“Governistas”, MBL e Vem pra Rua perderam a capacidade de mobilização

Protesto minguado nas ruas de Brasília. Foto: Antônio Cruz/ABr

O fracasso nos protestos de rua promovidos, neste domingo (26), em várias capitais brasileiras tem uma explicação: o grupo perdeu o objeto. Em João Pessoa, por exemplo, apenas uns poucos gatos pingados saíram as ruas, boa parte deles para defender Bolsonaro para a Presidência da República, em 2018, ou mesmo para cobrar a volta do Regime Militar. A pauta de defesa da operação Lava Jato e contra o voto em lista não empolgaram.

O descrédito do movimento tem nome e sobrenome: excesso de governismo. Simplesmente, as pautas não empolgam por não estarem em consonância com os temores atuais da população. Se antes a saída de Dilma Rousseff (PT) do governo atraiu milhares de pessoas às ruas com a promessa de que tudo mudaria com a saída dela, os fantasmas do desemprego e da corrupção na estrutura estatal teimam em não deixar o Palácio do Planalto sem que isso incomode aos manifestantes.

Faltam também os apoiadores de antes. A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que bancava os patos nas manifestações, saiu de cena no momento em que o seu presidente, Paulo Skaf (PMDB), apareceu entre os citados na operação Lava Jato. Temas inquietantes como as reformas Previdenciária e Trabalhista são defendidos pelas lideranças do MBL e Nas Ruas, porém, enfrentam resistência popular. Para acabar, o projeto da Terceirização, também apoiado, foi alvo de protestos nas redes sociais.

 

Sem os temas de maior apelo popular na atualidade, os protestos deste domingo se centraram em pautas difusas como defesa do fim do foro privilegiado, combate à anistia do Caixa 2 e volta dos militares ao comando do país. Sim, não podemos esquecer também o fim do estatuto do desarmamento. A pauta, como ficou demonstrado, não agradou por falta de protagonismo.

Hackfest recebe apoio da ONU e ganhará abrangência nacional

Eduardo Carlos (E) conversa com Octávio Paulo Neto e Gabriel Aragão sobre o Hackfest. Foto: Cógenes Lira

No momento em que o ‘Hackfest de Combate à Corrupção’ recebe o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), os seus organizadores anunciam que a próxima edição do evento, prevista para ocorrer entre 9 e 11 de junho deste ano, no Espaço Cultural, terá abrangência nacional. O projeto, promovido em parceria pelo Ministério Público da Paraíba, Rede Paraíba de Comunicação e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), deve ser incluído pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no rol das iniciativas alinhadas com o desenvolvimento sustentável.

O apoio da ONU ao Hackfest será formalizado durante reunião na tarde desta terça-feira (14), às 15h30, na sede do Ministério Público. O alto comissariado da entidade está na Paraíba deste esta segunda-feira com o objetivo ver formalizado o compromisso do estado com a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. A lista de reuniões incluem encontros com representares da Assembleia Legislativa, Governo da Paraíba, Ministério Público e Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU).

A programação também inclui participação no seminário gestão recursos hídricos, em Campina Grande, que tem como base a agenda dos Objetivos do Milênio (ODS). Ao todo, são 17 os objetivos do milênio, além de 169 metas a serem alcançadas até 2030. No caso do Hackfest, a iniciativa conta com o apoio também do  Ministério Público e Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU) e do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê).

Acordo

Vão estar presentes à reunião o diretor do Pnud no Brasil, Didier Trebucq; a residente assistente Maristela Baioni; o assessor sênior Haroldo Machado; a oficial de Programa do Pnud, Leva Lazareviciute; e a analista Inalda Beder. Eles serão recebidos pelo procurador-geral de Justiça do MPPB, Bertrand Asfora, pelo empresário Eduardo Carlos, da Rede Paraíba de Comunicação, e pelo coordenador do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPB, Octávio Paulo Neto, responsável pela realização do Hackfest.

