Chuva de ministros na Paraíba não comove petistas deixados de lado

Nunca antes na história da Paraíba tantos ministros da presidente Dilma Rousseff (PT) desembarcaram no estado em tão pouco tempo e com tão pouco ou quase nada para oferecer. Só nesta semana vieram Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário), George Hilton (Esporte) e Gilberto Kassab (Cidades). O modus operandi de todos eles é fazer a social com os políticos, posar para fotos e não anunciar nenhum ou quase nenhum convênio.

Foto: Roberto Guedes/ALPB

Foto: Roberto Guedes/ALPB

A situação andou chateando o deputado estadual Anísio Maia, uma vez que apesar de os auxiliares do governo estarem vindo para tentar criar uma agenda positiva para a presidente Dilma, o PT não tem tido a primazia nas articulações. Para a próxima semana, por exemplo, o ministro Gilberto Occhi (Integração Nacional) vem a Paraíba trazendo na bagagem a magra promessa de liberar R$ 18 milhões, dos R$ 75 milhões cobrados para o combate à seca.

Para a vinda, estão disputando espaço para as fotos ao lado dele os deputados estaduais Daniella Ribeiro (PP) e Jeová Campos (PSB). Isso com direito a troca de acusações de que um está querendo melar a agenda pensada pelo outro. Anísio Maia, por outro lado, se mostrou descontente com a sequência de visitas de ministros sem resultado prático. Além de Occhi, desembarca nos próximos dias no estado o ministro Henrique Alves (Turismo).

“Se até a véspera da vinda do ministro não houver recursos novos, não vou participar da reunião. Vou procurar algo mais interessante para fazer. Não serei um inocente útil. Se for para vir a Paraíba sem trazer recursos novos, economize o dinheiro da passagem de avião, ministro! Melhor ficar em Brasília mesmo!”, disse Anísio.

O deputado petista criticou os deputados e prefeitos ‘marqueteiros’, que teimam em fazer uso político da liberação de pequenos montantes de recursos do Governo Federal. Gilberto Occhi liberou R$ 18 milhões, mas – segundo Anísio – é um montante minúsculo frente às nossas necessidades.

“No Ceará, os deputados estão cobrando do governo federal R$ 600 milhões. Aqui cobram R$ 80 milhões e fazem festa com R$ 18 milhões. Não podemos ser massa de manipulação da politicagem e do marketing mesquinho dos políticos que são responsáveis pela nova indústria da seca. Não adianta vintém nem ninharia. Queremos verbas de verdade”, finalizou Anísio.

Se nem os petistas estão iludidos com as visitas…

MPF e o pote de turmalinas azuis de João Henrique

Um dia depois de ocupar a tribuna da Assembleia Legislativa para mandar o recado aos marginais de que não é rico, o deputado estadual João Henrique (DEM) volta às manchetes. E o motivo: ficar rico, muito rico. O parlamentar é acusado pelo Ministério Público Federal de ter aproveitado a interdição da mina pertencente à Parazul Mineração Comércio e Exploração LTDA. para tentar chegar, pelo subsolo, ao veio de pedras descoberto pela concorrente.

Tourmaline (2)

Bem, mas antes de ir adiante nesta história, vamos relembrar o pronunciamento de João Henrique na Assembleia, onde ele é vice-presidente. Apesar de declarar irrisórios R$ 2,6 milhões de patrimônio (comparado ao valor de mercado dos bens), o deputado bradou da tribuna que não é rico e, por isso, se alguém o sequestrar ou a alguém da família, ficará sem resgate. Ele acusa a Polícia Federal de tê-lo envolvido no escândalo das turmalinas por má-fé.

Agora, vamos aos fatos narrados pelo Ministério Público. Para os procuradores, essa história de não rico de João Henrique é conversa para boi dormir. O tal veio disputado pela Paraíba Tourmaline Mineração LTDA., empresa pertencente ao deputado, e a Parazul, tem potencial exploratório superior a R$ 3 bilhões. Durante a operação, enquanto a Parazul foi interditada, os funcionários da empresa do deputado passaram a trabalhar dia e noite para atingir o veio.

