Em Campina Grande, Bolsonaro defende extinção de ministérios e venda de estatais

Presidenciável diz que Conselho de Direitos Humanos “defende quem não presta”.

Por Josusmar Barbosa, do Jornal da Paraíba

Jair Bolsonaro andou pelas ruas de Campina Grande em busca de apoio. Foto: Josusmar Barbosa

O pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) defendeu, nesta quinta-feira (21), em Campina Grande, a extinção de 14 ministérios, entre eles, o da Segurança, e a privatização de 100 empresas estatais. Ele pregou mudança no Código Penal para que o policial não seja punido nos confrontos com mortes de marginais e disse que, se for eleito, vai tirar o Brasil do Conselho de Direitos Humanos da ONU, alegando que o órgão só defende quem não presta.

Bolsonaro desembarcou, no aeroporto João Suassuna, por volta das 15 horas, sendo recebido por dirigentes do PSL e centenas de aliados. Ele fez um discurso, depois seguiu para a Praça da Bandeira, no Centro, falou rapidamente aos presentes e concedeu entrevista à Imprensa. Posteriormente, seguiu para o Calçadão da Cardoso Vieira, acompanhado de Julian Lemos, vice-presidente nacional do PSL. No local, Bolsonaro tomou cafezinho e fez um lanche no tradicional box de Wellington do Queijo.

Extinção de ministérios

Dos 29 ministérios existentes hoje no país, Jair Bolsonaro defendeu a extinção de 14, entre eles, o da Segurança. “Quando não se quer resolver alguma coisa, em Brasília, cria-se um ministério, quando não se quer resolver alguma coisa dentro da Câmara se cria uma comissão. Esse ministério será ser extinto, teremos uma secretaria dentro do Ministério da Justiça”, frisou o presidenciável.

Privatização

O presidenciável também pregou a privatização da maioria das empresas estatais. Para ele, só devem permanecer sob o comando do governo brasileiro, as empresa responsáveis pela geração e transferência de energia, por exemplo. “Não sou estatizante, mas dessas 150 estatais, no mínimo 100 vão embora rapidinho, você pode ter certeza disso”, enfatizou Bolsonaro, caso seja eleito ao Palácio do Planalto.

Segurança

Para enfrentar os problemas da segurança, não é preciso criar um ministério, na visão do presidenciável. Além de liberar o porte de arma parta parte da população, Bolsonaro sustenta que é preciso modificar o Código Penal. A proposta é que o policial responda por eventuais danos que provoque com o uso de armas no confronto com bandidos, mas não seja punido. “Com uma pequena mudança no Código Penal, você dá meios para o policial poder bem trabalhar, dando a resposta que a sociedade tanto precisa”, destacou.

Ao ser indagado, na entrevista, sobre a frase que “bandido bom é bandido morto”, Jair Bolsonaro respondeu: “Essa tese não é minha, é do então deputado Sivuca do Rio de Janeiro, mas entre um policial e dez marginais ou 100 marginais eu sou pela vida do policial”.

Direitos Humanos

Ainda durante a entrevista, Jair Bolsonaro apoiou a administração do presidente Donald Trump para retirar os Estados Unidos do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. “Eu teria saído antes antes do Trump, pois aquele Conselho de Direitos da ONU não serve para absolutamente nada. Não é apenas porque vota contra Israel de forma corriqueira, mas porque está sempre do lado de quem não presta. Como presidente, tiro sim para fazer economia para o Brasil”, frisou.

Ciro e Lula

Em relação às críticas do presidenciável Ciro Gomes (PDT), que o chamou de “fascista”, Bolsonaro disse que não vai responder a um “destemperado”. Quanto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que ele é um ficha-suja, pois foi condenado por corrupção em duas instâncias, logo não pode concorrer às eleições deste ano. No início da noite, Bolsonaro participou de um evento com militantes do partidários na AABB e depois viajou para Patos, no Sertão.

 

 

Lucélio conversa com Lira por telefone após desistência do senador

Pré-candidato ao governo fez agradecimentos ao parlamentar e elogiou postura do senador no exercício do cargo

Lucélio elogiou a postura de Raimundo Lira enquanto pré-candidato. Foto: Divulgação

O pré-candidato do PV ao governo da Paraíba, Lucélio Cartaxo, divulgou nota nesta segunda-feira (18) agradecendo o apoio do senador Raimundo Lira (PSD). O parlamentar anunciou horas atrás que não vai mais disputar a reeleição. Ele, juntamente com Cássio Cunha Lima (PSDB), era nome certo para as eleições desde ano na chapa encabeçada por Cartaxo. As ausências nos eventos de campanha, nos últimos 30 dias, no entanto, elevou a suspeita de que o senador não tinha mais interesse de disputar a reeleição. As discussões agora giram em torno de nomes para substituí-lo na chapa.

