Pequeno dicionário da Lava Jato tem “drogas”, “suruba”, “Bessias” e “mata ele”

Políticos grampeados dão desculpas esfarrapadas para as denúncias

Aécio Neves teve grampos comprometedores divulgados recentemente. Foto: Igo Estrela/PSDB

O que quer dizer “Tem que manter isso aí, viu”, dito presidente Michel Temer (PMDB) após o empresário Joesley Batista, da JBS, falar que estava comprando o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)? Os investigadores da operação Lava Jato têm uma tese. O gestor tem outra. Para a Polícia Federal, fica claro que Temer concordou com a operação para impedir que o ex-deputado fale o que sabe. Há, nos bastidores, o temor de que ele revele coisas comprometedoras que envolvam o gestor peemedebista. Segundo Temer, porém, ele se referia à sugestão para o empresário manter a boa relação com a família de Cunha.

Mas esse é apenas um entre vários outros deslizes da classe política flagrada em grampos em conversas pouco republicanas. Deslizes, vale ressaltar, que vão de petistas, como os ex-presidentes Dilma Rousseff e Lula, ambos do PT, a tucanos como o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). A mais recente é o do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), em conversa com Aécio. Ele diz que não faz nada de errado na vida, só trafica drogas. A referência é ao caso do helicóptero apreendido com drogas no Espírito Santo, em 2013, e que pertence à família do parlamentar. O parlamentar sempre reclamou das acusações, mas admitiu em conversa grampeada pela Polícia Federal.

Confira casos emblemáticos de grampos relacionados à Operação Lava Jato divulgados pela PF

Dilma Rousseff em conversa com Lula (março de 2016)
“Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”, disse Dilma a Lula, num dia antes da posse do ex-presidente”.
Versão alternativa: Não houve. A presidente apenas tratou o grampo como clandestino e inadmissível. Bessias era Jorge Rodrigo Araújo Messias, escalado por Dilma Rousseff para entregar a Lula o termo de posse como Ministro da Casa Civil. O áudio teve o sigilo levantado pelo juiz Sério Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância. O caso acabou sendo o pivô da derrocada de Dilma

 

Lula falando sobre procurador-geral da República, Rodrigo Janot (março de 2016)
“Esse cara (Rodrigo Janot) se fosse formal não seria procurador-geral da República, teria tomado no c*, teria ficado em terceiro lugar (…) Quando eles precisam não tem formalidade, quando a gente precisa é cheio de formalidade”
Versão alternativa: não houve versão alternativa ou desmentido

 

Romero Jucá em áudio gravado por Sérgio Machado (maio de 2016)
“Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, interpretado como estímulo ao impeachment de Dilma para que o PMDB parasse a Lava Jato
Versão alternativa: Jucá criticou o ex-presidente da Transpetro e disse que não se referia ao impeachment de Dilma

Romero Jucá em entrevista ao falar do fim do foro privilegiado (fevereiro de 2007)

“Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada”
21 de fevereiro
Versão alternativa: disse que se referia à música da banda Mamonas Assassinas, cujos integrantes morreram em acidente aéreo na década passada.

 

Michel Temer gravado por Joesley Batista (maio de 2017)

“Tem que manter isso aí, viu”, logo depois de o dono da JBS dizer que estava dando dinheiro à família de Eduardo Cunha para ele ficar de bico calado
Versão alternativa: Michel Temer disse que a frase se referia a manter uma boa relação com a família de Cunha

 

Aécio Neves (PSDB-MG) gravado em conversa com Joesley Batista (maio de 2017)

“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, em relação à entrega dos R$ 2 milhões de suposta propina paga pela JBS ao senador
Aécio Neves
Versão alternativa: o dinheiro citado seria de um empréstimo, oferecido como uma opção à oferta de Aécio para que o empresário comprasse a casa onde vive a mãe dele, no Rio

Aécio Neves gravado enquanto dava carão no senador Zezé Perrella (PMDB-MG) (maio de 2017)

“Eu vou dar uma entrevista nesse sentido. Eu posso ter sido infeliz [na entrevista], mas é que eu sou muito agredido até hoje por causa do negócio do helicóptero, sabe Aécio? Eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas”
Versão alternativa: Zezé Perrella fez pronunciamento no Senado dizendo que é ainda muito criticado por causa do episódio em que foram encontradas drogas no helicóptero pertencente à família dele, no Espírito Santo, em 2013

Líder tucano diz que Aécio é “ladrão” e quer ver ele preso

 

Tovar Correia Lima cobra também a prisão de Lula

Tovar Correia Lima cobra punições para o ex-presidente do seu partido. Foto: Roberto Guedes/ALPB

O deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB) usou a tribuna na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), nesta quinta-feira (25), para falar das denúncias de corrupção envolvendo o senador afastado Aécio Neves. “Eu votei em Aecio e vocês em Lula. São dois ladrões, mas a diferença é que eu quero Aécio preso e vocês querem Lula presidente”, disse o parlamentar, se direcionando aos aliados do governador Ricardo Coutinho (PSB). O tucano, líder da oposição na Casa, fez o desabafo após a ironia dos adversários.