“Creio que o ingresso da ONU, por meio do Pnud, no hackfest revela a convergência da iniciativa com alguns pontos para o desenvolvimento sustentável, entre os quais a cidadania responsável, por meio da efetiva participação das coisas e negócios públicos”, ressaltou Octávio Paulo Neto. Ele acrescentou ainda que o evento é uma grande conjunção de saberes e propósitos, todos direcionados para uma melhor compreensão de nosso papel na sociedade. “Sempre no viés do exercício da cidadania consciente”, acrescentou.

Utilidade do Hackfest

Outra novidade é que o Hackfest deste ano será o evento master e contará com vários outros satélites. Também chamado de hack day ou codefest, o hackfest é uma maratona de programação na qual hackers se reúnem por longos períodos, com o objetivo de explorar dados abertos, desvendar códigos e sistemas lógicos, além de discutir novas ideias e desenvolver projetos de software ou até mesmo de hardware. Por ser um evento público, a maratona dá visibilidade e transparência a essas atividades, além de divulgar os novos produtos gerados.

Em 2016, o MPPB realizou, de forma pioneira, duas edições do ‘Hackfest de Combate à Corrupção’. A primeira delas ocorreu em agosto, nas dependências da sede do MPPB em Campina Grande, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A segunda, no mês de outubro, foi realizada com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa.

MBL volta às ruas e agora cobra o fim do desarmamento

Brasília – Vestidos com camisetas nas cores verde e amarelo, manifestantes se reúnem em Brasília a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (Valter Campanato/ Agência Brasil)

O Movimento Brasil Livre (MBL) vai promover manifestações em todo o país no dia 26 de março. A convocação foi divulgada pela direção do movimento que, acreditem, revelou dificuldade para fechar uma pauta. O grupo ganhou notoriedade nos últimos dois anos por denunciar corrupção no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula (PT). O tema corrupção, vale ressaltar, foi varrido do mote atual das manifestações, pensadas, segundo os dirigentes, para “para lembrarmos à classe política que O POVO ACORDOU”.

Veja os temas definidos:

  1. Brasil Sem Partido, pois não queremos um STF que se dobre às vontades deste ou de qualquer outro governo, agindo com lentidão para salvar os que têm Foro Privilegiado, utilizando-se dele para escapar da justiça;
  2. Não queremos interferência política na Lava Jato, nem tampouco que o Estado nos imponha o desarmamento enquanto os bandidos, armados até os dentes, matam nossos familiares;
    Queremos menos Estado e menos impostos;
  3. Queremos reformas que mudem verdadeiramente o país, com autonomia para os municípios e com flexibilização da CLT e a simplificação tributária;

Mesmo sem falar nas denúncias de corrupção dos agentes que integram o governo do presidente Michel Temer (PMDB), com muitos deles citados na operação Lava Jato, o MBL deixa um recado, se colocando como agente principal do impeachment de Dilma: “É hora de a classe política entender que ou seguem a voz das ruas, ou sofrerão as consequências. O impeachment foi um aviso a todos os políticos”.

Malafaia diz que “oferta” de bandido não o torna bandido

O pastor Silas Malafaia usou as redes sociais, nesta sexta-feira (16), para se pronunciar sobre a operação Timóteo, desencadeada pela Polícia Federal e que foi à casa do religioso, no Rio de Janeiro, com o fim de cumprir mandado de condução coercitiva do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A operação apura suposta organização criminosa investigada por corrupção em cobranças de royalties da exploração mineral. A PF apura se Malafaia teria usado a igreja para ajudar na lavagem de dinheiro do esquema.

Na operação, o filho do governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), Alberto Lima Silva Jatene foi alvo de um mandado de prisão temporária. Ele não foi detido, segundo sua assessoria jurídica, porque estavam em viagem e vai se apresentar à Justiça. Também foram presos em Brasília Marco Antônio Valadares Moreira, diretor de procedimentos arrecadatórios do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, e a mulher dele Lilian Amâncio Valadares Moreira.

