No Dia do Trabalho, Dilma Rousseff não trouxe novidades para o trabalhador

Se alguém entregasse, no pós-eleição, ano passado, um roteiro de filme de terror para a presidente Dilma Rousseff (PT), dificilmente conseguiria ser tão fiel ao momento vivido pelo governo. Pior é saber que o roteiro foi escrito por ela mesma, nos últimos meses, com reflexos bem significativos nos seus índices de popularidade. Evitando o pronunciamento na TV, para evitar panelaços, Dilma falou à população em vídeos postados nas redes sociais. Três ao todo.

Foto: reprodução

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Em quatro minutos e oito segundos, contando os três vídeos, ela conseguiu apenas confirmar o que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta quinta-feira. Que Dilma Rousseff não tinha o que falar à população. Uma observação vinda de quem, junto com a cúpula do PMDB, se acostumou a incorporar a face do que há de mais fisiológico no país. Um espaço que, segundo ele, os peemedebistas perderam para o PT.

Mas vamos ao resumo dos vídeos. A única novidade anunciada pela presidente foi a criação do Fórum de Debates sobre Política de Emprego, Trabalho, Renda e Previdência Social. Um espaço para discussão com representação de trabalhadores, aposentados e pensionistas, empresários e governo. Mas nada tão palpável como as medidas provisórias editadas no fim do ano passado, que afetaram pensões, seguro-desemprego, e abono salarial.

Dilma também se posicionou em relação às terceirizações, falando delas como essenciais para regulamentar a situação de 12,7 milhões de brasileiros, mas se colocando contra a terceirização da atividade-fim. Até aí, nada de novo também, já que esse anúncio foi feito ontem pela presidente, depois de cobranças do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Ruim é a observação que no Dia do Trabalhador, frente ao pronunciamento da presidente, o que mais repercutiu nas redes sociais foram os protestos de professores mal pagos e vítimas de agressão por terem ousado reclamar. Lógico que não dá para culpar a presidente diretamente pelo que acontece entre o governo do Paraná e os professores daquele estado, mas os protestos ocorrem em todo o país.

Não custa lembrar, também, que durante a posse da presidente, em janeiro, ela lançou como lema de governo Pátria Educadora. Os protestos já ocorreram nos municípios, se proliferam agora para os estados e vão chegar nas universidades. Felizes mesmo, só os oposicionistas, que têm assunto de sobra para criticar o governo. Hoje o senador Aécio Neves (PSDB-MG) reforçou as críticas e foi seguido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Difícil é saber como João Santana, marqueteiro de Dilma, vai reverter o quadro.

 

Confira os vídeos:

Um dia do trabalho sem partido dos trabalhadores

A presidente Dilma Rousseff (PT) fez o que se esperava dela, nesta quinta-feira (30). Ela reuniu as centrais sindicais no Palácio do Planalto e adotou um discurso contrário à aprovação mais ampla da regulamentação das terceirizações, em tramitação no Congresso. Apesar de achar positiva a medida de uma forma mais ampla, deixa claro ser contra a terceirização da atividade-fim. Um discurso para tentar ganhar a confiança das centrais, desconfiadas com a presidente.

E o filme dela não poderia estar mais queimado. A gestora, para evitar ser alvo de novo panelaço, não vai fazer pronunciamento no primeiro de maio. Vai divulgar vídeos (não se sabe quantos) nas redes sociais. Nem José Sarney (PMDB), no auge da impopularidade, ousou fugir do pronunciamento em rede nacional. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também se mostra contrário à terceirização da atividade-fim, cobrou postura da presidente.

Renan se mostrou disposto a dar apoio à presidente e até segurar a tramitação da terceirização no Senado, mas cobrou um posicionamento da presidente, que acabou ocorrendo hoje, de forma modesta. Ele criticou o fato de a presidente não ter nada, de positivo, para anunciar no dia do trabalho. É interessante lembrar que ela propôs mudanças que, na prática, tiram direitos dos trabalhadores, como a ampliação do prazo para se conseguir seguro desemprego.

Para os petistas, ao contrários dos últimos anos, o Dia do Trabalho será melancólico.

A oposição ainda procura um Fiat Elba para Dilma Rousseff

Não há consenso na oposição em relação à busca do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem gastado o francês dele em seguidas afirmativas de que uma briga judicial pela saída da petista não é positiva. O senador Aécio Neves (PSDB), por outro lado, tem buscado o inverso. Talvez tentando jogar para a galera e fazer Dilma “sangrar mais”, já que todos saber que em caso de impedimento, assume Michel Temer (PMDB).

