PSB avança com apetite sobre lideranças de partidos aliados

Fazer aliança com o PSB do governador Ricardo Coutinho tem feito mal à saúde dos partidos aliados. A filiação dos deputados estaduais Gervásio Maia e Trócolli Júnior são exemplos claros disso. O primeiro deixa o PMDB alegando desconfortos gerados pelas lideranças estaduais do partido, enquanto que o segundo, licenciado da Assembleia Legislativa para ocupar a Articulação Política do governo, se apresenta como sócio nas insatisfações de Maia. O PSB também tentou tirar o deputado federal e pré-candidato do PMDB em Campina Grande, Veneziano Vital do Rêgo, mas não conseguiu.

Foto: Rizemberg Felipe

Foto: Rizemberg Felipe

O avanço sobre os aliados faz parte do plano hegemônico dos socialistas, visando se fortalecer na maioria dos municípios de pequeno e médio porte, por causa do grande risco de não vencer as eleições em João Pessoa e Campina Grande, onde Luciano Cartaxo (PSD) e Romero Rodrigues (PSDB), respectivamente, disputam a reeleição. Uma eventual derrota nas duas cidades deixaria o governador Ricardo Coutinho em dificuldades, em 2018, para fazer o sucessor no governo. Por isso, apesar dos aliados reclamarem de “traição”, não falta apetite ao PSB.

Do PCdoB, aliado histórico, os socialistas poderão retirar ainda o deputado estadual Zé Paulo, que pretende ser candidato a prefeito de Santa Rita. Só para se ter uma ideia, o partido elegeu 35 chefes de executivos, mas chegará na reta final para a disputa das eleições deste ano com 57 prefeitos filiados, muitos deles vindos de partidos aliados. Recentemente, o partido apresentou os pré-candidatos para as eleições deste ano. São mais de 160 e a meta deles é, no mínimo, sobrar o número atual de gestores municipais.

O avanço dos socialistas sobre os aliados se dá por uma questão muito simples: a aliança interessa, mas não para que o agregado assuma qualquer posição de protagonismo. Queixas por causa desse embate são comuns entre os aliados que se consideram principais fiadores da candidatura à reeleição de Ricardo Coutinho em 2014. O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, hoje no PSD, diz em reserva que deixou o PT porque viu a sigla ser carreada por Coutinho, que não pretendia apoiar a sua reeleição. Ele diz que havia acordo para isso, os socialistas dizem que não.

O senador José Maranhão (PMDB) é outro que tem se queixado a aliados. O PSB não aceitou o lançamento da campanha de Manoel Júnior a prefeito de João Pessoa. Além de desafeto de Coutinho, Júnior atrapalharia o plano socialista de voltar ao poder na capital. O mesmo empecilho representado por Cartaxo, que, além das pretensões em relação à reeleição ainda tem planos para a eleição de 2018. Era muito para tratá-lo como aliado e isso ficou claro ainda no início de 2015, quando o PSB se recusou a participar o governo Cartaxo.

As armas estão na mesa.

Tucanos ampliam discussão sobre apoio à reeleição de Luciano Cartaxo

Os vereadores tucanos de João Pessoa (Marcos Vinícius, Eliza Virgínia e Luiz Flávio) deram o primeiro passo na tentativa de levar o PSDB para a base de apoio à reeleição do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD). Eles se reuniram na manhã desta quinta-feira (11) com a presidente do Diretório Municipal do partido, Lauremília Lucena. Na conversa, questionaram a ex-vice-governadora sobre que estrutura a sigla montará para a disputa das eleições municipais na capital, bem como quem são os pré-candidatos a vereador.

Tucanos reunidos

De Lauremília, os vereadores ouviram que o partido vai tentar ampliar em pelo menos mais dois vereadores a bancada na Câmara Municipal. Sobre a possibilidade de apoio a Luciano Cartaxo, o tema será discutido em reunião com o presidente estadual do partido, Ruy Carneiro, na próxima segunda-feira (15), às 8h30. O agendamento foi feito ainda durante o encontro desta quinta. O passo seguinte será procurar o senador Cássio Cunha Lima, que é a principal liderança do partido. A expectativa dos vereadores é que a sigla feche a aliança na capital, apoiando o PSD, e receba o apoio em Campina Grande, onde Romero Rodrigues disputa a reeleição.

