PEC que cria as polícias penais avança é aprovada no Senado

Projeto de autoria do paraibano Cássio Cunha Lima agora segue para a Câmara dos Deputados

Cássio discursa no Senado durante votação da PEC que cria a polícia penal. Foto: Divulgação/Senado

O Plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (24), por unanimidade, o segundo turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/2016, de autoria do senador Cássio Cunha Lima, que cria as polícias penais federal, estaduais e distrital. Pelo texto, os agentes penitenciários passam a ter os mesmos direitos da carreira policial. A medida, segundo o autor da matéria, visa dar aos agentes penitenciários o direito à carreira policial, e liberar os policiais civis e militares das atividades de guarda e escolta de presos. Para Cássio, a proposta amplia a proteção aos cidadãos e valoriza os agentes.

Durante a votação da matéria, que por se tratar de proposta de emenda à Constituição exige quórum qualificado (3/5 da Casa), a proposta foi elogiada por vários senadores, de partidos políticos diversos. “A aprovação da matéria, de forma unânime, é uma resposta do Estado ao clamor por segurança pública em todo o Brasil. O quartel-general do crime, o alto comando das organizações criminosas, hoje, está nas celas, atrás das grades. Os presídios, portanto, se transformaram em verdadeiros escritórios do crime, e é preciso que que revertamos essa situação, e com urgência”, disse afirmou Cássio.

O agente penitenciário, segundo a Organização Internacional do Trabalho, OIT, é a segunda profissão mais perigosa do mundo. Para Cássio, essa é mais uma razão que justifica a justeza e a necessidade da criação da polícia penal.

 

Tese aprovada no STF sobre validade da Ficha Limpa foi defendida por Roosevelt Vita em 2010

Em placar apertado, Supremo decidiu que lei pode ser aplicada sobre condenados antes de 2010

Roosevelt Vita foi o primeiro a defender a tese de que a Ficha Limpa impõe condição de elegibilidade. Foto: Felipe Gesteira

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou por 6 votos a 5, nesta quarta-feira (4), que a Lei da Ficha Limpa pode ser aplicada para políticos condenados por abuso de poder econômico ou político antes de 2010, quando a lei foi aprovada. A Ficha Limpa passou a valer na eleição de 2012. Essa tese, em particular, teve grande repercussão na Paraíba lá atrás, em 2010. O advogado paraibano Roosevelt Vita, então auxiliar do governo de José Maranhão (PMDB), defendia que a inelegibilidade preconizada pela lei não era punição, mas condição de elegibilidade. É o mesmo entendimento acatado só agora pela Suprema Corte. Nesta quinta-feira (5) os ministros vão decidir o alcance dessa decisão e como ela deve ser aplicada em outras instâncias do Judiciário.

Com isso, os políticos se tornam inelegíveis por oito anos, e não três, como era a lei quando eles foram condenados. O efeito prático disso é que o STF pode barrar a candidatura na eleição de 2018 daqueles que foram condenados no primeiro semestre de 2010 –a regra da inelegibilidade dos oito anos da Ficha Limpa passou a valer em junho daquele ano, ou seja, depois disso já valia para todo mundo. E, para quem foi condenado até 2009, o prazo de oito anos termina no fim de 2017 (antes do registro das candidaturas da próxima eleição). Eleito em 2010, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) precisou fazer um périplo pelo Judiciário até conquistar, ainda em 2011, o direito de assumi o cargo, então ocupado por Wilson Santiago (PTB), o terceiro colocado.

Veja o que disse em mensagem enviada ao blog o advogado Roosevelt Vita:

“Essa tese majoritária no STF , eu defendi pioneira e isoladamente em 2010, quando afirmava a inelegibilidade de Cássio para o Senado, porém houve discordância de advogados da Coligação (eu não podia advogar, era Secretário); sempre insisti que não havia retroação da lei e sim clara aplicação da lei no tempo e no espaço, pois é dispositivo de condições de elegibilidade não significam punição. Essas condições são aferidas por ocasião do registro de candidatos. Por exemplo, não podem ser candidatos os parentes até 2° grau, os analfabetos, os menores de 18 anos, os não alistados, os não filiados a partido político, e os que foram afastados por crime eleitoral específico por 8 anos. Não há retroação e sim estabelecimento de novos critérios considerada a vida pregressa do candidato para legitimar o múnus do exercício de cargos públicos por pessoas probas, garantindo uma democracia representativa ocupada de forma republicana. Aliás, até 1/2 noite de amanhã poderia ser votada uma nova lei complementar estatuindo que quem for condenado por abuso de poder político, econômico ou improbidade administrativa é inelegível definitivamente …onde estaria a retroação; poderia modificar dizendo que os parentes o são até 3° grau: que a idade mínima paro Senado seria 45 anos, e aí? Seria retroação ou meras condições de moralização e aperfeiçoamento democrático para garantir equidade? No caso de Cássio, ele era inelegível para a Eleição paro Senado, ele só cessou em 19 de fevereiro deste ano. Está salvo pois as inelegibilidades só são arguidas no registro da candidatura, portanto agora está fora do alcance da norma da Ficha Limpa”

