Veja os candidatos paraibanos que mais elevaram patrimônio em 4 anos

Levantamento colhido no aplicativo “Capital dos Candidatos” está disponibilizado no site www.eufiscal.org

Postulantes são obrigados a declarar a elevação do patrimônio no ato do registro da candidatura. Foto: Walter Paparazzo/G1

O candidato a deputado federal nas eleições deste ano, Dr Djalma (Avante), não deve sentir inveja dos candidatos eleitos em 2014. Na época, ele disputou uma vaga de deputado estadual. Conquistou exatos 8.897 votos. Não foi, lógico, o suficiente para ele conquistar a vaga na Assembleia Legislativa. Os anos longe da política, no entanto, fizeram bem às finanças do médico. De 2014 para este ano, ele declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) uma elevação de R$ 7,2 milhões no patrimônio pessoal. Todos os postulantes são obrigados a detalhar a declaração de bens na hora de registrar a candidatura.

Uns ficam mais ricos, outros declaram ter perdido capital e se tornado mais pobres. O caso prático é o do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), líder do governo de Michel Temer (MDB) na Câmara dos Deputados. O patrimônio declarado por ele foi reduzido de R$ 5,8 milhões para R$ 1,4 milhão. Outro que declarou redução do patrimônio foi o senador José Maranhão, que disputa as eleições para o governo no pleito atual. Ele declarou um patrimônio R$ 800 mil menor que o de quatro anos antes. O ponto negativo nas eleições deste ano é que a transparência nos dados fornecidos foi reduzida.

Confira abaixo o montante da elevação do patrimônio dos postulantes, de acordo com o declarado por eles:

Deputados estaduais

Doda de Tião (PTB): R$ 3,9 milhões (aumentou)
Renato Gadelha (PSC): R$ 1,5 milhão (aumentou)
Dr Américo (Avante): R$ 1,4 milhão (aumentou)
Caio Roberto (PTB): R$ 1,4 milhão (aumentou)
Branco Mendes (Podemos): R$ 858,8 mil (aumentou)

Deputados Federais

Dr Djalma (Avante): R$ 7,2 milhões (aumentou)
Wellington Roberto (PTB): R$ 1,2 milhão (aumentou)
Tatiana Medeiros (MDB): R$ 1 milhão (aumentou)
Guilherme Almeida (PP): R$ 815,1 mil (aumentou)
Frei Anastácio (PT): R$ 661,8 mil (aumentou)

Senador

Veneziano (PSB): R$ 447,4 mil (aumentou)
Roberto Paulino (MDB): 223,9 mil (aumentou)
Cássio Cunha Lima (PSDB): R$ 18,3 mil (aumentou)
Daniella Ribeiro (PP): 13,4 mil (aumentou)
Professor Nelson Júnior (Psol): – R$ 3 mil (diminuiu)
Luiz Couto (PT): – R$ 2,8 mil (diminuiu)
Nivaldo Mangueira (Psol): não disputou eleição em 2014

Governadores

Lucélio Cartaxo (PV): R$ 156 mil (aumentou)

. 2014: 590,9 mil
. 2018: 746,9 mil

José Maranhão (MDB): – R$ 800 mil (diminuiu)

. 2014: R$ 8,8 milhões
. 2018: R$ 8 milhões

Tárcio Teixeira (Psol): R$ 46,2 mil (aumentou)
. 2014: R$ 252,9 mil
. 2018: R$ 299,1 mil

Rama Dantas (PSTU): patrimônio permanece o mesmo

. 2014: R$ 8 mil
. 2018: R$ 8 mil

João Azevêdo (PSB): não disputou eleição em 2014
. 2014: não disputou
. 2018: R$ 1 milhão

Marcos Vinícius garante que vereadores não usarão Câmara na campanha

Presidente promete votação da nova Lei Orgânica, Revisão do Regimento e revogação de leis caducas

Marcos Vinícius nega risco de contaminação dos debates durante as eleições na Câmara. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

A história diz o contrário, porém, o presidente da Câmara de João Pessoa, Marcos Vinícius (PSDB), garante que o processo eleitoral não vai contaminar o trabalho legislativo. As declarações foram dadas após a sessão que marcou a reabertura dos trabalhos. O prefeito da capital, Luciano Cartaxo (PV), fez discurso na volta das sessões. Ele prometeu a entrega de obras durante o segundo semestre. Já entre os vereadores, a promessa é de manter pelo menos as três sessões deliberativas da semana. Há proibição também de usar a tribuna para fazer campanha. Pelo menos oito vereadores serão candidatos neste ano a deputado federal ou estadual.

