Bolsonaro ataca João e diz que para ser nordestino falta apenas “crescer um pouquinho a cabeça”

Presidente voltou a negar ataque aos nordestinos ao chamar os gestores da região de “governadores de paraíba”

Bolsonaro critica João Azevêdo durante evento na Bahia. Foto: Divulgação/ABr

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou ao Nordeste pela segunda vez em menos de um mês. O destino foi novamente a Bahia, onde visitou Sobradinho, localizada a 602 quilômetros de Salvador. Lá, ao ser confrontado novamente com a polêmica frase em referência aos “governadores de paraíba”, voltou a assegurar que não tem preconceito com nordestinos. E foi além: afirmou que os governadores do Nordeste querem transformar a região em uma Cuba.

Bolsonaro voltou a apresentar a releitura da própria frase, alegando que quand0 falou dos “paraíbas” fez referência apenas aos governadores do Marnahão, Flávio Dino (PCdoB), e da Paraíba, João Azevêdo (PSB). Em um vídeo postado nas redes sociais do deputado federal Claudio Cajado (PP-BA), gravado durante o evento, Bolsonaro disse que para ser “cabra da peste” só está faltando “crescer um pouquinho a cabeça”. A referência costuma ser usada de forma pejorativa, para dizer que nordestinos têm “cabeça grande” ou “cabeça chata”.

“Não estou aqui com colegas nordestinos para fazer média. […] Mas não existe esta questão de preconceito. Eu tenho preconceito é com governador ladrão que não faz nada para o seu estado”, afirmou o presidente. Bolsonaro voltou a alegar que os governadores escondem que as obras, nos estados, que têm convênio com o governo federal. “Não vou negar nada para o estado. Mas se eles [governadores] quiserem que realmente isso tudo seja atendido, eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro. Caso contrário, eu não vou ter conversa com eles e vou divulgar obras junto às prefeituras”, afirmou.

Bolsonaro ainda afirmou que o Nordeste tem recebido recursos abundantes do governo federal e que não vai admitir que governadores do Maranhão e da Paraíba “façam politicalha perante a minha pessoa”. A declaração ocorre menos de uma semana depois de um levantamento feito pelo Estadão mostrar que a liberação de recursos pela Caixa Econômica para a região caíram de 21% no mesmo período de 2018 para 2,2% neste ano.

Nesta segunda, ele foi à Bahia para inaugurar a primeira etapa da Usina Solar Flutuante, erguida pela Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) em Sobradinho. O projeto foi licitado na gestão de Dilma Rousseff (PT) e foi iniciado durante a gestão de Michel Temer (MDB). Coube a Bolsonaro a conclusão. O projeto foi orçado em R$ 55 milhões. A usina possui 3.792 painéis solares e potência instalada de um megawatt pico.

Bolsonaro anuncia programa para substituir o ‘Mais Médicos’ de Dilma

Programa Médicos pelo Brasil vai pagar salários que vão de R$ 12 mil até R$ 31 mil a profissionais

O presidente Jair Bolsonaro,participam do lançamento do programa Médicos pelo Brasil, no Palácio do Planalto.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, lançaram nesta quinta-feira (1º) o programa Médicos pelo Brasil. A iniciativa vai substituir o Mais Médicos, criado em 2013, no governo de Dilma Rousseff. A promessa é que o número de profissionais atuando no programa seja ampliado em pouco mais de 7,3 mil. A perspectiva é que 55% dos profissionais sejam contratados para atender as regiões Norte e Nordeste.

Os contratos com carteira assinada podem variar entre quatro níveis salariais que variam entre R$ 21 mil e R$ 31 mil, já incluído os acréscimos por desempenho que pode variar entre 11% a 30% do salário- medido pela qualidade de atendimento e satisfação da população – e dificuldades do local. O valor também inclui gratificação (R$ 1 mil/mês) para os médicos que acumularem o cargo de tutor. Além disto, há previsão de progressão salarial a cada três anos de participação no programa.

O Programa Médicos pelo Brasil, lançado hoje (1º) define novos critérios para realocação dos profissionais considerando locais com maior dificuldade de acesso, transporte ou permanência dos servidores, além do quesito de alta vulnerabilidade. A nova proposta ainda prevê formação de médicos especialistas em Medicina da Família e Comunidade.

