Relator vota pela liberdade de Berg Lima, mas pedido de vista adia resultado

Prefeito de Bayeux foi afastado do cargo e preso por suspeita de cobrança de propina

Berg Lima foi flagrado em vídeo feito por empresário justamente no momento em que recebia dinheiro supostamente de propina. Imagem: Reprodução

O prefeito afastado de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, Berg Lima (Podemos), continuará preso por pelo menos mais 15 dias. O julgamento do agravo interno, interposto pela defesa do gestor, foi paralisado pelo pedido de vista do desembargador Oswaldo Trigueiro do Valle Filho. Ele foi o segundo membro do Pleno do Tribunal de Justiça da Paraíba a votar no processo. O relator da matéria, o juiz Marcos William de Oliveira, votou pelo provimento do recurso, admitindo a liberdade do gestor, porém, com a imposição de medidas cautelares.

Entre as medidas cautelares estão o pagamento de fiança de 20 salários mínimos, comparecimento mensal ao juízo, manutenção do afastamento do cargo de prefeito, proibição de frequentar prédios públicos na cidade de Bayeux e não se afastar por mais de oito dias da comarca sem avisar ao juízo. Berg Lima está preso preventivamente desde o dia 5 de maio. Ele foi acusado pelo Ministério Público de corrupção passiva e concussão, prática atribuída a funcionário público que exige, para si ou para outrem, vantagem indevida, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la.

Confira o vídeo

Berg foi flagrado em vídeo no dia 5 de maio deste ano quando estaria supostamente extorquindo um empresário do ramo de alimentos de Bayeux. Ele teria cobrado R$ 11,5 mil para quitar débitos deixados pela gestão anterior. A operação para prender o prefeito foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, em parceria com a Polícia Civil. Na denúncia formulada pelo MPPB, o prefeito afastado foi acusado de corrupção passiva e concussão. Ele se encontra preso no 5º Batalhão da Polícia Militar, no bairro do Valentina Figueiredo.

O advogado do prefeito afastado, Shayner Asfora, assegura que os crimes apontados pelo Ministério Público não existiram. Essa é a tese defendida no processo. Ele alega que o vídeo feito durante a operação, gravado pelo empresário, não é o suficiente para alegar que o gestor pediu vantagens. “Ficará claro durante a instrução processual que não houve a prática de concussão. No vídeo não há a prática de crime. O recebimento de dinheiro não é crime. O prefeito não exigiu qualquer vantagem indevida. A instrução processual vai provar. O vídeo não mostra a prática de crime”, assegurou.

Cassação

Além do processo criminal, o prefeito é alvo de um processo de cassação do seu mandato na Câmara de Bayeux. O pedido foi protocolado pelo vereador Adriano Martins (PSB). O Procurador Geral da Câmara, Aécio Farias, diz que o processo será concluído em até 90 dias.

Nova fase da Lava Jato põe publicitários novamente na rota dos desvios públicos

Nos últimos anos tem se tornado comum a descoberta de agências de publicidade em operações suspeitas

Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A prisão do ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, na 42ª fase da Operação Lava Jato, ofuscou um outro fato curioso: a prisão de dois publicitários que, segundo as investigações, atuavam como operadores para políticos. Os presos foram os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, sócios em uma agência de publicidade, a Arcos Propaganda. Eles são citados em delação premiada com operadores de propina para o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), pai do ministro das Minas e Energia, Fernando Filho. A operação tem como base os relatos de delatores da Odebrecht.

O novo flagra sobre os publicitários remete a casos recentes na política brasileira. O publicitário mineiro Marcos Valério foi peça central nos esquemas que ficaram conhecidos como Mensalão Mineiro e Mensalão do PT. Mais recentemente, gráficas foram utilizadas para lavar dinheiro de campanha. É um traço que não pode ser ignorado nas investigações. De acordo com as apurações da Polícia Federal, André Gustavo é representante de Bendine. Esta, inclusive, não é a primeira vez que ele é citado em uma delação da Odebrecht. O irmão dele, Antônio Carlos, foi preso em casa. Já André Gustavo foi preso no Aeroporto Internacional Gilberto Freyre, na capital pernambucana. Ele embarcaria para Brasília (DF).

