TCU proíbe governo Bolsonaro de anunciar em sites e canais que promovem atividades ilegais

Decisão do ministro Vital do Rêgo impede que dinheiro público irrigue sites que propagam ódio através de fake news

Ministro Vital do Rêgo apontou irregularidades nos anúncios. (Arquivo/Agência Brasil)

O governo de Jair Bolsonaro (sem partido) não poderá mais bancar anúncios em sites ou canais que promovam atividades ilegais ou cujo conteúdo não tenha relação com o público-alvo de suas campanhas. A decisão é do ministro Vital do Rêgo Filho, do Tribunal de Contas da União (TCU). A decisão, proferida pelo paraibano, vale para o governo federal e precisa servir de exemplo também para governos estaduais e prefeituras.

A decisão segue a linha do movimento Sleeping Giants, nascido há quatro anos nos Estados Unidos. O grupo apartidário visa estimular governos e grandes empresas a não financiarem sites e canais que propagam o ódio, a desinformação e até bandeiras supremacistas. No Brasil, não são poucos os casos de financiamento de plataformas que divulgam fake news e pornografia, por exemplo.

A decisão de Vital do Rêgo é de caráter cautelar (preventivo). Ela foi tomada após veículos tradicionais revelarem que a verba oficial da propaganda da reforma da Previdência irrigou sites e canais na internet de jogo do bicho, em russo e infantis. As informações constam de planilhas da antiga Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), agora abrigada no recriado Ministério das Comunicações.

A Comissão Parlamentar Mista (CPMI) criada pelo Congresso para investigar as fake news também revelou casos alarmantes de irrigação, pelo governo federal, de sites que propagavam a desinformação. Muitos deles destinados ao ataque a adversários do governo. A Secom, então comandada pelo secretário Fabio Wajngarten, contratou agências de publicidade que compravam espaços por meio do GoogleAdsense para veicular anúncios em páginas de internet, canais do YouTube e aplicativos para celular.

Por esse sistema, o anunciante escolhe que público quer atingir, em que tipos veículos não quer que sua campanha apareça e quais palavras-chave devem ser vetadas. Então, o Google distribui a propaganda para quem cumpre os critérios estabelecidos pelo cliente.

Segundo as planilhas da Secom, dos 20 canais de YouTube que mais veicularam impressões (anúncios) da campanha da Nova Previdência no período reportado (6 de junho a 13 de julho de 2019 e 11 a 21 de agosto de 2019), 14 são primordialmente destinados ao público infantojuvenil, como o Turma da Mônica e o Planeta Gêmeas.

”Gabinete do ódio”: Facebook deleta 73 perfis bolsonaristas e paraibano é citado entre os autores

Tércio Arnaud pertencia ao gabinete de Carlos Bolsonaro e se tornou assessor de Bolsonaro após a eleição

Tércio Arnaud Tomaz é um dos assessores mais próximos do presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

Um paraibano foi citado no relatório do Facebook, nesta quarta-feira (8), quando foi anunciada a remoção, pela plataforma, de 73 contas falsas ligadas a aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Tércio Arnaud Tomaz é de Campina Grande e galgou espaços no staff bolsonarista a partir do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Depois de atuar como assessor do “02”, em 2017, atuou na campanha em 2018 e foi nomeado assessor do presidente, em 2019.

Arnaud compõe o grupo de assessores que foi apelidado por adversários do presidente de “gabinete do ódio”. Das contas excluídas, 35 eram do Facebook e 38 do Instagram. Parte das contas promovia a propagação do ódio e ataques políticos. Os dados foram analisados por pesquisadores norte-americanos e compõem o estudo feito para justificar as exclusões. A análise apontou responsabilidades de pelo menos cinco funcionários e ex-funcionários dos gabinetes bolsonaristas.

O grupo, de acordo com a CPI das Fake News, é tutelado por Carlos Bolsonaro, licenciado do cargo de vereador do Rio. Todos chegaram ao governo referendados pela militância digital, feita durante a campanha. De acordo com matéria da Folha de São Paulo, a derrubada fez parte de uma investigação interna mais ampla, que eliminou quatro redes distintas por violação da política do Facebook “contra interferência estrangeira e comportamento inautêntico coordenado”.

