Coronavírus: pressionado por pastores, Bolsonaro libera cultos religiosos

Presidente eleva atividade à categoria de “essencial” e passa por cima de determinação de governadores sobre evitar aglomerações

Apesar de se definir como católico, Bolsonaro foi batizado por um pastor e tem a maioria dos apoiadores no público evangélico. Foto: Divulgação

As instituições religiosas de todos os credos poderão abrir as portas e permitir a aglomeração de pessoas. A determinação foi editada em decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), cedendo à pressão de pastores evangélicos, base eleitoral do gestor. O decreto foi publicado nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial da União (DOU) e já está em vigor. A Igreja Católica, na Paraíba, manterá as portas fechadas, seguindo a orientação do Vaticano, para evitar a propagação do novo Coronavírus.

O decreto de Bolsonaro inclui as atividades religiosas como parte da lista de atividades e serviços considerados essenciais em meio ao combate ao novo coronavírus. Com o status, elas ficam autorizadas a funcionar mesmo durante restrição ou quarentena em razão do vírus. Segundo o texto, no entanto, o funcionamento deverá obedecer as determinações do Ministério da Saúde.

O conteúdo tem validade imediata e não precisa de aprovação do Congresso Nacional. O posicionamento desobedece a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta o isolamento social por causa do novo Coronavírus. Na prática, o presidente coloca em risco a vida da população, em atitude muito parecida com as primeiras adotadas pelo governo italiano, o país mais afetado do mundo pela pandemia.

Em fevereiro, Bolsonaro sancionou a lei que trata de quarentena durante a epidemia de Coronavírus no Brasil. Na sexta-feira (20), o presidente alterou o texto da lei por meio de uma medida provisória, que estabeleceu que devem ser resguardados da quarentena “o exercício e o funcionamento de serviços públicos e atividades essenciais”.

A MP deu ao presidente o poder de decidir por si quais são as atividades consideradas essenciais. O funcionamento de atividades religiosas vinha sendo limitado com as medidas de combate ao Coronavírus tomadas pelos governadores dos estados como forma de evitar aglomerações e reduzir as possibilidades de contágio do vírus.

Na maioria dos estados, os cultos religiosos e missas vinham ocorrendo por meio da internet, rádios ou TVs. As exceções se deram em casos específicos, em cidades como como São Paulo e Rio de Janeiro. Nelas, os cultos religiosos foram autorizados a ocorrer somente após entidades religiosas entrarem com ações na Justiça.

O arcebispo da Paraíba, Dom Delson, deu entrevista nesta quarta-feira sinalizando com a permanência das igrejas Católicas fechadas. As orientações religiosos estão sendo feitas apenas por meio de telefone, redes sociais ou por missas realizadas por meios eletrônicos. O funcionamento, em relação às outras denominações religiosas, vai depender apenas da avaliação de cada uma delas.

Nesta terça-feira (24), em pronunciamento em rede nacional de televisão no qual contrariou especialistas e recomendações dadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Bolsonaro criticou as medidas de distanciamento social tomadas pelos estados e pediu a ‘volta à normalidade’ e o fim do ‘confinamento em massa’. Criticou, também, o fechamento das escolas.

Bolsonaro muda o tom em videoconferência com governadores do NE e anuncia pacote de R$ 88,2 bilhões

João Azevêdo cobrou implantação de um programa de renda básica para autônomos, testes rápidos, insumos e EPIs

Por Larissa Claro

O presidente Jair Bolsonaro em videoconferência com governadores do Nordeste. Foto: Isac Nóbrega/PR

O governador João Azevêdo participou, nesta segunda-feira (23), de videoconferência com o presidente da República Jair Bolsonaro, para discutir ações de enfrentamento ao coronavírus e ouvir respostas do governo federal às demandas apresentadas pelo Fórum de Governadores do Brasil.

O encontro virtual reuniu os governadores do Nordeste, que em grande parte fazem oposição ao governo federal, e mostrou uma postura mais “institucional” do presidente, que chegou, inclusive, a parabenizá-los “pelos entendimentos e cooperação para se vencer os obstáculos”. Bolsonaro ainda anunciou um pacote  de R$ 88,2 bilhões para atender estados e municípios no combate a pandemia da Covid-19.

