Aije da PBPrev: confira as estratégias de Ricardo e Cássio em novo round no TRE

Cassado em 2007, Cássio cobra coerência da Justiça Eleitoral

Ex-aliados: Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima agora duelam na Justiça Eleitoral Foto: Rizemberg Felipe

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) será a arena do mais novo embate entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O novo round do confronto que não se encerrou com o fechamento das urnas, em 2014, ocorrerá nesta segunda-feira (17), às 14h30, com o julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) da PBPrev. O embate contará com estratégias bem definidas dos advogados de acusação e defesa.

O ponto de desequilíbrio pró-Cássio é o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) pela condenação do governador. A defesa, no entanto, acredita que o período de instrução processual serviu para derrubar as teses da acusação. Eles acham que conseguirão a maioria dos votos da corte pela rejeição da denúncia de abuso do poder econômico no pleito de 2014.

A Aije da PBPrev é relatada pelo desembargador Romero Marcelo, atual vice-presidente e corregedor da Corte. A ação foi proposta pela coligação ‘A Vontade do Povo’ ainda durante a campanha de 2014, na qual foi denunciada, conforme alegação da acusação, uma enxurrada de pagamentos de retroativos no âmbito da PBPrev, no período eleitoral.

O parecer do Ministério Público Eleitoral aponta que foram pagos benefícios a servidores estaduais, em 2014, no ano eleitoral, mais de R$ 7 milhões às vésperas do primeiro turno. O montante é muito maior que o volume pago em anos anteriores. O órgão, portanto, pede a cassação dos diplomas de Ricardo Coutinho e sua vice, Lígia Feliciano (PDT), além da inelegibilidade de Coutinho e do presidente do órgão, naquele ano, Ramalho Leite.

“O investigado Severino Ramalho Leite, em benefício do investigado Ricardo Vieira Coutinho, utilizou os atos de sua competência no PBPrev de maneira desvirtuada, afastando-se do fim público, visando tão somente angariar votos para a sua candidatura e, consequentemente, afetar a normalidade e legitimidade do pleito de 2014”, diz o parecer do Ministério Público.

Veja o que diz a acusação:

. Em 2013, a PBPrev provou o pagamento de apenas 163 processos a servidores estaduais. Já em 2014, em pleno ano eleitoral, o volume subiu para 1658, ou seja, mais de 1000% de aumento;

. Entre a realização do primeiro e segundo turnos das eleições de 2014 foram analisados, deferidos e pagos um quantidade superior ao somatório dos três exercícios financeiras anteriores (2011, 2012 e 2013);

. Em 2013, a PBPrev pagou apenas R$ 2 milhões para o pagamento de benefícios dos servidores. Já em 2014, foram mais de R$ 7 milhões pagos às vésperas do primeiro turno;

Veja o que diz a defesa:

. A acusação, desde o início, encampou uma linha de desvirtuamento de dados e de omissão de informações;

. A instrução processual foi por demais importante, pois permitiu que demonstrássemos a absoluta regularidade das ações administrativas da PBPrev e a clara ausência de qualquer desvio de finalidade eleitoral;

. Estamos convictos que o TRE velará pela defesa do princípio democrático e pela escolha soberana do povo paraibano, que, em 2014, deixou clara sua opção pelo ciclo do trabalho empreendido pelo Governador Ricardo Coutinho, contrariando posturas crônicas de privilégio e de populismo que travavam o desenvolvimento do nosso Estado.

Saiba o que os delatores da Odebrecht disseram de Cássio, Vital e Lindbergh

A autorização concedida pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), para que a Procuradoria Geral da República (PGR) abra inquéritos contra 108 políticos caiu como uma bomba nesta terça-feira (12). Ao todo, três paraibanos aparecem na lista, todos supostamente beneficiados pela Construtora Norberto Odebrecht em troca de “serviços prestados” ou promessas de atuação em nome da empresa. A lista traz os nomes dos senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e Lindbergh Farias (PT, eleito pelo Rio), além do Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho,

Veja valores, codinomes, delatores e comprometimento atribuído a cada um deles 

Cássio Cunha Lima (PSDB)

