Deputado chama “servidores” de capangas de Adriano Galdino

Tovar Correia Lima durante a sessão. Foto: Roberto Guedes/ALPB

Tovar Correia Lima durante a sessão. Foto: Roberto Guedes/ALPB

O deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB) gerou muita polêmica durante a discussão da Medida Provisória 247, na Assembleia Legislativa, que debate o desmembramento da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento, Gestão e Finanças. No momento mais tenso, revoltado pelas manobras da Mesa Diretora, o tucano chamou os servidores do Legislativo, que assessoram a mesa, de “capangas” do presidente da Casa, Adriano Galdino (PSB). A defesa de Galdino e dos servidores foi feito pela líder do governo, Hervázio Bezerra (PSB).

Tovar ainda tomou a palavra e procurou colocar panos mornos sobre o assunto, alegando que tem intimidade com “os meninos” e que sua intenção não era depreciar o trabalho de nenhum deles. Sua intenção era dizer que os auxiliares eram “homens de confiança” de Galdino. Mas foi perda de tempo, porque o embate teve continuidade com críticas até ríspidas entre governistas e oposicionistas. A confusão se prolongou até a votação da matéria, com a aprovação da MP que recria as secretarias de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) e a de Finanças (Sefin).

 

Deputados paraibanos se manifestam contra anistia do Caixa 2

Plenario_votacao_Foto_Gustavo Lima_Camara dos Deputados2A votação das dez medidas contra a corrupção está prevista para terça-feira da semana que vem, dia 29, porém, já é grande a movimentação na “bolsa de apostas” sobre quais dos parlamentares paraibanos vão votar a favor da nada republicana “anistia” do Caixa 2, cometidos antes da tipificação do crime. Pelo menos cinco deputados já se manifestaram publicamente contra o arrumadinho. A maioria se coloca oficialmente a favor das medidas de combate aos desvios de recursos, porém, poucos se apressam a se manifestar contra a anistia.

Já se manifestaram contra a anistia os deputados Pedro Cunha Lima (PSDB), Efraim Filho (DEM), Benjamin Maranhão (SD) e Luiz Couto (PT). Todos fizeram duras críticas à anistia do Caixa 2. Dos parlamentares ouvidos pelo blog, o único que se colocou a favor da anistia foi o deputado Manoel Júnior (PMDB), eleito vice-prefeito de João Pessoa. Para ele, você não pode criminalizar o que não existe na prática. Ele alega que a legislação nova é para tipificar o crime. “Se isso ocorre é porque não existe o crime ainda”, ressaltou.

Vale ressaltar que apesar das manifestações dos parlamentares, não será possível saber se eles cumprirão a promessa no dia da votação, já que ela será simbólica e, por isso, não é obrigado, para eles, declarar em quem votaram.

Confira o placar parcial

Pedro Cunha Lima (PSDB)          contra a anistia

Efraim Filho (DEM)                      contra a anistia

Benjamin Maranhão (SD)           contra a anistia

Luiz Couto (PT)                             contra a anistia

Rômulo Gouveia (PSD)               contra a anistia

André Amaral (PMDB)               contra a anistia

Manoel Júnior (PMDB)              a favor

Wilson Filho (PTB)                      não localizado

Aguinaldo Ribeiro (PP)              não localizado

Wellington Roberto (PR)          não localizado

Hugo Motta (PMDB)                 não localizado

“Pérolas aos porcos” é o nome do novo arranca-rabo na Assembleia

Daniella RibeiroA Assembleia Legislativa da Paraíba costuma servir de palco de grandes discussões, quase nenhuma republicana, é verdade. O episódio desta quarta-feira (16), envolvendo os deputados Tião Gomes (PSL) e Daniella Ribeiro (PP), não chega a ser singular, mas ultrapassou os limites do aceitável, com trocas de acusações e ofensas pessoais. Tudo começou com um discurso inflamado de Gomes, que se queixou do tratamento que teria sido dispensado a ele pela deputada Daniella Ribeiro.

A queixa de Tião Gomes era que a deputada Daniella Ribeiro teria usado espaço nas rádios de Campina Grande para tachá-lo de “bajulador do governador Ricardo Coutinho (PSB)”. Durante mais de cinco minutos de discurso, o parlamentar reagiu às declarações da parlamentar. As palavras de Daniella teria acontecido após o colega ter acusado os deputados de Campina Grande, o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP), irmão de Daniella, e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), ex-governador, de serem responsáveis pela crise hídrica da cidade.

