Reforma trabalhista é aprovada com voto majoritário da bancada paraibana

Apenas Luiz Couto e Veneziano foram contra a medida

Brasília – Deputados de partidos de oposição ao governo tentam adiar a votação em plenário do projeto de lei (6787/16), que trata da reforma trabalhista (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Oito dos dez deputados federais paraibanos que compareceram ao plenário da Câmara dos Deputados votaram a favor da reforma trabalhista, proposta pelo presidente Michel Temer (PMDB). Apenas os deputados Luiz Couto (PT) e Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) votaram contra a matéria. Dois parlamentares não compareceram à votação da matéria altera mais de 100 artigos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Não compareceram à votação os deputados federais Damião Feliciano (PDT) e Wellington Roberto (PR).  LEIA MAIS

Impeachment: um ano depois, acusadores de Dilma são “pegos” na Lava Jato

Sessão no Senado confirmou, meses depois, a saída da presidente Dilma Rousseff do poder. Foto: Divulgação/Agência Senado

Era 17 de abril de 2016 quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ao votar em prol da abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT): “Que Deus tenha misericórdia desta nação. Voto sim”. Foi profético. Um ano depois, o próprio Cunha é um retrato da política nacional. De algoz, passou a vítima. Foi apeado da presidência, perdeu o mandato e foi preso. Para completar, recebeu uma condenação de 15 anos de prisão por causa do recebimento de propina em esquema investigado pela operação Lava Jato.

Mas ele é apenas um entre os 21 deputados que votaram pelo impeachment e hoje são investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) por conta do recebimento de recursos para ‘caixa 2’. Dos parlamentares que votaram naquela sessão do dia 17 de abril de 2016, 39 viraram alvo do STF neste período – 13 deles votaram pela improcedência do julgamento e três eram suplentes e estão sem mandato atualmente. Curiosamente, os parlamentares citaram 65 vezes a palavra “corrupção”, cinco a mais do que “Deus” nos discursos enquanto votavam.

Alguns dos parlamentares foram surpreendidos pelo destino, com casos de corrupção no seio familiar. A deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG) fez críticas à corrupção no governo de Dilma Rousseff, ao passo que elogiava o marido, então prefeito de Montes Claros, em Minas Gerais. Um dia depois da votação, o marido dela, Ruy Muniz, foi preso pela Polícia Federal. A suspeita era de beneficiar o hospital da família com dinheiro público. O gestor tentou se reeleger, mas foi reprovado nas urnas. Ele esteve foragido durante parte da campanha.

 

Honradez?

Outro exemplo de honestidade familiar foi citado por outro mineiro, o deputado federal Caio Nárcio (PSDB-MG). Ele citou a honradez da família. Curiosamente, o pai dele, Narcio Rodrigues (PSDB-MG), foi preso passados pouco mais de um mês da admissibilidade do impeachment. Uma operação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Federal resultou na prisão do ex-deputado federal e ex-secretário de Estado em Minas na gestão Antonio Anastasia (PSDB). Ele é acusado de desvio de recursos do Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada em Águas (Hidroex). Anastaria foi relator do impeachment no Senado.

De decisivo a acusado

Outro ícone daquela votação, Bruno Araújo (PSDB-PE), virou ministro das Cidades do governo de Michel Temer (PMDB), que sucedeu Dilma no comando do país. Araújo deu o voto decisivo, o 342º, para aprovar a abertura do processo. Ele é um dos políticos com investigação autorizada pelo STF. É acusado de ter recebido R$ 600 mil da Odebrecht. O ministro é citado com o codinome de “jujuba” nas planilhas da empreiteira e figura entre os oito ministros do governo investigados na Lava Jato.

 

Outro que roubou a cena na votação foi o deputado Wladimir Costa (SD-PA). Enrolado com a bandeira do Pará, ele soltou um rojão de confetes dizendo que o PT dava o tiro de morte no coração do Brasil. Ele foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do seu estado, acusado de receber dinheiro de fontes não declaradas para a campanha.

