Manoel Júnior assume papel de maior defensor de Eduardo Cunha

O deputado federal Manoel Júnior (PMDB) sabe que pagará um preço alto por isso, mesmo assim vem se consolidando como maior defensor do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cunha foi denunciado no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. Ele mentiu em depoimento na CPI da Petrobras, quando negou ter dinheiro na Suíça. O parlamentar também é investigado por ter recebido propina de empreiteiras.

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As provas contra Eduardo Cunha são robustas, o que torna sua permanência no comando da Casa uma aventura jurídica. Mesmo assim, Manoel Júnior tem dado provas de fidelidade ao morto-vivo. Depois de flagrado cantando Dia Branco, de Geraldo Azevedo, para o peemedebista carioca, em festa de aniversário, o paraibano ainda apresentou emenda em um projeto de repatriação de dólares, tornado-o sob medida para salvar a pele de Eduardo Cunha.

Depois disso, tem marcado ponto na Comissão de Ética da Câmara a cada sessão com o objetivo de esvaziá-la ou protelar as votações, com o intuito de salvar a pele de Eduardo Cunha. Por último, depois de se dizer indeciso dobre o impeachment de Dilma Rousseff (PT), sacado do colete por Cunha para retardar a própria cassação, Manoel Júnior foi eleito na chapa dois oposicionista, montada por Cunha.

A comissão está proibida de ir adiante por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, atendendo a ação movida pelo PCdoB. O tema vai ao plenário da corte no dia 16, retardando o andamento do processo de impeachment. E não há dúvidas de que a votação será derrubada pelo colegiado, por ter ocorrido de forma secreta por determinação de Eduardo Cunha. É uma vitória que ele não leva para casa.

Mas Manoel Júnior continuará lá, fiel e à frente da tropa de choque do peemedebista. A fatura será cobrada no ano que vem, quando pretende disputar a prefeitura de João Pessoa. E dará adeus a muitos votos por isso.

Sorry, Temer! Todos viram House of Cards e conhecem os planos de Underwood

O vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) tem feito as vezes de um Frank Underwood tupiniquim. O anti-herói da série jogou com todas as armas para se tornar vice-presidente dos Estados Unidos para, após uma série de jogadas não republicanas, assumir o poder. O vice brasileiro lembra em muito a referência americana. Comanda o maior partido do país, sabe articular tal qual Underwood e sabe encarnar outro personagem, o Amigo da Onça.

Michel Temer

Michel Temer

Temer se queixou em carta pessoal a Dilma Rousseff de ser visto com desconfiança, ele e o PMDB. Como se não houvesse motivo para isso. Os petistas, inspirados pelo ex-presidente Lula, bancaram a aliança com os peemedebistas. O medo alardeado era que o partido pudesse migrar para o apoio a Aécio Neves (PSDB-MG). O partido, como sempre, foi entregue, mas sem todos os opcionais de fábrica. Afinal, o PMDB não é orgânico, é, em sua essência, fisiológico.

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Frank Underwood

Em meio a desconfianças, o casamento foi celebrado com vistas às eleições de 2014. No pleito, como o de costume, uma parte do partido apoiou Dilma, outra parte Aécio Neves. Temer entrou com o tempo de TV, vital para a reeleição, mas, após a posse, trouxe Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para fazer o papel do cunhado bicão. E Cunha, a partir da Câmara, pegou um país já mergulhado em crise econômica e o presenteou com uma crise política.

De fevereiro em diante, Temer, que agora reclama reconhecimento do seu empenho, foi acionado para conter a crise criada pelo PMDB e que, casada com a incompetência política de Dilma, virou uma mistura explosiva. Foi convidado a se retirar da função porque estava combatendo o incêndio com querosene. Semeando a terra arrasada incentivada por ele, deu declarações de que o país precisava de alguém para reunificá-lo.

Mas quem seria essa pessoa? Por certo não seria Dilma Rousseff, a mesma que mentiu durante a campanha, quando negava a existência de crise econômica. Com as unhas de fora, Temer foi jogado no ostracismo e trabalhou o marketing para assumir o governo. O programa eleitoral do PMDB foi trabalhado todo nessa perspectiva. O problema é que Temer não inspira a confiança do Brasileiro para esse processo. O PMDB também não.

O partido é visto com desconfiança pela população, a mesma dispensada a Temer, porque ele é parte de todos os desmandos atribuídos a Dilma Rousseff. É tão sócio em tudo que está ainda mais atolado que o PT no escândalo do Petrolão. Não custa lembrar que o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foram indiciados na Operação Lava Jato. O segundo, inclusive, usa o cargo para tentar se livrar de uma cassação.