Tovar afirmou que lugar de quem rouba, de quem pratica corrupção é na cadeia e não no comando do país. Ele falou sobre a grave crise política e ética que o Brasil vive e defendeu mudanças. Aécio Neves está sendo investigado por ter pedido propina no valor de R$ 2 milhões aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do frigorífico JBS. Tudo foi registrado em áudio e vídeo. Após a delação dos empresários, o parlamentar foi “convidado” a deixar o comando do PSDB e foi afastado do cargo de senador por decisão do ministro Edson Fachin.

A irmã de Aécio Neves, Andréa, e o primo, Fred Pacheco, foram presos durante operação da Polícia Federal. Coube a irmã formular o pedido do dinheiro aos empresários. Já o primo ficou com a missão de receber o dinheiro. Em vídeo em uma rede social, o tucano disse que o dinheiro solicitado ao empresário foi dado por empréstimo. O recurso seria usado para ele custear as despesas com advogados para fazer a sua defesa na Justiça. O tucano é investigado em sete denúncias formuladas pela Procuradoria Geral da República. O órgão, inclusive, pediu a prisão do senador afastado.

Em nota divulgada com a imprensa, para justificar a citação de Lula, Tovar Correia Lima falou das denúncias contra o ex-presidente Lula. “O ex-presidente é réu em seis ações penais. Uma delas sob a acusação de ter recebido propina da OAS, no âmbito do esquema de corrupção em contratos da Petrobras. Segundo a denúncia, Lula recebeu da empreiteira um tríplex no Guarujá (SP), além do pagamento do armazenamento de bens recebidos durante sua passagem pela Presidência da República”, ressaltou.

 

Roosevelt Vita: “se Temer é um coitadinho ingênuo, não pode ser presidente”

Advogado diz que não há caminho sem respeito à constituição

Roosevelt Vita opina sobre julgamento da chapa Dilma-Temer. Foto: Felipe Gesteira

O advogado e suplente do senador José Maranhão (PMDB), Roosevelt Vita, não se comoveu com as explicações do presidente Michel Temer (PMDB). O gestor peemedebista foi gravado em conversa com o dono da JBS, Joesley Batista, em conversa na qual apoiava a compra de silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O jurista, com larga militância no PMDB da Paraíba, diz não aceitar o discurso de golpe, armação e complô do PT. E diz mais: se “Temer se é um coitadinho ingênuo, não pode ser presidente”. “Essa (história de) não sei de nada , não me lembro, a gravação é clandestina, não impressiona nem à velhinha de Taubaté”, disse, citando a personagem criado por Luiz Fernando Veríssimo.

Para Vita, a gravação minimizada pelo presidente Temer é espantosa. “Meia hora de pelo menos uma dezena de crimes compartilhados e avalizados. Vai de compra a juiz, procurador, deputado, delator, político preso comprado para não denunciar, indicações para cargos estratégicos, entrada escondida no palácio, combinação de interlocutores, informações privilegiadas dadas pelo presidente”, disse. O peemedebista também criticou as relações do presidente. “Quem se acompanha de Geddel (Vieira Lima), (Jáder) Barbalho, (Renan) Calheiros, (Romero) Jucá, (Sérgio) Cabral, (Eliseu) Padilha, (Rodrigo) Loures, Moreira (Franco), et catera, não é líder, é quadrilheiro”, enfatizou.

E segue: “a vaidade, a cobiça e, sobretudo, o Poder, mostram o verdadeiro caráter. Bastava o ensinamento milenar das avós: ‘diz-me com quem andas e te direis quem és!’ Coerência, gente. O pau que dá em Chico tem que dar em Francisco”. Quem for podre que se quebre! Respeito à Constituição, mas punição aos corruptos. Viva a lei e a democracia. Faxina geral, em todos os Poderes, inclusive na leniência e complacência de certos togados comprometidos. Liberta quae sera tamem“. “O ‘x’ da questão me parece ser a conivência com o crime e com a impunidade. O resto é retórica de acobertamento, leniência e fuga de responsabilidade. Dura lex , sed lex. Fora da lei não há salvação para a Nação”, acrescentou.

