Manifestantes fazem protesto contra o impeachment em João Pessoa

O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) tem sido o combustível para a mobilização da noite desta quarta-feira (31), em João Pessoa. Um grupo formado por aproximadamente 300 pessoas se concentrou na Praça da Paz, onde vinha fazendo vigília em prol da petista desde a terça-feira, e de lá seguiu em caminhada rumo à Universidade Federal da Paraíba (UFPB) para encontrar outros manifestantes. Durante a mobilização, foram gritadas palavras de ordem contra o presidente empossado Michel Temer (PMDB). Em frente à universidade houve desentendimento com a Polícia Militar. Os manifestantes disseram ter sido atacados com gás de pimenta. O ato faz parte da mobilização nacional contra o impedimento da presidente.

‘Meia condenação’ de Dilma alimenta tese de golpe

ER_Julgamento-Impeachment-Dilma-Rousseff-terceiro-dia-segunda-feira_01308292016A manutenção dos direitos políticos de Dilma Rousseff (PT) no momento seguinte à aprovação do impedimento dela pelos senadores vai alimentar a tese de golpe parlamentar, tramado pela trinca Eduardo Cunha (PMDB)/Michel Temer (PMDB)/Aécio Neves (PSDB). A leitura é simples: se o Senado entende que houve cometimento de crime de responsabilidade e que, por isso, a petista não poderia permanecer no comando do país, nada justificaria que ela continuasse habilitada para o exercício de função pública e de poder ser eleita. Muito diferente do que ocorreu com Fernando Collor e uma visível releitura da lei.

O desfecho do processo de impeachment de Dilma sintetiza o que foi toda a caminhada dos debates desde a instalação, na Câmara dos Deputados. Os petistas e a própria ex-presidente se referia ao caso como peça de vingança do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). E eles têm razão. Foi largamente alardeada toda a condução e manobras do peemedebista para que o impeachment ganhasse peso e força para o afastamento da gestora, cujo maior crime em todo o processo foi a falta de habilidade política para sufocar as articulações.

A decisão cria as condições para que Eduardo Cunha, que terá o processo de cassação do mandato votado na Câmara dos Deputados no próximo mês, possa recorrer ao mesmo artifício. Poderá ser afastado do cargo e, mesmo assim, voltar à Câmara dos Deputados em 2019, desde que escape da praticamente certa condenação e prisão. A possibilidade foi alertada pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), líder da sigla tucana na Casa, e que é acusado pelos petistas de ser um dos artífices do “golpe”. O fato é que foi aberto um precedente gravíssimo, com potencial de livrar a cara de gente com passado muito sujo.

As votações tiveram placar expressivo, mas destoantes. Para afastar Dilma Rousseff, o resultado foi maior que o esperado. Foram 61 votos a favor e 20 contra. Já a votação que manteve a presidente habilitada foi de 42 a favor, 36 contra e 3 abstenções. Eram necessários dois terços dos senadores que a petista ficasse impedida de exercer funções públicas. “Minha solidariedade à jovem democracia brasileira. Meu inconformismo a tudo que busque golpear essa frágil construção que tanto custou ao Brasil”, disse o governador Ricardo Coutinho (PSB), um dos principais apoiadores da presidente.

O resumo da ópera é que Dilma Rousseff perdeu o mandato por causa da crise econômica revelada após as eleições de outubro de 2014. Além disso, a gestora teve a infelicidade de dar de cara com os escândalos de corrupção atingindo integrantes do governo e do seu grupo político. O fim da história todo mundo sabe. A vantagem em relação a Fernando Collor é que ela sai com todos os direitos inerentes aos ex-presidentes. Terá segurança e pessoal de apoio, já que cumpriu integralmente o primeiro mandato como presidente da República. O impeachment chegou ao fim, mas as polêmicas…

 

Ao que parece, “rolou pó” durante a defesa de Dilma no Senado

A sessão que marcou a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), no Senado, nesta segunda-feira (29), gerou controvérsias, apoios, acusações e polêmicas. Uma delas ganhou as redes sociais e foi bastante compartilhada. Durante um dos momentos em que o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) faz pergunta à gestora, alguém é focado, um pouco mais atrás, balançando um pacotinho com pó branco. Não demorou para que ganhasse destaque nas redes sociais a ilação de que o tal pó se tratava de cocaína.

