Impeachment: um ano depois, acusadores de Dilma são “pegos” na Lava Jato

Sessão no Senado confirmou, meses depois, a saída da presidente Dilma Rousseff do poder. Foto: Divulgação/Agência Senado

Era 17 de abril de 2016 quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ao votar em prol da abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT): “Que Deus tenha misericórdia desta nação. Voto sim”. Foi profético. Um ano depois, o próprio Cunha é um retrato da política nacional. De algoz, passou a vítima. Foi apeado da presidência, perdeu o mandato e foi preso. Para completar, recebeu uma condenação de 15 anos de prisão por causa do recebimento de propina em esquema investigado pela operação Lava Jato.

Mas ele é apenas um entre os 21 deputados que votaram pelo impeachment e hoje são investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) por conta do recebimento de recursos para ‘caixa 2’. Dos parlamentares que votaram naquela sessão do dia 17 de abril de 2016, 39 viraram alvo do STF neste período – 13 deles votaram pela improcedência do julgamento e três eram suplentes e estão sem mandato atualmente. Curiosamente, os parlamentares citaram 65 vezes a palavra “corrupção”, cinco a mais do que “Deus” nos discursos enquanto votavam.

Alguns dos parlamentares foram surpreendidos pelo destino, com casos de corrupção no seio familiar. A deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG) fez críticas à corrupção no governo de Dilma Rousseff, ao passo que elogiava o marido, então prefeito de Montes Claros, em Minas Gerais. Um dia depois da votação, o marido dela, Ruy Muniz, foi preso pela Polícia Federal. A suspeita era de beneficiar o hospital da família com dinheiro público. O gestor tentou se reeleger, mas foi reprovado nas urnas. Ele esteve foragido durante parte da campanha.

 

Honradez?

Outro exemplo de honestidade familiar foi citado por outro mineiro, o deputado federal Caio Nárcio (PSDB-MG). Ele citou a honradez da família. Curiosamente, o pai dele, Narcio Rodrigues (PSDB-MG), foi preso passados pouco mais de um mês da admissibilidade do impeachment. Uma operação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Federal resultou na prisão do ex-deputado federal e ex-secretário de Estado em Minas na gestão Antonio Anastasia (PSDB). Ele é acusado de desvio de recursos do Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada em Águas (Hidroex). Anastaria foi relator do impeachment no Senado.

De decisivo a acusado

Outro ícone daquela votação, Bruno Araújo (PSDB-PE), virou ministro das Cidades do governo de Michel Temer (PMDB), que sucedeu Dilma no comando do país. Araújo deu o voto decisivo, o 342º, para aprovar a abertura do processo. Ele é um dos políticos com investigação autorizada pelo STF. É acusado de ter recebido R$ 600 mil da Odebrecht. O ministro é citado com o codinome de “jujuba” nas planilhas da empreiteira e figura entre os oito ministros do governo investigados na Lava Jato.

 

Outro que roubou a cena na votação foi o deputado Wladimir Costa (SD-PA). Enrolado com a bandeira do Pará, ele soltou um rojão de confetes dizendo que o PT dava o tiro de morte no coração do Brasil. Ele foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do seu estado, acusado de receber dinheiro de fontes não declaradas para a campanha.

Sede o PMDB é pichada pela terceira vez; já pode pedir música no Fantástico

Depredação PMDB2A sede do PMDB, em João Pessoa, foi alvo do terceiro “ataque” de vândalos desde que teve início o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O último caso aconteceu por volta das 18h deste domingo (4), quando, além das inscrições nas paredes, fazendo referência à “casa dos golpistas”, foram quebrados os vidros da entrada principal. O caso foi denunciado pelo tesoureiro do partido, Antônio Souza. Ele prometeu, ainda, entregar as imagens do circuito interno de TV para a polícia. “Urgente, hoje, por vota das 18h, os vândalos do PT picharam novamente a sede do PMDB Estadual, e, ainda, quebraram os vidros da entrada central”, divulgou o tesoureiro em postagens nas redes sociais.

Os peemedebistas da Paraíba apoiaram integralmente o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Na Câmara dos Deputados, Manoel Júnior, Veneziano Vital do Rêgo e Hugo Motta votaram pelo impedimento. O mesmo ocorreu no Senado, quando José Maranhão e Raimundo Lira deram o aval ao afastamento da petista, o que culminou com a posse do presidente Michel Temer, também peemedebista. O caso irritou os petistas paraibanos, ex-apoiadores dos governos do PMDB no Estado. Antônio Souza, talvez por isso, seja direto na acusação aos militantes do partido. É bom um pouco de cautela, já que cabe a quem acusa o ônus da prova. Com três ataques ao prédio, a piada nas redes sociais é que o PMDB já pode pedir música no Fantástico.

