câmara rejeita pedido de urgência à proposta de reforma trabalhista

Veneziano Vital do Rêgo, alinhado na Paraíba a Ricardo Coutinho, tem votado seguidamente contra o governo federal. Foto: Reprodução

O peemedebista Veneziano Vital do Rêgo e o tucano Pedro Cunha Lima ajudaram a derrubar a tentativa do governo federal de dar urgência à votação da reforma trabalhista (PL 6787/16) na Câmara dos Deputados. Ao todo, dos dez parlamentares paraibanos presentes na sessão, seis votaram favoravelmente e quatro contra, entre eles, dois integrantes de partidos aliados do presidente Michel Temer (PMDB). A proposta recebeu 230 votos favoráveis, 163 contrários e uma abstenção, mas eram necessários 257 votos para aprovar a urgência.

O requerimento encurtaria os prazos para votação em Plenário, possibilitando sua análise na próxima quarta-feira. Agora, o projeto precisa seguir os prazos regimentais na comissão que analisa o tema. A rejeição da urgência foi comemorada por deputados da oposição, que gritaram palavras de ordem e criticaram a proposta. “Esta votação mostra que, havendo mobilização da rua, se a sociedade lutar, nós podemos derrotar os projetos deste governo. Tentaram atropelar a votação da reforma trabalhista, mas não conseguiram”, disse o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

Vice-líder do governo, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) minimizou o resultado. “Perdemos essa votação, mas foi uma batalha. Não perdemos a guerra e vamos transformar o País. Reforma se faz com dificuldades e com muito foco. O relatório virá para cá e nós vamos ganhar”, afirmou. O relatório do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) sobre a reforma trabalhista amplia o poder dos acordos entre patrões e empregados sobre a legislação; faz ressalvas à recém-aprovada lei sobre terceirização (13.429/17); regulamenta o teletrabalho; e retira da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a obrigatoriedade da contribuição sindical para trabalhadores e empregadores.

A proposta torna regra geral a prevalência dos acordos coletivos, enquanto o texto original previa a negociação mais forte que a lei em apenas 13 pontos. Agora, pelo texto de Marinho, o rol dos casos de acordo coletivo maior que a legislação é apenas exemplificativo e traz 16 temas, como banco de horas, parcelamento de férias e plano de cargos e salários. Por outro lado, Marinho acrescentou uma lista de 29 direitos que não podem ser reduzidos por negociação, como a liberdade sindical e o direito de greve, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o salário mínimo.

Debate
Rogério Marinho disse que a proposta vai modernizar a legislação. “Tivemos o marco de 1943. O segundo, aconteceu com a Constituição de 1988. Agora, temos a oportunidade de colocar a lei no espírito do tempo, em 2017”, afirmou. A proposta, no entanto, foi criticada pela oposição. Para o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), haverá perda de direitos com a prevalência dos acordos coletivos. “Imaginem o trabalhador brasileiro ter os seus direitos negociados por um sindicato corrompido e comprado por um setor econômico. Isso vai ter mais força do que a lei. O acordado já pode prevalecer sobre legislado hoje, desde que seja melhor para o trabalhador. Isso não está proibido, se for para garantir mais direitos ao trabalhador, mas, se for para garantir menos, está proibido”, afirmou.

Veja como votaram os paraibanos

 

Aguinaldo Ribeiro (PP)                    Sim
Benjamin Maranhão (SD)                Sim
Efraim Filho (DEM)                          Sim
Hugo Motta (PMDB)                         Sim
Luiz Couto (PT)                                  Não
Pedro Cunha Lima (PSDB)              Não
Rômulo Gouveia (PSD)                    Sim
Veneziano Vital do Rêgo (PMDB)  Não
Wellington Roberto (PR)                  Não
Wilson Filho (PTB)                            Sim

Rompimento à vista: relação entre Ricardo e Gervásio azedou de vez

Gervásio Maia, ao lado de Ricardo Coutinho, cumprimenta Dilma Rousseff antes de ser vaiado durante solenidade. Foto: Divulgação/ALPB

Fontes palacianas têm revelado, sem muito alarde, que a lua de mel entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia, ambos do PSB, chegou ao fim. Dificuldades na relação institucional e pesquisas internas teriam servido de munição para o estremecimento da relação, a ponto de o parlamentar ter sido riscado em definitivo das opções eleitorais para a sucessão ao governo do Estado. Gervásio trabalhava para ser candidato, mas foi perdendo força com seus aliados no Legislativo e no Palácio da Redenção.

