Integração Nacional, ANA e Aesa não se entendem sobre racionamento

Retomada do abastecimento em Campina Grande vira roteiro de imbróglios político, técnico e jurídico

Canal da transposição, em Monteiro. Foto: Artur Lira/G1

A nova reunião puxada pelos ministérios públicos Federal e da Paraíba para discutir os destinos do racionamento em Campina Grande terminou sem qualquer decisão objetiva. O embate que resumiu a inconsistência do debate ocorreu entre dois órgãos federais nesta terça-feira. De um lado, o Ministério da Integração Nacional, responsável pelas obras da transposição, alega que não é hora de acabar com o racionamento. A Agência Nacional de Águas (ANA), por outro lado, discorda. Alega que já há água acumulada o suficiente para garantir o abastecimento humano, animal e até pequenos projetos de irrigação no entorno da barragem. O embate, por isso, tem confundido mais que esclarecido sobre a situação real do manancial.

A reunião em Campina Grande, nesta terça-feira (22), reuniu presentantes do Ministério da Integração Nacional, ANA, Agência Executiva de Gestão de Águas (Aesa), Defensoria Pública, Universidade Federal de Campina Grande (UFPB) e Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). O encontro terminou sem uma definição sobre o abastecimento de Campina Grande e outras 18 cidades atendidas com água de Boqueirão. Os representantes da área técnica, vale ressaltar, reproduzem as dúvidas geradas pelos políticos. De um lado o governador Ricardo Coutinho (PSB) defende o fim do racionamento. Do outro, o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), atribui a postura do governador a politicagem.

O superintendente de regulação da ANA, Rodrigo Flecha, fez uma exposição durante a reunião para explicar o que motivou a agência a liberar a irrigação nas margens do Açude Epitácio Pessoa. A permissão, vale ressaltar, foi criticada pelo procurador-geral de Justiça, Bertrand Asfora, com o argumento de que a prioridade deveria ser o abastecimento humano. “Qualquer água retirada do manancial deveria, por isso, ser encarada como criminosa”, ressaltou. Os representantes do Ministério da Integração Nacional explicaram que não há segurança hídrica porque não há garantias de continuidade do bombeamento. Eles alegam que as bombas poderão parar de funcionar durante algum tempo.

A reunião terminou sem que houvesse consenso sobre a liberação ou não do racionamento. Um novo encontro será marcado antes que o Ministério Público Federal decida entrar ou não com ação pedindo o adiamento do fim do racionamento.

Embate

No aspecto jurídico, o governador Ricardo Coutinho anunciou nesta terça-feira que vai recorrer da decisão da Justiça que proibiu o governo do estado de acabar com o racionamento. Ele aproveitou para criticar seus adversários políticos, que foram chamados, por ele, de hienas e coronéis da política.

Ricardo antecipa para sexta-feira fim do racionamento em Campina Grande

Perspectiva inicial era de encerramento no sábado, dia 26, quando o ex-presidente Lula estará na Paraíba

Ricardo Coutinho explica motivos que o levaram a antecipar o fim do racionamento. Foto: Max Silva

O governador Ricardo Coutinho (PSB) anunciou nesta segunda-feira (21) que o encerramento do racionamento em Campina Grande e outras 18 cidades abastecidas com água do Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) será encerrado um dia antes do previsto. Inicialmente, a previsão era de dobrar a quantidade de água fornecida quando o volume acumulado no manancial superasse 8,2% da capacidade total. Isso representa 33,8 milhões de metros cúbicos de água. O volume atual já chega a 8,3%, de acordo com dados divulgados pela Agência Executiva de Gestão de Águas do Estado da Paraíba (Aesa). A anúncio ocorreu durante entrevista coletiva, em Campina Grande.

O anúncio de Ricardo Coutinho ocorre também um dia antes da nova reunião marcada por membros dos Ministérios Públicos da Paraíba e Federal para discutir a questão hídrica no Açude Epitácio Pessoa. Os dois órgãos não descartam a edição de uma recomendação para que se suspenda a irrigação com águas do açude, bem como o fim do racionamento nas 19 cidades atendidas. A possibilidade foi aventada durante reunião ocorrida na semana passada. O procurador-geral de Justiça, Betrand Asfora, por exemplo, criticou a liberação da irrigação com água de Boqueirão. Ele também demonstrou preocupação com o alerta emitido pelo Ministério da Integração Nacional a respeito do nível mínimo para garantir a segurança hídrica.