Bendine

O ex-presidente da Petrobras teria recebido ao menos R$ 3 milhões de propina em espécie da Odebrecht para não prejudicar a empresa em futuras contratações, segundo informações das equipes da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) que atuam na Lava Jato. Bendine foi preso temporariamente nesta quinta-feira (27) em São Paulo, na fase da Lava Jato denominada Operação Cobra. Foram cumpridos outros dois mandados de prisão temporária em Pernambuco.

Segundo as investigações, antes de receber os R$ 3 milhões, em 2015, Bendine pediu outros R$ 17 milhões de propina à Odebrecht quando ainda era presidente do Banco do Brasil. Em troca, ele atuaria para rolar uma dívida da Odebrecht Agroindustrial. Bendine presidiu o Banco do Brasil entre abril de 2009 e fevereiro de 2015, quando substituiu Graça Foster na presidência da Petrobras. A investigação contra Bendine teve como base as delações premiadas de Marcelo Odebrecht, ex- presidente-executivo do grupo Odebrecht, e de Fernando Reis, executivo da companhia.

Ex-secretária da prefeitura do Conde vai colaborar com a Justiça

Ministério Público poderá pedir o bloqueio e o sequestro dos bens pertencentes aos suspeitos

Alan Murilo Terruel diz que colaboração de Andréa Soares deve ajudar na implicação dos outros suspeitos. Foto: Angélica Nunes

A ex-secretária de Finanças da prefeitura do Conde, na Região Metropolitana, Andréa Soares da Silva, vai colaborar com a Justiça. Esta, pelo menos, é a expectativa dos investigadores. Uma operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dela, em João Pessoa. De acordo com o delegado Alan Murilo Terruel, foram apreendidos cheques, dinheiro em espécie e documentos da prefeitura. “Vamos ouvi-la e dar encaminhamento a outras diligências”, ressaltou o delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE).

As investigações revelaram a suposta ocultação de R$ 3 milhões em patrimônio em poder do suposto grupo criminoso. Andréa foi conduzida coercitivamente para o Gaeco, onde prestou depoimento e prometeu dar mais detalhes. A apuração realizada pelo Ministério Público revelou previamente que Andréa teria comprado dois apartamentos com dinheiro desviado. Os imóveis eram mantidos no nome de terceiros. Os apartamentos foram adquiridos junto à Ecomax. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) chegou a emitir um alerta na época da aquisição. A ex-secretária depositou, no dia 06/01/2016, a quantia de R$ 224.098,00 em conta bancária da empresa mantida na Caixa Econômica.

Os depoimentos da ex-secretária, segundo Terruel, seguem no mesmo sentido do conjunto probatório levantado pelo Ministério Público até agora. Além dela, outras oito pessoas, inclusive a ex-prefeita Tatiana Lundgren, aparecem entre os beneficiários do esquema criminoso. Há indícios, por exemplo, de que apesar de as notas fiscais emitidas para a coleta do lixo na cidade serem fornecidas por uma empresa, na verdade, o serviço era executado pela gestora. Tatiana, além disso, teria recebido percentuais em outras operações suspeitas.

O Ministério Público estuda pedir o sequestro e o bloqueio dos bens em nome dos supostos beneficiados no esquema. Os outros membros suspeitos de integrar o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro são Waleska dos Santos Perônico, secretária de Tatiana; Clóvis Marinho Falcão Leal, servidor público; Clodoaldo Fernandes, servidor público; Hildebrando Fernandes, servidor público; Alex Martins da Silva, policial militar e marido de Tatiana, e Francisco Cavalcanti Gomes, sub-procurador da prefeitura, cada um exercendo importância e relevo na suposta empresa criminosa.

Na investigação foram encontrados fortes indícios de desvio e apropriação de recursos públicos, lavagem de dinheiro, corrupção, peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações, entre outros tantos crimes praticados pelos requeridos.