Pelo Twitter, Malafaia disse que foi acordado com um telefonema o informando da presença da Polícia Federal na sua casa. Ele alega que vai se apresentar e jurou inocência. Ele se encontra em São Paulo. “Declaro no imposto de renda tudo o q recebo. Quer dizer q se alguém for bandido e me der uma oferta, sem eu saber a origem, sou bandido?”, disse.

O pastor Malafaia admite que recebeu uma doação de R$ 100 mil dos suspeitos. A ação recebeu o nome de “Operação Timóteo” em referência a uma passagem do livro Timóteo, da Bíblia: ” Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos”.

Confira o áudio publicado pelo pastor

 

Para justificar voto, Couto diz que ‘medidas criavam o deus anticorrupção’

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O deputado federal Luiz Couto (PT) usou as redes sociais para justificar a votação contra a proposta que propunha as dez medidas contra a corrupção, na Câmara. O posicionamento ocorreu após a repercussão negativa entre eleitores do parlamentar. Couto argumenta que as medidas criavam o “deus anticorrupção do século XXI” e parabenizou o PT pelas propostas acrescentadas ao projeto original. Para ele, o texto, relatado por Onyx Lorenzoni (DEM-RS), “seguiu muitas fantasias e modificou as propostas apresentadas pelos membros do Ministério Público”.

O parlamentar fez pronunciamento nesta quinta-feira (1º) com os argumentos que fez constar na postagem. A votação das dez medidas ocorreu na madrugada da quarta-feira (30). Entre os substitutivos apoiados por Luiz Couto está o que criminaliza o abuso de autoridade cometido por magistrados e promotores.

 

 

“Fizemos três modificações essenciais. A primeira foi a retirada do condicionamento da progressão do regime de cumprimento de pena ao ressarcimento de danos causados por crime contra a administração pública. O segundo destaque foi proposto na intenção de fazer mudanças nas regras de prescrição dos crimes, como a contagem do tempo a partir do oferecimento da denúncia e não do recebimento e a prescrição retroativa. O terceiro destaque foi para retirar todos os artigos sobre reformulação das regras relativas aos acordos de leniência, que serão reanalisados em Comissão Especial especifica da reformulação do Código de Processo Penal”, explicou o parlamentar.

Couto deixou claro que votou com a convicção de fazer melhorias e mudanças ao quadro de corrupção vivenciado no Brasil: “Alerto nossos compatriotas brasileiros que precisamos de mais iniciativas, mais mudanças, mais compromisso no combate à corrupção, no enfrentamento à corrupção e menos brilhantismo, menos espetáculo, menos populismo e menos mercantilismo no Brasil. Destaco meu compromisso no enfrentamento à corrupção. Tenho levantado teses, neste plenário, que não agradam o deus mercado e muito menos aos anjos políticos que agradam o deus mercado”, disse o deputado paraibano.

A postagem resultou em um misto de elogios e críticas nas redes sociais.

 

Confira como paraibanos ajudaram a desfigurar as “medidas contra a corrupção”

Plenario_votacao_Foto_Gustavo Lima_Camara dos Deputados2São 12 deputados federais paraibanos e praticamente todos eles contribuíram com a desfiguração das “medidas contra a corrupção” durante votação na Câmara dos Deputados, na madrugada desta quarta-feira (30). A proposta, gestada através de uma discussão puxada pelo Ministério Público, foi aprovada no plenário e, em seguida, desfigurada completamente através dos destaques aprovados, em sua maioria, com a participação dos deputados paraibanos, em grande parte, preocupados em salvar a própria pele.

