Aliados já contam com irmã de Ricardo Coutinho na disputa por vaga na Assembleia

Faixa com nome de Sandra Coutinho foi exibida durante inauguração de prédio do Legislativo

Faixa com manifesto de apoio a Gervásio Maia é o primeiro sinal do projeto eleitoral da socialista. Foto: Divulgação

A irmã do governador Ricardo Coutinho (PSB)  está de malas prontas para disputar um vaga na Assembleia Legislativa, em 2018. Isso, pelo menos, é o que dizem pessoas próximas ao gestor socialista. Faixa com o nome de Sandra Coutinho foi exibida, na última quarta-feira (9), durante a inauguração do Centro Administrativo do Legislativo. Se confirmar a pretensão, será a primeira vez que ela disputa uma eleição. Nos últimos anos, Sandra vem ocupando cargos comissionados em repartições cujos gestores são aliados do governador.

Sandra Coutinho atuou no Conde, ainda sob a gestão de Tatiana Correia (PTdoB), depois na Assembleia Legislativa, sob o comando de Adriano Galdino (PSB), e, por fim, na prefeitura de Bayeux, com Dr Expedito (PSB). Ela também coleciona uma meia dúzia de polêmicos embates contra desafetos do governador. Para a disputa de 2018, deve fazer dobradinha com o presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB). O socialista também sonha com a eleição do ano que vem, só que voltado para a disputa de vaga na Câmara dos Deputados.

Ouvida pelo blog, uma liderança ligada ao governador Ricardo Coutinho disse discordar da viabilidade da disputa. “Em primeiro lugar, o governador não daria aval para a candidatura, então, fica claro ser um movimento isolado. Outro ponto é que Ricardo não vai se afastar do Executivo para disputar eleições no ano que vem. Como ele vai continuar no governo, a legislação não permite que ela dispute”, ressaltou.

CRM fará sindicância para apurar licenças médicas de deputados na Assembleia

Jullys Roberto tirou licença para dar lugar a Aníbal Marcolino, mas fará exames apenas em setembro

Jullys Roberto tirou licença para tratamento de saúde. Ela alega problemas em decorrência de uma cirurgia bariátrica. Foto: Roberto Guedes/ALPB

O presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), João Medeiros, anunciou nesta sexta-feira (11) a abertura de uma sindicância para investigar as licenças médicas concedidas a deputados estaduais. O último beneficiado com a medida foi o deputado estadual Jullys Roberto (PMDB). Ele deixa a Casa por 121 dias para a realização de uma cirurgia bariátrica. O parlamentar dará lugar, com a sua saída, para a chegada ao Legislativo do suplente Aníbal Marcolino (PSD). Roberto, em declarações dadas após a licença, admitiu que sua decisão foi balizada pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) e pela base aliada. Marcolino, de oposicionista ferrenho, vai para a Assembleia como governista.

“O Conselho Regional de Medicina tomou conhecimento (da licença) através da mídia e vai solicitar ao médico da Assembleia ou ao médico que concedeu o atestado esclarecimentos sobre o mesmo. Naturalmente, nós vamos investigar isso aí”, ressaltou João Medeiros. O dirigente da entidade relatou que caso seja verificada alguma irregularidade, poderá ser aberto processo ético contra o médico. “Ele poderá ser advertido eticamente”, ressaltou. Medeiros ressaltou que outros casos de licença poderão entrar no radar das investigações. Em caso recente, o deputado Zé Paulo (PSB) justificou seu afastamento da Casa alegando “triglicerina altíssima”.

Para justificar o pedido de licença feito nesta quinta-feira (10), Jullys Roberto explicou que decidiu se afastar por que vinha enfrentando problemas de saúde. Ele realizou uma cirurgia bariátrica há 12 anos. Apesar dos sintomas alegados agora, admite que só vai se submeter a uma bateria de exames em setembro. A licença é de 121 dias. O parlamentar, vale ressaltar, poderia se aconselhar com o deputado federal Rômulo Gouveia (PSD) sobre onde realizar o procedimento com maior brevidade. O pessedista foi submetido a cirurgia bariátrica em abril e não tirou mais do que dez dias de licença na Câmara dos Deputados. Alegou, na época, que fazia isso por sua responsabilidade com a função pública.