Fazendo, aqui, o papel de advogado do diabo, poderíamos dizer também que o “bagulho” poderia se tratar de sal pertencente a algum parlamentar acometido de pressão baixa. Não são raras as pessoas que colocam o pozinho na língua para elevar a pressão arterial, apesar de os médicos desaconselharem a prática. Sem querer fazer ilações, mas já fazendo, o ângulo da filmagem mostra, na fileira de trás, a área ocupada pelas bancadas do Pará e da Paraíba. Uma semana depois de o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) ter bradado no plenário para deixarem de “cheirar pó” na Casa…

Bom, tire você as suas conclusões. O vídeo é do perfil Mariachi no Facebook.

Dilma diz que a “árvore da democracia está repleta de parasitas”

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) disse nesta quarta-feira (15) que a “árvores da democracia, no Brasil, está repleta de parasitas”. A analogia foi feita durante audiência pública no Espaço Cultural, promovida pela Assembleia Legislativa da Paraíba para debater a democracia. A ato está ocorrendo para protestar contra o impeachment da presidente que tramita no Congresso. A militância e a própria Dilma bradaram várias vezes “fora Temer”, em referência o presidente interino.

Discurso Ricardo

Em seu discurso, logo após a fala do governador Ricardo Coutinho (PSB), Dilma disse estar sendo vítima de um golpe parlamentar. Ela traçou um paralelo entre a sua saída do poder com o Golpe Militar de 1964. Na visão dela, a derrubada de um governo naquela época acontecia como se os militares fossem um machado, que corta a árvore da democracia. Atualmente, não, a aparência democrática é mantida, mas com a árvore da democracia “repleta de parasitas”, em referência ao governo interino.

Dilma Rousseff tenta retomar o mandato no curso do processo de impeachment no Senado. Para isso, na votação final, os defensores do impedimento não podem conseguir os 54 votos necessários para afastá-la em definitivo. Ela bradou várias vezes que a democracia precisa ser respeitada. Dilma ainda falou dos convênios com os governadores democraticamente eleitos, em referência a Ricardo Coutinho, e manteve o discurso de perseguição contra os seus aliados.

Ricardo fala em “tempos difíceis”, “sombrios” e de “perseguição”

O governador Ricardo Coutinho (PSB) elevou o tom das críticas ao governo provisório do presidente Michel Temer (PMDB-SP), nesta quarta-feira (15), durante a audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa em favor da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Durante o ato, no Espaço Cultural, em João Pessoa, o socialista falou que o país vive “tempos difíceis”, “sombrios” e de “perseguição política”.

Discurso Ricardo

A referência foi principalmente à decisão do Ministério das Cidades de frear o repasse de R$ 17,5 milhões liberados por Dilma Rousseff antes de ser afastada. A leitura do governo federal era de que o dinheiro foi repassado de forma irregular. Se voltando para Dilma, no palanque, Ricardo Coutinho lembrou que a perseguição era sobre um convênio que foi dividido pelo governo federal, especificamente na gestão dela, com o governo do estado.

Ricardo ainda fez referência ao senador Cássio Cunha Lima (PSDB), apontado por ele como responsável por convencer o governo federal na retirar o dinheiro que seria destinado à conclusão do viaduto do Geisel, em João Pessoa. Neste momento, a militância gritou em coro “fora Cássio, fora Cássio”. No retorno, o governador voltou a reforçar o sentimento de que a presidente será reconduzida ao poder, saindo vitoriosa do processo de impeachment.

O governador paraibano também usou a discussão sobre os “tempos sombrios” para falar do retorno da cultura do estupro. Disse que o governo do Estado estimula e não combate as mulheres quando elas fazem atos contra o crime, em referência aos protestos do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), que criticou a pichação do monumento “Eu amo Jampa”, na orla. O ato, na época, contou com a participação de vários socialistas, inclusive a pré-candidata a prefeita, Cida Ramos.

Mais informações em instantes…

Dilma virá a João Pessoa em voo fretado para “ato pela democracia”

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) desembarca em João Pessoa nesta quarta-feira (15), por volta das 14h50, para participar da audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa com o mote da defesa da democracia. A gestora virá à Paraíba em voo fretado pelo PT, por causa da decisão do presidente interino Michel Temer (PMDB-SP) de restringir as viagens em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) aos descolocamentos dela entre Brasília e Porto Alegre (RS), onde mantém o seu domicílio eleitoral.