Projeto aprovado na Câmara dos Deputados praticamente sepulta o Uber em João Pessoa

Câmara se reúne para a votação do projeto. Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

A felicidade dos defensores dos aplicativos de transporte individual privado pago de passageiros, a exemplo do Uber, durou pouco. Logo depois de a Câmara dos Deputados aprovar nesta terça-feira (4), em votação simbólica, o texto-base do projeto que autoriza o sistema, uma emenda praticamente inviabilizou o funcionamento desses aplicativos nos moldes do que existe hoje. O texto original, relatado pelo deputado federal Daniel Coelho (PSDB-PE), previa que caberia às prefeituras regulamentar os serviços, porém, a emenda, aprovada por 226 votos a 182, retirou do projeto o trecho que estabelece que o transporte individual de passageiros é uma atividade de natureza privada.

“Como a emenda tira a parte que diz que é uma atividade privada, transforma em pública. Atividade pública precisa de concessão. Se os municípios não têm legislação montada, você inviabiliza”, disse Coelho. Em João Pessoa, por exemplo, existe uma lei que proíbe o funcionamento do transporte privado pago de passageiros e o vereador Lucas de Brito (PSL) é o autor de uma proposta que revoga a regra anterior e disciplina o funcionamento do Uber. Como a matéria ainda não foi aprovada na capital, caso o Senado mantenha o entendimento da Câmara dos Deputados, valerá a regra em vigor na capital e o transporte mediado pelos aplicativos será ilegal.

Crítica do Uber

Após a votação, o Uber divulgou nota: “É importante frisar que o PL 5587/16 propõe uma lei retrógrada que não regula o Uber no Brasil, mas tenta transformá-la em táxi, proibindo então este modelo de mobilidade. O PL segue agora para o Senado Federal, onde o debate sobre a tecnologia deve continuar, garantindo que seja ouvida a voz de milhões de pessoas no Brasil que desejam ter seu direito de escolha assegurado”, diz a nota. O responsável pela emenda que modificou o projeto, Carlos Zarattini, defendeu a mudança alegando que a “atividade de transporte individual de passageiros, para ser controlada pelas prefeituras, tem de ter caráter público”.

A emenda foi criticada por Daniel Coelho, para quem as alterações vão fazer com que os motoristas do Uber sejam transformados em taxistas e, novamente, haveria reserva de mercado. “Você vai inviabilizar o táxi também porque você está criando aqui um monstrengo. Primeiro, vai inviabilizar o Uber e depois vai inviabilizar o táxi porque, no momento em que o município fizer a regulamentação, fizer uma ampliação de frota e transformar o sistema de Uber, Cabify em táxi, o que é que você vai ter? O dobro da frota”, afirmou Daniel Coelho.

Como votaram os paraibanos

Da bancada paraibana, apenas os deputados Efraim Filho (DEM) e Pedro Cunha Lima (PSDB) votaram cotra a emenda que inviabilizou o Uber. Votaram a favor Damião Feliciano (PDT), André Amaral (PMDB), Hugo Motta (PMDB), Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), Wellington Roberto (PR), Rômulo Gouveia (PSD) e Luiz Couto (PT). Não compareceram à votação Aguinaldo Ribeiro (PP), Wilson Filho (PTB) e Benjamin Maranhão (SD).

 

Gervásio prega diálogo e não acredita em afastamento do cargo

Gervásio Maia fala em diálogo após pressão dos colegas na Casa. Foto: Roberto Guedes/ALPB

O presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB), defendeu o diálogo com os colegas de parlamento ao ser questionado sobre as insatisfações na Casa. Desde a semana passada, uma “rebelião” é desenhada nos bastidores, com parlamentares falando até no afastamento do parlamentar da presidência. Ao ser abordado sobre o assunto, nesta terça-feira (28), o presidente da Casa desconversou. Segundo ele, apesar das críticas de aliados e adversários, está aberto para conversar com todos.

“Faz parte do colegiado. Eu só posso dizer e devo dizer que estarei e estou aberto ao diálogo, não apenas com os que integram a Casa, mas com todos os que por aqui transitam. Os que procuram a Casa do povo para qualquer reivindicação. Eu gosto muito de dialogar e penso que o diálogo é a base de tudo”, enfatizou. Sobre o suposto afastamento, foi evasivo. “Olha, eu confesso a você que não vejo absolutamente nada disso. Converso muito com a bancada governista como também com a bancada de oposição e não vejo isso”, acrescentou.

