Ricardo não descarta candidatura de João Azevedo, mas falta ação do socialista

As palavras do governador Ricardo Coutinho (PSB) em relação à pré-candidatura de João Azevedo (PSB) a prefeito de João Pessoa vão em sentido contrário à prática do postulante. Em meio à mega-especulação de que o secretário de Infraestrutura do Estado teria desistido da candidatura, Coutinho tratou de elogiar o auxiliar e tratá-lo como grande quadro. A mensagem é a de que se João quiser, ele será o nome do partido na disputa. A prática, no entanto, é bem diferente. Desde o dia 16 deste mês não se ouve nada sobre a postulação de João Azevedo, que se consolida cada vez mais como “eminência parda” para a disputa.  Simplesmente, não está nas ruas.

Secretário João Azevedo. Foto: Francisco França

Secretário João Azevedo. Foto: Francisco França

O secretário foi a grande estrela da plenária do partido, ocorrida no dia 2 deste mês. De lá para cá, tirando umas críticas pontuais ao atual prefeito, Luciano Cartaxo (PSD), ele não produziu nada em termos de campanha. Nos bastidores há a informação de que a postulação do socialista não decola, por mais esforços que tenham sido feitos. As plenárias ocorridas nos bairros serviram apenas para mobilizar a militância mais próxima e não elevou o alcance da candidatura. Além disso, João Azevedo convive com fantasmas de nomes mais fortes no partido, como a deputada estadual Estela Bezerra; a secretária Cida Ramos e o ex-secretário Tibério Limeira.

Uma reunião foi marcada pelo diretório municipal para esta quarta-feira, quando fatalmente o tema será colocado em pauta. Se for trocar o nome do secretário, Ricardo Coutinho terá que impor uma liderança com maior peso. Nesta segunda-feira, no Conde, ele falou que não faltam bons quadros no PSB. Poderá, inclusive, puxar o deputado estadual Gervásio Maia, recém-filiado no partido, para comandar a disputa. O fato é que não existe uma liderança incontestável sob o guarda-chuvas do PSB e o tempo é curto para consolidar uma candidatura competitiva. O relógio corre contra as pretensões socialistas.

Justiça afasta delegada suspeita de desviar fianças, mas e a corregedoria da Polícia Civil?

O corporativismo da Polícia Civil tem chamado a atenção de membros do Ministério Público da Paraíba. Nesta segunda-feira (25), o juiz  Gustavo Procópio, titular da 5ª Vara de Santa Rita, determinou o afastamento da delegada Maria Solidade de Sousa, da 6ª Delegacia de Polícia da cidade. Ela foi acusada pelo MP de ter se apropriado de valores oriundos de pagamentos fiança. A corregedoria da PC também foi notificada, mas a coisa não andou por lá, o que tem descontentado alguns promotores. De acordo com a denúncia, em 2014, a delegada se apropriou de valores que lhe foram entregues a título de fianças em consequência de autos de prisões em flagrante lavrados, valores que a denunciada detinha em função do cargo e que foram desviados em proveito próprio e alheio.

“O Ministério Público, alegando que a denunciada usou, de forma indevida, os deveres constitucionais e legais impostos aos agentes públicos, requereu, na denúncia, como medida cautelar criminal, o afastamento da delegada Maria Solidade de suas funções públicas”, destacou o magistrado. Na sua decisão, Procópio entendeu que o afastamento da investigada mostra-se conveniente, pois ela exerce um cargo de mando e de poder na estrutura policial e o seu afastamento é necessário para resguardo da instrução criminal, tendo em vista a real possibilidade de destruição de provas e de utilização do cargo para intimidação de servidores, testemunhas e vítimas do processo. A delegada disse que vai recorrer da decisão.

Em sessão tumultuada, vereadores tentam “sepultar” CPI da Lagoa

Os vereadores da base de apoio ao prefeito Luciano Cartaxo (PSD) criaram uma estratégia para dar suporte à decisão do presidente da Casa, Durval Ferreira (PP), de arquivar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta pela oposição para investigar um suposto sobrepreço de R$ 10 milhões nas obras de requalificação da Lagoa e do Parque Solon de Lucena. Em sessão tumultuada, com troca de ofensas e empurrões entre vereadores, foi apresentado um relatório elaborado pela Caixa Econômica Federal (CEF) no qual se conclui que não houve o suposto desvio de recursos apontado pela Controladoria Geral da União (CGU).

