Galdino exonera todos servidores comissionados da Assembleia

Ato assinado pelo presidente da Casa tem efeitos retroativos ao 1° de fevereiro

Adriano Galdino diz que os critérios para o preenchimento dos cargos ainda estão sendo discutidos. Foto: Divulgação/ALPB

O presidente da Assembléia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), determinou a exoneração de todos os servidores comissionados da Casa. O ato foi publicado no Diário do Poder Legislativo (DPL) desta segunda-feira (4), com efeito retroativo ao dia 1° deste mês. A medida retira do cargo os profissionais nomeados pelo antecessor, Gervásio Maia (PSB). O parlamentar não divulgou, ainda, quantos servidores terão que deixar o cargo. A Assembleia, historicamente, não divulga corretamente os dados referentes às contratações, como o exigido de todos os órgãos públicos.

Em conversa com o blog, Galdino disse que a transparência será uma prioridade do seu governo. Ele promete, a partir de agora, dar transparência a todas as contratações e gastos do Legislativo. “Essa vai ser uma das minhas prioridades”, ressaltou o parlamentar, que foi eleito para comandar o Poder nos dois biênios. A publicação desta terça traz ainda a devolução dos servidores de outros órgãos que prestam serviço na Assembleia Legislativa.

Em relação aos cargos em aberto, bem como o número de exonerados, Galdino diz que os dados ainda estão sendo analisados.

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Sem acessibilidade, Assembleia fecha as portas por 15 dias para nova reforma

Medida será para garantir à deputada Cida Ramos acesso a todos os locais do plenário da Casa

Cida Ramos precisou cobrar um direito que deveria ser garantido a todos: “respeito à dignidade humana”. Foto: Divulgação

Nem bem foram iniciados os trabalhos na Assembleia Legislativa e haverá folga de 15 dias para os deputados. Mas calma, pelo menos desta vez o motivo é nobre. O tempo será usado para que sejam realizadas reformas no plenário da Casa, com o intuito de garantir à deputada Cida Ramos (PSB) acesso, por exemplo, à tribuna. Foram destinados R$ 4 milhões para uma reforma coordenada pelo ex-presidente do Legislativo, Gervásio Maia (PSB), mas não se pensou em acessibilidade. O tema foi alvo de queixa de Cida no primeiro dia de sessão. Em pronunciamento nesta segunda-feira (4), ela voltou a fazer cobranças. E foi atendida pelo atual presidente, Adriano Galdino (PSB), com o apoio dos outros deputados.

Galdino afirmou que, por conta da reforma, os trabalhos da Assembleia Legislativa deverão ser retomados no dia 19. “Essa reforma tem como objetivo garantir à nobre deputada as condições de trabalho. Desta forma, eu peço autorização aos senhores deputados para a suspensão dos trabalhos por 15 dias. De forma que as reformas sejam feitas e não haja prejuízo para que nenhum parlamentar execute as suas funções”, disse.

Autora do pedido para realização dos ajustes de acessibilidade, Cida Ramos destacou a importância de serem atendidos os requisitos de acessibilidade. “Eu estive nesta Casa em dezembro e trouxe uma comissão de pessoas com deficiência, fiz um relatório com as observações”, disse. Em sua argumentação, a parlamentar destacou que a promoção da acessibilidade nas dependências da Assembleia Legislativa trata-se de um pressuposto previsto na Declaração dos Direitos Humanos. “Não só a mim, enquanto parlamentar, mas para todos os paraibanos deve ser assegurado o direito de acessar e participar da Assembleia Legislativa da Paraíba”, arrematou Cida Ramos.

No Senado

No Senado também houve adaptação no plenário para garantir a acessibilidade de uma parlamentar. A diferença, lá, está na época em que as obras foram realizadas. Elas aconteceram em janeiro. Foram para garantir à senadora eleita Mara Gabrilli (PSDB-SP) total autonomia na hora de registrar seu voto em projetos em análise na casa. A senadora, que é tetraplégica, tomou posse no dia 1° de fevereiro.