As críticas à condução de Gervásio Maia na Assembleia Legislativa ocorrem principalmente por conta da não contratação dos assessores dos parlamentares. Em contato com o blog, um deles relatou o contrário do que o presidente diz em público. “Ele (Gervásio) precisa baixar a bola. Como é que um deputado vai falar com o presidente e leva 40 minutos de chá de cadeira e ainda não é atendido? E tem mais, tem contenção de despesas, ele precisa mostrar e não ficar contratando apenas pessoas para agradar ao governador (Ricardo Coutinho)”.

Na manhã desta terça-feira (28), um parlamentar ouvido em reserva pela repórter do Jornal da Paraíba, Angélica Nunes, enfatizou que as reclamações são muitas, mas que não faria cobranças por entender que as discussões são apenas fisiológicas. “Querer afastar um presidente só por não ser contemplado por cargos e muito pequeno”, disse. Nesta segunda-feira, o deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB) saiu em defesa de Gervásio Maia, com críticas à movimentação contrária ao presidente. Ele foi rebatido por outro governista, em off: “Ricardo Barbosa é um dos poucos que foi atendido plenamente”.

 

Deputados se articulam para tirar Gervásio da presidência da Assembleia

Gervásio Maia é criticado pelos próprios colegas na Assembleia. Foto: Francisco França

O deputado estadual Gervásio Maia (PSB) começa a viver um verdadeiro inferno astral menos de dois meses após assumir a presidência da Assembleia Legislativa. Entre a pompa da posse e a realidade do dia a dia, ele começa a acumular adversários dentro do Legislativo, inclusive, com um movimento já consolidado para votar o seu afastamento do comando do Poder e convocar novas eleições. O tema foi colocado em pauta durante reunião secreta ocorrida na manhã desta sexta-feira (24), envolvendo deputados governistas e da oposição.

“Tínhamos muita esperança em Gervásio Maia como presidente da Assembleia Legislativa, mas ele tem se empenhado muito mais em ter o nome guindado à condição de candidato do governador (Ricardo Coutinho) para a sucessão que mesmo administrar a Casa”, disse em reserva um deputado estadual governista. As insatisfação vão da não contratação de pessoal indicado pelos parlamentares até o atraso no pagamento de pessoal, antes pago entre os dias 20 e 22 e que agora ficou para o dia 27.

Um outro deputado governista tem se queixado de que nem a secretária dele foi recontratada pelo deputado e há questionamentos sobre o que tem ocorrido com o dinheiro do duodécimo pago até o dia 20 pelo governo do Estado. O primeiro a reclamar de Gervásio Maia publicamente foi o deputado Janduhy Carneiro (Podemos), que fez pronunciamento nesta semana. Ele se antecipou nas críticas ao ouvir de um colega de parlamento que os gabinetes dos deputados de oposição teriam a estrutura de funcionamento reduzida ainda mais.

“Eu vou fazer novo pronunciamento na próxima terça-feira (28). Gervásio tem atuado com descaso em relação à nossa atuação parlamentar”, desabafou Carneiro, ao ser ouvido pelo blog nesta sexta-feira. Ele alega que não participou da reunião que discutiu nesta sexta estratégias para o afastamento do atual presidente. Um governista, ao ser informado pelo blog da disposição de Janduhy Carneiro de fazer pronunciamento, foi taxativo. “Ele vai fazer pronunciamento, né? Então vai incendiar o debate. Só falta quem puxe”, enfatizou.

A tese dos neo-adversários de Gervásio Maia é esperar o retorno do primeiro secretário da Mesa Diretora, Ricardo Barbosa (PSB), que se encontra na China, em viagem acertada pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). A partir daí, seria votado o afastamento do atual presidente, abrindo caminho para a posse provisória do vice, João Bosco Carneiro (PSL). Caberia a ele, então, a convocação de novas eleições para o cargo de presidente da Casa dentro de 90 dias.

Vaiado

A “rebelião” no Legislativo contra Gervásio Maia ocorre na mesma semana em que ele foi vaiado durante o ato realizado para marcar a “Inauguração Popular da Transposição”, em Monteiro. O parlamentar foi recepcionado aos gritos de golpista e recebeu uma sonora vaia enquanto discursava ao lado dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Maia tem trabalhado para ser indicado por Ricardo Coutinho para disputar o governo do Estado pelo PSB.

PP tenta emplacar Aguinaldo Ribeiro na CCJ da Câmara

Depois de ver fracassado na tentativa de emplacar Jovair Arantes (PTB) na presidência da Câmara dos Deputados, os partidos que formam o centrão agora se movimentam para levar o deputado paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O bloco, considerado vital por Michel Temer (PMDB) no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), foi minado pelo Planalto, que temia se tornar refém do grupo. A CCJ, neste caso, viria como um prêmio de consolação.