O abandono do nome de Maia foi a confluência de vários episódios. Um deles e que repercutiu negativamente em público foi a vaia recebida pelo parlamentar durante discurso na Inauguração Popular da Transposição, em Monteiro, no mês passado. Ao pegar no microfone, em frente a Ricardo e aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, Maia recebeu uma sonora vaia. As críticas ao parlamentar vieram tanto de petistas quando de socialistas, que ainda o identificam como liderança afinada com o PMDB, seu antigo partido. A receptividade desapontou o parlamentar.

Episódio recente, narrado por fontes ligadas ao governador, revelam desentendimento dele com o presidente da Assembleia Legislativa. Em uma das conversas entre os dois, teria havido até troca de insultos. Há quem negue e quem confirme entre os auxiliares de Ricardo. Contou para o sepultamento das pretensões eleitorais de Gervásio Maia, também, uma pesquisa qualitativa encomendada pelo PSB. Ela revelou que caso Maia fosse o candidato ao governo, a chance de derrota seria muito grande. A alegação principal é a de que ele não conseguiria atrair o eleitor simpático ao governador. Outro problema teria sido as dificuldades de Ricardo influenciar no Legislativo, o que teria sido rejeitado por Maia.

“A forma de enxergar a política dos dois é muito diferente e isso provocou o distanciamento”, disse em reserva um socialista ouvido pelo blog. “Gervásio é visto com desconfiança, porque há o entendimento de que ele não honraria compromissos assumidos”, assegura outra fonte ouvida. Recentemente, também, ficou evidente o distanciamento de Gervásio em relação a deputados governistas. Ele quase trocou tapas com o ex-presidente da Assembleia, Adriano Galdino (PSB), que, momentos antes, havia ocupado a tribuna da Casa para criticar o colega de partido.

O resultado do descolamento é que Maia comunicou ao partido que não seria mais candidato ao governo e começou o trabalho para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados, no ano que vem. Os socialistas, agora, trabalham para consolidar outro nome para a disputa. A deputada estadual Estela Bezerra é uma opção natural, mas muitos citam João Azevedo. A maior possibilidade, no entanto, é apostar em Lígia Feliciano (PDT), que vai assumir o governo em abril do próximo ano com o afastamento de Ricardo Coutinho para a disputa de uma vaga no Senado.

A lógica observada é que, com a caneta na mão, não seria exatamente uma postura sábia comprar briga com Lígia Feliciano…

PSD nacional fecha questão em relação à candidatura de Cartaxo ao governo

Luciano Cartaxo tenta consolidar os apoios de PSDB e PMDB

Luciano Cartaxo (C) tentará os apoios de Cássio e Maranhão para a disputa do governo. Foto: Divulgação

O discurso do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), de que as eleições de 2018 serão discutidas apenas em 2018 não foi combinado com o próprio partido. Em nota divulgada nesta terça-feira (18), a sigla informa que a orientação nacional é pela garantia de candidatura própria para o governo. A orientação é ter candidatura em todas as capitais onde isso for possível.

Neste contexto, o caso da Paraíba é colocado como uma das metas da agremiação. Para a disputa de 2018, o PSD espera contar com o mesmo apoio conseguido na reeleição do prefeito, em João Pessoa. Apoiaram a recondução de Cartaxo, entre outros, PSDB, PMDB, PP e PRB. Dos peemedebistas, o apoio foi condicionado à definição do ex-deputado federal Manoel Júnior na condição de vice. Caso o pessedista decida disputar o governo, ele será sucedido por Júnior no cargo.

Para justificar a decisão de lançar candidatura própria para o governo, o presidente estadual do partido, Rômulo Gouveia, ressaltou o desempenho da sigla nas eleições para prefeito e vereador, em 2016. Ele explicou que nas eleições municipais de 2016, o PSD acumulou a segunda maior votação para cargos majoritários na Paraíba e elegeu 27 prefeitos, 21 vices e 183 vereadores, permanecendo entre os partidos que mais elegeram filiados. O destaque citado foi a reeleição de Cartaxo em João Pessoa.

