TCE referenda cautelar que suspende seleção para programa educacional do Estado

Conselheiro Arthur Cunha Lima viu irregularidade no edital

O Tribunal de Contas da Paraíba referendou, nesta quarta-feira (24), decisão cautelar do conselheiro Arthur Cunha Lima. Ele havia suspendido o Edital 009/2017, da Secretaria de Educação do Estado, que abriu seleção, em caráter de reserva, para as funções de Coordenador Regional e de Supervisor Educacional do Pacto pela Aprendizagem na Paraíba – o Programa SOMA. O edital foi publicado no Diário Oficial do Estado em 19/04/2017.

O conselheiro determinou ao secretário Aléssio Trindade de Barros, a imediata suspensão do procedimento. Ele baseou sua decisão em relatório técnico da Auditoria, identificando diversas impropriedades, a exemplo da não previsão do prazo de vigência para as contratações, tempo de inscrição curto e insuficiente para ampla divulgação, e ausência de provas objetivas e/ou subjetivas, o que resulta num “grau de subjetividade que compromete a impessoalidade no processo de recrutamento”.

O relatório chama a atenção, também, para o fato de que o edital “não disponibiliza qualquer vaga para deficientes, apesar da grande quantidade de vagas previstas”. Além do que contém, ainda, “desproporcional atribuição de pontos á experiência profissional, em detrimento à titulação acadêmica dos candidatos, bem como o direcionamento a candidatos que já possuem vínculo com o Governo do Estado, violando o princípio da isonomia, que deve nortear todo processo de seleção de pessoal para a administração pública”.

O secretário de Educação será citado para apresentação de justificativa e defesa, no prazo de 15 dias, a contar da publicação da decisão no Diário Oficial Eletrônico do TCE.

Outra medida singular do mesmo conselheiro também foi referendada na sessão. Trata-se de decisão que dilatou por mais 90 dias o prazo para que os gestores da PB-Prev, prefeitos e dirigentes de institutos regidos por RPPS (Regimes Próprios de Previdência Social) elaborem Plano de Ação previsto na Resolução Normativa RN TC 02/2012 e RPL TC 21/2016.

NOVOS ALERTAS

Também na sessão plenária desta quarta-feira, o TCE emitiu mais 45 alertas para prefeituras municipais adotem medidas corretivas em balancetes mensais e respectivas leis orçamentárias anuais – LOAs.

As advertências, que integram a nova sistemática adotada pela Corte para acompanhamento em tempo real da gestão pública, foram propostas, e informadas em plenário, pelos conselheiros Arthur Cunha Lima e Fernando Catão, e pelo conselheiro substituto Antonio Gomes Vieira Filho.

Câmaras municipais e unidades gestoras estaduais não receberam advertências, desta vez. Os atuais alertas foram endereçados, exclusivamente, para prefeituras.

Ao conselheiro Arthur Cunha Lima coube emissão de alertas para as seguintes prefeituras: Puxinanã, Iguaracy, Santana dos Garrotes, São José de Caiana, Coremas, Assunção, Serra Grande, Areial, Conceição, São Domingos, Ibiara, Nova Olinda, Diamante, Taperoá, Piancó, São Sebastião de Lagoa de Roça, Santa Inês, Itaporanga e Remígio.

Os alertas de iniciativa do conselheiro Fernando Catão foram endereçados às prefeituras de Santo André, Caraúbas, Massaranduba, São João do Cariri, Gurjão, Pitimbu, São Bentinho, Camalaú, São José dos Cordeiros e Zabelê.

E o conselheiro substituto Antônio Gomes, por sua vez, fez alertas para as seguintes prefeituras: Arara, Conde, Juazeirinho, Juru, Marizópolis, Princesa Isabel, Riacho de Santo Antônio, São José de Princesa e Umbuzeiro.

Batom na cueca: só a renúncia de Temer poderá salvar o governo do caos

Donos da JBS registram áudio e vídeo comprometedores contra o presidente

Michel Temer (PMDB) enfrenta a maior crise já vista no governo. Foto: Divulgação/Presidência da República

A notícia de grampo sobre o recebimento de propina pelo presidente Michel Temer (PMDB) é de uma gravidade sem precedentes. Só a renúncia imediata, condicionada à convocação de novas eleições, pode salvar o governo do caos. Isso não quer dizer, mesmo assim, que não haverá ranhuras institucionais. As reformas da Previdência e Trabalhista deixaram de ser factíveis, assim como o esboço de recuperação econômica desenhado. O gestor se reuniu a portas fechadas com assessores e aliados logo após a reportagem de O Globo ser divulgada, em busca de uma solução para enfrentar a crise. Essa solução, seja lá qual for, não poderá enfrentar os áudios e vídeos de posse da Procuradoria Geral da República (PGR).