“Triglicerina alta”

Outro caso que deverá ser alvo da sindicância do CRM-PB é o do também deputado estadual governista Zé Paulo (PSB). Ele tirou licença em março deste ano alegando “triglicerina altíssima”. Com a licença do parlamentar, ele deu lugar à posse do suplente Cabo Sérgio Rafael, do PCdoB. A sigla era o partido de Zé Paulo até pouco antes das eleições do ano passado, quando ele disputou a prefeitura de Santa Rita e foi derrotado pelo atual prefeito, Emerson Panta (PSDB).

PMDB determina a suspensão de Veneziano do partido por 60 dias

Paraibano foi um dos membros da sigla que votaram favoravelmente à investigação do presidente Temer

Veneziano Vital do Rêgo foi um dos seis deputados peemedebistas que votaram a favor da investigação. Imagem: Reprodução/TV Cabo Branco

O PMDB anunciou nesta quinta-feira (10) a suspensão das funções partidárias dos parlamentares peemedebistas que votaram na Câmara dos Deputados pela admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer (PMDB). A lista inclui o paraibano Veneziano Vital do Rêgo. O ofício com a determinação foi enviado pelo dirigente nacional da sigla, senador Romero Jucá, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Temer foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por suposto crime de corrupção passiva. Caso o Legislativo tivesse autorizado, ele poderia ser processado no Supremo Tribunal Federal (STF).

O PMDB fechou questão para barrar a denúncia. Por esta lógica, ficou determinado que haveria punição contra os deputados rebeldes. Ao todo, seis parlamentares desobedeceram a determinação. Foram eles Celso Pansera (RJ),  titular em 11 comissões e suplente em quatro; Jarbas Vasconcelos (PE), titular em duas comissões; Laura Carneiro (RJ), titular em 11 comissões e suplente em cinco; Sergio Zveiter (RJ), titular em quatro comissões e suplente em uma; Veneziano Vital do Rêgo (PB), titular em quatro comissões e suplente em seis, além de Vitor Valim (CE), titular em 18 comissões e suplente em seis.

Com a decisão, eles ficam impedidos de participar das comissões, por causa do caráter partidário da indicação. De acordo com a assessoria do partido, a suspensão é o primeiro passo do processo disciplinar ao qual os deputados serão submetidos. Nos próximos dias, o Conselho de Ética do PMDB analisará o caso dos seis parlamentares e poderá puni-los com penas que vão de advertência até a expulsão do partido. Eles também ficam afastados das funções nas executivas do partido nos respectivos estados. Ou seja, Veneziano Vital do Rêgo não poderá votar em deliberações do PMDB na Paraíba.

Veja a íntegra da nota do PMDB:

O PMDB, em cumprimento à decisão unânime da Comissão Executiva do partido, suspendeu por 60 dias, de suas funções partidárias, os deputados que votaram a favor da denúncia do presidente da República, Michel Temer. Esta decisão foi tomada por descumprimento dos parlamentares ao fechamento de questão sobre o assunto em reunião realizada no dia 12 de julho, em Brasília. O ato de suspensão ja foi comunicado a todos os filiados e ao Conselho de Ética do partido.

 

Sarmento prevê volta do racionamento em Campina Grande caso haja problema na transposição

Ex-secretário aponta baixa chegada da água da transposição a Boqueirão como causa para o risco

Imagens mostram água passando por “rasgo” no açude Poções. Foto: Divulgação

O ex-secretário de Recursos Hídricos da Paraíba, Francisco Sarmento, lançou um alerta durante entrevista à CBN João Pessoa nesta quinta-feira (10). Ele prevê risco de agravamento do abastecimento de água nos municípios atendidos com água do Açude Epitácio Pessoa. O argumento é o de que atualmente, contabilizando-se chegada de água com a retirada e a evaporação, há apenas uma pequena margem de sobra. “Tem chegado apenas 1,3 metros cúbicos água por segundo, contabilizada a evaporação. Só que atualmente, a retirada para o abastecimento é de 600 litros por segundo. Quando você acabar o racionamento, ela dobra, indo a 1,2 metros cúbicos por segundo. Então, sobrarão 100 litros por segundo para recompor o açude”, disse, alegando que o volume ficará quase que inalterado na melhor das hipóteses.

