TCE fará varredura na verba indenizatória e contratação de comissionados da Assembleia

Não é de causar surpresa. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) publicou no Diário do Eletrônico desta quinta-feira (6) uma convocação para que a Assembleia Legislativa forneça uma série de documentos relacionados à folha de pessoal do poder nos últimos dois anos. A medida, de acordo com o presidente do TCE, André Carlo Torres, faz parte do processo de acompanhamento da gestão instaurado pelo tribunal para acompanhar a gestão. Na prática, o órgão vai realizar uma grande varredura nas contas da Assembleia, com pedido de comprovação de gastos declarados na contratação de pessoal, bem como no uso da verba indenizatória.

A cobrança tem como alvo o período em que Adriano Galdino (PSB) comandou o poder, mas foca também a atual gestão, comandada por Gervásio Maia, do mesmo partido. “Toda vez que a auditoria identifica alguma inconsistência nas informações prestadas, a praxe manda solicitar a documentação. Isso poderá resultar ou não na constatação de irregularidades”, enfatizou André Carlo Torres. O Sagres do Tribunal de Contas, por exemplo, traz uma série de inconsistências relacionadas à gestão das contas na Casa. Um dos exemplos é que o Legislativo declarou, no ano passado, apenas cinco servidores comissionados, quando existiam muito mais de 300.

Verba indenizatória

A relação de documentos exigidos inclui a lei de criação do Órgão e todas as suas alterações, a lei de criação de cargos e todas as suas alterações, a relação de todos os contratos vigentes até janeiro deste ano, a relação de todos os convênios vigentes em janeiro/2017, ato da Mesa Diretora que trata da reestruturação dos gastos de gabinetes no âmbito da ALPB, em vigência a partir de janeiro deste ano, lei que fixa subsídios dos Agentes Públicos do Poder Legislativo para o exercício de 2017 e legislação das verbas de entrada, saída e extraordinária, bem como acesso aos processos de despesa. Outro ponto cobrado é a verba indenizatória dos parlamentares e o pagamento do auxílio saúde.

Locação de veículos

O TCE quer saber ainda a relação dos Deputados Estaduais (incluindo licenciados e suplentes) que estão exercendo mandato eletivo em 2017, incluindo seus nomes, períodos do exercício do mandato e período de afastamentos, além da relação dos veículos próprios, informando modelo, placa, e ano do veículo, relação dos veículos locados, no período de janeiro a março/2017, informando: locadora, período de locação, valor, placa, marca e ano do veículo. Se houver substituição no período, informar e identificar também o veículo que substituto, finalmente, a relação dos repasses mensais efetuados pelo Governo do Estado, a título de duodécimos para a ALPB, dos meses de janeiro a março deste ano.

Após quase trocarem tapas, Galdino e Gervásio fazem as pazes

Adriano Galdino e Gervásio Maia quando venceram a disputa pelo comando da Casa, em 2015. Foto: Francisco França

O roteiro foi tenso. Depois de o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), ter ocupado a tribuna da Casa, nesta quarta-feira (5), para fazer ameaças veladas ao sucessor no comando do Legislativo, Gervásio Maia, do mesmo partido, os dois tiveram um encontro e, por muito pouco, não se estapearam. Informações de bastidores dão conta de que, atraídos pelo deputado Genival Matias (PTdoB), os dois se encontram em ambiente reservado do prédio. Do interlocutor, após trancar a porta, ouviram que só poderiam deixar a sala após um entendimento.

As queixas de Galdino dizem respeito à não nomeação de aliados e a acusações, compartilhadas também por outros colegas de bancada, de que Gervásio estaria fazendo nomeações apenas para se consolidar como candidato ao governo. “Ele precisa, como dizia Clodovil Hernandes (já falecido), calçar as sandálias da humildade”, disse um deles. Durante a reunião, Galdino e Maia trocaram acusações e, segundo testemunhas, por muito pouco não trocaram socos também. O clima ficou muito tenso e depois houve um entendimento, cujos detalhes não foram revelados.