Entre as promessas feitas por Marcos Vinícius, para o segundo semestre, está a colocação em votação de reformas na Lei Orgânica e no Regimento Interno da Casa. Há também o movimento para revogar as leis caducas. Uma delas, por exemplo, preve a compra de dois bodes para comer o mato no Cemitério Senhor da Boa Sentença. O presidente da Casa assegura que as propostas estão maduras para serem levadas a votação. “Tudo estava sendo discutido, agora precisa ser votado”, assegurou.

Outro ponto que deve mudar a rotina do Legislativo no segundo semestre é a reforma no prédio. A obra vai custar R$ 15 milhões e deve ser concluída após um ano. Marcos Vinícius disse que até outubro o prédio atual deve ser colocado no chão. Durante este período, as sessões e a parte administrativa serão relocadas. Parte irá para o anexo do Legislativo, enquanto que a outra será deslocada para o prédio da Academia do Comércio, nas proximidades do atual prédio da Câmara.

Com informações de Angélica Nunes, do jornaldaparaiba.com.br

Coligações: João Azevêdo e Lucélio Cartaxo carreiam alianças e isolam Maranhão

Saldo das convenções mostra João com apoio de 14 partidos e Lucélio com 12 para a disputa

Chapa encabeçada por Lucélio Cartaxo vai para a disputa com 11 partidos. Foto: Marcelo Lima

O saldo das convenções partidárias mostrou que ter aliados poderosos na composição partidária vale mais que “dinheiro na praça”. De um lado, o palanque construído pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) para abrigar João Azevêdo, do mesmo partido. Do outro, uma junção dos prefeitos de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), e de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), para abrigar Lucélio Cartaxo (PV). O primeiro arregimentou 14 partidos para a disputa eleitoral, o que deve representar em torno de 3 minutos e meio no tempo de TV. Já o segundo, terá 12 partidos e pouco mais de três minutos no guia.

Chapa com João Azevêdo, Veneziano Vital, Luiz Couto e Lígia Feliciano vai contar com 14 partidos na base aliada. Foto: Divulgação/PSB

Espremido entre as duas estruturas políticas, o senador José Maranhão vai para a disputa com apenas dois partidos no apoio e menos de dois minutos de TV. João Azevedo terá PSB, PDT, PT, PTB, PRP, DEM, PCdoB, PPS, Avante, PROS, PRB, PMN, Podemos e Rede na sua base aliada. Já Lucélio Cartaxo terá PV, PSDB, PP, PSD, PTC, PRTB, SOLIDARIEDADE, DC, PSL, PPL, PSC e PHS. O senador José Maranhão terá apenas MDB, PR e Patriotas na base de apoio. Com dois partidos vai para as urnas o candidato do Psol, Tárcio Teixeira. Ele fechou com o PCB. Conta também com a Unidade Popular (UP), mas a sigla ainda está em formação.

José Maranhão terá apenas o PR e o MDB na base para a disputa eleitoral deste ano. Angélica Nunes

Não é possível traçar uma relação que alinhe estrutura partidária com vitória certa nas eleições. A história não é tão cartesiana assim quando se fala das disputas. Há sempre uma margem para surpresa, porém, são bem poucos os exemplos em que Davi dá uma surra em Golias. Os vencedores, em geral, são os que possuem maior estrutura. O quadro é sempre difícil para quem não tem como colocar exércitos para pedir voto. A campanha, no entanto, está apenas começando.