Com isso, pela lógica, restará pouca manobra para o caso de um imprevisto, ele reforça. Um exemplo disso pode ser a necessidade de uma suspensão prolongada no bombeamento das águas da transposição, para a correção de algum problema. “Se houve qualquer descontinuidade no fornecimento de água, haverá perdas para o manancial. Isso quer dizer que o governo do Estado confia muito no que é prometido pelo Ministério da Integração Nacional, que está operando de forma experimental”, disse Sarmento. Outro ponto apontado, é o risco de novos roubos de água. O ministério denunciou o roubo de pelo menos 20 milhões de metros cúbicos de água nos últimos cinco meses. O órgão chegou a formular denúncia na Delegacia de Sumé, porém, a polícia diz não ter detectado roubo de água.

O cálculo do ex-secretário encontra ressonâncias relativa em declaração do presidente da Companhia de Água e Esgotos (Cagepa), Hélio Cunha Lima, sobre risco de retorno ao racionamento. Ele disse que se houver uma redução na vazão e o consumo começar a ser maior que o aporte de água, chegando a reduzir a volume a um patamar inferior a 8,2%, a Cagepa não descarta retornar ao sistema de racionamento na cidade. “A água é um produto finito e se houver algum problema na Transposição, poderemos voltar ao racionamento”, revelou o presidente da Cagepa, Hélio Cunha Lima durante entrevista nesta semana.

Vamos aos cálculos do ex-secretário. A água da transposição começou a correr pelo rio Paraíba em 10 de março deste ano. De lá para cá, segundo ele, as vazões fornecidas pelo Ministério da Integração Nacional oscilaram entre 4,5 metros cúbicos por segundo, no melhor índice, e zero em vários momentos. Se você contabilizar os últimos cinco meses, levando em consideração dos 19 milhões de metros cúbicos adquiridos pela barragem, terá recarga média de 1,4 metros cúbicos por segundo, descontados evaporação e consumo. Diante deste quadro, não é descabido temer os riscos ao abastecimento, ela avisa. Com o fim do racionamento, se o consumo chegar a 1,2 metro cúbico por segundo, restará 100 litros por segundo para reforçar o abastecimento.

Aesa contesta os dados

O presidente da Agência Executiva de Gestão de Águas do Estado da Paraíba (Aesa), João Fernandes, discorda dos números de Sarmento. “O que ele diz é de uma loucura, uma sandice sem tamanho”, rechaça. Ele alega que nos primeiros dias de operação, chegou a ser bombeado para o Rio Paraíba, em Monteiro, 7,8 metros cúbicos de água. Atualmente, segundo Fernandes, tem saído 4,92 metros cúbicos da Estação Elevatória EBV-6, em Pernambuco. Deste montante, 4,5 metros cúbicos têm chegado a Monteiro, na Paraíba. Daí, seguindo o curso do manancial, tem chegado 2,9 metros cúbicos de água no Jacaré, a área que demarca o início do açude.

“Então vamos lá. Se a gente considerar que chega 2,9 milhões de metros cúbicos no Jacaré, daí até chegar no balde do açude de Boqueirão, eu contabilizo a perda de 750 litros por segundo devido à evaporação. Faço um cálculo por cima. Conto também mais 850 litros da captação para abastecer Campina Grande e as outras 18 cidades. Então sobram, livres, para a recarga do açude, pelo menos 1,3 metros cúbicos de água. Tudo fora disso é invencionice. Falo com a tranquilidade de quem tem as medições diárias”, afirmou João Fernandes. “Não sei por que o professor Francisco Sarmento está se metendo nesta discussão. Ele deveria preservar o conceito do conhecimento que ele diz ter”, ironiza.