Chico Buarque x Kim Kataguiri: se fosse no futebol, seria goleada

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Dilma Rousseff deixa a mesa. Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Quem dispôs de tempo suficiente para assistir a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), nesta segunda-feira (29), no Senado, certamente se surpreendeu com um discurso mais “humano” da gestora conhecida pelo semblante quase sempre duro, de poucos amigos. A petista falou dos momentos mais difíceis da sua vida. Relatou a militância contra a ditadura, o câncer e iminente risco do impeachment. Não chorou, mas em vários momentos embargou a voz ao se confrontar com perguntas mais duras dos adversários. Entre os convidados de gala para a sessão, apoiadores da gestora e adversários que partiram da “insignificância” política para um estrelato sem muita certeza de futuro.

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Aliados da presidente Dilma. Crédito: Lula Marques/Agência PT

Do lado da presidente afastada estavam o cantor e compositor Chico Buarque, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ex-ministros Jacques Wagner (Casa Civil), Eleonora Menicucci (Políticas para as Mulheres) e Miriam Belchior (Planejamento). Do outro, os jovens que encabeçaram os protestos pró-impeachment, a exemplo de Kim Kataguiri, e a advogada Janaína Paschoal, que integrou o grupo que subscreveu o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Se para se livrar do impedimento a presidente pudesse recorrer aos apoiadores contra os “adversários” seria uma goleada. Chico com sua influência popular e Lula com a habilidade política incontestável, apesar de estar às voltas com denúncias de tráfico de influência e corrupção.

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Os defensores do impeachment. Crédito: Lula Marques/Agência PT

A defesa da presidente não é simples. Dilma abusou de errar e admitiu os erros nas suas explanações no Senado, nesta segunda-feira. A presidente segue ladeira abaixo o caminho para a saída do poder, dando lugar ao vice, Michel Temer (PMDB), que de tanto as pessoas estarem cansadas da petista, já aceitam, sem muita resistência, entregar o poder a uma figura com postura política questionável. O calvário da presidente tende a chegar ao fim até a madrugada da quarta-feira (31), com pouquíssima possibilidade de escapar da degola. É uma lição para quem almeja o poder.

Dilma embargou a voz ao responder a Cássio sobre impeachment?

A resposta da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) ao questionamento do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) a respeito de crime de responsabilidade e as causas do impeachment, nesta segunda-feira (29), tem gerado controvérsia. A petista embargou a voz ao falar sobre a pressão das manifestações populares como causa para o seu processo de impedimento? O trecho do depoimento ocorreu por volta dos dez minutos no intervalo do vídeo que mostra a pergunta do parlamentar paraibano. Dilma fala do processo como arma de vingança do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a que, na visão dela, os tucanos se aliaram para dar suporte ao impeachment. Em certo momento, visivelmente emocionada, ela interage com o plenário (não fica claro com quem) e diz “além disso… a vida é assim, senador, dura” e força um sorriso após embargar a voz. Tire suas conclusões.

Após duas ameaças de morte, Cássio pede proteção à Polícia Federal

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Cássio Cunha Lima ao lado do Senador mineiro Aécio Neves. Crédito: George Gianni-PSDB

O senador paraibano e líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB), procurou a Polícia Federal para pedir proteção. Ele diz ter recebido duas cartas com ameaças. Os documentos diziam que ele não passaria o Natal vivo, caso confirmasse o voto favorável ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). O parlamentar integra a linha de frente dos defensores do impedimento da petista e votou a favor do seguimento do processo na fase de pronúncia. O senador paraibano também pretende votar a favor do afastamento em definitivo da presidente na fase final do processo, prevista para ocorrer no fim deste mês. Dilma é acusada de ter praticado crime de responsabilidade durante o segundo mandato e ter permitido gastos sem a autorização do Congresso. Caso deixe o poder, Michel Temer (PMDB-SP) será efetivado no cargo. As informações são da coluna Poder, da Folha de S. Paulo.

