Bolsonaro programa primeira viagem ao Nordeste após a posse e reúne governadores

Presidente vai aproveitar o encontro para apresentar o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE) para os governadores

O presidente Jair Bolsonaro participa de encontro com os governadores do Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) estará no Nordeste na próxima sexta-feira (24). Ele vai reunir os governadores da região, além dos mandatários de Minas Gerais e Espírito Santo, para anunciar o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), elaborado no âmbito da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). É a primeira vez que capitão reforma do Exército aporta na região onde ostenta os piores índices de avaliação no Brasil, com mais de 40% dos nordestinos classificando a gestão dele como ruim ou péssima. A reunião vai acontecer no Instituto Ricardo Brennand, no Recife, com a presença de pelo menos 11 governadores. O da Paraíba, João Azevêdo (PSB), ainda não confirmou presença, mas deve ir ao encontro.

A demora para que o presidente viesse ao Nordeste fez com que muitas lideranças políticas reclamasse do “esquecimento” do gestor, lembrando sempre que ele já foi a cinco países, mas não à região. Ele inicia a agenda, na próxima sexta, por Petrolina (PE), onde vai entregar um conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. No Recife (PE), deverá anunciar um acréscimo de R$ 2,1 bilhões ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, a ser usado em obras de infraestrutura. Ao todo, o fundo passará a ter R$ 25,8 bilhões em 2019. São esperados os governadores de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Minas Gerais e Espírito Santo. Parlamentares nordestinos, que cobravam a ida do presidente à região, também estão sendo convidados.

Na primeira entrevista após assumir o cargo, Bolsonaro disse que os governadores nordestinos não deveriam pedir dinheiro a ele. “Não venham pedir nada para mim, porque não sou presidente. O presidente está lá em Curitiba”, disse ele, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato. Bolsonaro, porém, argumentou que não abriria uma guerra política para não prejudicar os eleitores. “Não posso fazer uma guerra com governador do Nordeste atrapalhando a população. O homem mais sofrido do Brasil está na Região Nordeste. Vamos mergulhar para resolver muitos problemas do Nordeste.” A viagem de Bolsonaro foi precedida de encontros com esses governadores. Em uma reunião em Brasília, ministros palacianos apelaram por mais apoio à reforma da Previdência.

O Abril Indígena, o governo e os ataques aos povos originários

Por Kelly Oliveira*

No mês em que se comemora o Dia do índio, não param de bombar nas redes sociais e noticiários os embates entre integrantes do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e lideranças de diversos povos indígenas no país. O embate, que começou no começo do ano, está tendo episódios cada vez mais intensos e com perspectiva de piora a cada dia. A mais recente celeuma aconteceu hoje, quando a coordenadora da APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, teve que desmentir a informação dada pelo presidente de que os indígenas são financiados por dinheiro público para o ATL – Acampamento Terra Livre, realizado a 15 anos, que representa a maior assembleia indígena do Brasil.

Segundo Sônia Guajajara, que além de liderança indígena foi candidata a vice-presidente pelo PSOL, “nunca o ATL recebeu um centavo de recursos públicos para fazer essa mobilização. É uma iniciativa dos próprios parentes [indígenas], que se organizam o ano inteiro para chegar a Brasília”. A entrevista foi dada à Folha de São Paulo nessa sexta-feira.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil 

A declaração vem rebater mais uma live de Jair Bolsonaro no Facebook, feita na quinta-feira. Nela o presidente diz que “vai ter um encontrão de índios agora, semana que vem. Tá sendo previsto (sic) 10 mil índios aqui em Brasília. E quem vai pagar a conta dos 10 mil índios que vêm pra cá? É você. Queremos o melhor para o índio Brasileiro, que é tão ser humano quanto qualquer um de nós que está na sua frente aqui. Mas essa farra vai deixar de existir em nosso governo”.

Sônia Guajajara argumentou que estão sendo arrecadados recursos através de doações em “vaquinhas” virtuais, que vêm de pessoas físicas e organizações da sociedade civil. São três modalidades de doações, sendo uma para doações nacionais, outra para internacionais e uma terceira para doação de milhas de avião. Também estão sendo arrecadados alimentos para os povos.