RICARDO E DILMA

Do Aeroporto Castro Pinto, Dilma Rousseff segue diretamente para o Palácio da Redenção, onde encontrará o governador Ricardo Coutinho (PSB). Os dois vão juntos para o Espaço Cultural, local previsto da audiência pública, que teve como autor o deputado estadual Jeová Campos, do mesmo partido de Coutinho. A militância foi convocada em peso para participar do evento. De acordo com o presidente licenciado do PT e pré-candidato ao governo, o Espaço Cultural foi escolhido para abrigar um grande público.

Jeová Campos disse que o evento será para que seja marcado “um ponto importante para o Brasil, dizendo que o povo da Paraíba está se levantando contra o golpe”. Na visão dele, será a oportunidade para que se discuta a democracia, por causa do afastamento da presidente eleita do poder. Ele fez acusações contra o presidente interino Michel Temer, tratado como “capitão do golpe”. O governador Ricardo Coutinho deve usar o embate com o Ministério das Cidades, em relação ao viaduto do Geisel, para apimentar o discurso de perseguição política.

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Da Paraíba, abre-se duas perspectivas. Dilma volta para Brasília, neste caso com a possibilidade de usar avião da FAB, já que ela mora em Brasília, ou ir diretamente para a Bahia, já que haverá um ato lá nos mesmos moldes do que ocorrerá na Paraíba. Na sexta-feira (17), ela estará no Recife, também para um ato contra o governo do presidente interino Michel Temer. Dilma é alvo de um processo de impeachment no Senado. Ela foi afastada do governo há pouco mais de um mês.

 

Deputado peemedebista diz não estar certo da permanência de Temer

O deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) não está certo de que seu correligionário, o presidente da República interino Michel Temer (SP), será mantido no cargo. Para o parlamentar, que é pré-candidato a prefeito de Campina Grande, a maré poderá mudar pró-Dilma Rousseff (PT) na votação final do processo de impeachment no Senado. Ele não fez referência aos escândalos e demissões de ministros envolvendo o governo provisório, apenas reforçou que os 55 votos dados na admissibilidade do processo (um a mais que o necessário) poderá não se repetir.

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Durante entrevista à rádio Arapuan FM, em João Pessoa, Veneziano lembrou de senadores como Cristovam Buarque (PPS), que, na admissibilidade, disse que votaria por ser a favor da investigação, mas não assegurou a manutenção do voto. Na visão dele, outros parlamentares poderão seguir no mesmo sentido. O parlamentar foi um dos nove deputados federais paraibanos que votaram pela admissibilidade do impeachment, na Câmara dos Deputados. Sua decisão ocorreu de última hora, já que integrava a base da presidente afastada.

Apesar da postura moderada de Veneziano Vital do Rêgo, os petistas de Campina Grande oficializaram no fim de semana que não vão apoiar a candidatura de nenhum dos postulantes que integrem “partidos golpistas” (aqueles que votaram pelo impeachment). A lista das siglas é encabeçada pelo PMDB. As alianças prioritárias serão com PSB, PC do B e PDT, que integram o Campo Democrático e Popular. Ou seja, em Campina Grande, é provável que a sigla se alie com o pré-candidato do PSB, Adriano Galdino.

Périplo de Dilma no Nordeste começa com clima quente na Paraíba

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) encontrará palanque armado e polêmica envolvendo o presidente interino Michel Temer (PMDB-SP) na sua vinda à Paraíba, na próxima quarta-feira (13), quando inicia um périplo pelo Nordeste. A gestora trabalha para reverter o processo de impeachment no Senado e, com isso, retornar ao cargo. O clima em relação ao governo interino ganhou tom de guerra nos últimos dias por causa do estorno de R$ 17,5 milhões das contas do Estado que seriam destinados à conclusão das obras do viaduto do Geisel, em João Pessoa.

RICARDO E DILMA

O governador Ricardo Coutinho (PSB) acusa o governo Temer de perseguição por causa do saque, enquanto que o ministro das Cidades, Bruno Araújo, acusado o gestor paraibano de cobrar privilégios, uma vez que Dilma teria repassado a integralidade do convênio, apesar de a obra estar com apenas 22% do seu cronograma concluído. O tema perseguição vai nortear o discurso dos governistas durante a vinda da presidente afastada, na quarta-feira. O evento é promovido pela Assembleia Legislativa, mas vai ocorrer no Espaço Cultural dar acesso à população.