Votação

Os ministros seguiram o voto de Luiz Fux, que divergiu do relator, Ricardo Lewandowski. Para Fux, o Supremo precisa fazer uma “modulação de efeitos” a fim de determinar em quais casos a nova regra deve ser aplicada. Segundo ele, há políticos eleitos em 2016 que assumiram os cargos com base em decisão provisória (liminar) e cujos casos ainda não foram analisados pela Justiça Eleitoral. “Fui informado por grupo de parlamentares que há centenas de vereadores, 20 prefeitos, deputados federais e incontáveis deputados estaduais que podem ter os mandatos cassados, afetando o coeficiente eleitoral”, disse Lewandowski. Por isso, o assunto volta à pauta da corte nesta quinta. Para a maioria dos ministros, a ausência de condenação é um pré-requisito para se candidatar a um cargo eletivo e, portanto, a vida pregressa do candidato deve ser levada em conta pela Justiça Eleitoral.

O vergonhoso fundo partidário criado pelo Senado e a crítica de Cássio

Ao invés de cuidarem de baratear as campanhas, dinheiro público vai engrossar mote eleitoral

 

Votação para aprovar o fundo partidário, no Senado, foi simbólica. Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (26) o Projeto de Lei do Senado (PLS) 206/2017, que cria o Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Ele será composto por 30% das emendas impositivas apresentadas pelas bancadas de deputados e senadores ao Orçamento Geral da União. A proposta contou com voto e discurso contrários do senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB). Ele gravou vídeo e divulgou o material nas redes sociais. A votação foi simbólica, que é quanto não é necessário o registro individual dos votos. E o resultado prático dela é que parte do dinheiro que antes iria para a construção de equipamentos público, agora vai encher os caixas de campanha.

O substitutivo do senador Armando Monteiro (PTB-PE) ao projeto do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) também extingue a propaganda partidária e transfere para o fundo o dinheiro da compensação fiscal que a União paga às emissoras pela veiculação dos programas. A estimativa é de um fundo de R$ 1,7 bilhão em 2018. “Em 2014, a soma dos gastos declarados pelos candidatos superou R$ 6 bilhões em valores de hoje. Em nossa proposta, esse montante não alcançará sequer R$ 2 bilhões. Abaixo desse valor, restaria seriamente comprometido o financiamento eleitoral”, argumenta Monteiro.

O autor do projeto, senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), defendeu o texto original. Ele criticou o uso de emendas parlamentares para financiar as campanhas eleitorais. “Qual é o teto? Qual o limite máximo do fundo de campanha? Olha a gravidade: são emendas de bancada! Estamos punindo 5,5 mil prefeitos no Brasil que não têm como sobreviver sem as emendas de bancada. Saúde, Educação e Infraestrutura… Todas essas áreas serão penalizadas”, advertiu Caiado.

O relator decidiu preservar o horário eleitoral gratuito, que seria extinto pelo texto de Caiado. Armando Monteiro também manteve as duas inserções anuais dos partidos no rádio e na TV, com duração de 30 segundos ou um minuto.

Divergências

O substitutivo de Armando Monteiro não obteve consenso entre os senadores, mas a matéria foi decidida em votação simbólica. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu o financiamento público. “Dos problemas, esse é o menor que teremos para promover a democracia. Não são R$ 2 bilhões que vão afetar o Orçamento federal, mas podem financiar as eleições com transparência”, afirmou Jucá. O senador Humberto Costa (PT-PE) também apoiou a proposta. “O que querem alguns aqui é a volta do financiamento privado, é a volta do caixa dois, é a volta das empresas apoiando parlamentares para depois fazerem chantagem contra eles”, disse Humberto.

