Depois de Alckmin e Cássio, Ricardo monitora obras da transposição

Ricardo Coutinho visita obras da transposição acompanhado de deputados aliados. Foto: Divulgação/Secom-PB

O governador Ricardo Coutinho, acompanhado do secretário da Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, João Azevedo, de deputados estaduais e auxiliares do governo, visita, nesta sexta-feira (3), as obras de recepção das águas do Rio São Francisco na Paraíba. Ele vai a Sertânia, no Sertão de Pernambuco, onde inspeciona a Estação de Bombeamento Vertical 6 (EBV-6), a última do Eixo Leste da Transposição. De lá, ele ainda faz vistorias no Açude Poções, em  Monteiro, e na Barragem Camalaú, na cidade de mesmo nome.

A visita do socialista acontece uma semana depois de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB), desafeto de Ricardo, terem acompanhado o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, em vistoria nos canais, reservatórios e estações elevatórias da transposição. Alckmin, inclusive, deu entrevistas falando da importância das motobombas emprestadas ao governo federal pelo estado de São Paulo para antecipar a chega das águas em Pernambuco e na Paraíba.

Defesa

O governador paraibano tem se movimentado para que o bônus pela transposição não caia exclusivamente no colo dos seus adversários, notadamente o senador. A visão socialista é a de que a obra foi tirada do papel durante os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff e que Ricardo Coutinho atuou na construção de várias das obras complementares. Cássio, por isso, seria um neófito nas discussões. Falo neófito para usar uma expressão mais leve. O Estado, inclusive, tem bancado propagandas na TV mostrando a atuação do governo no processo.

Apesar do tensionamento, a previsão é que o governador recepcione o presidente Michel Temer (PMDB) no dia 9 deste mês, quando ele fará uma espécie de “inauguração” da chegada da água na Paraíba. A previsão, no entanto, é que as águas da transposição de águas do Rio São Francisco cheguem à Paraíba até o dia 5, o próximo domingo. Nesta quarta-feira, o senador Cássio Cunha Lima postou fotos do bombeamento das águas e revelou que elas já estariam a 17 quilômetros do limite entre Pernambuco e Paraíba.

 

Confira a agenda do governador para esta sexta-feira

Hora: 8h30 – Início da Caravana
Local: Aeroporto de Monteiro

Hora: 9h40 – Visita à Estação de Bombeamento – EBV 6
Local: Sertânia (PE).

Hora:11h15 – Visita ao Açude Poções
Local: Monteiro.

Hora: 12h45 – Visita à Barragem Camalaú
Local: Camalaú

 

Temer muda agenda para o dia 9 e terá palanque ‘minado’ na Paraíba

Ex-aliados: Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima deverão estar ao lado de Temer durante visita à Paraíba. Foto: Rizemberg Felipe

Dormindo com o inimigo” foi um filme estrelado pela atriz norte-americana Julia Roberts, em 1991. O enredo falava de uma mulher que descobriu no marido o seu maior inimigo e fugiu para escapar das agressões. O exemplo não caberia em justa posição, mas a ideia serve para simbolizar o que será o palanque do presidente Michel Temer (PMDB) que vem à Paraíba no dia 9 para “inaugurar” a chegada das águas da transposição. Lá estarão os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB), além de, imaginem, o governador Ricardo Coutinho (PSB).

É bem verdade que Ricardo e Cássio, hoje desafetos, já estiveram juntos em eventos passados, dizem até que com certa cortesia mútua. Junto com José Maranhão, atualmente seu aliado, o tucano experimentou momentos de amor e ódio com o socialista. Ricardo se uniu a Cássio, em 2010, para vencer Maranhão e, quatro anos depois, deu o troco no peessedebista. Em 2014, no segundo turno, Maranhão foi essencial na vitória do socialista contra o tucano nas eleições.