O principal objetivo do novo programa continua sendo a interiorização de médicos pelo país, especialmente nas regiões mais remotas e desassistidas. “O programa prevê a priorização da prestação de serviços médicos na atenção primária de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente em municípios pequenos e remotos do Brasil, locais de difícil provimento ou alta vulnerabilidade, além de aprimorar o modelo de atendimento médico federal. O programa objetiva também desenvolver e intensificar a formação de profissionais médicos, especialistas em medicina de família e comunidade”, afirmou o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, na entrevista diária concedida ontem (30) a jornalistas.

Uma das principais novidades do Médicos pelo Brasil é a contratação dos profissionais pelo regime de Conslidação das Leis do Trabalho (CLT). Até então, os contratos eram temporários de até três anos. O valor do salário, atualmente em R$ 11,8 mil, também deve aumentar. Estão previstas gratificações de acordo com o local de lotação do médico. A seleção para o programa será feita, segundo o governo, por meio de prova objetiva. O programa também pretende intensificar a formação de profissionais médicos como especialistas em medicina de família e comunidade.

A substituição do Mais Médicos pelo Médicos pelo Brasil deverá ser gradual, respeitando os atuais contratos em vigor. A expectativa é manter as cerca de 18 mil vagas em mais de 4 mil municípios de todo o país.

O governo espera que o novo programa seja mais atrativo na alocação de profissionais médicos em áreas de baixa cobertura de saúde pública. “Eles [Ministério da Saúde] estudaram alguns aspectos que vão favorecer a chamada, a seleção desses novos médicos. Nós estamos bastante esperançosos que isso possa suplantar as dificuldades que nós tínhamos no passado”, acrescentou Rêgo Barros.

Cubanos

A incorporação dos cerca de 1,8 mil médicos cubanos que permaneceram no país, após o fim do acordo com o governo de Cuba, não está prevista no novo programa. “A situação dos médicos cubanos está sendo analisada pelo ministério, buscando alternativas para o seu exercício profissional”, disse o porta-voz do governo.

Portaria publicada essa semana pelos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores regulamentou a residência de cubanos que participaram do programa Mais Médicos no Brasil. A apresentação do requerimento de autorização de residência em território brasileiro deverá ser feita junto à Polícia Federal.

De acordo com a portaria, o imigrante poderá requerer a autorização de residência – que poderá ter prazo indeterminado – no período de 90 dias anteriores à expiração do prazo de 2 anos, previsto para que as autoridades brasileiras concluam o processo de autorização de residência. A autorização de residência implicará na “desistência expressa e voluntária de solicitação de reconhecimento da condição de refugiado”.

Com informações da Agência Brasil

Em João Pessoa, Raquel Dodge evita comentar declarações polêmicas de Bolsonaro

Procuradora-geral é pressionada por partidos a acionar presidente no Supremo Tribunal Federal

Raquel Dodge participou de fórum ao lado de Ricardo Coutinho e João Azevêdo. Foto: Divulgação/MPF

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, evitou nesta quarta-feira (31) comentários sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) a respeito de desaparecidos políticos. Ela veio a João Pessoa, na Paraíba, para participar do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao ser questionada pela imprensa, em relação ao presidente, evitou dar declarações e disse que se centraria em temas relacionados ao evento.

A saída pela tangente, por parte de Dodge, ocorre em meio à pressão de partidos para que ela acione o presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). Na última segunda-feira (29), ao comentar posicionamentos recentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o gestor deu a entender que sabia o paradeiro do pai do presidente da entidade, Felipe Santa Cruz. Fernando Santa Cruz era militante poítico de esquerda e desapareceu após ser preso durante o regime militar.

“Um dia se o presidente da OAB [Felipe Santa Cruz] quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”, disse Bolsonaro. A declaração acabou tendo repercussão internacional. O presidente disse que as conclusões tinham como base a vivência dele e alegou que Fernando Santa Cruz teria sido morto por outros militantes de esquerda.