A coisa lá para as bandas de Salgadinho, onde ficam as minas, não é muito diferente dos filmes de bangue-bangue, do velho Oeste, com capangas fortemente armados e algo muito mais valioso que ouro a ser extraído. Apesar de em um primeiro momento ter dito que não extraia a turmalina azul, João Henrique posteriormente admitiu que foram apreendidas pedras em sua casa. Além do mais, o MPF declarou que a exploração ocorria sem o pagamento de royalties.

Na próxima terça-feira, voltam as sessões na Assembleia Legislativa. Resta saber qual será o discurso adotado pelo deputado. O de “eu não sou rico”, definitivamente, não vai colar.

Enquanto o governo não admitir a violência, não dá para esperar mudança

Os alunos da Escola Estadual Luzia Simões Bertolline, no Jardim Planalto, em João Pessoa, voltaram às aulas nesta quarta-feira (3) no mesmo momento em que a violência domina a pauta política. De um lado, os deputados e senadores de oposição batendo na tecla de que a violência vem aumentando. Do outro, o governo e os parlamentares governistas dizendo o contrário. Erro retórico dos dois lados, mas principalmente do governo porque a violência é real.

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

O sentimento é o de que enquanto o governo do Estado não admitir que o problema existe, a população vai continuar refém do medo, porque ela tem batido à nossa porta. Dia sim, outro também, temos recebido notícias de casos como homicídios, incêndios de ônibus, arrombamentos de bancos, tiroteios e assaltos sofridos por amigos. Levantamento apresentado pelo deputado Bruno Cunha Lima (PSDB) na Assembleia mostra que 645 paraibanos foram assassinados este ano.

Todos ouviram o pedido de socorro de uma diretora na escola estadual invadida e saqueada com episódios de terror na última segunda-feira. A situação não pode ser negada e precisa ser mudada, mas isso não pode ser feito simplesmente com o uso da retórica de que não existe violência ou que a oposição está se aproveitando para potencializar eventos pontuais. Não é isso. O problema existe e foi atestado pelo Mapa da Violência.

O estudo divulgado mostra uma crescente nos casos de homicídios em João Pessoa, em particular, e na Paraíba como um todo entre 2002 e 2012. A capital paraibana saiu do posto de 13ª cidade mais violenta para os jovens, para a posição de segunda mais violenta. E isso não é pouco. Basta citar que o Recife, no vizinho estado de Pernambuco, a nossa maior referência de violência, é hoje muito mais tranquila que a antes pacata João Pessoa. Ficou em 11º lugar no mesmo ranking das capitais.

Mesmo quem não é especialista em segurança, como eu, tem plenas condições de dizer que o trabalho feito pelo governo do estado no combate à violência não está surtindo o efeito prometido. E se está, ele é tão discreto que não é percebido. Os hoje críticos do governador Ricardo Coutinho (PSB) precisam justificar o porquê de quando estavam no poder não terem feito o suficiente para impedir a escalada. Isso é fato, mas a população, neste momento, precisa cobrar do gestor da hora.

Acreditem, João Henrique pede a bandidos para não sequestrá-lo porque não é rico

Quem foi à Assembleia Legislativa da Paraíba para cobrir a sessão, nesta terça-feira (2), se viu diante de uma situação inusitada. Indignado, o deputado estadual João Henrique (DEM), vice-presidente da Casa, ocupou a tribuna para atacar a Polícia Federal. Entre outras coisas, alegou que precisará andar acompanhado de seguranças, porque o envolvimento do nome dele na operação Sete Chaves, que investiga o tráfico de turmalinas azuis fez todo mundo achar que ele é bilionário.

Foto: Felipe Gesteira

Foto: Felipe Gesteira

As investigações em curso, encabeçadas pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal, mostram que há minas no esquema com potencial exploratório de 1 bilhão de dólares, o que supera a marca de R$ 3 bilhões. João Henrique, apesar de investigado, se apressa em dizer que não é o caso dele. O parlamentar, em seu discurso, chegou a apelar aos “bandidos” da Paraíba que não sequestrem a ele ou a qualquer pessoa da família, porque não haverá resgate.

É bom lembrar que inicialmente o deputado disse que não tinha encontrado as pedras preciosas em sua mina, em Salgadinho. Depois que a PF exibiu as turmalinas apreendidas, ele admitiu. O Ministério Público Federal alega que elas eram exploradas nas terras do parlamentar, mas que ele não pagava royalties ao governo federal pela exploração. Elas, segundo a polícia, eram levadas para o Rio Grande do Norte, “esquentadas”, seguia para Minas Gerais e depois eram vendidas no exterior.