Na ocasião, o governador João Azevêdo cobrou a necessidade da instituição da renda básica da cidadania para atender neste momento os profissionais autônomos; solicitou o envio de insumos e equipamentos de proteção individual (EPI) e questionou sobre o prazo de entrega dos testes rápidos para o diagnóstico da Covid-19 nos Estados.

“Eu acho que esse é o caminho, de o governo federal assumir o que é preciso, que é o comando de todas as ações, em um momento tão diferente no Brasil, que terá de rever, inclusive, vários conceitos, após a saída dessa crise, não só no campo econômico, mas de urbanização de cidades, por exemplo”, pontuou o governador da Paraíba.

Em postagens no Twitter na tarde de ontem, em meio as agendas com os governadores do Norte e Nordeste, o presidente anunciou, de forma macro, a divisão do pacote de socorro aos Estados e municípios: informou que pretende suspender o pagamento de R$ 12,6 bilhões de dívidas dos estados com a União. Também confirmou a recomposição, por parte do governo federal, de R$ 16 bilhões nos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – a ajuda compensará a perda de arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os cofres estaduais.

Outras iniciativas do governo para minimizar a crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus no Brasil é a transferência de R$ 8 bilhões de recursos para fundos de saúde estaduais e municipais que, segundo ele, representa o dobro do valor pedido pelos governadores. E mais: R$ 2 bilhões com assistência social; R$ 9,6 bilhões com renegociação de estados e municípios com bancos; e R$ 40 bilhões com operações facilitadas de crédito.

Nos últimos dias, o presidente não escondeu críticas aos governadores de todas as regiões do país à forma como estão reagindo à pandemia. “O povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírus”, disse no último domingo (22). Ao contrário do que prega o próprio Ministério da Saúde, Bolsonaro considera as iniciativas dos Estado excessivas. A suspensão do transporte público e o fechamento do comércio, por exemplo, causam “histeria”, segundo o presidente, e prejudicam a economia.

Nas reuniões desta segunda, contudo, Bolsonaro resolveu agir com a diplomacia que o cargo exige. “Todos nós queremos, ao final dessa batalha, sair fortalecidos”, disse aos governadores.

Mas ainda ontem, após a videoconferência, uma decisão da Justiça colocou os governadores do Nordeste mais uma vez em lado oposto ao presidente. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a União apresente dados que indiquem o motivo dos cortes realizados até o momento e suspenda as demais restrições ao programa Bolsa Família. Sete Estados nordestinos, entre eles a Paraíba, entraram com ação judicial pedindo a proibição dos cortes neste período de enfrentamento a pandemia do novo coronavírus.  A ação ainda terá julgamento definitivo.

 

 

 

 

Cartaxo participa de videoconferência com Bolsonaro e cobra prazo para chegada de respiradores e EPIs

Presidente voltou a dizer que mídia faz alarde sobre pandemia, mas garantiu que não faltará recursos para ‘atenuar o problema’; encontro virtual reuniu prefeitos das Capitais

Por Larissa Claro

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), participou de uma videoconferência com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no final da manhã deste domingo (22). Na ocasião, o gestor solicitou a estruturação de um cronograma de distribuição e chegada de respiradores, monitores e novos equipamentos de proteção individual (EPI), para possibilitar a abertura de novos leitos, sobretudo de UTI, destinados ao atendimento de pacientes infectados com o novo coronavírus.

O encontro virtual reuniu os prefeitos das Capitais e foi solicitada pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), da qual Luciano Cartaxo é vice-presidente de Regiões Metropolitanas.

Embora tenha dito que buscará atender às reivindicações dos prefeitos, chamou atenção no discurso do presidente Bolsonaro, mais uma vez, as acusações dirigidas à mídia em relação ao tratamento dado a pandemia no Brasil: “Buscaremos atenuar o problema e, da nossa parte, não faltará recursos para a saúde e para o fim dos empregos. Há um alarmismo muito grande por parte da grande mídia, mas no que for possível, atenderemos, até porque é nossa obrigação fazer isso aí”, declarou.