Veja a nota divulgada por Lucélio Cartaxo:

Declaração

“Respeito a decisão pessoal e de natureza familiar do senador Raimundo Lira, que tanto vem contribuindo para o fortalecimento dos municípios paraibanos em todas as regiões do estado. Lira, que ocupa por duas vezes o Senado Federal, é exemplo de compromisso com as boas parcerias. Como sempre defendemos, Lira reúne todos os pré-requisitos para continuar desempenhando este importante papel, até por já estar no exercício do mandato. Agradeço pela confiança e por todo apoio recebido ao longo de nossa pré-candidatura. Vamos seguir em frente para fazer a Paraíba avançar com um novo modelo de gestão, que gere oportunidades e melhore a qualidade de vida da população”.

 

Com resistências no PSB, Joaquim Barbosa desiste de candidatura à Presidência

Ala nordestina do partido, mais próxima a Lula, não via postulação do ex-ministro com bons olhos

Reprodução/Twitter

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa (PSB), não vai disputar a Presidência da República. O anúncio foi feito no perfil pessoal do ex-presidente da Suprema Corte, no Twitter. “Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal”, disse. Barbosa se filiou ao Partido Socialista Brasileiro em abril e enfrentava resistência principalmente da ala nordestina da sigla. Ele, além disso, demonstrou pouco interesse na disputa desde o início.

A indicação de Barbosa tinha como entusiasta o presidente do partido, Carlos Siqueira. Por outro lado, governadores nordestinos como Ricardo Coutinho, da Paraíba, e Paulo Câmara, de Pernambuco, não demonstravam empolgação com o nome. Ambos demonstram maior aproximação com o ex-presidente Lula e chegaram a participar da comitiva que tentou visitá-lo na prisão. Coutinho, por exemplo, defende que seja formada uma frente de esquerda. Neste espectro, vale ressaltar, ele não via como negativa uma indicação de Joaquim Barbosa. O cenário, no entanto, era de difícil concretização.

Em abril, o ex-ministro chegou a se encontrar com as lideranças do PSB. Na ocasião, a legenda disse que iniciaria discussões sobre uma possível candidatura à Presidência. Joaquim Barbosa apareceu na terceira e na quarta colocação em nove cenários de 1º turno pesquisados na última Datafolha de intenção de voto para presidente. No encontro com dirigentes do partido, no entanto, o sentimento latente foi de desconfiança de um lado e desconfiança do outro. Barbosa em nenhum momento demonstrou vontade de disputar as eleições no pleito deste ano.

Sem antecipar apoio, Ricardo participa de reunião com o presidenciável Joaquim Barbosa

Governador engrossa o coro dos gestores que querem ouvir as propostas do ex-ministro para a Presidência da República

Joaquim Barbosa com a ministra Cármen Lúcia quando a foto dele foi inserida na galeria dos ex-presidentes. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, está entre os socialistas que querem conhecer as propostas do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para a disputa da Presidência da República. O gestor paraibano não se posiciona contra, mas quer saber qual a plataforma do presidenciável. Barbosa se filiou ao partido no dia 6 deste mês, após longa negociação. A expectativa sobre as posições do ex-ministro ocorre, principalmente, pelo fato de ele estar em silêncio há pelo menos dois anos, quando deixou a Corte. O fato de ter aparecido nas pesquisas eleitorais recentes com, em média, 8 pontos percentuais, deixou os socialistas otimistas quanto ao potencial de crescimento dele na corrida eleitoral.

Ricardo, por outro lado, vinha se aproximando mais recentemente dos candidatos ligados à esquerda. Os movimentos ocorreram, vale ressaltar, antes de o partido sinalizar com a escolha de um nome para a disputa. O socialista não nega a proximidade com o ex-presidente Lula (PT). Esteve na comitiva dos governadores que viajou a Curitiba (PR), na semana passada, para se encontrar com o petista, preso na carceragem da Polícia Federal. Coutinho também tem grande proximidade com o presidenciável do PDT, Ciro Gomes. Os dois são alvos de elogios do governador paraibano. A preocupação com Joquim Barbosa segue no sentido do pouco conhecimento das bandeiras que serão empunhadas por ele.