 

Veja a composição das chapas:

 

Coligação PSB, PDT, PT, PTB, PRP, DEM, PCdoB, PPS, Avante, PROS, PRB, PMN, Podemos e Rede

Governador: João Azevêdo (PSB)

Vice-governadora: Lígia Feliciano (PDT)

Senadores: Luiz Couto (PT) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB)

 

Coligação PV, PSDB, PP, PSD, PTC, PRTB, SOLIDARIEDADE, DC, PSL, PPL, PSC e PHS

Governador: Lucélio Cartaxo (PV)

Vice-governadora: Micheline Rodrigues (PSDB)

Senador: Cássio Cunha Lima (PSDB) e Daniella Ribeiro (PP)

 

Coligação MDB, Patriotas e PR

Governador: José Maranhão (MDB)

Vice-governador: Bruno Roberto (PR)

Senador: Roberto Paulino (MDB)

 

Coligação Psol, PCB e UP

Governador: Tárcio Teixeira (Psol)

Vice-governador: Adjany Simplício (Psol)

Senador: Nelson Júnior (Psol) e Nivaldo Mangueira (Psol)

 

PSTU (sem coligação)

Governadora: Rama Dantas (PSTU)

Vice-governador: Emanoel Candeia (PSTU)

Senador: Nenhum anunciado.

 

Convenção que confirmou João Azevêdo para o governo teve Lula citado em todos os discursos

Chapa formada para a disputa deixou de fora Efraim Moraes para dar feições de esquerda ao grupo apoiado por Ricardo Coutinho

Chapa com João Azevêdo, Veneziano Vital, Luiz Couto e Lígia Feliciano foi apresentada por Ricardo Coutinho (C). Foto: Divulgação/PSB

O ex-presidente Lula (PT) está preso em Curitiba por causa da condenação no caso do tríplex do Guarujá, em São Paulo. Isso não impediu que ele estivesse representado em todos os discursos na convenção do PSB que confirmou João Azevêdo para a disputa do governo do Estado. O evento, realizado em João Pessoa, neste sábado (4), contou até com um boneco gigante em homenagem ao petista. O ex-presidente deve ter o nome inscrito pelo Partido dos Tralhadores para a disputa da Presidência pela sexta vez, apesar da quase certeza de que será impedido pela Justiça Eleitoral. A estratégia do governador Ricardo Coutinho (PSB) em relação ao padrinhado tem sido o alinhamento das campanhas, visando surfar na avaliação positiva do ex-presidente no estado.

Para isso, a composição da chapa foi milimetricamente pensada. Já tinha João, acostumado a fazer discursos favoráveis ao ex-presidente e um crítico do impeachment de Dilma Rousseff (PT). O deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PSB) votou pelo impeachment de Dilma, mas pegou um bonde rumo à esquerda logo após. Neste sábado, pediu voto para Lula na convenção. O terceiro nome da chapa, o deputado federal Luiz Couto, é petista e fez as honras de abrir os discursos. A chegada de Lígia Feliciano (PDT) seguiu este estendimento, também. O governador Ricardo Coutinho, padrinho da chapa que busca a continuidade do projeto, é, também, um antigo aliado do ex-presidente Lula. O movimento da Paraíba, junto com Pernambuco, foi fundamental para que o PSB, nacionalmente, decidisse apoiar o petista.

Um boneco do ex-presidente Lula com mais de três metros desfilou durante o evento. Foto: Suetoni Souto Maior

O pré-candidato ao governo, João Azevêdo, se mostrou bastante à vontade no palanque, neste sábado. Lembrou pouco o técnico de poucas palavras de antes. Brincou com a platéia formada por militantes do partido e aproveitou para fazer críticas à oposição. Sem citar nomes, ele criticou os discursos de Lucélio Cartaxo (PV), candidato da oposição. “Tem candidato dizendo que quer tocar o coração das pessoas…”, disse, em tom de deboche. Em contraponto, alegou que ele prefere que os médicos do Hospital Dom José Maria Pires, especializado em cardiologia, façam isso. Falou das escolas, das estradas e do conjunto de obras que o governo pretende apresentar como portfólio para a disputa eleitoral.