Desde que o processo de impeachment foi desencadeado por Cunha, uma espécie de cachorro louco de Temer, o vice-presidente tem se feito de esfinge. Depois de constrangido a se posicionar, o fez através de uma carta pessoal à presidente, onde manifesta insatisfação por ser visto com desconfiança só porque trabalha nos bastidores para minar o governo petista. Descreve seu descontentamento por não ver atendidas reivindicações de cunho fisiológicas.

Virtualmente, Michel Temer rompeu com o governo e a partir de agora intensifica o trabalho para derrubar Dilma Rousseff e assumir o poder. Tenta fazer isso prometendo salvar a pele de Eduardo Cunha. A jogada é arriscada porque ele terá que recorrer ao PMDB para isso. E o partido nunca esteve unido para ajudar ninguém, por se mover sempre por questões não ideológicas. Ulysses Guimarães que o diga.

Na trama de House of Cards, o presidente renuncia após uma crise forjada pelo vice. Frank Underwood assume o mandato e se prepara para a reeleição. A crise agravada pelo PMDB está aí. Para escapar, Dilma terá que fazer muito mais do que fez até aqui. E entre esses artifícios não está dar mais poder a Temer. Afinal, os primeiros passos de Underwood ele já trilhou…

São Paulo, 07 de Dezembro de 2.015.
Senhora Presidente,
“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)
Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio.
Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.
Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos.
Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.
Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo.
Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.
Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido. Isso tudo não gerou confiança em mim. Gera desconfiança e menosprezo do governo.

Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.

1. Passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. A Senhora sabe disso. Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas.

2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários, subsidiários.

3. A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no dia seguinte, ao telefone.

4. No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o Ministério em razão de muitas “desfeitas”, culminando com o que o governo fez a ele, Ministro, retirando sem nenhum aviso prévio, nome com perfil técnico que ele, Ministro da área, indicara para a ANAC. Alardeou-se a) que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz parte de uma suposta “conspiração”.

5. Quando a senhora fez um apelo para que eu assumisse a coordenação política, no momento em que o governo estava muito desprestigiado, atendi e fizemos, eu e o Padilha, aprovar o ajuste fiscal. Tema difícil porque dizia respeito aos trabalhadores e aos empresários. Não titubeamos. Estava em jogo o país. Quando se aprovou o ajuste, nada mais do que fazíamos tinha sequência no governo. Os acordos assumidos no Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de 60 reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio com a nossa credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela coordenação.

6. De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido. Os dois ministros, sabe a senhora, foram nomeados por ele. E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado.

7. Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente, com a oposição. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Parlamento. Aliás, a primeira medida provisória do ajuste foi aprovada graças aos 8 (oito) votos do DEM, 6 (seis) do PSB e 3 do PV, recordando que foi aprovado por apenas 22 votos. Sou criticado por isso, numa visão equivocada do nosso sistema. E não foi sem razão que em duas oportunidades ressaltei que deveríamos reunificar o país. O Palácio resolveu difundir e criticar.

8. Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião de duas horas com o Vice Presidente Joe Biden – com quem construí boa amizade – sem convidar-me o que gerou em seus assessores a pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Vice Presidente dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente? Antes, no episódio da “espionagem” americana, quando as conversar começaram a ser retomadas, a senhora mandava o Ministro da Justiça, para conversar com o Vice Presidente dos Estados Unidos. Tudo isso tem significado absoluta falta de confiança;

9. Mais recentemente, conversa nossa (das duas maiores autoridades do país) foi divulgada e de maneira inverídica sem nenhuma conexão com o teor da conversa.

10. Até o programa “Uma Ponte para o Futuro”, aplaudido pela sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para recuperar a economia e resgatar a confiança foi tido como manobra desleal.

11. PMDB tem ciência de que o governo busca promover a sua divisão, o que já tentou no passado, sem sucesso. A senhora sabe que, como Presidente do PMDB, devo manter cauteloso silencio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade partidária.

Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.

Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.

Respeitosamente,

\ L TEMER

Ricardo participa de ato dos governadores contra o impeachment de Dilma

O governador Ricardo Coutinho (PSB) vai participar nesta terça-feira (8) do movimento “Golpe nunca mais”, em Brasília. O ato vai marcar o protesto dos gestores contrários ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em tramitação na Câmara dos Deputados. Até o momento, 15 governadores ser posicionaram contrariamente ao impedimento da presidente, por entenderem que não há fato determinante para isso.