O PSDB também trabalha com a possibilidade de candidatura própria. O nome seria o de Ruy Carneiro, que, em reserva, tem dito não ter a intenção de encarar o desafio. A dificuldade de financiamento da disputa é um dos empecilhos. Da direção nacional do partido, o dirigente paraibano recebeu a promessa apenas do básico, mas sem que isso fosse traduzido em cifras. Outro pré-candidato que pleiteia o apoio do PSDB é Manoel Júnior (PMDB). O deputado federal apoiou informalmente Cássio Cunha Lima na disputa do Estado, em 2014. Agora, acha que pode ser recompensado.

Nem Picolé nem Dindim de Manga no Folia de Rua deste ano

Depois do governo federal, do governo do Estado e da prefeitura de João Pessoa, a crise atingiu agora um dos principais blocos carnavalescos da capital. Um dos fundadores do Picolé de Manga e da versão infantil da agremiação, o Dindim de Manga, Lucélio Cartaxo, anunciou nesta segunda-feira (4) que o bloco não vai desfilar neste ano. A medida foi tomada após uma série de reuniões da direção da agremiação ocorridas nos últimos dias. A justificativa é a crise econômica.
A decisão já foi comunicada ao presidente do Folia de Rua, Antônio Toledo. Os organizadores alegam, no entanto, que o Picolé de Manga não deixará de existir porque faz parte das tradições de Carnaval de João Pessoa e integra o calendário festivo da cidade há 23 anos, período em que arrastou sempre mais e mais foliões anualmente. Além de Lucélio, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), é um dos fundadores da agremiação.
O prefeito anunciou recentemente que vai reduzir os repasses de recursos para o Folia de Rua e para o Carnaval Tradição, por causa da crise, que culminou com a redução dos repasses federais para o município. Neste ano, outra medida anunciada para reduzir gastos foi a suspensão do Extremo Oriental, que ocorria nos meses de janeiro.

Presidente do PT de João Pessoa diz que Cartaxo mentiu sobre BRTs

A presidente do PT de João Pessoa, Aparecida Diniz, divulgou nota contestando as declarações do prefeito Luciano Cartaxo (PSD) publicadas pelo Jornal da Paraíba no último domingo (27). Na entrevista, o gestor havia dito que o BRT (Bus Rapid Transit) da capital não saiu do papel por causa do contingenciamento imposto neste ano pela presidente Dilma Rousseff (PT). A dirigente petista, no entanto, aponta problemas da gestão como motivo para que o sistema, orçado em R$ 188 milhões, permanecesse na gaveta. Confira a nota na íntegra:

 

 

Sem BRT e Plano de Mobilidade, Cartaxo deixa João Pessoa parada!

Como presidenta do Partido dos Trabalhadores de João Pessoa, venho através desta nota esclarecer ao publico as declarações do prefeito Luciano Cartaxo que, em entrevista no final último final de semana publicada pelo Jornal da Paraíba, responsabilizou a presidente Dilma Roussef pela não implementação do PAC da Mobilidade Urbana de João Pessoa, que previa a criação de cinco corredores exclusivos para circulação do Bus Rapid Transit (BRT), um sistema de transporte público mais moderno, com maior capacidade de conduzir passageiros, com mais rapidez e acessibilidade.

Cartaxo disse que a causa do projeto não ter saído do papel teria sido o contingenciamento de recurso por parte do governo federal. A desculpa do prefeito da Capital não corresponde à verdade. O projeto do PAC da Mobilidade Urbana de João Pessoa foi aprovado em 2011 pelo Ministério das Cidades, assegurando recursos na ordem de R$ 188 milhões.