Dilma Rousseff: a um passo e perder o mandato em definitivo

Brasília - Senadores aprovam, por 59 votos a 21, o texto principal do relatório da Comissão do Impeachment que recomenda que a presidente afastada Dilma seja levada a julgamento pela Casa (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Brasília – Senadores aprovam, por 59 votos a 21, o texto principal do relatório da Comissão do Impeachment que recomenda que a presidente afastada Dilma seja levada a julgamento pela Casa (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Não adiantaram a eloquência brilhante do advogado José Eduardo Cardozo ou a postura aguerrida dos senadores Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann (PT-PR). Por 59 votos a 21 o plenário do Senado aprovou na madrugada desta quarta-feira (10) o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que julga procedente a denúncia contra a presidenta afastada Dilma Rousseff por crime de responsabilidade. Dilma agora vai a julgamento final pelo plenário do Senado. O resultado da votação foi bastante próximo do esperado pelo governo do presidente interino Michel Temer. Integrantes do governo avaliavam que o governo teria cerca de 60 votos favoráveis pela admissão da pronúncia. Os três senadores paraibanos: Cássio Cunha Lima (PSDB), José Maranhão (PMDB) e Raimundo Lira (PMDB) votaram favorável ao impeachment.

Após a aprovação do texto, os senadores votaram três destaques propostos pelos senadores da oposição. O primeiro queria a retirada da denúncia da imputação de crime de responsabilidade por repasses não realizados ou realizados com atrasos pelo Tesouro Nacional ao Banco do Brasil, relativos à equalização de taxas de juros referentes ao Plano Safra, no exercício de 2015. O texto de Anastasia foi mantido por 58 votos a 22. Os outros dois destaques estavam relacionados a decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso Nacional; o primeiro no valor de R$ 29,9 bilhões e o segundo de R$ 600 milhões. Os dois destaques foram rejeitados. O primeiro também por 58 a 22 e o segundo por 59 a 21.

Seguimento do processo

Acusação e defesa terão que apresentar, no prazo sucessivo de até 48 horas, respectivamente, o libelo acusatório e sua contrariedade, juntamente com até cinco testemunhas legais e mais uma extranumerária para cada uma das partes. Pela parte da defesa de Dilma, José Eduardo Cardozo disse que vai utilizar as seis testemunhas. Já Miguel Reale Jr, advogado da acusação, comunicou que entregará em 24 horas o libelo acusatório e utilizará três testemunhas. A expectativa é que o julgamento final de Dilma ocorra no final do mês de agosto. Com a decisão desta quarta, Dilma vira ré no processo de impeachment. Na última etapa, após o depoimento das testemunhas, os senadores decidirão pela condenação ou a absolvição de Dilma. Na fase final, é preciso o voto de 54 dos 81 senadores para confirmar o impedimento. As sessões de julgamento devem ser agendadas a partir do dia 25 de agosto.

 

Veja como votaram os senadores:

A favor:
Acir Gurgacz (PDT-RO)
Aécio Neves (PSDB-MG)
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
Alvaro Dias (PV-PR)
Ana Amélia (PP-RS)
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
Benedito de Lira (PP-AL)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cidinho Santos (PR-MT)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Cristovam Buarque (PPS-DF)
Dalirio Beber (PSDB-SC)
Dário Berger (PMDB-SC)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Amorim (PSC-SE)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Fernando Collor (PTC-AL)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Gladson Cameli (PP-AC)
Hélio José (PMDB-DF)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
João Alberto Souza (PMDB-MA)
José Agripino (DEM-RN)
José Aníbal (PSDB-SP)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Medeiros (PSD-MT)
Lasier Martins (PDT-RS)
Lúcia Vânia (PSB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Omar Aziz (PSD-AM)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Chaves (PSC-MS)
Raimundo Lira (PMDB-PB)
Reguffe (sem partido-DF)
Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
Ricardo Franco (DEM-SE)
Roberto Rocha (PSB-MA)
Romário (PSB-RJ)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Ronaldo Caiado (DEM-GO)
Rose de Freitas (PMDB-ES)
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Simone Tebet (PMDB-MS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Wellington Fagundes (PR-MT)
Wilder Morais (PP-GO)
Zeze Perrella (PTB-MG)
Contra:
Angela Portela (PT-RR)
Armando Monteiro (PTB-PE)
Elmano Férrer (PTB-PI)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
João Capiberibe (PSB-AP)
Jorge Viana (PT-AC)
José Pimentel (PT-CE)
Kátia Abreu (PMDB-TO)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Otto Alencar (PSD-BA)
Paulo Paim (PT-RS)
Paulo Rocha (PT-PA)
Randolfe Rodrigues (REDE-AP)
Regina Sousa (PT-PI)
Roberto Requião (PMDB-PR)
Roberto Muniz (PP-BA)
Telmário Mota (PDT-RR)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Não votou
Renan Calheiros (PMDB-AL) – presidente do Senado

Com informações da Agência Brasil

Cássio deu “Golpe” na Comissão do Impeachment de Dilma

Cássio e o golpeNão dá para dizer que não causou surpresa. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) aproveitou a sessão desta quarta-feira (13), no Senado, para distribuir o chocolate “Golpe” para os membros da Comissão Especial Processante, que analisa o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A senadora Kátia Abreu (PMDB-GO), ex-ministra e amiga da petista, postou a foto que fez com o parlamentar paraibano, sem esconder a perplexidade. “Vejam o nome do chocolate de senador (SIC) Cássio distribuiu no Senado hoje”.