A sessão foi puxada pelo líder do governo na Câmara, Marco Antônio (PHS), e contou com a participação dos secretários Daniella Bandeira (Planejamento), Cássio Andrade (Infraestrutura) e Adelmar Regis (Procuradoria). Houve muita tensão no início dos trabalhos. Os vereadores Felipe Leitão (PSL), Renato Martins (PSB) e Raoni Mendes (DEM) se posicionaram na parte frontal à mesa diretora, tentando impedir a continuidade da sessão. Mendes, inclusive, chegou a ser empurrado pelo vereador Professor Gabriel (SD), que não gostou da provocação.

O relatório da Caixa Econômica analisou os valores declarados, bem como a operação para a retirada de sedimentos da Lagoa e, ao final, concluiu pela não existência de irregularidades. O documento foi encaminhado à CGU e vai subsidiar Durval Ferreira na resposta à Justiça, que, atendendo a ação movida pela oposição, cobrou do Legislativo informações sobre o andamento da análise do pedido de CPI protocolado na Casa. Durval tem dito a todos que a Procuradoria da Casa está analisando o pedido e que dará o resultado após ser notificado pelo órgão. Alguém tem dúvida sobre o resultado?

Renúncia de João Azevedo: diretório municipal se reúne na quarta

O secretário de Infraestrutura e Recursos Hídricos da Paraíba, João Azevedo (PSB), desistiu de disputar a prefeitura de João Pessoa, dizem, em off, lideranças socialistas. Informações de bastidores revelam que a dificuldade de decolar nas pesquisas e o período de campanha mais curto teriam desestimulado o gestor escolhido pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) para tentar impedir a reeleição de Luciano Cartaxo (PSD). Uma reunião será realizada pelo diretório municipal do partido, na próxima quarta-feira (27), para oficializar a saída. Ainda não há um nome de consenso na sigla para encarar a disputa, apesar de a deputada Estela Bezerra ser a opção mais forte.

Secretário João Azevedo. Foto: Francisco França

Secretário João Azevedo. Foto: Francisco França

De acordo com informações de bastidores, as pesquisas internas realizadas pelo partido sinalizaram para a dificuldade de a postulação de Azevedo decolar. A nova legislação eleitoral, que reduziu o tempo de campanha, também surgiu como complicativo para retirar uma postulação do zero e torná-la competitiva. Antes, os candidatos tinham 90 dias para fazer campanha de rua e 45 dias para os guias eleitorais e rádio e TV. Agora, o período de campanha foi reduzido para 45 dias e o guia eleitoral será restrito a 35 dias. Ou seja, os nomes menos conhecidos terão muita dificuldade de prosperar.

 

As especulações ganharam força também por causa de episódios colocados na conta de indicativos da desistência. O postulante não atualiza suas páginas nas redes sociais desde o dia 16 deste mês. Além disso, diferente do que seria natural, não participou de nenhuma forma da comemoração pelo aniversário do maior bairro da capital, Mangabeira, ocorrido no último sábado (23). Dirigentes de siglas como o PPS, por exemplo, não fecharam questão em relação ao apoio ao socialista. Nesse contexto, postulações como a de Manoel Júnior (PMDB) começam a ganhar força.

Os nomes mais prováveis para assumir a missão é o da deputada estadual Estela Bezerra, porém, a parlamentar não tem demonstrado interesse. “Ela está se sentindo bem na Assembleia”, disse um aliado. A socialista foi a candidata do PSB na disputa da prefeitura em 2012 e ganhou know-how. Tem um nome mais conhecido que o de Azevedo. Além dela, surgem como possibilidade os nomes do deputado estadual Gervásio Maia (PSB) e a secretária de Desenvolvimento Humano, Cida Ramos.

Cássio e Manoel Júnior ampliam diálogo sobre aliança em João Pessoa

A aproximação entre PMDB e PSDB no contexto nacional, por causa do iminente impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), começa a repercutir também em João Pessoa. Antes visto como patinho feio para a disputa municipal, Manoel Júnior (PMDB) agora vislumbra de forma mais sólida o apoio dos tucanos. O tema tem sido pauta de várias conversas com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) e já não enfrenta uma oposição tão grande dos três vereadores tucanos.