O gestor paraibano foi um dos primeiros a se posicionarem contra o impeachment, inclusive antes da nota de repúdio divulgada em nome dos governadores do Nordeste, mas que dois deles disseram posteriormente não terem sido consultados (Paulo Câmara, de Pernambuco, e Renan Filho, de Alagoas). Ontem, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), lançou o manifesto ao lado do ex-ministro Ciro Gomes e do presidente do partido, Carlos Lupi.

Entre os governadores que já se posicionaram contrariamente ao impeachment estão dois peemedebistas, Renan Filho e Luiz Fernando Pezão, este último do Rio de Janeiro. Renan é filho do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que terá participação efetiva na tramitação do processo no Congresso. O impeachment foi aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na última quarta-feira (2).

Até agora se posicionaram contra o impeachment Ricardo Coutinho (PSB-PB), Paulo Câmara (PSB-PE), Flávio Dino (PCdoB-MA), Wellington Dias (PT-PI), Camilo Santana (PT-CE), Robinson Faria (PSD-RN), Renan Filho (PMDB-AL), Jackson Barreto (PMDB-SE), Rui Costa (PT-BA), Fernando Pimentel (PT-MG), Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), Marcelo Miranda (PMDB-TO), Waldez Góes (AP) e Tião Viana (PT-AC).

Impeachment está na rua, mas a população não está nem aí

Acho que é necessário fazer uma pequena reflexão entre o processo de impeachment do mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) desencadeado nesta semana pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). É que, curiosamente, tirando mundo político e imprensa, a população em geral tem demonstrado pouco interesse sobre o assunto. Desde a última quarta-feira, quando anunciada a decisão de Cunha, salvo raras exceções, não se vê o debate do assunto nas ruas.

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que Santos e Palmeiras disputaram a final da Copa do Brasil, vencida pelo porco. O tema foi ofuscado pelo noticiário do processo de impeachment, mas é inquestionável que repercutiu mais. E tem um motivo hipotético para isso: os políticos estão desconectados com o interesse da população. As pessoas estão pouco preocupadas em acusar Dilma, mas menos ainda em defendê-la.

Tudo advém do descrédito do Legislativo e do Executivo. Vamos a Cunha. O presidente da Câmara dos Deputados deflagrou o processo por questões pessoais, agindo como lobo solitário para salvar a própria pele. Esperava contar com os três votos petistas no Conselho de Ética, onde responde a processo por quebra de decoro parlamentar e pode perder o mandato. Não conseguiu e retaliou. O deputado foi indiciado no processo da operação Lava-Jato por ter recebido propina de empreiteiras. Além disso, mentiu sobre o dinheiro na Suíça.

Já Dilma Rousseff não merece um perdão maior, porque apesar de não existir nenhuma acusação ligada diretamente a ela, a gestora mentiu na campanha do ano passado, quando recorreu às pedaladas fiscais para maquiar a crise econômica. Vivemos o momento em que se fala no impeachment de um presidente. Isso é muito grave. Na época de Collor, o Brasil pegou fogo. Mas o mesmo não ocorre agora. Literalmente, os políticos não estão sintonizados com a população.

Governador de Pernambuco nega participação em nota de apoio a Dilma

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), negou nesta quinta-feira participação na nota de apoio à presidente Dilma Rousseff (PT) divulgada em nome dos nove governadores do Nordeste. O documento, que teria a concordância dos gestores, repudia o processo de impeachment desencadeado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), contra a gestora petista.

O governador pernambucano, apesar de negar participação na nota conjunta, deixa claro entender que não há as condições apontadas pelo peemedebista para o impedimento do mandato da presidente Dilma e que, no seu entendimento, Cunha não tem condições de continuar à frente da Câmara dos Deputados. Veja a íntegra da nota:

 