O pré-candidato ao Senado, Luiz Couto, aproveitou o discurso para falar sobre o risco de a Paraíba voltar ao passado. A referência era claramente ao que ele chamou de legado negativo das gestões anteriores. Seguiu falando do projeto de “nova Paraíba”, em referência à continuidade do projeto de poder do PSB no Estado. Falou que vai, caso seja eleito, honrar o mandato, assim como faz em relação ao cargo de deputado federal. Couto também convocou a platéia para votar no ex-presidente Lula e foi bastante aplaudido neste momento.

Veneziano foi o segundo a discursar. Ele se apropriou dos argumentos de Ricardo Coutinho em relação à composição do palanque, dizendo que ele é pautado na decência e na eficiência. “Aqui está a Paraíba das novas estradas, aqui está a Paraíba das novas adutoras, aqui está a Paraíba dos paraibanos, dos investimentos sociais. Aqui está a Paraíba dos novos hospitais, 12 pelo menos entregues para que a saúde paraibana se qualificasse”, disse. Ele alegou que todos, no palanque, têm a missão de dar continuidade ao que foi feito por Ricardo. Veneziano ressaltou ainda que o governador era nome natural para a disputa do Senado. Como o gestor decidiu ficar até o fim do mandato, o socialista disse que isso aumentava a missão dele e de Couto. De saída, o parlamentar pediu votos para Lula.

O governador Ricardo Coutinho foi mais enfático em relação ao que ele chamou de injustiça com Lula. Ele alega que o petista foi condenado pelo juiz Sérgio Moro sem provas. “Não há prova alguma no processo”, alegou o socialista, para quem o ex-presidente deveria disputar as eleições. Coutinho pediu à militância para que se peça votos para todos os membros da chapa. O voto completo. Como o de costume, fez muitas críticas ao senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O tucano foi acusado de ter tramado em todas as horas do dia o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Tramava contra a democracia”, enfatizou.

Lígia Feliciano recebeu elogios nos discursos. Ricardo elogiou o fato de ela, mesmo quando se afastou do grupo buscando construir um projeto próprio, nunca fez críticas ao governo. A escolha dela ocorreu em um processo que retirou Efraim Moraes, do DEM, da linha de composição. A presença dele prejudicava o tom de esquerda que o PSB quis dar à chapa encabeçada por João Azevêdo. Havia boatos de que, magoado, Efraim levaria o DEM para a oposição, o que não aconteceu. O deputado federal Efraim Filho (DEM), inclusive, participou do evento.

Veja os partidos que foram anunciados no arco de aliança de João Azevêdo:  PSB, PDT, PT, PTB, PRP, DEM, PCdoB, PPS, Avante, PROS, PRB, PMN, Podemos e Rede.

 

 

 

Lígia Feliciano retira candidatura e será vice na chapa de João Azevêdo

Pedetista era cortejada por lideranças da oposição e trabalhava para ser a candidata governista em faixa própria

João Azevêdo oficializou o nome de Lígia Feliciano na chapa após reunião na noite desta sexta-feira. Foto: Divulgação/PSB

Deu o esperado. A vice-governadora Lígia Feliciano (PDT) retirou a postulação ao Palácio da Redenção e será a candidata a vice na chapa do pré-candidato do PSB ao Governo da Paraíba, João Azevêdo. O anúncio foi feito, na noite desta sexta-feira (3). A pedetista será apresentada, oficialmente, neste sábado (3), durante a convenção estadual da legenda socialista, que homologará ainda as candidaturas dos deputados federais Veneziano Vital do Rêgo (PSB) e Luiz Couto ao Senado Federal. Lígia tentava construir uma candidatura ao governo em faixa própria, se inserindo como candidata de continuidade do governo de Ricardo Coutinho (PSB). Ela, no entanto, não conseguiu viabilizar a proposta.