As sinalizações que vêm do mercado em relação a Barbosa são positivas. Elas seguem no caminho de que o socialista, na campanha, apresente postura liberal. “Nós estamos dando o primeiro passo para inaugurar nossa convivência. Agora é hora de encontrar convergências e divergências”, disse o vice-presidente nacional do PSB, Beto Albuquerque, em entrevista à Folha de São Paulo. O partido quer incorporar ideias do ex-ministro à cartilha do PSB. Ou seja, pretende aproveitar propostas novas, mas resgatando as defendidas pela sigla em 2014, como a adoção de um novo modelo de repartição de receitas tributárias e a criação de um canal de diálogo do poder público com movimentos sociais. Essa era a plataforma do ex-presidente

Joaquim Barbosa vem conversando com economistas. A lista inclui Delfim Netto, que já foi ministro da Fazenda, e Eduardo Giannetti. O objetivo, no entanto, não foi se aconselhar. Da conversa, Giannetti afirma que o presidenciável Barbosa demonstrou sensibilidade a temas relacionados à desigualdade econômica, racial e de gênero. “Ele tem todas as condições para ser um bom presidente. É afirmativo, tem personalidade e tem condições de produzir um Executivo forte para conduzir um concílio”, disse Delfim. Outro economista que deve ser consultado é Arminio Fraga, ligado ao PSDB.

 

 

 

 

Luciano Cartaxo anuncia desistência de disputar o governo da Paraíba

Gestor vinha cobrando dos partidos de oposição uma definição sobre o apoio para a disputa do governo

Luciano Cartaxo diz que vai dar continuidade ao trabalho na prefeitura de João Pessoa até o fim do mandato. Foto: Herbert Araújo/CBN João Pessoa

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), divulgou carta, nestaquinta-feira (1°), em que anuncia a sua permanência à frente da administração municipal. Ele assegura que vai completar integralmente os oito anos dos dois mandatos sucessivos. O gestor foi reeleito no pleito de 2016. No documento, gestor agradece as manifestações calorosas recebidas dos paraibanos de todas as regiões do estado, que o colocam como o nome mais bem posicionado para o pleito de 2018, “uma honra”, segundo ele, mas reforça que, como gestor público, tem desafios a concluir. O prefeito recebe a imprensa para se pronunciar sobre o assunto, logo mais, apartir do meio-dia, no Hotel Imperial Nord Class, na Av. Almirante Tamandaré, em Tambaú.

“Conforme me comprometi com a população de João Pessoa, cumprirei na íntegra o meu mandato de prefeito reeleito, reafirmando o compromisso pactuado com este projeto vitorioso, que vem transformando a vida na nossa Capital”, pontuou, na mensagem. O prefeito destacou que a decisão exige coragem e também de responsabilidade, diante da missão que lhe foi confiada. “Vamos seguir dialogando com os municípios, com partilhando experiências, fazendo desse novo jeito de administrar uma referência para o estado, o Brasil e outras cidades do mundo”, disse.

Reeleito para administrar João Pessoa com quase 60% dos votos válidos,  Luciano ponderou que a vida pública exige dos gestores a entrega em todos os desafios. “Sei que isso diverge do senso comum, num ambiente marcado, infelizmente, por vaidades e interesses individuais. Mas, para mim, não é só uma questão de coerência, é de crença”, apontou. Cartaxo, que também já foi vereador, deputado estadual e vice-governador, afirmou não fazer a política da conveniência, mas do trabalho com resultado, “que se alimenta de sonho”. E ressaltou: “Não esperem de mim a ambição eleitoral, meu lema é o dos compromissos assumidos”.

Futuro

Na carta, Cartaxo assegurou estar pronto para continuar debatendo o futuro do estado, na condição de prefeito da capital. “A honra imensa de ser reconhecido pela população como gestor e político capaz de liderar o projeto da Paraíba que querem s é fruto do melhor resultado possível na vida pública: credibilidade e confiança”, mencionou, reforçando, em seguida: “Sei que esta relação de confiança com a população só vai se aprofundar, evoluir, crescer. E o momento certo para novos passos certamente virá”.

Confira a íntegra da carta:

Mensagem ao povo paraibano

João Pessoa, 1o de Março de 2018

A minha vida é pautada por princípios, valores que a vida pública consolidou ainda mais, em todas as oportunidades que a população de João Pessoa e da Paraíba, generosamente, decidiu me conceder. Sou um homem de palavra e um gestor de compromisso. Exerço a política preservando todas as boas práticas nas quais acredito e que regem a minha vida pessoal. Sei que isso diverge do senso comum, num ambiente marcado, infelizmente, por vaidades e interesses individuais. Mas, para mim, não é só uma questão de coerência, é de crença. Não optei por essa trajetória, na qual coloco meu tempo e minha força de trabalho à disposição da população, para fazer o fácil, o conveniente, ou mais do mesmo. Estou, desde sempre, na estrada do que considero certo, justo, ético, mesmo que percorrê-la seja um desafio mais longo e exigente. Fazer parte de um projeto que realiza sonhos coletivos é o que me mobiliza. A coragem e a fé me levam à frente. E estou aqui, hoje, para anunciar mais um passo adiante. Não me furto às decisões, prefiro fazer acontecer a esperar para ver, porque daí nascem as ações realmente transformadoras. E esta é a minha missão.