Na Paraíba, indígenas Potiguara e Tabajara estão empenhados na campanha, solicitando a doação de alimentos e recursos para o ATL. O evento vai acontecer de 24 a 26 de abril, e a expectativa é que nesta assembleia os povos indígenas possam dialogar sobre formas de ação na garantia dos direitos étnicos, que vêm tendo uma regressão grande nos primeiros 100 dias do novo Governo.

O Acampamento Terra Livre, que todos os anos se estabelecia nos jardins dos ministérios, teve no ano passado a sua edição mais violenta, com embate direto com policiais que dispararam balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio contra os participantes. Imagem bem diferente dos anos anteriores, quando as lideranças passavam dias discutindo propostas no acampamento e depois eram recebidos na Câmara Federal, Senado e até mesmo se reuniam com os presidentes para discutir questões relacionadas às comunidades.

RETROCESSOS EM DIREITOS SOCIAIS

Desde o início do ano, não param de pipocar problemas em relação a direitos étnicos no país. Através de um discurso assistencialista, ministros e o próprio presidente Bolsonaro tratam a questão indígena em monólogo, impossibilitando os povos indígenas de participarem de decisões que os afetam diretamente.

Entre os grandes embates deste ano esteve o desmonte da SESAI – Secretaria de Saúde Indígena, que garante um atendimento voltado à valorização das especificidades e conhecimento tradicional dos indígenas, aliando medicina tradicional e convencional. O fim da SESAI chegou a ser anunciado pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que pretendia municipalizar o atendimento. Ele recuou da decisão após pressão de indígenas de todo o país.

Outro retrocesso, também implementado ontem, foi a assinatura de dois decretos de desburocratização que, na prática, extinguem diversos conselhos federais, entre eles o CNPI – Conselho Nacional de Política Indigenista, que reunia representantes de diversos ministérios de governo de um lado e lideranças indígenas de todo o país de outro, discutindo políticas específicas e os impactos destas para as comunidades étnicas.

Soma-se a esses atos as declarações do presidente Bolsonaro, de que pretende rever demarcações de terras indígenas e flexibilizar a exploração dos territórios para grandes mineradoras e madeireiras. Voltados para uma ação civilizatória que desconsidera os diversos modos de vida das comunidades indígenas, o Governo Federal veste a fantasia dos primeiros missionários jesuítas, tentando integrar a fina força os indígenas a um mundo voltado ao capital, mesmo que essas comunidades não queiram.

Um exemplo desse embate de visões de mundo no novo Governo aconteceu também ontem, durante audiência pública sobre saúde indígena na Comissão de Direitos Humanos e Legislação. Nela a senadora Soraia Thronicke (PSL/MS) disferiu discurso controverso sobre questões indígenas, com muitas opiniões e poucos fatos concretos que as sustentassem, quando foi energeticamente corrigida por Sônia Guajajara. A discussão, transmitida pela TV Senado, viralizou, e está sendo apresentada nas redes sociais como mais uma mostra dos problemas que vêm sendo enfrentados hoje pelos povos indígenas no país.

 

 

PARAÍBA INDÍGENA

Neste mês de abril, para além do ATL, eventos estão sendo realizados em todo o país para discutir questões étnicas e tentar desmistificar a ideia de índio da época do descobrimento. Em João Pessoa, neste sábado e domingo (13 e 14 de abril), índios Potiguara (PB), Tabajara (PB) e Kariri-Xokó (AL) vão realizar o evento Paraíba Indígena, que visa apresentar mais da cultura desses povos para os paraibanos. O encontro acontece na Fundação Casa de José Américo, de 14 às 19hs e vai reunir gastronomia, dança, pintura, fotografias, vídeos e rodas de diálogo sobre os grupos. O evento, gratuito, é promovido pela Universidade Federal da Paraíba e Governo do Estado.

*Kelly Oliveira é antropóloga e professora da UFPB

“Briga de ideologia não vai colocar comida na mesa do povo brasileiro”, diz Aguinaldo

Líder da maioria na Câmara diz que “Nova Política”, citada por Bolsonaro, só serviu para a eleição

Aguinaldo Ribeiro foi ministro das Cidades na gestão de Dilma e líder do governo de Michel Temer. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil

Líder da maioria na Câmara dos Deputados, o deputado federal paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP) criticou, em entrevista à Folha de São Paulo, nesta segunda-feira (1º), os efeitos do viés ideológico no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Ele comanda um bloco com 15 partidos e impressionantes 300 votos na Casa. Na conversa, ele falou da necessidade de o presidente dialogar. O motivo? Ele explica: “A gente tem um desafio pela frente. Não vai ser ideologia de direita ou de esquerda que vai resolver o problema do país. Até porque ideologia ou briga de ideologia não vai resolver o problema, não vai colocar comida na mesa do povo brasileiro”, disse.

