G10 vira G11, escancara postura fisiológica para pressionar João e isola Pollyanna

Grupo assume nova (velha) postura para forçar o governo a ceder espaços na gestão e outros “favores”

Doda de Tião (C) é saudado pelos colegas do G11 ao aderir ao grupo. Foto: divulgação/ALPB

Quem assistiu à criação do G10, na Assembleia Legislativa, viu o surgimento do grupo como natural. A pauta parecia louvável, apesar do desconforto criado para o Executivo. Era um agrupamento formado na base do governo, governista, mas como nível de independência para votar com a oposição quando a consciência assim o mandasse. O governador João Azevêdo (PSB) esperneou, mas teve que ceder em nome do interesse republicano. Acontece que a postura do grupo, agora, começa a passar longe da proposta original. Ela vem embalada com pedidos de mais cargos e outros “favores” nada republicanos.

A postura, lógico, tem criado desconfortos ao Palácio da Redenção. Mesmo com a antipatia de João, o G10 vem se fortalecendo com a conquista de novos integrantes. O último foi o deputado Doda de Tião (PTB). Com isso, passou a ser chamado de G11 e, também, a elevar o tom contra o governo. Os integrantes têm apresentado pedidos nada republicanos ao governador nos bastidores. Todos negam oficialmente, mas a máquina de pressão tem trabalhado a olhos vistos. O governador tem se deparado apenas com os recados. As negativas são tratadas, internamente, com ameaças de rompimento.

Na última terça-feira (6), dia do retorno de fato dos trabalhos trabalhos na Assembleia Legislativa, o grupo decidiu dar um gelo no governador. Para o café da manhã convocado por João Azevêdo apareceu apenas Pollyanna Dutra (PSB). Há quem diga, no governo, ser ela a única contrária a pressões desmedidas contra o gestor. A refeição preparada para 24 deputados ficou praticamente intocada, por conta da frustração do gestor e dos outros integrantes da base aliada.

A mecânica usada pelo grupo se assemelha, em muito, à do Centrão, na Câmara dos Deputados. O grupo de partidos de centro ficou conhecido pelo apetite fisiológico e atrelado ao varejo em troca do apoio no Legislativo. Essa pressão, no caso da Paraíba, é negada por parlamentares como Tião Gomes, mas reforçada por trás dos holofotes no dia a dia. O primeiro discurso de Doda de Tião, ao se agregar ao agora G11, foi o de “fortalecer a atuação no parlamento, não se limitando a posicionamentos de situação ou oposição”. O voluntarismo, no entanto, é visto com desconfiança pelos palacianos.

Enquanto o agora G11 traça rota para se tornar majoritário dentro do governo, cresce na base do governador a insatisfação com a distribuição de cargos. Isso inclui também representantes do blocão e a fatia mais ideológica do PSB. As cobranças de lado a lado colocaram João numa encruzilhada. Se atender o G11, corre o risco de perder o controle na base. Há quem se pergunte quanto tempo o dono da caneta vai aguentar a pressão.

Confira a lista de integrantes do G11

1 – Júnior Araújo (Avante) – líder
2 – Felipe Leitão (Democratas) – vice-líder
3 – Nabor Wanderley (PRB)
4 – Dr. Érico (Cidadania)
5 – Taciano Diniz (Avante)
6 – Genival Matias (Avante)
7 – Tião Gomes (Avante)
8 – João Bosco Carneiro (Cidadania)
9 – Caio Roberto (PL)
10 – Pollyanna Dutra (PSB)
11 – Doda de Tião (PTB)

 

 

Sem dinheiro, UFPB corta terceirizados e “entra no cheque especial” a partir de setembro

Reitora Margareth Diniz vai a Brasília dia 22 e espera reverter contingenciamento de R$ 44 milhões

Universidade terá o funcionamento prejudicado, caso contingenciamento continue. Foto: Krystine Carneiro

A situação de alunos e professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) é de vaca desconhecer bezerro. Com R$ 44 milhões contingenciados pelo Ministério da Educação, serão necessários malabarismos para não fechar as portas a partir de setembro. A reitora da instituição, Margareth Diniz, explicou em entrevista à CBN João Pessoa que o dinheiro disponível para o custeio acaba no fim do mês e que não há outra solução que não seja fazer cortes.