Vale lembrar que a comissão é a principal da Casa e passará por ela, neste ano, todas as matérias consideradas importantes pelo governo federal. Ribeiro é um dos citados nas delações da operação Lava Jato, mas isso não pode figurar como impedimento depois que o governo federal bancou a escolha de Edison Lobão (PMDB-MA) para a CCJ do Senado. O paraibano também chegou a ser especulado para o cargo de ministro da Saúde, para o lugar de Ricardo Barros, mas a indicação não foi adiante.

Rodrigo Maia é reeleito, Bolsonaro dá vexame e Rômulo fica com a 4ª Secretaria

Rodrigo Maia discursa para os colegas durante sessão. Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito nesta quinta-feira (2) para um novo mandato à frente da Câmara dos Deputados. Ele teve o nome sacramentado com 293 votos, seguido de Jovair Arantes (PTB-GO), com 105 votos; André Figueiredo (PDT-CE), com 59; Júlio Delgado (PSB-MG), com 28 votos, e Luiza Erundina (Pson-SP), com 10. O “badalado” e polêmico deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato a presidente da República em 2018, completou a lista de postulantes com inexpressivos 4 votos (certamente o dele, o do filho, Eduardo, e outros dois).

 

Foto: Reprodução/TV Câmara

Foram registrados cinco votos em branco. Com o resultado, Maia permanece no comando da Casa até o final de 2018. A eleição confirmou o favoritismo do democrata que contava com o apoio do Palácio do Planalto. Apoiado por um bloco formado por 13 partidos, ele também contou com o apoio do PCdoB para a sua eleição, apesar da legenda ter formado um bloco com o PT e o PDT, que apoiaram a eleição de André Figueiredo (PDT-CE).

Foto: Reprodução/TV Câmara

O deputado federal paraibano Rômulo Gouveia (PSD) foi eleito para a quarta secretaria. O cargo é responsável, entre outras coisas, pela concessão de auxílio moradia para os parlamentares. Durante entrevista à CBN João Pessoa, na manhã desta quinta-feira, o parlamentar demonstrou otimismo em relação à eleição. Ele conquistou 433 votos no pleito.

Discursos

Antes da eleição, os candidatos ocuparam a tribuna para apresentar suas propostas. Primeiro candidato a falar, Maia começou seu discurso mostrando solidariedade à família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela morte cerebral da ex-primeira dama Marisa Letícia, decretada na manhã desta quinta.

Na oportunidade, ele criticou a judicialização do processo de escolha da Mesa Diretora da Casa. A candidatura de Maia foi alvo de quatro ações no Supremo Tribunal Federal que questionavam sua legalidade. “Muito se fala em fortalecimento da nossa Casa, muito se fala em fortalecimento da Câmara, mas mais uma vez o ator principal da nossa eleição foi o poder Judiciário e, por incrível que pareça, por decisão dos próprios políticos. Essa é uma decisão que vem enfraquecendo a nossa casa”, disse Maia.

Segundo Maia, para que país saia da crise, é preciso que se discuta o pacto federativo, para aliviar o caixa dos estados e municípios. O candidato também defendeu as reformas Trabalhista e Previdenciária. Maia presidiu a Câmara por sete meses, em substituição ao ex-deputado Eduardo Cunha. Durante sua gestão, manteve boa relação com o Poder Executivo. Para ele, não só a independência dos Poderes é importante, mas também a harmonia entre eles.

Em seguida, foi a vez de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ocupar a tribuna. O candidato disse que o Brasil vive uma crise entre os três Poderes e que a eleição do novo presidente precisa resgatar a credibilidade da Casa. “Hoje temos um Câmara que não cria lei, que não fiscaliza, que não representa os anseios do povo. O pode Legislativo se apresenta subserviente ao Executivo e ao Judiciário”, disse Bolsonaro em seu discurso.

Jovair Arantes (PTB-GO) discursou na sequência e dedicou boa parte de sua fala para tratar do funcionamento da Câmara. Ele defendeu rodízio “rigoroso” nas presidências e relatorias de comissões, dando “protagonismo aos deputados dos mais variados cantos do Brasil”. Arantes também defendeu que as sessões deliberativas terminem antes das 21h. “Aqui não é boate para funcionar à noite”, disse.