Foto: Divulgação/Agência Senado

Delatores: Alexandre José Lopes Barradas  e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis

O que dizem: Consoante o Ministério Público, os colaboradores narram que, em meados de 2014, o parlamentar solicitou e recebeu, por meio de um intermediário de nome “Luís”, o valor de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais). A soma foi repassada ao Senador da República Cássio Rodrigues Cunha Lima, então candidato ao governo do Estado da Paraíba, com a expectativa de receber futura contrapartida e de realizar obra de saneamento naquele Estado. A operação, implementada pelo Setor de Operação Estruturadas do Grupo Odebrecht, não foi contabilizada e está indicada no sistema “Drousys”.

Codinome: “Prosador”

Apuração: sustenta o Procurador-Geral da República a existência de indícios quanto à prática, em tese, do crime previsto no art. 350 do Código Eleitoral, postulando, ao final, o levantamento do sigilo dos autos. 2

Confira a íntegra

 

Ministro Vital do Rêgo Filho

Delatores: Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e José de Carvalho Filho

O que dizem: Os delatores descreve a realização de pagamentos destinados a políticos ligados ao PMDB, solicitados por José Sérgio de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro. Narra que foram feitas reuniões com o presidente na sede da estatal, “oportunidade na qual discorria sobre os projetos do PMDB e seu projeto político dentro do partido e pleiteava as supostas ‘contribuições’ na forma de pagamentos a políticos do partido, em sua maioria via contabilidade paralela”. Fernando Reis, por sua vez, relata ter instruído verbalmente Eduardo Barbosa, funcionário de sua confiança, para que solicitasse pagamento à equipe de Hilberto Silva, responsável pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, a fim de que fossem atendidos os pedidos feitos por Sérgio Machado. Entre o ano de 2012 e outubro de 2014 teriam sido registrados pagamentos no valor aproximado de R$ 10 milhões O colaborador Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis também assinala não ser usual a identificação do beneficiário dos pedidos de Sérgio Machado, mas que, em alguns casos, o Presidente da Transpetro declinava o nome do beneficiário. Assim, teria havido pedido específico de repasse de vantagem a pretexto de campanha de Vital do Rêgo, feito por meio de contabilidade paralela e não oficial. Ao lado disso, o colaborador José de Carvalho Filho, na qualidade de Diretor de Relações Institucionais da Construtora Norberto Odebrecht, confirma ter feito pagamento a Vital do Rêgo a pedido de Fernando Reis. Relata-se pedido de repasse da soma R$ 350 mil, que teria sido atendido a um assessor do então do Senador José Sérgio de Oliveira Machado, por sua vez, também confirma que a empresa Lumina Resíduos Industriais, integrante do Grupo Odebrecht, foi uma das empresas que realizou pagamento por meio do Setor de Operações Estruturadas.

Codinomes: “Ceboleiro”, “Cabeça Chata” e “Xiita” (não há especificação sobre qual é de Vital)

Apuração: o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, acredita que tais fatos podem amoldar-se ao tipo descrito no art. 317 combinado com o art. 327, § § 1º e 2º e art. 333 do Código Penal, além do art. 1º da Lei 9.613/1998,

 

Lindbergh Farias (PT), senador paraibano eleito pelo Rio de Janeiro

Lindbergh Farias exerce o cargo de senador pelo Rio de Janeiro. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Delatores: Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade Azevedo

O que dizem: Segundo o Ministério Público, relatam os colaboradores o pagamento de vantagens indevidas não contabilizadas no âmbito da campanha eleitoral dos anos de 2008 e 2010, nos valores respectivos de R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões, que tinham como motivação o potencial de projeção do parlamentar. Os repasses foram implementados por meio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. Em contrapartida às doações, o parlamentar, então Prefeito do Município de Nova Iguaçu/RJ, teria beneficiado a empresa Odebrecht em contratos administrativos relacionados ao programa “Pró-Moradia”.