Assim, depois de uma cuidadosa reflexão, discussões internas, escuta de muitos companheiros de luta, aí incluída a minha família, diálogo com moradores de João Pessoa, e sinceramente honrado pelas manifestações calorosas do povo paraibano, de todas as regiões, que coloca o meu nome em posição de destaque, quando projeta o futuro do nosso estado, venho comunicar uma decisão – serena e amadurecida – que norteará os próximos anos da minha vida pública. Conforme me comprometi com a população de João Pessoa, cumprirei na íntegra o meu mandato de prefeito reeleito, reafirmando o compromisso pactuado com este projeto vitorioso, que vem transformando a vida na nossa capital. Como gestor público, tenho uma missão a concluir.

Sempre defendi que a boa política não pode ser construída pelas circunstâncias, porque isso pode levar a análises distorcidas. Em tempos marcados pelo excesso de individualismo e a falta de bons propósitos, avançarei me distanciando, como sempre, da política antiga – e vencida – que busca colocar os interesses pessoais acima das causas coletivas. A mesquinhez do carreirismo não tem lugar ao meu lado, nem será capaz de fazer curvar minha cabeça erguida, ou ameaçar a minha paz de consciência. Devo isso aos meus pais, como legado. Ofereço isso aos cidadãos e cidadãs da minha terra, onde nasci e escrevo uma História, ao lado da minha mulher e filhos, ao lado da minha gente. Sou do trabalho com resultado, que se alimenta do sonho. Acredito em um mundo melhor e a ele me dedico com as mãos e o coração.

Diante do tamanho da missão que me foi confiada, esta é uma decisão que exige coragem e, acima de tudo, responsabilidade. Vamos seguir dialogando com os municípios, compartilhando experiências, fazendo dessenovo jeito de administrar uma referência para o estado, o Brasil e outras cidades do mundo. É desta maneira que seguirei onde estou, avançando. No tempo devido, da forma correta. Se a população do meu estado me avalia como um gestor competente, que cumpre compromissos, por isso amplamente aprovado, apto a disputar o governo, em primeiro lugar nas pesquisas de opinião, então, efetivamente, venho atendendo às expectativas do meu povo. Se este quadro é decorrente, hoje, do projeto que desenvolvemos na nossa capital, neste momento histórico de mudanças, eu não posso simplesmente desconsiderar esta realidade. Implementamos um programa que planeja a João Pessoa dos próximos 30 anos, a encaminhar irreversivelmente, já com resultados que se somarão a tantos que conquistamos, até aqui.

Tenho 53 anos, muitos planos e bastante experiência, à disposição do meu estado. Equipe, grupo político, população de João Pessoa e todo o povo da Paraíba contam e contarão comigo, sempre -, no que eu puder fazer de melhor. Mas, reafirmo, decisões de tal importância não devem ser inspiradas em circunstâncias, nem motivadas por elementos desconectados de um projeto maior. Não compactuo com esta opção. Foi por isso que sempre explicitei meu entendimento, alertei para a necessidade de traçarmos metas, respeitando prazos, que permitissem a evolução do debate e estruturação de um caminho. Agora o tempo é outro. Nestes últimos meses, foram inúmeras as especulações, insinuações, danosas ao debate maduro da boa política. Eu não faço política por conveniência. Portanto, procuro transcender o imediatismo. Não esperem de mim a ambição eleitoral, meu lema é o dos compromissos assumidos.

A vida pública exige dos gestores a entrega em todas as missões e desafios. Como vereador, deputado estadual, vice-governador e prefeito reeleito de João Pessoa, abri caminhos com a força do que acredito, renovando a confiança depositada em mim. A honra imensa de ser reconhecido pela população como gestor e político capaz de liderar o projeto da Paraíba que queremos é fruto do melhor resultado possível na vida pública: credibilidade e confiança. Não é o único requisito para um projeto avançar. É, certamente, o mais importante. No momento, avançarei em João Pessoa. Sei que esta relação de confiança com a população só vai se aprofundar, evoluir, crescer. E o momento certo para novos passos certamente virá. Porque aqui temos fé, coragem, trabalho, resultado e coração.

Luciano Cartaxo Pires de Sá.