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) criticou o texto. Ele classificou o teor do substitutivo como “uma loucura”. “Tem muita gente ficando doida no Brasil. No momento que não tem dinheiro para programas sociais e não tem dinheiro para faculdades, o Congresso está brincando de aprovar dinheiro público para financiar campanha eleitoral”, afirmou Calheiros.

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) também se manifestou contra a matéria. “Estamos desenterrando um fundo público que a Câmara enterrou pela pressão popular. Estamos fazendo um fundo zumbi. Pior que zumbi, é um zumbi Frankenstein. Com o monstrinho que estamos criando aqui, não sabemos de quanto vai ser o recurso. Vamos tirar dinheiro público, estamos cometendo um suicídio moral”, disse Cristovam.

Depois de o Plenário aprovar o texto base do substitutivo, o senador Ronaldo Caiado tentou incluir na proposta o fim do horário eleitoral gratuito. Mas o destaque foi rejeitado. A matéria segue para a Câmara e precisa ser aprovada até 7 de outubro para valer nas eleições de 2018.

Distribuição do dinheiro

O substitutivo também define a distribuição dos recursos do fundo entre os partidos políticos: 2% são divididos igualitariamente entre todos os partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); 49% na proporção de votos obtidos pelos partidos na Câmara; 34% de acordo com o número de deputados; 15% segundo o número de senadores.

O texto estabelece ainda regras para a divisão do dinheiro em cada partido político. De acordo com a proposta, 30% dos recursos serão rateados de modo igualitário entre todos os candidatos a um mesmo cargo em cada circunscrição.

Os partidos podrão definir como distribuir o restante do dinheiro, desde que a decisão seja tomada pela maioria absoluta da executiva nacional. Caso não chegue a um acordo, a legenda deverá respeitar critérios previstos no PLS 206/2017: 50% ficam com as campanhas para presidente, governador e senador; 30% para deputado federal; 20% deputado estadual e distrital. Nos municípios, 60% dos recursos ficam com a campanha para prefeito e 40% para vereador.

 

Em nome da união das oposições, Cássio cogita não disputar cargo em 2018

Senador lembra trajetória política e garante que poderá passar um período sem mandato

Cássio projeta disputa eleitoral para 2018, desde que haja união no seu bloco político. Foto: Divulgação/Agência Senado

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) cogita não disputar as eleições para nenhum cargo público no ano que vem. A informação foi dita por ele durante entrevista na CBN João Pessoa, nesta segunda-feira (7). A possibilidade, ressalta o parlamentar, será levada em conta caso seja necessária para a união dos partidos de oposição. “Não teria problema algum com isso. Posso ficar um período sem mandato. Tenho 30 anos de serviços prestados à população. Fui prefeito três vezes, duas vezes deputado federal, duas vezes governador e estou no mandato de senador”, ressaltou o parlamentar, ao ser questionado se haveria espaço para dois tucanos na chapa majoritária.

Os espaços na chapa majoritária, vale ressaltar, têm surgido como um dificultador para a composição da chapa. Do PSDB, além de Cássio, que pretende disputar uma vaga no Senado, o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, busca espaço na composição. Ele considera que o seu mandato no Executivo o credencia para a disputa. O mesmo espaço é reivindicado nos bastidores da composição pelo prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSB). As “cotoveladas” pelo espaço fizeram com que o tucano Romero Rodrigues viesse a público fazer cobranças ao presidente estadual do seu partido, Ruy Carneiro. Para o prefeito, o dirigente estaria dispensando mais atenção a Cartaxo que a ele.

O mal-estar foi contornado posteriormente, mas evidenciou feridas abertas pela briga por espaço no bloco. Há o entendimento entre os dirigentes dos partidos de oposição, notadamente PSDB, PSD e PMDB, de que eles terão maior chance de sucesso no pleito de se marcharem unidos. O governador Ricardo Coutinho (PSB) trabalha para lançar um sucessor para a disputa. O nome mais forte na bolsa de apostas socialista é o de João Azevedo. O secretário de Infraestrutura, Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia chegou a ser cotado para a disputa em João Pessoa, em 2016, mas acabou rifado da disputa. O nome dele, agora, volta a ganhar força.

Cássio aparece entre os dez senadores mais bem colocados no ‘Ranking Político’

Cássio Cunha Lima é um dos dois nordestinos entre os dez mais bem posicionados na relação. Foto: Divulgação/Agência Senado

O paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB) está entre os dez senadores brasileiros mais bem posicionados no Atlas Político. O ‘Ranking dos Políticos” tem como base cinco indicadores que, somados, têm o cinco como a nota máxima. Os itens avaliados são representatividade, campanha responsável, ativismo legislativo, fidelidade partidária e debate parlamentar.