Além de Brasil, as redes foram identificadas no Canadá, Equador, na Ucrânia e nos Estados Unidos. No total da investigação internacional, a empresa removeu 41 contas e 77 páginas no Facebook, além de 56 contas no Instagram, por violarem a “política contra interferência estrangeira”. “Essa rede usava uma combinação de contas reais e falsas, algumas das quais já tinham sido detectadas e removidas por nossos sistemas automatizados”, afirmou a empresa.

Além da página “Bolsonaro Opressor 2.0”, seguida por mais de 1 milhão de pessoas no Facebook, foi identificada a conta @bolsonaronewsss, também sob administração de Tércio, com 492 mil seguidores e mais de 11 mil publicações. De acordo com o estudo, muitas dessas postagens feitas por Tércio foram publicadas durante o horário comercial, ou seja, podem ter sido feitas durante o expediente dele no Planalto.

 

Bolsonaro e a cloroquina: de garoto propaganda a consumidor

Presidente testa positivo para a Covid-19, mas diz que está “perfeitamente bem” após tomar hidroxicloroquina

Jair Bolsonaro fiz ter sentido febre de 38º e dores no corpo no primeiro dia. Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou, nesta terça-feira (7), que testou positivo para a Covid-19. O gestor fez exames depois de passar mal no fim de semana, com dores no corpo e febre de 38º. Fez tomografia na segunda-feira e os pulmões se mostraram limpos. Fez então o exame para saber se foi contaminado pelo novo Coronavírus e o resultado foi divulgado nesta terça. Mas o mais curioso não é isso. Antes de saber do resultado, o gestor disse já ter tomado hidroxicloroquina e que, depois disso, ficou “perfeitamente bem”.

Desde o início da pandemia, o presidente se notabilizou pelo negacionismo da gravidade da doença que já matou 66 mil pessoas no Brasil. Quando surgiram os primeiros rumores de que tinha contraído a doença, alegou que não tinha contraído e que, se pegasse, não sentiria nada por causa do “histórico de atleta”. O fato ocorreu em março, quando vários membros da comitiva que viajou aos Estados Unidos testaram positivo para a Covid-19. Três exames feitos com nomes de terceiros deram negativo no caso de Bolsonaro. Apenas o último, com o nome real, deu positivo.

O mais surpreendente do episódio atual é que, na entrevista “coletiva” para divulgar o resultado, o presidente gastou grande parte do tempo para fazer propaganda da Cloroquina. O medicamento símbolo do atual governo não tem eficácia comprovada e se tornou popular apenas nos grupos bolsonaristas (incluindo médicos). Os testes com o medicamento foram suspensos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O mesmo foi feito pela FDA dos Estados Unidos, o equivalente à Anvisa no Brasil.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, comparou a eficácia da cloroquina ao uso das fitinhas do Senhor do Bonfim. O sucessor, Nelson Teich não quis nem saber do assunto. O efeito positivo, por isso, caberia muito mais à fé do usuário que ao efeito positivo. Não faltaram estudos, também, para indicar o risco de morte para as pessoas que apresentassem problemas cardíacos. Mesmo assim, o presidente continua sendo um dos maiores defensores da droga no mundo. E agora, considerando o teste alegadamente positivo, o presidente terá o desafio de comprovar a eficácia ele mesmo.

Polícia prende Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro

Queiroz é acusado de ter conduzido o esquema das “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro

Fabrício Queiroz (D) estava escondido na casa do advogado de Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

O ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz, foi preso nesta quinta-feira (18) durante operação autorizada pela Justiça do Rio de Janeiro. Os mandados de busca, apreensão e de prisão foram cumpridos em Atibaia, interior de São Paulo. Queiroz estava em um imóvel pertencente ao advogado do senador.

Queiroz é peça chave no inquérito que investiga o esquema das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Um relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) revelou movimentações atípicas da ordem de R$ 1,2 milhão nas contas do ex-policial militar. Há suspeitas de que ele tenha conduzido um esquema de recebimento de parte dos salários dos funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro, quando o hoje senador era deputado estadual no Rio de Janeiro.