 

Staff da ex-prefeita Tatiana Lundgren é investigado por corrupção no Conde

Grupo é investigado por desvio e ocultação de recursos públicos durante a gestão da ex-prefeita

Tatiana Lundgren teria comandado um esquema de corrupção na prefeitura do Conde. Foto: Divulgação

Todo o staff político da ex-prefeita Tatiana Lundgren está no centro de uma investigação do Ministério Público da Paraíba sobre desvio e ocultação de recursos públicos. Autorizada pela Justiça, uma operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil realizou buscas e apreensões na cidade de Conde e João Pessoa. A ex-secretária de Finanças do Conde, Andrea Soares da Silva, foi conduzida coercitivamente na manhã desta quarta-feira (26). Uma entrevista coletiva foi convocada para as 9h30 desta quarta para dar mais detalhes sobre a operação desencadeada nas primeiras horas da manhã.

As investigações do Ministério Público da Paraíba foram iniciadas há mais de um ano e revelaram fortes indícios do funcionamento de uma organização criminosa arraigada na prefeitura do Conde. Foram detectados fortes indícios de desvio e apropriação de recursos públicos, lavagem de dinheiro, corrupção, peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações, entre outros tantos crimes praticados pelos requeridos. A apuração demonstrou que, apesar do funcionamento anárquico da quadrilha, havia o comando da então prefeita da cidade, mediante o pagamento de comissão pelas operações criminosas.

Policiais chegam com material apreendido durante a operação. Foto: Angélica Nunes

As investigações apontaram efetiva participação no esquema de nove pessoas. Além da Tatiana, a lista apresenta como uma das cabeças do esquema Andréa Soares da Silva, então secretária de Finanças. São relacionados também o ex-assessor e braço direito da prefeita, Vailson Oliveira do Nascimento, que chegou a ser preso no ano passado com base em outra denúncia. Os outros membros relacionados são Waleska dos Santos Perônico, secretária de Tatiana; Clóvis Marinho Falcão Leal, servidor público; Clodoaldo Fernandes, servidor público; Hildebrando Fernandes, servidor público; Alex Martins da Silva, policial militar e marido de Tatiana, e Francisco Cavalcanti Gomes, sub-procurador da prefeitura, cada um exercendo importância e relevo na suposta empresa criminosa. Todos, segundo indica a apuração orbitando a ex-prefeita da cidade.

Empresas

De acordo com as investigações, ficou bem delineado que houve uma repartição de áreas ou setores da administração entre os demais membros, que atuam com certa autonomia. Ficou evidenciado, também, que o grupo teria se valido inúmeras empresas para fraudar processos de contratação e pagamento. As empresas investigadas no processo eram FILO-TUR, JM AUTO PEÇAS, J.G.S EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA, C S C CONSTRUTORA SANTA CECILIA LTDA, PLANFORTE, e A.J.S PAVIMENTAÇÃO DE ESTRADAS E CONSTRUÇÕES LTDA – EPP. Outras empresas ainda estão sendo investigadas. Foram encontrados indícios de fornecimento de notas fiscais para justificar serviços contratados por uma empresa, mas executados por outra.

Documentos apreendidos durante a operação serão analisados pelo Ministério Público. Foto: Angélica Nunes

A apuração demonstrou, também, que alguns dos suspeitos apresentaram patrimônios incompatíveis com a renda e que eram registrados em nome de laranjas. A secretária Andréa Soares da Silva chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que emitiu alerta. Ela teria depositado, em espécie, no dia 06/01/2016, a quantia de R$ 224.098,00 em conta bancária da Caixa Econômica Federal, a qual está cadastrada em nome da empresa ECOMAX, uma quantia expressiva totalmente em descompasso com seu perfil financeiro.

O marido da ex-prefeita, Alex Martins da Silva, é policial militar e ostenta patrimônio incompatível com a renda dele. As investigações apontaram a posse de uma verdadeira frota de veículos de luxo. O carro de passeio dele, por exemplo, é uma Land Rover, avaliada em R$ 176 mil.

