João Almeida diz que abriu mão dos salários, mas admite que não em todos os anos desde 2007

Volume de recursos economizado com a renúncia é menor que os R$ 2 milhões contabilizados inicialmente

João Almeida diz que a economia no período foi de R$ 1,3 milhão. Foto: Divulgação/CMJP

A pandemia do novo Coronavírus trouxe um efeito interessante. Vários políticos, entre prefeitos e vereadores, anunciaram que estavam abrindo mão de parte dos salários para ajudar às vítimas da infecção. Nenhum, no entanto, divulgou medida tão abrangente quanto o vereador João Almeida (SD). Por meio da assessoria de imprensa, o parlamentar divulgou que abre mão dos salários na Câmara Municipal de João Pessoa desde 2007. O resultado disso seria uma economia de R$ 2 milhões, atesta. Só que não. Economia até que existiu, mas em um patamar inferior (confira nota abaixo).

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Desconfiado do altruísmo do parlamentar, procurei dar uma olhada nas informações fornecidas pela Câmara Municipal ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). O retrato descrito lá é bem diferente. De 2007 para cá, o parlamentar até abriu mão dos salários de R$ 15 mil em alguns momentos. Mas isso não ocorreu de forma linear. Reeleito em 2012, João Almeida recebeu os salários integralmente entre fevereiro de 2013 a janeiro de 2017. Novamente reeleito, ele viu o dinheiro cair na conta todos os meses até maio do ano passado.

João Almeida é policial rodoviário federal e como tal pode acumular os dois salários. Não há ilegalidade nisso, caso ele consiga dar expediente nos dois empregos. Ele pode, também, como foi feito em vários períodos, optar pelo recebimento do maior salário e escolher onde dar o expediente. É lícito e garantido pela legislação. Agora, ganhar os dois salários e dizer que abriu mão de um deles não parece a melhor das posturas para um homem público.

O que se pode dizer, de fato, sem medo de errar, é que o vereador João Almeida optou pelos salários de policial rodoviário federal a partir de junho do ano passado e que, desde então, não recebeu salários da Câmara Municipal, onde decidiu dar expediente. De posse das informações, a assessoria de imprensa reafirma a economia de R$ 2 milhões, apesar de os dados dizerem que houve, sim, economia, mas em montante bem inferior.

João Almeida

Em conversa com o blog, o vereador João Almeida procurou desfazer o  que pode ser classificado como um mal entendido. Disse que o conteúdo divulgado pela assessoria tem como base matéria jornalística de um blog da capital. “Era um dado positivo e lógico que minha assessoria ficou feliz e compartilhou”, disse.

Almeida admitiu que não renunciou aos salários em todos os anos de 2007 para cá, mas deixou claro que na maior parte deste período recusou o recebimento. Garante que é o único vereador no Brasil a fazer isso. Diz que os períodos em que voltou a receber os salários da Câmara foi por ter sido convocado pela Polícia Rodoviária Federal. Por isso, atuava nos dois empregos.

O vereador fez cálculos sobre o montante do qual abriu mão no período e disse que deve ter deixado de receber, neste período, algo em torno de R$ 1,3 milhão.

Câmara aprova ajuda de R$ 125 bilhões a estados e municípios durante a pandemia

Proposta retornará para o Senado após alterações nas categorias que ficarão fora do congelamento

Pedro Paulo: o texto do Senado avançou ao estabelecer limite global para o auxílio da União

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 39/20, do Senado, que destina ajuda de R$ 125 bilhões para os estados, o Distrito Federal e os municípios em razão da pandemia de Covid-19. O texto substitui versão aprovada em abril pela Câmara (PLP 149/19) e retornará para análise dos senadores.

O relator do PLP 39/20, deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defenderam a aprovação do texto oriundo do Senado dada a urgência no repasse de recursos para auxiliar as ações contra a pandemia. Mas acabou frustrada essa tentativa de encaminhar rapidamente a ajuda aos entes federados para sanção presidencial.