A relação dos desafetos do governador inclui ainda o presidente Temer. O socialista encampou o movimento, na Paraíba, contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Levou muito tempo ainda atacando o peemedebista, a quem chamava de golpista. O gelo entre os dois foi quebrado pelo senador Raimundo Lira, uma das lideranças do PMDB que sonham com um alinhamento futuro com o governador. Lira espera conquistar para o partido uma vaga na chapa majoritária liderada pelos socialistas.

Entre os paraibanos, Cássio tem ido a todas as visitas às obras da transposição e iniciou na semana passada praticamente um diário da chegada da água, com a divulgação de imagens nas redes sociais. Tem lembrado, sempre, o empréstimo feito pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do conjunto motobomba usado para mandar a água de Sertânia, em Pernambuco, para a Paraíba. Já Ricardo tem bancado propagandas do governo para mostrar que o Estado teve participação importante na transposição, com a execução das obras complementares.

Inimigos ou não, os quatro devem dividir o palanque em Monteiro, no dia 9. A previsão é que a água chega à Paraíba já no dia 5 de março.

 

Petistas chupam o dedo enquanto peemedebistas e tucanos faturam com transposição

Virtual candidato do PSDB a presidente da República, em 2018, Geraldo Alckmin grava vídeo nas obras da transposição. Imagem: Reprodução/YouTube

Nenhuma imagem, entrevista ou referência. O legado petista da transposição ou o que eles esperavam dele foi apagado nas águas do Velho Chico que agora rumam em direção à Paraíba. Pouca coisa faz lembrar o esforço e a briga comprada pelo ex-presidente Lula (PT), na década passada para tirar o projeto do papel. Um trabalho que peemedebistas e tucanos, com raras exceções, evitam fazer referência. Todo mundo está mais preocupado em tirar uma lasquinha da popularidade que virá com a entrega das águas. O presidente Michel Temer (PMDB) vem no dia 6 de março a Monteiro para inaugurar a chegada da água. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), esteve nesta quarta-feira (22) sobrevoando os canais.

Esta quarta-feira, vale ressaltar, foi muito emblemática em relação ao noticiário político decorrente da transposição. Alckmin, trabalhando com os olhos de 2018, sobrevoou grandes trechos da transposição. No reservatório Copiti, em Sertânia (PE), viu o funcionamento dos conjuntos motobombas que foram emprestados pelo governo de São Paulo para viabilizar a capitação da água. De lá, ela será enviada para Monteiro, seguindo por gravidade. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB), antes um dos barrados nas visitas oficiais às obras, agora está em todas. Acompanha, divulga vídeos nas redes sociais e dá detalhes sobre a chega das águas ao Açude Epitácio Pessoa.

Por falar em tirar uma lasquinha na transposição, o governador Ricardo Coutinho (PSB) também fez rodar propaganda que mostra as ações complementares do governo do Estado, com vistas também às obras da transposição. Tem restado aos petistas as lamentações por não estarem colhendo os frutos plantados uma década atrás. Culpa, também, da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A petista não concluiu a obra no período planejado e foi apeada do poder antes que pudesse ver entregue a promessa feita por Lula. Ou seja, como a obra pertence ao poder público e não aos agentes políticos, méritos para quem estiver no poder no momento da entrega.

Cássio, a ‘suruba de Jucá’ e os Mamonas Assassinas

Ao defender o fim da prerrogativa de foto para os ministros do Supremo, Jucá disse que “suruba é suruba”. Foto: Antonio Cruz

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) saiu em defesa do colega de parlamento Romero Jucá (PMDB-RO) nesta terça-feira (21), tentando amenizar a polêmica, digamos, sobre a “suruba” do peemedebista. Calma, vou me explicar melhor. Ao falar sobre a movimentação no Supremo Tribunal Federal (STF) para restringir a prerrogativa de foro privilegiado que cabe aos senadores e deputados, o parlamentar ameaçou apresentar um projeto para suprimir também a prerrogativa de foro dos ministros da Suprema Corte. Ao ser questionado sobre isso, ele disse que “suruba é suruba”.