A nota do parlamentar paraibano foi 4,2. A entidade tem como objetivo a busca por acelerar o processo de responsabilização da política brasileira, contribuir ao combate da demagogia, corrupção e clientelismo, e assegurar uma maior conscientização do eleitorado sobre os seus representantes. O propósito do Ranking é mostrar a competência dos congressistas de defender uma agenda política, independentemente do conteúdo ideológico dela.

Dentro dos critérios adotados, Cássio é o décimo senador mais bem avaliado do país. Confira aqui: http://www.atlaspolitico.com.br/ranking/senadores.

Diap

A avaliação do senador também de repete no conceituado Departamento Intersindical de Assessoria Parlamental (Diap). No primeiro ano de mandato, Cássio já figurou como parlamentar em ascensão na prestigiosa lista dos “100 Cabeças do Congresso Nacional”. A partir dali, em 2013, 2014, 2015 e 2016, Cássio faz parte da elite congressual, figurando entre os “100 Cabeças”. Segundo o Diap, “o saber, o equilíbrio, a prudência, a credibilidade e a respeitabilidade, ao lado da experiência, são atributos que credenciam um parlamentar a figurar entre 100 mais influentes do Congresso Nacional”.

 

Articulação de Aécio pode levar Cássio para a presidência do PSDB

Afastado do comando da legenda, mineiro tem restrições em relação a Tarso Jereissati

Cássio Cunha Lima (E) é o favorito de Aécio Neves para a presidência nacional do PSDB. Foto: George Gianni/PSDB

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) iniciou um movimento para levar Cássio Cunha Lima, também senador, ao comando nacional do partido. A sigla é gerida interinamente, atualmente, pelo senador cearense Tarso Jereissati. O mineiro foi afastado do comando do partido e do mandato por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Neves foi flagrado em áudio pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS. Ele alegou, na época, que o dinheiro se tratava de negociação para a venda do apartamento da mãe. Neves conseguiu retomar a rotina no Senado, por meio de recurso à corte, porém, enfrenta resistência do partido para reassumir a presidência.

Aécio tem demonstrado desconforto em relação ao comando de Jereissati. O parlamentar promete resolver a interinidade na presidência até agosto, segundo a coluna Expresso, da revista Época. Cássio, neste contexto, surge com força. O paraibano é o atual vice-presidente do Senado e possui interlocução com os partidos de oposição. Além disso, dialoga com o grupo apelidado de cabeças pretas, no PSDB. Eles são justamente os parlamentares mais jovens, com idades que circundam os 40 anos. O grupo tem como um dos integrantes o deputado federal Pedro Cunha Lima, filho de Cássio.

O senador paraibano, assim como Jereissati, já expressou apoio à liberação para que o presidente Michel Temer (PMDB) seja investigado. O pedido de autorização para a abertura de um processo criminal contra o presidente tramita na Câmara dos Deputados. Temer foi denunciado no Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo crime de corrupção passiva. Ele foi gravado em conversa com Joesley Batista na qual o empresário falava sobre a compra de silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Temer também teria autorizado o hoje suplente de deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) a negociar o pagamento de propina com Batista.

Paraíba: nomes para disputa do governo, em 2018, já estão escalados

Governitas e oposicionistas tentam fazer mistério, mas têm pouca massa de manobra

Assediado pelos socialistas, José Maranhão (C) posa para voto ao lado de Luciano Cartaxo no fim de semana. Foto: Divulgação

Há sempre um grau de imprevisibilidade quando o assunto é disputa eleitoral. Isso por que as forças externas, o fato novo, teimam em dar as caras quando o assunto é o jogo do poder. No caso das eleições para o governo, em 2018, as coisas não fogem a este roteiro. O governador Ricardo Coutinho (PSB) blefa quando diz que ficará no governo até o fim do mandato. Esse seria um jogo arriscado, apesar de aumentar as chances eleitorais do seu grupo. Mesmo assim, dificilmente se tornará realidade. Porém, a escolha do secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, João Azevedo, é factível. Tão evidente quanto as opções da oposição.