O presidente da OAB ingressou com uma ação no Supremo nesta quarta-feira (31) para que o presidente esclareça as informações que diz ter a respeito da morte de seu pai. Ele pede que Bolsonaro esclareça se “efetivamente tem conhecimento das circunstâncias, dos locais, dos fatos e dos nomes das pessoas que causaram o desaparecimento forçado e assassinato” de Santa Cruz.

Felipe quer saber se o presidente sabe o nome dos autores do crime e onde está o corpo. O presidente da OAB questiona por qual razão, se Bolsonaro tem tais informações, não denunciou os fatos ou mandou apurar a “conduta criminosa revelada”. O tema, vale ressaltar, ainda não foi abordado por Raquel Dodge. Apesar de não constar na lista tríplice da categoria, a atual PGR poderá ser indicada pelo presidente para permanecer no cargo.

Governo Bolsonaro parece ser episódio de “Black Mirror” feito só para o Brasil

Poderia falar dos duzentos e poucos dias, mas vou me referir apenas a episódios dos dez últimos da gestão bolsonarista

Presidente têm proferido falas incompatíveis com o decoro exigido pelo cargo. Foto: Renato Araújo/ABr

Atenção, atenção norte-americanos, norte-coreanos e venezuelanos. Não adianta procurar. A versão mais recente da festejada série inglesa “Black Mirror” está disponível apenas para brasileiros, com exibição exclusiva para terras tupiniquins. O personagem principal é o presidente Jair Bolsonaro (PSL) que, nos últimos 10 dias, conseguiu proferir declarações que vão da apologia à tortura ao racismo, sem falar da miopia para enxergar massacre de indígenas. A vítima mais recente foi o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, que teve o pai morto durante a Ditadura Militar. Um pouco antes houve ataques a jornalistas, nordestinos…

Os brasileiros, principalmente os nordestinos, ocupam posição privilegiada na trama. Eles são ao mesmo tempo espectadores e personagens (a maioria, hoje em dia, contra a vontade). O presidente da OAB ouviu do presidente da República, o detentor do maior cargo da República, uma atrocidade que atenta contra os direitos humanos. Bolsonaro, ao se incomodar com os questionamentos da OAB sobre Adélio Bispo, abriu o verbo contra o presidente da entidade. Disse que poderia dizer como o pai dele, Fernando Santa Cruz, foi morto durante a Ditadura (que o gestor chama de revolução). Adélio Bispo, vale lembrar, é o suposto esfaqueador do presidente.

A forma descomprometida com a verdade abriu novamente a ferida de um drama familiar de Santa Cruz. O pai desapareceu quando ele tinha apenas dois anos de idade. Fernando Santa Cruz era militante da Ação Popular Marxista-Leninista, dissidência do grupo de esquerda Ação Popular. A Comissão da Verdade revelou que ele foi sequestrado, torturado e morto. Não há registros de que Santa Cruz, efetivamente, tenha participado da luta armada. Quando foi raptado, ele tinha emprego e endereço fixos. Mas Bolsonaro, após a repercussão negativa, disse, sem provas, enquanto cortava o cabelo, que ouviu falar que o militante foi morto por outros militantes de esquerda.

Nordestinos

No dia 19 deste mês, em café da manhã com correspondentes estrangeiros, Bolsonaro disse em conversa reservada com o ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, que “daqueles governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão [Flávio Dino, do PC do B]. Tem que ter nada com esse cara”. Ele não percebeu que os microfones estavam abertos e a conversa vazou para todos os que assistiam à TV Brasil. Resultado: após a polêmica, ele deu um triplo carpado hermenêutico na própria frase. Disse que não se referia aos nordestinos pejorativamente, mas ao governador do Maranhão e ao da Paraíba, João Azevêdo (PSB). Este último entrou de gaiato na história.

Nestes dez últimos dias, a imprensa voltou a ser alvo por publicar matérias que desagradam ao gestor. Sobre a jornalista Mirian Leitão, Bolsonaro disse que ela “estava indo para a guerrilha do Araguaia quando foi presa em Vitória. E depois conta um drama todo, mentiroso, que teria sido torturada, sofreu abuso etc. Mentira. Mentira”. E quais são as evidências que ele dispõe para isso? Nenhuma. Mas nesta segunda-feira (29), ao atacar o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, disse que ele cometeu crime. Gerou constrangimento para o porta-voz do governo, que, em entrevista, não conseguiu explicar qual crime foi cometido. Deu pena.

