Substituindo Ricardo, Cida Ramos é vaiada por petistas contrários à terceirização

Secretária dividia mesa com Dilma Rousseff durante curso para formação de lideranças

O governador Ricardo Coutinho (PSB) se livrou de uma sonora vaia em evento promovido pelo PT, neste sábado (22). Ele foi convidado para compor a mesa ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no curso para formação de lideranças. O socialista foi representado na aula inaugural pela secretária de Desenvolvimento Humano, Cida Ramos. Ela, então, foi o alvo das vaias e gritos de “não à terceirização”. Visivelmente constrangida, a auxiliar do governador teve dificuldade para continuar o discurso. Foi preciso o presidente estadual o partido, Jackson Macedo, pedir coerência à militância. Só depois disso o discurso teve continuidade. Veja vídeo do www.paraibaradioblog.com.br.

O Partido dos Trabalhadores se posicionou, em nota, na semana passada, contra a terceirização da Educação. No documento, o presidente do PT ressaltou o papel de Coutinho nas questões nacionais que incluem o Partido. Apesar disso, manteve a linha crítica ao programa de terceirizações do Estado. “Entendemos que a ideia de melhorar a qualidade da gestão escolar é positiva, todavia, o caminho é equivocado. Para isso existem outros caminhos, a exemplo de parcerias com as universidades públicas, que podem prestar assessoramento à rede, a exemplo da própria UEPB”, diz o texto assinado pelas principais lideranças do partido.

Dilma e Cida participaram do ‘Curso de Difusão do Conhecimento em Gestão Pública e Resistência ao Golpe’. O evento é voltado para movimentos sociais e populares, militantes da esquerda e do PT. De acordo com o presidente do partido, Jackson Macedo, todas as 300 vagas disponíveis foram preenchidas. O curso terá duração de 90 dias.

Resposta de Jackson Macedo

O presidente estadual do PT, Jackson Macedo, em contato com o blog, falou que as vaias contra Cida Ramos não foram puxadas por militantes do partido. Ele lembra que havia muito militante do PT no evento, mas também muitos estudantes da Universidade Federal da Paraíba e secundaristas. “Tinha representantes da APES, da UBES, dirigentes da UNE. Então, basicamente, quem puxou as vaias, que na verdade foram vaias localizadas e pequenas contra a secretária Cida, não foram militantes do PT, não. Foram militantes destas entidades que não são filiadas ao partido. O PT já se manifestou sobre a questão da terceirização e não vai insistir no tema. Esse debate agora cabe às entidades representativas da categoria”, disse.

Em João Pessoa, Dilma volta a se dizer vítima de golpe e diz que ele vem se repetindo

Ex-presidente prevê repercussão do seu impeachment para as eleições de 2018

Dilma Rousseff discursa para lideranças de esquerda durante evento em João Pessoa. Foto: Phillipe Xavier

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) voltou a se dizer vítima de um golpe, no episódio em que foi alvo de um impeachment, em 2016. A petista esteve em João Pessoa, neste sábado (22), para ministrar aula inaugural de um curso para a formação de lideranças. A iniciativa é da Fundação Perseu Abrano, instituição ligada ao Partido dos Trabalhadores. Discursando para um público considerável, no Auditório da Reitoria da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ela falou de machismo, mas admitiu que não foi afastada do cargo por isso. “Não era essa a razão primeira. Ela estava dentro das outras e foi usada para se fazer esse processo”, ressaltou.

Dilma assegura que o processo que a apeou do poder continua produzindo seus efeitos. “Ele vem se repetindo e se reproduzindo”, ressalta, dentro de um contexto em que falava sobre supressão de direitos dos trabalhadores brasileiros. Disse ainda que, dentro deste contexto, busca-se o aumento da desigualdade. O fato, ela reforça, foi registrado nos Estados Unidos e na Europa nos últimos anos. O paralelo não aconteceu no Brasil, com ela no poder, e nem na Argentina, quando era comandada por Cristina Kirchner. “Um homem branco, nos Estados Unidos, na eleição de (Donald) Trump, ganhava o mesmo de 70 anos atrás”, enfatizou.

Sobre a sua saída do poder, disse que a história tem sido implacável com os principais defensores do impeachment. A lista referida por Dilma é longa. Ela é encabeçada pelo presidente Michel Temer (PMDB), alvo de uma denúncia de corrupção passiva. Outro não menos implicado é o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que foi flagrado em áudio pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joésley Batista, da JBS. O terceiro da lista citado por ela é o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele foi cassado e se encontra preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, por determinação do juiz Sérgio Moro.