Em agosto de 2014, a Prefeitura de João Pessoa abriu o processo licitatório para empresas interessadas em executar as obras do BRT. Em setembro do mesmo ano, o Tribunal de Contas do Estado suspendeu a concorrência, através de medida cautelar tomada pelo conselheiro Fernando Catão. A decisão do relator foi tomada após uma inspeção especial de licitação e contratos, para que não houvesse prejuízo aos cofres públicos. Como a prefeitura não saneou as falhas do edital, a decisão foi mantida pela 1ª Câmara do TCE em outubro do mesmo ano e o processo licitatório foi definitivamente suspenso em março de 2015.

Portanto, com dinheiro disponível na Caixa Econômica Federal – CEF para pagamento da obra, a PMJP não conseguiu realizar a licitação e não abriu outra, causando prejuízos à população da capital, que carece de transporte coletivo de melhor qualidade e sofre com constantes engarrafamentos e obstáculos à mobilidade urbana.

O Ministério das Cidades nega o contingenciamento de recursos e afirma que o dinheiro não foi liberado porque a prefeitura não solicitou pagamentos. Não o fez porque não houve processo licitatório. Enquanto a PMJP não consegue implementar o BRT, em cidades vizinhas como Recife, Olinda e Natal os projetos já saíram do papel.

Para confirmar o descaso com a temática da mobilidade, a gestão municipal também perdeu todos os prazos para elaborar e apresentar ao Governo Federal o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, fundamental para o planejamento da capital e pré-condição para a liberação de novas transferências federais voluntárias para a área. Por iniciativa de entidades da sociedade civil, a 2ª Promotoria do Meio Ambiente e Patrimônio Social de João Pessoa ajuizou ação civil pública requerendo a imediata elaboração do plano, na forma prevista na Lei nº 12.587/2012.

Portanto, três anos depois, os grandes projetos de mobilidade urbana em João Pessoa ainda são promessas de campanha. Falta visão estratégica e capacidade de execução na gestão. Ao tentar culpar o governo Dilma pelo fracasso do projeto do BRT o prefeito Cartaxo tenta transferir responsabilidades.

O governo federal do PT trabalha e sempre trabalhou por João Pessoa. Só os ingratos e os incompetentes não conseguem reconhecer isso.

 

João Pessoa, 28 de dezembro de 2015.

Maria Aparecida Diniz

Presidenta do PT de João Pessoa

Cartaxo manda recado à oposição: “vou contar obras, não número de aliados”

Que a oposição na Câmara de João Pessoa é diminuta, todo mundo sabe. A novidade, pelo menos se ela chegar a se concretizar, é que o grupo de adversários ao prefeito Luciano Cartaxo (PSD) deve crescer a partir de fevereiro de cinco para nove vereadores. Essa, ao menos, é a conta dos oposicionistas, liderados por Raoni Mendes (PTB). Questionado pelo blog, o chefe do Executivo disse estar mais preocupado em contar obras, não aliados. O prefeito tem ao seu lado, atualmente, 22 dos 27 vereadores da capital.

O número de oposicionistas era ainda menor no início do ano. Eram apenas Raoni Mendes e Lucas de Brito (DEN). Renato Martins (PSB) migrou para o grupo com o tensionamento entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o prefeito, por causa dos planos dos socialistas para a disputa eleitoral deste ano. Com a saída de Cartaxo do PT, Eduardo Fuba se viu obrigado a mudar de lado, primeiro se colocando como independente e, depois, com um discurso oposicionista, ‘pero no mucho’.

Nos bastidores, na Prefeitura, há o consenso de que o número de oposicionistas deve aumentar, mas não agora. É difícil imaginar que um número considerável de vereadores deixe o campo fértil governista, com cargos ‘y otras cositas más’ pelo terreno árido da oposição. Mesmo assim, como político não é bicho bobo, muitos deles vão perceber que não dá para se reeleger dentro de uma coligação larga demais. Então, em fevereiro, não, mas a debandada vai acontecer. É só esperar.

