Disputa interna no PMDB assume ares de Fla-Flu de novela mexicana

Quanto mais se aproxima o dia 30, prazo de vigência prorrogada da atual composição da direção do PMDB em João Pessoa, mais se eleva o tom da discórdia entre o deputado federal Manoel Júnior e o deputado estadual Gervásio Maia. A situação é quase irremediável, coisa de novela mexicana mesmo, onde o atual presidente, Manoel Júnior, é descrito por Maia como o vilão da história. Já Maia é visto como um “bebê chorão”.

É muito difícil imaginar ser possível sair um acordo daí. Manoel Júnior tem dito aos interlocutores que vai disputar novo mandato à frente do partido, para bater chapa com um Gervásio Maia, que se recusa a entrar na disputa. Ele cobra acordo feito há dois anos, quando ficou acertado em ata que o deputado federal comandaria o diretório de João Pessoa por dois anos e Maia ficaria os outros dois.

O deputado estadual sabe que tem menor capital político em João Pessoa, por isso, se recusa a entrar na disputa. A capacidade de fazer acordos, aliás, tem sido o trunfo do peemedebista nas últimas conquistas. Ele fechou acordo com o PSB para a eleição de Adriano Galdino para a presidência da Assembleia Legislativa e recebeu de volta a garantia de que comandaria o poder nos últimos dois anos da legislatura.

Essa habilidade não vai ajudar o peemedebista na solução da discórdia paroquial. Maia já sabe que não adianta bater na porta do presidente estadual do partido, o senador José Maranhão. O parlamentar está convencido de que Manoel Júnior deve ser o presidente do partido e preparar as bases para a disputa no ano que vem, em João Pessoa. Conclusão: para Maia, restará disputar o comando do partido ou ficar chorando pelos cantos.

Perto de Cunha, Severino Cavalcanti era o próprio pixuleco

Corrupção é corrupção, seja ela grande ou pequena, mas têm sido injustas as comparações entre os malfeitos atribuídos ao atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ex-presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE). O primeiro foi denunciado no Supremo Tribunal Federal (STF) ontem e acusado de operar U$ 80 milhões em propinas para facilitar contratos da Petrobras com a Camargo Correia. O segundo, um mensalinho na Câmara.

Severino Cavalcanti cobrava R$ 10 mil mensais de um restaurante na Câmara dos Deputados, para garantir a manutenção dele. Cunha, bem mais. Cavalcanti renunciou ao mandato para se defender das acusações e evitar uma cassação. Cunha pode até cair, mas fará isso atirando, apesar de lideranças de dez partidos já trabalharem pela saída dele. Cavalcanti foi essencial para segurar o processo de impeachment do ex-presidente Lula, em 2005. Cunha, por outro lado, é homem bomba.

O procurador da República, Rodrigo Janot, fez constar na denúncia contra Cunha que “tiranos sempre caem”, em referência a frase de Mahatma Ghandi. Severino Cavalcanti, sem apoio no Congresso Nacional, caiu logo. Cunha promete lutar, mas é bom que se diga. Se o Supremo aceitar a denúncia, o bicho pega…

Suspeição de Nominando Diniz compromete quase toda a corte do TCE

O governador Ricardo Coutinho (PSB) colocou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) em uma saia justa por causa da suspeição lançada contra o conselheiro Nominando Diniz, relator das contas do Executivo, em 2014. Tudo por que se a corte considerar pertinentes as acusações do gestor, por tabela, quase todos os conselheiros serão levados à condição de suspeitos. No caso específico, Coutinho pediu a suspeição de Nominando por ele, no passado, ter figurado entre os aliados políticos do senador Cássio Cunha Lima (PSDB).

A denúncia se refere também aos laços de amizade entre o conselheiro e o senador, que, no caso prático, diz respeito ao fato de Nominando Diniz ter coordenado a campanha de Cássio Cunha Lima em 2002. Com isso, caberá ao presidente do Tribunal de Contas do Estado, Arthur Cunha Lima, primo de Cássio, definir um relator para o processo, que, pela lógica, não poderá ser Fernando Catão, tio de Cássio; Fábio Nogueira, amigo de infância de Cássio; nem Arnóbio Viana, nomeado para o tribunal pelo ex-governador Ronaldo Cunha Lima, pai de Cássio.