 

 

Assembleia não pode mais conceder honrarias a condenados por corrupção

Lei promulgada por Gervásio Maia também proíbe designação de prédios públicos

Deputados terão que apresentar “nada consta” dos candidatos a receber homenagem na Casa. Foto: Francisco França

Não deveria ser nem necessário, mas é sempre bom existir barreiras. O presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB), promulgou lei aprovada pela Casa que proíbe a concessão de honrarias a pessoas condenadas por improbidade administrativa ou corrupção. Agora, atenção a um detalhe: a legislação veda apenas os condenados com sentença transitada em julgado. Ou seja, as que não cabem recurso. A restrição vai impedir que pessoas condenadas por crimes graves sejam agraciadas com títulos de cidadania ou com a Medalha Epitácio Pessoa, a maio comenda concedida pela Casa. A lei é resultado de um projeto do deputado Tovar Correia Lima (PSDB).

Mas não para por aí. A legislação proíbe ainda a concessão de comendas para os condenados por crimes dolosos contra a vida; os direitos humanos; a dignidade sexual, além dos implicados por exploração do trabalho escravo e maus tratos aos animais. As pessoas enquadradas nestes dispositivos também não poderão ser homenageadas com a nomeação de prédios públicos. O curioso em tudo isso é que para prestar a homenagem, agora, o autor do projeto de concessão de comenda terá que apresentar um “nada consta” para o agraciado. Pelo histórico de títulos concedidos pela Casa, a mudança provocará uma elevação considerável no conceito das homenagens.

 

Eitel ‘telegrafa’ a governistas: defende outras bandeiras para o MP, além do combate à corrupção

O presidente Michel Temer deve ser denunciado neste segunda-feira pela PGR

O subprocurador-geral da República, Eitel Santiago, é um dos oito candidatos à sucessão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O nome dele, vale ressaltar, começa a ser mencionado como “opção menos amarga ao presidente Michel Temer” em alguns nichos do Judiciário, segundo veículos do Sudeste. O motivo: a pauta menos focada no combate à corrupção. O tema foi abordado em entrevista concedida por ele à revista eletrônica Conjur. Nela, o postulante disse que a Procuradoria-Geral da República “não deve ser sinônimo de tensão com os Três Poderes”. O presidente deve ser denunciado por Janot nesta segunda (26) ou terça-feira (27).

Para Eitel, o MPF será parceiro de órgãos governamentais para promover ações contra desigualdades sociais e melhorar serviços de educação, saúde e segurança pública. Ele garante, no entanto, que isso será feito sem abrir mão do combate à criminalidade. A ideia é “reerguer outras bandeiras, enfatizando a nossa missão em defesa dos direitos humanos, nossa vocação natural”. O subprocurador-geral já exerceu cargo de secretário de Segurança e Defesa Social, na Paraíba, durante o governo de Cássio Cunha Lima (PSDB), entre 2007 e 2009. Antes disso, tentou carreira política. Em 1994, disputou vaga na Câmara dos Deputados pelo PFL, hoje DEM.

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) fará consulta ao MPF na terça-feira, para enviar lista tríplice ao presidente Michel Temer (PMDB). Aliados do presidente haviam dito que ele poderia não respeitar as sugestões da categoria. O objetivo seria nomear um nome do quadro do Ministério Público Federal (MPF), independente da lista. O mandato de Janot acaba em setembro.  A elaboração dessa lista acontece desde 2001 e tem sido seguida desde 2003, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, embora o Planalto tenha livre escolha. Há pressões de políticos investigados pela operação Lava Jato para a escolha de um procurador-geral da República mais light.

Santiago tem adotado um discurso dissonante com a postura de Rodrigo Janot. Defende o fim do levantamento dos sigilos nas delações premiadas. Ele considera que o Ministério Público tem atuado de forma “pouco discreta” na tentativa de moralizar a vida pública. Na entrevista ao Conjur, ele diz que o órgão poderia cumprir seus deveres “preservando o máximo possível a intimidade e a imagem das pessoas”. Diz ainda que órgãos colegiados poderiam rever acordos de colaboração premiada homologados por relatores, inclusive quando um líder de organização criminosa consegue perdão judicial.