O PSD foi fundado em 2011 e no ano que vem vai enfrentar a segunda eleição geral.

 

Ricardo fará evento paralelo para festejar águas da transposição em Boqueirão

Lula com Dilma durante solenidade em Monteiro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Cada um no seu quadrado. De um lado o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, ligou para os deputados e senadores aliados do presidente Michel Temer (PMDB) na Paraíba, para que eles compareçam à “festa” que será realizada para marcar a chegada das águas ao Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido como Boqueirão. Do outro, estará o governador Ricardo Coutinho (PSB), que promete reunir, com uma grande festa, “as lideranças e a população da região para abraçar a chegada das águas”. A previsão é a de que o produto comece a chegar no manancial na próxima quarta-feira (12).

Há muita tensão quando o assunto é a chega das águas da transposição à Paraíba, porque as principais lideranças do Estado brigam pela paternidade ou mesmo pelo reconhecimento da contribuição dada à obra. No mês passado, enquanto os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB) cortejaram o presidente Michel Temer (PMDB) durante solenidade no dia 10 de março, Ricardo Coutinho adotou discurso duro contra o peemedebista no mesmo dia e ainda foi um dos grandes entusiastas da solenidade com a presença dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, nove dias depois. As obras foram iniciadas durante a gestão de Lula, como presidente e continuadas por Dilma e Temer.

Monteiro (PB) – Presidente Michel Temer durante cerimônia de chegada das Águas do Rio São Francisco à Paraíba (Beto Barata/PR)

Por meio de nota, o governo informou que a Secretaria de Estado da Infraestrutura, dos Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia (Seirhmact), comandada por João Azevedo, está monitorando o percurso das águas, que estavam neste sábado (8) no município de Caraúbas e no domingo, em São Domingos do Cariri. De acordo com projeções do Ministério da Interação Nacional, a água tem avançado 12 quilômetros por dia em direção a Açude de Boqueirão. O manancial é responsável pelo abastecimento de Campina Grande e cidades do entrono. O racionamento de água em vigor atualmente é de três dias com água e quatro sem uma gota nas torneiras.

O secretário de Comunicação do Estado, Luís Torres, tratou de descartar qualquer intenção de dividir agendas. “O governo já havia programado isso, naturalmente, pois é o responsável pela distribuição, pelos projetos que desenvolveu e desenvolve, das águas vindas do São Francisco”, ressaltou. As águas chegaram à Paraíba no início de março e agora seguem pelo Rio Paraíba passando pela Barragem Camalaú até chegar em Boqueirão, um trajeto de aproximadamente 130 quilômetros. Com a chegada das águas à Barragem de Boqueirão, que se encontra com apenas 3,1% da sua capacidade de acumulação atualmente, 716 mil habitantes serão beneficiados em 18 municípios.

Além de Campina Grande, serão beneficiados Barra de Santana, Caturité, Queimadas, Pocinhos, Lagoa Seca, Matinhas, São Sebastião de Lagoa de Roça, Alagoa Nova, Boqueirão, Boa Vista, Soledade, Juazeirinho, Cubati, Pedra Lavrada, Olivedos, Seridó e Cabaceiras.

Desconfiados de Gervásio, socialistas cobram Ricardo na chapa

Se depender dos aliados, Ricardo Coutinho vai compor a chapa majoritária do PSB, em 2018. Foto: Divulgação/SecomPB

O desejo de ver Ricardo Coutinho (PSB) concluindo o mandato até o fim, por conta da desconfiança em relação a um eventual governo da atual vice, Lígia Feliciano (PDT), perdeu força no seio socialista. O motivo é um só: ninguém acredita na consolidação de Gervásio Maia (PSB) como puxador de votos para a chapa, em 2018. O teste de fogo para a popularidade do presidente da Assembleia Legislativa foi a “Inauguração Popular das Obras da Transposição”, em Monteiro, no mês passado, e ele foi reprovado. O deputado estadual foi escalado para discursar e, mesmo em frente aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, ouviu uma sonora e constrangedora vaia, inclusive dos socialistas.