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Alguns ingredientes têm pesado para a aproximação. Há a perspectiva de os tucanos participarem de um eventual governo do vice-presidente Michel Temer (PMDB), a aproximação do prefeito Luciano Cartaxo (PSD) do PP de Durval Ferreira, presidente da Câmara, sinalizando que ele poderá ser o vice na chapa, e a perspectiva de poder, em oposição aos petistas (maiores inimigos dos tucanos), que Manoel Júnior começa a representar.

Aquele movimento dos três vereadores tucanos (Luiz Fávio, Eliza Virgínia e Marcos Vinícius) pró-Cartaxo não existe mais. As declarações do presidente municipal do PSD, Lucélio Cartaxo, de que não havia sinalização de composição da chapa majoritária com o PSDB frustrou os tucanos que, juntos, tiveram mais de 15 mil votos. Eles exigiam de Cássio e Ruy Carneiro uma composição. Eliza Virgínia, por exemplo, não escondeu o seu descontentamento com o não de Lucélio.

Procurado pelo blog, Manoel Júnior revelou que a conversa tem existido e se intensificado. Ele dá gargalhadas quando perguntado sobre a perspectiva de tirar o PSDB da zona de conforto do prefeito Luciano Cartaxo. Ou seja, pelo andar da carruagem, quando Cartaxo acordar, terá perdido a sigla tucana e o seu tempo de TV.

O destino de Dilma nas mãos de um paraibano no Senado

O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) terá seu nome confirmado para o comando da Comissão Especial do Impeachment nesta segunda-feira (25), quando o colegiado será formalmente instalado. O paraibano, de perfil discreto e voluntarioso, tratou de adotar uma postura de indefinição sobre a culpa ou não da presidente Dilma Rousseff (PT), diferente do que há havia anunciado anteriormente, quando se posicionou favorável ao impedimento. O relator da comissão deve ser mesmo o senador mineiro Antônio Anastasia (PSDB). O parlamentar foi indicado pela sigla tucana e dará contornos finais à peça que será votada inicialmente na comissão e posteriormente no plenário da Casa, quando, se acatada a denúncia, a presidente será afastada por 180 dias e o vice, Michel Temer (PMDB), assumirá o cargo.

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Raimundo Lira apresentou algumas novidades para o debate. Após um almoço com o governador Ricardo Coutinho (PSB), um dos principais defensores do mandato da presidente Dilma, ele admitiu ouvir a defesa durante o processo de instrução. A prática é não usual, entretanto, o parlamentar disse acreditar ser esse o melhor caminho. O peemedebista também descartou pressa. Garantiu que será usado o tempo máximo para a apresentação do parecer a partir da instalação da comissão. Ou seja, não antes de dez dias teremos o relatório pronto para ser votado. Lira ressaltou que apesar das especulações, o almoço com Ricardo foi protocolar, para tratar temas relacionados às obras em andamento na Paraíba, principalmente as que versam sobre recursos hídricos.

No curso do trabalho, é inquestionável que haverá muita pressão sobre Raimundo Lira, principalmente, vinda de conterrâneos que compõem o colegiado. O senador Cássio Cunha Lima, líder do PSDB no Senado, estará pronto para “forçar” o andamento da investigação. Por outro lado, o também paraibano Lindbergh Farias (PT-RJ) fará o trabalho contrário, buscando mais tempo para a presidente e também combatendo a tese de crime de responsabilidade, que pesa contra a presidente Dilma Rouseff. Ao todo, a comissão terá 21 integrantes, sendo que, deles, a maioria é a favor do impedimento da gestora petista. Lira, portanto, vai ter muito trabalho para manter o rito do processo com a isenção que ele tem prometido.

José Maranhão abre mão e deixa Comissão do Impeachment de Dilma

O senador José Maranhão (PMDB) não vai mais participar da Comissão Especial do Impeachment que analisa no Senado a admissibilidade do afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) do cargo. A decisão foi oficializada nesta sexta-feira (23), em comunicado direcionado ao líder do partido na Casa, Eunício Oliveira (CE). O paraibano será substituído pelo suplente, Dário Berger, de Santa Catarina. De acordo com o parlamentar, a decisão foi pessoal, para que ele possa se dedicar exclusivamente à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, presidida por ele, e que é a instância de recurso da comissão do impeachment.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O tesoureiro do PMDB da Paraíba, Antônio Souza, explicou que José Maranhão tomou a decisão pela importância que a CCJ terá durante o processo. “Haverá questionamentos na Comissão do Impeachment que, se não dirimidas lá, deverão passar para a Comissão de Constituição e Justiça, como já aconteceu há pouco”, enfatizou o dirigente, acrescentando outro ponto importante que é a participação do vice-presidente da CCJ, José Pimentel (PT-CE), como titular da Comissão do Impeachment. Apesar de ter deixado o colegiado, o senador paraibano enfatiza que continua sendo a favor do  impedimento da presidente.