Ricardo aproveitou a entrevista coletiva para criticar a postura do Ministério Público da Paraíba. Ele pediu respeito ao governo do Estado, uma vez que o órgão tem questionado os dados oficiais sobre a segurança hídrica no manancial. Outro alvo das críticas do governador foi o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB). Neste momento, ele cobrou respeito à Cagepa. Disse que o mandatário da Rainha da Borborema tem escalado vereadores para criticar a decisão do governo de encerrar o racionamento.

Risco

O alerta sobre o risco de desabastecimento tem como base uma nota técnica do órgão federal. O Ministério considera que apenas quando o acúmulo de água no manancial chegar a 97 milhões de metros cúbicos, será possível se falar em segurança hídrica. O volume é praticamente o mesmo que motivou o início do racionamento em dezembro de 2014. Atualmente, o volume acumulado é de pouco mais de 33,8 milhões de metros cúbicos. A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) havia anunciado, com base em estudos da Aesa, que haveria tranquilidade no abastecimento com a acumulação de água acima de 8,2% da capacidade total.

O Açude Epitácio Pessoa tem capacidade para acumulação de 411,6 milhões de metros cúbicos de água. Um dos pontos que têm gerado maior temor do Ministério Público é a irrigação liberada por ANA e Aesa. Ricardo Coutinho, por outro lado, negou que haja risco de desabastecimento. Ele alega que há consenso entre os órgãos envolvidos com a gestão de águas no Estado de que os 8,2% de acumulação é o suficiente para manter a elevação da lâmina do açude, bem como ampliar o volume atualmente distribuído. A Aesa autorizou a retirada de 1,2 mil litros de água por segundo do Açude Epitácio Pessoa.

Com informações de Max Silva, do www.jornaldaparaiba.com.br

Integração Nacional diz que Boqueirão ainda não apresenta segurança hídrica

Ministérios Públicos da Paraíba e Federal não descartam recomendar manutenção do racionamento

Reunião foi convocada pelos Ministérios Públicos estadual e federal para analisar fim do racionamento. Foto: Max Silva

O Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, ainda não acumulou água suficiente para que se considere a segurança hídrica do manancial. Essa foi a conclusão de uma reunião de trabalho envolvendo representantes dos Ministérios Públicos da Paraíba e Federal. O encontro aconteceu durante a manhã desta quarta-feira (16), em Campina Grande. Os dois órgãos não descartam a edição de uma recomendação para que se suspenda a irrigação com águas do açude, bem como o fim do racionamento nas 19 cidades atendidas. Uma nova reunião foi programada para a próxima terça-feira (22), quando o martelo será batido sobre a decisão a ser adotada.

O alerta sobre o risco de desabastecimento tem como base uma nota técnica do Ministério da Integração Nacional. O órgão considera que apenas quando o acúmulo de água no manancial chegar a 97 milhões de metros cúbicos, será possível falar em segurança hídrica. O volume é praticamente o mesmo que motivou o início do racionamento em dezembro de 2014. Atualmente, o volume acumulado é de pouco mais de 32 milhões de metros cúbicos. A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) anunciou que o abastecimento de água para Campina Grande e cidades do entorno será normalizado a partir do dia 26 deste mês, quando a marca deve passar dos 33 milhões de metros cúbicos de água.

A reunião desta quarta contou com a participação do procurador-geral de Justiça, Bertrand Asfora, e do chefe do Ministério Público Federal, Rodolfo Alves. Um dos pontos que geraram mais preocupação foi a liberação, pelas Agência Nacional de Águas (ANA) e pela Agência Executiva de Gestão de Águas da Paraíba (Aesa) para a irrigação nas áreas que margeiam o açude. Para Bertrand Asfora, a retirada de qualquer gota de água para irrigação, neste momento, é criminosa. “A prioridade tem que ser o abastecimento humano”, ressaltou o procurador.