Quanto ao patrimônio bilionário, ao menos levando em consideração o que foi declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no momento do registro de sua candidatura, mostra que ele tem razão de se queixar. Muita gente, no entanto, vai achar que os valores são um tanto quanto modestos para o que poderia valer se fosse posto à venda. A fazenda onde fica a mina de turmalinas, em Salgadinho, por exemplo, foi avaliado pelo deputado em sua prestação de contas por R$ 109 mil.

A empresa Paraíba Tourmaline Mineração LTDA, contabilizando os seus 50%, foi avaliada pelo deputado em sua declaração de bens em R$ 100 mil. A outra metade é da mulher dele, a prefeita de Monteiro, Edna Henrique. O patrimônio ainda inclui apartamento de alto padrão por R$ 70 mil, em Tambauzinho, em João Pessoa, além de casa no Jardim Oceania, na mesma cidade, pelos mesmos R$ 70 mil. Se ele colocar todo o patrimônio à venda, apura os R$ 2,6 milhões declarados em poucas horas.

Confira a declaração de bens apresentada ao TSE por João Henrique em 2014

Descrição e valor do bem

IMOVEL RURAL DEN. SACO DA ONCA, SAO JOSE DA BATALHA, MUN. SALGADINHO, PB. – DETENTOR DE TITULOS MINERAIS: ALVARAIS NO 3.184 DE 31.07.1996. (ANOTAR NO ALVARA EM NOME DA DOUTORA EDNACE.
R$ 109.085,00

LINHA TELEFONICA 246-5540-PB.
R$ 1.040,94

LINHA TELEFONICA 222-4477, JOAO PESSOA-PB.
R$ 1.133,38

UMA CASA RESIDENCIAL SITUADA NA RUA CEL. JOAO SANTA CRUZ, NO 182, NA CIDADE MONTEIRO – PB, AD. MARIA DO CARMO LINS CAVALCANTI E HERDEIROS, CPF NO 569.733.304-87
R$ 35.000,00

BANCO DO BRASIL S.A – AGENCIA 0229-1 CONTA NO 24408-2 – MONTEIRO PB
R$ 6.663,33

UMA AREA DE TERRA DESMEMBRADA DE AREA MAIOR, LOC. NA PROP. SAO BERNARDO, NA CIDADE DE MONTEIRO – PB, MEDINDO 3 HA 9.603,95 M2, AD. DE DJACI ALEIXO DOS SANTOS – CPF NO 142.170.404-82
R$ 30.000,00

DISPONIBILIDADE
R$ 250.000,00

UM APARTAMENTO NO 403, EDIF. LUCIANA, AV. MIRIAN RABELO > C/IOLANDA CAVALCANTE, JOAO PESSOA-PB. – AD. DEZ/91.
R$ 16.655,34

UMA CASA SITUADA NA CIDADE DE MONTEIRO, PB.
R$ 11.103,54

HILUX TOYOTA SW4 4X4 SRV A/T BANCO COURO ANO/MODELO 2011 COR PRATA – PLACA OFH 0025 PB, AD. CARVALHO E FILHO LTDA – CNPJ NO 08.568.255/0001-67, CONF. NF-E NO 42406 EM 21/09/2011
R$ 158.000,00

UM GALPAO EM GUARABIRA NO LUGAR JUÁ, SENDO COMPOSTO POR: UMA CANTINA, 05 (CINCO) PREDIOS DESTINADOS A GALPAO INDUSTRIAL, ADQ. DE FRANCISCO ANTUNES SOBRINHO E SUA MULHER MARIA DOLORES SARMENTO ANTUNES
R$ 21.000,00

UMA CASA SITUADA A RUA JOAO CANCIO DA SILVA, 1492, JOAO PESSOA-PB.
R$ 55.269,21

UM VEICULO MARCA TOYOTA, CAMIONETA 1999, RENAVAM: 202913, COR VERDE ESCURA, AD. A FIRMA CARVALHO & FILHOS LTDA, NF: 004035, DE 07.08.1999 > PLACA MNI 4888
R$ 45.000,00