A definição do nome de Lígia como vice de João aconteceu durante reunião que contou, ainda, com a participação do governador Ricardo Coutinho, do deputado federal Damião Feliciano (PDT) e do presidente estadual do PSB na Paraíba, Edvaldo Rosas. Além de anunciar Lígia como sua vice, João Azevêdo revelou que a pedetista coordenará a campanha da chapa na cidade de Campina Grande. “Vamos contar com o trabalho e dedicação de Lígia na nossa chapa e na coordenação da campanha em Campina Grande, cidade em que ele tem inúmeros serviços prestados”, disse. No dia anterior, o governador Ricardo Coutinho tinha se referido a Lígia e ao PDT como aliados, lembrando que nunca ouviu críticas dela ou de Damião ao governo.

Luiz Couto (E) e Veneziano Vital do Rêgo (D) foram escolhidos anteriormente para ocupar as vagas para a disputa do Senado. Foto: Divlgação/PSB

Sucesso

João Azevêdo destacou que, ao longo dos últimos quatros em que esteve exercendo o cargo de vice-governadora, Lígia Feliciano contribuiu de forma decisiva para o sucesso da gestão do governador Ricardo Coutinho. “Não tenho a menor dúvida do sucesso da nossa chapa. A Paraíba vai optar por dar continuidade ao projeto que tem mudado, para melhor, a face deste Estado; agora com João, Lígia, Veneziano e Luiz Couto”, enfatizou. Já a vice-governadora Lígia Feliciano destacou a parceria firmada com o governador Ricardo Coutinho, em 2014. “Agora com João, vamos dar sequência a esse trabalho reconhecidamente aprovado pela população paraibana”, pontou.

Convenção

O Partido Socialista Brasileiro realiza, neste sábado (4), a convenção estadual para homologar o nome de João Azevêdo como candidato a governador da Paraíba nestas eleições. Além dele, o partido apresentará a chapa majoritária socialista e referendar os deputados federais Veneziano Vital do Rêgo (PSB) e Luiz Couto (PT) como candidatos ao Senado na composição girassol.

O evento, que acontece a partir das 14h, na casa de shows Forrock, contará com a participação do presidente de honra do PSB, Ricardo Coutinho, e de caravanas dos 223 municípios paraibanos, que querem a continuidade da gestão que revolucionou a forma de se fazer política no Estado.

De acordo com o presidente do PSB, Edvaldo Rosas, a legenda e os partidos aliados estão trabalhando para realizar um grande ato político em prol das pré-candidaturas majoritárias e dos postulantes a mandatos na Assembleia Legislativa da Paraíba e Câmara dos Deputados.

“Estamos ultimando os detalhes da nossa convenção, já que é um evento que está sendo organizado a várias mãos. A cada minuto, recebemos confirmações da vinda de caravanas de todas as partes do Estado”, destacou Edvaldo Rosas.

Com informações de Josusmar Barbosa, do jornaldaparaiba.com.br

Com o não de Ciro Gomes, petistas tentam Manuela para vice de Lula

Proposta será formalizada em reunião nesta sexta-feira e esperança do PT é que o PCdoB retire candidatura a presidente

Manuela D’Ávila durante evento de pré-campanha realizado em João Pessoa. Foto: Reprodução/Twitter

A pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), é o novo alvo dos petistas para a disputa eleitoral deste ano. Uma reunião solicitada pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), servirá para a formalização do convite, nesta sexta-feira (3). Aos dirigentes da sigla comunista, com autorização do ex-presidente Lula, os dirigentes petistas pedirão que Manuela retire sua candidatura e dispute o pleito na vaga de vice do ex-presidente. O convite está sendo formulado depois da frustrada tentativa de convencer o presidenciável Ciro Gomes (PDT) a assumir a suplência na disputa. Com o movimento, os petistas completam o isolamento do pedetista.