Aguinaldo critica o debate sobre nova política. Para ele, o debate cumpriu o papel dele na disputa eleitoral. “É uma retórica que já cumpriu o seu papel, naquele momento de insatisfação da população brasileira, por esse ambiente que se criou de criminalização da política. De fato, nós tivemos muitas coisas que contribuíram para isso, por equívocos da própria política. Não existe democracia forte sem partidos. Se há equívocos, tem de corrigir. Não existe nova e velha política. O que a gente vê hoje no país é um movimento de muito ódio disseminado. Precisa ter a reconciliação nacional. A eleição terminou”, enfatizou.

O líder da maioria elevou o debate ao falar a respeito das críticas às nomeações por indicação política. “Houve uma linguagem muito pejorativa, por exemplo, do toma-lá-dá-cá, confundindo o papel do parlamentar em um regime de concentração de recursos em Brasília. Quem é o parlamentar que quer estar aqui brigando pela liberação de dinheiro para o seu estado? Não há que se criminalizar o que não tem crime. É uma prerrogativa do parlamentar brigar por recursos. Não houve manifestação nesse sentido [de cargos] em nenhuma reunião”, ressaltou durante a entrevista.

Aguinaldo Ribeiro foi ministro das Cidades, no governo de Dilma Rousseff (PT), e líder do governo na gestão de Michel Temer (MDB).

Ricardo, Haddad, Boulos, Dino e Sônia se reúnem para discutir oposição a Bolsonaro

Políticos de partidos de esquerda organizam discurso para fazer frente ao governo de Jair Bolsonaro

Ricardo Coutinho (D) participa em Brasília de reunião com Fernando Haddad, Guilherme Boulos, Sônia Guajajara e Flávio Dino. Foto: Divulgação

Partidos com orientação de esquerda, no país, deram início nesta terça-feira (26) às discussões sobre uma oposição mais sistemática ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). O encontro contou com representação de pelo menos três partidos: PT, PSB e PCdoB. Da reunião resultou uma carta com críticas à Reforma da Previdência, à postura entreguista do capitão reformado do Exército em relação aos Estados Unidos e ainda à comemoração do golpe militar nos quartéis, no dia 31 de março. Estiveram presentes o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), os ex-presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e a ex-vice na chapa encabeçada por Boulos no ano passado, Sônia Guajajara (PCdoB).

O encontro foi articulado por Boulos e Haddad após a avaliação de que a falta de unidade dos partidos de esquerda tem sido um empecilho para que a oposição consiga ocupar mais espaço em à crise política no governo. “Diálogos democráticos visando derrotar o retrocesso social, ampliar a unidade em torno da Democracia e avançar com um projeto nacional”, disse Ricardo Coutinho em uma rede social.

Confira a nota à imprensa

“Reunidos nesta manhã (26 de março) em Brasília, realizamos um debate sobre o atual momento nacional, especialmente considerando o rápido e profundo desgaste do Governo Bolsonaro. Destacamos alguns pontos para reflexão de toda a sociedade:

1. Estamos atentos e mobilizados para evitar agudos retrocessos sociais, trazidos por esse projeto de Reforma da Previdência, centrado no regime de capitalização e no corte de direitos dos mais pobres.

2. Do mesmo modo, convidamos para a defesa da soberania nacional. Consideramos que por trás do suposto discurso patriótico do atual governo há, na prática, atitudes marcadamente antinacionais, como vimos na recente visita presidencial aos Estados Unidos.

3. Em face da absurda decisão do Governo Bolsonaro de “comemorar” o Golpe Militar de 1964, no próximo dia 31 de março, manifestamos nossa solidariedade aos torturados e às famílias dos desaparecidos. Sublinhamos a centralidade da questão democrática, que se manifesta na defesa do Estado de Direito, das garantias fundamentais e no repúdio a atos de violência contra populações pobres e exploradas, a exemplo das periferias, dos negros e dos índios. Não aceitamos a criminalização dos movimentos sociais, uma vez que eles são essenciais para uma vivência autenticamente democrática.