O único conselheiro que sobraria para relatar o caso seria André Carlo Torres, que foi nomeado pelo governador em 2012. Mas é bom lembrar que mesmo com a remota possibilidade de o relatório indicar que Nominando Diniz precisa se averbar suspeito nas contas de Ricardo, ele terá um voto diante dos outros cinco. Torres é o único entre os conselheiros que não chegou ao cargo por indicação política, já que ele é da cota dos auditores. A outra vaga ainda não foi preenchida pelo governador entre os indicados na lista tríplice.

Pela lógica, se Ricardo Coutinho for pedir a suspeição de todo mundo que tem ou teve alguma ligação com Cássio Cunha Lima, não haverá rodízio na apreciação das contas dele. Ou seja, se as escolhas para o TCE não têm cara de republicanas, apesar de constitucionais, o pedido de suspeição do governador segue no mesmo sentido.

Presidente estadual do PT cobra entrega de cargos de Manoel Júnior

Os petistas não perdoaram as declarações do deputado federal Manoel Júnior (PMDB), que, em manifestações recentes, pediu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em contato com o blog, o presidente estadual da sigla, Charliton Machado, cobrou que o parlamentar “largue o osso” e entregue os cargos, fazendo referência à frase dita pelo ex-governador do Ceará, Cid Gomes, durante pronunciamento na Câmara dos Deputados, quando ocupava o Ministério da Educação.

Confira o recado do dirigente:

“Em tempos de cinismo e covardia, cabe ao deputado Manoel Júnior negar o óbvio: suas indicações em cargos de gerência do INSS e áreas estratégicas na CBTU (planejamento/licitação), apenas para citar alguns desses espaços tão bem reivindicados pelo nobre parlamentar desde o governo Lula. Parafraseando o ex-governador do Ceará, Cid Gomes: se o nobre parlamentar não acredita no projeto político que governa o país, tenha pelo menos a dignidade de “soltar o osso!” Caso contrário, vai continuar cultivando o princípio da mentira piedosa”, disse Charliton Machado.

PMDB prorroga mandato de diretório para o dia 30

O mandato dos membros do Diretório do PMDB de João Pessoa foi prorrogado até 30 de agosto, quando será realizada a convenção municipal. Até lá, o deputado federal Manoel Júnior continua presidente do partido na Capital do Estado, tendo como 1º vice-presidente o vereador Fernando Milanez, e Ronivon Ramalho, o Mangueira, o 2º vice. O deputado estadual Gervásio Maia é o secretário-geral, enquanto Abraão Cavalcanti permanece como tesoureiro. O vereador João Almeida é o líder do partido na Câmara Municipal.

Manoel Júnior quer permanecer na presidência da legenda ou indicar um aliado para o posto, a fim de viabilizar sua candidatura a prefeito. Por sua vez, Gervásio cobra o rodízio no comando da legenda, conforme fora acordado há dois anos.

Por Josusmar Barabosa, do Jornal da Paraíba

Ricardo se afasta do governo em setembro para fazer cirurgia

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), vai tirar nova licença em setembro, desta vez para a realização de uma cirurgia. O afastamento será por 10 ou 15 dias e, durante este período, o cargo será ocupado pela vice-governadora Lígia Feliciano (PDT). A informação foi confirmada por uma fonte do governo. A data exata do afastamento e qual procedimento cirúrgico será realizado não foi confirmado.

Ricardo Coutinho (E) na transmissão de posse de Galdino e Cavalcanti

Ricardo Coutinho (D) na posse de Galdino e Cavalcanti

Informações ainda não oficiais dão conta de que o gestor vai realizar cirurgia para correção dentária, refazendo procedimento anterior, mas que não teria apresentado o resultado esperado. Outra tese, também ainda não confirmada, é que o procedimento seria para tratar de uma sinusite.

Da última vez que saiu de licença, no mês passado, o gestor aproveitou o tempo para descansar. Durante os dez dias em que esteve afastado, o governo do estado foi ocupado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), e pelo presidente do Tribunal de Justiça, Marcos Cavalcanti, o segundo e o terceiro, respectivamente, na linha de sucessão. Neste período, a vice-governadora viajou à Rússia, onde cumpriu agenda.