A incontinência verbal de Romero Jucá logo rodou o país e virou mais uma polêmica envolvendo o parlamentar conhecido pelas tentativas de “estancar a sangria” da operação Lava Jato. Ele, inclusive, foi gravado pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, falando em tomar o poder da presidente Dilma Rousseff (PT) para que fosse feito um acordo nacional, inclusive com o Supremo, para sepultar a ação policial. Para Cássio, a polêmica foi exagerada e a suruba a que o senador de Roraima não tem a ver com nenhuma promiscuidade parlamentar.

O senador paraibano assegura, vejam só, que Romero Jucá se referia a uma música da banda Mamonas Assassinas que retrata a aventura de um português que foi convidado para uma suruba. Cabe a você, caro leitor, tirar suas próprias conclusões:

A suruba segundo Romero Jucá

“Não, se acabar o foro (privilegiado) é todo mundo, né amigo. Suruba é suruba. Aí todo mundo é uma suruba. Não é uma suruba selecionada. Uma regra pra todo mundo, pra mim não tem problema”.

A suruba de Jucá segundo Cássio

“Apenas ele quis dizer, numa linguagem muito popular, que se houver revisão do foro por prerrogativa de função, não pode ser apenas para deputados e senadores ou mandatários. Tem que ser para todos aqueles que gozam do foro por prerrogativa de função e usou um trecho de uma música dos Mamonas Assassinas na conversa com um jornalista, que resolveu colocar aquilo que o senador pensava estar em off, colocar em on”

A suruba, propriamente dita, segundo o Mamonas Assassinas

Joás de Brito nomeia irmã de Cássio para chefe de gabinete da presidência

Joás de Brito conquistou dez votos para a disputa. Foto: Divulgação/TJPB

O novo presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Joás de Brito Pereira Filho, virou alvo dos internautas nas redes sociais no mesmo dia em que foi empossado no cargo, após intensa batalha interna. O motivo da polêmica não tem nada a ver com a judicialização do pleito, mas com a nomeação da irmã do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) para o cargo de chefe de gabinete da presidência. O nome de Glauce Cunha Lima foi publicado no Diário do Poder Judiciário desta quinta-feira (2), disponibilizado desde a noite desta quarta no portal do TJPB. Durante a sua posse, o magistrado anunciou a formação de uma equipe técnica.

Brito chegou ao Tribunal de Justiça há dez anos, como nome indicado na quota dos advogados através do quinto constitucional. Era o segundo nome de uma lista encabeçada pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Paraíba, Odon Bezerra, o mais votado pela categoria. O nome foi escolhido pelo então governador Cássio Cunha Lima, em 2007, provocando a irritação do primeiro colocado. Ainda em 2007, houve a primeira nomeação de Glauce Cunha Lima para o cargo de chefe de gabinete do magistrado, o que gerou polêmica já naquela época. De lá para cá, a nomeação foi constantemente renovada e, agora, teve como destino o gabinete da presidência.

A justificativa para a escolha pode até ser técnica, mas causa inevitável repercussão no campo político em uma corte que precisa, urgentemente, ser vacinada desta prática. A nomeação acontece também no mesmo dia em que Cássio Cunha Lima foi eleito para a primeira vice-presidência do Senado Federal.

Cássio atrai oposição a Cartaxo em encontro na CMJP

Cássio reúne vereadores em encontro na CMJP. Foto: divulgação

Angélica Nunes

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) esteve nesta terça-feira (17) para, como ele próprio disse, “uma visita de cortesia” ao amigo e correligionário Marcos Vinícius (PSDB), mais novo presidente da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP). Além de vereadores da base que andam insatisfeitos com a reforma administrativa do prefeito Luciano Cartaxo (PSD), o que chamou a atenção na reunião foi a presença dos dois vereadores do PTdoB, Chico do Sindicato e Humberto Pontes, que em tese ainda são da bancada de oposição na Casa.