Para a maioria dos militantes da sigla, apesar das bênçãos de Ricardo Coutinho, Gervásio Maia deixou o PMDB, mas o ex-partido não o deixou. Sem falar do quase consenso de que apesar das sucessivas reeleições para a Assembleia Legislativa, Maia não sobreviveria a uma disputa para o governo do Estado como carreador de votos. Neste contexto, figuras proeminentes do partido, como o presidente da sigla, Edvaldo Rosas, já veem como essencial a candidatura de Ricardo Coutinho ao Senado, já que ele não pode mais disputar a reeleição. O governador, portanto, funcionaria como liga para a chapa e impediria a já prevista debandada de aliados para as postulações adversárias.

O tema ainda será tratado internamente e Rosas acredita que haverá definição de nome para encabeçar a disputa no segundo semestre deste ano. Ninguém no PSB quer repetir 2014, quando a demora para a definição do candidato fez com que o partido naufragasse justamente em João Pessoa e Campina Grande, cidades consideradas vitais para o projeto de poder do governador. Um outro desafio que precisará ser vencido é o da transferência de votos. Ricardo é visto como um candidato competitivo em todas as eleições que entra, mas nunca conseguiu transferir seus afilhados políticos o espólio eleitoral conquistado por ele.

Desconfiança

Caso saia candidato ao Senado, em 2018, Ricardo Coutinho terá que renunciar ao mandato, abrindo espaço para que a vice-governadora Lígia Feliciano assuma o cargo. A relação dos dois é cheia de altos e baixos, embalados por uma desconfiança nunca justificada pelos socialistas, já que a suplente sempre se posiciona pela continuidade dos projetos em andamento no Estado. No fim do ano passado, ao ser questionado durante entrevista coletiva sobre um eventual afastamento do cargo, Coutinho foi taxativo ao afirmar que concluirá o governo caso não entenda que o cargo representado por ele está devidamente protegido. Apesar de ter evitado polêmica, a postura constrangeu a vice.

O resultado público disso é que qualquer observador que tenha acompanhado o processo chegaria à mesma conclusão: se não há confiança nem partilhamento de ações é por que a composição vitoriosa em 2014 foi feita apenas em virtude de um projeto de poder, não de governo.

Governo propõe para 2018 um salário mínimo de R$ 979

Walter Paparazzo/G1

O governo federal deve propor salário mínimo de R$ 979 para o próximo ano. O valor foi apresentado durante entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (7) pelo ministro da Fazenda, Henrique Meireles, para detalhar a Proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2018. Na entrevista, o ministro também reajustou para cima (R$ 129 bilhões) a projeção de rombo nas contas do governo federal para este ano. O salário mínimo, atualmente, é de R$ 936. Ou seja, haverá um crescimento de apenas 4,5%.

 

A legislação estabelece que o PLDO deve ser enviado ao Congresso Nacional até 15 de abril. O crescimento abaixo dos anos anteriores no salário mínimo ocorre por causa da sua base de cálculo. A fórmula para definir o novo salário mínimo leva em consideração a soma da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, calculado pelo IBGE, e o resultado do PIB de dois anos antes. Como o INPC deve ficar na casa dos 4,48% neste ano e houve retração de 3,6% no Produto Interno Brito (PIB) de 2016, o acréscimo no mínimo, em 2018, deve ficar na casa de R$ 43.

O mínimo serve para o balizamento o salário de 45 milhões de pessoas no Brasil. A projeção de inflação de 4,8% neste ano é feita pelo Banco Central com base nas estimativas de mais de 100 instituições financeiras. O PLDO apresentado por Meireles, nesta sexta-feira, projeta que apenas em 2019 o salário mínimo vai superar a casa dos R$ mil. Para ser mais exato, a estimativa é que o salário atinja R$ 1.029 em 2019 e R$ 2.103 em 2020, de acordo com as projeções apresentadas pelo ministro.