Veja como eles votaram e guarde estes nomes:

Sujeita promotores e juízes a punição por crime de responsabilidade

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 313 votos a 132 e 5 abstenções, emenda do deputado Weverton Rocha (PDT-MA) ao projeto de lei com medidas contra a corrupção (PL 4850/16), prevendo casos de responsabilização de juízes e de membros do Ministério Público por crimes de abuso de autoridade. Entre os motivos listados está a atuação com motivação político-partidária. No momento, está em debate destaque do PSB que pretende retirar do texto a possibilidade de os órgãos públicos realizarem o teste de integridade com servidores públicos.

juizes

Retirada do teste de integridade das medidas anticorrupção

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 326 a 14, destaque do PSB e retirou do projeto de lei de medidas contra a corrupção (PL 4850/16) a possibilidade de os órgãos públicos realizarem o teste de integridade com servidores públicos. Está em debate, no momento, outro destaque do PSB que pretende retirar do texto todas as regras sobre o Programa Nacional de Proteção e Incentivo a Relatos de Informações de Interesse Público.
Com o programa, qualquer cidadão que relatar atos ilícitos perante a administração contará com proteção contra atentados a sua integridade física, além de retribuição vinculada ao valor recuperado.

integridade

Retirada do confisco de bens provenientes de corrupção

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 317 votos a 97, destaque do PR e retirou do projeto de lei de medidas contra a corrupção (PL 4850/16) todas as regras sobre a extinção de domínio de bens e propriedades do réu quando sejam provenientes de atividade ilícita ou usados para tal. Está em debate, no momento, destaque do PT que pretende retirar do texto o condicionamento da progressão do regime de cumprimento de pena ao ressarcimento de danos causados por crime contra a administração pública. Igual restrição é aplicada para o livramento condicional e a concessão de indulto.

confisco

Excluída regra que vincula progressão penal ao ressarcimento de danos

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 210 votos a 152, destaque do PT e retirou do projeto de lei de medidas contra a corrupção (PL 4850/16) o condicionamento da progressão do regime de cumprimento de pena ao ressarcimento de danos causados por crime contra a administração pública. Igual restrição seria aplicada para o livramento condicional e a concessão de indulto. Está em debate, no momento, destaque do PT que pretende retirar do texto mudanças nas regras de prescrição dos crimes, como a sua contagem a partir do oferecimento da denúncia e não do seu recebimento.

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Mudanças na prescrição de crimes são retiradas do pacote anticorrupção

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 301 votos a 107, destaque do PT e retirou do projeto de lei de medidas contra a corrupção (PL 4850/16) mudanças nas regras de prescrição dos crimes, como a sua contagem a partir do oferecimento da denúncia e não do seu recebimento. Está em debate, no momento, destaque do bloco PP-PTB-PSC que retira do texto a tipificação do crime de enriquecimento ilícito e a decretação de perda estendida de bens de origem ilícita, a favor da União, se assim considerados por consequência da condenação transitada em julgado por vários crimes.

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Retira da tipificação do crime de enriquecimento ilícito

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 222 votos a 173, destaque do bloco PP-PTB-PSC e retirou do projeto de lei de medidas contra a corrupção (PL 4850/16) a tipificação do crime de enriquecimento ilícito e a decretação de perda, em favor da União, de bens de origem ilícita assim considerados por consequência da condenação por vários crimes. Está em debate, no momento, destaque do Psol que pretende excluir do texto todo o trecho sobre o acordo penal, que poderá ser formalizado após o recebimento da denúncia e até a promulgação da sentença, implicando a confissão do crime e a reparação do dano.

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Acordo penal é retirado do projeto de combate à corrupção

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 220 votos a 151, destaque do Psol e retirou do projeto de lei de medidas contra a corrupção (PL 4850/16) todo o trecho sobre o acordo penal, que poderia ser formalizado após o recebimento da denúncia e até a promulgação da sentença, implicando a confissão do crime e a reparação do dano.
De autoria do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o texto das medidas anticorrupção prevê a tipificação do crime eleitoral de caixa dois, a criminalização do eleitor pela venda do voto, a transformação de corrupção que envolve valores superiores a 10 mil salários mínimos em crime hediondo e o escalonamento de penas de acordo com os valores desviados.