Pequeno dicionário da Lava Jato tem “drogas”, “suruba”, “Bessias” e “mata ele”

Políticos grampeados dão desculpas esfarrapadas para as denúncias

Aécio Neves teve grampos comprometedores divulgados recentemente. Foto: Igo Estrela/PSDB

O que quer dizer “Tem que manter isso aí, viu”, dito presidente Michel Temer (PMDB) após o empresário Joesley Batista, da JBS, falar que estava comprando o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)? Os investigadores da operação Lava Jato têm uma tese. O gestor tem outra. Para a Polícia Federal, fica claro que Temer concordou com a operação para impedir que o ex-deputado fale o que sabe. Há, nos bastidores, o temor de que ele revele coisas comprometedoras que envolvam o gestor peemedebista. Segundo Temer, porém, ele se referia à sugestão para o empresário manter a boa relação com a família de Cunha.

Mas esse é apenas um entre vários outros deslizes da classe política flagrada em grampos em conversas pouco republicanas. Deslizes, vale ressaltar, que vão de petistas, como os ex-presidentes Dilma Rousseff e Lula, ambos do PT, a tucanos como o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). A mais recente é o do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), em conversa com Aécio. Ele diz que não faz nada de errado na vida, só trafica drogas. A referência é ao caso do helicóptero apreendido com drogas no Espírito Santo, em 2013, e que pertence à família do parlamentar. O parlamentar sempre reclamou das acusações, mas admitiu em conversa grampeada pela Polícia Federal.

Confira casos emblemáticos de grampos relacionados à Operação Lava Jato divulgados pela PF

Dilma Rousseff em conversa com Lula (março de 2016)
“Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”, disse Dilma a Lula, num dia antes da posse do ex-presidente”.
Versão alternativa: Não houve. A presidente apenas tratou o grampo como clandestino e inadmissível. Bessias era Jorge Rodrigo Araújo Messias, escalado por Dilma Rousseff para entregar a Lula o termo de posse como Ministro da Casa Civil. O áudio teve o sigilo levantado pelo juiz Sério Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância. O caso acabou sendo o pivô da derrocada de Dilma

 

Lula falando sobre procurador-geral da República, Rodrigo Janot (março de 2016)
“Esse cara (Rodrigo Janot) se fosse formal não seria procurador-geral da República, teria tomado no c*, teria ficado em terceiro lugar (…) Quando eles precisam não tem formalidade, quando a gente precisa é cheio de formalidade”
Versão alternativa: não houve versão alternativa ou desmentido

 

Romero Jucá em áudio gravado por Sérgio Machado (maio de 2016)
“Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, interpretado como estímulo ao impeachment de Dilma para que o PMDB parasse a Lava Jato
Versão alternativa: Jucá criticou o ex-presidente da Transpetro e disse que não se referia ao impeachment de Dilma

Romero Jucá em entrevista ao falar do fim do foro privilegiado (fevereiro de 2007)

“Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada”
21 de fevereiro
Versão alternativa: disse que se referia à música da banda Mamonas Assassinas, cujos integrantes morreram em acidente aéreo na década passada.

 

Michel Temer gravado por Joesley Batista (maio de 2017)

“Tem que manter isso aí, viu”, logo depois de o dono da JBS dizer que estava dando dinheiro à família de Eduardo Cunha para ele ficar de bico calado
Versão alternativa: Michel Temer disse que a frase se referia a manter uma boa relação com a família de Cunha

 

Aécio Neves (PSDB-MG) gravado em conversa com Joesley Batista (maio de 2017)

“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, em relação à entrega dos R$ 2 milhões de suposta propina paga pela JBS ao senador
Aécio Neves
Versão alternativa: o dinheiro citado seria de um empréstimo, oferecido como uma opção à oferta de Aécio para que o empresário comprasse a casa onde vive a mãe dele, no Rio

Aécio Neves gravado enquanto dava carão no senador Zezé Perrella (PMDB-MG) (maio de 2017)