Nesse contexto, é urgente assegurar ao ex-presidente Lula seus direitos previstos em lei e tratamento isonômico, não se justificando a manutenção de sua prisão sem condenação transitada em julgado.

Por fim, essa reunião expressa o desejo de ampla unidade do campo democrático para resistir aos retrocessos e oferecer propostas progressistas para o Brasil.

Fernando Haddad

Ex-candidato a presidente da República

Guilherme Boulos

Ex-candidato a presidente da República

Flávio Dino

Governador do Maranhão

Sonia Guajajajra

Ex-candidata a vice-presidente da República

Ricardo Coutinho

Ex-governador da Paraíba”

 

 

Bolsonaro determina comemoração do golpe militar de 64 nos quartéis

Tomada de poder pelos militares completa 55 anos no dia 31 de março. Comemoração chegou a ser proibida nos governos de Dilma Rousseff

O presidente Jair Bolsonaro viaja no fim de semana para Israel e não participará das comemorações nos quartéis. Foto: Divulgação

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), determinou que o golpe militar de 1964 seja comemorado nos quartéis no próximo domingo (31). A determinação foi repassada às Forças Armadas e confirmada pelo porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, em declaração à imprensa. O capitão reformado do Exército é o primeiro militar a chegar à Presidência da República desde a redemocratização, em 1985. A tomada do poder pelos militares completa 55 anos neste ano e inaugurou um período de quase 21 anos de ditadura comandada pelas Forças Armadas.  O período, no entanto, não é encarado como um regime de exceção pelo presidente da República, de acordo com Rêgo Barros.

“O presidente não considera o 31 de março de 1964 golpe militar. Ele considera que a sociedade, reunida e percebendo o perigo que o país estava vivenciando naquele momento, juntaram-se civis e militares, e nós conseguimos recuperar e recolocar o nosso país num rumo que, salvo melhor juízo, se tudo isso não tivesse ocorrido hoje nós estaríamos tendo algum tipo de governo aqui que não seria bom para ninguém”, disse o porta-voz, que também é general. Não há a previsão de que haverá alguma celebração do Palácio do Planalto, nem de que o presidente participará de algum ato. No aniversário da data, Bolsonaro estará em Israel. Ele embarca para visita oficial ao país do Oriente Médio no próximo sábado.

Os anos de ditadura militar foram marcados pelo fechamento do Congresso Nacional, cassação de direitos políticos, perseguição e tortura de adversários políticos, além de censura à imprensa. De acordo com Rêgo Barros, Bolsonaro determinou que o Ministério da Defesa faça “as comemorações devidas”, incluindo a ordem do dia, que é uma mensagem comemorativa das Forças Armadas. O texto já foi aprovado pelo presidente. Segundo o porta-voz, a celebração deverá seguir aquilo que “os comandantes acharem dentro do contexto de suas respectivas guarnições”. Na última quinta, no Chile, Bolsonaro falou sobre sua visão acerca da ditadura de 1964. Na ocasião, ele reverenciou o ditador Augusto Pinochet, que comandou o país de 1973 a 1990, em anos marcados por violência com a morte de mais de 3 mil pessoas.

“Falo sobre um regime militar que foi muito parecido no Brasil, inclusive dizendo que quem cassou João Goulart não foram os militares, foi o Congresso — disse o presidente. Nós (militares) chegamos a uma conclusão e pacificamos. Não podemos dar voz à esquerda que sempre tem um lado para dizer que aquele lado estava certo e não o outro”, disse Bolsonaro. Os militares ficaram 21 anos no poder. Deixaram o Palácio do Planalto em em 1985, com a posse do ex-presidente José Sarney, vice de Tancredo Neves — que foi eleito ainda pelo voto indireto, mas morreu antes de receber a faixa.

O gople militar de 64 sempre foi comemorado pelas Forças Armadas. Apenas durante os governos da ex-presidente Dilma Rousseff houve orientação para que os comandantes não celebrassem a data.

Após polêmica, Câmara de João Pessoa aprova título de cidadão para Bolsonaro

Honraria foi apresentada pelo vereador Carlão da Consolação (PSDC)

O presidente Jair Bolsonaro foi alvo de críticas de adversários políticos durante sessão na Câmara da capital. Foto: Divulgação

Por Jhonathan Oliveira, do jornaldaparaiba.com.br

Em uma sessão repleta de discussões e polêmicas entre os vereadores, a Câmara Municipal de João Pessoa aprovou, nesta quarta-feira, o título de cidadão pessoense para o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). A proposta passou com 12 votos favoráveis, três contrários e duas abstenções.