 

João Pessoa e PBPrev pagam pensão a filho de servidora nascido quando ela tinha 75 anos

Polícia Federal está investigando denúncias sobre corrupção na Previdência. Foto: Kleide Teixeira

Enquanto o Brasil vive a expectativa de uma Reforma da Previdência nada palatável, temos convivido no dia a dia com informações de fraudes gritantes na concessão de benefícios na Paraíba. O blog teve acesso a um dos casos investigados pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal e surpreende como requerimentos tão grosseiros são aprovados depois de uma análise mínima. Isso se não considerarmos fraude funcional. Trata-se de uma servidora aposentada da Prefeitura de João Pessoa, falecida em 2003, e cujo filho passou a receber pensão integral a partir de 2004, incluindo retroativo. O detalhe é que a servidora tinha 75 anos quando o suposto filho nasceu.

Registro de Antônio Torres Brandão, nascido quando a mãe tinha 75 anos. Imagem/Reprodução

A Bíblia relata casos raros de filhos de mães com a idade avançada. São os casos de Sarah, mulher de Abraão, e Isabel, mãe de João Batista. No dia a dia, convenhamos, estes episódios milagrosos são colocados na casa do impossível. O beneficiado em questão é Antônio Torres Brandão Neto, nascido em 1999. Ele é filho de Nilza de Souza Brandão de Oliveira, nascida em 1924, ou seja, com 75 anos quando filho nasceu. Ela se aposentou em 1981 como professora da Prefeitura de João Pessoa e faleceu em junho de 2003, quando o filho tinha apenas quatro anos.

Documentos da servidora pública falecida em 2003. O detalhe, ela nasceu em 1924. Imagem: Reprodução

Vamos a mais fatos curiosos. Nomeado tutor de Antônio, o advogado Jair Brandão de Oliveira entrou com processo no Instituto de Previdência Municipal de João Pessoa (IPM), em janeiro de 2004. E, curiosamente, mesmo com os absurdos contidos no processo, a pensão por morte foi concedida para o jovem um mês depois, com retroativo a junho de 2003. O tutor, vale ressaltar, também é filho de Nilza. O pai dele, Gabriel Alves de Oliveira, marido da servidora em questão, faleceu em 1992. Jair Brandão, inclusive, chegou a ser preso por tentativa de fraude em previdência no Ceará, segundo processo que tramita na Justiça Federal.

E você pensa que a audácia acaba por aí. O mesmo Antônio Torres Brandão Neto, nascido em 1999, filho de Nilza de Souza Brandão de Oliveira, nascida em 1924, e tendo como tutor o mesmo Jair Brandão de Oliveira conseguiu pensão, em 2009, paga pela Previdência do Estado da Paraíba, a PBPrev. O jovem, se realmente existir, fará 18 anos em 22 de agosto deste ano. A Polícia Federal recolheu documentação nos processos relacionados a ele tanto no IPM quanto na PBPrev.

O blog entrou em contato com o IPM e foi informado de que o caso será analisado para ver se houve fraude na concessão do benefício, que vem sendo pago há quase 15 anos. O Instituto de Previdência Municipal, em 2004, era comandado pelo atual secretário de Ciência e Tecnologia de João Pessoa, Durval Ferreira. O gestor é vereador da capital, ex-presidente da Câmara Municipal e está licenciado do cargo.

O presidente da PBPrev, Yuri Simpson, disse que o caso será investigado. “Não compactuamos de forma alguma com isso e iremos atrás de verificar os fatos para que não traga mais nenhum prejuízo ao erário e os responsáveis respondam por isso”, disse.

 

Paraíba: articulações para 2018 vão esquentar após o Carnaval

Cássio Cunha Lima e Luciano Cartaxo. Um deles ou os dois devem disputar o governo em 2018. Foto: Divulgação/PSD

A máxima de que as coisas só começam a funcionar, no Brasil, depois do Carnaval assume contornos maximizados na Paraíba. Me explico melhor. Depois do período momesco ganharão força não as articulações políticas não para este ano, mas para 2018. Assim como gato escaldado tem medo de água fria, 2016 mostrou que deixar as coisas para última hora é prenúncio de derrota vexatória. Que o diga o PSB do governador Ricardo Coutinho, que de tantas idas e vindas, viu sua candidata naufragar na disputa da prefeitura de João Pessoa ainda no primeiro turno.