O encontro foi encerrado com um jantar entre os dois, com o clima já amenizado. Na quarta, Galdino tinha ameaçado quebrar a quarentena e “dar nomes aos bois” sobre questões pouco republicanas registradas na Casa quando ele era presidente e depois que deixou o poder. “Daria um livro o que tenho para dizer”, ele assegura. Gervásio Maia procurou ser diplomático nesta quinta-feira (6) ao ser questionado sobre o assunto. O tom repetido foi o de que não existe crise entre ele e o seu antecessor.

Galdino ‘chuta o pau da barraca’ e faz ameaça velada a Gervásio

Adriano Galdino promete “quebrar a quarentena”. Foto: Roberto Guedes

O deputado estadual Adriano Galdino (PSB) foi o primeiro governista a externar o seu descontentamento com o presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia, do mesmo partido. Informações de bastidores dão conta da existência de um descontentamento generalizado, salvo poucas exceções. Em certo momento, chegou-se a debater nos gabinetes da Casa o afastamento do atual mandatário. Da tribuna, nesta quarta-feira (5), Galdino prometeu “quebrar a quarentena” e contar dos dissabores vividos por ele após deixar a presidência da Casa. Prometeu “dar nome aos bois”.

No discurso, Galdino disse estar vivendo uma verdadeira “via crucis” desde que deixou o comando da Casa e, de forma velada, fez cobranças a Gervásio Maia. “E durante estes dois anos que aqui fiquei como presidente, deputado Gervásio, eu fui diariamente tentado para quebrar o compromisso com vossa excelência. Diariamente tentado para não assumir um compromisso que assumi de forma pública com vossa excelência”, revelou o ex-presidente, que, quando presidente, foi procurado por aliados para suspender a eleição antecipada de Maia e se manter no cargo.

Defeitos

Ele completou: “E quem me conhece sabe que tenho um monte de defeitos, aliás, um caminhão de defeitos… entre as minhas poucas virtudes está cumprir com a palavra empenhada e não menti. Quando eu disser a qualquer um dos senhores e contar uma história, é por que esta história é verdadeira. Eu não minto nem para ir para o céu”, exagerou Adriano Galdino. Ele promete fazer um outro pronunciamento seguindo no mesmo sentido e há quem diga que poderá ser seguido por outros parlamentares, também insatisfeitos.

As críticas de aliados e adversários contra Gervásio Maia têm origem na discussão sobre a nomeação de aliados. Um dos parlamentares ouvidos pelo blog disse que não conseguiu nomear, sequer, a secretária que atendia no gabinete. Eles alegam que a medida adotada pelo presidente não foi para fazer economia, mas para direcionar as contratações para aliados que poderão beneficiá-lo no caso de uma eventual candidatura ao governo, em 2018. “Nomeou mãe de deputado, mulher de secretário e até irmã do governador”, disse um parlamentar ouvido pelo blog.

Oposição

O primeiro a manifestar descontentamento com a gestão do parlamentar foi o deputado Janduhy Carneiro (Podemos). Ele disse, durante entrevista, ter conhecimento de que a estrutura minguada destinada aos gabinetes dos parlamenates de oposição seria ainda mais desidratados.

 

 

Turma do “deixa disso” alivia pressão sobre Gervásio Maia

Reprodução/Facebook

O clima de insatisfação de grande parte dos deputados na Assembleia Legislativa com o presidente da Casa, Gervásio Maia (PSB), deu uma arrefecida durante o fim de semana. Pelo menos, o tema afastamento do mandatário deixou de ser citado como opção iminente. Entre os aliados, o deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB) apareceu como peça chave na propagação da tese de que não existe um desconforto tão grande assim entre os colegas em relação à gestão do socialista. “Se me procurarem falando em afastamento de Gervásio, digo que estou fora”, disse Barbosa.

Os descontentamentos de vários deputados afloraram na semana passada, verbalizados pelo deputado Janduhy Carneiro (Podemos). Ele ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa para criticar Gervásio Maia dizendo que foi procurado por deputados governistas com a informação de que a oposição teria a estrutura de pessoal desidratada. Chateado, Carneiro prometeu protestar e disse que faria novo discurso nesta terça-feira (28). Ele criticou também a data para o pagamento de pessoal da Casa, que foi alterado do dia 20 para 27 deste mês.