NOTA À IMPRENSA
“Gostaria de registrar, para esclarecimento, o meu entendimento a respeito do momento político que vive o Brasil. Não houve tempo, de minha parte, de conversar sobre esta nota que está circulando como sendo a posição dos Governadores do Nordeste. A nota divulgada, a qual respeito, não teve minha participação. E, por isso, gostaria de externar minha posição.
Entendo que não existe, até aqui, as condições para o impedimento da presidente da República. Mas há agora um fato consumado: foi aberto o processo de impeachment, para o qual, no meu entender, o presidente Eduardo Cunha tem sua legitimidade comprometida na condução da Câmara dos Deputados. Ele precisa deixar a presidência da Casa.
Diante do fato consumado, espero que possamos superar esse impasse político. O que a população quer ver são ações em favor da coletividade, tais como a nossa luta para conter o avanço do mosquito aedes aegypti; o combate ao desemprego, que sobe em velocidade; o esforço para tomar medidas certas para controlar a inflação; e nossa atuação para recolocar o Brasil nos trilhos para que o País volte a crescer e a gerar emprego e renda.
É necessária uma união nacional para a superação dos atuais obstáculos. Temos que trabalhar duro para que em 2016 esta crise política seja ultrapassada e que os problemas econômicos sejam efetivamente enfrentados. Isso só será possível com estabilidade política para resgatar a confiança e a credibilidade na nossa economia.
Esse processo também é uma oportunidade para o Governo, de fato, quem sabe,  rearrumar a sua base no Congresso Nacional e aprovar as medidas necessárias para ajustar a economia. É preciso dar um basta na política pequena, de troca de favores para qualquer tomada de posição.
Nosso partido não votou nem na presidente da República e nem no presidente da Câmara dos Deputados. Trilhamos nosso próprio caminho. Essa postura continuará, defendendo as instituições e o respeito à Constituição do País.”
Paulo Câmara
Governador do Estado de Pernambuco

Governadores do Nordeste divulgam nota de apoio a Dilma e contra impeachment

Os nove governadores do Nordeste assinaram uma nota conjunta, nesta quinta-feira (3), na qual condenam a deflagração do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT). O documento lembra a luta histórica do país pela democracia e acusa o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de agir com propósitos exclusivos de salvar a própria pele, por causa do processo que responde na Conselho de Ética da Casa, por quebra de decoro.

Confira a nota na íntegra:

 

Nota dos Governadores do Nordeste

“Diante da decisão do Presidente da Câmara dos Deputados de abrir processo de impeachment contra a Exma Presidenta da República, Dilma Roussef, os Governadores do Nordeste manifestam seu repúdio a essa absurda tentativa de jogar a Nação em tumultos derivados de um indesejado retrocesso institucional. Gerações lutaram para que tivéssemos plena democracia política, com eleições livres e periódicas, que devem ser respeitadas. O processo de impeachment, por sua excepcionalidade, depende da caracterização de crime de responsabilidade tipificado na Constituição, praticado dolosamente pelo Presidente da República. Isso inexiste no atual momento brasileiro. Na verdade, a decisão de abrir o tal processo de impeachment decorreu de propósitos puramente pessoais, em claro e evidente desvio de finalidade. Diante desse panorama, os Governadores do Nordeste anunciam sua posição contrária ao impeachment nos termos apresentados, e estarão mobilizados para que a serenidade e o bom senso prevaleçam. Em vez de golpismos, o Brasil precisa de união, diálogo e de decisões capazes de retomar o crescimento econômico, com distribuição de renda.”

Robinson Farias (PSD – Rio Grande do Norte)
Flavio Dino (PCdoB – Maranhão)
Ricardo Coutinho (PSB – Paraiba)
Camilo Santana (PT – Ceara)
Rui Costa (PT – Bahia)
Paulo Câmara (PSB – Pernambuco)
Wellington Dias (PT – Piaui)
Jackson Barreto ( PMDB – Sergipe)
Renan Filho (PMDB – Alagoas)

Independente da motivação, o resultado do impeachment é imprevisível

Está na cara para qualquer um ver que a deflagração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teve motivações nada republicanas. Chantagem, tráfico de influência, ameaças… não importa. A abertura do processo representa, sim, perigo para a continuidade da presidente no poder. Não pelos argumentos usados pelo peemedebista, que são muito frágeis do ponto de vista constitucional, mas pelo risco de um fato novo, ligado às investigações da Lava-Jato. O julgamento, não custa lembrar, é político.

Dilma e Eduardo

A presidente fez pronunciamento nesta quarta-feira (2), logo após a coletiva de Eduardo Cunha, para dizer que não existe nenhuma denúncia de crime cometido por ela. Usando de ironia e fazendo referência ao agora desafeto, disse que não tem dinheiro na Suíça. A observação tem endereço certo: a opinião pública. O aspecto é a simples observação de que Cunha, com o impeachment, tenta criar uma cortina de fumaça para ele próprio escapar da forca. Negociou até o último minuto pelos três votos do PT no Conselho de Ética da Câmara, onde responde por quebra de decoro parlamentar.