Eleita para uma vaga no Senado pelo estado de São Paulo em 2018, Mara Gabrilli já ocupava, desde 2011, uma cadeira na Câmara dos Deputados. Antes, foi vereadora na Câmara Municipal de São Paulo. A impossibilidade de movimentos abaixo do pescoço, causada por um acidente em 1994, já havia exigido modificações naquelas casas Legislativas. Boa parte dessas adaptações será empregada também no Senado.

 

Rasteira em Hervázio foi rebelião dos deputados governistas contra João

Adriano Galdino foi eleito para os dois biênios na Assembleia Legislativa e se apresenta como “não submisso”

Adriano Galdino vai comandar a Assembleia nos dois biênios. Foto: Francisco França

Um ditado popular afirma que “em rio de piranhas, jacaré nada de costas”. O Palácio da Redenção precisa ficar muito atento a esta máxima para não sofrer mais derrotas na Assembleia Legislativa. A primeira veio logo no primeiro dia da atual legislatura. O governador João Azevêdo (PSB) definiu como estratégia, junto aos deputados da base aliada, que Adriano Galdino (PSB) comandaria a Casa no primeiro biênio. Para o segundo, a missão recairia sobre os ombros de Hervázio Bezerra (PSB). O plano foi passado e repassado. Até a noite desta quinta-feira (31), essa era a palavra de ordem entre os governistas. Tião Gomes, que prometia bater chapa com Hervázio, era visto como dissidente e não teria chances de fato.

A primeira parte do plano foi posta em prática. Começou a sessão, os deputados eleitos para a nova legislatura foram empossados e chegou a hora da eleição. Sem dificuldades, por unanimidade, Galdino foi eleito presidente no primeiro biênio. Em breve discurso, Galdino disse que era “fiel ao governo”, mas que não seria submisso. Preste atenção nesta frase, ela será usada novamente. Bem, depois disso, chegou a vez de discutir a antecipação da eleição para o segundo biênio. O deputado Hervázio Bezerra foi à tribuna e anunciou qual seria a sua chapa. Todos os nomes. Chegou, então, a vez de Tião Gomes (Avante). Ele disse que também seria candidato e foram dados dez minutos, pelo presidente da Casa, Adriano Galdino, para que ambos apresentassem a chapa.

Ao voltar, com um discurso de quase 20 minutos, Tião Gomes deu o tom da insatisfação dele com o governo. Relembrou mágoas com o fato de não ter recebido o apoio de João Azevêdo. Escancarou, ainda, que Adriano Galdino não era desejado pelo governo para comandar a Assembleia Legislativa. Todos viram, do outro lado, um Galdino que assentiu com a cabeça. O ato contínuo foi Tião dizer que não seria mais candidato e pediu que Galdino assumisse a missão. Ele, por outro lado, disputaria na chapa na condição de primeiro vice-presidente. Disse ainda, repetindo o colega Galdino, que sempre foi fiel ao governo, mas que não é submisso. “Me ajoelhar, eu me ajoelho apenas para Deus”, disse, em tom enfático.

Galdino aceitou o convite e bateu chapa com Hervázio. O resultado final foi a eleição dele para o segundo biênio também. Ele conseguiu uma larga vantagem sobre o adversário. Galdino conquistou 23 votos, enquanto Hervázio angariou apenas 13 votos. Antes da eleição, ele tinha a promessa de voto de outros 11 colegas. Eram 24 votos prometidos, ao todo. O resultado da eleição foi mais um para a coleção de traições e viradas espetaculares na Casa.