“Eu vou dar uma entrevista nesse sentido. Eu posso ter sido infeliz [na entrevista], mas é que eu sou muito agredido até hoje por causa do negócio do helicóptero, sabe Aécio? Eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas”
Versão alternativa: Zezé Perrella fez pronunciamento no Senado dizendo que é ainda muito criticado por causa do episódio em que foram encontradas drogas no helicóptero pertencente à família dele, no Espírito Santo, em 2013

Líder tucano diz que Aécio é “ladrão” e quer ver ele preso

 

Tovar Correia Lima cobra também a prisão de Lula

Tovar Correia Lima cobra punições para o ex-presidente do seu partido. Foto: Roberto Guedes/ALPB

O deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB) usou a tribuna na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), nesta quinta-feira (25), para falar das denúncias de corrupção envolvendo o senador afastado Aécio Neves. “Eu votei em Aecio e vocês em Lula. São dois ladrões, mas a diferença é que eu quero Aécio preso e vocês querem Lula presidente”, disse o parlamentar, se direcionando aos aliados do governador Ricardo Coutinho (PSB). O tucano, líder da oposição na Casa, fez o desabafo após a ironia dos adversários.

Tovar afirmou que lugar de quem rouba, de quem pratica corrupção é na cadeia e não no comando do país. Ele falou sobre a grave crise política e ética que o Brasil vive e defendeu mudanças. Aécio Neves está sendo investigado por ter pedido propina no valor de R$ 2 milhões aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do frigorífico JBS. Tudo foi registrado em áudio e vídeo. Após a delação dos empresários, o parlamentar foi “convidado” a deixar o comando do PSDB e foi afastado do cargo de senador por decisão do ministro Edson Fachin.

A irmã de Aécio Neves, Andréa, e o primo, Fred Pacheco, foram presos durante operação da Polícia Federal. Coube a irmã formular o pedido do dinheiro aos empresários. Já o primo ficou com a missão de receber o dinheiro. Em vídeo em uma rede social, o tucano disse que o dinheiro solicitado ao empresário foi dado por empréstimo. O recurso seria usado para ele custear as despesas com advogados para fazer a sua defesa na Justiça. O tucano é investigado em sete denúncias formuladas pela Procuradoria Geral da República. O órgão, inclusive, pediu a prisão do senador afastado.

Em nota divulgada com a imprensa, para justificar a citação de Lula, Tovar Correia Lima falou das denúncias contra o ex-presidente Lula. “O ex-presidente é réu em seis ações penais. Uma delas sob a acusação de ter recebido propina da OAS, no âmbito do esquema de corrupção em contratos da Petrobras. Segundo a denúncia, Lula recebeu da empreiteira um tríplex no Guarujá (SP), além do pagamento do armazenamento de bens recebidos durante sua passagem pela Presidência da República”, ressaltou.

 

Roosevelt Vita: “se Temer é um coitadinho ingênuo, não pode ser presidente”

Advogado diz que não há caminho sem respeito à constituição

Roosevelt Vita opina sobre julgamento da chapa Dilma-Temer. Foto: Felipe Gesteira

O advogado e suplente do senador José Maranhão (PMDB), Roosevelt Vita, não se comoveu com as explicações do presidente Michel Temer (PMDB). O gestor peemedebista foi gravado em conversa com o dono da JBS, Joesley Batista, em conversa na qual apoiava a compra de silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O jurista, com larga militância no PMDB da Paraíba, diz não aceitar o discurso de golpe, armação e complô do PT. E diz mais: se “Temer se é um coitadinho ingênuo, não pode ser presidente”. “Essa (história de) não sei de nada , não me lembro, a gravação é clandestina, não impressiona nem à velhinha de Taubaté”, disse, citando a personagem criado por Luiz Fernando Veríssimo.