Paraibanos citados na Lava Jato já projetam eleições de 2018

Citado em delação, Cássio Cunha Lima projeta disputa eleitoral para 2018. Foto: Divulgação/Agência Senado

O relógio voa contra a operação Lava Jato. Um levantamento publicado pela Folha de São Paulo neste domingo (14) mostra que parlamentares citados por delatores creem pouco em condenação. A maior parte deles, inclusive, já projeta as eleições de 2018. Entre os 84 procurados pela reportagem, dois paraibanos nutrem o desejo de “mergulhar” no pleito do ano que vem. São eles o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), cotado para a reeleição ou disputa do governo, e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP). Ambos são suspeitos de ter recebido dinheiro de caixa 2 pago por empreiteiras.

O traço comum entre os entrevistados pela Folha é a descrença na condenação. Todos, vale ressaltar, negam a irregularidade. Cássio e Aguinaldo, ao ser questionados, evitaram fazer críticas ao trabalho do Ministério Público Federal. Não há qualquer surpresa na reação dos parlamentares. A elite política brasileira está acostumada à benevolência do voto, muitas vezes conseguido através de intrincada e não republicana estrutura eleitoral. Mas o sinal de alerta foi aceso em vários partidos. Tucanos, petistas, pepistas e peemedebistas têm visto suas bases eleitorais secarem.

Acusações

Denúncias de corrupção, misturadas a pautas impopulares, fizeram os tucanos amargarem a mesma impopularidade do PMDB. Uma pesquisa feita pelo partido mostrou que dois terços dos eleitores que votaram no senador Aécio Neves, em 2014, se arrependeram. Por isso, ele perdeu a viabilidade eleitoral para 2018. O presidente Michel Temer (PMDB), também denunciado, tem avaliação pessoal inferior à de Dilma Rousseff (PT) antes do impeachment. Para completar, o ex-presidente Lula (PT), réu em cinco processos, terá dificuldades para ser eleito em 2018, mesmo que não seja condenado até lá.

Agora, convenhamos, chega a ser tolice a avaliação dos parlamentares de acharem que não haverá consequência para eles. Talvez nunca na história deste país o Legislativo esteja tão desacreditado. Não há dúvidas de que haverá profunda mudança na sua composição, no que o ex-juiz Marlon Reis, idealizador da Ficha Limpa, chama de “voto faxina”. Em relação ao Executivo, no ano passado, quando analisou o risco iminente de cassação da chapa Dilma-Temer, Cássio Cunha Lima não conseguiu, ao ser questionado, apontar na política tradicional um nome para a disputa indireta pelo cargo.

A política tradicional tem sofrido com a repercussão dos escândalos de corrupção. Mesmo assim, a Justiça dá provas de que não conseguirá fazer a tempo a faxina dos políticos que eventualmente venham a ser culpados. Ou seja, vai sobrar para o eleitor…

Lula x Moro: relembre as cinco ações penais que pesam contra o ex-presidente

Ex-gestor é réu em cinco ações penais na primeira instância

Lula será ouvido nesta quarta por Sérgio Moro. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará frente a frente com o juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, nesta quarta-feira (10). O clima, o que não é o desejável, é de guerra, com policiais fortemente armados. Tudo por que a militância ligada ao ex-gestor estará por lá para protestar e há o grupo simpático à operação Lava Jato ao lado de Moro. As imagens divulgadas mostram a chegada de policiais que vão ocupar as ruas. O depoimento do petista está marcado para acontecer às 14h, no prédio da Justiça Federal em Curitiba. Lula é o último ouvido em uma série de sabatinas relacionadas ao processo relativo ao tríplex do Guarujá, no litoral de São Paulo, além do armazenamento de bens do ex-presidente em um depósito pago pela empreiteira. LEIA MAIS

HackFest: estão abertas as inscrições para maratona contra corrupção

Hackfest Contra a Corrupção tem reunido cada vez mais participantes. Crédito: Divulgação/MPPB

