Vereadores tucanos vão a Cássio pedir apoio para Luciano Cartaxo

Os vereadores tucanos de João Pessoa vão procurar o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) nos próximos dias com o objetivo de convencê-lo a apoiar a reeleição do prefeito Luciano Cartaxo, que trocou recentemente o PT pelo PSD. A lógica é a de que vale mais apostar em um nome consolidado que se aventurar na construção de uma candidatura própria. O nome mais forte do PSDB, eles lembram, é o do ex-senador Cícero Lucena, que não quer disputar.

A bancada é composta pelos vereadores Eliza Virgínia, Luiz Flávio e Marcos Vinícius, este último licenciado do cargo por ter assumido a Secretaria de Comunicação de João Pessoa. Os parlamentares já integram a base de sustentação de Cartaxo e veem como pouco provável que uma candidatura própria obtenha sucesso no pleito. Cícero Lucena, em 2012, foi para o segundo turno com o atual prefeito, mas saiu derrotado das urnas.

O PSDB trabalha para construir uma candidatura própria para a eleição do próximo ano, que terá o atual prefeito disputando a reeleição contra um candidato socialista que tenha o apoio do governador Ricardo Coutinho. O deputado federal Manoel Júnior, do PMDB, também luta para ter o nome referendado pelo partido para disputar a prefeitura.

Ricardo, Cássio e Luciano Cartaxo não se cumprimentam na posse de Fialho

O clima político na Paraíba pesou desde a semana passada nas relações das principais lideranças do Estado. A posse do paraibano Rogério Fialho na presidência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), nesta segunda-feira (21), foi recheada de políticos e autoridades. Lá, os hoje desafetos não tiveram como evitar encontros frontais. Mesmo assim, o governador Ricardo Coutinho (PSB) não trocou sequer uma palavra com o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), nem com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB).

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

O tucano e o pessedista, vale lembrar, eram aliados do governador até recentemente. Cássio e Ricardo estiveram juntos na disputa das eleições de 2010, quando ambos foram eleitos. Estiveram em campos opostos em 2014, quando disputaram o governo e o tucano foi derrotado. Do fim de semana para cá, no entanto, o clima esquentou com troca de “gentilezas” entre os dois. Ricardo chamando Cássio de “malandro” e sendo tratado pelo tucano como “mentiroso”.

Já Luciano Cartaxo trocou o PT, aliado do governador, pelo PSD, aliado do senador. Resultado: um clima de estranheza entre eles. Apesar de Ricardo Coutinho não ter se pronunciado sobre o assunto, o presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas, disse que para o partido Cartaxo fez opção pela aliança com Cássio Cunha Lima para 2016. Por isso, a relação entre ele e os socialistas, inclusive o governador, está inviabilizada.

Cássio nega golpismo e diz que Ricardo é alvo da Procuradoria Eleitoral

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) tem demonstrado irritação com as declarações do governador Ricardo Coutinho (PSB), que, nesta semana, acusou o parlamentar de ter “aura golpista”, por, na visão do socialista, trabalhar pela cassação dele e da presidente Dilma Rousseff (PT). Por meio de sua assessoria, o tucano negou perseguição ao governo estadual, mas deixou claro que o gestor terá que responder à Justiça por suposto uso da máquina nas eleições.

O tucano disse ainda que suas queixas contra Ricardo Coutinho são restritas ao âmbito administrativo, com a cobrança do cumprimento das promessas de campanha, a exemplo da redução dos índices de violência. Sobre os processos que pedem a cassação do socialista, ele lembra que a maioria deles é puxada pela Procuradoria Regional Eleitoral. Ele lembra que o Ministério Público pede a cassação de Coutinho e da vice, Lígia Feliciano (PDT).

Entre os processos que o tucano vê com potencial de cassação do governador está o que acusa Ricardo Coutinho de fazer uso eleitoreiro do Empreender Paraíba. De acordo com relatório elaborado pela própria Controladoria Geral do Estado, o programa não tinha critérios rígidos para a concessão dos empréstimos, bem como a exigência de os beneficiados pagarem as prestações posteriormente.