A universidade já dispensou 20% dos servidores terceirizados e esse número poderá chegar a 30%. Apenas o quadro de seguranças não sofreu alteração. “Recebi propostas de trocar a vigilância armada por guardas nas portarias, mas não vou fazer isso num clima de insegurança destes na sociedade”, ressaltou Margareth. Ela explicou que vai tentar destravar os investimentos no próximo dia 22, durante reunião em Brasília.

Caso o dinheiro não venha, o funcionamento vai depender de uma engenharia similar ao uso do cheque especial. Em outras palavras, a UFPB vai ficar devendo na praça. As empresas responsáveis pelo pessoal terceirizado, contratualmente, assumem a responsabilidade de “segurar a barra” por até 90 dias sem pagamento. Ou seja, só receberiam pelos atrasados no ano que vem. Restaria ainda negociar com fornecedores e concessionárias de energia elétrica, por exemplo. Todos teriam que ter maior paciência para esperar o pagamento.

A situação da Paraíba é similar a de outras 63 universidades federais também penalizadas com o contingenciamento. Para economizar, a reitora informou que foi expedida recomendação para o desligamento de ar-condicionado e energia nas salas fora do horário de uso. Houve discussão também sobre o corte de bolsas concedidas aos estudantes, mas ela se recusou.

A UFPB tem 29.993 alunos matriculados, o que representa mais do que a população de 205 cidades paraibanas. Ao todo, são oferecidos 126 cursos de nível superior ofertados. O orçamento previsto para este ano na instituição é de R$ 2,2 bilhões, o terceiro maior da Paraíba. Fica atrás apenas do governo do Estado e da prefeitura de João Pessoa.

João mostra disposição de levar texto de Reforma da Previdência para a Assembleia

Governador ainda tem esperança que destaque incluindo estados e municípios seja apresentado no Senado

João Azevêdo demonstra preocupação com o déficit da Previdência estadual. Foto: Divulgação/Secom-PB

O governador João Azevêdo (PSB) iniciou com os deputados estaduais uma conversa sobre a Reforma da Previdência. O debate ocorreu no mesmo dia em que foi colocado em pauta, na Câmara dos Deputados, a votação do segundo turno da matéria, aprovada na madrugada desta quarta-feira (7). O problema para estados e municípios é que eles foram deixados de fora. A esperança é a de que um destaque seja incluído no Senado, livrando governos e prefeituras deste “cálice”.

João explicou para os parlamentares da base aliada, ao menos os presentes, que vai mandar projeto para a Assembleia Legislativa, caso a questão não seja aprovada no Congresso. No plano nacional, os parlamentares fizeram pressão sobre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para tirar o tema da discussão. Eles se mostraram incomodados com a posição de governadores que, na visão deles, não se mobilizavam em favor do projeto.

A estratégia tende a fazer com que os estados e municípios tenham que resolver, eles mesmos, o próprio problema com a previdência. O déficit previsto para este ano, na Paraíba, é de R$ 2,8 bilhões. Para o ano que vem, este montante deve subir para R$ 4,5 bilhões.  O problema é que um projeto estadual deverá enfrentar resistência na Assembleia Legislativa, principalmente, por causa dos aliados mais próximos ao governador.

Há outros complicativos que precisam ser colocados no radar. O primeiro é o fato de o PSB, partido de João, ter se colocado contra a Reforma da Previdência nacionalmente. Há até deputados correndo o risco de ser expulsos na sigla. Um dos maiores críticos à reforma é justamente o ex-governador Ricardo Coutinho, padrinho político do atual gestor. Para completar, entre os socialistas, Cida Ramos, Estela Bezerra e Jeová Campos já se colocaram contra a matéria.