Com a saída de José Maranhão, a Comissão Especial do Impeachment passa a contar com apenas três paraibanos, ainda a maior representação entre as bancadas na Casa. A conta inclui os senadores Raimundo Lira (PMDB), cotado para assumir a presidência; Cássio Cunha Lima (PSDB), líder da sigla tucana na Casa, e Lindbergh Farias, que, ao contrário dos outros dois, foi eleito para o Senado representando o Rio de Janeiro.

 

Veja a lista completa de senadores indicados para a comissão do impeachment:

PMDB (5 vagas)
– Titulares
Raimundo Lira (PB)
Rose de Freitas (ES)
Simone Tebet (MS)
Dário Berger (SC)
Waldemir Moka (MS)

– Suplentes
Hélio José (DF)
Marta Suplicy (SP)
Garibaldi Alves (RN)
João Alberto Souza (MA)

Bloco da oposição (PSDB, DEM e PV, 4 vagas)
– Titulares
Aloysio Nunes (PSDB-SP)
Antônio Anastasia (PSDB-MG)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Ronaldo Caiado (DEM-GO)

– Suplentes
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)

Bloco de Apoio ao Governo (PT e PDT, 4 vagas)
– Titulares
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
José Pimentel (PT-CE)
Telmário Mota (PDT-RR)

– Suplentes
Humberto Costa (PT-PE)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Acir Gurgacz (PDT-RO)
João Capiberibe (PSB-AP)*
*O PT cedeu uma vaga de suplência ao PSB.

Bloco Moderador (PTB, PR, PSC, PRB e PTC, 2 vagas)
– Titulares
Wellington Fagundes (PR-MT)
Zezé Perrella (PTB-MG)

– Suplentes
Eduardo Amorim (PSC-SE)
Magno Malta (PR-ES)

Bloco Democracia Progressista (PP e PSD, 3 vagas)
– Titulares
José Medeiros (PSD-MT)
Ana Amélia Lemos (PP-RS)
Gladson Cameli (PP-AC)

– Suplentes
Otto Alencar (PSD-BA)
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Wilder Moraes (PP-GO)

Bloco socialismo e democracia (PSB, PPS, PCdoB e Rede, 3 vagas)
– Titulares
Fernando Bezerra (PSB-PE)
Romário (PSB-RJ)
Vanessa Grazziotin (PC do B-AM)

– Suplentes
Roberto Rocha (PSB-MA)
Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Cristovam Buarque (PPS-DF)

 

 

Presidente da Comissão do Impeachment almoça com Ricardo Coutinho

De um lado, o principal cotado para assumir a presidência da Comissão Especial do Impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado, Raimundo Lira (PMDB). Do outro, o governador Ricardo Coutinho (PSB), um dos principais defensores da manutenção do mandato da gestora. O encontro aconteceu durante almoço, em Brasília, nesta quinta-feira (21), mas no cardápio, pelo menos oficialmente, não entrou qualquer discussão sobre a defesa da petista no Congresso. A pauta, garante Lira, foi unicamente para discutir questões administrativas.

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Desde a semana passada, o governador Ricardo Coutinho tem batido cartão em Brasília com muita frequência. Ele integrou a tropa de choque que tentou, sem sucesso, reverter a perspectiva de derrota da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara. Na última quarta-feira, o governador esteve novamente com a mandatária, desta fez para tentar destravar recursos para obras destinadas à Paraíba. O tema foi replicado na conversa com o senador. Segundo Lira, há uma preocupação muito grande com as obras hídricas no Estado. O governador teme que a saída de Dilma fragilize os pleitos do Estado em relação à liberação dos recursos.