A proposta do título de cidadania estava tramitando na Casa Napoleão Laureano desde 2018. De autoria do vereador Carlão da Consolação (PSDC), que faz parte da bancada religiosa, a matéria foi protocolada quando Bolsonaro ainda era deputado federal e chegou a entrar na pauta da votação em setembro do ano passado, mas foi retirada de pauta por conta do período eleitoral.

Nesta quarta-feira, desde o começo da sessão os ânimos estavam exaltados entre os defensores do projeto e os contrários. Primeira a usar a tribuna, a vereadora Sandra Marrocos (PSB) se vestiu com a camisa com a arte ‘Ele Não’, que se popularizou no pleito de 2018, para pedir que a iniciativa fosse barrada. A socialista disse que o presidente não mereceria o título por ser “machista, racista, e homofóbico”. A vereadora também falou sobre a extinção do programa Mais Médicos, que segundo ela, vai deixar a capital paraibana com quase 50 médicos a menos e também criticou a Reforma da Previdência proposta pelo presidente.

O vereador Carlão, autor da homenagem, disse que quando apresentou o projeto fundamentou em razão dos “conceitos e valores” que Bolsonaro trouxe para a política,quando ainda era deputado. O regimento da Câmara diz que para receber o título o homenageado precisa ter prestado ‘relevantes serviços’ ao município ou ao estado. Carlão tentou justificar quais seriam esses serviços de Bolsonaro.

“Esse homem fez ações importantes, liberou 50 milhões de dólares para o nosso estado, valor que será usado pela agricultura familiar. É um homem que vem lutando contra a corrupção. Com as privatizações dos aeroportos, o Castro Pinto vai ter outra roupagem e isso vai aumentar o nosso turismo”, afirmou Carlão.Vale ressaltar que os 50 milhões de dólares citados por ele são na verdade um empréstimo feito pelo governo do estado junto ao Banco Mundial.

Outra que se colocou contra o projeto, como se era esperado, foi o petista Marcos Henriques. “O que o Bolsonaro está faazendo com o nosso país? Está enfraquecendo a classe trabalhadora”. Em um momento o vereador chamou o presidente de “capacho americano” e de “miliciano”. Henriques chegou a cobrar que o projeto só poderia ser aprovado se tivesse dois terços dos votos favoráveis.Em reposta a Marcos, a vereadora Eliza Virgínia (PP) disse que a regra seria de dois terços dos presentes e ressaltou que esse quórum nunca tinha sido cobrado em votações deste tipo. “Quem não concordar que vá para Justiça”, afirmou após a votação.

Após críticas, Bolsonaro bate-boca com artistas e causa revolta ao divulgar cena escatológica

Foliões nas ruas e escolas de samba fizeram críticas aos políticos e Bolsonaro foi o principal alvo dos ataques

Bode faz o papel de salvador da pátria, na Paraíso do Tuiuti. Foto: Reprodução/TVGlobo

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi a figura central no carnaval deste ano. Depois de ser aprovado pelas urnas, nas eleições do ano passado, o capitão reformado do Exército viu sua popularidade ser posta à prova pelos foliões. Nunca, na história do Brasil, um presidente foi alvo de tantas ofensas pessoais durante os festejos de Momo. Nem Michel Temer (MDB). Do sábado (2) a esta terça-feira (5), os gritos de guerra, em forma de música, contra o presidente foram ouvidos em todos os cantos do país. Como resposta, o gestor atacou artistas como Caetano Veloso e Daniella Mercury e até postou vídeo pornográfico no perfil dele, no Twitter, como forma de crítica ao Carnaval. Um equívoco sem tamanho.

 

Reprodução/Twitter

Nas escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, o tom político mais acentuado foi visto no desfile da Paraíso do Tuiuti. A vice-campeã do ano passado homenageou o Ceará. Ela contou a história do bode Ioiô, que se popularizou em Fortaleza no início do século passado. O animal pertencia a um retirante e foi eleito vereador, porém, não tomou posse. No enredo da escola de samba, ele foi apresentado como o salvador da pátria. Membros da escola revelaram, antes do desfile, uma relação entre o bode e outro retirante: o ex-presidente Lula, preso em Curitiba. Houve ainda uma ala com embate entre coxinhas com armas em punho e bodes com o punho da resistência.