Codinomes: “Feio” e “Lindinho”

Apuração: Sustentando o Procurador-Geral da República que as condutas descritas amoldam-se, em tese, às figuras típicas contidas no art. 317 c/c 327, §§ 1º e 2° e art. 333 do Código Penal, além do art. 1° da Lei 9.613/98

 

 

Odebrecht: ministro Edson Fachin inclui Cássio entre os investigados na Lava Jato

Cássio Cunha Lima (C) conversa com Aécio e Caiado. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB) está entre os 108 políticos que passarão a ser investigados pela Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato, com base nas denúncias dos executivos da Odebrecht. A abertura dos inquéritos foi determinada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informações do blog do jornalista Fausto Macedo, do Estadão. A publicação informa que foi determinada a abertura de inquérito contra nove ministros do governo Temer, 29 senadores e 42 deputados federais. Entre os parlamentares, estão os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). A lista também inclui o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), o também paraibano Vital do Rêgo Filho.

Ao todo, são 108 políticos alvos de 83 inquéritos propostos pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O material foi encaminhado ao Supremo pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. As denúncias têm como base as 78 delações de executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht, todos com foro privilegiado no STF. Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, não aparecem nesse conjunto porque não possuem mais foro especial. O senador e ex-candidato a presidente da República, Aécio Neves, aparece na lista junto com outro ex-presidenciável tucano, o senador José Serra.

O governo do presidente Michel Temer é bastante atingido pelas investigações. A lista inclui os ministros Eliseu Padilha (PMDB), da Casa Civil, , Moreira Franco (PMDB), da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia, Helder Barbalho (PMDB), da Integração Nacional, Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores, Blairo Maggi (PP), da Agricultura, Bruno Araújo (PSDB), das Cidades, Roberto Freire (PPS), da Cultura, e Marcos Pereira (PRB), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. O presidente Michel Temer é alvo de pedido de investigação, mas não foi incluído porque a Constituição proíbe a investigação do presidente por fatos anteriores ao atual mandato.