“Pelo que o governador me falou, as coisas estão bem encaminhadas e esperamos que esses recursos sejam liberados”, enfatizou Lira. O governo do Estado, segundo Ricardo Coutinho, está construído mais de 600 quilômetros de adutoras e tenta a liberação de recursos para dar início à construção de 4 mil unidades habitacionais. O tempo é curto, já que a comissão do impeachment começa a analisar o pedido de afastamento da presidente na próxima segunda-feira (25), quando o nome de Lira será confirmado na comissão especial. Ele tem dez dias botar o parecer em vocação na comissão e depois no plenário. Se a maioria simples votar pela procedência, a presidente será afastada por 180 dias e o processo segue para confirmar a decisão ou inocentar a gestora.

Aije da PBPrev: defesa de Ricardo diz que maioria dos beneficiados não votam

A defesa do governador Ricardo Coutinho (PSB) contestou nesta sexta-feira (22) os argumentos acatados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) para dar parecer favorável à cassação dos mandatos de Coutinho e sua vice, Lígia Feliciano (PDT). O procurador eleitoral João Bernardo da Silva entendeu como procedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) movida pela coligação “A vontade do povo”, encabeçada pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB). Segundo a denúncia, nos dias 3 e 4 de outubro de 2014, véspera das eleições, a PBPrev deferiu e publicou 205 processos de pagamentos alcançando o montante de R$ 2.754.953,99.

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

O advogado Fábio Brito, que integra a defesa do governador, disse que o parecer do MPE conflita com a “farta prova em sentido contrário existente no processo”. Ele alega, por exemplo, que a maioria dos aposentados e pensionistas beneficiados com os pagamentos são idosos e, por isso, estão dispensados da obrigatoriedade do voto. “Ano a ano, desde 2006, a PBPrev realiza esses pagamentos. O fato de 2014 ser ano eleitoral não era impeditivo à continuidade de atos regulares de gestão, muito menos influenciou na tomada de decisões do órgão”, enfatizou.

Brito ainda descreveu a PBPrev como instituição eminentemente técnica, dotada de plena autonomia administrativa, cujo Conselho de Administração é constituído por representantes do Poder Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e Poder Legislativo. “Em 2014 os pagamentos foram bem inferiores ao aumento da receita própria arrecadada no período”, ressaltou, acrescentando em seguida que “os pagamentos com retroativos em 2008 e 2010 foram muito superiores àqueles feitos em 2014”.

Confira a decisão do procurador

Ricardo tenta liberação de recursos no apagar das luzes do governo Dilma

O governador Ricardo Coutinho (PSB) tem feito gestões junto ao governo federal para que sejam liberados recursos para obras na Paraíba antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT), alvo de um processo de impeachment no Congresso. O gestor paraibano figura entre os principais defensores da mandatária e integrou a tropa de choque que partiu em busca de votos para evitar a autorização do impedimento em votação na Câmara dos Deputados. O caso agora será analisado no Senado. Em reunião na última quarta-feira (20), o paraibano pediu pressa a Dilma na liberação de recursos para obras hídricas e aposentadorias, além dos empréstimos.

RICARDO E DILMA

O governador tenta a liberação de recursos para a conclusão das obras hídricas, atingidas pelo ajuste fiscal, que fez minguar, desde o ano passado, os repasses federais para a Paraíba. São mais de 600 quilômetros de adutora que, segundo Ricardo Coutinho, representam em cinco anos o que se fez no Estado em 40 anos.  Ele tenta a liberação, também, de recursos para o início da construção de 4 mil unidades habitacionais. Coutinho explica que os projetos foram apresentados e falta apenas o okay do governo federal para que as obras comecem a sair do papel.

 

Outro tema que Ricardo não quer deixar para uma eventual gestão do vice-presidente Michel Temer (PMDB) é a liberação do empréstimo de R$ 112 milhões capitado junto a organismos internacionais para serem aplicados no Estado. O empréstimo depende apenas da liberação do Ministério da Fazenda. Outro pedido feito à presidente foi para a revisão do espaço fiscal de endividamento do Estado. Segundo ele, a Paraíba tem capacidade para R$ 4,2 bilhões e está pleiteando apenas R$ 1,2 bilhão. “Precisamos da revisão para que possamos contratar novas operações porque as obras anteriores estão sendo concluídas e precisamos manter os empregos”, disse.

 

A presidente, Ricardo Coutinho assegura, foi receptiva. Resta saber se ela terá tempo o suficiente no cargo para cumprir as promessas.