Sobre a reunião, o prefeito de João Pessoa disse que a maioria das medidas restritivas já foram tomadas pelos prefeitos  das grandes capitais do país. “Estamos chegando em outra fase importante de combate ao novo coronavírus. Fico feliz de que o documento encaminhado por nós da FNP, ao presidente e ministro, contemple realmente grande parte das nossas demandas aqui em João Pessoa. Mas reforço a importância de um cronograma estruturado para a chegada dos equipamentos que serão importantes para abertura de novos leitos, principalmente de UTI”, disse o prefeito.

Luciano Cartaxo ainda destacou a importância de o Ministério da Saúde manter o pagamento do teto financeiro dos hospitais filantrópicos e privados e também destacou a estratégia adotada pela Prefeitura de João Pessoa para a campanha de vacinação, que mobilizará mil profissionais a partir desta segunda (23). “Serão 68 ginásios de escolas e creches atendendo aos idosos para fazer a vacinação contra a influenza em espaços amplos e abertos, que evitam as aglomerações”, afirmou.

A FNP propôs a instalação imediata de um Comitê Interfederativo de Gestão de Crise com a participação das três instâncias do executivo (prefeitos, governadores e Governo Federal), que permita a troca de informações e compartilhamento de decisões. O comitê propiciará ações mais eficazes e harmônicas para o país, respeitando as competências institucionais e legais, através de reuniões virtuais duas vezes por semana.

Em relação aos recursos, o prefeito Luciano Cartaxo e demais gestores de capitais solicitaram apoio aos municípios com a disponibilização de novos investimentos para o enfrentamento ao vírus, e que a sua distribuição leve em consideração a prevalência do número de pacientes infectados e a estrutura médico-hospitalar disponível em cada cidade. Além disso, destacaram que é nas grandes cidades onde se apresentará  a mais significativa evolução do número de casos de contaminação,  local onde também está o maior número de leitos em UTIs.

A FNP tem como foco de atuação os 406 municípios com mais de 80 mil habitantes, recorte que abrange 100% das capitais, 61% dos habitantes e 75% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Estes municípios contam com 27.941 leitos de UTI do SUS e 43% dos leitos do país estão nas capitais.

Solicitações:
– Habilitação de 500 hospitais e pequeno porte (HPPs), de 30 a 60 leitos, credenciados pelo SUS para recepcionar pacientes que estão internados em hospitais de médio e grande porte, no valor de R$ 7.200/leito, para disponibilizar vagas nesses hospitais de referência, para atender pacientes com COVID-19;
– Apoio financeiro à internação de pacientes com COVID-19 com o valor de R$ 1.500 por leito por ate 7 dias;
– Apoio financeiro à locação e/ou aquisição de ambulâncias com UTI, incluindo despesas com pessoal por três meses;
– Financiamento da instalação de “portas de entrada” nas UPAS com o valor equivalente a 3 vezes o valor mensal de custeio daquela unidade;
– Apoio financeiro de R$ 2,00 por habitante para a instalação de leitos extras em hospitais de referência  para todas as 438 regiões de saúde do país;
– Apoio financeiro aos municípios médios e grandes (acima de 80 mil habitantes) com repasse extraordinário de R$ 10,00 por habitante para a instalação de leitos extras, contratação de pessoal, aquisição de insumos e equipamentos (termômetro digital, oxímetros, equipamentos de UTI, respiradores, monitores, etc);
– Contratação de 4 mil médicos cubanos para voltar a trabalhar no Sistema Único de Saúde, pelo programa Mais Médicos, com o objetivo de enfrentar a crise do coronavírus.

Bancada paraibana reage a ato anti-Congresso apoiado por Bolsonaro

Veneziano, Gervásio, Anastácio, Efraim e Julian criticam ato que prega o fechamento do Congresso

Para Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB), houve ataque à democracia. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O vídeo divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convocando correligionários para ato que prega o fechamento do Congresso Nacional causou reação entre parlamentares paraibanos. Independente do espectro ideológico, todos criticaram o que chamaram de ataque à democracia. A manifestação está prevista para o dia 15 de março e prega, também, o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para o senador paraibano Veneziano Vital do Rêgo (PSB), a postura de Bolsonaro não condiz com a responsabilidade do cargo. “Lastimável o gesto antidemocrático e irresponsável do presidente da República, que conclama a população brasileira para um ato no próximo dia 15 contra o Congresso nacional e contra o Supremo, atentando contra a democracia e demonstrando o seu propósito ditatorial de fragilizar as instituições republicanas”, afirmou o parlamentar paraibano.