Um governista revelou ao blog que é uma carga pesada demais para o governador esperar votos da oposição para aprovar a matéria. Já outro disse que vota no momento em que ver Cida, Estela e Jeová defendendo o projeto na tribuna. Há também os que acham que o atual governo, pelas amarras que tem, não conseguirá aprovar a matéria. O melhor caminho ainda é fazer figuinha para que o Congresso resolva o problema.

Caixão, coroa de flores e cremação no “enterro” do Future-se e da Previdência na UFPB

Estudantes e professores fazem protesto contra reformas propostas pelo governo federal

Abraham Weitraub foi alvo do protesto dos estudantes. Foto: Ricardo Araújo/Ascom/ADUFPB

Estudantes e professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) iniciaram um protesto, na manhã desta terça-feira (6), contra o governo federal. Os alvos da manifestação são duas propostas do Executivo. Trata-se do Future-se e da Reforma da Previdência, matérias criticadas por membros da comunidade universitária.

Foi organizado um velório com direito a caixão e coroa de flores. Na urna funerária destinada ao Future-se há a foto do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Na outra, destinado à Reforma da Previdência, foi colocada a foto do presidente Jair Bolsonaro (PSL). A concentração do ato ocorre no Centro de Vivência da instituição de ensino.

Jair Bolsonaro virou alvo do protesto por causa da Reforma da Previdência. Foto: Ricardo Araújo/Ascom/ADUFPB

O roteiro definido pelos organizadores prevê a saída do “cortejo” no final da tarde em direção à Praça da Alegria, no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA). De lá, os caixões serão levados para a parte de fora da Universidade Federal da Paraíba. Lá, haverá a “cremação” das “urnas funerárias”.

O programa Future-se foi apresentado no mês passado pelo ministro da Educação e tem sido alvo de muitas críticas. A proposta do governo federal é liberar as instituições de ensino para que elas busquem parcerias com a iniciativa privada. Os professores e alunos temem que, depois disso, seja implementado o projeto de desinvestimento nas instituições de ensino.

O estudante de mestrado, Ricardo Araújo, explicou que até o fim da tarde serão incluídos três outros caixões para o cortejo. A ideia, com isso, é que se firme uma oposição clara às políticas do governo federal.

Lígia Feliciano representa a Paraíba no Fórum Nacional de Governadores

Gestores vão discutir entre outras coisas a reforma tributária em debate no Congresso

Lígia Feliciano foi escalada por João Azevêdo para representar o Estado. Foto: Divulgação/PSB

A vice-governadora da Paraíba, Lígia Feliciano (PDT), está representando o Estado no VI Fórum Nacional de Governadores, em Brasília. Ela substitui o governador João Azevêdo (PSB) no evento. O tema principal a ser discutido no encontro é a reforma tributária, tema que vai movimentar o Congresso neste segundo semestre. Sobre esse assunto, foram escalados para falar os secretários de Fazenda do Piauí, Rafael Fonteles; e de Pernambuco, Décio Padilha.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, fará uma explanação sobre a Lei Kandir, que prevê isenção de pagamento de tributos sobre exportações de produtos primários e serviços. Outro tema importante em pauta é a discussão sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além de securitização das dívidas, a cessão onerosa dos royalties do petróleo, o Fundo Social e assuntos sobre o meio ambiente.

O fórum

O Fórum Nacional de Governadores é coordenado por Ibaneis Rocha, chefe do Executivo do Distrito Federal. A primeira edição foi ainda no período de transição e contou com a presença do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Programação
8h: Recepção, café e credenciamento.
9h: Abertura da reunião pelos coanfitriões do fórum.
9h10:Apresentação institucional do Banco do Brasil, pelo presidente do Banco do Brasil, Rubem de Freitas Novaes.
9h20: Apresentação do governador Romeu Zema e do presidente da Assembleia de Minas Gerais, deputado Agostinho Patrus, sobre o tema da Lei Kandir.
9h40: Apresentação do secretário de Fazenda do Piauí, Rafael Fonteles, e de Pernambuco, Décio Padilha, sobre a proposta do Comitê dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) para a reforma tributária.
10h: Debate entre os governadores acerca dos itens da pauta.
11h55: Encerramento dos trabalhos.
12h: Almoço.