Os adversários do governador têm mais players com cancha eleitoral para a disputa estadual. Eles demonstraram isso no pleito do ano passado, quando derrotaram o esquema de Ricardo Coutinho nas principais cidades. De tantas opções, no entanto, vem a dificuldade da escolha. Isso se for analisada a primeira vista. Quatro nomes saltam aos olhos: os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB), além dos prefeitos Luciano Cartaxo (PSD), de João Pessoa, e Romero Rodrigues (PSDB), de Campina Grande. Deles, de fato, apenas Cássio e Cartaxo seguem para 2018 com razoável expectativa de poder.

João Azevedo volta a ser cotado para assumir uma disputa executiva pelo PSB. Foto: Divulgação

Da base governista é fácil entender uma eventual escolha de João Azevedo. O bunker socialista quer vender a tese de que o governador será substituído por um clone. Por alguém que vai substituir o gestor e manter o que eles consideram a ruptura com “modelo ultrapassado de governar”. Isso, se for assimilado pela população como não foi na eleição de 2016, vai suplantar a falta de peso eleitoral de Azevedo. O fato de não ter voto não pode ser usado pelas outras opções existentes na base socialista pelo fato de nenhum deles preencher este requisito. Todos dependerão do guarda-chuvas e da estrutura de poder criada pelo governador. É por isso que muitos cobram a permanência de Ricardo no governo até o fim do mandato.

Do lado da oposição, com mais opções de escolha, difícil vai ser acomodar tanta gente sob um mesmo guarda-chuva. A equação será fechada caso Cássio decida disputar o Senado e abra espaço para Cartaxo disputar o governo. Haverá espaço para dois senadores na chapa, além de quatro suplentes, e ainda a vaga de vice-governador. É uma equação que fecha, mas apenas se não houver jogo de ego. Se não estiver unida, as chances da oposição serão pequenas. Pretendido pelo governador para a sua base, o PMDB dificilmente mudará de lado. ]Ao menos não enquanto estiver sob o comando de Maranhão. Neste fim de semana, ele esteve ao lado de Luciano Cartaxo, durante festa em Belém. A ideia era passar recibo.

Quando o assunto é a eleição de 2018, pode acreditar, as pedras estão bem postas no xadrez…

Para Cássio, Reforma Trabalhista passa no Senado, mas a da Previdência, não

Denúncias contra o presidente Michel Temer corroeram o apoio às reformas

Cássio projeta disputa eleitoral para 2018. Foto: Divulgação/Agência Senado

As denúncias de corrupção que pesam contra o presidente Michel Temer (PMDB) têm corroído o apoio às reformas. A avaliação do vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB), é a de que a Reforma Trabalhista deve passar, mas a Previdenciária, não. O parlamentar paraibano integra a base aliada do gestor peemedebista. O apoio às reformas, vale ressaltar, tem sido o único ponto ressaltado pelos tucanos para manter o apoio ao presidente. Temer, inclusive, é alvo de denúncia de corrupção passiva. O Supremo Tribunal Federal (STF) pediu à Câmara dos Deputados autorização para processar o peemedebista.

“A Reforma Trabalhista deve passar, afinal, precisa apenas de maioria dos votos para ser aprovada e essa maioria existe”, ressaltou o senador paraibano. Em relação à Reforma da Previdência, o otimismo é bem menor. “No máximo, será aprovada a idade mínima”, acrescentou Cássio, lembrando que, como Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são necessários dois terços dos votos. Isso representa, no caso da Câmara dos Deputados, 342 votos. Já no Senado, são necessários 54 votos. O parlamentar admite que não existe clima para votações de matérias polêmicas diante das denúncias contra o presidente.

A situação do PSDB em relação ao apoio ao governo é controversa. Parte do partido quer a manutenção do apoio da sigla ao presidente peemedebista e outra parte, não. Cássio defendeu a ampla investigação das acusações contra o presidente. Apesar disso, demonstra preocupação com a manutenção da governabilidade. A sigla é dividida entre os cabeças pretas, os mais jovens, que defendem a saída do presidente do poder, e os cabeças brancas, os mais velhos, que querem a manutenção do apoio. Em reunião ocorrida no início do mês, o partido decidiu se manter no governo. Apesar disso, parte dos deputados da sigla diz que votará a favor da abertura de processo contra o presidente.