Durante entrevista a uma rádio da capital, o secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, João Azevedo, disse que não há riscos para o racionamento. Segundo ele, a autorização foi para a irrigação de subsistência e criação de animais. Nada além disso. Os procuradores, no entanto, apresentaram um quadro menos otimista que o governo em relação à situação atual do Açude Epitácio Pessoa. Segundo dados apresentados no evento, o aumento da de lâmina d’água já foi de 8 cm por dia. Agora, porém, ele não passa de 1 cm por dia. Também foi levantada a informação de que está se perdendo 500 m³/s.

Dependendo da análise de novos dados na semana que vem, o Ministério Público da Paraíba e o Ministério Público Federal poderão emitir recomendações visando o maior controle na retirada de água do manancial.

 

Dnocs e Aesa divergem sobre fechar comportas da transposição para concluir obra

Suspensão do bombeamento das águas adiaria o fim do racionamento em Campina Grande

Imagens mostram água passando por “rasgo” no açude Poções. Foto: Divulgação

O fim do racionamento em Campina Grande e nas outras 18 cidades atendidas com água do Açude Epitácio Pessoa poderá demorar um pouco mais. A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) programou para o dia 26 deste mês a normalização no abastecimento. O volume acumulado atualmente é de 33,07 milhões de metros cúbicos de água. Isso representa 8,03% da capacidade e a meta é que o racionamento seja encerrado quando se atingir 8,2%. O problema é que o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) precisa executar obras nas barragens de Camalaú e Poções. Para isso, no primeiro momento, projetou a suspensão do fluxo de água. O tema, no entanto, está sendo revisto.

Informação repassada por técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA) a vereadores de Campina Grande seguiu na direção de uma suspensão total no funcionamento da Estação de Bombeamento Vertical (EBV-6) por quatro meses. A necessidade foi contestada pelo presidente da Agência Executiva de Gestão de Águas do Estado da Paraíba (Aesa), João Fernandes. “Nós não vamos concordar e tenho certeza que o Ministério da Integração Nacional também não”, ressaltou. O coordenador do Dnocs na Paraíba, Alberto Gomes, por outro lado, diz que a posição final será debatida na semana que vem em Brasília e vai depender de estudos encomendados pelo órgão.

Gomes explica que para o funcionamento das duas barragens foi necessária a realização de rasgos na barragem. Agora é preciso fazer o envelopamento da estrutura, colocar a tubulação e as válvulas de controle. “Nós estamos fazendo um estudo, juntamente com o Ministério da Integração, para que possamos fazer essa intervenção sem que afete a segurança hídrica de Campina Grande”, ressaltou o coordenador do Dnocs. Apesar de evitar prognósticos sobre o risco de desabastecimento, ele alega que “houve precipitação” do governo do Estado na hora de acabar com o racionamento. Para ele, era preciso esperar um acúmulo maior de água.

Atualmente tem chegado 2,9 metros cúbicos de água da transposição no ‘rabo do jacaré’, a área considerada o início do açude de Boqueirão. Se houver redução significativa no repasse da água ou mesmo a suspensão, haverá riscos de retorno ao racionamento. “O Dnocs quer executar essa obra, mas não tem condições. A gente faz o que é possível. Para você suspender o fornecimento de água agora seria preciso 19 milhões de metros cúbicos de água a mais. Não é possível”, ressaltou João Fernandes. Ele defende que é necessário executar a obra sem a necessidade de suspender o bombeamento das águas da transposição. “Estamos esperando os estudos que encomendamos e vamos apresentar ao Dnocs”, acrescentou.

Rasgos

Sobre a execução das obras, Alberto Gomes acredita que elas poderão ser concluídas em menos de 70 dias. O prazo previsto no contrato é de 90 dias. Em Poções, o conjunto da obra vai custar R$ 19 milhões. Já em Camalaú, a obra completa tem orçamento de R$ 9 milhões.