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Temer caminha para o mesmo fim que ajudou a dar a Dilma

Michel Temer

Michel Temer

Passados seis meses da chegada do presidente Michel Temer ao poder, o único legado apresentado pelo peemedebista até o momento foi ter tirado do poder a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), dona de uma gestão desastrosa e que, pelo jeito, fez escola no cargo. Nada do que foi prometido pelo novo governo saiu do papel, pelo menos não o que pode ser colocado na conta de positivo. A economia não dá sinais de melhora, apesar dos prognósticos otimistas do governo. A equipe de ministros escolhida pelo sucessor da petista consegue ser mais desastrosa que a anterior – são seis ministros demitidos em poucos meses. E os motivos são a cereja no bolo: praticamente todos por causa de desvio de conduta ou roubo mesmo.

A grande diferença de Temer em relação a Dilma, até o momento, é a benevolência das elites brasileiras com os erros grotescos do peemedebista na condução tanto no campo econômico como político e ainda a ampla base parlamentar. Condição, cá prá nós, com prazo de validade. O peemedebista chegou ao poder por que ninguém aguentava mais os erros da gestora petista, que fez um primeiro mandato pensando apenas e se reeleger e, para isso, comprometeu a política econômica do país. A paciência dos aliados se esgotou com ela e há fortes indícios de que não vai demorar com o peemedebista, também, que tem o agravante de ter chegado ao poder sem nenhum apoio popular.

Assim como no futebol…

Se Dilma, usando uma linguagem futebolística, era uma espécie de Felipão, que conduziu o país rumo ao 7×1, Temer tem se comportado como um Dunga, cuja cabeça logo estará a prêmio enquanto se procura um Tite para comandar o país. A comparação é grosseira porque na política nacional não salta aos olhos ninguém que possa exercer esse papel de salvador da pátria. Mas não falta quem se venda como opção para tal. É lógico que não haverá pressão ainda neste ano, pois isso resultaria na convocação de eleições diretas, abrindo espaço para uma provável vitória de Lula (PT). Mas a partir de janeiro, tudo muda. A eleição seria indireta, facilitando as coisas para quem tiver o centrão ao seu lado. Chance para Aécio Neves (PSDB).

Se houver pressão popular, é fácil acreditar que o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ande rápido. O relator da ação, o ministro paraibano Herman Benjamin, deverá dar seu voto sobre o processo no próximo ano. Essa é a previsão do presidente da Corte, Gilmar Mendes, externada durante visita à Paraíba, na última sexta-feira (25). Apesar do julgamento ter aspectos técnicos, historicamente, o tribunal sofre muito com as pressões da opinião pública. E isso influencia… e como influencia no resultado final dos julgamentos. Um risco para Temer, que tenta o desmembramento das contas de campanha para tentar sair ileso do processo.

Odebrecht

Esta semana será uma verdadeira prova de fogo para Temer e sua equipe de ministros, por causa das assinaturas da delação dos executivos da  Odebrecht. O que se comenta é a existência de mais de 100 políticos implicados, inclusive o presidente. Dependendo das afirmações e da gravidade delas, não vai faltar pressão sobre o governo. Durante entrevista coletiva neste domingo (27), o próprio presidente, se referindo aos seus auxiliares, expressou preocupação com eventuais denúncias contra eles. Há informações de que o próprio peemedebista teria cobrado propina e que o nome dele pode aparecer entre os delatados.

Mas não era possível imaginar outra coisa quando estava em curso a articulação pela troca de comando do governo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Barroso, na época, demonstrou perplexidade ao analisar as alternativas de poder no país. O tempo mostrou que ele estava certo. Temer colocou em pontos estratégicos do seu governo figuras como o senador Romero Jucá (Planejamento) e Henrique Alves (Turismo), além de outros, e eles são muitos, que só ganham repercussão quando falam alguma besteira. Os dois citados foram demitidos por causa de escândalo. O primeiro, inclusive, ficou conhecido pelas gravações que demonstraram o seu interesse em “estancar a sangria” e acabar com a operação Lava-Jato.

