Um dia antes de Lula vir à Paraíba, Temer diz em artigo que transposição estava parada

Monteiro (PB) – Presidente Michel Temer durante cerimônia de chegada das Águas do Rio São Francisco à Paraíba (Beto Barata/PR)

Um dia antes das chegadas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, à Paraíba para a já batizada ‘inauguração popular das obras da transposição“, o presidente Michel Temer (PMDB) divulgou artigo no qual fala em prioridade para o Nordeste e diz que encontrou obras paradas. O peemedebista sucedeu a ex-presidente Dilma após o impeachment registrado no ano passado. O gestor garante ainda que entregará até o fim do ano o Eixo Norte da transposição, beneficiando Pernambuco, Ceará e Paraíba. Além disso, promete concluir outras obras hídricas importantes, como a adutora Vertente Litorânea, na Paraíba.

Veja a íntegra do artigo:

Água para o Nordeste

*Michel Temer

As águas do rio São Francisco avançam céleres pelo projeto de integração que vai beneficiar 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco,  Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Acabam de inundar o açude Poções, em Monteiro, na Paraíba, estrutura final dos 217 quilômetros de extensão do Eixo Leste do projeto.

O Nordeste é prioridade. Por isso, nosso governo retomou obras paradas e elevou, em 2016, para 96% o percentual de execução das obras físicas do projeto. Os repasses para o Eixo Leste aumentaram 23%, com desembolso de cerca de 379 milhões de reais.

O Eixo Norte da integração do São Francisco, que está com 94,52% de execução, será inaugurado ainda neste ano. Já repassamos 224 milhões de reais às obras, atingindo mais de 602 milhões.

Outras obras estão sendo tocadas com o mesmo comprometimento. A atenção especial ao projeto São Francisco foi estendida ao Cinturão das Águas do Ceará, à Adutora do Agreste Pernambucano, à Vertente Litorânea Paraibana e ao Canal do Sertão Alagoano.

A integração do São Francisco é uma obra redentora para toda a região. Assim como as reformas estruturantes vão revitalizar a economia brasileira, a água vai revitalizar o Nordeste. Vamos entregar a transposição ao final de 2018, quando também teremos um país melhor a quem venha assumir o governo.

Nosso trabalho pelo Nordeste não se restringe ao projeto de transposição do São Francisco. Lançamos, no ano passado, o Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. É investimento de cerca de sete bilhões de reais, até 2026, para recuperar o que foi degradado e evitar que o uso do solo e das águas prejudique o volume e a qualidade da água do São Francisco.

Estamos, também, expandindo os níveis de saneamento e de abastecimento de água nas comunidades da região. O Ministério das Cidades tem 327 obras em andamento, totalizando investimentos da ordem de cerca de 12 bilhões de reais.

A força do povo nordestino é como a força das aguas do São Francisco, nada pode contê-la. É como a força do Brasil! Nada pode impedir nosso país de ser grande.

*Presidente da República

 

Agenda: Lula e Dilma chegarão duas horas após o programado em Monteiro

Lula e Dilma vão participar de ato em comemoração à chegada das águas da transposição à Paraíba. Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O ato apelidado de “inauguração popular da transposição“, previsto para domingo (19), em Monteiro, com as presenças dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, vai começar duas horas depois do programado. A nova agenda foi divulgada nesta sexta-feira (17) pela assessoria de imprensa do Partido dos Trabalhadores. O atraso não foi justificado. O evento ocorre pouco mais de uma semana após as águas chegarem ao estado e haver uma solenidade de inauguração da obra, com a participação do presidente Michel Temer (PMDB).

Pela nova programação, os ex-presidentes desembarcam em Campina Grande às 11h. De lá, eles seguem para Monteiro, onde, às 13h, participam da plantação de árvores na entrada da cidade. Está previsto também que os dois se banhem nas águas da transposição. Às 15h, terá início a carreata para o centro da cidade de Monteiro. A previsão para o início do ato é 16h. Está prevista a vinda, à Paraíba, de dois governadores nordestinos, o do Piauí, Wellington Dias, e o do Ceará, Camilo Santana, ambos do PT. O governador Ricardo Coutinho (PSB) será o anfitrião.

Em Monteiro, serão plantadas mudas de ipê e pau-brasil. O plantio vai ocorrer numa área próxima ao local de saída das águas oriundas da transposição do rio São Francisco e que se destina até Campina Grande, através do açude Epitácio Pessoa (Boqueirão). A coordenação da ONG Centro de Apoio às Atividades Populares (CAAP), que está articulando o evento, confirmou a programação com as assessorias das duas autoridades.