Sarmento prevê volta do racionamento em Campina Grande caso haja problema na transposição

Ex-secretário aponta baixa chegada da água da transposição a Boqueirão como causa para o risco

Imagens mostram água passando por “rasgo” no açude Poções. Foto: Divulgação

O ex-secretário de Recursos Hídricos da Paraíba, Francisco Sarmento, lançou um alerta durante entrevista à CBN João Pessoa nesta quinta-feira (10). Ele prevê risco de agravamento do abastecimento de água nos municípios atendidos com água do Açude Epitácio Pessoa. O argumento é o de que atualmente, contabilizando-se chegada de água com a retirada e a evaporação, há apenas uma pequena margem de sobra. “Tem chegado apenas 1,3 metros cúbicos água por segundo, contabilizada a evaporação. Só que atualmente, a retirada para o abastecimento é de 600 litros por segundo. Quando você acabar o racionamento, ela dobra, indo a 1,2 metros cúbicos por segundo. Então, sobrarão 100 litros por segundo para recompor o açude”, disse, alegando que o volume ficará quase que inalterado na melhor das hipóteses.

Com isso, pela lógica, restará pouca manobra para o caso de um imprevisto, ele reforça. Um exemplo disso pode ser a necessidade de uma suspensão prolongada no bombeamento das águas da transposição, para a correção de algum problema. “Se houve qualquer descontinuidade no fornecimento de água, haverá perdas para o manancial. Isso quer dizer que o governo do Estado confia muito no que é prometido pelo Ministério da Integração Nacional, que está operando de forma experimental”, disse Sarmento. Outro ponto apontado, é o risco de novos roubos de água. O ministério denunciou o roubo de pelo menos 20 milhões de metros cúbicos de água nos últimos cinco meses. O órgão chegou a formular denúncia na Delegacia de Sumé, porém, a polícia diz não ter detectado roubo de água.

O cálculo do ex-secretário encontra ressonâncias relativa em declaração do presidente da Companhia de Água e Esgotos (Cagepa), Hélio Cunha Lima, sobre risco de retorno ao racionamento. Ele disse que se houver uma redução na vazão e o consumo começar a ser maior que o aporte de água, chegando a reduzir a volume a um patamar inferior a 8,2%, a Cagepa não descarta retornar ao sistema de racionamento na cidade. “A água é um produto finito e se houver algum problema na Transposição, poderemos voltar ao racionamento”, revelou o presidente da Cagepa, Hélio Cunha Lima durante entrevista nesta semana.

Vamos aos cálculos do ex-secretário. A água da transposição começou a correr pelo rio Paraíba em 10 de março deste ano. De lá para cá, segundo ele, as vazões fornecidas pelo Ministério da Integração Nacional oscilaram entre 4,5 metros cúbicos por segundo, no melhor índice, e zero em vários momentos. Se você contabilizar os últimos cinco meses, levando em consideração dos 19 milhões de metros cúbicos adquiridos pela barragem, terá recarga média de 1,4 metros cúbicos por segundo, descontados evaporação e consumo. Diante deste quadro, não é descabido temer os riscos ao abastecimento, ela avisa. Com o fim do racionamento, se o consumo chegar a 1,2 metro cúbico por segundo, restará 100 litros por segundo para reforçar o abastecimento.

Aesa contesta os dados

O presidente da Agência Executiva de Gestão de Águas do Estado da Paraíba (Aesa), João Fernandes, discorda dos números de Sarmento. “O que ele diz é de uma loucura, uma sandice sem tamanho”, rechaça. Ele alega que nos primeiros dias de operação, chegou a ser bombeado para o Rio Paraíba, em Monteiro, 7,8 metros cúbicos de água. Atualmente, segundo Fernandes, tem saído 4,92 metros cúbicos da Estação Elevatória EBV-6, em Pernambuco. Deste montante, 4,5 metros cúbicos têm chegado a Monteiro, na Paraíba. Daí, seguindo o curso do manancial, tem chegado 2,9 metros cúbicos de água no Jacaré, a área que demarca o início do açude.