Efeitos da crise na Paraíba vão além do bate-boca de Ricardo e Cássio

Enquanto as duas maiores lideranças políticas do Estado estão usando a imprensa para bater-boca, a Paraíba corre o risco de perder duas grandes fontes de investimento. E não falo aqui de dinheiro novo, não. Me refiro ao fechamento do Terminal de Logística de Carga (Teca) do Aeroporto Castro Pinto, bem como o fim das operações de cabotagem da Transpetro em Cabedelo.

O tema é tratado em matéria publicada nesta terça-feira (25) no Jornal da Paraíba. A matéria da repórter Larissa Claro mostra um risco de o estado perder R$ 3 bilhões por ano só com o fim da estocagem de combustíveis no Porto de Cabedelo, segundo estimativas do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo da Paraíba (Sindipetro).

Mas não para por aí. A ideia da Petrobras, buscando economia, é transferir toda a operação para o Porto de Suape, em Pernambuco. Resultado: além de a arrecadação de impostos ficar no estado vizinho, a distância e o frete fariam com que o preço do litro de gasolina vendido na Paraíba crescesse cerca de R$ 0,06. A entrega do produto também demoraria 12 horas a mais.

Coutinho anunciou nesta segunda-feira que vai procurar o superintendente da Infraero, Antônio Gustavo Matos, nesta quarta-feira, para pedir a manutenção dos serviços no Castro Pinto. Vai um pouquinho atrasado, já que quarta é o dia previsto para o fim das operações. As chances seriam maiores se a procura tivesse ocorrido há dois meses, quando houve o anúncio do fechamento.

Em relação à Petrobras, a reunião com a direção ainda não tem data marcada. Mas há a intenção. O momento seria para o governador reunir toda a bancada, incluindo o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), para “ocupar” a Petrobras e a Infraero, pelo menos fingindo unidade em prol do Estado. Em vez disso, continua o clima belicoso entre tucanos e socialistas quase um ano após a última eleição.

Ricardo na manhã desta terça-feira acuou o senador de ter “aura golpista” e querer derrubar um governo legitimamente eleito, fazendo referência ao dele próprio e ao da presidente Dilma Rousseff. Cássio por outro lado respondeu ao governador dizendo que ele tenta tirar o foco dos efeitos da crise econômica na Paraíba. Ele ainda jogou para a Justiça Eleitoral a responsabilidade por dar respostas à sociedade.

Se a energia desperdiçada dos dois fosse usada para defender a Paraíba…

Ricardo Coutinho cobra que Dilma enfrente ela própria a crise política

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), tem sido mais efetivo que as lideranças petistas na defesa da presidente Dilma Rousseff (PT). A gestora tem vivido um inferno astral sem tamanho desde o início do segundo mandato, em janeiro, quando deu início à política de contenção dos investimentos. Aliado a isso, as novas etapas da operação Lava Jato jogaram no solo a avaliação positiva da gestão petista, por causa das acusações de corrupção na Petrobras.

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

Coutinho entende que cabe à presidente enfrentar a crise, sem fazer uso de articuladores políticos. Dilma ostenta uma reprovação do seu governo de 71%, a maior em 25 anos da série histórica do Instituto Datafolha. Pior até do que o ex-presidente Fernando Collor, hoje senador, que foi alvo de um impeachment em 1992. No próximo dia 16, o Movimento Brasil Livre programa uma manifestação de grandes proporções, inclusive na Paraíba, para pedir o impedimento do mandato da gestora petista.

Ricardo Coutinho integra um partido que faz oposição nacionalmente à presidente Dilma, apesar disso, tem mantido posição de apoio. Faz críticas, inclusive, ao que chama de postura irresponsável da oposição, notadamente, do PSDB do senador Cássio Cunha Lima. Nesse contexto, a crítica à tentativa de impeachment, com ênfase na judicialização da campanha, remete ao âmbito paroquial, uma vez que Cássio tenta a cassação do gestor paraibano por supostas irregularidades na campanha eleitoral.

Assim como Coutinho, o presidente estadual do PT, Charliton Machado, se mostrou irritado nesta sexta-feira com os noticiários nacional e local. Principalmente com a informação de que Dilma Rousseff já teria escrito a sua carta de renúncia do governo. Uma piada, segundo ele. Fez críticas também ao senador Cássio Cunha Lima, aliado de primeira ordem do ex-candidato a presidente pela sigla tucana, Aécio Neves. O paraibano foi citado como político de “baixa estatura moral”.