Preconceito

Ao falar sobre o machismo na política brasileira, Dilma Rousseff lembrou o tratamento recebido quado estava no poder. “Como é que era o discurso comigo? Esta senhora é dura. Como é que eles se refeririam ao homem: ‘ah, ele é forte’. Dura tem um conteúdo subjacente negativo. Essa mulher, ela é obsessiva, trabalha demais, obriga todo mundo a trabalhar. Essa mulher é obsessiva. Como é com o homem? Ele é muito trabalhador, empreendedor e criativo”, criticou.

O ‘Curso de Difusão do Conhecimento em Gestão Pública e Resistência ao Golpe’ é voltado para movimentos sociais e populares, militantes da esquerda e do PT. De acordo com o presidente do partido, Jackson Macedo, todas as 300 vagas disponíveis foram preenchidas. O curso terá duração de 90 dias.

Dilma Rousseff e Gleisi Hoffmann estarão na Paraíba neste mês

Gleisi participa de comício no dia 21 e Dilma faz aula inaugural de curso no dia 22

Dilma Rousseff e Gleisi Hoffmann voltam à Paraíba após quatro meses. Foto: Divulgação/PR

Em meio às discussões sobre a consulta que pede a abertura de processo contra o presidente Michel Temer (PMDB), na Câmara dos Deputados, duas lideranças petistas desembarcam na Paraíba neste mês. As duas, vale ressaltar, viveram cenário parecido. A ex-presidente Dilma Rousseff, alvo de um impeachment no ano passado, estará em João Pessoa no dia 22. Um dia antes, quem desembarca por aqui é a senadora Gleisi Hoffmann, atual presidente nacional do Partido dos Trabalhadores.

Gleisi vai participar do Comício pelas Diretas Já, no dia 21. O evento tem caráter nacional e vem ocorrendo em todos os Estados. O objetivo é buscar o apoio da população para que haja eleição direta em caso de afastamento de Michel Temer do poder. O gestor enfrenta uma semana decisiva na Câmara dos Deputados. Nesta segunda-feira (10) haverá a leitura do relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) na Comissão de Constituição e Justiça. Apesar de peemedebista, os governistas acreditam que o relatório será pela procedência do processo.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou denúncia contra o presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte, como determina a Constituição, pediu autorização à Câmara dos Deputados para processar Temer por corrupção passiva. O texto constitucional também estabelece eleições indiretas para o caso de afastamento do gestor. Os defensores de eleições diretas, por outro lado, entendem que apenas a escolha popular tem potencial de acabar a crise política. O ex-presidente Lula é apontado como virtual candidato dos dos petistas. Para o comício, são esperados também o senador João Capiberibe (PSB-PA) e o economista João Pedro Stédile.

Dilma

Para o dia 22, a ex-presidente Dilma Rousseff foi escalada para a aula inaugural de um curso de Gestão Pública promovido pela Fundação Perseu Abrano. O evento vai acontecer na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no período da tarde. Esta é a segunda vez que a ex-presidente visita a Paraíba neste ano. Em março, ao lado do também ex-presidente Lula, ela esteve na “inauguração popular” da transposição, em Monteiro.

Impeachment: um ano depois, acusadores de Dilma são “pegos” na Lava Jato

Sessão no Senado confirmou, meses depois, a saída da presidente Dilma Rousseff do poder. Foto: Divulgação/Agência Senado

Era 17 de abril de 2016 quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ao votar em prol da abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT): “Que Deus tenha misericórdia desta nação. Voto sim”. Foi profético. Um ano depois, o próprio Cunha é um retrato da política nacional. De algoz, passou a vítima. Foi apeado da presidência, perdeu o mandato e foi preso. Para completar, recebeu uma condenação de 15 anos de prisão por causa do recebimento de propina em esquema investigado pela operação Lava Jato.

Mas ele é apenas um entre os 21 deputados que votaram pelo impeachment e hoje são investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) por conta do recebimento de recursos para ‘caixa 2’. Dos parlamentares que votaram naquela sessão do dia 17 de abril de 2016, 39 viraram alvo do STF neste período – 13 deles votaram pela improcedência do julgamento e três eram suplentes e estão sem mandato atualmente. Curiosamente, os parlamentares citaram 65 vezes a palavra “corrupção”, cinco a mais do que “Deus” nos discursos enquanto votavam.