Os deputados aprovaram mudanças que ampliaram o rol de categorias que ficarão fora do congelamento de salários de servidores civis e militares previsto como contrapartida ao socorro financeiro. Com apoio do líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), foi suprimida ainda expressão que liberava reajustes apenas para profissionais “diretamente envolvidos” no combate à Covid-19, como os da saúde e da segurança pública.

Segundo o Ministério da Saúde, já são 115 mil pessoas infectadas no País, que ainda não teria atingido o pico de casos da doença. As mortes chegam a quase 8 mil, além das 1,6 mil que estão sob investigação. Estudiosos já alertaram para o elevado risco de subnotificações.

Rateio modificado
Além da suspensão do pagamento de dívidas dos entes federados com a União e com a Previdência Social (valor estimado em R$ 65 bilhões), a proposta do Senado prevê o repasse de R$ 60 bilhões em quatro meses para amenizar os impactos da queda de arrecadação devido ao impacto na economia das medidas de isolamento social necessárias ao enfrentamento da doença.

O valor do socorro proposto pelo Senado é fixo, ao passo que a versão da Câmara previa ajuda variável estimada inicialmente em R$ 80 bilhões em seis meses. O Senado criou regras diferenciadas para suspensão das dívidas dos entes federados com a União; o texto da Câmara continha dispositivos específicos no caso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil.

Os deputados aprovaram também destaque apresentado pela bancada do Novo que muda um dos critérios para a distribuição de parte dos R$ 10 bilhões em recursos da União que deverão ser destinados necessariamente para ações de combate à pandemia.

Em vez de considerar a taxa de incidência de infectados conforme o número de habitantes, o trecho aprovado leva em conta o total de casos registrados em cada estado. Dessa forma, São Paulo e Rio de Janeiro deverão receber mais recursos do que o previsto pelos senadores. Eles haviam sugerido fórmula que acabava por beneficiar Amapá e Rondônia, entre outros.

O relator, deputado Pedro Paulo, disse que o texto do Senado avançou ao estabelecer limite global para o auxílio da União e nas vedações para aumento de despesas nos entes federados, mas criticou os critérios de distribuição do dinheiro. Com base em estudo feito por consultores, o relator avaliou que havia muitas distorções em relação ao que fora previsto pela Câmara.

Enquanto acontecia a sessão virtual na Câmara, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que as mudanças feitas pelos deputados não serão acatadas. “As alterações na Câmara representam a força das bancadas do Sul e do Sudeste, e nós aqui no Senado restabeleceremos o texto aprovado pela quase unanimidade dos senadores”, disse.

Despesas congeladas
Após acordo com a equipe econômica, o texto do Senado incluiu contrapartidas para o socorro financeiro aos entes federados. A principal delas proíbe a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios de concederem qualquer tipo de reajuste ou aumento nos salários até o final de 2021, assim como a realização de concursos e a criação de cargos.

A ideia inicial do Senado excluía dessas regras especialmente os servidores civis e militares dos setores de saúde e segurança pública. Alterações aprovadas pelos deputados acrescentaram, entre outros, trabalhadores da educação, da assistência social e na limpeza pública; policiais legislativos; técnicos e peritos criminais; agentes socioeducativos; e fiscais agropecuários.

A proibição de reajustes motivou diversas manifestações dos parlamentares, favoráveis e contrários à medida. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou as mudanças, que, segundo ele, desidrataram as contrapartidas ao auxílio a estados e municípios. “Pelo jeito, não estávamos falando sério do congelamento [salarial]”, afirmou. “É um absurdo.”

Conforme o PLP 39/20, ficará proibida ainda qualquer medida que implique reajuste de despesa obrigatória acima da variação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Despesas de caráter continuado não poderão ser criadas, exceto se houver compensação permanente.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Câmara vota “orçamento de guerra” para enfrentamento da Covid-19 em João Pessoa

Dinheiro inclui recursos federais e de remanejamentos para ações na Secretaria de Saúde

Sessão será comandada por João Corujinha (C) de forma remota. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

Os vereadores de João Pessoa votam nesta segunda-feira (20), em sessão remota, o “orçamento de guerra” da Prefeitura para o enfrentamento dos efeitos da Covid-19  no município. Ao todo, a Medida Provisória assinada pelo prefeito Luciano Cartaxo (PV) estabelece a criação de um fundo específico de R$ 45,7 milhões. Deste montante, R$ 28 milhões foram repassados pelo governo federal, que determinou o a criação de orçamento específico para as ações de enfrentamento ao Coronavírus. O restante do fundo é composto por remanejamentos de outras pastas.