“Então vamos lá. Se a gente considerar que chega 2,9 milhões de metros cúbicos no Jacaré, daí até chegar no balde do açude de Boqueirão, eu contabilizo a perda de 750 litros por segundo devido à evaporação. Faço um cálculo por cima. Conto também mais 850 litros da captação para abastecer Campina Grande e as outras 18 cidades. Então sobram, livres, para a recarga do açude, pelo menos 1,3 metros cúbicos de água. Tudo fora disso é invencionice. Falo com a tranquilidade de quem tem as medições diárias”, afirmou João Fernandes. “Não sei por que o professor Francisco Sarmento está se metendo nesta discussão. Ele deveria preservar o conceito do conhecimento que ele diz ter”, ironiza.

 

 

‘Deveria haver cláusula de barreira para político ineficiente”, diz Ricardo

Governador reagiu a questionamentos sobre segurança hídrica e acusações ação para marcar visita de Lula

Ricardo Coutinho é acusado por setores da oposição de querer agradar Lula, marcando a normalização do abastecimento para o dia 26. Foto: Francisco França

O governador Ricardo Coutinho (PSB) não gostou dos protestos feitos pela oposição contra o fim do racionamento em Campina Grande. Durante solenidade de entrega de reformas em escolas, nesta quarta-feira (9), ele disse que “deveria haver cláusula de barreira para político ineficiente’. A crítica ocorreu após aliados do prefeito Romero Rodrigues (PSDB) criticarem a normalização do abastecimento. A alegação deles é que há risco de retorno ao racionamento por causa da baixa acumulação de água no Açude Epitácio Pessoa. Alegam também que a data escolhida para a normalização do atendimento seria para contemplar o ex-presidente Lula (PT), que estará na Paraíba nos dias 26 e 27 deste mês.

A suspensão do racionamento está marcada para o dia 26. O anúncio foi feito nesta terça-feira (8), em Campina Grande, pelo secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do Estado, João Azevedo. “Estamos com volume de 7,9% e com certeza estaremos com 8,2% no dia 26 deste mês ou talvez até acima desse volume”, disse Azevedo. O argumento foi reafirmado por Coutinho. Ele alegou que tem entrado mais água no Açude Epitácio Pessoa do que saído e isso é o que vai dar a garantia hídrica. As disposições em contrário ele atribuiu ao despreparo da oposição. “A oposição não entende de nada, não sabe onde a coruja pia”, ironizou o governador.

Oposição

O presidente da Agência Municipal de Desenvolvimento, vereador licenciado Nelson Gomes, repudiou com veemência a decisão por parte do governo do estado em acabar com o racionamento d’água em Campina Grande. “Isso é um absurdo! Um pré-candidato ao governo do estado a mando do governador vir fazer média em nossa cidade. Sou totalmente contra o fim do racionamento. Poderia até haver uma redução, mas o fim?! Jamais!”, disparou Nelson. Ele acrescentou que vários pontos devem ser analisados, dentre eles, a vazão de entrada da água da transposição que é bem menor que a saída, além de não haver nenhum tipo de fiscalização no que se refere às inúmeras construções irregulares de barragens ao longo do rio Paraíba.

Outro crítico à decisão foi o vereador João Dantas (PSD), líder da bancada governista na Câmara Municipal de Campina Grande. Ele alega que a decisão foi precipitada porque, segundo ele, o Açude de Boqueirão sofreu uma recarga de apenas 4%. O parlamentar alertou ainda para o perigo da liberação da irrigação com a água da transposição. “Estas águas são destinadas ao consumo humano e animal”. “Técnicos do Ministério estimam que as ligações não autorizadas já tenham desviado cerca de 20 milhões de metros cúbicos das águas do São Francisco nos últimos 2,5 meses”. Justificam.

 

Cagepa anuncia para o dia 26 o fim do racionamento em Campina Grande

Racionamento nas 19 cidades polarizadas por Campina Grande começou em dezembro de 2014

João Azevedo (C) apresenta previsão para o fim do racionamento em Campina Grande. Foto: Max Silva

O racionamento em Campina Grande e mais 18 cidades do entorno será encerrado no dia 26 deste mês. O anúncio foi feito pelo secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do Estado, João Azevedo, na manhã desta terça-feira (8). Os municípios estão submetidos ao fornecimento de um volume reduzido de água desde dezembro de 2014, portanto, há quase três anos. A garantia dada pelo auxiliar do governador Ricardo Coutinho (PSB) ocorre por conta da garantia hídrica assegurada pelas águas da transposição. O manancial responsável pelo abastecimento das localidades é o Açude Epitácio Pessoa, localizado em Boqueirão.