É fato que Eduardo Cunha se reveste de uma legalidade apenas institucional para a abertura do processo de impeachment. Enquanto não for cassado ou preso, tal qual o acontecido com o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ele continua presidente da Câmara. No momento em que anunciou  a deflagração do processo, alegou ter aceitado os argumentos de Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Pascoal de que as pedaladas fiscais cometidas pela presidente no ano passado tiveram continuidade neste ano. Vale ressaltar que as indicações deste ano têm base em auditorias, não em julgamentos.

Os argumentos são frágeis, porque existe o entendimento legal de que um presidente não pode ser condenado por crimes cometidos antes do mandato em curso. O tema de que o segundo mandato é uma continuidade do primeiro ainda não foi enfrentado pelo Supremo Tribunal Federal. Por isso, a dúvida. De fato, resta o entendimento de que não seria difícil para o governo conseguir os 171 votos para não permitir a admissibilidade do processo. Vai haver protestos a favor e contra o impeachment, mas dificilmente, eles terão os contornos do “Fora Collor” ou mesmo os protestos de junho de 2013.

Dilma precisa temer a pressão do empresariado, quase que majoritariamente contra ela por causa dos erros na condução da economia. Terá a caneta a seu favor para satisfazer as ânsias fisiológicas da base aliada. Mas a maior preocupação deve ficar por conta de novos passos da operação Lava-Jato. Mesmo não sendo investigada, denúncias que levem a Lula ou a pessoas próximas ou mesmo documentos contra Dilma Rousseff seriam fatais. Literalmente, o processo de impeachment é como uma bola chuveirada na área, que pode ser cabeceada em direção ao gol a qualquer momento.

Crise faz prefeitura de João Pessoa sepultar Extremo Cultural e rever o réveillon

A decisão ainda não foi oficializada pelo prefeito Luciano Cartaxo (PSD), mas em reuniões recentes na Prefeitura de João Pessoa, o gestor definiu que não vai realizar o Extremo Cultural no ano que vem e que o réveillon deste ano também terá uma estrutura mais modesta que a de anos anteriores. A decisão tem como base a necessidade de economizar para que os recursos sejam canalizados para a conclusão das obras em andamento na cidade.

LucianoCartaxo

Desde o início do ano, o gestor vem cortando despesas na prefeitura. Primeiro, em janeiro, optou por um corte de mais de 1,5 mil prestadores de serviço. Depois, ainda no primeiro semestre, determinou um corte de no mínimo 20% as despesas com custeio e 30% os gastos com cargos comissionados e gratificações, tomando como base os valores registrados em 31 de dezembro de 2014. No caso do Turismo, por exemplo, os cortes limitaram o orçamento a pouco mais que a manutenção administrativa da repartição, fazendo com que o então secretário Bruno Farias abandonasse o cargo.

De acordo com um dos auxiliares do prefeito, as medidas de economia estão sendo adotadas porque o momento obriga, devido ao contingenciamento do governo federal. Um dos exemplos citados foi o da requalificação da Lagoa do Parque Solon de Lucena, cuja obra está sendo tocada quase que exclusivamente com recursos próprios. “O próximo ano será de retração da economia e todas as medidas preventivas devem ser adotadas”, destacou um pessedista ligado ao prefeito.

O Extremo Cultural deste ano já foi mais modesto que o do ano passado, do ponto de vista das atrações e dias de festa. Enquanto em janeiro de 2014 ocorriam shows na sexta e sábado, neste ano, as atrações se apresentavam apenas aos sábados. Confira abaixo as programações de 2015 e 2014.

Programação de 2015

10/01
20h – Banda Macumbia
22h – Maria Rita

17/01
20h – AbradOs Zoio
22h – Seu Jorge

24/01
20h – Val Donato
22h – RPM

31/01
20h – Mirandinha e Pura Raiz
22h – Grupo Revelação

Programação de 2014
Sábado (4): Busto de Tamandaré
20h – Vinícius e Sobral
22h – César Menotte e Fabiano

Sexta-feira (10)
20h – Gustavo Magno
22h – Vanessa da Mata

Sábado (11)
20h – Erick Von Sohsten
22h – Beth Carvalho

Sexta (17)
20h- Ramon Schnayder
22h – Dudu Nobre

Sábado (18)
20h – Mira Maya
22h- Frejat

Sexta (24)
20h – Rock Retrô
22h – Jota Quest

Sábado (25)
20h – Eloísa Olinto
22h – Gal Costa

Sexta (31)
20h – Renata Arruda
22h – Roberta Sá

Sábado (01/02)
20h – Val Donato
22h – Titãs

 