A semente do caos político foi plantada durante o governo Dilma Rousseff e ela pagou o preço no seu segundo mandato. Um destino ao qual Michel Temer dificilmente conseguirá fugir. O escândalo e a crise com Marcelo Calero parece não ter sido o último.

‘Batida de pino’ de Renato Martins ocorreu após tentar apoio de Cartaxo

Renato Martins fez denúncias graves contra aliados. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

Renato Martins culpa a derrota pelas declarações contra aliados. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

O vereador de João Pessoa, Renato Martins (PSB), usou a tribuna da Câmara Municipal, nesta terça-feira (18), para dar provas incontestes de que ‘pino é feito para ser batido’. Depois de 15 dias de silêncio e recolhimento, seguidos às graves denúncias contra lideranças da sigla, acusadas por eles de fazerem uso de corrupção para eleger uma bancada socialista para a Casa, o parlamentar contemporizou. Atribuiu as denúncias contra a deputada Estela Bezerra, a secretária de Administração, Livânia Farias, e ao procurador Geral do Estado, Gilberto Carneiro, ao destempero provocado por sua derrota nas urnas.

“Vazaram um zap onde debatia com um filiado do PSB, pertencente a um grupinho que fazia chacota comigo. Não vazei o áudio. Aproveitaram um momento de emoção diante da dor de uma derrota para me prejudicar por disputas pequenas por espaço. Meu interesse era me defender daquela chacota. Bateram em mim e eu usei as fofocas que se escutam em todas as esquinas para me defender. Eu estava num momento de emoção. A derrota emociona. Este grupo veio tirar onda e na mesma hora respondi com aquilo que escuto em todo canto”, disse Martins na sessão desta segunda-feira (18).

Renato Martins em Brasília, pouco antes das audiências

Renato Martins em Brasília, pouco antes das audiências

A convicção do vereador em relação às denúncias foi reduzindo com o tempo. Os áudios com as acusações foram vazados no dia 5 deste mês, portanto, três dias após as eleições. Diferente do que é dito agora, o vereador se manteve na ofensiva no primeiro momento. Ao ser ameaçado de processo pela direção municipal do partido, disse que teria como comprovar tudo. Fez postagem no Facebook neste sentido, depois apagada por ele. No mesmo dia, seguiu para Brasília, onde buscou uma audiência com um deputado aliado do prefeito Luciano Cartaxo (PSD). Queria apoio. Disse que o partido pediu para assinar uma carta negando tudo e ele recusou. Garantia ter provas das acusações. O encontro com o aliado de Cartaxo ocorreu antes de uma audiência com o deputado Damião Feliciano.

Na reunião com o aliado de Cartaxo, Renato Martins pediu uma audiência com o prefeito reeleito, mas foi avisado posteriormente que o pessedista não entraria nesta polêmica. Na sequência, o vereador viajou para Fortaleza, no Ceará, sua cidade natal. De lá, manteve contato com aliados. Sem o apoio esperado dos adversários, manifestou arrependimento das acusações e disse que usaria o plenário da Câmara para negar tudo. Um dos seus aliados disse nesta segunda-feira (18) que havia retratação por parte do vereador. Representantes da bancada de oposição na Assembleia procuraram o Ministério Público e pediram investigação.

Renato Martins em postagem apagada das redes sociais

Renato Martins em postagem apagada das redes sociais

Renato Martins chegou a ser convidado pelo Ministério Público da Paraíba a dar explicações sobre as acusações feitas. Um aliado próximo ao vereador relatou que, na época, ele o convidou a se unir na “guerra” contra o que chamou de corruptos do partido. Não conseguiu convencê-lo. Sem o apoio que esperava, o vereador foi convencido a desmentir tudo e colocar a culpa na emoção por conta da derrota e isso foi feito. A tendência, agora, é que os processos prometidos por Estela, Gilberto Carneiro e o vereador eleito Tibério Limeira sejam retirados.