Bolsonaro ataca João e diz que para ser nordestino falta apenas “crescer um pouquinho a cabeça”

Presidente voltou a negar ataque aos nordestinos ao chamar os gestores da região de “governadores de paraíba”

Bolsonaro critica João Azevêdo durante evento na Bahia. Foto: Divulgação/ABr

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou ao Nordeste pela segunda vez em menos de um mês. O destino foi novamente a Bahia, onde visitou Sobradinho, localizada a 602 quilômetros de Salvador. Lá, ao ser confrontado novamente com a polêmica frase em referência aos “governadores de paraíba”, voltou a assegurar que não tem preconceito com nordestinos. E foi além: afirmou que os governadores do Nordeste querem transformar a região em uma Cuba.

Bolsonaro voltou a apresentar a releitura da própria frase, alegando que quand0 falou dos “paraíbas” fez referência apenas aos governadores do Marnahão, Flávio Dino (PCdoB), e da Paraíba, João Azevêdo (PSB). Em um vídeo postado nas redes sociais do deputado federal Claudio Cajado (PP-BA), gravado durante o evento, Bolsonaro disse que para ser “cabra da peste” só está faltando “crescer um pouquinho a cabeça”. A referência costuma ser usada de forma pejorativa, para dizer que nordestinos têm “cabeça grande” ou “cabeça chata”.

“Não estou aqui com colegas nordestinos para fazer média. […] Mas não existe esta questão de preconceito. Eu tenho preconceito é com governador ladrão que não faz nada para o seu estado”, afirmou o presidente. Bolsonaro voltou a alegar que os governadores escondem que as obras, nos estados, que têm convênio com o governo federal. “Não vou negar nada para o estado. Mas se eles [governadores] quiserem que realmente isso tudo seja atendido, eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro. Caso contrário, eu não vou ter conversa com eles e vou divulgar obras junto às prefeituras”, afirmou.

Bolsonaro ainda afirmou que o Nordeste tem recebido recursos abundantes do governo federal e que não vai admitir que governadores do Maranhão e da Paraíba “façam politicalha perante a minha pessoa”. A declaração ocorre menos de uma semana depois de um levantamento feito pelo Estadão mostrar que a liberação de recursos pela Caixa Econômica para a região caíram de 21% no mesmo período de 2018 para 2,2% neste ano.

Nesta segunda, ele foi à Bahia para inaugurar a primeira etapa da Usina Solar Flutuante, erguida pela Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) em Sobradinho. O projeto foi licitado na gestão de Dilma Rousseff (PT) e foi iniciado durante a gestão de Michel Temer (MDB). Coube a Bolsonaro a conclusão. O projeto foi orçado em R$ 55 milhões. A usina possui 3.792 painéis solares e potência instalada de um megawatt pico.

Transposição: MPF e MPPB cobram do governo federal água para ribeirinhos

Moradores da Vila Lafayette, em Monteiro, tiveram promessas de água para irrigação após terem terras desapropriadas

Moradores da Vila Lafayette, em Monteiro, reclamam de abandono do projeto. Foto: Divulgação/Ministério da Integração Nacional

Gaiola bonita não alimenta não dá comida a canário. Você, certamente, já ouviu falar deste ditado. Foi mais ou menos isso o que aconteceu com os moradores de áreas desapropriadas para a transposição. Os ribeirinhos receberam promessas da construção de vilas produtivas e elas teriam água da transposição para irrigação. O que antes era promessa, virou pesadelo. Um exemplo disso é a Vila Produtiva Rural Lafayette, em Monteiro. Foram R$ 24 milhões investidos e pouca efetividade no cumprimento das promessas.

Os Ministérios Públicos Federal (MPF) e da Paraíba (MPPB), por isso, emitiram recomendação para que, em 90 dias, a Secretaria Nacional de Segurança Hídrica do Ministério do Desenvolvimento Regional que adote medidas efetivas para implementar o sistema de abastecimento de água destinado à irrigação da Vila.