O peemedebista foi gravado pelos donos da JPS, a maior produtora de proteínas do mundo, acertando o pagamento de propina e de mesada para que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), preso no bojo da operação Lava Jato, fique calado. Joesley Batista e o seu irmão, Wesley, se reuniram na semana passada com o ministro Edson Fachin, responsável pela Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar da negociação de delação premiada negociada com o Ministério Público Federal (MPF). Diante de Fachin, a quem cabe homologar a delação, os sete presentes ao encontro confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria-Geral da República em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação.

Na delação, Michel Temer foi gravado em um diálogo com Joesley. Nele, o presidente indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). O parlamentar indicado, posteriormente, foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil. O dinheiro teve a numeração das cédulas registradas e a mala recebeu um chip de rastreamento. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango. Nessas ações controladas foram distribuídos cerca de R$ 3 milhões em propinas carimbadas durante todo o mês de abril. O agravante neste caso é que tudo foi registrado com áudio e vídeo e é apenas a ponta do iceberg. Os delatores também informaram que nos governos petistas, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, era quem negociava as propinas. Sobre ele, não há gravação.

Aécio Neves

O senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, também foi gravado pedindo propina de R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro seria usado para custear o pagamento de advogados para fazer a defesa dele diante das acusações de recebimento de propina na operação Lava Jato. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

 

Sérgio Machado

Os grampos tornados públicos agora mostram que peemedebistas e tucanos não aprenderam nada com o episódio protagonizado por Sérgio Machado. O ex-senador e ex-presidente da Transpetro gravou conversas com lideranças do PMDB nas quais eles tratavam sobre uma estratégia para combater o avanço da Lava Jato. O novo escândalo tem potencial para derrubar o governo e inviabilizar as reformas. Caso haja renúncia ou impeachment do presidente, o cargo será assumido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também investigado por suspeita de recebimento de caixa 2. Ele terá a obrigação de convocar novas eleições por via indireta.

O deputado federal da Rede, Alessandro Molon (RJ), aproveitou a confusão para protocolar um pedido de impeachment do presidente.

Enquetes do PMDB e do Senado reprovam reformas de Temer

Duas enquetes postas no ar pelos governistas para avaliar as reformas propostas por Michel Temer (PMDB) apontam reprovação popular. Os alvo das consultas são as Reformas da Previdência e Trabalhista. A primeira teve o texto base aprovado na comissão especial da Câmara dos Deputados. A segunda foi aprovada na Câmara com larga vantagem e agora tramita no Senado. As enquetes estão sendo promovidas pelo PMDB, no caso da Previdência, e Senado, em relação à proposta de mudança trabalhista. Os placares são desanimadores e mostram duas questões: a campanha institucional é falha e também a falta de crença no governo.

Previdência

Reprodução: http://pmdb.org.br/

A do PMDB faz a seguinte pergunta: “Qual a sua opinião sobre o texto da Reforma da Previdência aprovado na Comissão Especial?” A resposta é desalentadora. Dos 35.663 internautas que participaram até a manhã desta segunda-feira (15), 34.414 ou 96% dos votantes se disseram contra; 576 ou 2% se disseram a favor;  537 votantes disseram não ter conhecimento, e 136, o equivalente a pouco mais de 0%, preferiram não opinar. A matéria ainda será apreciada no plenário da Câmara. O único deputado com direito a voto na Comissão Especial, entre os paraibanos, era Wellington Roberto (PR), mas ele foi substituído por ser contra.