As inscrições para a 3ª edição do ‘HackFest Contra a Corrupção’ já estão abertas. O regulamento para o evento foi publicado na edição de quarta-feira (3) do Diário Oficial Eletrônico (DOE) do Ministério Público da Paraíba (MPPB). A maratona de programação vai ocorrer entre os dias 9 a 11 de junho, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa. O objetivo é estimular a geração de conhecimento para o enfrentamento da corrupção e melhoria da gestão pública pelo controle social. Para isso, os inscritos deverão produzir ferramentas tecnológicas a serem utilizadas pela sociedade, estimulando a participação colaborativa e voluntária dos atores sociais, além de proporcionar a replicabilidade do evento. LEIA MAIS

“Governistas”, MBL e Vem pra Rua perderam a capacidade de mobilização

Protesto minguado nas ruas de Brasília. Foto: Antônio Cruz/ABr

O fracasso nos protestos de rua promovidos, neste domingo (26), em várias capitais brasileiras tem uma explicação: o grupo perdeu o objeto. Em João Pessoa, por exemplo, apenas uns poucos gatos pingados saíram as ruas, boa parte deles para defender Bolsonaro para a Presidência da República, em 2018, ou mesmo para cobrar a volta do Regime Militar. A pauta de defesa da operação Lava Jato e contra o voto em lista não empolgaram.

O descrédito do movimento tem nome e sobrenome: excesso de governismo. Simplesmente, as pautas não empolgam por não estarem em consonância com os temores atuais da população. Se antes a saída de Dilma Rousseff (PT) do governo atraiu milhares de pessoas às ruas com a promessa de que tudo mudaria com a saída dela, os fantasmas do desemprego e da corrupção na estrutura estatal teimam em não deixar o Palácio do Planalto sem que isso incomode aos manifestantes.

Faltam também os apoiadores de antes. A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que bancava os patos nas manifestações, saiu de cena no momento em que o seu presidente, Paulo Skaf (PMDB), apareceu entre os citados na operação Lava Jato. Temas inquietantes como as reformas Previdenciária e Trabalhista são defendidos pelas lideranças do MBL e Nas Ruas, porém, enfrentam resistência popular. Para acabar, o projeto da Terceirização, também apoiado, foi alvo de protestos nas redes sociais.

 

Sem os temas de maior apelo popular na atualidade, os protestos deste domingo se centraram em pautas difusas como defesa do fim do foro privilegiado, combate à anistia do Caixa 2 e volta dos militares ao comando do país. Sim, não podemos esquecer também o fim do estatuto do desarmamento. A pauta, como ficou demonstrado, não agradou por falta de protagonismo.

Hackfest recebe apoio da ONU e ganhará abrangência nacional

Eduardo Carlos (E) conversa com Octávio Paulo Neto e Gabriel Aragão sobre o Hackfest. Foto: Cógenes Lira

No momento em que o ‘Hackfest de Combate à Corrupção’ recebe o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), os seus organizadores anunciam que a próxima edição do evento, prevista para ocorrer entre 9 e 11 de junho deste ano, no Espaço Cultural, terá abrangência nacional. O projeto, promovido em parceria pelo Ministério Público da Paraíba, Rede Paraíba de Comunicação e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), deve ser incluído pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no rol das iniciativas alinhadas com o desenvolvimento sustentável.

O apoio da ONU ao Hackfest será formalizado durante reunião na tarde desta terça-feira (14), às 15h30, na sede do Ministério Público. O alto comissariado da entidade está na Paraíba deste esta segunda-feira com o objetivo ver formalizado o compromisso do estado com a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. A lista de reuniões incluem encontros com representares da Assembleia Legislativa, Governo da Paraíba, Ministério Público e Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU).

A programação também inclui participação no seminário gestão recursos hídricos, em Campina Grande, que tem como base a agenda dos Objetivos do Milênio (ODS). Ao todo, são 17 os objetivos do milênio, além de 169 metas a serem alcançadas até 2030. No caso do Hackfest, a iniciativa conta com o apoio também do  Ministério Público e Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU) e do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê).

Acordo

Vão estar presentes à reunião o diretor do Pnud no Brasil, Didier Trebucq; a residente assistente Maristela Baioni; o assessor sênior Haroldo Machado; a oficial de Programa do Pnud, Leva Lazareviciute; e a analista Inalda Beder. Eles serão recebidos pelo procurador-geral de Justiça do MPPB, Bertrand Asfora, pelo empresário Eduardo Carlos, da Rede Paraíba de Comunicação, e pelo coordenador do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPB, Octávio Paulo Neto, responsável pela realização do Hackfest.