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Outro ponto é que não há certeza sobre admissibilidade de um processo no mundo jurídico e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), apesar da postura anti-Dilma, não vê possibilidade de um impeachment. Ele recorre ao preceito legal para afirmar isso, já que um presidente não pode ser julgado por fatos pretéritos ao mandato. Mas é bom lembrar que, apesar de as ligações diretas a Dilma não passarem de alquimia política, nunca na história deste país houve tanta denúncia.

O ex-presidente e hoje senador Fernando Collor (PTB) foi cassado em 1992 com a combinação de dois fatores: pressão popular e denúncias de corrupção no governo. Mas diretamente contra ele teve apenas a compra de um Fiat Elba com dinheiro vindo das contas fantasmas criadas pelo tesoureiro da campanha, PC Farias. Contra Dilma falta a compra do carro, mas sobram denúncias e casos que beiram a irresponsabilidade.

Em todas as denúncias, apesar de ninguém ter comprovado ligação, houve sempre algum tipo de influência da presidente. O Petrolão é pródigo nisso. O caso do prejuízo com a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, é um dos pontos. Dilma era presidente do conselho que autorizou o negócio. Os desvios de recursos da Petrobras para financiar campanhas do PT denunciados na operação Lava Jato ocorreram tendo ela como presidente do Conselho de Administração da Petrobras ou como presidente da República.

Na economia, as “pedaladas fiscais” também apontam como a economia brasileira foi conduzida nos últimos anos unicamente pensando nos fins eleitorais. Para piorar, a última pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha revela que 63% da população é a favor do impeachment da presidente. Ou seja, a pressão popular já existe, falta apenas o Fiat Elba.

Em tempo de crise, postura discreta do ex-presidente em visita a Pernambuco

Quem acompanhou nesta sexta-feira (17) o ex-presidente Lula fazer a defesa do PT e do governo Dilma Rousseff durante evento em Pernambuco, pôde perceber um certo abatimento no modo de falar, apesar do usual otimismo no discurso. Diante de João e Eduarda, filhos do ex-presidenciável pernambucano, Eduardo Campos, falecido no ano passado, o petista apostou na derrota dos pessimistas e garantiu que o Brasil vai voltar a crescer.

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O ex-presidente participou de um evento motivacional destinado a 2 mil profissionais de uma cervejeira inaugurada ano passado no estado vizinho. Dois dias depois da prisão do agora ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, Lula disse em alto e bom som, apesar de evitar citar nomes, “que prendam quem roubou”. O petista, apesar do prazo elástico para 2018, é trabalhado pelos colegas de partido para tentar voltar ao poder.

Dentro do projeto de retorno ao Palácio do Planalto, Lula tem feito a defesa de Dilma Rousseff publicamente, apesar dasr críticas em reserva. Também tem adotado uma postura mais discreta para não ter seu nome relacionado aos escândalos puxados pela investigação decorrente da operação Lava Jato, que apura pagamento de propinas ao PT com recursos desviados de contratos da Petrobrás com empreiteiras.

Ontem Lula demonstrou o carisma e a disposição de sempre, mas sabe que o momento é de não se aproximar dos holofotes.

#foraDilma perde força nas ruas, mas a presidente continua impopular

Quem acompanhou a nova edição do protesto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), ontem, em João Pessoa, percebeu que o movimento perdeu força. O que ocorreu na capital paraibana seguiu a mesma linha do restante do país. Mesmo em São Paulo, onde mais de um milhão de pessoas protestaram em 15 de março, não mais que um quarto disso foi visto nas ruas.

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Em João Pessoa, a estimativa da Polícia Militar foi de 300 pessoas na orla, com bandeiras que iam do combate à corrupção ao pedido de golpe militar. Em Campina Grande, não mais que 250 pessoas compareceram ao ato. A resposta a isso foi dada horas antes, com a divulgação da pesquisa do Datafolha. O instituto mostrou que 63% da população quer o impeachment, mais não acredita que ele virá.

Pior, também 63% dos eleitores ouvidos pelo instituto demonstraram absoluto desconhecimento de quem é o vice-presidente Michel Temer. Apenas 13% dos eleitores sabem quem é o vice e que ele assumiria caso Dilma seja retirada do poder. Além disso, acreditem, 12% das pessoas ouvidas pensam que o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), segundo colocado nas eleições de 2014, assumiria o poder. A aprovação da presidente permaneceu na casa dos 13%.

Assíduo mesmo nos protestos, além dos organizadores, só o arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto, que compareceu novamente ao ato, segundo ele, como cidadão. O religioso contraria a orientação da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que, no mês passado, apresentou posicionamento contrário ao impeachment.