Durante as prévias carnavalescas e ainda sob o efeito da receptividade das primeiras idas ao interior, o presidente do PSD de João Pessoa, Lucélio Cartaxo, disse que o grupo que apóia o irmão dele, o prefeito Luciano Cartaxo, vai se reunir para traçar metas visando 2018. Irmãos gêmeos, eles poderão se dividir na visita a cidades paraibanas. Lucélio é confundido com Luciano sem que precise ser apresentado como tal. O radar das alianças inclui manter PSDB e PMDB na base para a disputa das eleições. O prefeito quer disputar o governo e trabalha para isso.

Gervásio Maia assumiu o Legislativo no atual biênio e é cotado para disputar o governo pelo PSB. Foto: Roberto Guedes/ALPB

No PSB, a indicação do presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia, para a disputa é dada como certa. Mesmo assim, o governador socialista Ricardo Coutinho tem muitos pontos ainda a fechar e tem ouvido o partido a esse espeito. O primeiro ponto é se será ou não candidato ao Senado, em 2018. Se for, terá que se afastar do cargo em abril, abrindo espaço para que Lígia Feliciano (PDT) assuma o cargo. Daí surge a grande desconfiança. No cargo, ela terá todas as condições de disputar a sucessão ou negociar uma composição com outro grupo. Jogo aberto.

O resultado de toda esta pendenga é que Coutinho tem bradado aos quatro ventos que não deixará o governo se não sentir que o cargo que ele representa está seguro. A análise casa com a pressão dos colegas de partido. O presidente estadual da sigla, Edvaldo Rosas, verbalizou o que é discutido dentro do partido. A maioria vê perigo em um eventual afastamento do governador. Caso Ricardo deixe o cargo, terá que dar adeus à máquina pública e ao “exército” de servidores que vão às ruas pedir votos para os candidatos do PSB.

A situação de Cássio Cunha Lima (PSDB) não é mais cômoda. Apesar da disposição de reeditar a aliança vencedora em 2016, que garantiu Luciano Cartaxo em João Pessoa e Romero Rodrigues (PSDB) em Campina Grande, não cessam as pressões por uma candidatura do senador ao governo. Auxiliares próximos dizem que a tendência é ele disputar a reeleição, mas o quadro vai depender do que se apresentar no cenário daqui até 2018. Se Cartaxo não decolar, o tucano poderá disputar a eleição.

José Maranhão (E) disputa com Raimundo Lira (C) os rumos do PMDB para 2018. Foto: Reprodução/Instagram

O caso do PMDB é emblemático. Sem a força acumulada em quase três décadas, o partido corre risco de derrota fragorosa em 2018. O partido comandado pelo senador José Maranhão não tem mais uma liderança incontestável e está dividido entre os grupos simpáticos ao projeto de Manoel Júnior, de fortalecer a aliança tríplice com PSD e PSDB, e os que querem o alinhamento com o projeto de Ricardo Coutinho. Este segundo grupo é liderado pelo deputado federal Veneziano Vital do Rêgo e o senador Raimundo Lira.

O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, vem articulando reuniões mensais com as presenças de Cássio, Maranhão e Cartaxo. Esse trabalho será intensificado após o Carnaval. Já Ricardo Coutinho nomeou aliados de Veneziano e do deputado estadual Nabor Wanderley. O partido vive uma DR (discutindo a relação) eterna. O senador José Maranhão deve convocar uma reunião da Executiva para depois do Carnaval. Até 2018, muita água vai rolar por baixo da ponte.

O debate sobre as alianças está apenas começando…

Aguinaldo Ribeiro assume liderança falando em defender a Paraíba

Brasília – Aguinaldo Ribeiro é ex-ministro das Cidades do governo Dilma. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil

O deputado federal paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP) voltou à ribalta da política nacional após um longo período dedicado às articulações de bastidores. Ex-ministro de Dilma Rousseff (PT) e vital para a queda dela, por causa das articulações no centrão, o parlamentar foi confirmado no cargo de líder do governo Michel Temer (PMDB) na Câmara dos Deputados. Fugindo da pecha de camaleão, o deputado diz pautar o “seu ofício na Câmara do Deputados pela ética e defesa do povo paraibano“. Ele assegura também “trabalhar de forma contrária a muitos, que muito falam e pouco fazem”.