Trabalhista

Reprodução/Senado

A Reforma Trabalhista chegou ao Senado, onde vai tramitar em três comissões, conforme o defino pela Mesa. De início, o presidente interino Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) tinha eliminado a Comissão de Constituição de Justiça. Uma decisão do plenário, no entanto, mudou o roteiro. A enquete posta no ar pelo Senado mostra o quanto o projeto é polêmico. Apesar do apoio parlamentar, já que foi aprovado na Câmara com placar de  296 votos a 177, ele não se repete na opinião popular. De 132.566 pessoas que participaram da enquete, 5.471 se mostraram a favor e 127.095 se mostraram contra. O presidente Michel Temer tem maioria no Senado também, mas enfrenta a oposição do líder do governo, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O sinal é claro: falta diálogo com a população…

 

Barganha política faz governo Temer fechar os olhos à causa indígena

Ministério da Justiça é pressionado por CNBB, ONU e OEA

Brasília – O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, durante o lançamento da Plataforma de Análise de Dados do Governo Federal (GovData), desenvolvida pelo Serpro (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

As declarações do ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antônio Fernandes Toninho Costa, nesta sexta-feira (5), são motivo de preocupação para o governo do presidente Michel Temer (PMDB). Elas deixam claro que a barganha política para aprovar matérias impopulares no Congresso Nacional não tem limite. O tratamento das questões indígenas é apenas uma ponta do iceberg. Uma ponta, vale ressaltar, bastante ilustrativa. Ela mostra como o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, é mantido no cargo com o claro objetivo de defender as pautas da numerosa Frente Parlamentar da Agropecuária. LEIA MAIS

Caos no Arlinda Marques: ou os gestores mudam ou eles serão mudados

Pesquisa mostra que a saúde preocupa 38% da população

Fiscalização detecta pessoas atendidas nos corredores. Foto: Divulgação/CRM-PB

O caos no Hospital Infantil Arlinda Marques, em João Pessoa, é apenas mais mais uma gota em um oceano de descasos. Reportagens que foram ao ar no Jornal da Paraíba, na TV Cabo Branco e na CBN, nesta quarta-feira (4), mostram situação análoga à de uma guerra. E o prior, tendo as crianças como alvos. Imagens divulgadas por pacientes apresentam pacientes dormindo pelo chão, escoradas em cadeiras. Uma desgraceira sem tamanho. E qual é a reposta do governador Ricardo Coutinho (PSB) para o descaso em uma instituição estadual? Fazer política, responsabilizando a prefeitura de João Pessoa, cujo mandatário, Luciano Cartaxo (PSD), é seu adversário político. É um completo
desrespeito com o cidadão.  LEIA MAIS

Peemedebista e tucano paraibanos ajudaram a “derrotar” orientação de Temer

Câmara rejeita pedido de urgência à proposta de reforma trabalhista

Veneziano Vital do Rêgo, alinhado na Paraíba a Ricardo Coutinho, tem votado seguidamente contra o governo federal. Foto: Reprodução

O peemedebista Veneziano Vital do Rêgo e o tucano Pedro Cunha Lima ajudaram a derrubar a tentativa do governo federal de dar urgência à votação da reforma trabalhista (PL 6787/16) na Câmara dos Deputados. Ao todo, dos dez parlamentares paraibanos presentes na sessão, seis votaram favoravelmente e quatro contra, entre eles, dois integrantes de partidos aliados do presidente Michel Temer (PMDB). A proposta recebeu 230 votos favoráveis, 163 contrários e uma abstenção, mas eram necessários 257 votos para aprovar a urgência.

O requerimento encurtaria os prazos para votação em Plenário, possibilitando sua análise na próxima quarta-feira. Agora, o projeto precisa seguir os prazos regimentais na comissão que analisa o tema. A rejeição da urgência foi comemorada por deputados da oposição, que gritaram palavras de ordem e criticaram a proposta. “Esta votação mostra que, havendo mobilização da rua, se a sociedade lutar, nós podemos derrotar os projetos deste governo. Tentaram atropelar a votação da reforma trabalhista, mas não conseguiram”, disse o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

Vice-líder do governo, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) minimizou o resultado. “Perdemos essa votação, mas foi uma batalha. Não perdemos a guerra e vamos transformar o País. Reforma se faz com dificuldades e com muito foco. O relatório virá para cá e nós vamos ganhar”, afirmou. O relatório do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) sobre a reforma trabalhista amplia o poder dos acordos entre patrões e empregados sobre a legislação; faz ressalvas à recém-aprovada lei sobre terceirização (13.429/17); regulamenta o teletrabalho; e retira da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a obrigatoriedade da contribuição sindical para trabalhadores e empregadores.