Bajuladores

Em nome disso, Gomes cobrou respeito com os colegas e chamou a deputada e o irmão de bajuladores. Aguinaldo de Dilma Rousseff (PT), quando era ministro das Cidades, e Daniella e família de Ricardo Coutinho. “Eu conheci a senhora na Granja Santana, bajulando o governador Ricardo Coutinho”, disse, se referindo ao tempo que a deputada apoiava o socialista. A reação de Daniella Ribeiro foi curta e cirúrgica. Em resposta, ela disse que precisaria de menos de um minuto para dar a resposta ao deputado.

A parlamentar cumpriu a promessa. Ela citou uma passagem bíblica em que Jesus compara pregar para pessoas que não têm interesse na palavra a jogar pérolas aos porcos. “Por isso, eu não vou fazer isso… jogar pérolas aos porcos”, disse a deputada, com voz pausada.

Rômulo, Benjamin e Veneziano na lista de ações penais do Supremo

Romulo-gouveia

Rômulo Gouveia responde a processo desde 2001

Os deputados federais Rômulo Gouveia (PSD), Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) e Benjamin Maranhão (SD) integram a lista dos 53 deputados federais e senadores com foro privilegiado que estão na fila de julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF). A relação foi divulgada nesta segunda-feira (7) pela Folha de S. Paulo. Os parlamentares, juntos, respondem a 84 ações penais. A informação surge no momento em que a corte discute a proibição a proibição de réus em processo no Tribunal integrarem a linha de sucessão da Presidência da República.

O que tem chamado a atenção nos processos é a longevidade da tramitação. No caso de Rômulo Gouveia, a acusação de crime contra a lei das licitações se estende desde 2001, em um verdadeiro ioiô, migrando da Justiça Estadual para o Supremo de acordo com o cargo ocupado pelo deputado. No caso de Veneziano Vital, a acusação é a mesma, crimes contra a lei das licitações, porém, é menos antiga. O processo contra ele teve origem em 2007. Já Benjamin Maranhão é acusado de associação criminosa e responde a processo na corte de 2006.

Lista dos paraibanos

RÔMULO GOUVEIA
Deputado – PSD-PB
Principal acusação: Crimes da Lei de licitações
Início da investigação: 2001

VENEZIANO VITAL DO REGO
Deputado licenciado – PMDB-PB
Principal acusação: Crimes contra a Lei das Licitações
Início da investigação: 2007

BENJAMIN MARANHÃO
Deputado – SD-PB
Principal acusação: Corrupção / associação criminosa
Início da investigação: 2006

 

Poucos deputados paraibanos aceitam falar sobre o pós-Cunha

lm_eduardo-cunha-levado-para-sede-da-policia-federal-curitiba_00319102016

Foto: Lula Marques/AGPT

O blog decidiu nesta quinta-feira (20), um dia depois do turbilhão causado pela prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-deputado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ouvir os deputados federais paraibanos sobre o pós-Cunha. Afinal, o peemedebista é realmente a “bomba-relógio” que insinua ser? Tem a lista dos 150 deputados que cairiam com ele caso fosse cassado ou preso? As duas coisas já aconteceram, falta a concretização da ameaça. O resultado da consulta aos parlamentares foi bem curioso. Teve deputado que visualizou a mensagem e não respondeu, outro que desligou o telefone ao saber do que se tratava.

Mas vamos ao que foi dito:

 

Foto: Kleide Teixeira

Foto: Kleide Teixeira

Luiz Couto (PT)

“Eu espero que ele agora, preso, ele possa prestar um serviço ao povo brasileiro. Que ele possa realizar a delação premiada indicando quem são os 150 parlamentares que tinham envolvimento e que cairiam com ele. Espero que isso aconteça. Nós devemos combater a corrupção de forma permanente”

 

Romulo-gouveia

Rômulo Gouveia (PSD)

“Acho que (a prisão pode causar estrado) se tiver alguém ao redor dele (envolvido), mas acho que não atrapalha nada, não (na Câmara). Pelo contrário, acho importante que seja dada sequência a essa operação até para desmistificar aquela tese de que após o impeachment ele (Cunha) estaria livre e tal, mas não vejo, não, por este lado, não (de que Eduardo Cunha saberia de fatos que implicariam outros deputados)”

 

Veneziano_Tribuna3

Veneziano Vital do Rêgo (PMDB)

“É um cenário de imprevisibilidade”

 

Damião Feliciano2

Damião Feliciano (PDT)

“Não acho que Eduardo Cunha seja uma bomba-relógio. Estou aguardando o desenrolar das investigações e esperando o que ele vai dizer. Espero que tenha direito a ampla defesa. Não vi ainda o que foi alegado pelo juiz Sérgio Moro para justificar a prisão. Vou ver isso”

 

Benjamin Maranhão2

Benjamin Maranhão (SD)

“Ninguém está imune à lei. Alguns partidos criticam a Lava Jato, mas isso é muito errado porque a operação vem descobrindo esquemas e punindo. A operação é uma resposta para a sociedade e a sociedade espera isso”, via assessoria.