Antes dele, o deputado federal Julian Lemos (PSL), um dos primeiros apoiadores do presidente, criticou o que chamou de ataque à democracia. “Fui eleito em um processo democrático, pelo voto, assim como o presidente Bolsonaro, que ajudei a eleger”, enfatizou Lemos. Ele diz reconhecer que “que o Congresso Nacional não tem sido aquilo que almejamos, em termos de decência e honestidade”. O parlamentar alega, no entanto, que não se pode generalizar e cita a si como exemplo de honestidade na Casa. “Eu não pratico atos de corrupção e nem achaco a vontade popular, como muitos fazem e isso é fato”, acrescentou.

O deputado federal Gervásio Maia (PSB) classificou de lastimável a postura do presidente. “Bolsonaro (mais uma vez) ataca as instituições, desrespeita a democracia, a Constituição e o povo brasileiro. O último regime que propôs fechar o Congresso mergulhou o país em anos sombrios com tortura, mortes e crimes contra a humanidade. Não podemos tolerar esse tipo de absurdo”.

O líder do Democratas na Câmara dos Deputados, deputado Efraim Filho (PB), defendeu o diálogo para enfrentar os desafios do País. “Agora, com uma epidemia mundial batendo a nossa porta, é hora dos seus líderes estarem dialogando e concentrando esforços conjuntos para enfrentarem esse desafio. A Constituição já dá a solução em seus princípios: “poderes independentes sim, porém harmônicos”, disse Efraim.

Já o deputado Frei Anstácio (PT) considerou extremamente grave a situação. “Fere frontalmente os princípios democráticos e constitucionais, a iniciativa do presidente da República e outros integrantes do governo, que estão incitando a população contra o Congresso Nacional”. Ele acrescenta: “Um governo que respeita a Constituição e a democracia, jamais tomaria uma atitude como esta. A intenção dele é se apoderar do Palácio do Planalto, calar a imprensa, mandar nos órgãos constituídos pela democracia e retirar o que resta de direitos do povo”, afirmou o deputado.

Eliminação de ICMS dos combustíveis causaria prejuízo de R$ 1,4 bilhão na Paraíba

Desafio de Jair Bolsonaro quebraria os estados e causaria um rombo nas contas do governo federal

Valor dos combustíveis na bomba é motivo de troca de farpas entre Bolsonaro e governadores. Foto:Marcelo Camargo/Agência Brasil

O desafio feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para que os governadores zerem os impostos sobre os combustíveis só pode ser encarado como bravata. Um olhar sobre as contas públicas mostra que a promessa dele, de fazer o mesmo sobre os impostos federais, aprofundaria de forma irresponsável o rombo nas contas públicas. Só na Paraíba, contando os tributos estaduais, Haveria uma perda de 25% de toda a arrecadação a título de ICMS.

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) foi responsável pela a arrecadação de R$ 5,7 bilhões no ano passado, na Paraíba. Deste total, R$ 1,4 bilhão foi fruto exclusivamente da taxação da venda de combustíveis no Estado. O montante é o mesmo que o Estado dispõe para a distribuição com os municípios paraibanos. Ou seja, R$ 1,4 bilhão é partilhado com as 223 prefeituras paraibanas.

Do lado do governo, a proposta de zerar os impostos representaria a perda de R$ 27 bilhões. Uma receita que o governo federal não teria como abrir mão, sob risco de não conseguir fechar as contas. Os tributos federais cobrados sobre os combustíveis são PIS, Confins e Cide. Juntando a carga tributária relacionada com as cobranças de impostos federais e estaduais, a carga tributária chega perto dos 50%, um peso para os consumidores.

O tema surgiu depois que o presidente Jair Bolsonaro culpou os governadores pelo fato de o preço dos combustíveis não baixar. As declarações provocaram nota conjunta de 23 dos 26 governadores contra as declarações.

Ao lado de Lula, Ricardo diz que vinda de Bolsonaro à Paraíba foi milagre do petista

Ex-governador se reuniu com o ex-presidente nesta terça-feira e colocou vídeo nas redes sociais

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) usou de ironia nesta terça-feira (12) para falar da vinda do presidente Jair Bolsonaro (PSL) à Paraíba. O gestor participou da inauguração do Complexo Residencial Aluízio Campos, em Campina Grande, nesta segunda. Ao lado do ex-presidente, em São Paulo, Coutinho falou que a saída do petista da prisão gerou o primeiro milagre: a vinda de Bolsonaro ao Estado para mandar religar as bombas da transposição. As águas do São Francisco não chegam à Paraíba desde março deste ano.