Candidato avulso pelo PSB, Júlio Delgado (MG) foi o quarto a ocupar a tribuna e criticou a candidatura de Maia à reeleição. Delgado leu trechos da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello que liberou a candidatura de Maia, mas determinou que ele se pronuncie a respeito dos questionamentos sobre a ilegalidade de sua candidatura.

Maia assumiu o cargo em julho passado, após a renúncia de Cunha. Na avaliação de Delgado, o candidato fluminense faltou com a palavra de cumprir apenas o mandato-tampão e não tentar se reeleger. “Corremos o risco de abrir um precedente perigoso com a eleição de um candidato sub judice que pode trazer consequências para este Parlamento. A instabilidade política e institucional volta a pairar nesse momento perigoso”, disse Delgado.

André Figueiredo (PDT-CE), candidato da oposição, começou o seu discurso criticando o que chamou de subserviência do Legislativo ao poder Executivo. “Há dois caminhos a seguir nesta eleição: o primeiro, da subserviência, de a Câmara estar sempre atrelada ao Poder Executivo; o segundo, de abertura da Casa para a discussão de temas encaminhados não só pelo Executivo, como pela população brasileira e pelos próprios parlamentares”, disse Figueiredo que defendeu que o parlamento seja mais permeável às demandas da sociedade.

“Queremos resgatar o que a Casa já foi. O presidente da Câmara não pode ser instrumento de chantagem do Poder Executivo, como foi há pouco tempo, ou mero carimbador da vontade do Executivo, como está sendo agora”, disse.

Última a se pronunciar, a deputada Luiza Erundina (Psol-SP) disse que o parlamento tem que respeitar as manifestações populares que ocorrem dentro da Casa e querem ser ouvidas pelos deputados. Ela cobrou igualdade de gênero e raça. “Precisamos abrir a Câmara a temas como a igualdade de gênero e raça””, disse. Erundina também defendeu a reforma política e cobrou o cumprimento do Regimento Interno e respeito às posições da Maioria da Minoria.

Mesa Diretora

Neste momento, o presidente eleito Maia conduz a eleição para os demais cargos da Mesa Diretora. Antes do início da votação, o líder do PSDB Ricardo Tripoli (SP) informou que o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) retirou candidatura para o cargo de segundo secretário, deixando o caminho aberto para Mariana Carvalho (PSDB-RO) vai ficar com a vaga.

Quem também tenta construir unidade é o PMDB. O partido estava dividido em torno da disputa para a primeira vice-presidência. Mas o líder da legenda, Baleia Rossi (SP), disse que Jose Priante (PMDB-PA) desistiu da candidatura atendendo aos apelos do presidente da República, Michel Temer, pela unidade do partido. Com isso, a legenda vai apoiar o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), candidato oficial. Ainda seguem na disputa Osmar Serraglio (PMDB-RS) e Fábio Ramalho (PMDB-MG).

Para a segunda vice-presidência estão concorrendo André Fufuca (PEN-MA) e Eduardo da Fonte (PP-PE). A disputa também ocorre para o cargo e 3º secretário no qual concorrem João Fernando Coutinho (PSDB-PE) e o deputado JHC (PSB-AL).

Com informações da Agência Brasil

 

Deputado chama “servidores” de capangas de Adriano Galdino

Tovar Correia Lima durante a sessão. Foto: Roberto Guedes/ALPB

Tovar Correia Lima durante a sessão. Foto: Roberto Guedes/ALPB

O deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB) gerou muita polêmica durante a discussão da Medida Provisória 247, na Assembleia Legislativa, que debate o desmembramento da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento, Gestão e Finanças. No momento mais tenso, revoltado pelas manobras da Mesa Diretora, o tucano chamou os servidores do Legislativo, que assessoram a mesa, de “capangas” do presidente da Casa, Adriano Galdino (PSB). A defesa de Galdino e dos servidores foi feito pela líder do governo, Hervázio Bezerra (PSB).

Tovar ainda tomou a palavra e procurou colocar panos mornos sobre o assunto, alegando que tem intimidade com “os meninos” e que sua intenção não era depreciar o trabalho de nenhum deles. Sua intenção era dizer que os auxiliares eram “homens de confiança” de Galdino. Mas foi perda de tempo, porque o embate teve continuidade com críticas até ríspidas entre governistas e oposicionistas. A confusão se prolongou até a votação da matéria, com a aprovação da MP que recria as secretarias de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) e a de Finanças (Sefin).