BANCO BRADESCO S.A – AGENCIA 1041 CONTA 133.533-2
R$ 28.191,67

PART. NO CAPITAL SOCIAL DA FIRMA: PARAIBA TOURMALINE MINERACAO LTDA, 50% INTEGRALIZADO EM 01.08.2000: R$ 100.000,00 > CGC: 03.769.695/0001-69, CONSTITUIDA EM 01.08.2000, > ALVARA 3.185 DE 31.07.1996.
R$ 100.000,00

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A – AGENCIA 3175 CONTA 10003350
R$ 10.363,57

UM APARTAMENTO SITUADO A RUA CLEMENTINO DE OLIVEIRA, 157, APTO 802, TIPO B, TAMBAUZINHO-PB.
R$ 70.025,96

UMA CASA SITUADA A RUA GERALDO PORTO, 139, JOAO PESSOA-PB.
R$ 41.638,35

UM IMOVEL UR DEN JUÁ GUARABIRA/PB E UM LOTE DE TERRENO PROP. 01 NO TRECHO DE GUARABIRA A PIRPIRIBUBA, ADQ. DO SR. RAIMUNDO N. PINTO GADELHA E SUA ESPOSA LE2 ZE LIV. A SIMONE MELO P. GADELHA
R$ 129.000,00

ALVARA NO 3515 PROCESSO DNPM NO 846005/2001- 0014
R$ 1.000,00

UMA AREA DE TERRA MEDINDO 146,175 HEC, NA PROP. SAO JOAO, LOC. A MARGEM DA BR 412, DENTRO DO PERIMETRO UR. DA CID. DE MONTEIRO-PB
R$ 25.200,00

UMA CASA SITUADA A PRACA DOM URICO, 87, JOAO PESSOA-PB.
R$ 27.758,90

ALVARA NO 2730 – PROCESSO DNPM NO 846038/2003-0019
R$ 1.000,00

CASA NO 1480, SITO A AV. JOAO CANCIO DA SILVA – MANAIRA, JOAO PESSOA – PB, AD. DENYSE ROLIM DE BRITTO – CPF NO 396.614.404-25
R$ 155.000,00

01 RETROESCAVADEIRA B110B 4X4 SERIE HBZN110BJBAH02679 – MARCA NEW HOLLAND CONSTRUCAO, ANO/MODELO 2011, AD DE GMP MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA – CNPJ NO 06.196.577/0001-05
R$ 183.000,00

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A – AGENCIA 4188 CONTA 10001470
R$ 82.682,63

UMA CASA SITUADA A RUA FRANCISCA GONCALVES DE ABRANTES, 100, JARDIM OCEANIA, BESSA, JOAO PESSOA-PB. > AD. ROSANILDA GERMANO DOS SANTOS, LIVRO 1A. 4-4, FL. 073, 6O TAB.-JP-EM 03.06.96
R$ 70.000,00

ALVARA CONFORME PROCESSO NO 846229/2003
R$ 1.000,00

APTO NO 184 NO 18O PAV. BL. 03 TORRE GERIVA C/ 02 VAGAS NA GAR. COND. VEREDA PARAISO NA RUA ARTUR PRADO, 621 – LIBERDADE – SAO PAULO – SP, ADQ. DE RES. ANHUMAS LTDA – CNPJ NO 07.187.413/0001-76
R$ 800.000,00

01 RETROESCAVADEIRA B110B 4X4 SERIE HBZN110BCBAH02983 – MARCA NEW HOLLAND, ANO/MODELO 2011, AD DE GMP MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA – CNPJ NO 06.196.577/0001-05
R$ 183.000,00

Total
R$ 2.648.811,82

PT e PSB não se entendem quando o tema é reeleição em João Pessoa

O PT entende que sim, o PSB entende que não. Esse é o resumo da novela em que se transformou a perspectiva de manutenção da aliança entre as duas siglas para a disputa da reeleição do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT). Depois do governador Ricardo Coutinho (PSB), ontem foi a vez de o presidente do diretório municipal do PSB, Ronaldo Barbosa, negar a existência de acordo para 2016. “Nenhum político faz aliança pré-datada”, disparou.

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As declarações aconteceram durante encontro com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, do qual participaram tanto Luciano Cartaxo, quanto Ronaldo Barbosa. Cartaxo apoiou a reeleição de Ricardo Coutinho no ano passado e esperava a retribuição dos socialistas para 2016, quando ele mesmo concorrerá à reeleição. Na visão dos socialistas, o retorno foi dado no ano passado mesmo, quando apoiaram Lucélio Cartaxo (PT) na disputa pelo Senado.