 

Wellington Roberto2

Wellington Roberto (PR)

“Cunha é temido porque é muito inteligente e correto em cumprir a palavra empenhada. Os que não têm coragem de falar a verdade que esperem”, em declaração a O Globo

Manoel Júnior2

Manoel Júnior (PMDB)

Não respondeu

 

Pedro Cunha Lima2

Pedro Cunha Lima (PSDB)

Não respondeu

 

Efraim filho2

Efraim Filho (DEM)

Não respondeu

 

Wilson Filho2

 

Wilson Filho (PTB)

Não respondeu

 

Aguinaldo Ribeiro2

Aguinaldo Ribeiro (PP)

Não localizado

 

Hugo Motta2

Hugo Motta (PMDB)

Não localizado

 

 

 

Deputados querem que MP investigue denúncias de Renato Martins

Renato Martins fez denúncias graves contra aliados. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

Renato Martins fez denúncias graves contra aliados. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

Os deputados da bancada de oposição na Assembleia Legislativa vão protocolar no Ministério Público da Paraíba, na tarde desta quinta-feira (13), uma representação com pedido para que o órgão investigue as denúncias feitas pelo vereador de João Pessoa, Renato Martins (PSB), contra lideranças do partido. O parlamentares vão se encontrar com o procurador-geral de Justiça, Bertrand Asfora, para protocolar o pedido de apuração das denúncias. Martins disse em áudio que vereadores do seu partido foram eleitos, na capital, com dinheiro de corrupção.

A representação é assinada pelos deputados Tovar Correia Lima (PSDB), João Henrique (DEM), Bruno Cunha Lima (PSDB), Camila Toscano (PSDB), Janduhy Carneiro (PTN) e Renato Gadelha (PSC). Os parlamentares apontaram a gravidade das denúncias como combustível para o pedido de investigação. Renato Martins, no áudio, acusou a deputada estadual Estela Bezerra (PSB) e a secretária de Administração, Livânia Farias, de terem usado dinheiro de corrupção para financiar as campanhas de Léo Bezerra, Tibério Limeira e Tanilson Soares, todos do PSB.

“É a corrupção de Livânia (Farias) que bancou a eleição de Tanilson (Soares), somada ao roubo que Tibério (Limeira) fez. Ele e Estela saquearam o dinheiro do Estado ao longo dos quatro anos. De vários órgãos, inclusive com Krol (Jânio, da Codata), com muita tecnologia, inclusive ai dentro de um laboratório para a Educação e vendendo aparelhos de nota fiscal para órgãos comerciais, estabelecimentos comerciais foram obrigados a trocar um aparelho de R$ 500 por outro de R$ 3 mil, comprado de uma empresa ligada a Krol”, disse Martins, no áudio.

O PSB de João Pessoa, o vereador Tibério Limeira, a deputada Estela Bezerra e o governador Ricardo Coutinho (PSB) anunciaram que vão mover ação na Justiça para que o vereador prove as acusações.

 

 

Assembleia cria “trem da alegria” para deputados e assessores

Assembleia Legislativa_Angélica Nunes

Crédito: Angélica Nunes

O mundo seria mais feliz se o que valesse para os deputados estaduais paraibanos valesse também para os pobres mortais. Quer dizer, até vale, no caso da Paraíba, mas para os assessores dos parlamentares eleitos pelo povo e contratados sem a necessidade de concurso público. É mais ou menos isso o que pode ser verificado, nesta quarta-feira (3), com a lei publicada no Diário Oficial do Estado, que cria uma previdência privada para deputados e servidores públicos não efetivos. Trata-se da Aleprev, que, trocando em miúdos, não passa de um “trem da alegria” pago parcialmente com dinheiro público.