Foi estabelecido prazo de dez dias, a contar do recebimento desta Recomendação, para que a Secretaria notificada se manifeste acerca do atendimento, ou não, aos termos da recomendação. “A omissão na remessa de resposta no prazo estabelecido será considerada como recusa ao cumprimento da recomendação, ensejando a adoção das medidas legais pertinentes. A presente Recomendação dá ciência e constitui em mora o destinatário quanto às providências solicitadas e poderá implicar a adoção de todas as providências judiciais cabíveis, em sua máxima extensão, em face da violação dos dispositivos legais acima referidos”, diz a recomendação.

A inauguração da Vila Produtiva Rural Lafayette foi no dia 1º de dezembro de 2015, mas as famílias só foram morar no novo espaço no dia 15 de março de 2016. De lá para cá, os moradores têm reclamado da omissão do governo federal. Das 61 famílias que receberam as casas na Vila Rural Produtiva Lafayette, 19 eram do sítio Cipó, em Sertânia (PE), 25 eram da zona rural de Monteiro e 17 eram da cidade. Na época, nenhuma delas recebeu nenhum tipo de documentação das terras ou dos imóveis. Junto com as casas, foi construída uma escola, um posto de saúde, praças, parquinhos e espaços para esporte – sendo todos entregues à administração da Prefeitura de Monteiro.

No início deste ano, uma visita à Vila mostrou que a escola não funciona. O chão empoeirado, as telhas quebradas e o mato que cerca o prédio dão sinais de que o espaço está abandonado. A prefeitura diz que a quantidade de crianças na vila, cerca de 30, não é suficiente para abrir a escola.

Gilberto Carneiro é condenado por falsidade ideológica e adulteração de documentos

Decisão diz respeito a atos cometidos durante o período em que Carneiro ocupava cargo na prefeitura de João Pessoa

Gilberto Carneiro foi condenado a cinco anos de prisão, mas ainda cabe recurso da decisão. Foto: Divulgação/Secom-PB

O ex-secretário de Administração da Prefeitura de João Pessoa, Gilberto Carneiro da Gama, foi condenado a cinco anos de reclusão. A decisão foi tomada pelo juiz Adilson Fabrício Gomes Filho, da 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital e deverá ser cumprida em regime semiaberto. O magistrado também determinou o pagamento de 30 dias-multa, pelos crimes dos artigos 297 (falsificação de documento público) e 299 (falsidade ideológica), c/c artigo 69, todos do Código Penal. O ex-secretário é acusado de uso de documentos, ideológica e materialmente falsos, com o intuito de obter proveito próprio.

Com a decisão, o magistrado viu crime em matéria já analisada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). O órgão de controle, no entanto, considerou legais as atividades. Na sentença, ele foi absolvido do crime de uso de documento falso (art. 304 do Código Penal). O juiz seguiu o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), no sentido de que, “se o mesmo sujeito falsifica e, em seguida, usa o documento falsificado, responde apenas pela falsificação, vez que o uso configura post factum não punível, vale dizer, é mero exaurimento do crime de falso”.

O caso está relacionado com o contrato nº 15/2010, oriundo da adesão à Ata de registro de Preços do Estado do Piauí (Pregão Presencial nº 06/2008), firmado pelo Município de João Pessoa com a empresa Desk Móveis Escolares e Produtos Plásticos Ltda, no valor de R$ 3,3 milhões, destinado à aquisição de carteiras escolares. De acordo com a denúncia do Ministério Público, uma auditoria do TCE encontrou impropriedades no processo de compra das carteiras, uma vez que além de sobrepreço não havia autorização do Governo do Piauí para adquirir os produtos, através da citada Ata.

Conforme o MP, o então secretário Gilberto Carneiro teria apresentado documentos nos autos do processo administrativo nº 04070/12, que, em tese, sanariam as irregularidades apontadas, quais sejam, o ofício nº 412/2010-CCEL/PI, supostamente oriundo do Governo do Estado do Piauí, que autorizava a adesão à Ata de Registro de Preço, além de apresentar o suposto Parecer Técnico nº 009/2010, que justificaria a aquisição dos produtos.