A retórica sem pé nem cabeça, vale ressaltar, toma conta do governo. A Fundação Nacional do Índio (Funai) tratou como suposta a invasão de uma tribo indígena por garimpeiros nos últimos dias. Um índio da tribo Waiãpi foi morto. As declarações e o ataque ocorrem justamente quando o presidente declara que pretende liberar o garimpo em terras indígenas. A legislação brasileira proíbe a prática. A postura do Planalto foi criticada pela chefe da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos, Michelle Bachellet.

Fome

O presidente é o mesmo que negou a existência de fome no Brasil. Com isso, desconsiderou os mais de 5 milhões de indigentes que não têm condições de fazer três refeições diárias. Ao ver a repercussão negativa, voltou atrás e garantiu acreditar que ainda existe “um pouco” de fome no Brasil. “Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira. Passa-se mal, não come bem. Aí eu concordo. Agora, passar fome, não. Você não vê gente mesmo pobre pelas ruas com físico esquelético como a gente vê em alguns outros países pelo mundo”

Ainda houve questionamento sobre o Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais]. Bolsonaro não gostou dever sair do governo dados que mostram o crescimento do desmatamento. Disse, via imprensa, que quer ver todos os estudos antes de eles serem publicados. Um escândalo. Citei apenas alguns, mas há muito mais coisas para rechear o seriado. Os absurdos são tantos que, claramente, começamos a naturalizar questões graves e inaceitáveis. É pior do que pesadelo, porque na visão onírica, pelo menos, você consegue se acordar.

Lenine diz que governo Bolsonaro é “míope”, mas a “cultura brasileira é sobrevivente”

Cantor e compositor participou da abertura do Festival de Artes Jackson do Pandeiro, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa

Lenine diz que governo tem cometido atrocidades. Foto: Reprodução/Fabebook

O cantor e compositor pernambucano Lenine foi taxativo, nesta quinta-feira (26), ao falar sobre a visão do governo federal sobre a cultura. Para ele, a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) é “míope” e que, por isso, nunca foi tão difícil de se mostrar a produção artística no Brasil. “Aí, isso gera uma invisibilidade geral das coisas”, disse o artista, durante a abertura do Festival de Artes Jackson do Pandeiro, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa. Para ele, nunca se teve “tanta coisa bacana sendo produzida no Brasil”. O comentário segue a linha das críticas de outros artistas, descontes com a política desenvolvida pelo atual governo para a cultura.

“Mas a cultura brasileira, sim, vai muito bem. Ela é híbrida, ela é misturada, ela é sadia, é vira-latas, ela é sobrevivente. E acho que ela continua aí, viva, e tendo um papel fundamental na formação das pessoas. Eu prefiro acreditar nisso. Eu sempre falo nisso. Adoro entreter as pessoas, fazer elas cantarem, dançarem, mas eu espero e prefiro acreditar que elas também pensam e pensem sobre o que eu estou cantando, sobre o que eu estou falando”, disse Lenine. Ele acrescenta que, para ele, a música pode exercer o papel de crônica, reportagem e do jornalismo.

Perguntado sobre como é resistir ao estado de coisas que vem ocorrendo no país, Lenine adotou discurso de resistência. “É surreal isso tudo para mim. Lógico que é um momento que a gente fica desesperançoso, que a gente vê tudo cinza, que a gente é encharcado de uma irrealidade a toda hora, com tantas coisas toscas, bárbaras, que a gente vai ficando narcotizado. Por detrás disso, ele (Bolsonaro) está fazendo atrocidades. Nunca a gente desrespeitou tanto os nossos indígenas, nunca. Nunca a gente abriu para o país tanto agrotóxico e ele está dando isso para a gente. Por que o que ele exporta não tem agrotóxico. É desesperançoso, mas eu continuo fazendo o que faço, informando”, enfatizou.