O líder da situação, Helton René, disse que tem conversado com os parlamentares oposicionistas, mas sem nada certo. Nos últimos dias Humberto Pontes chegou a afirmar que, embora da oposição, tem boa relação com Cartaxo. Já Chico do Sindicato, que já foi governista, também está em conversas com o líder da situação para retomar o grupo. Renê, inclusive, afirmou que todos os vereadores foram convidados para o encontro com Cássio, “mas apenas os que se interessaram foram”, completando que não compareceu porque tinha outro compromisso.

Para a vereadora Raíssa Lacerda (PSD), uma das que tem se queixado de Cartaxo, a presença do senador paraibano na Casa “mostra a atenção” do líder do PSDB no senado “para com a Casa de Napoleão Laureano”. O pai de Raíssa Lacerda e ex-governador no segundo governo de Cássio, José Lacerda, também esteve no encontro. “É com grande satisfação que recebemos a visita de um senador que possui sua atenção voltada aos temas de maior interesse da sociedade paraibana e que se coloca à disposição dos parlamentares para defender temas de interesse de João Pessoa em Brasília”, avaliou.

Também foram ao encontro com Cássio os vereadores Helena Holanda (PP), Milanês Neto (PTB), João dos Santos (PR), Eliza Virgínia (PSDB), Luís Flávio (PSDB), Damásio Neto (PP), Dinho (PMN), Thiago Lucena (PMN), João Corujinha (PSDC), Lucas de Brito (PSL) e Pedro Coutinho (PHS).

Agenda nacional

Marcos Vinícius avaliou a visita de Cássio como positiva por ajudar a construir uma ponte com o Congresso Nacional. “Neste momento em que estamos trabalhando pela implantação do sinal digital da TV Câmara, a atuação do senador Cássio, junto à Câmara Federal, será importante para que possamos adiantar todo este processo”, defendeu. O presidente ressaltou ainda o interesse de firmar parcerias para trazer grandes debates para a Casa de Napoleão Laureano, inclusive envolvendo a reforma previdenciária.

Em uma conversa demorada com os vereadores, Cássio tratou de temas ligados à transposição da águas do Rio São Francisco e destacou que as bombas d’água oferecidas pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), poderão adiantar em 30 dias a chegada das águas da transposição a áreas do Estado que sofrem constantemente com a seca.

“João Pessoa não vem sofrendo com este problema, mas em cidades como Campina Grande a chegada destas água é urgente”. Quanto à capital, Cássio revelou que vem atuando junto ao governo federal para facilitar a liberação de recursos para a chegada dos VLTs. “Este é um debate que foi muito politizado, mas a verdade é que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou R$ 60 bilhões em investimentos, mas não tinha os recursos para tornar isto realidade, e não apenas João Pessoa, como muitas capitais, ficaram sem implantar os VLTs por este problema. Aquele anúncio foi uma reação às primeiras grandes manifestações nas ruas, mas infelizmente tudo não saiu do papel”, explicou.

Raniery defende Ricardo e Cássio na chapa com Lira para governo

Paulino aceita se unir a rivais políticos em prol da unidade. Foto: Rizemberg Felipe

Angélica Nunes

Opositor histórico do governador Ricardo Coutinho (PSB) e do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), o deputado Raniery Paulino (PMDB) defende o nome do senador Raimundo Lira para o governador em 2018 com o apoio das duas lideranças. Paulino disse que esteve com o senador, acompanhado do ex-governador Roberto Paulino (PMDB), nesta segunda-feira (16), para a apresentar a sua tese para as próximas eleições.