“O que torna Lula inelegível não é a Ficha Limpa, mas a condenação criminal”, diz Marlon Reis

Idealizador da Lei Ficha Limpa aponta possibilidades de recursos, mas diz que a preço de hoje Lula é inelegível

O ex-juiz federal Marlon Reis vê com reservas toda a movimentação feita pelos petistas que defendem a participação do ex-presidente Lula nas eleições deste ano mesmo com a condenação judicial mantida pelo Tribunal Regional Federal (TRF4), com sede em Porto Alegre. O advogado, um dos idealizadores da Lei Ficha Limpa, lembrou que o petista está inelegível a preço de hoje. Ele ressalta, no entanto, que a legislação sancionada por Lula enquanto presidente prevê as instâncias de recursos. Confira a entrevista concedida ao CBN João Pessoa:

 

O ex-presidente Lula teve a condenação imposta pelo juiz Sério Moro mantida pela turma recursal do TRF4. O petista pode apresentar os embargos de declaração e precisa ainda recorrer à instância superior para evitar a prisão de imediato. Ele foi condenado com base nos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro apontados pelo Ministério Público Federal.

 

O “canibalismo” de Bolsonaro é reflexo da falência da política brasileira

Virtual candidato à Presidência da República diz em entrevista que usou dinheiro público “pra comer gente”

Deputado diz que usou dinheiro público “pra comer gente”. Foto: Renato Araújo/ABr

Alguns anos atrás seria inimaginável um pré-candidato à Presidência da República com as credenciais do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). É grosseiro, homofóbico, adepto da lei de Talião e o principal: avesso ao alinhamento da teoria com a prática. O desapego aos valores republicanos, digamos, é a “creme de la creme” na ideologia política do parlamentar. Ele prega a honestidade, mas admite que usou dinheiro público “pra comer gente”. A entrevista do virtual candidato dada à Folha de São Paulo desta sexta-feira (12) é, sem tirar nem por, um circo dos horrores ideológico.

O parlamentar respondia à matéria da Folha sobre o surpreendente e rápido enriquecimento de Bolsonaro e dos filhos. O patrimônio imobiliário da família deu um salto nos últimos dez anos. O deputado foi procurado pelo veículo e preferiu não responder no primeiro momento. Alegou que estava sendo perseguido, ao se pronunciar em postagens nas redes sociais. O problema ocorreu quando ele foi abordado na porta de casa pela Folha. Foi um festival de respostas desconexas e dignas de pastelão. O símbolo do desprendimento ao discurso veio justamente na hora de justificar o recebimento de auxílio-moradia mesmo tendo apartamento em Brasília.

Reproduzo a pergunta da equipe da Folha:

O senhor utilizou, em algum momento, o dinheiro que recebia de auxílio-moradia para pagar esse apartamento?
Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente, tá satisfeita agora ou não? Você tá satisfeita agora?

Então vamos recapitular. O paladino da moral e dos bons costumes, Jair Bolsonaro, vinha recebendo um dinheiro que não deveria, moralmente falando. E a justificativa é das mais ralas que poderia ser dada. Afinal, a dedução lógica a partir dela é que o parlamentar usava a grana pública para pagar prostitutas. O tema, lógico, se transformou em nova polêmica. Vai para a galeria das pérolas produzidas pelo parlamentar. O mesmo que defende a distribuição de portes de armas para cada um dos brasileiros. Ele também é a favor da autorização para que a polícia mate de forma indiscriminada. Isso é ou não um pesadelo?

A postura de Bolsonaro, por mais esdrúxula que ela pareça, encontra eco. Eco suficiente para ele aparecer em segundo nas pesquisas para presidente, com um discurso que tem agradado a algo em torno de 17% da população. E de quem é a culpa? Sem pestanejar, podemos dizer que é da políticalha e dos políticos. A política brasileira dá sinais de falência. Um número representativo dos políticos está atrás das grades e outro tanto se prepara para ver o sol nascer quadrado. As denúncias de corrupção se avolumam e a impunidade quanto a uma parcela representativa gera descrédito na população.

Ao que pese a defesa da militância petista, a liderança do ex-presidente Lula nas pesquisas também contribui para o fortalecimento da descrença e de Bolsonaro. Os eleitores da direita deixaram de ver nos tucanos, também envoltos na lama da corrupção, como uma opção viável para enfrentar o ex-presidente nas urnas. Lula poderá até ser inocentado no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre (RS), mas isso não é o que temos para hoje. O descrédito político tem sido a ferramenta de trabalho de Bolsonaro para se cacifar. O difícil tem sido provar que a opção por ele não é apenas trocar o ruim pelo pior.