Os petistas e seus aliados acusam os apoiadores do impeachment, entre eles o senador paraibano, de dar um “golpe” na democracia. Cássio decidiu brincar com a situação, alegam aliados, distribuindo o chocolate peruano, que tem como slogan “Con un solo Golpe derrota el hambre (com um só golpe derrota a fome, em tradução livre)”. O problema é que vários internautas entenderam o ato do senador paraibano como uma confissão.

Dilma usa as redes sociais para agradecer ao povo da Paraíba

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) usou as redes sociais, nesta quarta-feira (15), para agradecer ao povo da Paraíba pela receptividade. Ela participou de audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa, no Espaço Cultural, em João Pessoa, quando foi recepcionada pela militância simpática ao seu retorno ao poder. A presidente é alvo de um processo de impeachment no Congresso e luta para conseguir os votos suficientes para reverter o seu afastamento. O cargo é ocupado atualmente pelo vice-presidente e presidente interino, Michel Temer (PMDB).

Ao lado do governador Ricardo Coutinho (PSB), ela agradeceu também as parcerias com o governo do Estado na área social e de infraestrutura, a exemplo da construção do Centro de Convenções, citado por Dilma como um equipamento que impulsionará a atração do turismo de ventos para o Estado.

Veja no vídeo Dilma dizendo que a árvore da democracia está repleta de parasitas

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) usou o seu discurso no Espaço Cultural, em João Pessoa, nesta quarta-feira (15), para fazer uma analogia onde comparava a democracia a uma árvore. Neste contexto, se referindo ao golpe militar de 1964, disse que a tomada de poder naquele tempo foi como um machado, que simplesmente cortou a árvore. Agora, no que ela chama de golpe parlamentar, a democracia se mantém aparentemente intocada, porém, “a árvore está repleta de parasitas”. A gestora é alvo de um processo de impeachment no Senado e foi afastada do poder. Agora, ela busca apoios para voltar ao Planalto.

Confira o vídeo:

“Perseguição” e “rivalidade” viram tempero para a visita de Dilma

Uma clima de acirramento foi criado para marcar a passagem da presidente Dilma Rousseff (PT) pela Paraíba. A presidente desembarca no Estado com um ambiente propício para a tese de “golpe”, gestado pelo presidente interino Michel Temer (PMDB-SP), tendo como capitão o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A tese corrente, disseminada pelo governador Ricardo Coutinho (PSB), um dos principais aliados da petista, é a de que a Paraíba está sendo vítima de perseguição política por parte de Temer.

RICARDO E DILMA

Algumas questões foram colocadas como ponto para esse entendimento. O primeiro foi o episódio envolvendo as obras do viaduto do Geisel, em João Pessoa. O governador acusa o Ministério das Cidades de ter subtraído de forma ilegal R$ 17,5 milhões das contas do Estado. O empreendimento é considerado vital pelo governador para embalar a campanha de Cida Ramos (PSB) a prefeita de João Pessoa. Ricardo deu entrevistas falando que a Paraíba é perseguida por Temer a pedido dos seus adversários, notadamente o senador tucano Cássio Cunha Lima.

A tese do Ministério das Cidades é outra. O órgão alega que a presidente Dilma Rousseff, antes de ser afastada, liberou a integralidade do dinheiro mesmo sem o governo do Estado ter concluído a obra. Pelo padrão de uso dos recursos do Orçamento Geral da União (OGU), o recursos são liberados mediante a apresentação das medições pela gestão estadual. O governador ainda acusou a Polícia Rodoviária Federal de se negar a fazer a segurança da presidente, entre o Aeroporto Castro Pinto, em Bayeux, e o Espaço Cultural, em João Pessoa. A condução seria feita pela Polícia Militar. A PRF negou a recusa.

Um público de 10 mil pessoas é esperado para o evento promovido no Espaço Cultural. A audiência pública é promovida pela Assembleia Legislativa. A presidente afastada Dilma Rousseff anunciou que sua agenda terá transmitida simultaneamente pelas redes sociais. Ela é alvo de um processo de impeachment no Congresso Nacional e tenta convencer os senadores a votarem contra o impedimento.