Hervázio constrói maioria para presidir a Assembleia, mas não comemora de véspera

Próximo ao governador Ricardo Coutinho, deputado trabalha para comandar a casa no segundo biênio

Hervázio Bezerra durante evento com a participação da deputada Camila Toscano. Foto: Roberto Guedes

Quem conhece o deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB) está acostumado com uma figura pública afável, mas duro nos embates. Foi um dos maiores calos no sapato do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) quando ele era prefeito de João Pessoa. Na Assembleia Legislativa, quebrou paradigmas e virou líder do governo socialista por oito anos. Neste período, construiu muitas pontes com os colegas, mas viu outras ruírem com muita frequência também. Ele chega nesta sexta-feira (1°) como favorito para presidir a Assembleia Legislativa no segundo biênio, mas teme reviravoltas.

O quadro de hoje mostra o deputado Adriano Galdino (PSB) como favorito para comandar a Casa no primeiro biênio. Para o segundo, depois de vários deputados abrirem mão da candidatura, restaram Hervázio Bezerra e Tião Gomes (Avante). Pessoas próximas dizem que Bezerra conseguiu o voto favorável de 21 dos 22 deputados governistas. O número é mais que o suficiente para vencer a eleição. Além deles, recebeu promessas de votos dos oposicionistas Eduardo Carneiro (PRTB), Manoel Ludgério (PSD) e Felipe Leitão (Patriotas). Já Tião “namora” os votos dos membros da oposição.

A maioria conquistada nos bastidores por Hervázio é bem vista pelo governador João Azevêdo (PSB). O socialista tem dito que não quer desunião na base. O desdobramento destes acordos será visto, efetivamente, nesta sexta-feira. Levando em consideração o histórico das eleições nos legislativos paraibanos, Hervázio faz bem de não comemorar de forma antecipada. O favoritismo, no entanto, permanece para a disputa.

Cotado para presidir a Assembleia, Galdino promete investir em transparência

Deputado, que já comandou a Casa, diz que pretende dar publicidade a todos os gastos do Legislativo

Adriano Galdino. Foto: Francisco França

O deputado estadual Adriano Galdino (PSB) já presidiu a Assembleia Legislativa e é favorito para voltar ao cargo neste ano. Ele construiu maioria entre governistas e oposição e tem a simpatia do Executivo. Em conversa com o blog, o parlamentar anunciou que a transparência com o dinheiro público será sua principal meta à frente do cargo. A proposta é significativa, uma vez que é histórica a falta de dados disponibilizados pelo órgão para a consulta da população. Mesmo as informações disponibilizadas no Serviço de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres), do Tribunal de Contas do Estado (TCE), são insuficientes.

“A minha meta será a transparência. Vamos divulgar todos os dados sobre os gastos do Legislativo”, disse Adriano Galdino. O parlamentar presidiu a Assembleia Legislativa entre 2015 e 2016. Ele foi sucedido, no cargo, pelo deputado Gervásio Maia (PSB), que deixou a Casa após o final da legislatura para assumir vaga na Câmara dos Deputados. A transparência no Legislativo é uma cobrança antiga dos órgãos de controle, na Paraíba. Isso, principalmente, pelo alto custo da manutenção dos trabalhos no órgão. O entendimento é o de que, com maior exposição, os gastos devem ser reduzidos.

Custo

Um levantamento realizado pela UnB (Universidade de Brasília) mostra bem este impacto. Pesquisa realizada pelo cientista Leonardo Sales, mestre em economia instituição, mostra que cada projeto aprovado na Assembleia Legislativa da Paraíba custa, em média, R$ 1,4 milhão. Ele coletou, para o levantamento, informações sobre as 26 Assembleias Legislativas e da Câmara Legislativa do Distrito Federal. No comparativo com outros estados, a Paraíba ocupa posição intermediária. A mais cara em termos de leis criadas é a do Rio Grande do Sul, com o custo de R$ 4 milhões por lei aprovada.