Alguns dos parlamentares foram surpreendidos pelo destino, com casos de corrupção no seio familiar. A deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG) fez críticas à corrupção no governo de Dilma Rousseff, ao passo que elogiava o marido, então prefeito de Montes Claros, em Minas Gerais. Um dia depois da votação, o marido dela, Ruy Muniz, foi preso pela Polícia Federal. A suspeita era de beneficiar o hospital da família com dinheiro público. O gestor tentou se reeleger, mas foi reprovado nas urnas. Ele esteve foragido durante parte da campanha.

 

Honradez?

Outro exemplo de honestidade familiar foi citado por outro mineiro, o deputado federal Caio Nárcio (PSDB-MG). Ele citou a honradez da família. Curiosamente, o pai dele, Narcio Rodrigues (PSDB-MG), foi preso passados pouco mais de um mês da admissibilidade do impeachment. Uma operação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Federal resultou na prisão do ex-deputado federal e ex-secretário de Estado em Minas na gestão Antonio Anastasia (PSDB). Ele é acusado de desvio de recursos do Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada em Águas (Hidroex). Anastaria foi relator do impeachment no Senado.

De decisivo a acusado

Outro ícone daquela votação, Bruno Araújo (PSDB-PE), virou ministro das Cidades do governo de Michel Temer (PMDB), que sucedeu Dilma no comando do país. Araújo deu o voto decisivo, o 342º, para aprovar a abertura do processo. Ele é um dos políticos com investigação autorizada pelo STF. É acusado de ter recebido R$ 600 mil da Odebrecht. O ministro é citado com o codinome de “jujuba” nas planilhas da empreiteira e figura entre os oito ministros do governo investigados na Lava Jato.

 

Outro que roubou a cena na votação foi o deputado Wladimir Costa (SD-PA). Enrolado com a bandeira do Pará, ele soltou um rojão de confetes dizendo que o PT dava o tiro de morte no coração do Brasil. Ele foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do seu estado, acusado de receber dinheiro de fontes não declaradas para a campanha.

Sede o PMDB é pichada pela terceira vez; já pode pedir música no Fantástico

Depredação PMDB2A sede do PMDB, em João Pessoa, foi alvo do terceiro “ataque” de vândalos desde que teve início o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O último caso aconteceu por volta das 18h deste domingo (4), quando, além das inscrições nas paredes, fazendo referência à “casa dos golpistas”, foram quebrados os vidros da entrada principal. O caso foi denunciado pelo tesoureiro do partido, Antônio Souza. Ele prometeu, ainda, entregar as imagens do circuito interno de TV para a polícia. “Urgente, hoje, por vota das 18h, os vândalos do PT picharam novamente a sede do PMDB Estadual, e, ainda, quebraram os vidros da entrada central”, divulgou o tesoureiro em postagens nas redes sociais.

Os peemedebistas da Paraíba apoiaram integralmente o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Na Câmara dos Deputados, Manoel Júnior, Veneziano Vital do Rêgo e Hugo Motta votaram pelo impedimento. O mesmo ocorreu no Senado, quando José Maranhão e Raimundo Lira deram o aval ao afastamento da petista, o que culminou com a posse do presidente Michel Temer, também peemedebista. O caso irritou os petistas paraibanos, ex-apoiadores dos governos do PMDB no Estado. Antônio Souza, talvez por isso, seja direto na acusação aos militantes do partido. É bom um pouco de cautela, já que cabe a quem acusa o ônus da prova. Com três ataques ao prédio, a piada nas redes sociais é que o PMDB já pode pedir música no Fantástico.

Chico Buarque x Kim Kataguiri: se fosse no futebol, seria goleada

ER_Julgamento-Impeachment-Dilma-Rousseff-terceiro-dia-segunda-feira_01308292016

Dilma Rousseff deixa a mesa. Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Quem dispôs de tempo suficiente para assistir a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), nesta segunda-feira (29), no Senado, certamente se surpreendeu com um discurso mais “humano” da gestora conhecida pelo semblante quase sempre duro, de poucos amigos. A petista falou dos momentos mais difíceis da sua vida. Relatou a militância contra a ditadura, o câncer e iminente risco do impeachment. Não chorou, mas em vários momentos embargou a voz ao se confrontar com perguntas mais duras dos adversários. Entre os convidados de gala para a sessão, apoiadores da gestora e adversários que partiram da “insignificância” política para um estrelato sem muita certeza de futuro.