 

Em artigo na Folha, Luciano Huck diz que não será candidato

Apresentador diz que geração dele tem feito grandes coisas, mas pouco ainda pela política

Luciano Huck vinha ouvindo políticos e economistas sobre a política nacional. Imagem: Reprodução/Facebook

O apresentador e empresário Luciano Huck chegou a embalar o sonho de muitos partidos políticos. Foi assediado por tucanos e pós-comunistas, ouviu empresários e economistas e traçou rumo que o levaria às urnas. Dentro deste contexto, chegou a ser capa de revista. Mas errou quem apostou nas pretensões eleitorais dele. Com a carreira bem consolidada no mundo artístico, Huck admite que ouviu hipnotizado o canto da sereia. Foi puxado para a terra firme por amigos e familiares. Sem querer acabou refazendo caminho semelhante de outro apresentador 28 anos antes: Sílvio Santos. Ele também despontou como nome para a disputa e depois desistiu.

Confira a íntegra do artigo publicado na Folha de São Paulo:

No rumo

A tripulação, com seus ouvidos devidamente tapados com cera, esforçando-se em não deixar que eu me deixasse levar pelos sons dos chamados quase irresistíveis. São meus amores incondicionais. Meus pais, minha mulher, meus filhos, meus familiares e os amigos próximos que me querem bem.

Eles são unânimes: é fundamental o movimento de sair da proteção e do conforto das selfies no Instagram para somar forças na necessária renovação política brasileira. Mas daí a postular a candidatura a presidente da República há uma distância maior que os oceanos da jornada de Ulisses.

Há algum tempo me vejo diante desta pergunta: qual foi exatamente a trajetória, o fato e até mesmo o momento em que meu nome foi lançado entre os possíveis candidatos à Presidência do Brasil?

Eu mesmo demorei um pouco para encontrar a resposta. Mas depois de alguma reflexão, ela veio e me pareceu muito clara: minha exposição pública e, espero, meu jeito, minhas características, minha personalidade e a forma como vejo o mundo. As mesmas forças que me movem desde sempre me levaram a esse lugar.

Explicando em outras palavras, entre as centenas de defeitos que carrego, talvez eu tenha uma única virtude: carrego desde sempre, genuinamente, enorme paixão e curiosidade pelo outro.

Gosto muito de gente. Sempre gostei. De todo tipo, origem, tamanho, cor, posição na pirâmide. É só olhar para o que faço profissionalmente há mais de duas décadas. Não paro de procurar pelo diferente. E não falo de um olhar distante, acadêmico, teórico. Falo de andanças intermináveis por todos os quadrantes do Brasil e por vários do mundo atrás daquilo que não conheço. Ando há anos e anos por lugares ricos, paupérrimos, super ou subdesenvolvidos, em guerra, centros moderníssimos de saber, cantos absolutamente esquecidos pelo desenvolvimento. Sempre atrás da mesma coisa: gente boa.

E a sensação de “intimidade” que meus mais de 20 anos de televisão provocam nas pessoas possibilita conversas instantaneamente francas e verdadeiras.

Esse dia a dia me permitiu construir uma visão muito própria e ampla dos recortes, curvas e reentrâncias do país. Sinto na pele o pulso das ruas.
E foi essa permanente “bateção de perna”, sempre ” in loco”, que me tirou definitivamente da zona de conforto e me fez ver: O Brasil está sofrendo demais —especialmente os mais pobres, mas não apenas eles— para ficarmos passivos e reféns deste sistema político velho e corrupto. O que está aí jamais será empático, perceberá e muito menos traduzirá as reais necessidades da gente. Da nossa gente.

Vendo meu nome apontado, é muito importante frisar sempre, sem ter levantado a mão ou me oferecido para concorrer ao cargo mais importante na governança do país, minha reação natural foi tentar entender melhor do que se tratava. Gosto de aprender, de saber o que não sei e penso que cultivo um bom hábito desde muito cedo: tentar descobrir e encontrar quem sabe.

De forma intuitiva e quase caseira, fui procurando referências em pessoas que se dedicam de forma mais intensa a entender o Brasil; o sofrimento, as dificuldades e, principalmente, as soluções.

Acho também que sou meio obsessivo por fazer as coisas direito. Por isso, saí buscando e principalmente ouvindo dezenas de pessoas que admiro, que considero inteligentes, sensíveis, maduras e capacitadas, para que elas compartilhassem comigo suas visões. Foram meses que produziram em mim uma pequena revolução, um aprendizado enorme.

Tantas ideias, tanta gente interessada, brilhante e altamente capacitada, disposta a colocar energia a favor de uma transformação definitiva: De um país à deriva em uma nação de verdade, que possa de uma vez por todas refletir a qualidade indiscutível do seu povo.