O numerário da Paraíba tem como base a divisão dos R$ 303 milhões do orçamento destinado naquele ano para o poder, com as 213 leis aprovadas. O estudo mostra ainda que o quesito quantidade não dialoga muito com o que a sociedade considera relevante. Do total de leis aprovadas pelas Assembleias, apenas 35% têm impacto no dia a dia. Elas tratam, muitas vezes, da troca de nomes de prédios públicos e da inclusão desta ou daquela cidade no calendário festivo do Estado. Isso sem falar nas criações de datas comemorativas, um recurso muito usado pelos parlamentares para inflarem a produção.

Hervázio e Wilson Filho são nomes mais fortes para o segundo biênio na Assembleia

Parlamentares têm buscado apoio entre governistas e membros da oposição

Nova mesa diretora será definida no primeiro dia da nova legislatura, na semana que vem. Foto: Alexandre Kito

A eleição para o comando da Assembleia Legislativa, no dia 1° de fevereiro, vem, cada vez mais, ganhando ares de indefinição. Para o primeiro biênio, já há o consenso de que Adriano Galdino (PSB) vencerá a disputa com relativa facilidade. Para o segundo, no entanto, restam muitas interrogações. A preço de hoje, nos corredores do Legislativo, dois nomes saltam aos olhos. De um lado está o líder do governo, Hervázio Bezerra (PSB). Do outro, Wilson Filho (PTB). Ambos buscam votos amparados pelo sinal verde dado pelo governador João Azevêdo (PSB).

Pelo critério subjetivo de antiguidade, há vantagens para Bezerra. Ele liderou a base governista durante todo o governo de Ricardo Coutinho (PSB). Isso faz com que o parlamentar seja bem visto no Palácio da Redenção. A larga trajetória, inclusive de embates com a oposição, no entanto, traz alguns perigos para a candidatura. O socialista, por isso, tem se debruçado sobre articulações para atrair votos do bloco também. Dona da maioria dos votos, a base governista tem todas as condições de eleger a mesa para os dois biênios. São 24 dos 36 deputados.

Apesar disso, como a votação é secreta, é impossível garantir que os 24 parlamentares votarão segundo a orientação do governo. É neste espaço que Wilson Filho tenta crescer, buscando apoios dos governistas, mas também pleiteando a atenção da oposição. Todos têm sido procurados para dialogar. Até a sexta-feira da semana que vem, muita coisa poderá acontecer.

Na Assembleia Legislativa, renovação foi de 41% dos deputados

Dos eleitos como titulares em 2014, apenas 21 conseguiram o passaporte para retornar à Casa

Novos deputados vão assumir o cargo a partir do dia 1° de fevereiro. Foto: Alexandre Kito

Já era visível que a Assembleia Legislativa da Paraíba passaria por uma renovação nas eleições deste ano. Até pela tentativa de alguns de alçar voos mais altos. Dois conseguiram o intento, a deputada Daniella Ribeiro (PP), eleita para o Senado, e o deputado Gervásio Maia (PSB), eleito para a Câmara. A maioria dos outros, os não felizardos, ficaram pelo caminho. Ao todo, 15 parlamentares não terão a Casa como endereço de trabalho no ano que vem. Na outra ponta, 21 conseguiram assegurar o passaporte para o retorno. Entre as novas caras no poder estão a ex-secretária estadual de Desenvolvimento Humano, Cida Ramos (PSB), e o também ex-secretário de governo, Wallber Virgolino (Patriotas). Os dois foram os mais votados nas eleições deste ano.

Outro destaque é o deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB), que se torna titular do mandato pela primeira vez. Ele ocupou a cadeira em dois mandatos, mas sempre na condição de suplente e dependendo de articulações do governador Ricardo Coutinho (PSB).

Mais mulheres

O número de mulheres com mandato na Assembleia Legislativa também aumentou. Enquanto na legislatura passada foram eleitas três, na atual o número cresceu para cinco. A lista inclui Cida Ramos (PSB), Estela Bezerra (PSB), Camila Toscano (PSDB), Drª Paula (PP) e Pollyana Dutra (PSB).