Descontentamento

O descontentamento de Carneiro, no entanto, segundo o apurado pelo blog, é compartilhado por governistas na Casa. Uma tese negada por Ricardo Barbosa, que saiu em defesa de Gervásio Maia em entrevista ao blog. Lembrou que o corte nos gastos na Assembleia é similar ao feito pelo governo do Estado e pelos outros poderes, a exemplo do Judiciário, do Tribunal de Contas e do Ministério Público. Questionado se foi procurado pelo presidente da Casa, Barbosa negou, minutos antes de Gervásio Maia publicar nas redes sociais foto do encontro dos dois.

Outro deputado apontado como um dos descontentes ampliou o leque, dizendo que as queixas são compartilhadas por 32 dos 36 parlamentares. “Alguns que estão na mesa e foram atendidos não têm do que reclamar”, disse em off o parlamentar, que acrescentou: “Ele (Gervásio) precisa baixar a bola e pensar um pouco menos nas eleições de 2018. As nomeações que ele tem feito têm sido só para agradar ao governador (Ricardo Coutinho), enquanto os outros deputados não conseguem nomeações para os gabinetes”.

O clima ainda não é dos melhores, mas já não se fala afastamento de Gervásio Maia da presidência da Casa.

Deputados se articulam para tirar Gervásio da presidência da Assembleia

Gervásio Maia é criticado pelos próprios colegas na Assembleia. Foto: Francisco França

O deputado estadual Gervásio Maia (PSB) começa a viver um verdadeiro inferno astral menos de dois meses após assumir a presidência da Assembleia Legislativa. Entre a pompa da posse e a realidade do dia a dia, ele começa a acumular adversários dentro do Legislativo, inclusive, com um movimento já consolidado para votar o seu afastamento do comando do Poder e convocar novas eleições. O tema foi colocado em pauta durante reunião secreta ocorrida na manhã desta sexta-feira (24), envolvendo deputados governistas e da oposição.

“Tínhamos muita esperança em Gervásio Maia como presidente da Assembleia Legislativa, mas ele tem se empenhado muito mais em ter o nome guindado à condição de candidato do governador (Ricardo Coutinho) para a sucessão que mesmo administrar a Casa”, disse em reserva um deputado estadual governista. As insatisfação vão da não contratação de pessoal indicado pelos parlamentares até o atraso no pagamento de pessoal, antes pago entre os dias 20 e 22 e que agora ficou para o dia 27.

Um outro deputado governista tem se queixado de que nem a secretária dele foi recontratada pelo deputado e há questionamentos sobre o que tem ocorrido com o dinheiro do duodécimo pago até o dia 20 pelo governo do Estado. O primeiro a reclamar de Gervásio Maia publicamente foi o deputado Janduhy Carneiro (Podemos), que fez pronunciamento nesta semana. Ele se antecipou nas críticas ao ouvir de um colega de parlamento que os gabinetes dos deputados de oposição teriam a estrutura de funcionamento reduzida ainda mais.

“Eu vou fazer novo pronunciamento na próxima terça-feira (28). Gervásio tem atuado com descaso em relação à nossa atuação parlamentar”, desabafou Carneiro, ao ser ouvido pelo blog nesta sexta-feira. Ele alega que não participou da reunião que discutiu nesta sexta estratégias para o afastamento do atual presidente. Um governista, ao ser informado pelo blog da disposição de Janduhy Carneiro de fazer pronunciamento, foi taxativo. “Ele vai fazer pronunciamento, né? Então vai incendiar o debate. Só falta quem puxe”, enfatizou.

A tese dos neo-adversários de Gervásio Maia é esperar o retorno do primeiro secretário da Mesa Diretora, Ricardo Barbosa (PSB), que se encontra na China, em viagem acertada pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). A partir daí, seria votado o afastamento do atual presidente, abrindo caminho para a posse provisória do vice, João Bosco Carneiro (PSL). Caberia a ele, então, a convocação de novas eleições para o cargo de presidente da Casa dentro de 90 dias.