A possibilidade de deixar a disputa foi reconhecida por Manuela D’Ávila durante palestra em João Pessoa, na semana passada. Ela defendeu a criação de uma frente de esquerda e disse que, para isso, não se oporia a uma eventual retirada da candidatura dela. O ex-presidente Lula está preso há mais de 100 dias por causa da condenação no caso do tríplex do Guarujá, no litoral paulista. Ele foi condenado pelo juiz Sérgio Moro sob acusação de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Os petistas vão fazer a inscrição da chapa mesmo assim, apesar da condenação do ex-presidente também na segunda instância. A confirmação da condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região faz com que o postulante corra o risco de ser alcançado pela Lei Ficha Limpa.

O PCdoB é o segundo partido que os petistas tiram do radar de Ciro Gomes nas eleições deste ano. O primeiro foi o PSB, em um movimento que gerou grande divisão dentro do partido em vários estados. Em Pernambuco, por exemplo, os petistas retiraram a candidatura de Marília Arraes ao governo do Estado. A medida foi para beneficiar a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Em contrapartida, em Minas Gerais, a operação seguiu no caminho de retirada da candidatura do socialista Márcio Lacerda, para que o partido apoie a reeleição do governador Fernando Pimentel (PT). Caso o PCdoB atenda ao pedido de Lula, a retirada da candidatura de Manuela D’Ávila, aprovada em convenção na última quarta-feira (1°), será retirada.

 

Progressistas fecham com Lucélio e João Azevêdo deve anunciar vice nesta sexta-feira

Nomes deverão ser ratificados durante as convenções partidárias do fim de semana

Daniella Ribeiro vai disputar vaga no Senado na chapa de Lucélio Cartaxo. Foto: Divulgação/ALPB

O mistério sobre a composição das chapas de João Azevêdo (PSB) e de Lucélio Cartaxo (PV) terá fim nesta sexta-feira (3). Faltando apenas dois dias para o fim do prazo das convenções partidárias, as últimas vagas no andar de cima das chapas deverão ser preenchidas. Como o previsto, a deputada estadual Daniella Ribeiro (PP) vai disputar o Senado na chapa de Lucélio. A reunião que serviu para bater o martelo foi até tarde nesta quinta-feira. Já a vaga de vice de João poderá ficar com o DEM de Efraim Moraes ou o PDT de Lígia Feliciano. Esta última dobradinha, vale ressaltar, é a que vigora até agora no governo. A pedetista, que se lançou como pré-candidata ao governo, é vice de Ricardo Coutinho (PSB). Caso o nome dela seja escolhido, haverá uma campanha para governo a menos na rua.

O caso do Progressistas é emblemático. O partido foi a noiva na disputa por vários meses. Apesar de se situar na base oposicionista, inclusive com o vice de Romero Rodrigues (PSDB), em Campina Grande, Enivaldo Ribeiro, a sigla namorou todas as candidaturas. Foi cortejada por Lucélio, por João Azevêdo e ainda por José Maranhão (MDB). Nas idas e vindas, houve até reunião com o governador Ricardo Coutinho, um antigo adversário. Mais recentemente, no entanto, o movimento foi todo em direção a Lucélio Cartaxo. As indefinições sobre as composições na chapa motivaram a demora pelo anúncio do destino. Apesar disso, desde a semana passada, a mudança de ares deixou de ser considerada pelos aliados de Ricardo. Haverá coletiva nesta sexta-feira às 11h30, no Hotel Nord Luxxor Sapucaia.

O pré-candidato João Azevêdo tem feito mistérios ainda sobre a vaga de vice. Nesta quinta-feira (2), durante ato administrativo em Campina Grande, o governador falou do perfil do ocupante da vaga. Deixou claro que o nome não vai ser buscado na oposição. “Nós estamos buscando apresentar a Paraíba uma chapa que tenha três coisas fundamentais: decência na política e eficiência. E somando estas duas coisas têm que ter dignidade. João Azevedo, Veneziano Vital do Rêgo (candidato a senador) e Luiz Couto (candidato a senador) dialogam diretamente com estas três coisas. Nós vamos escolher o vice, dentro dos partidos que estão querendo estas coisas”, afirmou o governador.