Confira a lista dos eleitos e reeleitos: 

1. Cida Ramos (PSB)                             56.048 (eleita)
2. Wallber Virgolino (Patriotas)         48.053  (eleito)
3. Adriano Galdino (PSB)                    45.656 (reeleito)
4. Ricardo Barbosa (PSB)                    41.201 (reeleito)
5. Estela Bezerra (PSB)                        40.761 (reeleita)
6. Doda de Tião (PTB)                          38.685 (reeleito)
7. Manoel Ludgério (PSD)                   37.390 (reeleito)
8. João Gonçalves (Podemos)             35.655 (reeleito)
9. João Henrique (PSDB)                    34.814 (re  eleito)
10. Edmilson Soares (Podemos)        34.007 (reeleito)
11. Nabor (PRB)                                     32.627 (reeleito)
12. Branco Mendes (Podemos)          32.621 (reel   eito)
13. Wilson Filho (PTB)                        31.781  (eleito)
14. Hervázio Bezerra (PSB)                31.288 (eleito)
15. Jeová Campos (PSB)                     31.017 (reeleito)
16. Inácio Falcão (PCdoB)                 30.754 (reeleito)
17. Camila Toscano (PSDB)              30.711 (reeleito)
18. Anderson Monteiro (PSC)          30.646 (eleito)
19. Buba Germano (PSB)                   30.192 (reeleito)
20. Tião Gomes (Avante)                  29.363 (re eleito)
21. Pollyana Dutra (PSB)                  28.868 (eleito)
22. Caio Roberto (PR)                       28.344 (reeleito)
23. Drª Paula (PP)                              27.685 (eleito)
24. Dr Otaciano Diniz (Avante)       27.278 (eleito)
25. Felipe Leitão (Patriotas)             27.117 (eleito)
26. Genival Matias (Avante)            26.777 (reeleito)
27. Galego de Souza (PP)                  25.262 (reeleito)
28. Júnior Araújo (Avante)              24.093 (eleito)
29. Tovar Correia Lima (PSDB)      24.052 (reeleito)
30. Raniery Paulino (MDB)             23.810 (reeleito)
31. Cabo Gilverto Silva (PSL)           23.273 (eleito)
32. Bosco Carneiro (PPS)                 21.557 (reeleito)
33. Dr Erico (PPS)                             20.327 (eleito)
34. Moacir Rodrigues (PSL)            18.463 (eleito)
35. Eduardo Carneiro (PRTB)        17.869 (eleito)
36. Chió (Rede)                                  17.437 (eleito)

Voto de governistas ajuda a derrubar projeto “anti-traíra” na Assembleia

Em sessão tumultuada, deputados aprovam LOA, eleição casada e majoração do ICMS

Deputados estaduais aprovaram a Lei Orçamentária Anual, mas rejeitaram projeto do voto aberto. Foto: Divulgação/ALPB

O encerramento dos trabalhos legislativos, na Paraíba, veio com uma derrota para o governo do Estado. E os deputados aliados do governador Ricardo Coutinho e do governador eleito João Azevêdo, ambos do PSB, foram decisivos para isso. Eles, majoritariamente, votaram contra o projeto que transformaria em aberto o voto para a escolha da mesa diretora. A proposta foi apresentada pelo líder do governo, Hervázio Bezerra (PSB), como um projeto da base governista. O tema foi contestado pela deputada Camila Toscano (PSDB) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Apesar disso, foi aprovado e foi levado a plenário.;

O problema para os governistas parecia resolvido, apesar de o próprio Hervázio ter previsto problemas. A medida foi apelidada pelos deputados aliados do governador Ricardo Coutinho de projeto “anti-traíra”. Basicamente, a ideia era evitar surpresas durante a escolha da mesa diretora. O histórico recente, na avaliação do líder do governo, era preocupante. Em 2015, Adriano Galdino e Gervásio Maia, ambos do PSB, tomaram café, almoçaram e jantaram todos os dias com a base aliada. Todos se comprometiam a votar nos dois, para o primeiro e o segundo biênio. No dia da votação, eles receberam 19 votos dos 22 prometidos. Venceram por um.