Confira a lista dos políticos que serão investigados

Senador da República Romero Jucá Filho (PMDB-RR)
Senador Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG)
Senador da República Renan Calheiros (PMDB-AL)
Ministro da Casa Civil Eliseu Lemos Padilha (PMDB-RS)
Ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab (PSD)
Senador da República Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Deputado Federal Paulinho da Força (SD-SP)
Deputado Federal Marco Maia (PT-RS)
Deputado Federal Carlos Zarattini (PT-SP)
Deputado Federal Rodrigo Maia (DEM-RM), presidente da Câmara
Deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA)
Deputado federal Milton Monti (PR-SP)
Governador do Estado de Alagoas Renan Filho (PMDB)
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Wellington Moreira Franco (PMDB)
Ministro da Cultura Roberto Freire (PPS)
Ministro das Cidades Bruno Cavalcanti de Araújo (PSDB-PE)
Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)
Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Antônio Pereira (PRB)
Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Borges Maggi (PP)
Ministro de Estado da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB)
Senador da República Paulo Rocha (PT-PA)
Senador Humberto Sérgio Costa Lima (PT-PE)
Senador da República Edison Lobão (PMDB-PA)
Senador da República Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Senador da República Jorge Viana (PT-AC)
Senadora da República Lidice da Mata (PSB-BA)
Senador da República José Agripino Maia (DEM-RN)
Senadora da República Marta Suplicy (PMDB-SP)
Senador da República Ciro Nogueira (PP-PI)
Senador da República Dalírio José Beber (PSDB-SC)
Senador da República Ivo Cassol
Senador Lindbergh Farias (PT-RJ)
Senadora da República Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Senadora da República Kátia Regina de Abreu (PMDB-TO)
Senador da República Fernando Afonso Collor de Mello (PTC-AL)
Senador da República José Serra (PSDB-SP)
Senador da República Eduardo Braga (PMDB-AM)
Senador Omar Aziz (PSD-AM)
Senador da República Valdir Raupp
Senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Senador da República Eduardo Amorim (PSDB-SE)
Senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
Senador da República Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Senador da República Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
Deputado Federal José Carlos Aleluia (DEM-BA)
Deputado Federal Daniel Almeida (PCdoB-BA)
Deputado Federal Mário Negromonte Jr. (PP-BA)
Deputado Federal Nelson Pellegrino (PT-BA)
Deputado Federal Jutahy Júnior (PSDB-BA)
Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS)
Deputado Federal Felipe Maia (DEM-RN)
Deputado Federal Ônix Lorenzoni (DEM-RS)
Deputado Federal Jarbas de Andrade Vasconcelos (PMDB-PE)
Deputado Federal Vicente “Vicentinho” Paulo da Silva (PT-SP)
Deputado Federal Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)
Deputada Federal Yeda Crusius (PSDB-RS)
Deputado Federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)
Deputado Federal José Reinaldo (PSB-MA), por fatos de quando era governador do Maranhão
Deputado Federal João Paulo Papa (PSDB-SP)
Deputado Federal Vander Loubet (PT-MS)
Deputado Federal Rodrigo Garcia (DEM-SP)
Deputado Federal Cacá Leão (PP-BA)
Deputado Federal Celso Russomano (PRB-SP)
Deputado Federal Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)
Deputado Federal Pedro Paulo (PMDB-RJ)
Deputado federal Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)
Deputado Federal Paes Landim (PTB-PI)
Deputado Federal Daniel Vilela (PMDB-GO)
Deputado Federal Alfredo Nascimento (PR-AM)
Deputado Federal Zeca Dirceu (PT-SP)
Deputado Federal Betinho Gomes (PSDB-PE)
Deputado Federal Zeca do PT (PT-MS)
Deputado Federal Vicente Cândido (PT-SP)
Deputado Federal Júlio Lopes (PP-RJ)
Deputado Federal Fábio Faria (PSD-RN)
Deputado Federal Heráclito Fortes (PSB-PI)
Deputado Federal Beto Mansur (PRB-SP)
Deputado Federal Antônio Brito (PSD-BA)
Deputado Federal Décio Lima (PT-SC)
Deputado Federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)
Ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho
Governador do Estado do Rio Grande do Norte Robinson Faria (PSD)
Governador do Estado do Acre Tião Viana (PT)
Prefeita Municipal de Mossoró/RN Rosalba Ciarlini (PP), ex-governadora do Estado
Valdemar da Costa Neto (PR)
Luís Alberto Maguito Vilela, ex-Senador da República e Prefeito Municipal de Aparecida de Goiânia entre os anos de 2012 e 2014
Edvaldo Pereira de Brito, então candidato ao cargo de senador pela Bahia nas eleições 2010
Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais/Codemig
Senador Antônio Anastasia (PSDB-MG)
Cândido Vaccarezza (ex-deputado federal PT)
Guido Mantega (ex-ministro)
César Maia (DEM), vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-deputado federal
Paulo Bernardo da Silva, então ministro de Estado
Eduardo Paes (PMDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro
José Dirceu
Deputada Estadual em Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC)
Márcio Toledo, arrecadador das campanhas da senadora Suplicy
Napoleão Bernardes, Prefeito Municipal de Blumenau/SC
João Carlos Gonçalves Ribeiro, que então era secretário de Planejamento do Estado de Rondônia
advogado Ulisses César Martins de Sousa, à época Procurador-Geral do Estado do Maranhão
Rodrigo de Holanda Menezes Jucá, então candidato a vice-governador de Roraima, filho de Romer Jucá
Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio
Eron Bezerra, marido da senadra Grazziotin
Moisés Pinto Gomes, marido da senadora Kátia Abreu, em nome de quem teria recebido os recursos – a38
Humberto Kasper
Marco Arildo Prates da Cunha
Vado da Famárcia, ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho
José Feliciano

 

Com informações do blog do Fausto Macedo, do Estadão

Advogados de Cássio usam Facebook para explicar Aije da PBPrev

Ex-aliados: Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima estarão de lados opostos durante o julgamento no TRE. Foto: Rizemberg Felipe