Para o Ministério Público, restou constatado que a documentação apresentada pelo denunciado era falsa, tratando-se de uma montagem levada a efeito com o intuito de ludibriar a auditoria do TCE, fato de fácil constatação, já que não há registro de existência de ofício do Governo do Piauí, tampouco do Parecer Técnico. Aponta, ainda, que quanto ao parecer técnico, foi este assinado por pessoa estranha à Comissão Permanente de Licitação da secretaria municipal de João Pessoa, José Robson Fausto, que jamais integrou os quadros da secretaria de Administração do Município, e sim, a Secretaria de Educação, porém, sendo exonerado da função, em 29 de março de 2010, portanto, dois dias antes da data que consta no Parecer Técnico.

A defesa de Gilberto Carneiro alegou que em relação ao delito de falsificação de documento público, a portaria que exonerou o servidor José Robson só foi publicada no Semanário Oficial do Município muito tempo depois e que em virtude disso ele continuou exercendo o cargo de presidente da Comissão Permanente de Licitação da Secretaria de Administração. Já quanto ao delito de falsidade ideológica, argumentou que a ausência de uma letra (b) no nome do suposto subscritor, caracteriza vício meramente material.

O juiz Adilson Fabrício afirma haver, nos autos, elementos que atestam a falsificação do parecer técnico utilizado para sanar irregularidades junto ao processo administrativo que tramitava no TCE. “De todas as provas apresentadas capazes de atestar a falsidade do parecer técnico anexado pelo denunciado, ao procedimento que tramitava junto à Corte de Contas estadual, encontra-se aquela que, a meu ver, não deixa margem de dúvidas acerca do crime perpetrado pelo insurreto, qual seja, a ausência do citado documento dentro do próprio processo de licitação que concluiu pela compra do mobiliário escolar junto à empresa Desk, nos aquivos da municipalidade, além do fato do réu, inicialmente, apesar de ter optado por empresa cujos valores eram mais vantajosos ao erário resolveu, sem nenhuma razão comprovada, contratar o que era mais oneroso aos cofres públicos”, ressaltou.

Na decisão, o magistrado ressalta que como os crimes cometidos pelo réu foram superior a 4 anos de reclusão, não dá direito aos benefícios da substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direito, nem da Suspensão Condicional do Processo (Sursis). Ainda conforme a sentença, Gilberto Carneiro terá direito de apelar em liberdade, uma vez que permaneceu solto durante toda a instrução processual, e não há fato novo que justifique a sua prisão cautelar.

Com informações do Tribunal de Justiça da Paraíba

Grupo espalha outdors por João Pessoa com críticas a Moro e Dallagnol

Propaganda usa frase de carta enviada pelo Papa Francisco a Lula para dizer que “a verdade vencerá a mentira”

Outdoors foram espalhados em vários pontos de João Pessoa com críticas à Lava Jato. Foto: Divulgação

“Justiça não se faz com trapaças!”, dizem, de forma afirmativa, outdoors espalhados pelas ruas de João Pessoa. O material traz estampados dois dos maiores símbolos da operação Lava-Jato: o atual ministro da Justiça e ex-juiz Sérgio Moro e o coordenador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol. O coneúdo foi financiado por um grupo autointitulado “amigos da democracia”, que fez “vaquinha” nas redes sociais para angariar dinheiro.

O material traz ainda, entre aspas, frase do Papa Francisco dita em carta enviada ao ex-presidente Lula. A referência específica é ao que o grupo insinua ter sido um processo viciado conduzido pelo Judiciário para prender o ex-gestor e atender a interesses particulares. “O bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a salvação vencerá a condenação”, diz a frase extraída de carta enviada a Lula por Francisco.

A propaganda negativa contra as duas principais lideranças da Lava Jato ocorre no momento de maior fragilidade da operação. As mensagens veiculadas pelo site The Intercept Brasil e outros veículos parceiros tiraram de procuradores e ex-juiz a mística de que faziam um trabalho isento, na ótica de vários críticos. Nesta quinta-feira, o ministro Luiz Fux proferiu decidisão que proíbe a destruição das mensagens captadas pelo hacker preso pela Polícia Federal. Também foram pedidas, pelo Supremo, cópias do conteúdo.