No plenário, nesta sexta-feira (28), o discurso do deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB) foi o sinal de que a votação não seria tranquila. Ele demonstrou preocupação com as declarações de Hervázio Bezerra, que, em declarações anteriores, chamou de traíra os governistas que votavam contra o governo. Sem esconder a chateação, Barbosa cobrou que o líder do governo se desculpasse e retirasse o que disse anteriormente. O clima esquentou durante a sessão quando Hervázio foi à tribuna e questionou o porquê de a “carapuça” ter servido em Ricardo Barbosa. E disse que não retiraria nada do que disse.

Na votação, 21 deputados votaram contra o projeto, nove a favor e seis se abstiveram. Entre os governistas, vários ocuparam a tribuna para explicar por que votaram contra. Ricardo Barbosa (PSB), Branco Mendes (Pode) e Tião Gomes (Avante) disseram que continuam na base do governo, mas que não concordavam com o voto aberto. Eles ressaltaram que isso representaria perda da autonomia dos parlamentares. Já Frei Anastácio e Anísio Maia justificaram que o PT orientava votação contrária em todas as matérias do gênero. O resultado foi visto no placar final.

O projeto que previa a majoração da cobrança de ICMS sobre produtos de luxo foi aprovado, apesar do protesto da oposição. O deputado Tovar Correia Lima (PSDB) propôs três emendas, visando elevar, por exemplo, a potência dos carros. Nenhuma delas foi aceita. A matéria sobre a eleição casada também foi aprovada com o voto da maioria dos presentes. A Lei Orçamentária Anual (LOA) foi a última matéria a ser apresentada e foi aprovada também com o voto da maioria.

 

 

Embates entre governistas e oposição provocam novo adiamento na votação da LOA

Projetos de interesse do Executivo “encalharem” nas comissões de Orçamento e Constituição e Justiça

Deputados estaduais votam projetos que já estavam na pauta enquanto aguardam data para apreciar a LOA. Foto: Suetoni Souto Maior

Os embates entre governistas e oposição empurraram para o futuro, mais uma vez, a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA). O imbróglio traz no centro das discussões a votação de projetos do interesse do Executivo, que, para ter validade, precisam ser votados ainda neste ano. Três matérias estão no centro das discussões: duas delas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a outra na Comissão de Orçamento e Finanças (COF). As duas primeiras tratam do ordenamento das votações para a escolha da Mesa Diretora, com previsão de alterações no Regimento Interno. A outra trata de questão tributária.

A primeira confusão desta quinta-feira (27) foi travada na Comissão de Constituição e Justiça. Por lá, sem constar inicialmente na pauta, surgiram dois projetos de resolução. Um deles previa a alteração do Regimento Interno para que a escolha da mesa diretora ocorresse com voto aberto. O outro trata da previsibilidade para que possa haver a antecipação da eleição do segundo biênio. Chateada com as propostas, a deputada estadual Camila Toscano (PSDB) pediu vista dos projetos. Com isso, as matérias só poderão ser analisadas novamente na quinta-feira da semana que vem, dia 3, quando todos deveriam estar de férias.

“Fizemos uma reunião da CCJ e não estavam na pauta esses dois projetos que chegaram agora. São projetos importantes que mudam o Regimento desta Casa para permitir a eleição casada, da qual não sou a favor, inclusive votei favorável na PEC que trata sobre isso, e também sobre a permissão do voto aberto. Então, são temas relevantes e que não deveriam ter sido apresentados agora na última sessão do ano. Isso é algo que vai influenciar na próxima legislatura”, destacou Camila.