 

Deputados paraibanos se manifestam contra anistia do Caixa 2

Plenario_votacao_Foto_Gustavo Lima_Camara dos Deputados2A votação das dez medidas contra a corrupção está prevista para terça-feira da semana que vem, dia 29, porém, já é grande a movimentação na “bolsa de apostas” sobre quais dos parlamentares paraibanos vão votar a favor da nada republicana “anistia” do Caixa 2, cometidos antes da tipificação do crime. Pelo menos cinco deputados já se manifestaram publicamente contra o arrumadinho. A maioria se coloca oficialmente a favor das medidas de combate aos desvios de recursos, porém, poucos se apressam a se manifestar contra a anistia.

Já se manifestaram contra a anistia os deputados Pedro Cunha Lima (PSDB), Efraim Filho (DEM), Benjamin Maranhão (SD) e Luiz Couto (PT). Todos fizeram duras críticas à anistia do Caixa 2. Dos parlamentares ouvidos pelo blog, o único que se colocou a favor da anistia foi o deputado Manoel Júnior (PMDB), eleito vice-prefeito de João Pessoa. Para ele, você não pode criminalizar o que não existe na prática. Ele alega que a legislação nova é para tipificar o crime. “Se isso ocorre é porque não existe o crime ainda”, ressaltou.

Vale ressaltar que apesar das manifestações dos parlamentares, não será possível saber se eles cumprirão a promessa no dia da votação, já que ela será simbólica e, por isso, não é obrigado, para eles, declarar em quem votaram.

Confira o placar parcial

Pedro Cunha Lima (PSDB)          contra a anistia

Efraim Filho (DEM)                      contra a anistia

Benjamin Maranhão (SD)           contra a anistia

Luiz Couto (PT)                             contra a anistia

Rômulo Gouveia (PSD)               contra a anistia

André Amaral (PMDB)               contra a anistia

Manoel Júnior (PMDB)              a favor

Wilson Filho (PTB)                      não localizado

Aguinaldo Ribeiro (PP)              não localizado

Wellington Roberto (PR)          não localizado

Hugo Motta (PMDB)                 não localizado

“Pérolas aos porcos” é o nome do novo arranca-rabo na Assembleia

Daniella RibeiroA Assembleia Legislativa da Paraíba costuma servir de palco de grandes discussões, quase nenhuma republicana, é verdade. O episódio desta quarta-feira (16), envolvendo os deputados Tião Gomes (PSL) e Daniella Ribeiro (PP), não chega a ser singular, mas ultrapassou os limites do aceitável, com trocas de acusações e ofensas pessoais. Tudo começou com um discurso inflamado de Gomes, que se queixou do tratamento que teria sido dispensado a ele pela deputada Daniella Ribeiro.

A queixa de Tião Gomes era que a deputada Daniella Ribeiro teria usado espaço nas rádios de Campina Grande para tachá-lo de “bajulador do governador Ricardo Coutinho (PSB)”. Durante mais de cinco minutos de discurso, o parlamentar reagiu às declarações da parlamentar. As palavras de Daniella teria acontecido após o colega ter acusado os deputados de Campina Grande, o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP), irmão de Daniella, e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), ex-governador, de serem responsáveis pela crise hídrica da cidade.

Bajuladores

Em nome disso, Gomes cobrou respeito com os colegas e chamou a deputada e o irmão de bajuladores. Aguinaldo de Dilma Rousseff (PT), quando era ministro das Cidades, e Daniella e família de Ricardo Coutinho. “Eu conheci a senhora na Granja Santana, bajulando o governador Ricardo Coutinho”, disse, se referindo ao tempo que a deputada apoiava o socialista. A reação de Daniella Ribeiro foi curta e cirúrgica. Em resposta, ela disse que precisaria de menos de um minuto para dar a resposta ao deputado.

A parlamentar cumpriu a promessa. Ela citou uma passagem bíblica em que Jesus compara pregar para pessoas que não têm interesse na palavra a jogar pérolas aos porcos. “Por isso, eu não vou fazer isso… jogar pérolas aos porcos”, disse a deputada, com voz pausada.