Vaiado

A “rebelião” no Legislativo contra Gervásio Maia ocorre na mesma semana em que ele foi vaiado durante o ato realizado para marcar a “Inauguração Popular da Transposição”, em Monteiro. O parlamentar foi recepcionado aos gritos de golpista e recebeu uma sonora vaia enquanto discursava ao lado dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Maia tem trabalhado para ser indicado por Ricardo Coutinho para disputar o governo do Estado pelo PSB.

Após sepultar Empreender, Gervásio instala duas CPIs na Assembleia

Gervásio Maia (C) autorizou a instalação das duas CPIs. Foto: Divulgação/ALPB

A Assembleia Legislativa da Paraíba instalou duas Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI’s) com o objetivo de apurar práticas que têm causado danos ao consumidor paraibano. Serão investigadas as instituições bancárias, assim como as empresas de transportes de passageiros e empresas organizadoras de eventos culturais e esportivos. A instalação nas CPIs ocorre no mesmo dia em que o presidente da Casa, Gervásio Maia (PSB), tornou público o arquivamento de cinco propostas de investigações.

De acordo com a propositura 6.848/2017, de autoria do deputado Inácio Falcão (PTdoB) e subscrita por vinte parlamentares, a investigação estará focada em identificar o descumprimento de normas que defendem o consumidor por parte das instituições bancárias. Entre as ilegalidades apontadas, estão a cobrança de taxas indevidas, o fechamento de agências, o tempo de espera dos clientes em filas e o número de caixas disponibilizados para o atendimento dos usuários.

Também relacionado com a defesa do consumidor paraibano, foi instalada uma comissão para investigar empresas de transporte de passageiros e empresas responsáveis por organizar eventos culturais e esportivos em todo o estado. De acordo com a matéria apresentada pelo deputado Anísio Maia (PT), algumas organizações têm descumprindo leis que asseguram ao consumidor direitos como a “meia-passagem” e “meia-entrada”, respectivamente. Segundo o deputado, as denúncias têm se amontoado na Casa.

Ambas as comissões têm o prazo de 120 dias e serão compostas por sete deputados, de acordo com o Regimento Interno da ALPB. Ainda seguindo o Regimento, as CPI’s responsáveis por investigar as empresas de telemarketing e a instalação de radares de velocidade em vias da Capital pela Prefeitura Municipal de João Pessoa foram arquivadas devido ao encerramento do ano legislativo.

Assembleia aprova ‘Medalha Epitácio Pessoa’ para Lula e Dilma com votos da oposição

Comendas para Dilma e Lula foram aprovadas facilmente na Assembleia. Foto: Dilgalção/ALPB

Os deputados estaduais aprovaram nesta quarta-feira (15) dois projetos que preveem a concessão da Medalha Epitácio Pessoa aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. A votação foi repleta de críticas da oposição, que, apesar disso, também contribuiu com votos para a aprovação das propostas. A maioria deles, no entanto, se absteve no caso de Lula e até votou contra em relação a Dilma. As comendas, as mais importantes do Legislativo, serão entregues no próximo domingo, durante evento em Monteiro.

Ao todo, 31 parlamentares se fizeram presentes na hora da votação. Faltaram à sessão os deputados João Henrique (DEM), Daniella Ribeiro (PP), Galego Sousa (PP), Jutay Meneses (PRB) e Ricardo Marcelo (PMDB). O projeto que pedia a comenda para Lula, apresentado por Frei Anastácio (PT), contou com 26 votos a favor e cinco abstenções. Ninguém votou contra. Se abstiveram Tovar Correia Lima (PSDB), Guilherme Almeida (PSC), Renato Gadelha (PSC), Janduhy Carneiro (Podemos) e Camila Toscano (PSDB). Os votos favoráveis, entre os oposicionistas, foram de Arnaldo Monteiro (PSC), Raniery Paulino (PMDB) e Bruno Cunha Lima (PSDB).

Placar

O placar foi um pouco mais apertado em relação a Dilma, com 24 votos a favor, cinco abstenções e dois votos contrários. As negativas foram justamente de Arnaldo e Bruno. O ponto tenso em relação à votação foi do deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB), que pretendia votar contra os dois projetos, mas mudou de ideia por recomendação do governador Ricardo Coutinho. Durante a discussão da matéria, ele relatou o descontentamento e contrariedade em relação à votação.