As movimentações detectaram, também, repasses da ordem de R$ 24 mil para a conta de Michelle Bolsonaro, mulher do presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. A operação foi coordenada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Uma das filhas de Fabrício Queiroz também trabalhou no gabinete do hoje presidente Jair Bolsonaro, quando ele era deputado federal.

“Não é invadindo hospitais e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia”, dizem governadores do Nordeste

Gestores alegam que presidente escolheu o negacionismo ao ignorar a gravidade da pandemia

Na voto, governadores do Nordeste em reunião antes da pandemia do novo Coronavírus. Foto: Divulgação/Secom-PB

Os governadores do Nordeste divulgaram na tarde desta sexta-feira (12) uma carta com críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os gestores falam em perseguição política por parte do presidente e ainda repudiaram o fato de Bolsonaro ter incitado os seus apoiadores a “invadirem” hospitais com o objetivo de fazer imagens. O presidente prometeu, durante live realizada nesta quinta-feira, que mandaria tudo para a Polícia Federal.

Os gestores dizem que desde o início da pandemia receberam o desprezo como resposta às tentativas de apoio do presidente ao enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus. Bolsonaro, de acordo com os governadores, se deixou levar apenas pelo negacionismo à gravidade da pandemia. Os nordestinos também dizem que estão sendo vítimas de perseguição por parte do governo federal. Eles citam os casos registrados em estados onde os gestores se viram alvos da Polícia Federal.

“Tais operações produzem duas consequências imediatas. A primeira, uma retração nas equipes técnicas, que param todos os processos, o que pode complicar ainda mais o imprescindível combate à pandemia. O segundo, a condenação antecipada de gestores, punidos com espetáculos na porta de suas casas e das sedes dos governos”, diz um dos trechos da carta.

Confira a íntegra abaixo

CARTA DOS GOVERNADORES DO NORDESTE
12 de Junho de 2020
“Não é invadindo hospitais e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia”

Os governadores de Estado têm lutado fortemente contra o coronavírus e a favor da saúde da população, em condições muito difíceis. Ampliamos estruturas e realizamos compras de equipamentos e insumos de saúde de forma emergencial pelo rápido agravamento da pandemia. Foi graças à ampliação da rede pública de saúde, executada essencialmente pelos Estados, que o país conseguiu alcançar a marca de 345 mil brasileiros recuperados pela Covid-19 até agora, apesar das mais de 41 mil vidas lamentavelmente perdidas no país.

Desde o início da pandemia, os Governadores do Nordeste têm buscado atuação coordenada com o Governo Federal, tanto que, na época, solicitamos reunião com o Presidente da República, Jair Bolsonaro, que foi realizada no dia 23/03/2020, com escassos resultados. O Governo Federal adotou o negacionismo como prática permanente, e tem insistido em não reconhecer a grave crise sanitária enfrentada pelo Brasil, mesmo diante dos trágicos números registrados, que colocam o país como o segundo do mundo, com mais de 800 mil casos.

No último episódio, que choca a todos, o presidente da República usa as redes sociais para incentivar as pessoas a INVADIREM HOSPITAIS, indo de encontro a todos os protocolos médicos, desrespeitando profissionais e colocando a vida das pessoas em risco, principalmente aquelas que estão internadas nessas unidades de saúde.

O presidente Bolsonaro segue, assim, o mesmo método inconsequente que o levou a incentivar aglomerações por todo o país, contrariando as orientações científicas, bem como a estimular agressões contra jornalistas e veículos de comunicação, violando a liberdade de imprensa garantida na Constituição.

Além de tudo isso, instaura-se no Brasil uma inusitada e preocupante situação. Após ameaças políticas reiteradas e estranhos anúncios prévios de que haveria operações policiais, intensificaram- se as ações espetaculares, inclusive nas casas de governadores, sem haver sequer a prévia oitiva dos investigados e a requisição de documentos. É como se houvesse uma absurda presunção de que todos os processos de compra neste período de pandemia fossem fraudados, e governadores de tudo saberiam, inclusive quanto a produtos que estão em outros países, gerando uma inexistente responsabilidade penal objetiva.

Tais operações produzem duas consequências imediatas. A primeira, uma retração nas equipes técnicas, que param todos os processos, o que pode complicar ainda mais o imprescindível combate à pandemia. O segundo, a condenação antecipada de gestores, punidos com espetáculos na porta de suas casas e das sedes dos governos.