 

 

Aníbal Marcolino rompe com Cartaxo ao definir retorno para a Assembleia

Parlamentar reclama de tratamento dispensado pelo prefeito e vai se desfiliar do partido do prefeito

Aníbal Marcolino volta para a Assembleia Legislativa através de uma articulação do governador Ricardo Coutinho. Foto: Divulgação/ALPB

Acabou a paciência. No mesmo dia em que se tornou oficial o seu retorno para a Assembleia Legislativa na condição de suplente, o deputado Aníbal Marcolino (PSD) engrossou as críticas ao colega de partido, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo. Ele diz não ter merecido atenção do correligionário. Para completar, vai pedir a desfiliação da sigla. Ajuda e apoio, ele diz ter recebido sempre do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB). Os dois prefeitos, vale ressaltar, disputam internamente no bloco oposicionista a indicação para a disputa do governo. A reação de Marcolino, no entanto, é vista no bunker de Cartaxo apenas como reflexo da articulação governista que o levou ao Legislativo.

Marcolino chega ao mandato com a licença anunciada pelo deputado estadual Julis Roberto, atualmente no PMDB. Eles disputaram as eleições de 2014 pelo PEN, junto com o ex-presidente da Casa, Ricardo Marcelo, atualmente também filiado ao PMDB. O parlamentar chega à Casa com as bênçãos da oposição, porém, com uma articulação feita pelo grupo ligado ao governador Ricardo Coutinho (PSB). Isso, na visão dos aliados de Cartaxo, justificaria “o fogo nos olhos” de Marcolino contra o prefeito. O xadrez em relação aos apoios na Assembleia, vale ressaltar, não é de fácil compreensão pelos interesses atrelados.

O líder da oposição, Bruno Cunha Lima (PSDB), chegou a comemorar a decisão do deputado peemedebista, com a decisão de se licenciar. “Tanto Julis Roberto quanto Antônio Mineral chegaram à Assembleia Legislativa por meio de licenças de colegas. Eles sabem da importância desse gesto. Depois do diálogo no nosso bloco, Julis decidiu fazer esse gesto também”, ressaltou. Antes de Marcolino, uma articulação permitiu a posse da vereadora de João Pessoa, Eliza Virgínia (PSDB), na Casa. A articulação foi de Romero Rodrigues, que convidou o deputado Tovar Correia Lima (PSDB) para assumir um cargo na prefeitura. Na época, a promessa foi a de que Marcolino seria o próximo beneficiado por uma articulação similar.

O fato é que Ricardo Coutinho chegou antes e articulou melhor. Isso foi dito pelo próprio Julis Roberto após anunciar a licença. Ele revelou que comunicou a decisão de se licenciar ao governador e ao líder do governo na Assembleia, Hervásio Bezerra (PSB). O socialista dispõe de uma grande base de apoio na Casa. O curioso em todo esse processo era que até o anúncio de hoje, Roberto era visto como oposicionista pelos adversários de Ricardo Coutinho. Não é visto mais. Ele assegurou que Aníbal Marcolino vai votar sob a mesma orientação que ele teria na Casa. Ou seja, de adversário, Marcolino chega à Assembleia como aliado do governador.

Título de cidadania que Lula receberá em João Pessoa foi aprovado há 20 anos

Comenda proposta por Júlio Rafael, já falecido, surge como opção ao título de Doutor Honoris Causa da UFPB

Lula virá à Paraíba no dia 26 e ficará até o dia seguinte, no curso da Caravana da Cidadania. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

A Rede Globo ainda exibia a novela O Rei do Gado, em 1997, quando a Câmara de João Pessoa aprovou o Título de Cidadão para o ex-presidente Lula. Na época, o ex-gestor era apenas o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores. Ele se preparava, naquele momento, para sua terceira disputa presidencial, a segunda contra Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O tucano, vale ressaltar, trabalhava naqueles dias nos bastidores para garantir, de forma polêmica e pouco republicana, a sua reeleição. Foi neste ambiente que o então vereador Júlio Rafael (PT) apresentou e viu aprovada a comenda para o hoje ex-presidente. Rafael nunca viu o título ser entregue, já que faleceu em 2013.