Os advogados do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) encontraram o meio pelo qual, na visão deles, conseguirão atrair a atenção popular para o julgamento da Ação Judicial Eleitoral (Aije) da PBPrev, que pede a cassação dos mandatos do governador Ricardo Coutinho (PSB) e da sua vice, Lígia Feliciano (PDT). Estarão ao vivo, no Facebook, nesta segunda-feira (10), às 19h45, Harrison Targino, Gustavo Rabay e Rinaldo Mouzalas. Os três estarão conversando sobre as particularidades da ação que irá a julgamento na próxima segunda-feira (17), caso seja mantido o cronograma do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A explanação dos advogados vai durar no máximo 45 minutos. O parecer proferido pelo procurador regional eleitoral, João Bernardo da Silva, foi pela procedência da ação. Em seu despacho, ele pede a cassação dos mandatos de Ricardo Coutinho e Lígia Feliciano e a condenação e inelegibilidade de Ricardo e Severino Ramalho Leite, então presidente da PBPrev, por “abusos de poder político com viés econômico comprovados nos autos”. A ação aponta que nos dias 3 e 4 de outubro de 2014, véspera das eleições, foram deferidos e publicados 205 processos de pagamentos alcançando o montante de R$ 2.754.953,99.

O Ministério Público Eleitoral alega ainda que após o resultado do primeiro turno das eleições, os deferimentos foram intensificados. Os Diários Oficiais dos dias 08, 10, 12, 14, 15, 16, 17, 18 e 22 de outubro saíram recheados de benesses. “O escandaloso uso eleitoral pode ser verificado na diferença de processos liberados entre um ano e outro. Em 2013 foram 163 processos liberados. Enquanto em 2014 foram 1.658. O aumento foi de mais de 1000%. No total os gastos foram de R$ 7.298.065,90”, calcula o advogado da coligação, Harrison Targino.

 

Depois de Alckmin e Cássio, Ricardo monitora obras da transposição

Ricardo Coutinho visita obras da transposição acompanhado de deputados aliados. Foto: Divulgação/Secom-PB

O governador Ricardo Coutinho, acompanhado do secretário da Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, João Azevedo, de deputados estaduais e auxiliares do governo, visita, nesta sexta-feira (3), as obras de recepção das águas do Rio São Francisco na Paraíba. Ele vai a Sertânia, no Sertão de Pernambuco, onde inspeciona a Estação de Bombeamento Vertical 6 (EBV-6), a última do Eixo Leste da Transposição. De lá, ele ainda faz vistorias no Açude Poções, em  Monteiro, e na Barragem Camalaú, na cidade de mesmo nome.

A visita do socialista acontece uma semana depois de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB), desafeto de Ricardo, terem acompanhado o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, em vistoria nos canais, reservatórios e estações elevatórias da transposição. Alckmin, inclusive, deu entrevistas falando da importância das motobombas emprestadas ao governo federal pelo estado de São Paulo para antecipar a chega das águas em Pernambuco e na Paraíba.

Defesa

O governador paraibano tem se movimentado para que o bônus pela transposição não caia exclusivamente no colo dos seus adversários, notadamente o senador. A visão socialista é a de que a obra foi tirada do papel durante os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff e que Ricardo Coutinho atuou na construção de várias das obras complementares. Cássio, por isso, seria um neófito nas discussões. Falo neófito para usar uma expressão mais leve. O Estado, inclusive, tem bancado propagandas na TV mostrando a atuação do governo no processo.

Apesar do tensionamento, a previsão é que o governador recepcione o presidente Michel Temer (PMDB) no dia 9 deste mês, quando ele fará uma espécie de “inauguração” da chegada da água na Paraíba. A previsão, no entanto, é que as águas da transposição de águas do Rio São Francisco cheguem à Paraíba até o dia 5, o próximo domingo. Nesta quarta-feira, o senador Cássio Cunha Lima postou fotos do bombeamento das águas e revelou que elas já estariam a 17 quilômetros do limite entre Pernambuco e Paraíba.

 

Confira a agenda do governador para esta sexta-feira

Hora: 8h30 – Início da Caravana
Local: Aeroporto de Monteiro

Hora: 9h40 – Visita à Estação de Bombeamento – EBV 6
Local: Sertânia (PE).

Hora:11h15 – Visita ao Açude Poções
Local: Monteiro.