LM_Julgamento-Impeachment-Dilma-Rousseff-terceiro-dia-segunda-feira_01008292016

Aliados da presidente Dilma. Crédito: Lula Marques/Agência PT

Do lado da presidente afastada estavam o cantor e compositor Chico Buarque, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ex-ministros Jacques Wagner (Casa Civil), Eleonora Menicucci (Políticas para as Mulheres) e Miriam Belchior (Planejamento). Do outro, os jovens que encabeçaram os protestos pró-impeachment, a exemplo de Kim Kataguiri, e a advogada Janaína Paschoal, que integrou o grupo que subscreveu o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Se para se livrar do impedimento a presidente pudesse recorrer aos apoiadores contra os “adversários” seria uma goleada. Chico com sua influência popular e Lula com a habilidade política incontestável, apesar de estar às voltas com denúncias de tráfico de influência e corrupção.

LM_Julgamento-Impeachment-Dilma-Rousseff-terceiro-dia-segunda-feira_01708292016

Os defensores do impeachment. Crédito: Lula Marques/Agência PT

A defesa da presidente não é simples. Dilma abusou de errar e admitiu os erros nas suas explanações no Senado, nesta segunda-feira. A presidente segue ladeira abaixo o caminho para a saída do poder, dando lugar ao vice, Michel Temer (PMDB), que de tanto as pessoas estarem cansadas da petista, já aceitam, sem muita resistência, entregar o poder a uma figura com postura política questionável. O calvário da presidente tende a chegar ao fim até a madrugada da quarta-feira (31), com pouquíssima possibilidade de escapar da degola. É uma lição para quem almeja o poder.

Dilma embargou a voz ao responder a Cássio sobre impeachment?

A resposta da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) ao questionamento do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) a respeito de crime de responsabilidade e as causas do impeachment, nesta segunda-feira (29), tem gerado controvérsia. A petista embargou a voz ao falar sobre a pressão das manifestações populares como causa para o seu processo de impedimento? O trecho do depoimento ocorreu por volta dos dez minutos no intervalo do vídeo que mostra a pergunta do parlamentar paraibano. Dilma fala do processo como arma de vingança do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a que, na visão dela, os tucanos se aliaram para dar suporte ao impeachment. Em certo momento, visivelmente emocionada, ela interage com o plenário (não fica claro com quem) e diz “além disso… a vida é assim, senador, dura” e força um sorriso após embargar a voz. Tire suas conclusões.

Após duas ameaças de morte, Cássio pede proteção à Polícia Federal

Cássio e Aécio neves-George Gianni-PSDB

Cássio Cunha Lima ao lado do Senador mineiro Aécio Neves. Crédito: George Gianni-PSDB

O senador paraibano e líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB), procurou a Polícia Federal para pedir proteção. Ele diz ter recebido duas cartas com ameaças. Os documentos diziam que ele não passaria o Natal vivo, caso confirmasse o voto favorável ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). O parlamentar integra a linha de frente dos defensores do impedimento da petista e votou a favor do seguimento do processo na fase de pronúncia. O senador paraibano também pretende votar a favor do afastamento em definitivo da presidente na fase final do processo, prevista para ocorrer no fim deste mês. Dilma é acusada de ter praticado crime de responsabilidade durante o segundo mandato e ter permitido gastos sem a autorização do Congresso. Caso deixe o poder, Michel Temer (PMDB-SP) será efetivado no cargo. As informações são da coluna Poder, da Folha de S. Paulo.

Dilma Rousseff: a um passo e perder o mandato em definitivo

Brasília - Senadores aprovam, por 59 votos a 21, o texto principal do relatório da Comissão do Impeachment que recomenda que a presidente afastada Dilma seja levada a julgamento pela Casa (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Brasília – Senadores aprovam, por 59 votos a 21, o texto principal do relatório da Comissão do Impeachment que recomenda que a presidente afastada Dilma seja levada a julgamento pela Casa (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Não adiantaram a eloquência brilhante do advogado José Eduardo Cardozo ou a postura aguerrida dos senadores Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann (PT-PR). Por 59 votos a 21 o plenário do Senado aprovou na madrugada desta quarta-feira (10) o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que julga procedente a denúncia contra a presidenta afastada Dilma Rousseff por crime de responsabilidade. Dilma agora vai a julgamento final pelo plenário do Senado. O resultado da votação foi bastante próximo do esperado pelo governo do presidente interino Michel Temer. Integrantes do governo avaliavam que o governo teria cerca de 60 votos favoráveis pela admissão da pronúncia. Os três senadores paraibanos: Cássio Cunha Lima (PSDB), José Maranhão (PMDB) e Raimundo Lira (PMDB) votaram favorável ao impeachment.