A ideia dos parlamentares é aproveitar a vinda dos ex-presidentes a Monteiro, no domingo, para fazer a entrega das duas medalhas e também do título de Cidadão Paraibano aprovado em 2003. A proposta, na época, foi apresentada pelo hoje prefeito de Guarabira, Zenóbio Toscano (PSDB). Lula e Dilma chega a Monteiro por volta das 11h, no dia 19, dia de São José, e vão se banhar nas águas do Velho Chico. Um ato político está sendo programado para ocorrer às 12h30.

Gervásio exonera comissionados, mas ainda precisa abrir “caixa-preta”

O Diário do Poder Legislativo (DPL) trouxe nesta terça-feira (7) a publicação de uma portaria assinada pelo novo presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB), no qual ele exonera todos os servidores comissionados que integram a estrutura operacional da Casa. A medida, ele reforça, é para adequar a folha de pagamento à realidade financeira do poder. “Temos as nossas prioridades”, ressaltou, mostrando que as nomeações serão feitas sem pressa.

Última relação de servidores divulgada foi em junho de 2016 e números são suspeitos

O problema em toda essa história é que ninguém sabe exatamente quantos são os comissionados. O consenso existente, no entanto, é que não se restringe aos cinco informados pelo Legislativo ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). O poder, vale ressaltar, não informa com regularidade o quadro de pessoal à corte para que seja disponibilizado no Sistema de Acompanhamento dos Recursos da Sociedade (Sagres). Os dados mais recentes são de junho de 2015.

O número declarado é bem inferior ao existente, já que cada deputado possui uma cota de indicações, com alguns empregando mais de 20 servidores sem a necessidade de concurso público. O presidente do Tribunal de Contas do Estado, André Carlo Torres, informou que a corte está com “processos de acompanhamento abertos” para que se tenha informações mais rápidas e precisas sobre o assunto.

 

 

Gervásio refaz caminho do pai, mas ainda vai penar para se igualhar ao avô

Foto: Rizemberg Felipe

O deputado estadual Gervásio Maia Filho (PSB) assume nesta quarta-feira (1°) o comando da Assembleia Legislativa, refazendo o caminho do pai, também Gervásio Maia, que comandou a Casa entre os anos de 2001 e 2003. Sem dúvida, um importante passo político do parlamentar, mas ainda muito distante do seu objetivo principal: chegar no mesmo posto alcançado pelo avô, João Agripino (1966-1971). Para isso, como se diz no interior, terá ainda que “comer muita farinha”. O parlamentar assume o cargo com ares de preferido do governador Ricardo Coutinho (PSB) para a disputa do Executivo, em 2018, e tem feito por onde merecer a deferência do “chefe”. Maia tomou a frente das principais articulações para atrair prefeitos eleitos por outras siglas para as fileiras do PSB e tem feito a defesa do partido.

Ricardo não esconde de ninguém o apreço pelo neossocialista, importado das fileiras do PMDB. O governador sabe que terá dificuldades para fazer um sucessor, até por que os principais nomes entre os potenciais candidatos ao governo se agrupam nas fileiras da oposição. Integram a lista o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), e o senador José Maranhão (PMDB) – todos ex-aliados e atuais desafetos de Ricardo Coutinho. Mas é bom lembrar que a Paraíba, em seus registros históricos, tem um cemitério cheio de candidatos que se lançaram em disputas achando que estavam eleitos. Que o digam os ex-adversários e hoje aliados Cássio Cunha Lima e José Maranhão, ambos derrotados pelo governador socialista.

Derrotas

A fama de imbatível de Ricardo Coutinho, no entanto, acaba sempre que ele se coloca como transferidor de votos. Talvez pela insistência de a propaganda eleitoral para beneficiar os aliados focarem muito mais o gestor socialista que as suas crias políticas. Outro ponto que poderá complicar a vida de Gervásio Maia, lógico, é o terreno movediço que se forma para a sucessão. O governador tem agido para fragmentar a oposição, principalmente o PMDB, que padece da falta de renovação com fôlego para voos estaduais, mas terá que exorcizar os fantasmas na sua própria base. A deputada Estela Bezerra (PSB), por exemplo, não fica à vontade vendo o crescimento de Maia. Mas a bomba relógio pode estar nas mãos da vice-governadora, Lígia Feliciano (PDT).