Cartaxo decide antecipar 13º salário dos servidores municipais

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), tem disputado palmo a palmo com o governador Ricardo Coutinho (PSB) os espaços na política da capital. Como o chefe do Executivo estadual tem pretensões de lançar candidato na capital, Cartaxo tem buscado fazer o contraponto. Nesta quarta-feira (16), o prefeito anunciou que vai antecipar o pagamento da segunda parcela do 13° salário dos servidores municipais. Paga manhã, um dia antes do Estado. As datas antes coincidiam.

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Dentro da comparação de gestões, o prefeito divulgou balanço na semana passada de 70 obras entregues este ano. As comparações ocorrem porque o governador disse em discurso na entrega do Trevo das Mangabeiras, em agosto, que o governo do Estado tem feito as grandes obras de mobilidade da capital. Com a antecipação da segunda parcela do 13°, serão injetados R$ 34,3 milhões na economia, beneficiando 34.130 servidores da administração direta e indireta, aposentados e pensionistas.
De acordo com a Secretaria de Administração, em um intervalo de aproximadamente 30 dias, a gestão irá injetar aproximadamente R$ 171 milhões, somando a folha de novembro, o décimo, além do mês de dezembro. O pagamento deste mês, cujo cronograma já foi definido, será efetuado nos dias 29 e 30. “No momento em que 43% das cidades não conseguem fechar este ano com as contas em dia, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a Prefeitura de João Pessoa segue entregando um amplo conjunto de obras e, ao mesmo tempo, pagando todos os salários em dia”, ressaltou Cartaxo.
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A Prefeitura de João Pessoa também informou que o cronograma de entregas ainda prevê outras cinco ações até o final deste ano. Entre elas estão a climatização e a reforma de duas escolas, uma creche em tempo integral, a escadaria histórica da Rua Gabriel Malagrida, além da USF da Vila da Saúde.

Governo não tem condições de criar o Tribunal de Contas dos Municípios

O governador Ricardo Coutinho (PSB), apesar da polêmica, não tem dado declarações sobre o suposto desejo de instalar o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). E tem motivos para isso: o governo do Estado não tem condições financeiras de arcar com o investimento. O quadro foi descrito durante as audiências públicas para discutir a Lei Orçamentária Anual (LOA 2016), na Assembleia Legislativa, pelo secretário de Planejamento e Gestão, Tárcio Pessoa.

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O quadro descrito por ele em relação às receitas do Estado foi de que a arrecadação deste ano deve fechar com crescimento pelo menos três pontos percentuais menor do que a inflação do período, que ficará próxima dos 10%. “Nós temos uma queda de receita de ICMS brutal e se nós pegarmos o comportamento das receitas nos últimos 25 anos, nós observamos hoje, em 2015, o pior comportamento das receitas”, destacou Pessoa durante audiência.

De duas semanas para cá, o quadro não melhorou a ponto de o governador topar o desembolso de R$ 80 milhões para custear um novo Tribunal de Contas. Para quem diz ter prudência com os gastos do governo, seria difícil explicar à população que ao invés de destinar recursos para obras hídricas ou saúde e educação, seria priorizado um TCM. Não faz sentido. O próprio Tárcio Pessoa deu declarações nesta semana dizendo que o governo vai cortar pessoal e reduzir a máquina – entenda-se com isso, cortar secretarias.

A realidade dos fatos, portanto, vai no sentido contrário às declarações e atos dos deputados estaduais governistas, a exemplo do presidente da Assembleia, Adriano Galdino; do líder do governo, Hervázio Bezerra, e da presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Estela Bezerra, todos do PSB. Como o Estado não tem condições de criar o TCM e são os mais fiéis aliados de Ricardo que estão fazendo a propaganda, não resta dúvida de que o governo vem produzindo um balão de ensaio para pressionar o TCE.

O Tribunal de Contas do Estado vai julgar no dia 17 de dezembro as contas de 2014 do governador Ricardo Coutinho. O relator é o conselheiro Nominando Diniz, que o governo tentou tirar do processo alegando suspeição. Houve também contratempo da relação entre os poderes em maio, quando informações equivocadas fornecidas pelo tribunal fizeram o Estado acionar a corte com uma arguição de incidente de falsidade. Nos dois episódios, governistas alardearam o desejo de se criar o TCM.