Após a aprovação do texto, os senadores votaram três destaques propostos pelos senadores da oposição. O primeiro queria a retirada da denúncia da imputação de crime de responsabilidade por repasses não realizados ou realizados com atrasos pelo Tesouro Nacional ao Banco do Brasil, relativos à equalização de taxas de juros referentes ao Plano Safra, no exercício de 2015. O texto de Anastasia foi mantido por 58 votos a 22. Os outros dois destaques estavam relacionados a decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso Nacional; o primeiro no valor de R$ 29,9 bilhões e o segundo de R$ 600 milhões. Os dois destaques foram rejeitados. O primeiro também por 58 a 22 e o segundo por 59 a 21.

Seguimento do processo

Acusação e defesa terão que apresentar, no prazo sucessivo de até 48 horas, respectivamente, o libelo acusatório e sua contrariedade, juntamente com até cinco testemunhas legais e mais uma extranumerária para cada uma das partes. Pela parte da defesa de Dilma, José Eduardo Cardozo disse que vai utilizar as seis testemunhas. Já Miguel Reale Jr, advogado da acusação, comunicou que entregará em 24 horas o libelo acusatório e utilizará três testemunhas. A expectativa é que o julgamento final de Dilma ocorra no final do mês de agosto. Com a decisão desta quarta, Dilma vira ré no processo de impeachment. Na última etapa, após o depoimento das testemunhas, os senadores decidirão pela condenação ou a absolvição de Dilma. Na fase final, é preciso o voto de 54 dos 81 senadores para confirmar o impedimento. As sessões de julgamento devem ser agendadas a partir do dia 25 de agosto.

 

Veja como votaram os senadores:

A favor:
Acir Gurgacz (PDT-RO)
Aécio Neves (PSDB-MG)
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
Alvaro Dias (PV-PR)
Ana Amélia (PP-RS)
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
Benedito de Lira (PP-AL)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cidinho Santos (PR-MT)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Cristovam Buarque (PPS-DF)
Dalirio Beber (PSDB-SC)
Dário Berger (PMDB-SC)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Amorim (PSC-SE)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Fernando Collor (PTC-AL)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Gladson Cameli (PP-AC)
Hélio José (PMDB-DF)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
João Alberto Souza (PMDB-MA)
José Agripino (DEM-RN)
José Aníbal (PSDB-SP)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Medeiros (PSD-MT)
Lasier Martins (PDT-RS)
Lúcia Vânia (PSB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Omar Aziz (PSD-AM)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Chaves (PSC-MS)
Raimundo Lira (PMDB-PB)
Reguffe (sem partido-DF)
Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
Ricardo Franco (DEM-SE)
Roberto Rocha (PSB-MA)
Romário (PSB-RJ)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Ronaldo Caiado (DEM-GO)
Rose de Freitas (PMDB-ES)
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Simone Tebet (PMDB-MS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Wellington Fagundes (PR-MT)
Wilder Morais (PP-GO)
Zeze Perrella (PTB-MG)
Contra:
Angela Portela (PT-RR)
Armando Monteiro (PTB-PE)
Elmano Férrer (PTB-PI)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
João Capiberibe (PSB-AP)
Jorge Viana (PT-AC)
José Pimentel (PT-CE)
Kátia Abreu (PMDB-TO)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Otto Alencar (PSD-BA)
Paulo Paim (PT-RS)
Paulo Rocha (PT-PA)
Randolfe Rodrigues (REDE-AP)
Regina Sousa (PT-PI)
Roberto Requião (PMDB-PR)
Roberto Muniz (PP-BA)
Telmário Mota (PDT-RR)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Não votou
Renan Calheiros (PMDB-AL) – presidente do Senado

Com informações da Agência Brasil

Cássio deu “Golpe” na Comissão do Impeachment de Dilma

Cássio e o golpeNão dá para dizer que não causou surpresa. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) aproveitou a sessão desta quarta-feira (13), no Senado, para distribuir o chocolate “Golpe” para os membros da Comissão Especial Processante, que analisa o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A senadora Kátia Abreu (PMDB-GO), ex-ministra e amiga da petista, postou a foto que fez com o parlamentar paraibano, sem esconder a perplexidade. “Vejam o nome do chocolate de senador (SIC) Cássio distribuiu no Senado hoje”.

Os petistas e seus aliados acusam os apoiadores do impeachment, entre eles o senador paraibano, de dar um “golpe” na democracia. Cássio decidiu brincar com a situação, alegam aliados, distribuindo o chocolate peruano, que tem como slogan “Con un solo Golpe derrota el hambre (com um só golpe derrota a fome, em tradução livre)”. O problema é que vários internautas entenderam o ato do senador paraibano como uma confissão.