Para Vita, a gravação minimizada pelo presidente Temer é espantosa. “Meia hora de pelo menos uma dezena de crimes compartilhados e avalizados. Vai de compra a juiz, procurador, deputado, delator, político preso comprado para não denunciar, indicações para cargos estratégicos, entrada escondida no palácio, combinação de interlocutores, informações privilegiadas dadas pelo presidente”, disse. O peemedebista também criticou as relações do presidente. “Quem se acompanha de Geddel (Vieira Lima), (Jáder) Barbalho, (Renan) Calheiros, (Romero) Jucá, (Sérgio) Cabral, (Eliseu) Padilha, (Rodrigo) Loures, Moreira (Franco), et catera, não é líder, é quadrilheiro”, enfatizou.

E segue: “a vaidade, a cobiça e, sobretudo, o Poder, mostram o verdadeiro caráter. Bastava o ensinamento milenar das avós: ‘diz-me com quem andas e te direis quem és!’ Coerência, gente. O pau que dá em Chico tem que dar em Francisco”. Quem for podre que se quebre! Respeito à Constituição, mas punição aos corruptos. Viva a lei e a democracia. Faxina geral, em todos os Poderes, inclusive na leniência e complacência de certos togados comprometidos. Liberta quae sera tamem“. “O ‘x’ da questão me parece ser a conivência com o crime e com a impunidade. O resto é retórica de acobertamento, leniência e fuga de responsabilidade. Dura lex , sed lex. Fora da lei não há salvação para a Nação”, acrescentou.

Paraibanos citados na Lava Jato já projetam eleições de 2018

Citado em delação, Cássio Cunha Lima projeta disputa eleitoral para 2018. Foto: Divulgação/Agência Senado

O relógio voa contra a operação Lava Jato. Um levantamento publicado pela Folha de São Paulo neste domingo (14) mostra que parlamentares citados por delatores creem pouco em condenação. A maior parte deles, inclusive, já projeta as eleições de 2018. Entre os 84 procurados pela reportagem, dois paraibanos nutrem o desejo de “mergulhar” no pleito do ano que vem. São eles o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), cotado para a reeleição ou disputa do governo, e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP). Ambos são suspeitos de ter recebido dinheiro de caixa 2 pago por empreiteiras.

O traço comum entre os entrevistados pela Folha é a descrença na condenação. Todos, vale ressaltar, negam a irregularidade. Cássio e Aguinaldo, ao ser questionados, evitaram fazer críticas ao trabalho do Ministério Público Federal. Não há qualquer surpresa na reação dos parlamentares. A elite política brasileira está acostumada à benevolência do voto, muitas vezes conseguido através de intrincada e não republicana estrutura eleitoral. Mas o sinal de alerta foi aceso em vários partidos. Tucanos, petistas, pepistas e peemedebistas têm visto suas bases eleitorais secarem.

Acusações

Denúncias de corrupção, misturadas a pautas impopulares, fizeram os tucanos amargarem a mesma impopularidade do PMDB. Uma pesquisa feita pelo partido mostrou que dois terços dos eleitores que votaram no senador Aécio Neves, em 2014, se arrependeram. Por isso, ele perdeu a viabilidade eleitoral para 2018. O presidente Michel Temer (PMDB), também denunciado, tem avaliação pessoal inferior à de Dilma Rousseff (PT) antes do impeachment. Para completar, o ex-presidente Lula (PT), réu em cinco processos, terá dificuldades para ser eleito em 2018, mesmo que não seja condenado até lá.

Agora, convenhamos, chega a ser tolice a avaliação dos parlamentares de acharem que não haverá consequência para eles. Talvez nunca na história deste país o Legislativo esteja tão desacreditado. Não há dúvidas de que haverá profunda mudança na sua composição, no que o ex-juiz Marlon Reis, idealizador da Ficha Limpa, chama de “voto faxina”. Em relação ao Executivo, no ano passado, quando analisou o risco iminente de cassação da chapa Dilma-Temer, Cássio Cunha Lima não conseguiu, ao ser questionado, apontar na política tradicional um nome para a disputa indireta pelo cargo.

A política tradicional tem sofrido com a repercussão dos escândalos de corrupção. Mesmo assim, a Justiça dá provas de que não conseguirá fazer a tempo a faxina dos políticos que eventualmente venham a ser culpados. Ou seja, vai sobrar para o eleitor…