“Creio que o ingresso da ONU, por meio do Pnud, no hackfest revela a convergência da iniciativa com alguns pontos para o desenvolvimento sustentável, entre os quais a cidadania responsável, por meio da efetiva participação das coisas e negócios públicos”, ressaltou Octávio Paulo Neto. Ele acrescentou ainda que o evento é uma grande conjunção de saberes e propósitos, todos direcionados para uma melhor compreensão de nosso papel na sociedade. “Sempre no viés do exercício da cidadania consciente”, acrescentou.

Utilidade do Hackfest

Outra novidade é que o Hackfest deste ano será o evento master e contará com vários outros satélites. Também chamado de hack day ou codefest, o hackfest é uma maratona de programação na qual hackers se reúnem por longos períodos, com o objetivo de explorar dados abertos, desvendar códigos e sistemas lógicos, além de discutir novas ideias e desenvolver projetos de software ou até mesmo de hardware. Por ser um evento público, a maratona dá visibilidade e transparência a essas atividades, além de divulgar os novos produtos gerados.

Em 2016, o MPPB realizou, de forma pioneira, duas edições do ‘Hackfest de Combate à Corrupção’. A primeira delas ocorreu em agosto, nas dependências da sede do MPPB em Campina Grande, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A segunda, no mês de outubro, foi realizada com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa.

MBL volta às ruas e agora cobra o fim do desarmamento

Brasília – Vestidos com camisetas nas cores verde e amarelo, manifestantes se reúnem em Brasília a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (Valter Campanato/ Agência Brasil)

O Movimento Brasil Livre (MBL) vai promover manifestações em todo o país no dia 26 de março. A convocação foi divulgada pela direção do movimento que, acreditem, revelou dificuldade para fechar uma pauta. O grupo ganhou notoriedade nos últimos dois anos por denunciar corrupção no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula (PT). O tema corrupção, vale ressaltar, foi varrido do mote atual das manifestações, pensadas, segundo os dirigentes, para “para lembrarmos à classe política que O POVO ACORDOU”.

Veja os temas definidos:

  1. Brasil Sem Partido, pois não queremos um STF que se dobre às vontades deste ou de qualquer outro governo, agindo com lentidão para salvar os que têm Foro Privilegiado, utilizando-se dele para escapar da justiça;
  2. Não queremos interferência política na Lava Jato, nem tampouco que o Estado nos imponha o desarmamento enquanto os bandidos, armados até os dentes, matam nossos familiares;
    Queremos menos Estado e menos impostos;
  3. Queremos reformas que mudem verdadeiramente o país, com autonomia para os municípios e com flexibilização da CLT e a simplificação tributária;

Mesmo sem falar nas denúncias de corrupção dos agentes que integram o governo do presidente Michel Temer (PMDB), com muitos deles citados na operação Lava Jato, o MBL deixa um recado, se colocando como agente principal do impeachment de Dilma: “É hora de a classe política entender que ou seguem a voz das ruas, ou sofrerão as consequências. O impeachment foi um aviso a todos os políticos”.

Malafaia diz que “oferta” de bandido não o torna bandido

O pastor Silas Malafaia usou as redes sociais, nesta sexta-feira (16), para se pronunciar sobre a operação Timóteo, desencadeada pela Polícia Federal e que foi à casa do religioso, no Rio de Janeiro, com o fim de cumprir mandado de condução coercitiva do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A operação apura suposta organização criminosa investigada por corrupção em cobranças de royalties da exploração mineral. A PF apura se Malafaia teria usado a igreja para ajudar na lavagem de dinheiro do esquema.

Na operação, o filho do governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), Alberto Lima Silva Jatene foi alvo de um mandado de prisão temporária. Ele não foi detido, segundo sua assessoria jurídica, porque estavam em viagem e vai se apresentar à Justiça. Também foram presos em Brasília Marco Antônio Valadares Moreira, diretor de procedimentos arrecadatórios do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, e a mulher dele Lilian Amâncio Valadares Moreira.

Pelo Twitter, Malafaia disse que foi acordado com um telefonema o informando da presença da Polícia Federal na sua casa. Ele alega que vai se apresentar e jurou inocência. Ele se encontra em São Paulo. “Declaro no imposto de renda tudo o q recebo. Quer dizer q se alguém for bandido e me der uma oferta, sem eu saber a origem, sou bandido?”, disse.

O pastor Malafaia admite que recebeu uma doação de R$ 100 mil dos suspeitos. A ação recebeu o nome de “Operação Timóteo” em referência a uma passagem do livro Timóteo, da Bíblia: ” Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos”.

Confira o áudio publicado pelo pastor