A proposta torna regra geral a prevalência dos acordos coletivos, enquanto o texto original previa a negociação mais forte que a lei em apenas 13 pontos. Agora, pelo texto de Marinho, o rol dos casos de acordo coletivo maior que a legislação é apenas exemplificativo e traz 16 temas, como banco de horas, parcelamento de férias e plano de cargos e salários. Por outro lado, Marinho acrescentou uma lista de 29 direitos que não podem ser reduzidos por negociação, como a liberdade sindical e o direito de greve, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o salário mínimo.

Debate
Rogério Marinho disse que a proposta vai modernizar a legislação. “Tivemos o marco de 1943. O segundo, aconteceu com a Constituição de 1988. Agora, temos a oportunidade de colocar a lei no espírito do tempo, em 2017”, afirmou. A proposta, no entanto, foi criticada pela oposição. Para o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), haverá perda de direitos com a prevalência dos acordos coletivos. “Imaginem o trabalhador brasileiro ter os seus direitos negociados por um sindicato corrompido e comprado por um setor econômico. Isso vai ter mais força do que a lei. O acordado já pode prevalecer sobre legislado hoje, desde que seja melhor para o trabalhador. Isso não está proibido, se for para garantir mais direitos ao trabalhador, mas, se for para garantir menos, está proibido”, afirmou.

Veja como votaram os paraibanos

 

Aguinaldo Ribeiro (PP)                    Sim
Benjamin Maranhão (SD)                Sim
Efraim Filho (DEM)                          Sim
Hugo Motta (PMDB)                         Sim
Luiz Couto (PT)                                  Não
Pedro Cunha Lima (PSDB)              Não
Rômulo Gouveia (PSD)                    Sim
Veneziano Vital do Rêgo (PMDB)  Não
Wellington Roberto (PR)                  Não
Wilson Filho (PTB)                            Sim

Rompimento à vista: relação entre Ricardo e Gervásio azedou de vez

Gervásio Maia, ao lado de Ricardo Coutinho, cumprimenta Dilma Rousseff antes de ser vaiado durante solenidade. Foto: Divulgação/ALPB

Fontes palacianas têm revelado, sem muito alarde, que a lua de mel entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia, ambos do PSB, chegou ao fim. Dificuldades na relação institucional e pesquisas internas teriam servido de munição para o estremecimento da relação, a ponto de o parlamentar ter sido riscado em definitivo das opções eleitorais para a sucessão ao governo do Estado. Gervásio trabalhava para ser candidato, mas foi perdendo força com seus aliados no Legislativo e no Palácio da Redenção.

O abandono do nome de Maia foi a confluência de vários episódios. Um deles e que repercutiu negativamente em público foi a vaia recebida pelo parlamentar durante discurso na Inauguração Popular da Transposição, em Monteiro, no mês passado. Ao pegar no microfone, em frente a Ricardo e aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, Maia recebeu uma sonora vaia. As críticas ao parlamentar vieram tanto de petistas quando de socialistas, que ainda o identificam como liderança afinada com o PMDB, seu antigo partido. A receptividade desapontou o parlamentar.

Episódio recente, narrado por fontes ligadas ao governador, revelam desentendimento dele com o presidente da Assembleia Legislativa. Em uma das conversas entre os dois, teria havido até troca de insultos. Há quem negue e quem confirme entre os auxiliares de Ricardo. Contou para o sepultamento das pretensões eleitorais de Gervásio Maia, também, uma pesquisa qualitativa encomendada pelo PSB. Ela revelou que caso Maia fosse o candidato ao governo, a chance de derrota seria muito grande. A alegação principal é a de que ele não conseguiria atrair o eleitor simpático ao governador. Outro problema teria sido as dificuldades de Ricardo influenciar no Legislativo, o que teria sido rejeitado por Maia.

“A forma de enxergar a política dos dois é muito diferente e isso provocou o distanciamento”, disse em reserva um socialista ouvido pelo blog. “Gervásio é visto com desconfiança, porque há o entendimento de que ele não honraria compromissos assumidos”, assegura outra fonte ouvida. Recentemente, também, ficou evidente o distanciamento de Gervásio em relação a deputados governistas. Ele quase trocou tapas com o ex-presidente da Assembleia, Adriano Galdino (PSB), que, momentos antes, havia ocupado a tribuna da Casa para criticar o colega de partido.