Nesta quinta-feira, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), cobrou prudência do governador, enquanto o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), acusou Ricardo Coutinho de pretender a criar de um “trem da alegria” para abrigar “apaniguados”. Acho as duas hipóteses descabidas, apesar da ânsia dos governistas de agradarem ao chefe. O fato é que a criação do TCM tem se mostrado impopular e cara. Ricardo não se pronunciou sobre o assunto porque sabe disso.

É bom dizer que corro o risco de queimar a língua, porque historicamente, em política, até boi voa. O conde Maurício de Nassau, durante o domínio holandês, deu provas disso no Recife. Mas acho muito difícil que o Tribunal de Contas dos Municípios, tão alardeado e defendido na Assembleia Legislativa, realmente vá sair do papel. Mesmo que se proponha dividir o orçamento do TCE, a equação não é simples e há risco de judicialização do processo. Uma briga que, definitivamente, Ricardo Coutinho não precisa às vésperas de uma campanha eleitoral.

Luciano Cartaxo dá em excesso à Semob o que faltava: experiência

O prefeito Luciano Cartaxo  (PSD) deu à Superintendência de Mobilidade de João Pessoa em excesso o que faltava antes nos postos de comando: experiência. Depois de anunciar Carlos Batinga para superintendente, agora confirma José Augusto Morosini para adjunto. Ambos têm história no cargo.

A medida corrige o erro em que se transformou a manutenção de Roberto Pinto à frente do cargo por tanto tempo. Há na prefeituta a concepção de que errar na mobilidade é dar adeus à reeleição. Os problemas no setor, inclusive, viraram mote da pré-campanha do socialista João Azevedo, que alardeia ter as soluções para os problemas da mobilidade na capital.

Batinga e Morosini serão empossados nesta segunda-feira com a missão de dar um norte à mobilidade da capital. O desafio não será pequeno. O BRT,  por exemplo,  ficou só no papel na gestão. A Semob, a despeito da propaganda de gestão transparente, ia na contramão do que a prefeitura prometia. As informações eram sonegadas ou escondidas por Roberto Pinto, que a partir de agora segue para o cargo de adjunto da Segurança Municipal.

Ex-aliados, Ricardo e Cartaxo “perdem o freio” na troca de acusações

Tem parecido um pouco arenga de menino, como se diz lá no interior. Mas o fato é que de ex-aliados, o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), não param de trocar farpas. O tom dos ataques tem se elevado à medida que se aproxima o pleito de 2016. Nesta quarta-feira (29), o governador chegou a dizer que o prefeito precisa “trabalhar de verdade” e que ele só tem três obras na cidade.

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Mas vamos entender melhor o contexto. Ricardo e Cartaxo são adversários desde 2010, quando o Coutinho comprou briga com o então governador José Maranhão (PMDB) e saiu para a disputa do governo. Foi vitorioso naquele ano, quando o hoje prefeito era vice e saiu candidato a deputado estadual, também vitorioso. Cartaxo enfrentou em 2012 Estela Bezerra (PSB), também apoiada por Ricardo e saiu vencedor. Até que houve uma paz provisória em 2014, quando Ricardo foi reeleito.

Pois bem, em novo capítulo, Ricardo Coutinho lançou o nome do secretário de Infraestrutura, João Azevedo, para disputar a prefeitura no ano que vem. O socialista, inclusive, terá Luciano Cartaxo como adversário. Ao comentar o assunto nesta terça-feira, o prefeito criticou a antecipação da campanha eleitoral. “Não vamos perder tempo com soberba e truculência, com quem vive olhando para o passado e focado na velha política”, disse.