Hora: 12h45 – Visita à Barragem Camalaú
Local: Camalaú

 

Temer muda agenda para o dia 9 e terá palanque ‘minado’ na Paraíba

Ex-aliados: Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima deverão estar ao lado de Temer durante visita à Paraíba. Foto: Rizemberg Felipe

Dormindo com o inimigo” foi um filme estrelado pela atriz norte-americana Julia Roberts, em 1991. O enredo falava de uma mulher que descobriu no marido o seu maior inimigo e fugiu para escapar das agressões. O exemplo não caberia em justa posição, mas a ideia serve para simbolizar o que será o palanque do presidente Michel Temer (PMDB) que vem à Paraíba no dia 9 para “inaugurar” a chegada das águas da transposição. Lá estarão os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB), além de, imaginem, o governador Ricardo Coutinho (PSB).

É bem verdade que Ricardo e Cássio, hoje desafetos, já estiveram juntos em eventos passados, dizem até que com certa cortesia mútua. Junto com José Maranhão, atualmente seu aliado, o tucano experimentou momentos de amor e ódio com o socialista. Ricardo se uniu a Cássio, em 2010, para vencer Maranhão e, quatro anos depois, deu o troco no peessedebista. Em 2014, no segundo turno, Maranhão foi essencial na vitória do socialista contra o tucano nas eleições.

A relação dos desafetos do governador inclui ainda o presidente Temer. O socialista encampou o movimento, na Paraíba, contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Levou muito tempo ainda atacando o peemedebista, a quem chamava de golpista. O gelo entre os dois foi quebrado pelo senador Raimundo Lira, uma das lideranças do PMDB que sonham com um alinhamento futuro com o governador. Lira espera conquistar para o partido uma vaga na chapa majoritária liderada pelos socialistas.

Entre os paraibanos, Cássio tem ido a todas as visitas às obras da transposição e iniciou na semana passada praticamente um diário da chegada da água, com a divulgação de imagens nas redes sociais. Tem lembrado, sempre, o empréstimo feito pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do conjunto motobomba usado para mandar a água de Sertânia, em Pernambuco, para a Paraíba. Já Ricardo tem bancado propagandas do governo para mostrar que o Estado teve participação importante na transposição, com a execução das obras complementares.

Inimigos ou não, os quatro devem dividir o palanque em Monteiro, no dia 9. A previsão é que a água chega à Paraíba já no dia 5 de março.

 

Petistas chupam o dedo enquanto peemedebistas e tucanos faturam com transposição

Virtual candidato do PSDB a presidente da República, em 2018, Geraldo Alckmin grava vídeo nas obras da transposição. Imagem: Reprodução/YouTube

Nenhuma imagem, entrevista ou referência. O legado petista da transposição ou o que eles esperavam dele foi apagado nas águas do Velho Chico que agora rumam em direção à Paraíba. Pouca coisa faz lembrar o esforço e a briga comprada pelo ex-presidente Lula (PT), na década passada para tirar o projeto do papel. Um trabalho que peemedebistas e tucanos, com raras exceções, evitam fazer referência. Todo mundo está mais preocupado em tirar uma lasquinha da popularidade que virá com a entrega das águas. O presidente Michel Temer (PMDB) vem no dia 6 de março a Monteiro para inaugurar a chegada da água. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), esteve nesta quarta-feira (22) sobrevoando os canais.

Esta quarta-feira, vale ressaltar, foi muito emblemática em relação ao noticiário político decorrente da transposição. Alckmin, trabalhando com os olhos de 2018, sobrevoou grandes trechos da transposição. No reservatório Copiti, em Sertânia (PE), viu o funcionamento dos conjuntos motobombas que foram emprestados pelo governo de São Paulo para viabilizar a capitação da água. De lá, ela será enviada para Monteiro, seguindo por gravidade. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB), antes um dos barrados nas visitas oficiais às obras, agora está em todas. Acompanha, divulga vídeos nas redes sociais e dá detalhes sobre a chega das águas ao Açude Epitácio Pessoa.