Antes de FHC, Cássio cantou a pedra das eleições gerais em reunião com tucanos da Paraíba

Apesar de manter apoio ao governo, tucanos começam a cobrar saída de Temer

Cássio projeta disputa eleitoral para 2018. Foto: Divulgação/Agência Senado

O senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB) não participou da reunião feita pelos tucanos que consagrou a permanência da sigla no governo Temer. Estava com labirintite, acamado, segundo ele mesmo mesmo confessou. Em público, tem defendido ardorosamente cautela do seu partido em relação ao presidente Michel Temer (PMDB). Não por concordância com o governo, mas por medo da perda da governabilidade. O tucano ainda não se pronunciou sobre a posição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que defende eleições gerais. “Seria um ato de grandeza de Michel Temer”, diz o ex-presidente. Esse tema, no entanto, já foi tratado nos bastidores pelo senador tucano, em reunião com aliados na Paraíba.

Ainda no fim do mês de maio, em meio às discussões sobre a instalação na Assembleia de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os Codificados, do governo do Estado, o tema eleições gerais foi tratado por Cássio. A opinião foi apresentada num encontro em que estavam os deputados estaduais Tovar Correia Lima, Bruno Cunha Lima e Camila Toscano. A reunião, inicialmente pensada para discutir questões locais, virou espaço para as conjecturas nacionais. Enquanto vice-presidente do Senado, Cássio falou da instabilidade política do país. Relatou também o grau de imprevisibilidade no contexto nacional.

No encontro, diferente de Fernando Henrique, que fez apelo público a Michel Temer pela renúncia, Cássio tratou o tema apenas como uma posição possível do gestor. Os tucanos andam divididos sobre a permanência no apoio ao presidente. A maioria permanece com o governo. Usa o argumento de que o país precisa de estabilidade. Os cabeças “pretas”, os deputados com idades que giram em torno de 40 anos, defendem o desembarque. Os cabeças “brancas”, os mais velhos, querem, em geral, a manutenção do apoio. Cássio ainda não antecipou posição, apesar de falar em preocupação com a votação das reformas Trabalhista e Previdenciária, bandeiras de Temer.

Reformas

Longe das reformas, dois outros argumentos mantém o PSDB na base governista. O primeiro diz respeito a um possível apoio dos peemedebistas a candidatos tucanos nas eleições de 2018. A tese é defendida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e pelo prefeito da capital paulista, João Dória. O outro argumento diz respeito à sobrevivência do senador afastado Aécio Neves (MG). Ele vai precisar do apoio do PMDB para se livrar da cassação. O tucano foi flagrado nos áudios gravados por Joesley Batista, da JBS, cobrando propina de R$ 2 milhões. As denúncias do empresário ligaram umbilicalmente os dois partidos na tentativa de salvar os principais líderes. Há risco, no entanto, de um abraço de afogados.

Fernando Henrique, neste contexto, surge com uma proposta que o aproxima do ex-presidente Lula (PT). Os dois são rivais desde a redemocratização, mas mantém níveis de diálogo. A união de forças é vista por setores da política como forma de salvar a política propriamente dita. Difícil, mesmo, será convencer os outros tucanos desta tese. Além disso, mesmo que haja esse ato de grandeza de Michel Temer, que corre risco de ser preso, dificilmente os parlamentares que votarão a Proposta de Emenda à Constituição para as eleições gerais antecipadas concordarão com o encurtamento dos seus mandatos. É grandeza demais a ser cobrada dos políticos.

Cássio diz que Romero se credencia para disputar o governo

Senador lembrou do caminho trilhado por ele e pelo pai para chegar ao Palácio da Redenção

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), corre o risco de acordar, nas eleições de 2018, sem o desejado apoio do PSDB. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) fez uma análise no fim de semana na qual apontou o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (do mesmo partido), como opção para a disputa. Cunha Lima lembrou que foi a gestão dele, à frente da prefeitura, que pavimentou sua candidatura ao governo do Estado. “Foi assim também com o meu pai”, ressaltou, em referência ao ex-governador Ronaldo Cunha Lima, este último já falecido.

As declarações de Cássio chegam na hora em que o prefeito de Campina Grande tenta se colocar como opção para a disputa. Dos partidos situados nas oposições, o PSDB surge com duas opções (Romero e Cássio). Já o PSD surge com Luciano Cartaxo como nome de consenso, apesar de muitos aliados do pessedista estarem desconfiados com o partido. Eles alegam que Rômulo Gouveia, presidente da sigla, mantém grande proximidade com o grupo de Cássio Cunha Lima. Outro nome lembrado para a disputa é o do senador José Maranhão (PMDB).

A defesa feita por Cássio, no entanto, é que o grupo esteja unido para a disputa das eleições de 2018. Essa união, no entanto, não será facilmente concretizada.