O resultado do descolamento é que Maia comunicou ao partido que não seria mais candidato ao governo e começou o trabalho para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados, no ano que vem. Os socialistas, agora, trabalham para consolidar outro nome para a disputa. A deputada estadual Estela Bezerra é uma opção natural, mas muitos citam João Azevedo. A maior possibilidade, no entanto, é apostar em Lígia Feliciano (PDT), que vai assumir o governo em abril do próximo ano com o afastamento de Ricardo Coutinho para a disputa de uma vaga no Senado.

A lógica observada é que, com a caneta na mão, não seria exatamente uma postura sábia comprar briga com Lígia Feliciano…

PSD nacional fecha questão em relação à candidatura de Cartaxo ao governo

Luciano Cartaxo tenta consolidar os apoios de PSDB e PMDB

Luciano Cartaxo (C) tentará os apoios de Cássio e Maranhão para a disputa do governo. Foto: Divulgação

O discurso do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), de que as eleições de 2018 serão discutidas apenas em 2018 não foi combinado com o próprio partido. Em nota divulgada nesta terça-feira (18), a sigla informa que a orientação nacional é pela garantia de candidatura própria para o governo. A orientação é ter candidatura em todas as capitais onde isso for possível.

Neste contexto, o caso da Paraíba é colocado como uma das metas da agremiação. Para a disputa de 2018, o PSD espera contar com o mesmo apoio conseguido na reeleição do prefeito, em João Pessoa. Apoiaram a recondução de Cartaxo, entre outros, PSDB, PMDB, PP e PRB. Dos peemedebistas, o apoio foi condicionado à definição do ex-deputado federal Manoel Júnior na condição de vice. Caso o pessedista decida disputar o governo, ele será sucedido por Júnior no cargo.

Para justificar a decisão de lançar candidatura própria para o governo, o presidente estadual do partido, Rômulo Gouveia, ressaltou o desempenho da sigla nas eleições para prefeito e vereador, em 2016. Ele explicou que nas eleições municipais de 2016, o PSD acumulou a segunda maior votação para cargos majoritários na Paraíba e elegeu 27 prefeitos, 21 vices e 183 vereadores, permanecendo entre os partidos que mais elegeram filiados. O destaque citado foi a reeleição de Cartaxo em João Pessoa.

O PSD foi fundado em 2011 e no ano que vem vai enfrentar a segunda eleição geral.

 

Ricardo fará evento paralelo para festejar águas da transposição em Boqueirão

Lula com Dilma durante solenidade em Monteiro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Cada um no seu quadrado. De um lado o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, ligou para os deputados e senadores aliados do presidente Michel Temer (PMDB) na Paraíba, para que eles compareçam à “festa” que será realizada para marcar a chegada das águas ao Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido como Boqueirão. Do outro, estará o governador Ricardo Coutinho (PSB), que promete reunir, com uma grande festa, “as lideranças e a população da região para abraçar a chegada das águas”. A previsão é a de que o produto comece a chegar no manancial na próxima quarta-feira (12).

Há muita tensão quando o assunto é a chega das águas da transposição à Paraíba, porque as principais lideranças do Estado brigam pela paternidade ou mesmo pelo reconhecimento da contribuição dada à obra. No mês passado, enquanto os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB) cortejaram o presidente Michel Temer (PMDB) durante solenidade no dia 10 de março, Ricardo Coutinho adotou discurso duro contra o peemedebista no mesmo dia e ainda foi um dos grandes entusiastas da solenidade com a presença dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, nove dias depois. As obras foram iniciadas durante a gestão de Lula, como presidente e continuadas por Dilma e Temer.

Monteiro (PB) – Presidente Michel Temer durante cerimônia de chegada das Águas do Rio São Francisco à Paraíba (Beto Barata/PR)

Por meio de nota, o governo informou que a Secretaria de Estado da Infraestrutura, dos Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia (Seirhmact), comandada por João Azevedo, está monitorando o percurso das águas, que estavam neste sábado (8) no município de Caraúbas e no domingo, em São Domingos do Cariri. De acordo com projeções do Ministério da Interação Nacional, a água tem avançado 12 quilômetros por dia em direção a Açude de Boqueirão. O manancial é responsável pelo abastecimento de Campina Grande e cidades do entrono. O racionamento de água em vigor atualmente é de três dias com água e quatro sem uma gota nas torneiras.