“Dizem lá na Paraíba que o primeiro milagre foi justamente este. Quem não queria ligar as bombas teve que ir lá ontem correndo. Soltaram Lula, então vamos correndo ligar as bombas porque senão ele vai vir aqui para, no braço, fazer com que a água volte a percorrer”, disse Coutinho. Para o que Lula respondeu: “se as águas estão voltando, então eu volto a sorrir”. O anúncio da volta do fornecimento de água foi feito pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto.

O órgão atendeu uma recomendação dos Ministérios Públicos da Paraíba e Federal. A vazão, no entanto, é pequena, apenas para impedir a degradação maior do canal. A recomendação foi para que a vazão de água não fosse inferior a 0,8m³/s, visando garantir a mínima segurança hídrica à população do Cariri paraibano (alto curso do Rio Paraíba).

Julian Lemos não seguirá Bolsonaro na criação de novo partido

Deputado diz que votará com o governo nas pautas que estiverem em consonância com suas convicções pessoais

Julian Lemos (E) foi dos primeiros a abraçarem a campanha de Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

O deputado federal Julian Lemos (PSL) não vai acompanhar o presidente Jair Bolsonaro na saída do partido. O gestor convocou os aliados mais próximos para uma reunião na tarde desta terça-feira (12), em Brasília. No evento, vai detalhar o projeto de criação de uma nova sigla. O parlamentar paraibano diz que não foi convidado para o evento e, caso fosse, não dá certeza de que mudaria de sigla.

“Para apoiar o presidente (Jair Bolsonaro) eu não preciso estar em outro partido, porque partido é tudo igual segundo a leitura hoje. E no partido PSL eu me encontro muito bem, assim como a grande maioria dos deputados”, ressaltou Lemos. A situação dele é parecida com a de grande parte dos parlamentares da sigla. Apesar de eleitos na mesma onda conservadora que levou o presidente à vitória, em 2018, a briga do bloco bolsonarista pelo comando da agremiação rachou o partido.

Ao todo, não muito mais do que 20 dos 53 deputados seguirão o presidente. A maioria se posicionou ao lado do dirigente nacional da sigla, Luciano Bivar (PSL-PE). Para criar o novo partido, Bolsonaro precisará que sejam recolhidas 500 mil assinaturas em nove estados. O prazo é curto. Tem que fazê-lo até março do ano que vem. Caso a sigla seja efetivamente criada, os deputados poderão migrar sem o risco de perderem o mandato.

Sobre uma eventual mudança de sigla, Julian Lemos diz que ela não faria sentido. “Não fui convidado para estar em outra legenda e se fosse convidado não sei se iria, porque eu preciso compreender qual vai ser a regra do jogo neste partido. Por que no começo tudo é muito bom, mas no decorrer do tempo o partido se torna de fato tudo igual. É poder, interesses e comando”, resumiu.

Votações

Julian Lemos diz que a saída de Bolsonaro da sigla não implicará em mudança de sua postura nas votações. Vai votar nos temas que estiverem em consonância com as suas convicções. “O PSL é um partido de cunho liberal e conservador. É o Partido Social Liberal, não do socialismo, mas do social e do liberalismo mesmo. O próprio presidente Bivar já escreveu livro sobre liberalismo econômico. É um homem muito inteligente, totalmente alinhado com as pautas do governo. Pragmaticamente falando é isso”, ressaltou.

Sobre eventuais discussões em relação à eleição presidencial de 2022, a postura do parlamentar é cautelosa. “É muito cedo para falar. A política, tu sabes, é como as nuvens. Agora está de um jeito, amanhã está de outro. A gente não sabe como vai ficar, mas o partido terá vida própria, não tenha dúvidas disso”, disse Lemos, citando frase do político mineiro Magalhães Pinto.