Em São Paulo, a Gaviões da Fiel ganhou a antipatia da bancada evangélica no Congresso. Tudo por que em certo momento, apareceu uma briga entre Jesus Cristo e o Demônio. A reclamação é que na disputa o capeta leva a melhor. A escola, após a repercussão negativa, postou imagens mostrando que em outros momentos, o Messias sai vencedor da contenda. Houve também protestos em escolas de samba por causa da demora para que se apure quem matou a vereadora do Rio, Marielle Franco. O crime aconteceu no ano passado.

De blocos nas ruas de São Paulo saiu também uma paródia que chamava o presidente de miliano. A letra diz “Doutor, eu não me engano, Bolsonaro é miliciano”. Em Minas Gerais, um oficial da Polícia Militar tentou impedir que um bloco fizesse críticas ao presidente Jair Bolsonaro e homenagens ao ex-presidente Lula (PT). Foi preciso que os ministérios públicos estadual e federal expedissem recomendação para que a PM recuasse das proibições, tratadas como afrontas à liberdade de expressão. Em Pernambuco, os bonecos gigantes de Bolsonaro e da primeira-dama, Michelle, foram hostilizados em Olinda e desfilaram no Recife com segurança de 14 policiais militares.

A festa acabou na maioria das cidades brasileiras, mas a crítica política tende a continuar…

Hits do Carnaval têm crítica pesada à política e ao presidente

Músicas falam de corrupção e viralizam nas redes sociais com críticas específicas às lideranças políticas

Não tem sido fácil ser político no Brasil no período carnavalesco. Não é fácil, sobretudo, ser presidente da república. Que o diga Jair Bolsonaro (PSL), que virou a coqueluche do momento nos blocos e nas marchinhas. As hashtags das redes sociais, com conteúdo grosseiro, foram transformadas em letras e embalaram a festa em Salvador (BA), Olinda e Recife (PE), Belo Horizone (MG), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). As mais tocadas foram #eibolsonarovaitomarnocu, #aiaiaibolsonaroeocarai e #bolsonaroemiliciano. Não faltaram críticas à falta de dinheiro em escolas de samba e também, lógico, críticas à esquerda. Qualquer semelhança com #foratemer de anos anteriores é mera coincidência.

A história do Brasil sempre foi rica na crítica política. Ela já foi mais “comportada”, como quando as máscaras de políticos eram usadas largamente nas folias de Momo. As marchinhas e os gritos de guerra não eram tão acintosos até o ano passado. O último presidente, Michel Temer (MDB), ouviu de canto a canto do país, em 2017 e 2018, os gritos ritmados de #foraTemer. Antes dele, em 1994, o então presidente Itamar Franco (já falecido) quase se tornou alvo de impeachment por ter posado para foto ao lado da modelo Lilian Ramos. O detalhe: ela estava sem calcinha. A cena foi clicada pelo fotógrafo Marcelo Carnaval. O caso ocorreu no Sambódromo, no Rio.

Por opção, o blog não vai divulgar os hits mais desrespeitosos em relação ao presidente. Entre as marchinhas, a mais bem-humorada foi a que fez uma paródia da música da série “A Grande Família”, da Rede Globo. Nela, o cantor simula a voz do presidente.

Confira:

 

Para quem prefere a crítica às esquerdas, uma marchinha traz sinalização trocada. A letra pressupõe, no início, uma postura hostil ao PT e simpática a Bolsonaro. Mas que tomar o cuidado de ouvi-la toda vai encontrar críticas à liberação da posse de armas, à mistura de religião com política e ainda ao laranjal do PSL. Segue a lógica de que, fora do poder, a mira tem errado os petistas.

 

A Grande Rio trouxe como Samba Enredo críticas à falta de dinheiro, principalmente para o Carnaval.