Lembrando a denúncia

Após sair das urnas derrotado, o vereador foi alvo de um vazamento de um áudio com denúncias sérias. Nele, Renato Martins dizia que lideranças do partido fizeram uso de corrupção, com o auxílio do governo do Estado, para financiar “corruptos” da sigla para a Câmara Municipal. A lista de “corruptores” apontada incluía a deputada estadual Estela Bezerra (PSB), a secretária de Administração, Livânia Farias, e até o procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro.

“É a corrupção de Livânia (Farias) que bancou a eleição de Tanilson (Soares), somada ao roubo que Tibério (Limeira) fez. Ele e Estela saquearam o dinheiro do Estado ao longo dos quatro anos. De vários órgãos, inclusive com Krol (Jânio, da Codata), com muita tecnologia, inclusive ai dentro de um laboratório para a Educação e vendendo aparelhos de nota fiscal para órgãos comerciais, estabelecimentos comerciais foram obrigados a trocar um aparelho de R$ 500 por outro de R$ 3 mil, comprado de uma empresa ligada a Krol”, disse.

Renato Martins continuou dizendo que tudo teria ocorrido “com intermédio de Estela Bezerra, a deputada corrupta. E claro que a deputada corrupta fez um vereador corrupto para ter silêncio na Câmara. Não vão fazer opinião, são silenciosos. São corruptos igual a (Luciano) Cartaxo (prefeito reeleito de João Pessoa)”. Ele continua: “Tanilson (Soares) recebeu dinheiro de Livânia, que é corrupta maior, chefe, né? Da corrupção dentro do Estado. E aí você tem correndo por fora Tanilson, que tem um dinheiro próprio, com Léo Bezerra que saqueou a Saúde, inventando mentiras. Saqueou o Detran, com as casas lotéricas, com as maquinetas, saqueou a Lotep”.

E completou, em outro áudio, com acusações contra Gilberto Carneiro, acusado por ele de envolvimento no caso Desck. “Ele (Carneiro) até impediu a CPI da Lagoa, porque não queria ir mais para a Câmara, naquele escandaloso caso em que ele recebeu comissão na compra de material escolar que nunca chegou nas escoals. Nestes casos a gente precisa agir. É papel do vereador lutar e eu sou um vereador de luta”, disse. Procurado pelo blog nesta manhã, Renato Martins não atendeu e nem retornou as ligações. Um assessor dele disse que o parlamentar garantiu ter como provar as acusações e que tem mais coisas para revelar.

A única entre os eleitos a não ser citada na relação de beneficiados com corrupção por Renato Martins foi a vereadora eleita Sandra Marrocos. O partido elegeu ainda Léo Bezerra, Tanilson Soares e Tibério Limeira.

Equipe apresenta aplicativo de combate à corrupção premiado no Hackfest

A equipe Sherlock APP, vencedora da segunda edição do ‘Hackfest Contra a Corrupção’, promovida no fim de semana na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), gravou vídeo no qual apresenta o funcionamento do aplicativo desenvolvido para o rastreamento dos casos de superfaturamentos em contratos firmados pelos governos municipal, estadual ou federal. O cidadão, por meio da ferramenta, poderá comparar os preços pagos por produtos encontrados no mercado. Se houver muita discrepância, os indícios de sobrepreço saltarão aos olhos e os órgãos de controle, a exemplo da Controladoria Geral da União (CGU), poderão ser alertados. A equipe vencedora foi formada por Joel Alves e William Meneses, mestrandos do Programa de Pós- Graduação em Informática Aplicada (PPGIA) da Universidade Federal Rural da Pernambuco; e as estudantes de Ciências Contábeis da UFPB, Cleydiane Oliveira e Rebeca Cavalcanti.