Destacamos que todas as investigações devem ser feitas, porém com respeito à legalidade e ao bom senso. Por exemplo, como ignorar que a chamada “lei da oferta e da procura” levou a elevação de preços no MUNDO INTEIRO quanto a insumos de saúde?
Ressalte-se que, durante a pandemia, houve dispensa de licitação em processos de urgência, porque a lei autoriza e não havia tempo a perder, diante do risco de morte de milhares de pessoas. A Lei Federal 13.979/2020 autoriza os procedimentos adotados pelos Estados.

Estamos inteiramente à disposição para fornecer TODOS os processos administrativos para análise de qualquer órgão isento, no âmbito do Poder Judiciário e dos Tribunais de Contas. Mas repudiamos abusos e instrumentalização política de investigações. Isso somente servirá para atrapalhar o combate ao coronavírus e para produzir danos irreparáveis aos gestores e à sociedade.

Deixamos claro que DEFENDEMOS INVESTIGAÇÕES sempre que necessárias, mas de forma isenta e responsável. E, onde houver qualquer tipo de irregularidade, comprovada através de processo justo, queremos que os envolvidos sejam exemplarmente punidos.

Assinam esta carta:
Rui Costa
Governador da Bahia
Renan Filho
Governador de Alagoas
Camilo Santana
Governador do Ceará
Flávio Dino
Governador do Maranhão
João Azevedo
Governador da Paraíba
Paulo Câmara
Governador de Pernambuco
Wellington Dias
Governador do Piauí
Fátima Bezerra
Governadora do Rio Grande do Norte
Belivaldo Chagas
Governador de Sergipe

 

 

 

Bolsonaro incita apoiadores a invadirem hospitais para fotografar UTIs

Paraíba já teve exemplo de deputado apoiador do presidente que invadiu o Hospital de Campanha


Parece inacreditável, mas não é. Em live nas redes sociais, nesta quinta-feira (11), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estimulou os seus apoiadores a invadirem os hospitais destinados ao tratamento da Covid-19. O objetivo, explicado por ele, é flagrar supostos leitos vazios. A ‘invasão’ recomendada por Bolsonaro é para que as imagens sejam produzidas e repassadas em seguida como ‘provas’ à Polícia Federal.

O presidente disse que tem recebido já muitas imagens por meio das redes sociais e eles têm feito um filtro e encaminhado para a Polícia Federal e para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A recomendação dada pelo presidente é que a população ‘arranje um jeito de entrar e filmar’ hospitais públicos. Na Paraíba, no mês passado, o Hospital de Campanha de Santa Rita foi invadido pelo deputado bolsonarista Cabo Gilberto (PSL).

“Tem hospitais de campanha perto de você, tem um hospital público, né? Arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente vem fazendo isso, mas mais gente tem que fazer para mostrar se os leitos estão ocupados, ou não. Se os gastos são compatíveis, ou não. Isso nos ajuda. Tudo o que chega para mim nas mídias sociais, fazemos um filtro e encaminho para a Polícia Federal ou para a Abin, e lá eles veem o que fazem com os dados. Não posso prevaricar. O que chega ao meu conhecimento, passo para frente para diligência deles para análise e processo investigatório, ou não”, afirmou.

O presidente trabalha com o negacionismo sobre a gravidade da pandemia do novo Coronavírus. Bolsonaro afirmou que alguns governadores estão tendo um ‘ganho político’ com mortes relacionadas à COVID-19. Para o presidente, gestores estão atribuindo óbitos por outros motivos como coronavírus para ‘culpar o governo federal. O número de mortes registrado até esta quinta-feira foi superior a 41 mil.

“São dezenas de casos que chegam por dia nesse sentido. Não sei o que acontece, o que querem ganhar com isso. Tem um ganho político dos caras, só pode ser isso. Aproveitando que as pessoas falecem para ter um ganho político e para culpar o governo federal. Não tem como impedir essa doença, o óbito. O que acontece, na verdade? Quem contrai o vírus, se tem comorbidades ou idade avançada, são pessoas mais fracas, a possibilidade de entrar em óbito é grande”, disse.