Apesar de evitar se posicionar na disputa pelo comando do PMDB, atualmente presidido pelo senador José Maranhão, Raniery disse que o nome de Lira é unanimidade e que não fica admirado se estiverem todos no mesmo palanque nas próximas eleições.
Paulino disse que não pretende entrar no ‘cabo de guerra’ travado entre Lira e Maranhão. “Meu partido é o PMDB e a tese que vou apresentar na próxima sexta-feira (20) é de candidatura própria do PMDB para o governo em 2018 com o nome de Raimundo Lira. Se Maranhão quiser disputar novamente é um ponto que vamos também levar ao debate. O que não podemos aceitar é que o partido perca seu protagonismo”, afirmou.

A apreensão de Raniery Paulino é que o PMDB se limite a apoiar, nas próximas eleições para o governo do estado, a candidatura do prefeito Luciano Cartaxo (PSD) ou do deputado Gervázio Maia (PSB), que tudo indica deve ser a escolha do governador Ricardo Coutinho para seu sucessor.

Na chapa idealizada pelo peemedebista, com Lira na cabeça como candidato ao governo, estariam Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima como candidatos ao senado. Luciano Cartaxo, que assegurou a aliança com os tucanos e com uma ala do PMDB, ao emplacar Manoel Junior como seu vice-prefeito, para não “sobrar na curva”, segundo ele, poderia indicar o vice de Lira para o governo.

Cássio tem nome cotado para vice-presidência do Senado

Cássio cobra julgamento de ações contra Ricardo Coutinho. Foto: Divulgação/Agência Senado

Angélica Nunes

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) pode retomar o seu mandato em fevereiro com a possibilidade de também assumir a vice-presidência do Senado Federal. A cúpula do PMDB, segundo matéria do G1, estaria querendo alguém afinado com a política econômica do presidente Michel Temer para o segundo posto mais importante do Senado. A apreensão dos peemedebistas é que os possíveis desdobramentos das delações dos executivos da construtora Odebrecht respinguem no senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), atual líder do partido e nome escolhido para disputar a presidência do Senado para o próximo biênio.

Caso Eunício Oliveira vença a eleição para presidência do Senadom e em seguida seja afastado do posto pela Justiça, os peemedebistas não querem ter quer lidar com a desconfortável possibilidade de um adversário de Temer assumir a a Mesa do Senado. Atualmente, por exemplo, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), está impossibilidade de sair da cadeira, pois o vice-presidente é o senador Jorge Viana (PT-CE).

Pela tradição, por ser a segunda maior bancada no Senado, o PSDB deve ficar com o cargo de vice-presidente. Por isso, além de Cássio Cunha Lima, estão na roda os nomes do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) e de Paulo Bauer (PSDB-SC), que liderou a bancada tucana no segundo semestre de 2016. Para o senador paraibano, não haverá disputa. “Deve ser escolhido o nome de consenso. Foi assim quando fui líder do meu partido”, disse.

O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) é um dos peemedebistas que defendem a escolha de um tucano para a vice-presidência. “A nossa preferência é que a indicação seja do PSDB porque é um partido aliado, que faz parte da base de apoio do governo. Facilita o funcionamento legislativo de forma geral. Nós preferimos assim, pelo menos com quem eu tenho falado do PMDB”, afirmou.

Cássio disse que só em ter o nome lembrado já é motivo de orgulho, mas que se for essa a escolha do partido e, principalmente, do plenário do Senado, deverá estar à serviço do país e em especial da Paraíba.

Cássio lança a hashtag “julgaTRE” para ações contra Ricardo

Cássio cobra julgamento de ações contra Ricardo Coutinho. Foto: Divulgação/Agência Senado

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) sugeriu nesta terça-feira (27), durante café da manhã com a imprensa, em João Pessoa, a hashtag “julgaTRE” para as ações que tramitam no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra o governador Ricardo Coutinho (PSB). O parlamentar acusa o socialista de ter usado a máquina administrativa, em 2014, para garantir a reeleição. As esperanças dos tucanos sobre a cassação estão depositadas, principalmente, na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) do Empreender-PB.