A vaga de vice na chapa de João Azevêdo é cobrada pelo DEM. O partido lembra que está na composição desde 2010 e que a sigla agrega o Sertão do Estado na chapa, que tem João Azevêdo e Luiz Couto de João Pessoa e Veneziano de Campina Grande. O nome indicado pela sigla é o de Efraim Moraes. Outro nome que surge como possibilidade é o de Lígia Feliciano, atual vice de Ricardo. Nesta quinta-feira, Efraim se reuniu com Hugo Motta (PRB) e Wilson Santiago (PTB) para fazer contas sobre as composições proporcionais. Os três estão na base aliada de Ricardo, mas podem migrar dependendo dos cenários eleitorais para este ano. A chapa de José Maranhão (MDB) ainda não foi formada. Apenas Bruno Roberto (PR) foi definido na vice.

 

Frei Anastácio é aposta do PT para herdar espólio de Luiz Couto

Nome foi escolhido durante reunião com dirigentes e bancada do partido na Assembleia Legislativa

Frei Anastácio não disputará mais o mandato de deputado estadual. Foto: Roberto Guedes/ALPB

O deputado estadual Frei Anastácio é a aposta do Partido dos Trabalhadores para a disputa na Câmara dos Deputados. A esperança da sigla é que ele consiga herdar o espólio eleitoral de Luiz Couto. O petista vai disputar a vaga de senador na chapa encabeçada por João Azevêdo (PSB) nas eleições deste ano. Ele recebeu mais de 65 mil votos no pleito passado. O entendimento é o de que assim como Couto, que é padre, o frei tenderá a capitalizar votos do eleitor católico. Anastácio também já cumpriu cinco mandatos de deputado federal.

O frei vai para a disputa, mas não sozinho. O vereador Marcos Henriques, de João Pessoa, também colocou o nome à disposição. O ex-presidente do PT, Charliton Machado, é outro que brigará pelo espólio de Luiz Couto. Todos vão tentar herdar também os votos que poderão vir dos eleitores do ex-presidente Lula. O petista é o primeiro colocado nas pesquisas de opinião pública nos estados nordestinos. Mesmo assim, terá dificuldades para manter a candidatura, por conta da condenação em segunda instância. Lula tende a ser alcançado pela Lei Ficha Limpa.

Luiz Couto foi guindado à condição de candidato ao Senado nesta semana após várias idas e vindas. No primeiro momento, o nome foi colocado, mas não houve avanços. Ele chegou, depois disso, a rejeitar vários pedidos para integrar a chapa. O tema voltou à pauta na semana passada depois de uma reunião do governador Ricardo Coutinho (PSB) com o coordenador da campanha nacional de Lula, Sérgio Gabrielli. A chapa governista será encabeçada por João Azevêdo e terá como candidatos ao Senado Luiz Couto e Veneziano Vital do Rêgo (PSB).

Ministério Público opina pela cassação de Luciano Cartaxo em Aije de 2016

Gestor é acusado de abuso do poder político e econômico e defesa nega que tenha havido irregularidade

Luciano Cartaxo é acusado de abuso do poder econômico nas eleições de 2016. Foto: Divulgação

O Ministério Público Eleitoral emitiu parecer pela condenação do prefeito Luciano Cartaxo (PV) em ação que pede a cassação do mandato do gestor por suposto abuso do poder político e econômico nas eleições de 2016. Ele foi acusado pelo órgão de nomeação e manutenção de servidores precários, não estáveis, contratados sob a denominação “codificados”. O pedido de cassação da chapa, que inclui o vice-prefeito Manoel Júnior (PSC), foi feito pelo promotor eleitoral João Arlindo Correia Neto, da 77ª Zona Eleitoral de João Pessoa. Ele também pede a inelegibilidade do gestor.