Estados do Nordeste acionam Bolsonaro no STF e cobram devolução de recursos do Bolsa Família

Dinheiro foi transferido pelo presidente para a Secretaria de Comunicação sob a alegação de houve sobras no programa

Jair Bolsonaro retirou do Bolsa Família recursos que viriam para o Nordeste e os usou para pagar despesas com campanhas publicitárias. Foto: Reprodução

Os governadores do Nordeste compraram uma nova briga com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Eles acionaram o gestor no Supremo Tribunal Federal (STF), com a cobrança de que sejam devolvidos os R$ 83,9 milhões subtraídos do programa Bolsa Família. O dinheiro foi transferido pelo governo federal para a Secretaria de Comunicação. O objetivo era reforçar a publicidade oficial.

A portaria com a decisão do governo federal foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) do dia 2. A justificativa do governo federal foi a de que tinha “sobrado dinheiro” no programa. A desculpa foi desmentida com a constatação de que existem 430 mil pessoas na fila de espera para o cadastramento no programa. A maioria destas pessoas mora no Nordeste, segundo os dados oficiais.

No pedido ao Supremo, assinado pelos procuradores-gerais dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, eles pedem que o governo federal justifique a concentração de cortes no programa na região Nordeste e recomponha o valor retirado para ser usado pela publicidade do governo. Um levantamento mostrou que, considerando o benefício médio de R$ 200, o corte feito pelo governo federal retirar o pão da mesa de pelo menos 70 mil famílias nordestinas.

A operação ocorre no momento em que o governo enfrenta denúncias de que finacia sites especializados na propagação da fake News.

Peladão, descamisado e cervejas no “Big Brother” das autoridades durante a pandemia

Trabalhando de casa, muitos são flagrados em situações constrangedoras e casos viralizam

A pandemia do Coronavírus tem forçado todo mundo a um novo normal. As reuniões que antes se davam em salas e plenários, agora ocorrem por meio digital. E em casa, meu amigo, tem muita gente exercitando o que o brasileiro sabe fazer de melhor: a presepada. E aí não tem jeito, as gafes têm se estendido do Executivo ao Legislativo e, até, ao requintado e formal Judiciário. O caso do deputado Jeová Campos (PSB), em sessão nesta semana, foi só a ponta do iceberg.

Homem nu é flagrado durante teleconferência com a participação de Bolsonaro. Foto: Reprodução

Se formos para o topo da política nacional, vamos encontrar uma gafe envolvendo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em 14 de maio, o gestor reuniu o empresariado indicado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). No encontro, um dos participantes esqueceu de desligar a câmara do celular e foi flagrado no banho. Bolsonaro foi o primeiro a perceber.

“Ô, Paulo [Skaf], tem um colega aí no último quadrinho que tá, saiu fora, tá ok?”, disse o presidente. Ele, então, se dirigiu a Paulo Guedes que estava a seu lado. Ao ser alertado, o ministro da Economia afirmou: “Tem um cara tomando banho aí, peladão. Tem um peladão aí, fazendo isolamento peladão em casa e tal, beleza (risos). O cara foi ficando com calor com a conversa, aí foi tomar um banho frio…”.

No dia 15 de abril, já sob os riscos da pandemia, uma sessão virtual no Tribunal de Justiça do Amapá ganhou destaque nas redes sociais. O motivo: um dos desembargadores estava lá, sem camisa, já com as imagens rolando. O magistrado em questão foi Carmo Antônio. Depois da polêmica, a corte divulgou uma nota, na qual explicava que o magistrado estava sem roupa antes do início da sessão. Infelizmente, reforça a nota, a câmara já estava ligada e as imagens vazaram.

A Paraíba contribuiu para rol de gafes com o caso do deputado estadual Jeová Campos (PSB). O deputado participava de uma sessão remota, na Assembleia Legislativa, e pediu para entrar na discussão. Sem perceber, deixou o celular filmar o lado oposto de onde estava. As imagens vistas, com isso, foram de uma mesa com duas garrafas (vazias) de cerveja, uma rede e uma tábua de carne.