“A aliança foi referendada pelo povo na eleição passada. Coordenei a campanha de Ricardo Coutinho em João Pessoa, então essa aliança foi muito valorizada pela própria população e se ela deu o aval é lógico que ela tem tudo para seguir em frente”, comentou Luciano Cartaxo, ao ser informado das declarações de Ronaldo Barbosa.

Segundo Barbosa, é preciso primeiramente avaliar a gestão e os interesses locais do partido. “Como disse Garrincha, primeiro temos que combinar com o povo (sic). Tem muita coisa pela frente. Hoje ninguém arrisca dizer como é que vai ficar a reforma (política). Não tenho nada a reclamar sobre a gestão de Cartaxo, mas só em 2016 deve avaliar a gestão”, disse.

O único consenso entre eles é quanto à necessidade de ter serviço para mostrar aos eleitores da capital na disputa do próximo ano. O governador Ricardo Coutinho, inclusive, tem usado o gargalo dos problemas de mobilidade urbana ao falar da gestão petista. Ele declarou na semana passada que as grandes obras de mobilidade urbana na cidade são realizadas pelo governo. (Angélica Nunes, Jornal da Paraíba)

José Maranhão defende chapa puro-sangue para o PMDB em João Pessoa

Temendo um novo racha no PMDB, igual ao que aconteceu na eleição do ano passado, o senador José Maranhão está propondo um chapa puro-sangue para a disputa em João Pessoa, em 2016. Em conversa com a jornalista Angélica Nunes, do Jornal da Paraíba, o dirigente explicou que essa seria a fórmula para apaziguar os ânimos entre os deputados Manoel Júnior (federal) e Gervásio Maia (estadual). Ambos têm planos eleitorais para a capital.

ze-maranhao

Manoel Júnior não esconde de ninguém o desejo de disputar a prefeitura de João Pessoa. Ele acredita que já esperou demais. Júnior foi rifado da disputa em 2008 e em 2012 cedeu espaço para José Maranhão, que foi derrotado nas urnas. Por conta disso, não pretende entregar o partido nas mãos de Gervásio Maia, por entender que o colega de partido tem nos planos fazer uma composição com o PSB e ficar com a vice na chapa.

Gervásio, por outro lado, cobra o cumprimento de acordo firmado há dois anos para a presidência do PMDB de João Pessoa. Ele lembra que foi registrado em ata que Manoel Júnior comandaria a sigla por dois anos e cederia espaço para que Maia assumisse o cargo pelos dois anos seguintes. Diante da situação, Maranhão defende que os dois disputem a eleição como prefeito e vice. Na teoria, a operação está feita, mas na prática…

Wilson Santiago e Wilson Filho iniciam preparação para 2016 e 2018

O ex-senador Wilson Santiago (PTB) não quer cometer nos próximos anos os mesmos erros de 2010 e 2014, quando concentrou sua estratégia para chegar ao Senado em buscar o apoio de lideranças fortes. Não agora, que tem nos planos emplacar o herdeiro político, Wilson Filho (PTB), em um cargo majoritário. Para isso, iniciou um processo precoce de atração de partidos nanicos para sua órbita. Nesta semana, de uma só vez, abocanhou PTC e PHS.

Foto: reprodução

Foto: reprodução

O histórico da família na disputa de cargos majoritários não é boa. Com uma base consolidada em várias eleições para a Câmara, Wilson Santiago se apoiou em José Maranhão (PMDB) na disputa de 2010 para o Senado. Assim como o padrinho político, atravessou a linha de chegada na segunda fila. Em 2014, tendo Cássio Cunha Lima (PSDB) como padrinho, amargou novamente um terceiro lugar na corrida pelo cargo.

Mas para o ano que vem, com projeto do PTB de disputar a prefeitura de João Pessoa, com o deputado federal Wilson Filho encabeçando a chapa, o plano tem sido largar antes na corrida. Com o Partido Trabalhista Brasileiro na mão, a ordem da vez foi partir para a influência sobre outras siglas. As primeiras conquistas foram PTC e PHS, que, após passarem por intervenção nacional, passam a ser comandados por aliados de Santiago.