Aqui é importante pontuar uma constatação que logo apontou no meu radar e que há tempos ecoa nele de maneira incômoda. Minha geração está trabalhando e inovando com vigor em muitas frentes. Há milhares de notáveis empreendedores, profissionais liberais, atletas, executivos, artistas, intelectuais, pensadores e por aí vai. Mas pela política, ela tem feito pouco.

Tenho dito sempre algo que me parece muito evidente, quase óbvio, mas assim mesmo um alerta necessário: se não nos aproximarmos de fato da política, se seguirmos negando esse universo e refratários ao seu ambiente, ele definitivamente não se reinventará por um passe de mágica.
Dito isso, sigo acreditando que o melhor caminho passa obrigatoriamente pelos movimentos cívicos, pela abertura de espaço na mídia para novas lideranças, por uma escuta dos anseios das pessoas, por reformas estruturais, muitas delas doloridas, por políticas públicas afetivas e efetivas, por políticas econômicas modernas e eficazes, pela educação levada a sério, pela saúde tratada com respeito, por tecnologia que alavanque as boas ideias e pela total transparência dos gastos públicos. Por menos politicagem e por mais e melhor representatividade. A lista é grande.

O momento de total frustração com a classe política e com as opções que se apresentam no panorama sucessório levou o meu nome a um lugar central na discussão sobre a cadeira mais importante na condução do país.

É claro que isso me trouxe a sensação boa de que uma parte razoável da população entende o que sou e faço como algo positivo. Evidente também que junto vieram uma pressão muito pesada e questionamentos de todos os tipos.

Já disse e escrevi antes, aqui neste mesmo espaço, mas tenho hoje uma convicção ainda mais vívida e forte de que serei muito mais útil e potente para ajudar meu país e o nosso povo a se mover para um lugar mais digno, ocupando outras posições no front nacional, não só fazendo aquilo que já faço mas ampliando meu raio de ação ainda mais.

Com a mesma certeza de que neste momento não vou pleitear espaço nesta eleição para a Presidência da República, quero registrar que vou continuar, modesta e firmemente, tentando contribuir de maneira ativa para melhorar o país. Vou bem além da voz amplificada enormemente pela televisão que amo fazer, do eco monumental das redes sociais que aprendi a tecer, do instituto que fundei há quase 15 anos e de todos os meios que o carinho das pessoas me proporcionou.

Vou também direcionar toda a energia de que disponho para outra coisa que acredito saber fazer: agregar.

Agregar as mentes sábias que fui encontrando em diferentes camadas da sociedade, dentro e fora do Brasil, pessoas extremamente capazes e dispostas de fato a conjugar o verbo servir no tempo e no sentido corretos. Vou trabalhar efetivamente para estruturar e me juntar a grupos que assumam a missão de ir fundo na elaboração de um pensamento e principalmente de um projeto de país para o Brasil.

E, para isso, não são necessários partidos, cargos, nem eleições.

Essa intenção já esta viva através dos movimentos cívicos dos quais me aproximei com bastante interesse e intensidade. E de outras iniciativas que estão por vir.

Quero registrar de novo que entre as percepções que confirmei nesses últimos meses está a convicção de que não há nada mais importante do que tomarmos consciência da importância da política e de que precisamos nos mover concretamente na direção da atuação incisiva, para que não sejamos mais vítimas passivas e manobráveis de gente desonesta, sem caráter, despreparada e incapaz de entender o conceito básico da interdependência ou de pensar no coletivo.

A hora é de trabalhar por soluções coletivas inteligentes e inovadoras para o país, e não de focar o próprio umbigo ou de alimentar polêmicas pueris e gritas sem sentido.

Quem se interessa pelo que sou e faço pode acreditar: vou atuar cada vez mais, sempre de acordo com minhas crenças, em especial com a fé enorme que tenho neste país.

Contem comigo. Mas não como candidato a presidente.

LUCIANO HUCK é apresentador de TV e empresário

“A oposição ainda não tem nome certo para 2018”, diz Pedro Cunha Lima

Herdeiro político de Cássio diz que jogo para as eleições do ano que vem está em aberto

Pedro Cunha Lima diz que as discussões sobre nomes se darão perto das eleições. Foto: Andrea Santana/CBN

O deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) admitiu, durante entrevista ao CBN João Pessoa, nesta segunda-feira (30), que ainda não há nome certo para a disputa de 2018 nas oposições. O agrupamento, ele reforça, tem várias opções, mas sem fechamento de questão. O posicionamento foi uma resposta à pergunta da âncora do programa, Nelma Figueiredo. Ela questionou o parlamentar sobre se havia concordância, no bloco, com a movimentação do senador José Maranhão (PMDB). Para o tucano, o jogo para 2018 está em aberto e vai depender das discussões que se desenrolarão no ano que vem.