‘Hackfest Contra a Corrupção’ foca o controle dos gastos públicos

hackfest

O fim de semana ensolarado deu lugar, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a um empolgante debate sobre algoritmos, dados abertos e o melhor, o combate ao mau uso do dinheiro público. Neste domingo (9), chegou ao fim a segunda edição do ‘Hackfest Contra a Corrupção’. O evento contou com a participação de 60 estudantes, que foram divididos em oito equipes. A equipe Sherlock APP ganhou o prêmio de ferramenta mais criativa.

A equipe vencedora foi formada por Joel Alves e William Meneses, mestrandos do Programa de Pós- Graduação em Informática Aplicada (PPGIA) da Universidade Federal Rural da Pernambuco; e as estudantes de Ciências Contábeis da UFPB, Cleydiane Oliveira e Rebeca Cavalcanti. Eles desenvolveram um aplicativo que vai ajudar ao cidadão a colaborar com vários órgãos de controle. Eles conseguiram juntar o estudo à transparência, voltada aos observatórios sociais.

“Queremos contribuir com o aplicativo de uma forma bem interativa. Nossa equipe teve a ideia de fazer uma coisa muito parecida com observatório social, tanto que o tema iria ser ‘observatório social na palma da mão’, mas transformamos em ‘Sherlock APP’ para deixá-lo bem investigativo, tipo detetive, em alusão ao seriado Sherlock Homes”, disse Rebeca comunicando que em breve o aplicativo estará disponível para o cidadão. Esse é o segundo prêmio conquistado pela equipe, o primeiro foi Hacker Cidadão promovido pela empresa de informática Emprel em Recife (PE).

As ferramentas apresentadas, algumas ainda em fase de finalização, prometem ajudar bastante a sociedade e os órgãos de controle a fiscalizar a aplicação do dinheiro público. O ‘Hackfest Contra a Corrupção’ teve início na sexta-feira (7) e se estendeu até o domingo. O evento foi promovido pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio do seu Núcleo de Gestão do Conhecimento, em parceria com o Instituto UFPB de Desenvolvimento da Paraíba e o Laboratório de Transparência Pública (LabTransp) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB, a Controladoria Geral da União (CGU), a Rede Paraíba de Comunicação, a Controladoria Geral do Município de João Pessoa e com o apoio da Associação Paraibana do Ministério Público (APMP).

Os cerca de 60 estudantes participantes são dos Cursos de Ciência da Computação (ou áreas afins), Direito, Ciências Contábeis e Gestão Pública da UFPB. Durante o evento, eles contaram com suporte de integrantes da CGU e do Ministério Público. Entre as ferramentas, algumas adquiriram características de game, com pontuação para os usuários que colaborarem, por exemplo, com a fiscalização da qualidade da merenda escolar.

Compromisso dos vereadores

Os organizadores do ‘Hackfest Contra a Corrupção’ convidaram os noves vereadores eleitos pela primeira vez para a Câmara Municipal de João Pessoa para comparecerem ao encerramento do evento. O objetivo: conseguir deles o compromisso de que vão se dedicar durante o mandato com a busca pela transparência. Inclusive, a transparência das ações no Legislativo. Dos nove, três compareceram e dois assumira compromisso por escrito ou por meio de vídeo.

Foram convidados Bispo José Luiz (PRB), Damásio Franca Neto (PP), Humberto Pontes (PTdoB), Leo Bezerra (PSB), Marcos Henriques (PT), Milanez Neto (PTB), Tanilson Soares (PSB), Thiago Lucena (PMN) e Tibério Limeira (PSB). Deles, compareceram Milanez Neto, Humberto Pontes e Marcos Henriques. Thiago Lucena e Tibério Limeira mandaram comunicado, assumindo o compromisso em favor da transparência.