Da lista dos hits mais críticos ao presidente, segue o menos pesado. Imagine os outros:

Solidariedade em meio ao luto não deveria esbarrar em barreira ideológica

Adversários, ex-aliados e amigos se solidarizaram com Lula, mas Bolsonaro silenciou e o filho proferiu ataques

A lamentável morte do neto do ex-presidente Lula, enterrado no sábado (2), provocou muita tristeza entre aliados e apoiadores. Das mais inesperadas fontes vieram mensagens de apoio e solidariedade. De outras, no entanto, apenas o silêncio e a dureza de palavras insensíveis. É o caso do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Apesar de muito ativo nas redes sociais, ele nada disse sobre a questão. O filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), soltou cobras e lagartos em relação ao luto do adversário. Uma prova de falta de grandeza de quem chega ao poder. Ele criticou a saída do ex-presidente para acompanhar o velório do neto de 7 anos, morto na sexta-feira (1).

As manifestações de solidariedade vieram de todos os lados. A senadora Daniella Ribeiro (PP) integra um partido que foi base aliada de Lula durante o governo dele. Hoje a sigla faz parte da base aliada de Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, ela publicou foto Ricardo Stuckert na qual o ex-presidente é abraçado por aliados e familiares. “Quando a dor do outro não nos comove, não mobiliza na gente solidariedade e empatia, precisamos refletir sobre a nossa humanidade. Ao ex-presidente @lulaoficial e a toda a sua família, meus sinceros e mais profundos sentimentos ph: @ricardostuckert”, disse em postagem nas redes sociais.

Houve mensagem também do senador José Serra (PSDB-SP), tradicional adversário do ex-presidente. Ele manifestou apoio à família por causa do luto após a morte do neto de Lula. Serra foi derrotado pelo petista nas eleições de 2002 e por Dilma Rousseff em 2010. Toda a militância política dele foi em trincheira oposta à do ex-presidente. Algo parecido ocorre com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Ele era identificado por petista como um adversário no Judiciário. Gilmar ligou para Lula enquanto ele estava no velório e manifestou solidariedade. Ambos choraram bastante, segundo o relato de quem esteve presente no velório.

Da família do presidente Jair Bolsonaro, o único a se manifestar foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ele fez duras críticas ao ex-presidente e ao fato de ele ter conseguido autorização para acompanhar o velório do neto. As posições geraram repercussões variadas nas redes sociais. De um lado, as críticas de petistas e admiradores de Lula ao ato. Do outro, os defensores da família Bolsonaro apoiando as posições expressadas.

A pausa nas guerras para que os adversários enterrem os mortos é milenar. Os gregos e os troianos faziam isso com frequência. Ao que parece, doses diárias de “semancol” viria bem a calhar neste momento para muitas pessoas.

 

Nomeação de Benjamin Maranhão descontenta aliado de Bolsonaro na Paraíba

Ex-deputado vai comandar uma das diretorias ligadas ao Ministério da Cidadania

A sinalização do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na direção das nomeações políticas tem descontentado aliados. A promessa de abrir vagas no terceiro e quarto escalões ocorre na tentativa de atrair votos no Congresso. Da Paraíba, a nomeação mais recente foi a do ex-deputado federal Benjamin Maranhão (MDB). Ele foi anunciado para ocupar o cargo de diretor do Departamento de Fomento à Inclusão Social e Produtiva Rural da Secretaria Nacional de Inclusão Social e Produtiva Rural da Secretaria Especial do Desenvolvimento Social do Ministério da Cidadania.

Reprodução

Benjamin é sobrinho do senador José Maranhão (MDB). Nas eleições de 2018, ele tentou a reeleição para a Câmara dos Deputados, mas ficou de fora. Ele obteve 45.599 (2,23% dos votos válidos) e ficou como 1º suplente da chapa MDB-PR-Patriotas, que elegeu apenas o deputado Wellington Roberto (PR). A nomeação do emedebista descontentou o deputado federal Julian Lemos, do PSL. O parlamentar chamou a indicação de esdrúxula e disse não ter tido qualquer influência na escolha.

A portaria de nomeação, assinada pelo ministro Onyx Lorenzoni, foi publicada no Diário Oficial de quinta-feira (21). Veja o que disse Julian Lemos em uma rede social:

Bom dia a todos.
Desde ontem muitas pessoas, sobretudo meus eleitores tem me perguntando se tenho alguma participação na indicação do ex Deputado Federal Benjamim Maranhão, afirmo…Não tenho ! Não fiz alianças antes da campanha para esse tipo acordo pós campanha.
Acho que, quem de fato sabe da minha postura sabe que não concordo com esse modelo de indicação, não precisa me conhecer muito para saber que de modo algum faria uma indicação esdrúxula dessas para cargo tão importante, acho que não preciso explicar os fatos.