O grupo tem pelo menos três nomes colocados para a disputa do cargo de governador nas eleições do ano que vem. O que tem demonstrado maior apetite para a disputa é o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD). Junto com ele estão na rua em busca de apoio o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), e o senador José Maranhão (PMDB). Se os dois primeiros demonstram maior afinamento, com acordo de apoio a quem estiver melhor posicionado nas pesquisas, o terceiro demonstra maior apetite para uma disputa solo.

José Maranhão deu declarações, recentemente, no sentido de que ninguém é dono da oposição. Qualquer um pode ser candidato. O peemedebista, vale ressaltar, é cortejado pela base governista. O governador Ricardo Coutinho (PSB) quer o partido no apoio a João Azevedo, que deverá representar os socialistas na disputa. Ao ser questionado sobre os nomes para a disputa, Pedro Cunha Lima diz que tudo será definido no ano que vem. O nome dele é cotado para uma vaga na majoritária, provavelmente como vice. “Ninguém é candidato de si mesmo”, brinca Pedro, sem negar a possibilidade.

Em João Pessoa, Haddad diz que não há plano “b” e Lula será candidato

Ex-prefeito de São Paulo é lembrado como quadro estratégico do partido para 2018, caso Lula seja impedido

Fernando Haddad faz palestra em João Pessoa e trata sobre temas políticos. Foto: Tiago Bernardino

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), não ousa se colocar como opção para a disputa da Presidência da República, em 2018. O nome para isso, com possibilidade zero de reversão, ele garante, é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ex-prefeito está em João Pessoa, onde participou, nesta quinta-feira (6), de palestra sobre plano diretor e mobilidade urbana. O evento faz parte das comemorações dos 70 anos da Câmara de João Pessoa. As dúvidas sobre a possibilidade de Lula disputar as eleições dizem respeito ao risco de ele se tornar inelegível, caso a condenação imposta pelo juiz Sérgio Moro seja mantida na segunda instância, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre (RS).

Haddad duvida desta possibilidade e garante que não há outra alternativa sendo discutida no partido. “Isso não existe. Todo mundo está cerrando fileiras com o presidente. Ele será candidato em 2018, não tenho a menor dúvida disso. Ninguém trabalha com outra hipótese. Agora, eu estou circulando o país inclusive a pedido dele”, disse o petista. O ex-prefeito, é importante frisar, tem feito uma agenda em paralelo com a do ex-presidente. Mesmo assim, ele jura não ser candidato. O objetivo, ele ressalta, é defender o legado petista na Educação. “Particularmente, na área da Educação, nós fizemos um grande trabalho. No Nordeste, então, pega aí o que são os institutos federais. O Instituto Federal da Paraíba tem mais de 20 unidades. Em todas as cidades pólo da Paraíba você tem um Instituto Federal”, acrescentou.

O ex-prefeito, que foi ministro da Educação no governo de Lula, também aproveitou para criticar o governo do presidente Michel Temer. “Foram ampliados os campi da Universidade Federal da Paraíba. Então, nós fizemos um trabalho bacana a área da educação e a educação está sofrendo golpes importantes por parte do governo federal. Então, também estou circulando o país em virtude das universidades públicas e dos institutos federais. Esse governo Temer é um retrocesso na área de educação”, enfatizou Fernando Haddad. Curiosamente, apenas um petista paraibano compareceu à palestra, o vereador de João Pessoa Marcos Henriques. A vinda de Haddad foi intermediada pelo vereador socialista Tibério Limeira.

Cenário político

O ex-prefeito de São Paulo disse ter visto avanços na mini reforma eleitoral aprovada no Congresso Nacional. Os pontos destacados foram o financiamento público de campanha, visto por ele como módico, e o fim das coligações. “Estavam falando em R$ 3 bilhões… não, tem que ser financiamento modesto. E fim das coligações. Foram duas coisas que defendo há anos como cientista político e são duas coisas que o Congresso apoiou”. E acrescentou: “esses dois passos não são pequenos, não. As pessoas estão subestimando o impacto na política nacional. Se não em 2018, em 2022 teremos seis ou sete partidos. Hoje nenhum presidente tem condições de governar nada. É um ‘toma lá, dá cá’ sem fim. Se você organizar o sistema partidário em torno seis sete partidos, vc organiza um governo sóbrio, se necessidade de acordos que não sejam de natureza política, legítimos”, acrescentou.