Procurado pelo blog, o advogado do prefeito, Rodrigo Farias, se disse tranquilo em relação ao processo. Ele diz que a instrução processual mostrou justamente o contrário do que é alegado pelo Ministério Público na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije). “O prefeito Luciano Cartaxo foi muito cuidadoso, em 2016, quando disputou a reeleição. Havia a orientação para que não houvesse aumento na folha de pessoal. Na verdade, foi um ano em que se constatou a elevação no quadro de servidores concursados e redução de comissionados ou contratados por excepcional interesse público”, ressaltou.

Farias acrescentou ainda que se forem levados em consideração o quadro de pessoal em outros anos, se perceberá que não houve abuso do poder político e econômico. O processo será analisado pelo juiz da 77ª Zona Eleitoral, Manoel Gonçalves Abrantes. A ação foi protocolada, em 2016, pelo promotor João Geraldo Barbosa. Na época, ele classificou alguns servidores na condição de “codificados”. O advogado Rodrigo Farias, no entanto, alega que não existe e nunca existiu na prefeitura ninguém contratado com esta figura jurídica.

PSB da Paraíba vai defender na convenção nacional apoio à candidatura de Lula

Partido está dividido nacionalmente entre os apoios a Lula ou a Ciro Gomes ou ainda a adoção de neutralidade

Lula (D) conversa com Ricardo Coutinho e com a ex-presidente Dilma Rousseff durante uma das últimas agendas cumpridas na Paraíba. Foto: Divulgação

O Partido Socialista Brasileiro (PSB), na Paraíba, decidiu apoiar a candidatura do ex-presidente Lula (PT) ao Planalto. A decisão foi tomada em reunião nesta segunda-feira (30) e vai ser levada para a convenção nacional, no dia 5 de agosto. O entendimento ocorre no mesmo momento em que o Partido dos Trabalhadores formalizam apoio à pré-candidatura de João Azevedo (PSB) ao governo. Nesta segunda-feira, também, o presidente estadual do PT, Jackson Macedo, divulgou áudio pedindo que os coletas de partido votem e peçam voto para o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PSB), pré-candidato ao Senado. Ele deve dividir espaço na chapa com o petista Luiz Couto, também deputado federal. Veneziano era tratado por golpista pelos petistas, por ter votado pró-impeachment de Dilma Rousseff (PT).

A convenção nacional do PSB vai acontecer em Brasília, no dia 5, o último para as convenções partidárias. O partido, nacionalmente, está dividido. Uma parte significativa quer votar no ex-presidente Lula, outra torce por uma aliança com Ciro Gomes (PDT) e há ainda um grupo bastante representativo que defende a neutralidade. Neste caso, os arranjos locais indicariam com quem haveria a aliança nos Estados. A proximidade do petista é mais forte entre os nordestinos e no Norte do país. O posicionamento do governador Ricardo Coutinho segue no mesmo sentido do governador de Pernambuco, Paulo Câmara. No estado vizinho, o gestor quer apoiar Lula e espera que o partido, lá, retire a candidatura de Marília Arraes (PT).

A resolução, resultante da reunião do PSB, justifica a adesão com a defesa da “democracia e, principalmente, em nome da esperança no restabelecimento das garantias sociais, tão duramente atacadas neste País, durante o atual e ilegítimo governo, bem como da recuperação da economia com a superação das desigualdades”. Outro ponto ressaltado é a suposta perseguição ao ex-presidente Lula.

“O dia 8 de julho passado produziu (mais) uma cena lamentável do completo desmonte do Estado Democrático de Direito em que o Brasil passou a experimentar sistematicamente desde que aqueles que perderam as eleições de 2014 resolveram atentar contra à escolha popular. Um juiz de primeira instância, sob a anuência de parte dos sistemas nacionais de comunicação de massa, em pleno abuso de autoridade, resolve confrontar publicamente a decisão de um desembargador de instância
superior, deixando mais do que evidente que não há nem haverá limites na manutenção da nova velha ordem que se estabeleceu no Brasil, onde só há espaço para abusos e violências antidemocráticas, e, pior, onde a justiça tem sido seletiva em diversos procedimentos. Reerguer os pilares do Estado Democrático de Direito é uma tarefa de todos os setores comprometidos com a democracia no Brasil”, diz a nota.