 

 

 

Falando em decepção, Julian Lemos não vai a inauguração com Bolsonaro

Deputado anunciado como coordenador da campanha do presidente no Nordeste se diz ressentido com posturas do presidente

O deputado federal Julian Lemos (PSL) não vai mais para a inauguração do Complexo Aluísio Campos, em Campina Grande. Ele havia anunciado, durante a semana, que estaria ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no evento. Dava sinais, até, de que engoliria os desentendimentos recentes com o prefeito Romero Rodrigues (PSD). Mas mudou de ideia. Em nota sobre a desistência, diz que bate à porta dele o “sentimento da decepção”.

Reprodução

O motivo seria a aproximação do presidente com os deputados do centrão. A referência direta é ao fato de Bolsonaro vir à Paraíba ao lado do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP). “Jamais pensei que um dia viveria para assistir Jair Bolsonaro, exemplo de moralidade, desembarcar, em minha terra, do avião presidencial na companhia de Agnaldo Ribeiro, líder do Centrão (o qual combatemos em campanha), Réu no STF acusado de compor a organização criminosa mais conhecida como ‘Quadrilhão do PP’ e sequer ter pedido um voto para o atual presidente. E ainda mais absurdo manter a mãe do referido deputado no comando da Funasa entre outros órgãos na Paraíba”, disse.

Lemos tem entrado em rota de colisão com figuras proeminentes do círculo bolsonarista desde o ano passado. O primeiro foi o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), que, entre outras coisas, ironizou o deputado por ter dito, durante o período eleitoral, que era o coordenador no Nordeste da campanha do então candidato do PSL à Presidência. O ataque ocorreu mesmo existindo vídeos com o próprio Bolsonaro elogiando a atuação do paraibano na campanha. Mais recentemente, Lemos integrou o grupo de Bivar na briga pelo comando do partido. Mesmo assim, em suas declarações, o parlamentar tem adotado postura respeitosa com o presidente.

A nota divulgada pelo deputado também tem críticas ao prefeito Romero Rodrigues. Confira a nota:

Nota ao meu querido povo conservador da Paraíba.

Ao tempo que bate à minha porta o sentimento da decepção, ao mesmo tempo surge o dever e a coragem para falar o que precisa ser dito doa a quem doer. Não compactuar com certos caminhos e decisões tomadas pelo meu Presidente Jair Bolsonaro posto que jamais pensei que um dia viveria para assistir Jair Bolsonaro, exemplo de moralidade, desembarcar, em minha terra, do avião presidencial na companhia de Agnaldo Ribeiro, líder do Centrão (o qual combatemos em campanha), Réu no STF acusado de compor a organização criminosa mais conhecida como “Quadrilhão do PP” e sequer ter pedido um voto para o atual presidente. E ainda mais absurdo manter a mãe do referido deputado no comando da Funasa entre outros órgãos na Paraíba. São os ideais que se vão e os corruptos que se chegam. Não bastasse isso, também será recepcionado pelo Prefeito Romero Rodrigues, cuja administração está atolada até o pescoço no esquema de corrupção mais conhecido como “Operação Famintos”. Não assistirei de perto a esse fato, não me farei presente a esse “evento” não farei parte dessa hipocrisia política e desse teatro, não foi pra isso que lutei quase 4 anos da minha vida. Vou seguir firme nos meu ideais de mudança da política no Brasil. Sonhava trazer o meu Presidente novamente a minha terra para anunciar as verdadeira (SIC) mudanças que a Paraíba precisa, mas infelizmente não é isto que está acontecendo.

#JulianLemosDeputadoFederaldaParaiba
#OFederaldaSegurancaPublica
#NaoeUmMandatoeUmaMissao
#AvozdaParaiba

 

Não há sentido para a existência de tantos municípios na Paraíba

PEC remetida pelo presidente Jair Bolsonaro propõe anexação de cidades com menos de 5 mil habitantes

Jair Bolsonaro apresentou três PECs no Congresso nesta semana. Foto: Reprodução

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa a incorporação das cidades com menos de 5 mil habitantes por municípios vizinhos tem dado o que falar. O presidente da Federação dos Municípios da Paraíba (Famup), George Coelho (PSB), criticou a proposta. Ela acha que não deveriam ser criados novos, mas os atuais deveriam ser mantidos. O tema é polêmico, mas, convenhamos, não existe espaço para tantos municípios.