O ato, de acordo com o coordenador da Caap, Arimatéia França, tem valor simbólico. “Ficamos felizes em ver que Lula, Dilma e Ricardo têm preocupações em zelar pelo meio ambiente. Desde o início da transposição das águas do São Francisco tínhamos a preocupação em evitar a degradação do meio ambiente nas cidades beneficiadas pela obra”, destacou França.

 

 

Assembleia aprova ‘Medalha Epitácio Pessoa’ para Lula e Dilma com votos da oposição

Comendas para Dilma e Lula foram aprovadas facilmente na Assembleia. Foto: Dilgalção/ALPB

Os deputados estaduais aprovaram nesta quarta-feira (15) dois projetos que preveem a concessão da Medalha Epitácio Pessoa aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. A votação foi repleta de críticas da oposição, que, apesar disso, também contribuiu com votos para a aprovação das propostas. A maioria deles, no entanto, se absteve no caso de Lula e até votou contra em relação a Dilma. As comendas, as mais importantes do Legislativo, serão entregues no próximo domingo, durante evento em Monteiro.

Ao todo, 31 parlamentares se fizeram presentes na hora da votação. Faltaram à sessão os deputados João Henrique (DEM), Daniella Ribeiro (PP), Galego Sousa (PP), Jutay Meneses (PRB) e Ricardo Marcelo (PMDB). O projeto que pedia a comenda para Lula, apresentado por Frei Anastácio (PT), contou com 26 votos a favor e cinco abstenções. Ninguém votou contra. Se abstiveram Tovar Correia Lima (PSDB), Guilherme Almeida (PSC), Renato Gadelha (PSC), Janduhy Carneiro (Podemos) e Camila Toscano (PSDB). Os votos favoráveis, entre os oposicionistas, foram de Arnaldo Monteiro (PSC), Raniery Paulino (PMDB) e Bruno Cunha Lima (PSDB).

Placar

O placar foi um pouco mais apertado em relação a Dilma, com 24 votos a favor, cinco abstenções e dois votos contrários. As negativas foram justamente de Arnaldo e Bruno. O ponto tenso em relação à votação foi do deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB), que pretendia votar contra os dois projetos, mas mudou de ideia por recomendação do governador Ricardo Coutinho. Durante a discussão da matéria, ele relatou o descontentamento e contrariedade em relação à votação.

A ideia dos parlamentares é aproveitar a vinda dos ex-presidentes a Monteiro, no domingo, para fazer a entrega das duas medalhas e também do título de Cidadão Paraibano aprovado em 2003. A proposta, na época, foi apresentada pelo hoje prefeito de Guarabira, Zenóbio Toscano (PSDB). Lula e Dilma chega a Monteiro por volta das 11h, no dia 19, dia de São José, e vão se banhar nas águas do Velho Chico. Um ato político está sendo programado para ocorrer às 12h30.

Lista de denunciados de Janot ‘fere de morte’ a política tradicional

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou a lista para o Supremo. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A operação Lava Jato tem se consolidado, para os partidos, como um teste de fogo para os eventuais candidatos a presidente nas eleições do ano que vem. Não há, entre as grandes siglas, nenhum com moral para apontar corrupção dos outros. PT, PMDB e PSDB, habitats de possíveis candidatos à sucessão do presidente Michel Temer (PMDB), estão sob fogo cruzado. E a prova disso é o estrago causado pela divulgação, de forma ainda incompleta, de alguns dos 83 nomes relacionados nos pedidos de abertura de inquérito formulados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, após ouvir os 77 executivos da empreiteira Odebrecht e da petroquímica Braskem.

Auxiliares do governo

Só dos nomes já vazados, a lista põem em sérias dificuldades o governo do presidente Michel Temer, que passa a ter cinco ministros denunciados e que poderão se tornar réus. Se isso ocorrer, vale ressaltar, o compromisso assumido pelo gestor é de afastá-los. O nome do peemedebista, também é bom lembrar, só não foi relacionado entre os denunciados por que a legislação impede a investigação do Presidente da República por eventuais crimes ocorridos antes do mandato. A lista dos ministros denunciados inclui Aloysio Nunes (PSDB-SP), das Relações Exteriores; Eliseu Padilha (PMDB-RS), da Casa Civil; Moreira Franco (PMDB-RJ), da Secretaria-Geral da Presidência; Gilberto Kassab (PSD-SP), da Ciência e Tecnologia, e Bruno Araújo (PSDB-PE), das Cidades.