No Paraná, o nível das sessões não anda muito alto durante a pandemia. Em meio à sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o deputado Nelson Justus perdeu a linha achando que o microfone estava desligado. Se referindo a um dos colegas do parlamento, ele baixou o nível com uma frase infeliz. Confira abaixo:

Bolsonaro sanciona socorro emergencial e Paraíba receberá R$ 448,1 milhões

Presidente sancionou projeto do Congresso com veto à concessão de reajustes a servidores até o fim do ano que vem

Recursos vão ajudar os estados no período de perda na arrecadação. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Uma semana depois de reunião virtual com governadores e congressistas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou o auxílio emergencial para os estados. A Paraíba receberá R$ 448,1 milhões. A ajuda financeira é uma compensação pelas perdas com a arrecadação de impostos provocada pela pandemia. A sanção ocorre quase um mês após a aprovação do texto no Congresso. Com a decisão, serão repassados R$ 112 milhões por mês à Paraíba durante quatro meses.

O presidente vetou o trecho da lei que tratava dos salários de servidores. Com o veto, os servidores ficarão sem reajuste salarial até o fim de 2021. De acordo com o texto, a União entregará, na forma de auxílio financeiro, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, em quatro parcelas mensais e iguais, no exercício de 2020, o valor de R$ 60 bilhões para serem aplicados, em ações de enfrentamento ao novo coronavírus (covid-19).

 

O veto atinge as categorias que foram consideradas exceções e que, por isso, poderiam ter reajustes. O grupo é integrado por servidores da saúde, policiais, professores e militares das Forças Armadas. O ministro Paulo Guedes, que tinha previsto uma economia de R$ 120 bilhões com a vedação, viu essa economia cair para R$ 43 bilhões.

Ajuda financeira
Dos R$ 125 bilhões, há o repasse de R$ 60 bilhões aos entes federados, em quatro parcelas mensais, sendo R$ 10 bilhões reservados ao combate à covid-19. Pelo projeto, além do repasse, estados e municípios terão R$ 49 bilhões liberados por meio de suspensão e renegociação de dívidas com a União e bancos públicos, e mais R$ 10,6 bilhões em renegociação de empréstimos com organismos internacionais com aval da União. Já os municípios terão a suspensão do pagamento de dívidas previdenciárias que venceriam até o fim do ano, e que representam cerca de R$ 5,6 bilhões para eles.

Delegado paraibano integra grupo que apura tentativa de Bolsonaro interferir na PF

Fabiano Emídio é o delegado responsável por operações como a Xeque-Mate, na Paraíba

Fabiano Emídio foi escalado para acompanhar depoimentos das testemunhas. Foto: Divulgação/CBN

O delegado federal paraibano Fabiano Emídio foi escalado para uma parada duríssima. Ele foi incluído entre os seis delegados que apuram as acusações do ex-ministro Sérgio Moro (Justiça) de que teria havido, por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), tentativas de interferir na Polícia Federal. Ele participou, nesta semana, da oitiva do diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem. Emídio é o responsável por operações importantes, na Paraíba, a exemplo da Xeque-Mate, em Cabedelo.

Durante a audiência, Ramagem fez acusações contra o ex-ministro e defendeu de forma incondicional o presidente Bolsonaro. O diretor da Abin, que também é delegado da PF, em certo ponto da audiência, chegou a ser advertidos pelos delegados da condição de testemunha. As audiências foram autorizadas pelo ministro do Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele acatou pedido da Procuradoria-Geral da República, feitos após as denúncias de Sérgio Moro.

A lista de pessoas que serão ouvidas na condição de testemunha inclui a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e os ministros Augusto Heleno (GSI), Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). Todos foram arrolados como testemunhas de ameaças feitas por Bolsonaro caso Moro não aceitasse a mudança de comando na PF.

Ramagem, o último ouvido pelo delegado federal paraibano, Fabiano Emídio, se tornou o pivô da crise que resultou na exoneração de Sérgio Moro. Amigo dos filhos de Bolsonaro, o diretor da Abin era o preferido do presidente para assumir o cargo de diretor-geral da PF. Após discordar da demissão de Maurício Valeixo para dar lugar a Ramagem, Moro anunciou a saída dele do Ministério da Justiça.

A nomeação de Ramagem para a vaga de Valeixo chegou a ser publicada por Jair Bolsonaro, mas ela foi anulada por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ramagem, então, voltou a ocupar o cargo de diretor da Abin.