“Tenho um estilo de mais discrição. Tem gente que fala muito mais do que faz, às vezes diz sem nem fazer, prefiro trabalhar e ter a consciência tranquila do compromisso cumprido com os paraibanos”, ressaltou Ribeiro, que vai substituir André Moura (PSC-SE). Este último era visto com maus olhos pelo atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O ex-ministro das Cidades também ressaltou o trabalho diário realizado por ele, buscando desenvolvimento e melhorias em diversas áreas para a Paraíba, seja no Congresso, seja no diálogo com o presidente, com ministros, prefeitos e companheiros de bancada.

“Temos defendido os recursos do Orçamento Geral da União para os municípios e o Estado, a exemplo dos recursos para a pavimentação de centenas de ruas em João Pessoa e do canal de Bodocongó, em Campina Grande. Os recursos para entidades como o Hospital Napoleão Laureano na Capital e a Fap em Campina, e tantas ações, como na questão da crise hídrica, estivemos diretamente com o presidente Michel Temer explicando a situação calamitosa do Estado e pedindo que além da urgência da conclusão da transposição, se tomassem medidas emergenciais para garantir água para Campina Grande e demais municípios também na mesma situação” finalizou.

Traição

Aguinaldo Ribeiro foi uma das lideranças de sustentação do governo da ex-presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional que viraram a casaca de última hora para apoiar o impeachment da ex-gestora. Durante passagem pela Paraíba, no início do mês, o ex-advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, fez referência aos parlamentares que se reuniram com a presidente momentos antes da votação, com a promessa de apoio, e, em contrapartida, articularam o impeachment. Apesar da clara referência, ele evitou citar o nome de Ribeiro. Alegou que não precisaria nominar.

Governo Temer paga R$ 65 mil a youtuber que ataca gays, nordestinos e negros

Lukas Marques (E) postou frases racistas, homofóbicas e de ódio aos nordestinos. Foto: Reprodução/Youtube

O que tem a ver R$ 65 mil dos cofres do governo federal com uma propaganda disfarçada feita a pedido do Ministério da Educação e uma série de flagrantes de preconceito racial, homofobia e ataques aos nordestinos? Se a resposta for o youtuber Lukas Marques, um dos integrantes do canal “Você Sabia?”, a resposta tudo é a mais correta. O “garoto propaganda” contratado para defender o Novo Ensino Médio é o mesmo que usou sua conta pessoal no Twitter proferir contra minorias. Com a repercussão negativa do caso, o rapaz apagou as postagens feias entre 2011 e 2014, mas o site Sensacionalista recuperou os prints e os disponibilizou para os internautas.

“Quem gosta de pica eh viado… mulher gosta eh de dinheiro”, diz uma das postagens, enquanto outra diz que o “Nordeste todo elegeu a Dilma pq pensa com a barriga e não com cabeça”.  “Não sou racista… Só acho que os pretos poderiam se fuder mais…” e por aí vai. Lukas Marques divide a bancada no programa com Daniel Molo no canal Você Sabia?, que tem, acreditem, mais de 7 milhões de inscritos. Marques publicou mensagem no Twitter pedindo desculpas pelas declarações e alegou que não pensa tal qual se expressou nas redes sociais. Prometeu ainda melhorar o conteúdo das suas postagens no YouTube.

Sobre a matéria da Folha de São Paulo que denunciou o pagamento por propaganda disfarçada, o grupo publicou nota nas redes sociais garantindo ter deixado claro desde o início, no vídeo, que a postagem se tratava de publieditorial. O que, convenhamos, assistindo ao vídeo não dá para perceber. “O vídeo que publicamos tem, desde o dia do seu lançamento, a sinalização de que é um Publieditorial, tanto na descrição do vídeo quanto a marcação na ferramenta do YouTube que mostra que ele é uma ação publicitária. Essa é uma preocupação que temos em todas as campanhas e segue as normas do CONAR, que regulamenta a publicidade no Brasil”, diz a nota.

Confira as postagens