Por falar em tirar uma lasquinha na transposição, o governador Ricardo Coutinho (PSB) também fez rodar propaganda que mostra as ações complementares do governo do Estado, com vistas também às obras da transposição. Tem restado aos petistas as lamentações por não estarem colhendo os frutos plantados uma década atrás. Culpa, também, da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A petista não concluiu a obra no período planejado e foi apeada do poder antes que pudesse ver entregue a promessa feita por Lula. Ou seja, como a obra pertence ao poder público e não aos agentes políticos, méritos para quem estiver no poder no momento da entrega.

Cássio, a ‘suruba de Jucá’ e os Mamonas Assassinas

Ao defender o fim da prerrogativa de foto para os ministros do Supremo, Jucá disse que “suruba é suruba”. Foto: Antonio Cruz

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) saiu em defesa do colega de parlamento Romero Jucá (PMDB-RO) nesta terça-feira (21), tentando amenizar a polêmica, digamos, sobre a “suruba” do peemedebista. Calma, vou me explicar melhor. Ao falar sobre a movimentação no Supremo Tribunal Federal (STF) para restringir a prerrogativa de foro privilegiado que cabe aos senadores e deputados, o parlamentar ameaçou apresentar um projeto para suprimir também a prerrogativa de foro dos ministros da Suprema Corte. Ao ser questionado sobre isso, ele disse que “suruba é suruba”.

A incontinência verbal de Romero Jucá logo rodou o país e virou mais uma polêmica envolvendo o parlamentar conhecido pelas tentativas de “estancar a sangria” da operação Lava Jato. Ele, inclusive, foi gravado pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, falando em tomar o poder da presidente Dilma Rousseff (PT) para que fosse feito um acordo nacional, inclusive com o Supremo, para sepultar a ação policial. Para Cássio, a polêmica foi exagerada e a suruba a que o senador de Roraima não tem a ver com nenhuma promiscuidade parlamentar.

O senador paraibano assegura, vejam só, que Romero Jucá se referia a uma música da banda Mamonas Assassinas que retrata a aventura de um português que foi convidado para uma suruba. Cabe a você, caro leitor, tirar suas próprias conclusões:

A suruba segundo Romero Jucá

“Não, se acabar o foro (privilegiado) é todo mundo, né amigo. Suruba é suruba. Aí todo mundo é uma suruba. Não é uma suruba selecionada. Uma regra pra todo mundo, pra mim não tem problema”.

A suruba de Jucá segundo Cássio

“Apenas ele quis dizer, numa linguagem muito popular, que se houver revisão do foro por prerrogativa de função, não pode ser apenas para deputados e senadores ou mandatários. Tem que ser para todos aqueles que gozam do foro por prerrogativa de função e usou um trecho de uma música dos Mamonas Assassinas na conversa com um jornalista, que resolveu colocar aquilo que o senador pensava estar em off, colocar em on”

A suruba, propriamente dita, segundo o Mamonas Assassinas

Joás de Brito nomeia irmã de Cássio para chefe de gabinete da presidência

Joás de Brito conquistou dez votos para a disputa. Foto: Divulgação/TJPB

O novo presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Joás de Brito Pereira Filho, virou alvo dos internautas nas redes sociais no mesmo dia em que foi empossado no cargo, após intensa batalha interna. O motivo da polêmica não tem nada a ver com a judicialização do pleito, mas com a nomeação da irmã do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) para o cargo de chefe de gabinete da presidência. O nome de Glauce Cunha Lima foi publicado no Diário do Poder Judiciário desta quinta-feira (2), disponibilizado desde a noite desta quarta no portal do TJPB. Durante a sua posse, o magistrado anunciou a formação de uma equipe técnica.

Brito chegou ao Tribunal de Justiça há dez anos, como nome indicado na quota dos advogados através do quinto constitucional. Era o segundo nome de uma lista encabeçada pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Paraíba, Odon Bezerra, o mais votado pela categoria. O nome foi escolhido pelo então governador Cássio Cunha Lima, em 2007, provocando a irritação do primeiro colocado. Ainda em 2007, houve a primeira nomeação de Glauce Cunha Lima para o cargo de chefe de gabinete do magistrado, o que gerou polêmica já naquela época. De lá para cá, a nomeação foi constantemente renovada e, agora, teve como destino o gabinete da presidência.