“Estamos com volume de 7,9% e com certeza estaremos com 8,2% no dia 26 deste mês ou talvez até acima desse volume”, disse João Azevedo, durante a entrevista coletiva, que contou também com a participação do secretário Executivo de Recursos Hídricos, Deusdete Queiroca, e o presidente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Hélio Cunha Lima. Atualmente, o volume de acumulação de água no manancial é de 32,48 milhões de metros cúbicos de água. O manancial tem capacidade para 411 milhões de metros cúbicos de água. “A vazão que chega em Boqueirão é exatamente a que é esperada. Já existe um consumo real com ligações para abastecer cidades do Cariri. Mas é preciso que haja fiscalização”, disse.

Presidente Michel Temer, junto com lideranças políticas, inauguram obras da transposição. Foto: Beto Barata/PR

A previsão inicial era que o racionamento fosse suspenso anteriormente, mas o repasse de água da transposição ficou abaixo do prometido. O Ministério da Integração Nacional chegou a divulgar a expectativa de fornecimento de 9 metros cúbicos de água por segundo, uma meta não alcançada. Atualmente, segundo dados do próprio Ministério e aferidas pela Agência Executiva de Gestão de Águas da Paraíba (Aesa), o fornecimento da água lançada no rio Paraíba tem sido de 3,8 metros cúbicos por segundo ou 4 metros cúbicos por segundo de água.

João Azevedo também comentou a denúncia de roubo de água no curso da transposição e que, por isso, estaria reduzindo a vazão que chega a Boqueirão. Ele assegurou que a responsabilidade pela fiscalização é da Agência Nacional de Águas (ANA), responsável pela gestão dos mananciais na área apontada . A estimativa do Ministério da Integração Nacional é que estejam sendo perdidos 20 milhões de metros cúbicos por conta disso. O racionamento em Campina Grande, atualmente, é de três dias com água e quatro sem nenhuma gota na torneira.

Com informações de Max Silva, do jornaldaparaiba.com.br

Romero diz que “fantasmas” nas licitações foram da gestão de Veneziano

Campina Grande ficou em segundo lugar entre os alvos dos licitantes “laranjas”

Auxiliares do prefeito Romero Rodrigues culpam a gestão anterior por licitações suspeitas. Foto: Divulgação/CBN

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), atribuiu o “laranjal” nos processos licitatórios do município ao antecessor. A cidade fica em segundo lugar no Índice de Derrotas dos Licitantes, elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Uma varredura realizada pelo órgão de controle detectou a existência de 275 empresas que nunca ganharam uma única licitação, mesmo tendo concorrido em 2.843 certames. Neste universo, a Rainha da Borborema aparece como a segunda cidade com maior número de licitações com a participação de empresas suspeitas. Foram 80 ao todo, ficando atrás apenas de Santa Cecília, com 94. São Bento, no Sertão, fica em terceiro lugar, com 75 licitações suspeitas.

O secretário de Administração de Campina Grande, Paulo Roberto Diniz, verbalizou a posição da prefeitura. Ele garante que a quase totalidade dos processos sob suspeita dizem respeito à gestão do ex-prefeito Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), que comandou a cidade entre 2004 e 2012. Ele explicou que do total de 80 licitações “apontadas pelo TCE ao município de Campina Grande, 50 são atinentes à Prefeitura. O detalhe é que, em pelo menos 42 situações (em mais de 80% dos casos), a modalidade levada a efeito foi o do convite na administração Veneziano Vital – no qual, não há publicidade do ato e as escolhas ficaram sempre a critério do gestor”.

“Na administração do prefeito Romero Rodrigues, a modalidade preferencial e expressamente recomendada pela Secretaria de Administração é o do pregão, modalidade que compulsoriamente faz uso da publicação de editais no semanário, no Diário Oficial do Estado (DOE), no Diário Oficial da União (DOU) e nos jornais de grande circulação”, destaca o secretário.