A nova lei é uma verdadeira mãe para os deputados e seus assessores. Pelas regras, basta a contribuição mensal de 60 meses para ter direito ao benefício. Mas não apenas isso. O deputado ou servidor não efetivo podem até ser afastados do cargo e mesmo assim se manter inscrito até o período aquisitivo. Traduzindo: bastarão cinco anos de contribuição ininterrupta para ganhar uma pensão vitalícia, desde que o beneficiário tenha, no mínimo, 60 anos de idade. A regra dos 60 meses vale apara quem se inscrever em até 60 dias da criação da Aleprev, que será incluída já no orçamento da Assembleia para 2017.

A regra de contribuição dos servidores e deputados é a prova de que não há limites para a concessão de benefícios para políticos com dinheiro público. Para cada real que for pago pelos servidores para o fundo, mensalmente, o Legislativo contribuirá com mais um real. Entre os dependentes, podem ser incluídos cônjuges e filhos não emancipados dos contribuintes, para o caso de morte do titular. Os filiados que se inscreverem após a tolerância de 60 dias prevista na lei, terão que contribuir por 120 meses e não 60 meses como vale para “os mais apressados”.

Regra anterior

O pagamento de pensão para ex-deputados já foi regra na Assembleia Legislativa, mas foi extinto por meio de projeto. Mesmo assim, o Tesouro banca ainda 62 deputados estaduais com salários integrais, além de 72 viúvas de parlamentares ainda incluídas no programa. Na época, para ter acesso ao benefício, bastava ter oito anos de mandato e contribuição previdenciária normal. Um pouco melhor do que as regras atuais. A lei publicada nesta quarta-feira não estabelece de quanto será o benefício pago pela previdência complementar criada para beneficiar deputados e servidores.

Com 2.111 votos, Elvis não morreu e será deputado federal pela PB

Elvis, dono de 2.111 votos

Elvis, dono de 2.111 votos

A campanha deste ano vai criar uma grande distorção na política representativa da Paraíba. O deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) comunicou nesta terça-feira (2) que vai se licenciar do mandato para se dedicar exclusivamente à campanha para a prefeitura de Campina Grande. Ato contínuo, o deputado federal Manoel Júnior, também do PMDB, pretende se afastar do mandato nos próximos dias para disputar o cargo de vice-prefeito e João Pessoa. Resultado: André Amaral, dono de 6.552 votos, e Elvis, com módicos 2.111 votos, devem tomar posse. Ambos disputaram a eleição passada pelo PMDB. O primeiro, por ordem de votação, será Amaral, que tem voto suficiente para ser vereador de João Pessoa dentro de uma coligação medianamente bem representada. Elvis nem isso.

Veneziano anunciou o afastamento na tarde desta terça. Ele está tirando licença de 120 dias para se dedicar integralmente à sua candidatura a prefeito, que será confirmada na Convenção Municipal do PMDB campinense, marcada para esta sexta-feira (5) a partir das 14h, na Casa de Recepções Quinta da Colina, no bairro do Catolé, em Campina Grande. Já Elvis ainda tem que esperar por Manoel Júnior. Ao blog, ele disse que deve pedir a licença nos próximos dias. A campanha de rua começa no dia 16 deste mês e antes disso o parlamentar pretende deixar o cargo, também por 120 dias. Os peemedebistas estão entre os mais votados para a Câmara dos Deputados no Estado. O líder foi Veneziano Vital do Rêgo, com 177.680 votos. Ele foi seguido por Hugo Motta, com 123.686, e Manoel Júnior, com 105.693.

Eduardo Cunha renuncia à presidência da Câmara e atira contra Dilma e Janot

O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), oficializou nesta quinta-feira (7) sua renúncia ao cargo de presidente da Casa. A medida faz parte da estratégia negociada pelos peemedebistas para “salvar” a pele do dirigente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Cunha foi condenado no Conselho de Ética da Casa por quebra do decoro parlamentar por ter mentido na CPI da Petrobras. Ele disse, na época, que não tinha contas no exterior e documentos fornecidos pelo Ministério Público da Suíça indicaram o contrário. Ele tenta reverter a cassação na CCJ.

 

Durante entrevista coletiva no início da tarde, o peemedebista alegou motivos políticos e pessoais para a renúncia. Ao falar sobre as investigações na Operação Lava Jato contra a filha, Daniele Cunha, e a mulher, Cláudia Cruz, Eduardo embargou a voz. O presidente mais poderoso da história da Câmara dos Deputados também se disse perseguido pelo procurador da República, Rodrigo Janot, por causa do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), instalado por ele. Cunha alegava que era alvo de operações sempre na véspera de votações no Conselho de Ética.