A justificativa para a escolha pode até ser técnica, mas causa inevitável repercussão no campo político em uma corte que precisa, urgentemente, ser vacinada desta prática. A nomeação acontece também no mesmo dia em que Cássio Cunha Lima foi eleito para a primeira vice-presidência do Senado Federal.

Cássio atrai oposição a Cartaxo em encontro na CMJP

Cássio reúne vereadores em encontro na CMJP. Foto: divulgação

Angélica Nunes

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) esteve nesta terça-feira (17) para, como ele próprio disse, “uma visita de cortesia” ao amigo e correligionário Marcos Vinícius (PSDB), mais novo presidente da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP). Além de vereadores da base que andam insatisfeitos com a reforma administrativa do prefeito Luciano Cartaxo (PSD), o que chamou a atenção na reunião foi a presença dos dois vereadores do PTdoB, Chico do Sindicato e Humberto Pontes, que em tese ainda são da bancada de oposição na Casa.

O líder da situação, Helton René, disse que tem conversado com os parlamentares oposicionistas, mas sem nada certo. Nos últimos dias Humberto Pontes chegou a afirmar que, embora da oposição, tem boa relação com Cartaxo. Já Chico do Sindicato, que já foi governista, também está em conversas com o líder da situação para retomar o grupo. Renê, inclusive, afirmou que todos os vereadores foram convidados para o encontro com Cássio, “mas apenas os que se interessaram foram”, completando que não compareceu porque tinha outro compromisso.

Para a vereadora Raíssa Lacerda (PSD), uma das que tem se queixado de Cartaxo, a presença do senador paraibano na Casa “mostra a atenção” do líder do PSDB no senado “para com a Casa de Napoleão Laureano”. O pai de Raíssa Lacerda e ex-governador no segundo governo de Cássio, José Lacerda, também esteve no encontro. “É com grande satisfação que recebemos a visita de um senador que possui sua atenção voltada aos temas de maior interesse da sociedade paraibana e que se coloca à disposição dos parlamentares para defender temas de interesse de João Pessoa em Brasília”, avaliou.

Também foram ao encontro com Cássio os vereadores Helena Holanda (PP), Milanês Neto (PTB), João dos Santos (PR), Eliza Virgínia (PSDB), Luís Flávio (PSDB), Damásio Neto (PP), Dinho (PMN), Thiago Lucena (PMN), João Corujinha (PSDC), Lucas de Brito (PSL) e Pedro Coutinho (PHS).

Agenda nacional

Marcos Vinícius avaliou a visita de Cássio como positiva por ajudar a construir uma ponte com o Congresso Nacional. “Neste momento em que estamos trabalhando pela implantação do sinal digital da TV Câmara, a atuação do senador Cássio, junto à Câmara Federal, será importante para que possamos adiantar todo este processo”, defendeu. O presidente ressaltou ainda o interesse de firmar parcerias para trazer grandes debates para a Casa de Napoleão Laureano, inclusive envolvendo a reforma previdenciária.

Em uma conversa demorada com os vereadores, Cássio tratou de temas ligados à transposição da águas do Rio São Francisco e destacou que as bombas d’água oferecidas pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), poderão adiantar em 30 dias a chegada das águas da transposição a áreas do Estado que sofrem constantemente com a seca.

“João Pessoa não vem sofrendo com este problema, mas em cidades como Campina Grande a chegada destas água é urgente”. Quanto à capital, Cássio revelou que vem atuando junto ao governo federal para facilitar a liberação de recursos para a chegada dos VLTs. “Este é um debate que foi muito politizado, mas a verdade é que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou R$ 60 bilhões em investimentos, mas não tinha os recursos para tornar isto realidade, e não apenas João Pessoa, como muitas capitais, ficaram sem implantar os VLTs por este problema. Aquele anúncio foi uma reação às primeiras grandes manifestações nas ruas, mas infelizmente tudo não saiu do papel”, explicou.