Uma semana após polêmica com Bolsonaro, João usa versos de Lenine para pregar “paciência”

Governador também se reuniu com prefeitos que levaram à Granja Santana uma série de reivindicações

Reprodução/Instagram

Uma semana depois de ter sido atacado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), o governador João Azevêdo (PSB) usou as redes sociais para “pedir um pouco mais de paciência”. A mensagem foi embalada com os versos da música “Paciência”, cantada por Lenine. O artista pernambucano se apresentou nesta quinta-feira (25) na abertura do Festival de Artes Jackson do Pandeiro, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa. Na sexta-feira da semana passada (19), Bolsonaro disse em conversa reservada com o ministro da Casa Civil, Onix Lonrenzoni, que entre “aqueles governos de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão (Flávio Dino, do PCdoB). No dia seguinte, para remendar, disse ter criticado Azevêdo e Dino.

Durante o show, no Espaço Cultural, houve manifestações políticas. Em coro, em duas oportunidades, o público gritou palavras de ordem e xingou o presidente. O cantor, Lenine, apenas acenou para a platéia, manifestando concordância, mas sem se pronunciar. O governador João Azevêdo, nesta semana, tentou em algumas oportunidades pegar carona na onda anti-Bolsonaro. Depois das manifestações de preconceito e racismo do gestor contra o Nordeste, ele pediu em eventos para ser chamado de “João Paraíba”. O posicionamento do gestor seguiu na linha dos outros governadores da região, que divulgaram nota de repúdio contra o presidente.

Paciência também pode ser aplicada aos prefeitos do PSB. João Azevêdo recebeu nesta quinta 17 prefeitos e 13 líderes políticos na Granja Santana. Na mala, eles apresentaram pedidos de obras. Todos foram levados pelo presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB). Os gestores municipais colocaram na mesa reivindicações e sugestões para o desenvolvimento de ações que possam melhorar a qualidade de vida da população de seus respectivos municípios. “João recebeu todos os prefeitos, que apresentaram suas reivindicações. Dialogou com todos e disse que poderia ser feito e o que irá analisar. Foi uma conversa muito franca e honesta”, declarou o presidente da Assembleia.

Frente Parlamentar em Defesa do Nordeste acusa Bolsonaro de “racismo” e entra com representação na PGR

Para deputados, presidente agiu de forma discriminatória ao se referir a “governadores de paraíba” em conversa com ministro

O presidente Jair Bolsonaro é acusado de agir de forma racista ao falar sobre os governadores do Nordeste. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi alvo de uma representação na Procuradoria-Geral da República. A queixa foi apresentada por representantes da Frente Parlamentar em Defesa do Nordeste. Os parlamentares acusam o mandatário de ter proferido declarações preconceituosas sobre o Nordeste. Para o colegiado, o presidente cometeu crime de racismo em decorrência da procedência nacional, de acordo com a Lei 7.716 de 1989. Caso a Procuradoria-Geral aceite a denúncia, será aberto um processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não podemos aceitar que o preconceito seja naturalizado. Temos que repudiar de forma veemente esse tipo de atitude do presidente”, afirmou o deputado federal Danilo Cabral (PSB), presidente da Frente. Segundo o parlamentar, não se pode aceitar que o Nordeste volte a ser tratado de maneira discriminatória. “Nós já vivenciamos isso em outro tempo, já superamos essa etapa e não vamos mais aceitar esse tipo de conduta”, acrescentou.

Na visão dos parlamentares, Bolsonaro também feriu dois dos objetivos fundamentais da República, dispostos nos incisos II e IV do Artigo 3º da Constituição. Entre estes preceitos eles falam que se deve erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais e o segundo, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

De acordo com Danilo Cabral, não é a primeira vez que o presidente Bolsonaro se refere ao Nordeste de forma preconceituosa e a promover retaliação política à Região. Ele lembra que, em fevereiro, após os governadores do Nordeste encaminharem um documento com as demandas da Região ao Palácio do Planalto, o presidente disse publicamente que eles não deviam procurá-lo, porque tinham feito outra opção política. “Na prática, esta nova declaração não é um fato isolado, está dentro de um conceito que ele tem do Nordeste”, disse o deputado.

