Secretários pré-candidatos vão deixar o governo nesta semana

A semana será movimentada no governo do Estado, com vários auxiliares do governador Ricardo Coutinho (PSB) dando adeus à gestão para disputar as eleições municipais. Entre os demissionários, destaque para a secretária de Desenvolvimento Humano, Cida Ramos (PSB), que vai disputar a prefeitura de João Pessoa. A data final para as exonerações é a próxima quinta-feira (2), quatro meses antes da disputa eleitoral de outubro.

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Cida Ramos vai disputar em João Pessoa

Além de Cida, deixam a gestão para disputar cargos executivos o secretário de Agricultura, Lenildo Morais (PT), que deve concorrer ao cargo de prefeito de Patos; o superintendente do Detran, Aristeu Chaves (PSB), que pretende disputar em Camalaú, e a presidente da Fundação Espaço Cultural, Márcia Lucena, aposta do PSB para a prefeitura do Conde, na Grande João Pessoa. O partido elegeu 17 prefeitos em 2012, mas conseguiu chegar a 60 com as novas filiações.

A meta do partido, de acordo com o presidente Estadual da sigla, Edvaldo Rosas, em entrevista recente, é dobrar este número. Uma meta ambiciosa e que vai depender muito da avaliação positiva do governador Ricardo Coutinho como padrinho político nos municípios paraibanos e da consolidação de alianças estratégicas.

Para a disputa nas câmaras municipais, vários auxiliares também já se afastaram. Do primeiro escalão, saiu Tibério Limeira, ex-secretário de Juventude, Esporte e Lazer. Além dele, Sandra Marrocos deixou a Fundac e Tavinho Santos um cargo de direção da Empasa. Todos disputam em João Pessoa e são do PSB. Deixou o governo também Léo Bezerra, filho do deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB). Ele estava na Espep e vai disputar o cargo de vereador na capital.

Eleições de 2016 será teste de fogo para padrinhos e apadrinhados

As eleições deste ano serão um verdadeiro teste de fogo para os padrinhos ‘arrasa quarteirões’, aqueles acostumados a pegar um poste e fazer ele verter luz. Teste porque as coisas mudaram. A nova legislação eleitoral trouxe inovações que poderão levar para o buraco as pretensões de pré-candidatos com pouco traquejo para o embate político. Para se ter uma ideia, o período de campanha caiu de 90 para 45 dias, enquanto que a propaganda em cadeia de rádio e TV terá intervalo ainda menor na malha do contínuo espaço-tempo (35 dias).

Eles vão enfrentar ainda a desconfiança do eleitor decepcionado com apadrinhados desprovidos de experiência política, como a presidente Dilma Rousseff (PT), alvo de um processo de impeachment. O exemplo serve de alerta para o secretário de Infraestrutura da Paraíba, João Azevedo, pré-candidato do PSB a prefeito de João Pessoa e ainda pouco conhecido do eleitor. Ele poderá, lógico, surpreender durante a campanha. Afinal, o governador Ricardo Coutinho, seu padrinho político, atravessa um bom momento, com popularidade em alta, apesar da crise econômica ter imposto ao governo a adoção de medidas impopulares. Acontece que a campanha curta, tendo do outro lado um candidato já conhecido e tentando a reeleição, dificulta muito o jogo.

Há o risco de não haver tempo para a campanha engrenar. Entretanto, como a legislação é feita por políticos especialistas em sobrevivência, eles deixaram uma brecha que torna a legislação eleitoral mais permissiva. Isso por que, muito antes do início do processo eleitoral, o postulante pode ir aos bairros, apresentar plataforma de governo e fazer promessas, desde que não se dirija aos eleitores com um pedido direto de voto. Esse trunfo tem feito com que muitos pré-candidatos, a exemplo de outro socialista, o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), mirem o corpo a corpo com muita antecedência. O parlamentar sabe que não é visto como opção viável ainda em Campina Grande, mas demonstra disposição para gastar sola de sapato. Um padrinho forte ele tem. Encontrará dificuldades obvias pelo fato de lá também ter um pré-candidato à reeleição, com uma máquina na mão para entregar obras e aparecer o tempo todo na mídia. Por conta disso, os candidatos de laboratório terão com urgência que converter transpiração em votos sufi cientes para se transformarem em candidatos viáveis.

A estratégia de antecipar o trabalho formiguinha é interessante e pode render frutos se for bem executada. Mas se nada disso for o sufi ciente para que se consiga o esperado, dificilmente a experiência será reeditada pelos políticos tradicionais. Talvez assim eles aprendam a investir na formação de lideranças, por mais que elas venham a ameaçar, no futuro, os velhos coronéis.

Luciano Cartaxo e João Azevedo já em ritmo de pré-candidatos a prefeito

A eleição será apenas no ano que vem, mas o bloco dos virtuais candidatos a prefeito de João Pessoa já está na rua. O chefe do Executivo, Luciano Cartaxo (PSD), tem deixado de lado as folgas de fim de semana. Neste sábado à noite (12) já acompanhava a operação para colocação de vigas sobre a BR-230, para a construção do viaduto da Geraldo Mariz. A disposição do secretário de Infraestrutura do Estado, João Azevedo (PSB), não é menos intensa.

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Enquanto Cartaxo se esforça para que o eleitor o identifique como um gestor proativo e operoso na entrega de obras, Azevedo vem tomando a frente das obras entregues pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) na capital. O nome do socialista será confirmado neste mês para a disputa. O staff do governador tem trabalhado para popularizar a tese de que a gestão estadual tem feito mais pela capital que a prefeitura.

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O governo entregou Escola Técnica, Trevo das Mangabeiras, Detran e Central de Polícia durante o aniversário da capital. Em todas elas, Azevedo ocupou posição de destaque ao lado do governador. Para o ano que vem, o Estado deve entregar viaduto do Geisel e Perimetral Sul. Enquanto Cartaxo trabalha para entregar Lagoa, ponte sobre a avenida Beira Rio e viaduto da Geraldo Mariz. Será uma briga de cachorro grande pelo eleitor da capital.

Em tempos de campanha encurtada pela reforma eleitoral, quem sair na frente tem vantagem.

Quase dez prefeituráveis de olho em João Pessoa para o ano que vem

Uma conta rápida revela que faltando mais de um ano para as eleições de 2016, pelo nove deputados e vereadores já se posicionam como opção para fazer frente à reeleição do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT). Os partidos de origem dos pretendentes são os mais variados, alguns governistas, outros oposição. São dois vereadores da capital, dois deputados estaduais e três federais, além de ex-parlamentares atualmente sem cargos políticos.

Entre os deputados federais, já se colocam como candidatos Manoel Júnior (PMDB), Efraim Filho (DEM) e Wilson Filho (PTB), este último, inclusive, tem usado as inserções do partido para marcar posição. Da Assembleia Legislativa, nomes como os de Gervásio Maia (PMDB) e Estela Bezerra (PSB) aparecem como cotados, mesmo sem o aval prévio dos respectivos partidos. Na Câmara de João Pessoa, Raoni Mendes (PDT) e Lucas de Brito (DEM) têm se posicionado.

Do PSDB, são cotados o ex-deputado federal Ruy Carneiro e o ex-senador Cícero Lucena, ambos do PSDB. Os dois, inclusive, se desentenderam na eleição passada, quando Cícero foi preterido na chapa majoritária encabeçada pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB) para a disputa do governo do Estado. Resultado: o ex-senador ficou de fora da disputa e Ruy Carneiro, na vice, não foi eleito. A presidente atual do partido no município é Lauremília Lucena e a briga pelo poder na sigla vai determinar o candidato.