Dilma estará em João Pessoa na quarta-feira, depois segue para Salvador, na Bahia, na quinta-feira (16), e de lá para o Recife, em Pernambuco, na sexta-feira (17). A vinda de Dilma foi viabilizada por meio de requerimento do deputado estadual Jeová Campos (PSB). O presidente licenciado do PT, na Paraíba, Charliton Machado, evitou fazer projeções, mas garantiu que a militância vai comparecer em peso ao evento. Ele é pré-candidato a prefeito da capital e trabalha para viabilizar a sua candidatura.

Jogo dos números e viés ideológico na briga entre Ricardo e o governo Temer

A briga entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o governo provisório do presidente Michel Temer (PMDB-SP) pelos R$ 17,5 milhões estornados das contas do Estado tem revelado, antes de tudo, muita informação conflitante e grande viés ideológico. O dinheiro seria usado para concluir as obras do viaduto do Geisel, em João Pessoa, considerada vital pelos socialistas para contribuir com a pré-candidatura de Cida Ramos (PSB) a prefeita da capital. O combustível é a briga política entre aliados de Temer e da presidente afastada Dilma Rousseff (PT).

RICARDO E DILMA

Os dois lados apresentam números conflitantes na “guerra” de notas oficiais e discursos sobre o tema. O valor total do contrato é de R$ 17,8 milhões e foi firmado em 2012. Este é o único consenso. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, diz que o governo federal resgatou os R$ 17,5 milhões do convênio, o equivalente à integralidade do contrato, porque o dinheiro foi passado de forma ilegal pelo “governo afastado” de Dilma Rousseff (PT), aliada de primeira ordem de Ricardo, que fez campanha contra Michel Temer.

A partir daí, vem a grande contradição. O governo do Estado diz ter executado 58% da obra, mas o Ministério das Cidades reconhece apenas 22%. Por conta disso, segundo Bruno Araújo, não faria sentido repassar todo o dinheiro para uma obra que não está concluída, como determina a sistemática adotada pelo Ministério. Ele diz que Dilma Rousseff privilegiou Ricardo Coutinho, por ser aliado, em detrimento de outras obras mais avançadas em estados comandados por adversários políticos dela.

Matéria publicada no Jornal da Paraíba pelo jornalista Rubens Nóbrega é muito elucidativa sobre essa questão numérica. Contra o discurso de Ricardo, nos balancetes do Ministério das Cidades, o viaduto do Geisel é contabilizado como uma obra atrasada. Do contrato de R$ 17,8 milhões, foram subtraídos R$ 17,5 milhões pelo governo federal e pagos apenas R$ 239,5 mil. Pelas medições, o ministro admite liberar mais R$ 3,8 milhões, se o caso não for judicializado por Ricardo. Se for…

Ricardo fala em perseguição e o embate vai municiar o discurso da militância durante a vinda da presidente afastada Dilma Rousseff à Paraíba nesta quarta-feira (15). Neste fim de semana, ele disse que Temer quer resgatar a “Velha República”. De quebra, os adversários do governador no Estado, a exemplo do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), do mesmo partido de Bruno Araújo, foram apontados como incentivadores do corte no repasse dos recursos.

O fato é que tirando o viés político, se o governador quiser ver a obra concluída, terá que jogar o jogo do Ministério das Cidades e comprovar que executou mais da obra que o registrado pela pasta. Pode judicializar, mas isso vai retardar ainda mais a liberação de recursos. Por fim, poderá sacrificar outras obras para priorizar o viaduto. O orçamento total do empreendimento é de R$ 38 milhões e a previsão de entrega é agosto.

Estela Bezerra não descarta saída de Ricardo Coutinho do PSB

A deputada estadual Estela Bezerra não descarta a saída de todo o grupo liderado pelo governador Ricardo Coutinho do PSB. A insatisfação surgiu por causa do posicionamento nacional da sigla, que orientou a bancada federal a votar favoravelmente ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) tanto na Câmara quando no Senado. Para a deputada, a sigla precisa corrigir nacionalmente o seu curso e voltar à “defesa do socialismo e do campo progressista”.

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

A debandada, no entanto, Estela reforça, só ocorrerá em caso de punições impostas pela Executiva Nacional por causa da posição dos socialistas paraibanos, que têm participado de manifestações contra o que chama de “golpe parlamentar”. Partiu de um deputado socialista, Jeová Campos, o requerimento para a sessão na Assembleia que receberá Dilma Rousseff na Paraíba. A deputada diz que até agora não houve manifestação nacional em relação a censura. “Continuamos no partido, mas esperando que ele corrija o seu curso”, pontuo Estela Bezerra.