Os protestos das duas lideranças são reflexo da situação política do país, de extrema instabilidade. O cenário na Câmara dos Deputados foi montado para um possível processo de impeachment da presidente. Tudo vai depender de uma eventual reprovação dos balancetes dela no Tribunal de Contas da União (TCU), onde as “pedaladas fiscais” são apontadas como causa suficiente para a rejeição. Caso o TCU dê sinal verde, será difícil barrar o impedimento da gestora. Clima para cassação já existe.

 

PSDB x PT: a inevitável sensação do sujo falando do mal lavado

Entenda como um desabafo quem quiser. Mas os discursos embalados pelos líderes tucanos neste domingo (6), durante convenção do partido, em Brasília, deixam claro que a política brasileira precisa mesmo ser passada a limpo, como sugeriu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nesse caso, partindo para um sentido mais amplo, a corrupção e os desmandos durante o governo petista teriam um concorrente à altura, se comparado ao período tucano.

Foto: Igo Estrela/PSDB

Foto: Igo Estrela/PSDB

Para quem tem o teto de vidro, é difícil apontar um dedo sem que os outros quatro deixem de ter como alvo o acusador. Quando FHC diz “precisamos ir até o fim para que o Brasil seja passado a limpo”, é impossível não colocar o Petrolão ao lado de tudo o que aconteceu durante as privatizações e suas offshores. São muitas denúncias sobre o governo petista e suas lideranças, mas elas não deixaram de existir nas gestões tucanas. Discutir gravidade é questionável.

Da mesma forma, a defesa do líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), para que haja cassação da presidente Dilma Rousseff (PT) sempre gera estranhamento. É fato que para os eleitores, ela praticou estelionato eleitoral, mentindo sobre o plano de governo. Por isso, amarga 9% de aprovação, segundo o Ibope. Mas é bom que se diga que Dilma não é investigada no escândalo da Lava Jato. Cássio, por outro lado, já foi cassado por corrupção eleitoral.

Ao defenderem o “fora Dilma”, os tucanos recorrem agora ao mesmo expediente dos petistas após a reeleição de Fernando Henrique, em 1998. Naquela época, o lema era o “fora FHC”, que contou com uma ajudinha dos maus resultados na economia amargada pelo segundo mandato tucano. Isso abriu caminho para a vitória de Lula, em 2002. Em crise, o governo de Dilma pode abrir caminho para outra liderança, em 2018.

Mas o fato mesmo que contraria qualquer discurso tucano ou petista é que, tirando a retórica estimulada pela pouca memória política brasileira, a trajetória dos dois partidos no poder se envolve e se confunde com os mesmos altos e baixos. Em português claro e cristalino, “é o sujo falando do mal lavado” em todos os aspectos. A política nacional, por isso, precisa mesmo ser passada a limpo. Mas só o eleitor pode fazer isso.

Cássio faz pronunciamento no Senado denunciando a insegurança na Paraíba

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) usou a tribuna do Senado, nesta quarta-feira (13), para chamar atenção para a violência na Paraíba. O discurso teve como pano de fundo o dia de caos em Campina Grande, em decorrência de rebelião em presídio e incêndio de ônibus nas ruas. O parlamentar lembrou, na sua fala, que as aulas foram suspensas na cidade nas principais instituições de ensino superior.

Cássio disse que as pessoas estão assustadas, trancadas em suas casas e movidas pelo medo. Além disso, criou um neologismo ao se referir aos constantes avistamentos do helicóptero da Polícia Militar. Ele chamou a atividade de helicopterapia. Também nesta quarta o governo do Estado divulgou nota desmentindo o clima de insegurança em Campina Grande e atribuindo a boatos a orientação de que as pessoas não saiam de casa.

Na manhã desta quarta, durante uma rebelião no Presídio Regional do Serrotão, um preso foi decapitado. A polícia diz que a rebelião, iniciada após a suspensão das visitas íntimas, foi debelada. Setores da polícia atribuem ao comando de dentro dos presídios a ordem para o incêndio de um ônibus. Várias empresas acabaram recolhendo os veículos para evitar novas depredações. O governo nega que haja caos e insegurança na cidade.