De acordo com a secretária de Planejamento de João Pessoa, Daniella Bandeira, o dinheiro será destinado especificamente para manutenção das instituições de saúde que estão referenciadas para o tratamento da Covid-19, além do pagamento de pessoal contratado para reforçar as ações.

Os hospitais referenciados para o atendimento são Prontovida (antigo HTOP), Hospital Santa Isabel, Hospital da Criança do Valentina, além de duas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), as do Valentina Figueiredo e de Cruz das Armas. Os recursos também serão utilizados para a compra de insumos e equipamentos para as unidades de saúde.

Confira a Medida Provisória assinada pelo prefeito:

Covid-19: Câmara de João Pessoa fará doação para a compra de respiradores

Mesa Diretora fará reunião para decidir sobre montante a ser entregue à prefeitura

Coronavírus tem provocado o colapso do sistema de saúde em todo o mundo. Foto: Divulgação

Os vereadores de João Pessoa vão doar parte dos recursos destinados à Câmara, a título de duodécimo, para a compra de respiradores. O presidente da Casa, João Corujinha (PP), não precisou o montante a ser doado, ainda, mas disse que o Legislativo Municipal já economizou mais de R$ 300 mil neste ano. “Faremos reunião com nossos pares para decidir o montante que será doado para a compra de respiradores”, disse.

Os respiradores são essenciais no auxílio às pessoas que desenvolvem a forma mais grave do novo Coronavírus. A ausência dos equipamentos em quantidade suficiente foi a maior causa de mortes nos países mais gravemente atingidos pela pandemia pelo mundo afora. Isso por que o crescimento exponencial das contaminações causa colapso primeiro no sistema de saúde, que não tem como atender à demanda.

Corujinha disse que no ano passado a Casa conseguiu devolver ao Executivo R$ 2 milhões. O dinheiro seria para a reforma da Câmara Municipal, um objetivo antigo dos parlamentares, mas que perde o sentido diante do avanço da pandemia no Estado. As estatísticas indicam que 80% dos casos de Covid-19, na Paraíba, serão registrados em João Pessoa. Em pronunciamento neste fim de semana, o prefeito Luciano Cartaxo (PV) pediu que as pessoas respeitem o isolamento.

João Corujinha disse ao blog que será realizada uma reunião entre os vereadores da Câmara de João Pessoa para que, em conjunto, seja definido o destino do dinheiro. “Se o volume de recursos destinado à Casa for mantido, poderemos fazer novas doações no futuro”, enfatiza, lembrando que tudo vai depender da deliberação conjunta.

Alvos da Xeque-Mate, suplentes reassumem mandato em Cabedelo

Retorno dos suplentes ocorre após serem decorridos os 120 dias do afastamento determinado pela Justiça

A composição da Câmara Municipal de Cabedelo foi quase que totalmente modificada. Foto: Divulgação

Os quatro suplentes de vereadores afastados do cargo no ano passado, em Cabedelo, reassumiram os mandatos na Câmara Municipal. Eles foram alvos da operação Xeque-Mate, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, e pela Polícia Federal. O grupo, empossado na última terça-feira (7), é acusado de ter recebido R$ 200 mil das mãos do ex-prefeito Leto Viana, em 2016.

Benone Bernardo da Silva (PRP), Josimar de Lima Silva (PRP), Janderson Bezerril de Brito (PSDB) e Jonas Pequeno dos Santos (PSDB) tiveram os mandatos reintegrados pela presidente da Câmara, Graça Rezende. A justificativa foi a de que o afastamento determinado pela Justiça foi de 120 dias e o prazo já foi transcorrido, sem que o Ministério Público pedisse prorrogação.