De acordo com os adversários do governador, ele teria usado o programa de concessão de crédito Empreender-PB com fins eleitorais durante a campanha de 2014. Um dos argumentos que apontam neste sentido é o relatório elaborado pela Controladoria Geral do Estado (CGE) apontando suposto descontrole na concessão dos empréstimos. Entre as falhas apontadas estão concessão de recursos para menores de 18 anos e a não comprovação da cobrança pelos empréstimos.

Cássio tem reclamado do que chama de lentidão do TRE para julgar as ações. O senador lembra que, no caso dele, quando era governador, houve celeridade e o mandato dele foi cassado no primeiro ano de governo. O governador Ricardo Coutinho, por outro lado, desdenhou da pressa do tucano em entrevista recente. Disse que tem ações que pesam contra o parlamentar tramitando em segredo de justiça no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre elas, citou o caso do Edifício Concorde, quando o dinheiro supostamente usado na campanha foi jogado pela janela.

Cássio Cunha Lima admite que a política tradicional faliu

Cássio Cunha Lima (C) conversa com Aécio Neves (PSDB-MG) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Acabou! Poderia ser essa, sem dúvida, a análise sobre a defesa feita pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB) do nome da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, para a disputa da Presidência da República em caso de cassação do mandato de Michel Temer (PMDB-SP). As declarações foram feitas durante entrevista à rádio RPN, em João Pessoa, e revelam o descrédito da política tradicional aos ser analisada, atenção a isso, por um político tradicional.

A constatação do senador tem como base, realmente, qualidades que a gente não costuma mesmo ver na política tradicional, que poderia muito bem fechar para balanço. Ao descrever Cármen Lúcia, Cássio se refere a ela como “uma mulher cuja honestidade e probidade ninguém discute, que tem experiência, tem capacidade e que poderia cumprir um período de transição”. Qualidades, a propósito, que se tornaram mais raras entre os políticos quando vieram à luz as denúncias da operação Lava Jato, que pôs em xeque praticamente todos os políticos.

“Eu acho que, quando você olha dentro dos nomes da política partidária, da chamada política tradicional, talvez você tenha alguma dificuldade (em pensar em um nome). É preciso pensar um pouco mais largo e o Brasil já deu demonstração de disposição de dar oportunidade para as pessoas que também não estão na militância política mais tradicional”, disse Cunha Lima, depois de descartar o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como opção, por ele já ter dado a sua contribuição ao país.

O sentimento de falta de opção tem contaminado a política tradicional, porque ninguém sabe quem vai ficar de pé depois das investigações da Lava Jato. A delação da Odebrecht, também conhecida como “delação do fim do mundo”, pesa para esta avaliação. Bastou vazar o conteúdo de uma das 77, a de Cláudio Melo Filho, para que o núcleo duro do governo Temer tremesse na base. A coisa não é menos comprometedora em relação às outras opções. Todos os presidenciáveis, seja do PMDB, PSDB, Rede ou PT, estão entre os citados em delações.

Vem crescendo a desconfiança na classe política de que o presidente Temer não termina o mandato. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai julgar a chapa Dilma-Temer, vitoriosa nas eleições de 2014. Os novos desdobramentos da operação Lava Jato apontam no sentido de que dificilmente o peemedebista escapará de uma condenação. O presidente combina uma base consistente na Câmara dos Deputados e no Senado com uma impopularidade histórica, além de uma fragilidade assustadora dos seus apoiadores, todos investigados por corrupção.

A política tradicional dá sinais de que encontrou o seu ocaso e precisará ser reinventada. Agora, convenhamos, não será por meio da canonização dos personagens ligados à Justiça. Me explico melhor. A ministra Cárnen Lúcia é essencial no cargo que ocupa, da mesma forma que o juiz federal Sérgio Moro. A renovação da classe política tem que ocorrer por meio do voto e a responsabilidade para isso é do eleitor. Caso Temer seja cassado a partir de janeiro, a eleição do seu substituto será indireta.