Lígia é vista com desconfiança pelo coletivo, ligado a Coutinho, mas será a governadora a partir de abril de 2018, quando o atual gestor deve se afastar do cargo para a provável disputa por uma vaga no Senado. Sem fazer conta disso, Maia tem feito a parte dele, evitando temas espinhosos, como a construção da nova sede da Assembleia Legislativa. Promete colocar mais de 100 prefeitos na sua solenidade de posse, além de deputados e do governador. Terá dois anos à frente no Legislativo para tentar construir um caminho rumo a 2018 mais sólido que a fracassada tentativa do seu antecessor, Adriano Galdino (PSB), no ano passado, quando disputou a prefeitura de Campina Grande e ficou em um constrangedor quarto lugar.

Histórico

De acordo com a assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa, Gervásio Filho será o 60° presidente da Casa em 182 anos da sua existência. Nascido em abril de 1975 e advogado por formação, ele é casado com a também advogada Manuela Maia. Filho do ex-deputado Gervásio Bonavides Mariz Maia e neto do ex-governador da Paraíba, João Agripino Filho. A primeira experiência política de Gervásio Maia foi no ano de 2002, quando foi eleito deputado estadual pelo PMDB com 26.152 votos. Atualmente exerce o quarto mandato de deputado estadual e integra a Comissão de Constituição, Justiça e Redação e Comissão de Administração, Serviços Públicos e Segurança na Assembleia Legislativa da Paraíba.

 

Ricardo Barbosa deixa secretaria em Brasília e reassume mandato na ALPB

Jhonathan Oliveira

Ricardo Barbosa avalia como positiva sua passagem pela secretaria em Brasília (Foto: Nyll Pereira)

O deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB) confirmou que vai deixar a Secretaria de Representação Institucional do Estado, em Brasília, e reassumir o mandato na Assembleia Legislativa em fevereiro. O socialista nunca quis muito assumir o cargo na capital federal e só aceitou o convite do governador Ricardo Coutinho (PSB) para garantir a efetivação de uma manobra que resultou na posse do suplente Raoni Mendes (DEM), em junho.

“ Essa é uma decisão pacificada entre nossos interesses e os compromissos assumidos com o governador Ricardo Coutinho. Eu estarei ao lado do futuro presidente Gervásio Maia, conduzindo os destinos da Assembleia e não poderia, em função da importância desse cargo na mesa , deixá-lo de ocupá-lo”, disse Barbosa, fazendo referência ao cargo de 1º secretário que ele assume com a posse da nova direção da Assembleia.

O deputado afirmou que apesar das divergências entre o governo do Estado e o federal, ele conseguiu colaborar na liberação de recursos represados em Brasília e avalia sua atuação à frente da secretaria como positiva.

Barbosa também disse que um dos motivos para voltar à Assembleia foi o desejo de concluir o mandato de deputado, o primeiro para o qual ele foi diretamente eleito, já que nas outras vezes que passou pelo Legislativo foi como suplente. “Fui eleito para um mandato de quatro anos. Lutei muito, essa foi minha primeira eleição. Não poderia me furtar de um convite do governador Ricardo, fui cumprir essa tarefa lá em Brasília. Essa missão está cumprida”, afirmou.

A expectativa agora é sobre como Ricardo deve se comportar na Assembleia. Antes de virar secretário, o deputado colecionou rusgas com a companheira de bancada e de partido Estela Bezerra (PSB). Ele disse que é parlamentar da base do governo e vai agir como tal.

Com a volta de Ricardo, também vai ser necessária uma nova costura para a manutenção de Raoni Mendes na Assembleia Legislativa. Para isso dois deputados precisam se afastar dos cargos. O primeiro deles vai ser Jeová Campos (PSB), que está internado na UTI de um hospital do Ceará, onde passará por cateterismo. A equação deve se completar com o afastamento de Buba Germano (PSB), nome dado como certo no governo do Estado.