Núcleo parlamentar

A coisa para o governo não melhora quando o foco recai sobre a sua base aliada no Congresso. Tanto os peemedebistas quanto os tucanos entraram de vez no foco do Ministério Público, com pedidos de investigação que incluem figuras como o senador Aécio Neves (PSDB), visto como virtual candidato tucano à Presidência. Além dele, completam a lista entre os nomes já conhecidos Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara; Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado; Edison Lobão (PMDB-MA), presidente da CCJ do Senado; José Serra (PSDB-SP), senador; Romero Jucá (PMDB-RR), senador, e Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do PMDB no Senado.

Núcleo petista

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), junto com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ganharam também um grande motivo para preocupação, com o pedido de investigação dos dois em decorrência da delação da operação Lava Jato. Ambos serão investigados na primeira instância, pelo juiz Sérgio Moro, caso ele decida torná-los réus. Junto com eles estarão também os ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega, dois já investigados na operação.

Os pedidos de abertura de inquérito foram enviados ao Supremo Tribunal Federal porque entre os alvos há autoridades com foro privilegiado, isto é, que só podem ser investigadas (e depois julgadas, se for o caso) com autorização do STF. São os casos de deputados e senadores, por exemplo. Governadores são investigados e julgados no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para os casos de políticos e demais pessoas que perderam o foro privilegiado – integrantes do governo passado, por exemplo –, o procurador-geral fez 211 pedidos de remessa de trechos das delações para instâncias inferiores da Justiça (o chamado “declínio de competência”).
No total, a Procuradoria Geral da República fez ao Supremo 320 pedidos, sendo 83 de abertura de inquérito; 211 pedidos de remessa de trechos das delações que citam pessoas sem foro no STF para outras instâncias da Justiça; 7 pedidos de arquivamento e 19 outras providências.

Como ‘estranho no ninho’, Ricardo impõe saia justa para Michel Temer

Monteiro (PB) – Presidente Michel Temer durante cerimônia de chegada das Águas do Rio São Francisco à Paraíba (Beto Barata/PR)

Em meio a um campo minado, com pucos aliados por perto, o governador Ricardo Coutinho (PSB) fez um discurso efusivo de defesa dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, e ainda do ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PDT-CE), durante a inauguração das obras da transposição. A solenidade ocorreu nesta sexta-feira (10), em Monteiro, com a presença do presidente Michel Temer (PMDB). O discurso, não transmitido pela estatal NBR por problemas técnicos, foi no sentido contrário ao do seu desafeto político, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), e também de Temer, que se restringiu a classificar como elogiável o trabalho dos que vieram antes dele.

No caso de Cássio, ele elogiou desde o imperador Pedro II até os ex-ministros Cícero Lucena e Fernando Catão. Ambos se dedicaram ao projeto durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Não deixou, vale ressaltar, de citar as importâncias de Lula e Dilma, mas lembrou que a petista atrasou a obra. Ainda aliviou o pé nas críticas ao governo petista, atribuindo o atraso a fatos externos, para não melindrar o ministro da Integração Nacional durante o governo dela, o hoje senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que estava a poucos metros dele no palanque. Isso não o impediu de chamar de corrupto o governo que antecedeu Temer.

Manifestantes foram mantidos longe do palco. Foto: Josusmar Barbosa

Já Ricardo lembrou que Lula nasceu em Pernambuco, mas que sempre foi um parceiro da Paraíba. A Ciro também se referiu como um grande brasileiro e que lutou pela transposição. Lula e Ciro, vale ressaltar, são virtuais candidatos a presidente da República, em 2018. Sobre Dilma, ele lembrou que o governo dela foi responsável pelo pagamento de 70% da obra. Recordou também que o principal ator da transposição foi o povo nordestino. Entre os personagens, recordou do padre Djaci Brasileiro, que foi várias vezes a Brasília com a tradicional cruz de lata cobrar a retirada do projeto da transposição da gaveta.

Protesto

Do lado de fora, longe da solenidade, centenas de pessoas se espremeram nas barreiras de contenção, com cartazes em que se lia volta Lula e gritavam “Fora Temer”. Os gritos eram ouvidos em vários momentos do discurso e foram recepcionados pelo presidente Temer como manifestação e exemplo de democracia. Cássio Cunha Lima descreveu os manifestantes como “inocentes úteis”, sugerindo que eles foram mobilizados pela militância simpática ao ex-presidente.