A entrega do título de cidadania para Lula poderá ocorrer no dia 26 deste mês. Havia uma expectativa dos petistas de que ele recebesse outro título pretérito na data, o de Doutor Honoris Causa, aprovado em 2011 pela UFPB. Por impossibilidade de agenda, a reitora da Universidade Federal da Paraíba, Margareth Diniz, negou a possibilidade. A vinda do ex-presidente será marcada também por uma campanha de filiação de novas lideranças ao PT. Ele próprio deve abonar algumas das fichas. De João Pessoa, Lula segue para Campina Grande, no dia seguinte, para a participação em um ato. A cidade, na mesma data, sairá do racionamento, graças às águas da transposição. O governador Ricardo Coutinho (PSB) negou a relação.

O título de Cidadão Pessoense ao ex-presidente ocorre também no pior momento político da vida dele. Quando foi concedido, em 1997, Lula figurava como o maior crítico da corrupção. Este, inclusive, era o mote das suas campanhas contra Fernando Collor, Fernando Henrique e os sucessores do tucano. Vinte anos depois, o próprio ex-presidente é alvo das acusações. Se tornou réu em seis processos e foi condenado em um deles, justamente o que apura suposto uso de recursos de propina para a reforma de um apartamento no Guarujá. O ex-presidente alega que o imóvel nunca foi dele e já recorreu da decisão do juiz Sérgio Moro.

A entrega da comenda a Lula será discutida nesta quinta-feira (10) pela mesa diretora da Câmara de João Pessoa.

O ‘todos e todas’ que Sandra Marrocos insiste em inserir no dia a dia da Câmara

Vereadora deixou comissão que revisa a Lei Orgânica por causa da rejeição do grupo à “gramática de gênero”

Vereadora Sandra Marrocos critica postura de comissão, que rejeitou ‘gramática de gênero”. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

A vereadora de João Pessoa, Sandra Marrocos (PSB), comunicou nesta quarta-feira (9) a saída da Comissão Especial da Câmara que atualiza o Regimento Interno da Casa. A parlamentar justificou a saída por não ter conseguido incluir no texto a “gramática de gênero”. Entenda-se com isso, descontentamento devido à recusa dos colegas à proposta de inclusão de expressões como “todos e todas” para designar grupos humanos. A postura da vereadora, convenhamos, não chega sequer à condição de razoável. A gramática de gênero, que não é usada no nosso dia a dia, não contribui para a necessária redução do machismo ou com a que o tema precisa.

Não quero, com isso, minimizar o trabalho da vereadora. Afinal, ela tem atuação destacada na defesa das minorias e debates dos temas da cidade. Não é possível, no entanto, deixar passar batido o juízo sobre temas que não engradecem o Legislativo. A vereadora fez discurso nesta quarta para demonstrar seu descontentamento. Criticou a ausência dos membros da mesa diretora, notadamente o presidente da Casa, Marcos Vinícius (PSDB). Houve desconforto também com o presidente da comissão, João Corujinha. E por quê? Ela explicou: “quero ser chamada de vereadora e não de vereador”.

A língua portuguesa trata grande parte dos plurais no masculino desde que foi reconhecida como idioma oficial de uma nação. Nem por isso deixou de retratar homens e mulheres. Se a lógica fosse válida, ao nos referirmos a pessoas, não poderíamos incluir o gênero masculino. Respeito a bandeira, mas ela não pode surgir como imposição. O texto-base da comissão que analisou o Regimento Interno da Câmara agora será discutido na Comissão de Constituição e Justiça. No caso das propostas apresentadas por Sandra Marrocos e que ficaram de fora, ela promete apresentar em forma de projetos. O debate tende a ser demorado.

‘Deveria haver cláusula de barreira para político ineficiente”, diz Ricardo

Governador reagiu a questionamentos sobre segurança hídrica e acusações ação para marcar visita de Lula

Ricardo Coutinho é acusado por setores da oposição de querer agradar Lula, marcando a normalização do abastecimento para o dia 26. Foto: Francisco França

O governador Ricardo Coutinho (PSB) não gostou dos protestos feitos pela oposição contra o fim do racionamento em Campina Grande. Durante solenidade de entrega de reformas em escolas, nesta quarta-feira (9), ele disse que “deveria haver cláusula de barreira para político ineficiente’. A crítica ocorreu após aliados do prefeito Romero Rodrigues (PSDB) criticarem a normalização do abastecimento. A alegação deles é que há risco de retorno ao racionamento por causa da baixa acumulação de água no Açude Epitácio Pessoa. Alegam também que a data escolhida para a normalização do atendimento seria para contemplar o ex-presidente Lula (PT), que estará na Paraíba nos dias 26 e 27 deste mês.