 

Cagepa encerrará racionamento em Campina Grande em duas semanas

Contagem regressiva: população enfrenta racionamento com 3,5 dias sem água nas torneiras

Racionamento de água em Campina Grande ocorre desde dezembro de 2014. Imagem/Reprodução/Youtube

O racionamento de água em Campina Grande e outras 18 cidades do entorno deve ser encerrado em duas semanas. A previsão é da direção da Agência Executiva de Gestão de Águas da Paraíba (Aesa). Atualmente, os moradores da cidade convivem com a dura realidade de enfrentar metade da semana sem uma gota de água nas torneiras. O racionamento para os municípios atendidos com água do Açude Epitácio Pessoa, o Boqueirão, foi iniciado em dezembro de 2014. Sem chuvas regulares na região, a perspectiva de acabar com o racionamento decorre da transposição de águas do rio São Francisco. O cumprimento do cronograma, inclusive, depende da regularidade no fornecimento da água.

Atualmente, o açude acumula 29 milhões de metros cúbicos de água. Isso corresponde a 7% do volume total. A capacidade do manancial é para 411 milhões de metros cúbicos de água. O racionamento será encerrado quando se chegar a 33,8 milhões de metros cúbicos, segundo Fernandes. Ou seja, é necessário apenas mais 1% da capacidade de acumulação para que a situação seja estabilizada. As águas da transposição começaram a chegar à Paraíba no dia 8 de março. De lá para cá, houve intermitência por causa de problemas na estrutura. Primeiro houve o rompimento no Reservatório Barreiro, em Sertânia (PE). Depois no canal entre Custódia e Sertânia, ambos no Estado de Pernambuco.

Os problemas, reforça João Fernandes, fizeram com que a água nunca chegasse no volume de entrega prometido. “Se isso não tivesse ocorrido, o racionamento já teria acabado”, ressaltou. A promessa inicial era do envio de 9 metros cúbicos por segundo de água para a Paraíba. Apesar disso, o volume nunca ultrapassou a marca de 7,8 metros cúbicos por segundo. Desde a última intercorrência, quando houve o rompimento das placas do canal, em Pernambuco, o volume enviado para a Paraíba não tem superado em muito a marca de 3,1 metros cúbicos por segundo. “Se chegassem pelo menos 6 metros cúbicos de água, a situação já estaria resolvida”, ressaltou.

Cagepa deve antecipar fim do racionamento em Campina Grande

Previsão inicial era de normalização do fornecimento no dia 20 de julho

Canal da transposição, em Monteiro. Foto: Artur Lira/G1

A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) deve antecipar o fim do racionamento em Campina Grande. A previsão foi repassada pelo presidente da Agência Executiva de Gestão de Águas (Aesa), João Fernandes. A previsão inicial do órgão era que o problema fosse completamente solucionado até o dia 20 de julho. O gestor informou que o volume de água que tem chegado ao Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, tem sido muito bom. Ao todo, o manancial acumula atualmente 26 milhões de metros cúbicos de água. A previsão é que o racionamento seja suspenso no momento em que se atinja a marca de 34 milhões de metros cúbicos de água.

“Temos feito medições no canal da transposição. O Ministério da Integração Nacional divulga a liberação de 8,8 metros cúbicos de água por segundo do reservatório Barreiro, o último de Pernambuco, antes de chegar a Monteiro. Na cidade, está chegando em torno de 7,8 metros cúbicos por segundo”, ressaltou João Fernandes.  Ele alegou que está sendo autorizada a liberação de uma quantidade maior de água para a distribuição em Campina Grande e outras 18 cidades do entorno. Atualmente, o racionamento é de três dias com água e quatro sem nada nas torneiras. “Acredito que em menos de um mês, o racionamento será finalizado”, acrescentou.

Conserto

Depois do susto com o rompimento em um dos trechos da transposição, entre Custódia e Sertânia, em Pernambuco, a coisa começa a voltar ao curso normal. O incidente ocorreu no sábado e as placas de concreto foram repostas no início da semana. O fluxo da água começou a ser retomado às 5h desta quarta-feira, com o a ligação das três estações elevatórias no caminho. O fluxo só voltará ao normal, no entanto, após 72 horas da liberação da água.