O secretário de Comunicação do Estado, Luís Torres, tratou de descartar qualquer intenção de dividir agendas. “O governo já havia programado isso, naturalmente, pois é o responsável pela distribuição, pelos projetos que desenvolveu e desenvolve, das águas vindas do São Francisco”, ressaltou. As águas chegaram à Paraíba no início de março e agora seguem pelo Rio Paraíba passando pela Barragem Camalaú até chegar em Boqueirão, um trajeto de aproximadamente 130 quilômetros. Com a chegada das águas à Barragem de Boqueirão, que se encontra com apenas 3,1% da sua capacidade de acumulação atualmente, 716 mil habitantes serão beneficiados em 18 municípios.

Além de Campina Grande, serão beneficiados Barra de Santana, Caturité, Queimadas, Pocinhos, Lagoa Seca, Matinhas, São Sebastião de Lagoa de Roça, Alagoa Nova, Boqueirão, Boa Vista, Soledade, Juazeirinho, Cubati, Pedra Lavrada, Olivedos, Seridó e Cabaceiras.

Desconfiados de Gervásio, socialistas cobram Ricardo na chapa

Se depender dos aliados, Ricardo Coutinho vai compor a chapa majoritária do PSB, em 2018. Foto: Divulgação/SecomPB

O desejo de ver Ricardo Coutinho (PSB) concluindo o mandato até o fim, por conta da desconfiança em relação a um eventual governo da atual vice, Lígia Feliciano (PDT), perdeu força no seio socialista. O motivo é um só: ninguém acredita na consolidação de Gervásio Maia (PSB) como puxador de votos para a chapa, em 2018. O teste de fogo para a popularidade do presidente da Assembleia Legislativa foi a “Inauguração Popular das Obras da Transposição”, em Monteiro, no mês passado, e ele foi reprovado. O deputado estadual foi escalado para discursar e, mesmo em frente aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, ouviu uma sonora e constrangedora vaia, inclusive dos socialistas.

Para a maioria dos militantes da sigla, apesar das bênçãos de Ricardo Coutinho, Gervásio Maia deixou o PMDB, mas o ex-partido não o deixou. Sem falar do quase consenso de que apesar das sucessivas reeleições para a Assembleia Legislativa, Maia não sobreviveria a uma disputa para o governo do Estado como carreador de votos. Neste contexto, figuras proeminentes do partido, como o presidente da sigla, Edvaldo Rosas, já veem como essencial a candidatura de Ricardo Coutinho ao Senado, já que ele não pode mais disputar a reeleição. O governador, portanto, funcionaria como liga para a chapa e impediria a já prevista debandada de aliados para as postulações adversárias.

O tema ainda será tratado internamente e Rosas acredita que haverá definição de nome para encabeçar a disputa no segundo semestre deste ano. Ninguém no PSB quer repetir 2014, quando a demora para a definição do candidato fez com que o partido naufragasse justamente em João Pessoa e Campina Grande, cidades consideradas vitais para o projeto de poder do governador. Um outro desafio que precisará ser vencido é o da transferência de votos. Ricardo é visto como um candidato competitivo em todas as eleições que entra, mas nunca conseguiu transferir seus afilhados políticos o espólio eleitoral conquistado por ele.

Desconfiança

Caso saia candidato ao Senado, em 2018, Ricardo Coutinho terá que renunciar ao mandato, abrindo espaço para que a vice-governadora Lígia Feliciano assuma o cargo. A relação dos dois é cheia de altos e baixos, embalados por uma desconfiança nunca justificada pelos socialistas, já que a suplente sempre se posiciona pela continuidade dos projetos em andamento no Estado. No fim do ano passado, ao ser questionado durante entrevista coletiva sobre um eventual afastamento do cargo, Coutinho foi taxativo ao afirmar que concluirá o governo caso não entenda que o cargo representado por ele está devidamente protegido. Apesar de ter evitado polêmica, a postura constrangeu a vice.

O resultado público disso é que qualquer observador que tenha acompanhado o processo chegaria à mesma conclusão: se não há confiança nem partilhamento de ações é por que a composição vitoriosa em 2014 foi feita apenas em virtude de um projeto de poder, não de governo.