MBL volta às ruas e agora cobra o fim do desarmamento

Brasília – Vestidos com camisetas nas cores verde e amarelo, manifestantes se reúnem em Brasília a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (Valter Campanato/ Agência Brasil)

O Movimento Brasil Livre (MBL) vai promover manifestações em todo o país no dia 26 de março. A convocação foi divulgada pela direção do movimento que, acreditem, revelou dificuldade para fechar uma pauta. O grupo ganhou notoriedade nos últimos dois anos por denunciar corrupção no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula (PT). O tema corrupção, vale ressaltar, foi varrido do mote atual das manifestações, pensadas, segundo os dirigentes, para “para lembrarmos à classe política que O POVO ACORDOU”.

Veja os temas definidos:

  1. Brasil Sem Partido, pois não queremos um STF que se dobre às vontades deste ou de qualquer outro governo, agindo com lentidão para salvar os que têm Foro Privilegiado, utilizando-se dele para escapar da justiça;
  2. Não queremos interferência política na Lava Jato, nem tampouco que o Estado nos imponha o desarmamento enquanto os bandidos, armados até os dentes, matam nossos familiares;
    Queremos menos Estado e menos impostos;
  3. Queremos reformas que mudem verdadeiramente o país, com autonomia para os municípios e com flexibilização da CLT e a simplificação tributária;

Mesmo sem falar nas denúncias de corrupção dos agentes que integram o governo do presidente Michel Temer (PMDB), com muitos deles citados na operação Lava Jato, o MBL deixa um recado, se colocando como agente principal do impeachment de Dilma: “É hora de a classe política entender que ou seguem a voz das ruas, ou sofrerão as consequências. O impeachment foi um aviso a todos os políticos”.

Temer caminha para o mesmo fim que ajudou a dar a Dilma

Michel Temer

Michel Temer

Passados seis meses da chegada do presidente Michel Temer ao poder, o único legado apresentado pelo peemedebista até o momento foi ter tirado do poder a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), dona de uma gestão desastrosa e que, pelo jeito, fez escola no cargo. Nada do que foi prometido pelo novo governo saiu do papel, pelo menos não o que pode ser colocado na conta de positivo. A economia não dá sinais de melhora, apesar dos prognósticos otimistas do governo. A equipe de ministros escolhida pelo sucessor da petista consegue ser mais desastrosa que a anterior – são seis ministros demitidos em poucos meses. E os motivos são a cereja no bolo: praticamente todos por causa de desvio de conduta ou roubo mesmo.

A grande diferença de Temer em relação a Dilma, até o momento, é a benevolência das elites brasileiras com os erros grotescos do peemedebista na condução tanto no campo econômico como político e ainda a ampla base parlamentar. Condição, cá prá nós, com prazo de validade. O peemedebista chegou ao poder por que ninguém aguentava mais os erros da gestora petista, que fez um primeiro mandato pensando apenas e se reeleger e, para isso, comprometeu a política econômica do país. A paciência dos aliados se esgotou com ela e há fortes indícios de que não vai demorar com o peemedebista, também, que tem o agravante de ter chegado ao poder sem nenhum apoio popular.

Assim como no futebol…

Se Dilma, usando uma linguagem futebolística, era uma espécie de Felipão, que conduziu o país rumo ao 7×1, Temer tem se comportado como um Dunga, cuja cabeça logo estará a prêmio enquanto se procura um Tite para comandar o país. A comparação é grosseira porque na política nacional não salta aos olhos ninguém que possa exercer esse papel de salvador da pátria. Mas não falta quem se venda como opção para tal. É lógico que não haverá pressão ainda neste ano, pois isso resultaria na convocação de eleições diretas, abrindo espaço para uma provável vitória de Lula (PT). Mas a partir de janeiro, tudo muda. A eleição seria indireta, facilitando as coisas para quem tiver o centrão ao seu lado. Chance para Aécio Neves (PSDB).

Se houver pressão popular, é fácil acreditar que o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ande rápido. O relator da ação, o ministro paraibano Herman Benjamin, deverá dar seu voto sobre o processo no próximo ano. Essa é a previsão do presidente da Corte, Gilmar Mendes, externada durante visita à Paraíba, na última sexta-feira (25). Apesar do julgamento ter aspectos técnicos, historicamente, o tribunal sofre muito com as pressões da opinião pública. E isso influencia… e como influencia no resultado final dos julgamentos. Um risco para Temer, que tenta o desmembramento das contas de campanha para tentar sair ileso do processo.