As mensagens publicadas pelo Intercept Brasil, segundo equipe do site, chegaram ao veículo de forma anônima. Apesar da virtual irregularidade na captação do conteúdo, a publicação é amparada na legislação brasileira.

O Papa Francisco tem sido citado com muita frequência pelos aliados do ex-presidente Lula por causa de posições dele. Recentemente, ele publicou vídeo em que cobra postura isenta dos juízes. Confira:

O material traz ainda, entre aspas, frase do Papa Francisco dita em carta enviada ao ex-presidente Lula. A referência específica é ao que o grupo insinua ter sido um processo viciado conduzido pelo Judiciário para prender o ex-gestor e atender a interesses particulares. “O bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a salvação vencerá a condenação”, diz a frase extraída de carta enviada a Lula por Francisco.

A propaganda negativa contra as duas principais lideranças da Lava Jato ocorre no momento de maior fragilidade da operação. As mensagens veiculadas pelo site The Intercept Brasil e outros veículos parceiros tiraram de procuradores e ex-juiz a mística de que faziam um trabalho isento, na ótica de vários críticos. Nesta quinta-feira, o ministro Luiz Fux proferiu decisão que proíbe a destruição das mensagens captadas pelo hacker preso pela Polícia Federal. Também foram pedidas, pelo Supremo, cópias do conteúdo.

As mensagens publicadas pelo Intercept Brasil, segundo equipe do site, chegaram ao veículo de forma anônima. Apesar da virtual irregularidade na captação do conteúdo, a publicação é amparada na legislação brasileira.

O Papa Francisco tem sido citado com muita frequência pelos aliados do ex-presidente Lula por causa de posições dele. Recentemente, ele publicou vídeo em que cobra postura isenta dos juízes. Confira:

Nonato Bandeira substitui Luís Tôrres no comando da Comunicação do Estado

Nomeação foi confirmada pelo governador João Azevêdo nesta sexta-feira

Nonato Bandeira volta ao comando da Comunicação no Estado. Foto: Divulgação/Twitter

O jornalista Nonato Bandeira foi nomeado nesta sexta-feira (2) pelo governador João Azevêdo para comandar a Secretaria de Comunicação do Governo da Paraíba. Ele agradeceu ao governador pela confiança em seu trabalho e disse estar completamente afinado com o estilo de João em administrar o Estado.

Secretário de Governo desde o início da atual gestão, Bandeira deixa a pasta que passa a ser comandada pelo presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas. Para a Secretaria Executiva de Comunicação, João Azevêdo nomeou o advogado Fábio Barros Araújo.

Com 21 anos de jornalismo na área privada, Nonato Bandeira, atualmente com 54, é formado em Comunicação Social pela UFPB e já ocupou as diversas funções nas redações paraibanas, de revisor a editor geral. Exerceu a presidência da Associação Paraibana de Imprensa, militou no movimento estudantil e sindical, além de coordenar a implantação de rádios comunitárias e ser o responsável pelo projeto que originou a primeira televisão pública da Paraíba, a TV Assembleia.

Na área pública, Nonato Bandeira foi secretário de Comunicação e Chefe de Gabinete da Prefeitura de João Pessoa e do Governo da Paraíba nas gestões de Ricardo Coutinho. Também ocupou a vice-prefeitura de João Pessoa, eleito em 2012 no primeiro mandato de Luciano Cartaxo.

EXECUTIVO

O novo secretário executivo de Comunicação, Fábio Barros Araújo, é formado em Direito pelo Unipê, com especialização na Escola Superior da Magistratura. Exerceu diversos cargos na administração pública. Foi assessor jurídico da Secom, Controlador geral do município, secretário da Transparência Pública e secretário executivo da Comunicação, todos na Prefeitura de João Pessoa. Especialista em Licitações públicas, ele também exerceu a chefia de Gabinete da Secretaria de Comunicação do Estado e recentemente foi assessor jurídico da Secom-PB na gestão do secretário Luís Tôrres.