O governador revidou, acusando o gestor de maquiar obras. “Não se pode fazer política na base da maquiagem. Eu não concebo uma cidade, a capital do Estado como João Pessoa, passar quatro anos para fazer três obras. Isso é lamentável. É claro que às vezes determinados veículos de comunicação tentam dar a essas obras uma epopeia como se fossem três grandes pirâmides, feitas na época dos antigos faraós, mas não é o caso”, disse Ricardo Coutinho.

O gestor paraibano fez outras acusações, inclusive cobrando trabalho do ex-aliado. Ele, no entanto, não disse quais eram as três obras. “O recado que eu dou é que ele (Luciano Cartaxo) tem que trabalhar, mas trabalhar de verdade. Não é trabalhar de propaganda paga em veículos de comunicação”, disse.

A resposta de Luciano Cartaxo não demorou. O militante do PSD disse que vai manter o ritmo das obras e que não vai bater boca com Ricardo Coutinho. “Nosso foco é e vai continuar sendo o trabalho, a entrega de duas obras por semana. Vamos seguir com esse amplo projeto de desenvolvimento da nossa cidade, que une trabalho e sensibilidade social, que aponta para o futuro ao garantir a maior rede de educação infantil da nossa história, com 11 novas creches até agora, com sete mil novas vagas, e com escolas em tempo integral. Seguiremos com gestão, trabalho e sensibilidade social, sem a soberba nem a frieza dos burocratas”, acrescentou Cartaxo.

PSB e PT veem aproximação de Cartaxo com Cássio e deixam aliança

A eleição para prefeito de João Pessoa vai acontecer daqui a pouco mais de um ano, mas o tabuleiro de xadrez já ganha contornos próximos do que teremos no pleito de 2016. O movimento de Luciano Cartaxo para se filiar ao PSD, deixando o PT, foi visto pela sigla petista e pela direção estadual do PSB como um passo rumo à base aliada do senador Cássio Cunha Lima (PSDB). Os petistas, por isso, aprovaram nesta sexta-feira (18) a saída do governo Cartaxo.

Muito emocionado, o presidente estadual da sigla, Charliton Machado, se mostrou magoado com as críticas do prefeito ao PT. Luciano Cartaxo disse durante a solenidade de desfiliação do partido que não era justo ele e os auxiliares da prefeitura serem obrigados a dar explicações sobre os escândalos de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores e o governo da presidente Dilma Rousseff. É bom lembrar que mesmo deixando a sigla, o gestor permanece na base aliada da presidente.

Procurado pelo blog, o presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas, disse que a sigla esperaria a posição do PT, anunciada horas depois. Apesar disso, disse entender que o movimento do prefeito Luciano Cartaxo representa a dissolução da aliança com os socialistas para se aproximar do senador Cássio Cunha Lima, adversário do governador Ricardo Coutinho. “Isso ficou muito claro”, reforçou Rosas, que se disse surpreso.

“Qual a lógica de você deixar o PT da presidente Dilma Rousseff para se filiar a um partido da base aliada?”, questionou Rosas, reforçando que o PSB vai dar seguimento aos preparativos para a eleição do ano que vem. Ele revela que a sigla socialista tem 157 pré-candidatos a prefeito para a disputa do ano que vem. Os socialistas não cansam de repetir que, no caso de João Pessoa, o partido tem quadros para a disputa.

O PT estadual, por outro lado, anunciou no início da tarde de hoje a entrega dos cargos na prefeitura de João Pessoa. A sigla comanda sete secretarias, além de cargos de adjuntos em várias pastas e diretorias. Todos terão que colocar o cargo à disposição do prefeito e poderão ser punidos se forem mantidos nos cargos. Com isso, fica claro que a tendência do partido é construir um projeto próprio ou apoiar um eventual candidato do PSB do governador Ricardo Coutinho.

A maior crítica feita pelos petistas é que não houve qualquer diálogo entre o prefeito e o partido em sua decisão de deixar o PT, o que dificulta a manutenção da aliança. As peças estão postas no xadrez para 2016 e no tabuleiro, visivelmente, PT e PSB estão em lado oposto ao PSD de Luciano Cartaxo.