O PTC deu cartão vermelho ao ex-deputado federal Walter Brito Neto e passará a ser comandado por Igo Franklin de Morais. Já no PHS, quem perdeu o cargo foi Álvaro Gaudêncio Neto, que foi substituído por Expedito Leite da Silva. Nos planos do PTB, agora reforçado, estão a prefeitura de João Pessoa e o Senado. Mas, para isso, será necessária a conquista de muitos outros aliados.

Negociatas, ameaças, nenhum avanço e vídeos pornôs na votação da reforma

A votação da reforma política, nesta semana, não foi muito além do “salve-se quem puder” na hora de discutir as mudanças cobradas pela população. A observação é feita pelos parlamentares que acompanharam as votações. Foram aprovados o fim da reeleição, as doações de empresas apenas para os partidos e a cláusula de barreira. O descaso com os temas foi tão grande que teve deputado federal trocando as votações sessões vídeos pornôs vistos por meio do celular.

Para os paraibanos ouvidos pelo blog, restou a decepção com a votação da reforma política. “A discussão conceitual ficou de lado e restou o salve-se quem puder”, disse o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PMDB). “Parece ficar claro que o problema não é de leis eleitorais, mas dos procedimentos políticos”, acrescenta o deputado Efraim Filho (DEM), para quem a reforma, até agora, não produziu mudança significativa.

Para piorar, o resultado minguado conseguido até agora beneficia unicamente as legendas de aluguel e os nanicos. Ambos temiam o fim das coligações e a cláusula de barreira. E isso conseguido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após uma operação regada a acordos políticos, troca de favores e ameaças (denunciadas por alguns partidos). E como tudo ainda terá que passar por um segundo turno, o resultado pode mudar.

O resumo da reforma até o momento é que teremos uma lei eleitoral pior, mais propensa ao favorecimento de quem pode pagar e aberta à proliferação de novos partidos. Tem pelo menos uns 30 na fornalha. O resumo da seriedade das votações é mesmo o de deputados assistindo filmes pornôs…

Romário chama CBF de “ninho de ratos” e compara Marin e Del Nero a câncer

O senador Romário (PSB-RJ) ganhou o impulso que precisava para instalar a CPI da CBF no Congresso Nacional. Em um discurso duro, nesta quinta-feira (28), a partir do plenário do Senado, ele chamou de “ninho de ratos” o esquema que acoberta os dirigentes “corruptos” do futebol brasileiro. Ele usou a prisão do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, ocorrida na Suíça, para ilustrar os desmandos no país e conseguir as assinaturas necessárias à instalação.

Romário lembrou ainda que foi Marin que esteve ao lado da presidente Dilma Rousseff (PT) recebendo as autoridades e delegações durante a Copa do Mundo no Brasil, no ano passado, o que, segundo ele, envergonha o país. Romário não poupou o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Ele disse que as prisões foi um grande alento para os que amam o esporte. O socialista entrou, sem sucesso, instalar CPI com igual teor quando era deputado federal.

Confira o vídeo.

Greve dos deputados federais para garantir as obras da transposição

A proposta do prefeito de Sousa, André Gadelha (PMDB), de uma greve dos deputados federais e senadores de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte para que a transposição de águas do São Francisco saia do papel merece atenção. O poder de mobilização do gestor paraibano, a bem da verdade, é muito pequeno, perto de zero, mas a coisa muda de figura se os parlamentares dos quatro estados diretamente interessados na obra entrarem na parada.

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Se somarmos as bancadas dos quatro estados, teremos 67 deputados federais e 12 senadores. Um número suficiente para ser ouvido e, principalmente, colocar o “bode na sala”. Seria impossível quase 80 parlamentares gritando por água para seus estados não serem percebidos pela mídia nacional e, principalmente, pela presidente Dilma Rousseff (PT). É inconcebível que uma obra pensada para beneficiar 12 milhões de pessoas não tenha data para ser entregue.

A proposta de André Gadelha é que os deputados e senadores parem de votar matérias enquanto nada for feito. Ele passou nos gabinetes dos deputados federais paraibanos tentando vender a ideia e espera a adesão deles. Minha opinião é que se a medida fosse adotada, no mínimo, o tema voltaria a chamar a atenção. Esse, sim, é um motivo justo para protestar, já que é discutido sem solução desde a época do segundo reinado.