Os quatro afastados na sexta fase da Xeque-Mate não estavam na relação dos dez vereadores alvos da primeira etapa da operação, desencadeada em abril de 2018. Eles se tornaram suplentes nas eleições de 2016 e teriam recebido das mãos do então prefeito Leto Viana vantagem indevida naquele pleito. Cada um teria recebido R$ 200 mil para integrar a chapa governista (legislatura de 2017 a 2020).

De acordo com as investigações, os réus na ação teriam assumindo, com o recebimento do dinheiro, o “compromisso de satisfazer os interesses pessoais de Leto Viana, de seus aliados (membros da organização investigada), assim como os desejos anticoncorrenciais do empresário ROBERTO SANTIAGO”, diz trecho da investigação.

Os quatro respondem por acusações de corrupção passiva. O Ministério Público Estadual requereu, ainda, a reparação pelos danos materiais e morais praticados, entre outras medidas pertinentes.

Berg Lima se livra de mais um pedido de cassação na Câmara de Bayeux

Prefeito também foi acusado de irregularidades na compra de cones e aparelhos de ar-condicionado

Por Larissa Claro

Foto: Secom/Bayeux

O prefeito Berg Lima (PL) se livrou de mais um pedido de cassação na Câmara Municipal de Bayeux. O julgamento da última denúncia em tramitação aconteceu nesta terça-feira (17), com placar de 10 votos a 7 pela cassação. Embora tivesse mais votos, a oposição esbarrou mais uma vez no Decreto Lei 201, que exige maioria de dois terços da Casa, ou seja, pelo menos 12 votos a favor da cassação.

Desde que assumiu a prefeitura, esta é a quinta denúncia que leva Berg a responder processo de cassação na Câmara Municipal. No julgamento político, escapou de todas. Nesta, o prefeito foi acusado de irregularidades na compra de cones de trânsito e aparelhos de ar-condicionado. A prefeitura teria comprado comprado modelos mais caros do que aqueles que foram recebidos. O processo também aponta o pagamento de um projeto de trânsito que, segundo a denúncia, não existe.

Para o presidente da Casa, Jefferson Kita, o resultado já era esperado. O placar, inclusive, foi idêntico a votação de janeiro, quando respondeu a acusações de irregularidade no pagamento de adicional noturno a guardas municipais. “Os fatos estavam lá, mas o prefeito está à frente frente do cargo e usa a máquina para manter essa minoria que é suficiente para mantê-lo no cargo”, acusa o advogado.

Além das duas denúncias já citadas, Berg Lima também já escapou de pedidos de cassação ligados a denúncia de recebimento de propina, em que já foi condenado na Justiça por improbidade administrativa; irregularidades na locação de veículos; e suposto pagamento ilegal para o recolhimento de lixo na cidade.

Embora tenha escapado dos pedidos de cassação na Câmara, o prefeito aguarda a decisão do governador João Azevêdo sobre o pedido de intervenção feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Câmara de Bayeux, inclusive, referendou o relatório do TCE. Além disso, a Justiça votou, em segunda instância, pela manutenção da condenação por improbidade administrativa no caso em que foi filmado recebendo propina no seu gabinete.

O Blog procurou o advogado de Berg Lima para comentar o resultado da votação, mas não obteve resposta até a publicação do texto.

Vereadores decidem nesta semana sobre intervenção em Bayeux

Tribunal de Contas encaminhou documento à Câmara recomendando pedido de intervenção na cidade

Berg Lima foi flagrado em vídeo feito por empresário justamente no momento em que recebia dinheiro supostamente de propina. Imagem: Reprodução

Os vereadores de Bayeux devem votar até quarta-feira (11) se aceitam ou não a recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que pede ao governador João Azevêdo (Cidadania) uma intervenção na prefeitura da cidade. O prefeito Berg Lima (PL) é acusado de descumprimento de vários prefeitos constitucionais. Entre eles são citados o não pagamento por dois anos seguidos da dívida fundada do município e o não investimento dos índices mínimos em Educação (25%) e Saúde (15%).