Na última sexta-feira (19), momentos antes de iniciar uma entrevista coletiva à imprensa estrangeira, Bolsonaro proferiu a frase “Desses governadores de Paraíba, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada para esse cara”. Esta foi a parte compreensível de um diálogo mantido entre ele e o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Dias depois, o presidente tentou minimizar o fato como novas declarações. “Isso não ameniza, porque não é a primeira vez que o presidente faz isso. A conduta dele é de divisão do povo brasileiro e nós não podemos ser condescendentes com esse tipo de comportamento, não cabe esse tipo de perdão em relação a isso”, afirmou Danilo Cabral.

Além da iniciativa jurídica, Danilo Cabral contou que haverá uma mobilização no Congresso Nacional na primeira quinzena de agosto, quando os parlamentares retornam do recesso. Na próxima segunda-feira (29), os governadores da Região lançam o Consórcio Nordeste, que visa a formação da parceria em projetos econômicos, políticos, infraestrutural e social.

Democracia e liberdade de imprensa andam de mãos dadas sempre

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro têm confundido vitória nas urnas com cartão verde para medidas sem contestação

Fonte: Unifoa

Tenho recebido aulas de jornalismo toda vez que escrevo algo contrário a posturas do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Veja bem, falo de posturas, não de pessoas. Para os teóricos do neojornalismo, jornalista não pode ter opinião. Pelo menos não quando elas são contrárias à visão de mundo muitas vezes distorcida cativada por eles. Alguns argumentos usados para as contestações são desconexos e outros meramente desprovidos de lógica. “Essa imprensa lixo precisa entender que o presidente foi eleito e precisa implantar o seu projeto de governo”, “Esquerdopata, vai pra Cuba ou pra Venezuela”. E por aí vai. Outros argumentos não são, sequer, possíveis de publicação. Todos, no entanto, embutem uma saudade desmedida de alguns dos anos de chumbo, quando jornalista bom era jornalista morto.

A visão destes leitores/eleitores é fruto de aspirações distorcidas do poder. Um poder que não pode ser absoluto nunca. Uma república, para funcionar bem, não pode ser baseada na obediência cega aos ditames do alcaide de plantão. As instituições democráticas pressupõem o sistema de freios e contrapesos que fazem os grupos hegemônicos não sufocarem as minorias. Temos visto, no dia a dia, cortes serem feitos nos orçamentos de saúde e educação. Não há plano claro para a economia. Alguém sabe de algum? Vivemos em um país com mais de 200 milhões de habitantes, sendo 14 milhões deles desempregados. Outros 14 milhões são desalentados (aqueles que já nem procuram emprego de ver tanta porta fechada na cara). E quais medidas estão sendo adotadas para curar essa mazela?

E o que a imprensa tem que fazer nestas horas? Bater palmas para declarações de que o não existe fome no Brasil? Se fizer isso, vai ter que concordar que o governo não precisa destinar um único centavo para combater a indigência. O presidente se refere aos governadores nordestinos como governos de “paraíba”. Não ofende o adjetivo, mas a forma como ele é empregado. Vamos ficar calados? Não quer falar de economia ou de costumes? Vamos falar de corrupção. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, proibiu que os relatórios de inteligência financeira do Coaf  (Conselho de Controle da Atividade Financeira) sejam usados sem autorização judicial. A medida atendeu pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL), aquele ligado ao desaparecido Fabrício Queiroz. É para ficar calado?

Convenhamos, precisamos de maturidade democrática para muitos neste país. Aos críticos do jornalismo, uma dica: vejam os exemplos dos países democráticos.

#200diasdevergonha: Bolsonaro chama governadores nordestinos de “paraíba” e revela perseguição à região

O governador João Azevêdo repudiou virtual discriminação do presidente nos bastidores de reunião com a imprensa estrangeira

Jair Bolsonaro demonstra preconceito típico dos detentores de déficit de inteligência ao se referir aos nordestinos. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) nunca foi bem visto pelo eleitor nordestino, em sua grande maioria. Apesar disso, está obrigado constitucionalmente a respeitar a região. O episódio desta sexta-feira (19), quando se referiu à região de forma jocosa, sinalizando perseguição aos seus governadores, é inadmissível em uma democracia. Sem perceber que os microfones estavam ligados, durante café da manhã com a imprensa estrangeira, ele disse que “daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão; tem que ter nada com esse cara”. A postura preconceituosa e xenofóbica mereceu manifestação pública dos governadores do Nordeste e um silêncio sepulcral e vergonhoso do Palácio do Planalto.