Odebrecht

Esta semana será uma verdadeira prova de fogo para Temer e sua equipe de ministros, por causa das assinaturas da delação dos executivos da  Odebrecht. O que se comenta é a existência de mais de 100 políticos implicados, inclusive o presidente. Dependendo das afirmações e da gravidade delas, não vai faltar pressão sobre o governo. Durante entrevista coletiva neste domingo (27), o próprio presidente, se referindo aos seus auxiliares, expressou preocupação com eventuais denúncias contra eles. Há informações de que o próprio peemedebista teria cobrado propina e que o nome dele pode aparecer entre os delatados.

Mas não era possível imaginar outra coisa quando estava em curso a articulação pela troca de comando do governo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Barroso, na época, demonstrou perplexidade ao analisar as alternativas de poder no país. O tempo mostrou que ele estava certo. Temer colocou em pontos estratégicos do seu governo figuras como o senador Romero Jucá (Planejamento) e Henrique Alves (Turismo), além de outros, e eles são muitos, que só ganham repercussão quando falam alguma besteira. Os dois citados foram demitidos por causa de escândalo. O primeiro, inclusive, ficou conhecido pelas gravações que demonstraram o seu interesse em “estancar a sangria” e acabar com a operação Lava-Jato.

A semente do caos político foi plantada durante o governo Dilma Rousseff e ela pagou o preço no seu segundo mandato. Um destino ao qual Michel Temer dificilmente conseguirá fugir. O escândalo e a crise com Marcelo Calero parece não ter sido o último.

Para Gilmar Mendes, tipificar o “caixa 2” não traz risco para a Lava Jato

Gilmar Mendes durante encontro em João Pessoa. Foto: Suetoni Souto Maior

Gilmar Mendes durante encontro em João Pessoa. Foto: Suetoni Souto Maior

A tipificação do “caixa 2”, em discussão na Câmara dos Deputados, não traz perigos para a operação Lava Jato. A opinião é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que participa, nesta sexta-feira (25), em João Pessoa, da conferência sobre Controle de Convencionalidade, promovida pela Escola Superior da Magistratura (Esma). O magistrado, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se mostrou favorável à movimentação dos deputados, apesar das especulações de que a proposta teria como pano de fundo a anistia dos acusados de “caixa 2”. Durante a entrevista coletiva, ele falou também sobre a proposta que tramita no Senado, que prevê a punição para os casos de abuso de autoridade, além de apresentar uma previsão para o julgamento da chapa Dilma-Temer.

Confira, em tópicos, os melhores trechos da entrevista:

Tipificação dos crimes de “caixa 2” sem riscos para a Lava-Jato

Eu tenho a impressão de que é positiva, a proposta de tipificar como crime o caixa 2. Até por que aqui havia uma certa confusão na própria jurisprudência da Justiça Eleitoral, do TSE. Às vezes se falava que era o crime do artigo 350 do Código Eleitoral, emitir uma declaração. A maioria das vezes se dizia que não havia crime. Então, agora passamos a ter a possibilidade desta definição. Não acho que haja a possibilidade de ela inviabilizar a Lava-Jato buscando uma anistia dos fatos passados. Os fatos anteriores não eram relevantes do ponto de vista jurídico quanto a caixa 2. Agora, se houve corrupção, se houve propina, lavagem de dinheiro, isso já estava caracterizado e será perseguido judicialmente sem maiores problemas. Não vejo que haja risco para a Lava Jato.

Nova carteira de punições para os casos de abuso de autoridade

Eu sou a favor. Aliás, esse projeto foi elaborado sobre a nossa supervisão no Supremo Tribunal Federal, em 2009. Eu entendo que faz falta no Brasil um novo catálogo de crimes de abuso de autoridade. A lei que nós temos é de (19)65 e está totalmente defasada. O que se discute hoje no Congresso não é a conveniência ou não de ter uma lei de abuso de autoridade. O que está se discutindo também no ambiente público é o momento. Se seria avisado fazer isso agora, essa lei, porque a investigação da Lava-Jato e tudo o mais. Eu tenho dito que esse argumento não se sustenta, porque eu não posso supor que os investigadores da Lava-Jato estejam cometendo abuso de autoridade. Até porque se houvesse esse tipo de prática certamente teria outros modos de impugnação. A lei é uma lei moderna. O projeto pode ser aperfeiçoado, mas eu acho oportuno que se legisle sobre o tema consolidando regras sobre o abuso de autoridade. Não tem a ver com o juiz, promotor, delegado… tem a ver com todo mudo, com todo mundo que exerce autoridade. Desde o guarda de esquina, o auditor fiscal, o parlamentar nas CPIs. Em suma, todo mundo que exerce autoridade em relação às pessoas ordinárias, às pessoas comuns, podem ser tentados a cometer abusos de autoridade e esta lei é um anteparo.

Julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE só no ano que vem

Este processo ainda está em tramitação, como vocês sabem, nós estamos na fase de instrução. O ministro Herman Benjamin está na fase de instrução ainda. Muitos daqueles delatores da Lava-Jato estão reiterando depoimentos agora, frente à Justiça Eleitoral, e eu acredito que isso será julgado somente no ano que vem.

Saída de Geddel Vieira Lima do governo federal após polêmica

Acho isso normal. A política é uma atividade muito dinâmica, por isso, os ministros são auxiliares do presidente e surgem problemas de compatibilidade política, de questões relativas à conduta. O próprio governo se formou em um quadro, digamos assim, de um certo improviso. Afinal, com o impeachment da presidente, teve que se fazer uma reunião com uma certa pressa, de afogadilho. Logo deve haver novas mudanças nos ministérios. Se nós formos olhar, aqui ou em outro governo, essa equipe é sempre um negócio instável, então, isso é uma coisa normal.

Inserção de Cida sobre “primeiras mulheres” exclui Dilma Rousseff

A inserção da candidata a prefeita de João Pessoa, Cida Ramos (PSB), sobre as primeiras mulheres a ocuparem postos importantes na sociedade brasileira excluiu a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), afastada do poder por meio de um impeachment. A propaganda tem rodado nos intervalos da programação da TV. Nela, são apresentadas Tereza de Marzo, a primeira mulher a pilotar um avião, em 1922; Ana Neri, a primeira enfermeira, em 1865; Rachel de Queiroz, a primeira na Academia Brasileira de Letras, em 1977; Chiquinha Gonzaga, a primeira compositora, em 1858, e, finalmente, Maria Lenk, a primeira nadadora brasileira a ir a uma Olimpíada, em 1964. A peça publicitária prossegue dizendo que “as primeiras abriram caminho, fizeram história. Agora você também pode fazer e eleger a primeira mulher a governar João Pessoa”, em referência à candidata do PSB.

Neste caso, vale um parêntese. Apesar de os socialistas paraibanos terem engrossado o coro em defesa do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, em nenhum momento a candidata Cida Ramos entrou neste rol. Isso fez, inclusive, com que petistas fizessem cobranças a ela, criando uma saia justa entre socialistas e petistas, que acabou não dando em lugar algum. Esclarecido este ponto, é importante dizer que apesar de não ser apoiadora da ex-presidente, soou estranho Dilma Rousseff não ser lembrada como primeira mulher a ocupar o cargo mais alto da política nacional.

 

PT vai resgatar a campanha pelas “Diretas Já” contra Temer

Executiva do PTA Comissão Executiva Nacional do PT está convocando a militância para uma campanha nos moldes das “Diretas Já”, movimento ocorrido nos últimos anos do regime militar para que as eleições voltassem a ser diretas e não mais ditadas pelo colégio eleitoral. A decisão é um reflexo do impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff (PT), que foi considerada culpada pelo Senado da acusação de ter cometido crime de responsabilidade. Ela foi substituída no cargo por Michel Temer (PMDB), tratado pelos petistas na resolução como “usurpador”, “golpista’ e “sem voto”.

“Se antes havia divergências sobre a proposta de antecipação de eleições presidenciais, agora a situação é outra, pois o Estado tem à frente um governo usurpador, ilegítimo, sem votos, com um programa antipopular e antinacional. A recuperação da legalidade e o restabelecimento da democracia, nessas condições, somente se efetivarão quando as urnas voltarem a se pronunciar e o povo decidir os caminhos da Nação. O que exige construir uma ação conjunta e iniciativas práticas com partidos e entidades populares, capazes de mobilizar e dar efetividade a este objetivo rumo à normalização democrática, como a DIRETAS JÁ”, diz a nota.

 

Confira a íntegra da resolução