Eduardo Cunha também apontou a instabilidade nas votações na Câmara dos Deputados como motivo para sua decisão. Ao se referir ao primeiro-vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), seu aliado de primeira hora, ele disse que o pepista protagoniza uma “interinidade bizarra”, que tem deixado a Câmara dos Deputados acéfala. Isso, ele assegura, estaria prejudicando o andamento das votações de interesse do governo na Câmara dos Deputados. “Somente a minha renúncia poderá acabar com a instabilidade”, enfatizou. Com a saída dele, Maranhão também deixa o poder e será escolhido um novo presidente.

A renúncia foi discutida na noite desta quarta-feira (6) entre Eduardo Cunha e a sua tropa de choque, em Brasília. Houve novo encontro na manhã desta quinta para fechar os últimos detalhes, segundo revelou o colunista de O Globo, Lauro Jardim. Depois do encontro, Cunha protocolizou na presidência da Casa a sua renúncia. Ele foi afastado do poder há dois meses por decisão colegiada do Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, o peemedebista viu escorrer pelas mãos o poder acumulado desde fevereiro de 2015, quando assumiu o cargo.

Eduardo Cunha é alvo de várias denúncias no Supremo. O Ministério Público da Suíça enviou ao país vasta documentação comprovando que ele, a mulher e a filha tinham contas no país europeu. E mais: segundo a Procuradoria Geral da República, as contas eram irrigadas com dinheiro de propinas pagas por empreiteiras. Cunha, nesta quinta-feira, acusou a PGR de agir como braço da presidente afastada Dilma Rousseff para tirá-lo do cargo, como punição por ele ter bancado o impeachment da petista. Ele disse que tem orgulho de ter participado do afastamento do “criminoso governo do PT”.

Com a renúncia, o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, terá até cinco sessões para realizar uma nova eleição para definir o presidente que vai comandar a Casa até fevereiro de 2017.

Wellington apoia Bolsonaro, mas não quis relatar processo conta ele

O deputado federal paraibano Wellington Roberto (PR) é o que se pode chamar de parlamentar conservador e corporativista. Votou contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT), contra a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e já antecipou que votará contra a cassação de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) no Conselho de Ética. O parlamentar carioca foi denunciado no colegiado por conta das suas posições simpáticas prática de tortura durante o regime militar.

Wellington Roberto (E) briga por Cunha no Conselho de Ética

Wellington Roberto (E) briga por Cunha no Conselho de Ética

Nesta quarta-feira (6), indicado pelo presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), para ocupar a relatoria da denúncia, Roberto passou a bola. Disse que não pretendia ocupar o posto. Não confunda a recusa a qualquer antipatia Cunha. O paraibano fez questão de antecipar seu voto e promete a livrar a cara do colega de parlamento. Ele também foi contra a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A recusa de Roberto criou um problema para a comissão, já que os outros indicados: Zé Geraldo (PT-PA) e Valmir Prascideli (PT-SP), foram considerados suspeitos para a função. Jair Bolsonaro é alvo de uma representação no conselho por supostamente ter faltado com o decoro parlamentar durante seu voto para a abertura do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), em abril, quando fez uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de tortura.

Com a renúncia de Wellington Roberto, José Carlos Araújo vai recorrer à consultoria da Câmara para avaliar o que fazer. A decisão do deputado paraibano não tem qualquer distorção em relação ao seu histórico no Conselho de Ética. Não custa lembrar que durante o julgamento do processo contra Eduardo Cunha ele fez discurso na Casa alertando os coletas favoráveis à cassação de que os próximos réus poderiam ser eles.

Ou seja, corporativismo e conivência é o nome de Wellington Roberto. Recentemente, em entrevista à repórter Angélica Nunes, do Jornal da Paraíba, ele disse que não conseguia enxergar apologia à tortura nas declarações de Jair Bolsonaro em defesa de Brilhante Ustra. Ele disse, cegamente, que Bolsonaro, um ex-militar com atuação destacada nos últimos anos da ditadura, “talvez nem fosse nascido na época”.

É bom lembrar que, nascido em 1955, Bolsonaro tinha pelo menos 30 anos quando a “saudosa”, na visão dele, época em que os milicos mandavam no Brasil acabou. Um pouco de história e respeito à inteligência das pessoas não faz mal a ninguém. O que podemos prever é que haverá muita confusão de Wellington Roberto no Conselho de Ética em defesa de Bolsonaro. Não faz muito, o apego era ao mandato de Eduardo Cunha.

A Paraíba está de olho.