O diálogo não salta aos olhos por causa do uso do termo “paraíba”, que muito orgulha a sua gente. Causa indignação a forma jocosa do emprego, digna dos fascistas que pregavam (e pregam) uma superioridade injustificada. Uma concepção calcada no nanismo intelectual de quem a emprega. A fala do presidente foi durante uma conversa informal com o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) assim que se sentou à mesa para dar início a um café da manhã com jornalistas da imprensa estrangeira no Palácio do Planalto, em Brasília. Ocorreu no mesmo evento em que a miopia do gestor fez ele dizer que não existia fome no Brasil. O que não é de estranhar, vindo de quem disse na campanha eleitoral que não houve escravidão no país que mais tempo demorou para extirpar aquela mazela.

Os governadores do Nordeste reagiram com firmeza ao desrespeito do presidente. Fizeram questão de lembrar o papel institucional das representações estaduais e federais. E não deixaram de repudiar a postura mesquinha e inconsequente do mandatário. “Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia”, disse a nota divulgada no início da noite. O Nordeste foi a região do país onde o presidente recebeu as menores votações proporcionais. Ele perdeu a disputa em todos os estados da região.

Os governadores do Maranhão e da Paraíba também se manifestaram nas redes sociais. João Azevêdo (PSB) disse condenar “qualquer postura que venha ferir os princípios básicos da unidade federativa e as relações institucionais deles decorrentes. A Paraíba e seu povo, assim como o Maranhão e os demais estados brasileiros, existem e precisam da atenção do governo federal independentemente das diferenças políticas existentes. Estaremos, neste sentido, sempre dispostos a manter as bases das relações institucionais junto aos entes federativos, vigilantes à garantia de tudo aquilo a que tem direito”.

O do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), lembrou as garantias constitucionais. “Como conheço a Constituição e as leis do Brasil, irei continuar a dialogar respeitosamente com as autoridades do governo federal e a colaborar administrativamente no que for possível. Eu respeito os princípios da legalidade e impessoalidade (artigo 37 da Constituição)”. A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou que não irá comentar.

Leia a íntegra da carta:

“Carta dos Governadores do Nordeste

19 de Julho de 2019

Nós governadores do Nordeste, em respeito à Constituição e à democracia, sempre buscamos manter produtiva relação institucional com o Governo Federal. Independentemente de normais diferenças políticas, o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população.

Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia.”

Jair Bolsonaro diz que não existe fome no Brasil

Presidente alega que “falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira”

Nas grandes cidades, Ongs coletam alimentos para distribuir com pessoas que passam fome. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Eu gostaria muito de morar no Brasil descrito pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Em café da manhã com correspondentes internacionais, nesta sexta-feira (19), ele disse que não existia fome no Brasil. “Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira. Passa-se mal, não come bem. Aí eu concordo. Agora, passar fome, não”, ressaltou em resposta a pergunta de um repórter do jornal El País. “Você não vê gente mesmo pobre pelas ruas com físico esquelético como a gente vê em alguns outros países pelo mundo”, disse o presidente, sem citar nominalmente as nações que mencionou na declaração.

O Brasil tinha saído do Mapa Mundial da Fome, em 2014. Isso quer dizer que menos de 5 milhões de pessoas não tinham o mínimo para se alimentar naquela época. Este índice, no entanto, foi alterado nos últimos anos, por causa da crise econômica que produziu seus efeitos mais danosos a partir de 2015. O quadro de redução dos efeitos da fome no país foi amenizado com a criação de programas governamentais de distribuição de renda. Eles foram implantados a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995 e 2002, e foram intensificados durante as gestões petistas (Lula e Dilma).

Para o presidente, que não reconhece a existência da fome no país, os Poderes Executivo e Legislativo podem “é facilitar a vida do empreendedor, de quem quer produzir, e não fazer esse discurso voltado para a massa, porque o voto tem o mesmo peso”. Bolsonaro também criticou a prática de distribuição de bolsas como forma de “distribuir riqueza” e disse que é o conhecimento que tira o homem da miséria.”A educação aqui no Brasil nos últimos 30 anos nunca esteve tão ruim”, disse.