A suspensão do racionamento está marcada para o dia 26. O anúncio foi feito nesta terça-feira (8), em Campina Grande, pelo secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do Estado, João Azevedo. “Estamos com volume de 7,9% e com certeza estaremos com 8,2% no dia 26 deste mês ou talvez até acima desse volume”, disse Azevedo. O argumento foi reafirmado por Coutinho. Ele alegou que tem entrado mais água no Açude Epitácio Pessoa do que saído e isso é o que vai dar a garantia hídrica. As disposições em contrário ele atribuiu ao despreparo da oposição. “A oposição não entende de nada, não sabe onde a coruja pia”, ironizou o governador.

Oposição

O presidente da Agência Municipal de Desenvolvimento, vereador licenciado Nelson Gomes, repudiou com veemência a decisão por parte do governo do estado em acabar com o racionamento d’água em Campina Grande. “Isso é um absurdo! Um pré-candidato ao governo do estado a mando do governador vir fazer média em nossa cidade. Sou totalmente contra o fim do racionamento. Poderia até haver uma redução, mas o fim?! Jamais!”, disparou Nelson. Ele acrescentou que vários pontos devem ser analisados, dentre eles, a vazão de entrada da água da transposição que é bem menor que a saída, além de não haver nenhum tipo de fiscalização no que se refere às inúmeras construções irregulares de barragens ao longo do rio Paraíba.

Outro crítico à decisão foi o vereador João Dantas (PSD), líder da bancada governista na Câmara Municipal de Campina Grande. Ele alega que a decisão foi precipitada porque, segundo ele, o Açude de Boqueirão sofreu uma recarga de apenas 4%. O parlamentar alertou ainda para o perigo da liberação da irrigação com a água da transposição. “Estas águas são destinadas ao consumo humano e animal”. “Técnicos do Ministério estimam que as ligações não autorizadas já tenham desviado cerca de 20 milhões de metros cúbicos das águas do São Francisco nos últimos 2,5 meses”. Justificam.

 

Relator vota pela liberdade de Berg Lima, mas pedido de vista adia resultado

Prefeito de Bayeux foi afastado do cargo e preso por suspeita de cobrança de propina

Berg Lima foi flagrado em vídeo feito por empresário justamente no momento em que recebia dinheiro supostamente de propina. Imagem: Reprodução

O prefeito afastado de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, Berg Lima (Podemos), continuará preso por pelo menos mais 15 dias. O julgamento do agravo interno, interposto pela defesa do gestor, foi paralisado pelo pedido de vista do desembargador Oswaldo Trigueiro do Valle Filho. Ele foi o segundo membro do Pleno do Tribunal de Justiça da Paraíba a votar no processo. O relator da matéria, o juiz Marcos William de Oliveira, votou pelo provimento do recurso, admitindo a liberdade do gestor, porém, com a imposição de medidas cautelares.

Entre as medidas cautelares estão o pagamento de fiança de 20 salários mínimos, comparecimento mensal ao juízo, manutenção do afastamento do cargo de prefeito, proibição de frequentar prédios públicos na cidade de Bayeux e não se afastar por mais de oito dias da comarca sem avisar ao juízo. Berg Lima está preso preventivamente desde o dia 5 de maio. Ele foi acusado pelo Ministério Público de corrupção passiva e concussão, prática atribuída a funcionário público que exige, para si ou para outrem, vantagem indevida, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la.

Confira o vídeo

Berg foi flagrado em vídeo no dia 5 de maio deste ano quando estaria supostamente extorquindo um empresário do ramo de alimentos de Bayeux. Ele teria cobrado R$ 11,5 mil para quitar débitos deixados pela gestão anterior. A operação para prender o prefeito foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, em parceria com a Polícia Civil. Na denúncia formulada pelo MPPB, o prefeito afastado foi acusado de corrupção passiva e concussão. Ele se encontra preso no 5º Batalhão da Polícia Militar, no bairro do Valentina Figueiredo.