No Brasil interio são mais de mil cidades nesta situação. Elas têm menos de 5 mil habitantes e não conseguem arrecadar, com impostos municipais, 10% do que gastam. A Paraíba tem, hoje, 223 municípios. Deles, 67 têm menos de 5 mil habitantes. Nenhum destes, pode-se dizer com segurança, tem arrecadação própria. No final das contas, servem como cartórios para administrar repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O problema é o custo destes “cartórios”.

A menor cidade da Paraíba é Parari, no Sertão. Ela tem 1.786 habitantes. O município tem um prefeito com salário de R$ 13 mil, um vice com R$ 6,5 mil. Os vereadores custam R$ 34 mil todos os meses. São oito com salários de R$ 3,5 mil e um, o presidente, com R$ 6,5 mil. Contando outros cinco funcionários da Câmara e se colocar os secretários municipais, teremos um gasto anual bem próximo de R$ 1 milhão só com salários. Isso sem falar nos outros penduricalhos e atuação de aspones. Não há como custear isso.

A proposta em tramitação no Congresso prevê que estes municípios sejam incorporados por vizinhos maiores, a partir de 2026. Certamente isso não vai acontecer, já que haverá pressão grande sobre deputados federais e senadores. Agora, convenhamos, algo precisa ser feito.

Veja a lista

Catingueira 4 929
Nova Palmeira 4 840
Baraúna 4 831
Caturité 4 807
Monte Horebe 4 789
Congo 4 785
Lagoa 4 679
São José de Espinharas 4 665
Santa Terezinha 4 585
Matinhas 4 516
Riachão do Bacamarte 4 500
São Bentinho 4 492
Riachão do Poço 4 477
São João do Tigre 4 430
São João do Cariri 4 313
Logradouro 4 294
Poço de José de Moura 4 276
Prata 4 141
Caraúbas 4 140
São José do Sabugi 4 134
Mãe d’Água 4 020
Salgadinho 3 919
Olivedos 3 912
São José de Princesa 3 908
Assunção 3 870
Pedra Branca 3 800
Poço Dantas 3 777
Vista Serrana 3 773
Cacimba de Areia 3 729
São José dos Cordeiros 3 723
Duas Estradas 3 610
Santa Inês 3 597
Riachão 3 564
São José do Bonfim 3 526
Sossêgo 3 516
Emas 3 505
São Sebastião do Umbuzeiro 3 466
Gurjão 3 403
Bernardino Batista 3 393
São Francisco 3 371
Cajazeirinhas 3 181
Serra da Raiz 3 141
Serra Grande 3 089
São Domingos 3 087
Tenório 3 035
Ouro Velho 3 033
Frei Martinho 2 990
Mato Grosso 2 889
Várzea 2 779
Lastro 2 749
Joca Claudino 2 685
Carrapateira 2 631
São Domingos do Cariri 2 581
Bom Jesus 2 547
Santo André 2 532
Curral Velho 2 521
Algodão de Jandaíra 2 488
Passagem 2 402
Amparo 2 227
Zabelê 2 225
Areia de Baraúnas 2 140
Riacho de Santo Antônio 1 951
Quixaba 1 929
Coxixola 1 907
São José do Brejo do Cruz 1 791
Parari

Frota divulga vídeo em que Bolsonaro diz a ele: ‘Fecha essa matraca, eu quero continuar transando com você’

Deputado diz que se encontrou causalmente com o presidente na hora do café da manhã

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-RJ) publicou vídeo na manhã desta sexta-feira (1º), nas redes sociais, de um encontro com o presidente Jair Bolsonaro (PSL). No vídeo, o ex-aliado é abraçado pelo gestor, que fala ao ouvido dele. “Fecha essa Matraca puta que pariu eu quero continuar transando com vc disse Bolsonaro (SIC)”, diz o presidente no vídeo divulgado pelo ex-aliado.

O deputado tem endurecido o discurso contra o presidente Jair Bolsonaro e os filhos, mais recentemente. Frota foi eleito de carona na onda bolsonaristas. Mais recentemente, após trocas de farpas, se desfiliou do PSL e se filiou ao PSDB. “Estou postando porque a Bia Kicis disse que não estava no dia e que não tinha visto .Podem conferir ela entre eu e ele ainda prestando atenção na conversa e com um leve sorriso.Está de óculos”, escreveu o parlamentar na postagem.