De acordo com o presidente da Casa, Jefferson Kita (PSB), restam dúvidas formais sobre o rito, porque o Regimento Interno da Câmara é omisso para estes casos. “Vou reunir na segunda-feira (9) todos os vereadores e a assessoria jurídica da Câmara. Vamos analisar à luz da legislação como isso deve acontecer. O caminho que vejo é que deveremos colocar em votação até quarta-feira”, ressaltou. As dúvidas de Kita são de aspectos jurídicos. “O resultado da votação vai direto para o governador ou para o TCE?”, disse.

A Constituição do Estado, no artigo 15, disciplina os pedidos de intervenção nos municípios. O texto diz que tanto o Tribunal de Contas quanto as Câmaras Municipais podem pedir o ato extremo, de afastamento do gestor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no entanto, em casos julgados recentemente, indica que a câmara precisa referendar a decisão do TCE. O passo seguinte é remeter ao governador, que poderá decretar a intervenção e indicar o interventor.

Depois disso, a Assembleia Legislativa é convocada em 24 horas para se posicionar sobre o assunto. Para Kita, o mais importante, neste momento, é estancar a sangria em Bayeux. O prefeito Berg Lima chegou a ser preso em 2017, sob acusação de tentativa de extorsão contra um empresário. Ele foi filmado recebendo R$ 3,5 mil para que liberasse pagamentos devidos pela prefeitura. O gestor foi afastado do cargo e retornou no final de 2018. Nesta semana, ele teve a condenação por improbidade confirmada pelo Tribunal de Justiça da Paraíba.

Cabedelo: Ministério Público recomenda que Câmara casse mandatos de vereadores afastados

Atualmente, Câmara de Cabedelo paga salários a 29 vereadores, apesar de possuir apenas 15 cadeiras disponíveis

A composição da Câmara Municipal de Cabedelo foi quase que totalmente modificada. Foto: Divulgação

A Câmara de Cabedelo recebeu recomendação do Ministério Público da Paraíba para que resolva, dentro de 90 dias, a situação dos vereadores afastados da Casa. Atualmente, 14 vereadores (entre titulares e suplentes) estão afastados do parlamento, por decisão da Justiça. A recomendação ministerial foi expedida pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Cabedelo nesta semana, em função dos prejuízos que vêm sendo causados ao erário, com a remuneração de vereadores afastados.

Conforme explicou o promotor de Justiça Ronaldo Guerra, a Câmara Municipal de Cabedelo é, originalmente, composta por 15 vereadores. No entanto, atualmente, ela conta com 29 parlamentares remunerados. Isso porque, além dos suplentes convocados, os 14 vereadores que estão afastados por suspeita de corrupção também continuam recebendo remuneração. O subsídio pagos aos vereadores, em Cabedelo, são de R$ 8 mil.

A promotoria já havia oficiado a presidência da Câmara, solicitando informações sobre a tramitação das representações e cobrando a observância aos prazos regimentais que versam sobre o assunto. “O erário vem sofrendo dilapidação, pois está remunerando praticamente o dobro de sua composição, o que exige uma atuação firme e resolutiva por parte do Poder Legislativo, a quem compete não apenas legislar e fiscalizar os atos do Poder Executivo, mas também julgar os seus pares, quando for o caso”, argumentou o promotor.

Segundo a presidência da Câmara, 10 representações foram convertidas em processos administrativos disciplinares, que estão em tramitação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da instituição contra os vereadores Jacqueline Monteiro França; Lúcio José do Nascimento; Antônio Moacir Dantas Cavalcanti Junior; Belmiro Mamede da Silva; Josué Pessoa de Góes; Tércio de Figueiredo Dornelas; Francisco Rogério Santiago de Mendonça; Rosivaldo Alves; Rosildo Pereira de Araújo Júnior e Antônio Bezerra do Vale Filho.

A recomendação ministerial para que as análises sejam concluídas em 90 dias deverá ser encaminhada pela presidente do legislativo municipal, a vereadora Graça Rezende, ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. O descumprimento do prazo poderá resultar na responsabilização nas esferas civil – por atos de improbidade administrativa – e criminal.