O advogado do prefeito afastado, Shayner Asfora, assegura que os crimes apontados pelo Ministério Público não existiram. Essa é a tese defendida no processo. Ele alega que o vídeo feito durante a operação, gravado pelo empresário, não é o suficiente para alegar que o gestor pediu vantagens. “Ficará claro durante a instrução processual que não houve a prática de concussão. No vídeo não há a prática de crime. O recebimento de dinheiro não é crime. O prefeito não exigiu qualquer vantagem indevida. A instrução processual vai provar. O vídeo não mostra a prática de crime”, assegurou.

Cassação

Além do processo criminal, o prefeito é alvo de um processo de cassação do seu mandato na Câmara de Bayeux. O pedido foi protocolado pelo vereador Adriano Martins (PSB). O Procurador Geral da Câmara, Aécio Farias, diz que o processo será concluído em até 90 dias.

Polêmica sobre título da UFPB mostra que Lula fará campanha com “espada sobre a cabeça”

Universidade nega entrega de título de Doutor Honoris Causa durante a “Caravana da Esperança”

SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP, BRASIL, 04-12-2013, 15h30: Sessão solene do Conselho Universitário da Universidade Federal do ABC para entrega do título Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Um velho político pernambucano, o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB), me disse certa vez que você começa errado tudo o que tem que dar explicações. A frase dele não era direcionada ao ex-presidente Lula (PT), seu adversário histórico. Mas poderia. O petista está no centro de uma polêmica no roteiro da sua passagem pela Paraíba, durante a “Caravana da Esperança”. Na programação haveria o recebimento do título de Doutor Honoris Causa, aprovado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 2011. O ex-gestor é citado, na comenda, como grande benfeitor do ensino superior. E a deferência tem razão de ser, pelos investimentos feitos durante o seu governo. A entrega, agora, no entanto, foi negado pela reitoria da UFPB.

O tema gerou muita polêmica e ganhou as redes sociais. Os paraibanos ficaram divididos. Uma parte dizendo que a comenda é merecida e outra parte criticando, por alegar ser Lula, hoje, um político condenado. Ele foi considerado culpado pelo juiz Sérgio Moro no processo que investiga ocultação de patrimônio na polêmica reforma do tríplex do Guarujá. Foi aplicada contra o ex-gestor uma pena de 9 anos e meio de prisão, a ser cumprida caso a decisão seja ratificada pela segunda instância. O fato demonstra o quanto o petista fará a campanha pretendida, voltada para a disputa do pleito de 2018, com uma espada erguida sobre a cabeça. O petista tem apoio popular, mas ele é muito condicionado à sua inocência.

Em entrevista à imprensa, a reitora da Universidade Federal da Paraíba, Margareth Diniz, disse que explicou a impossibilidade da entrega do prêmio agora. Segundo ela, a organização requer tempo, pois todo o colegiado teria que estar presente, com beca. O Instituto Lula então decidiu centrar fogo na entrega do Título de Cidadania aprovado pela Câmara de João Pessoa. Em contraponto, desde esta terça-feira (8), os defensores do ex-presidente exibem nas redes sociais que Lula receberá o Título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). O da UFPB, vale ressaltar, não pode ser negado, por não ter sido revogado pela instituição. Pode ser marcado para outra oportunidade.

Lula recebeu comenda do mesmo gênero em algumas das principais universidades do mundo. Ganhou realmente muito conceito internacional e com méritos para isso. O problema é que com a sua saída do governo, mais recentemente, surgiram denúncias que o atingiam frontalmente. Ele se tornou réu em pelo menos seis ações e corre risco de ficar impedido de disputar as eleições de 2018 ou até ser preso. É o pior dos mundos para uma figura política que conheceu o topo. A caravana idealizada pelo Partido dos Trabalhadores é para que ele recupere o apoio popular. O detalhe em tudo isso é que de nada adiantará todo este movimento se Lula não conseguir reverter a condenação mais à frente.