Comissão Especial aprova PEC da Zona Franca do Semiárido na Câmara

Depois de três anos de tramitação, a Comissão Especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Zona Franca do Semiárido aprovou o projeto tal qual a sua concepção. Com isso, o autor da proposta, o deputado federal Wilson Filho (PTB) espera que ela seja colocada na pauta de votações do Legislativo antes do recesso. O tema será apresentado na reunião do colegiado de líderes, na próxima terça-feira (8). “Tenho o compromisso do presidente da Câmara (Eduardo Cunha) de que a PEC vai a plenário ainda neste ano”, disse o parlamentar paraibano.

A Zona Franca do Semiárido, caso seja aprovada, vai funcionar nos moldes da de Manaus, oferecendo isenção de impostos para as empresas que decidirem investir na região. O polo central da Zona Franca será Cajazeiras, na Paraíba, de onde será traçado um raio imaginário que incluirá os municípios beneficiados. Wilson Filho lembra que medida semelhante na Zona Franca de Manaus resultou na criação de 100 mil empregos. A proposta abre nova perspectiva para uma região do Estado castigada pelas secas.

A Zona Franca do Semiárido incluirá, por exemplo, as cidades de Sousa e Pombal, na Paraíba, além de Juazeiro do Norte, no Ceará. Antes de ver a sua proposta aprovada na Comissão Especial, o deputado Wilson Filho precisou travar alguns embates com os colegas. Uma das emendas apresentadas previa a criação de 10 zonas francas, sendo uma cidade em cada estado do Nordeste, mais Minas Gerais, por causa do vale do Jequitinhonha. A proposta de que a medida seja votada neste ano existe, mas é pouco provável com o presidente da Casa ainda lutando para fugir da cassação.

A inocência vista por três paraibanos da tropa de choque de Eduardo Cunha

Não vou negar. Assistir à sessão da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (1), não foi das missões mais agradáveis. Principalmente para se ver três deputados da bancada paraibana se esmerarem em argumentos ou articulações para salvar a pele do deputado federal e presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). É difícil saber que inocência foi enxergada por Hugo Motta (PMDB), Manoel Júnior (PMDB) e Wellington Roberto (PR).

Os três mexeram os seus pauzinhos para evitar que fosse votado já nesta terça o parecer do relator Fausto Pinato (PRB-SP) que defende a continuidade do processo de cassação do deputado por ter mentido a respeito dos dólares na Suíça. E os três deputados paraibanos, muito ligados a Cunha, fizeram o dever de casa nos artifícios para protelar a sessão e, vejam só, alegar falta de culpa de um parlamentar capaz de vender a mãe para se manter no cargo.

Foto: Antonio Araújo / Câmara dos Deputados

Foto: Antonio Araújo / Câmara dos Deputados

O deputado Hugo Motta (PMDB-PE), próximo do presidente da Câmara, sustentou que a deputada Eliziane Gama (REDE-MA) não poderia votar porque foi eleita para o colegiado por indicação do bloco do PSDB-PPS-PSB, quando estava filiada ao PPS. Uma manobra puramente protelatória, que acabou recusada pelo presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA). O parlamentar quer que a votação ocorra antes do recesso.

Mas o gesto de Hugo Motta foi só desjejum. A créme de la créme foi ver os discursos de Manoel Júnior e Wellinton Roberto sobre e a “inconsistência” das acusações contra Cunha. Em dado momento, parecia falarem de Madre Tereza de Calcutá. Nem de longe parecia referência ao indiciado na Operação Lava-Jato, por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, nem o deputado que mentiu sobre os dólares no exterior. E tudo documentado.

Manoel Júnior é acusado de integrar a tropa de choque de Eduardo Cunha e também articular situações para protelar a sua cassação. Nesta terça-feira assegurou que Cunha não mentiu na CPI da Petrobras. Disse que o Ministério Público não conseguiu provar que o dinheiro é do Petrolão. Um discurso que, certamente, será usado contra ele nas eleições do ano que vem, porque se tem uma denúncia documentada contra alguém, esse alguém é Cunha.

Não há dúvidas de que os três deputados do baixo clero da casa vão pagar um preço político pela articulação para salvar a pele de Cunha. E esse dia, para quem vai concorrer eleições no ano que vem, no caso de Manoel Júnior, não demora a chegar.