Plenário da Câmara devolve mandato de Wilson Santiago

Discursos favoráveis seguiram a linha de que decisão de ministro não tinha amparo constitucional

Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por maioria, o retorno de Wilson Santiago ao mandato. Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O deputado federal Wilson Santiago (PTB) teve o mandato restituído pelos pares em votação na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (5). O placar contra a decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi de 233 votos pela manutenção do mandato e 170 contra. Para manter o afastamento, seriam necessários 257 votos. Santiago estava afastado do cargo desde 19 de dezembro do ano passado.

A maioria dos parlamentares seguiu o entendimento do relator da matéria, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), de que a decisão que afastou o parlamentar afronta competências do Poder Legislativo. Ele alegou que o risco para o parlamento, caso decidisse manter a medida cautelar, seria criar jurisprudência para que qualquer juiz de primeira instância decidisse afastar deputado.

“Quando o poder Judiciário quer fazer algo que a Constituição não permite, o faz dizendo ser medida excepcionalíssima”, criticou Marcelo Ramos. Para a decisão, os parlamentares recorreram à jurisprudência do STF sobre o caso do ex-senador Aécio Neves (atual deputado). Ela determina que, em caso de suspensão do mandato pelo Supremo, a Casa deveria ser ouvida para chancelar ou não a decisão.

O advogado de Wilson Santiago, Luiz Henrique Machado, usou a tribuna para falar aos parlamentares antes da votação. Ao discorrer sobre o afastamento do paraibano, ele classificou de “precedente temerário” a medida adotada pelo ministro. Ressaltou, ainda, o fato de a medida ter ocorrido às vésperas do recesso parlamentar, prejudicando as prerrogativas do Parlamento.

Santiago foi afastado do cargo durante a operação Pés de Barro, desencadeada em dezembro do ano passado pela Polícia Federal. Ele foi acusado de suposto envolvimento em superfaturamento em obras da adutora Capivara, no interior da Paraíba. O deputado nega as acusações diz que foi alvo de um complô armado pelo empresário George Ramalho, preso na operação Feudo. O empresário, para conseguir firmar acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, segundo o parlamentar, forjou provas na tentativa de implicar o parlamentar.

Como votaram os paraibanos

Dos 12 deputados federais paraibanos, apenas Ruy Carneiro e Pedro Cunha Lima, ambos do PSDB, votaram contra o retorno de Wilson Santiago ao cargo. A deputada Edna Henrique, também do PSDB, se absteve. Já Julian Lemos (PSL) não compareceu à votação. Votaram a favor Aguinaldo Ribeiro (PP), Damião Feliciano (PDT), Efraim Filho (DEM), Frei Anastácio (PT), Gervásio Maia (PSB), Hugo Motta (Republicanos) e Wellington Roberto (PL).

Plenário decide caso de Wilson Santiago nesta tarde

Deputado nega acusações de que teria recebido propina de empresa responsável por obra no Sertão

Câmara dos Deputados poderá reverter o afastamento de Wilson Santiago. Foto: Divulgação

O Plenário da Câmara dos Deputados se reúne na tarde desta quarta-feira (5) para deliberar sobre a suspensão do mandato do deputado federal Wilson Santiago (PTB-PB), afastado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello. Santiago foi afastado do cargo em dezembro em razão da Operação Pés de Barro, deflagrada no mesmo dia.

De acordo com o presidente Rodrigo Maia (DEM), a Câmara deve decidir se chancela a decisão do STF ou garante a retomada do mandato de Santiago. O Plenário reúne-se às 14 horas.   A denúncia foi protocolada no fim do ano passado e decidida pelo ministro. Os aliados do parlamentar defendem que houve excessos na decisão que o afastou do cargo. Na mesma operação, o prefeito de Uiraúna, João Bosco (PSDB), foi preso.

A acusação do Ministério Público Federal é a de que o parlamentar teria recebido recursos de propinas, pagos pela Coenco. A empresa era a responsável pela construção da adutora de Capivara, no Sertão. O parlamentar nega as acusações e diz que as provas juntadas aos autos do processo não comprovam as alegações da Polícia Federal.