Camila disse que o voto aberto garante uma influência ainda maior do Poder Executivo sobre o Legislativo. “A eleição da Mesa é algo interno, é nosso. A Mesa representa quem vai comandar a Assembleia Legislativa, que é um Poder independente, nos próximos anos. Então, a partir do momento que se regulariza um voto aberto, se dar margem para o Executivo interferir diretamente na eleição desta Casa. Sou a favor do voto aberto em qualquer outro caso, mas neste em específico sou contra”, explicou.

Orçamento

Houve confusão também na Comissão de Orçamento e Finanças. Tudo por que ficaria para esta quinta a apreciação do voto-vista protocolado pelo deputado Tovar Correia Lima (PSDB). O problema é que a convocação para a reunião não foi publicada no Diário do Poder Legislativo (DPL). Por conta disso, o tucano fez discurso dizendo que não poderia haver a discussão. Por conta disso, uma nova reunião foi convocada para esta sexta-feira (28). Isso fez, também, com que a Lei Orçamentária Anual (LOA) não fosse votada. Ela, agora, poderá ser apreciada nesta sexta ou em janeiro.

O voto-vista de Tovar era sobre o projeto que previa uma modificação na lei que disciplina o Fundo de Combate à Pobreza. Por ele, o governo do Estado é autorizado a elevar em 2% a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços sobre produtos de alto padrão. Depois da sessão desta sexta, na COF, os deputados poderão votar a Lei Orçamentária. Vários projetos foram votados na sessão desta quinta, porém, entre os governistas, há quem diga que o orçamento só será votado em janeiro. Com isso, ninguém tira férias até lá.

Diplomado, Galdino evita falar de favoritismo para a presidência da Assembleia

Deputado agradece incentivo dos colegas, mas diz que todo o processo será conduzido por João Azevêdo e Ricardo Coutinho

Adriano Galdino não quer colocar o carro na frente dos bois, dizem aliados. Foto: Roberto Guedes/Alpb

O deputado estadual Adriano Galdino (PSB) tem sido cauteloso em relação à disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. O nome dele é citado, entre os colegas, como o favorito para comandar a Casa no primeiro biênio. Diplomado nesta terça-feira (18), ele desconversou todas as vezes que foi questionado sobre o assunto. “Para quem saiu das feiras livres de Pocinhos, vendendo confeitos, e foi garçon no Pocinhos Clube, ser deputado pela terceira vez…”, disse, abrindo os braços. Questionado mais uma vez, passou a usar um tom solene, com olhar contemplativo. “Fizemos uma reunião e ficou definido que os condutores do processo serão o governador Ricardo Coutinho e o governador eleito João Azevêdo”, disse, sobre as lideranças do PSB.

Galdino não esconde que tem sido procurado pelos colegas. Ele mesmo largou na busca de apoios com antecedência. A ânsia acabou descontentando Ricardo e João, por causa dos desdobramentos das articulações. Neste processo, com apoio do deputado, foi aprovada uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acabava com a antecipação da eleição do segundo biêncio e com o princípio da reeleição. Após pressão de todos os lados, o texto foi arquivado e, por isso, ele não promulgado pela mesa. Houve quem dissesse no primeiro momento que o socialista havia “queimado a largada”. As conversas seguidas com as duas maiores liderenças do partido, no entanto, contornaram a situação.

Com maioria garantida na Casa, não há dúvidas entre os governistas de que eles conseguirão eleger o comando da mesa diretora para o primeiro e o segundo biênio. Adriano Galdino diz que vai continuar conversando com os colegas. A escolha ocorrerá no dia 1° de fervereiro, quando será empossada a nova legislatura. “Vamos eleger novamente os integrantes da mesa para o primeiro e o segundo biênio, tudo de uma vez”, diz Galdinho, sem querer se colocar como favorito. Ele presidiu o Legislativo no primeiro biênio da atual legislatura.