Manutenção eleva para 36 os dias sem sessão na Assembleia Legislativa

Nem precisava o deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB) ter apresentado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que aumentou para 72 dias a folga dos parlamentares na Assembleia Legislativa da Paraíba. Isso porque a tese do de grão em grão a galinha enche o papo já valeria para garantir uma paradinha considerável para os deputados. Só de junho para cá, contabilizando-se duas manutenções na Casa, os parlamentares ganharam 36 dias de folga.

A última anunciada foi o conserto do vazamento de um esgoto, que vai consumir 10 dias de trabalho. Ou seja, as sessões voltam a ser realizadas apenas na semana que vem. Isso se o trabalho obtiver êxito. O presidente da Casa, Adriano Galdino (PSB), garantiu que não haverá prejuízo para os trabalhos, visto que a pauta está limpa. Enquanto isso, dormem nas gavetas do Legislativo projetos como a PEC do Voto Aberto e as CPIs dos Pardais e do Telemarketing.

Não digo que a reforma é irrelevante ou que os deputados precisam trabalhar sentindo mau cheiro. Mas nada impediria que suas sessões fossem realizadas fora, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo. Não seria uma inovação. É bom lembrar que segundo nota divulgada pela Assembleia Legislativa, o trabalho administrativo na Casa continua.

PSDB falha na tentativa de capitalizar indignação popular contra Dilma Rousseff

A data, o 16 de agosto, era sugestiva. Nela, em 1992, aconteceu o primeiro dos grandes protestos que pediam o impeachment do ex-presidente Fernando Collor. O que ocorreu meses depois. No centro das atenções, agora, a presidente Dilma Rousseff (PT), que amarga popularidade inferior à do hoje senador alagoano, com não muito mais do que 7%. Some-se a isso os escândalos de corrupção envolvendo o governo. Mesmo assim, os tucanos falharam.

Manifestações convocadas por organizações contrárias ao governo ocorrem com tranquilidade na Esplanada dos Ministérios (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Manifestações convocadas por organizações contrárias ao governo ocorrem com tranquilidade na Esplanada dos Ministérios (Antonio Cruz/Agência Brasil)

As principais lideranças do PSDB, notadamente o senador Aécio Neves, saíram às ruas para pedir o impeachment da presidente. Isso na esperança de que a pressão repercuta na cassação do mandato de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele foi para a rua em Belo Horizonte (MG), enquanto os senadores Aloysio Nunes, em Brasília (DF); José Serra, em São Paulo (SP), e Cássio Cunha Lima, em João Pessoa, também apostaram suas popularidades nos protestos.

O resultado das manifestações foi comemorado pelos petistas. A cúpula nacional, que se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, neste domingo (16), foi cautelosa. O restante, nem tanto. Em João Pessoa, o presidente estadual da sigla, Charliton Machado, ironizou através das redes sociais a participação dos tucanos. “Cássio Cunha Lima consegue a proeza de mobilizar 100 pessoas no protesto fascista em João Pessoa.‪#‎NãoVaiTerGolpe‬”, disse.

A ironia tem um pouco de exagero. A Polícia Militar estimou em 800 o número de manifestantes em João Pessoa e 350 em Campina Grande. A participação foi inferior à registrada nos protestos de março e abril. O fenômeno não foi diferente do contexto nacional. O portal G1 trouxe quadro em que, somados os protestos de todo o Brasil, fica claro que o deste domingo, com 879 mil, teve frequência maior que o de abril, com 701 mil, mas é muito inferior a março, 2,4 milhões.

Com isso, fica claro que a cassação ou o impeachment da presidente vai depender exclusivamente da comprovação de crime relacionado a ela. As pressões das ruas mostraram ser insuficientes para acelerar o processo. Ficou claro que o PSDB não conseguiu representar as vozes das ruas.

Manifestação deste domingo é “última cartada” para os defensores do impeachment

A manifestação puxada neste domingo (16) pelo Movimento Brasil Livre para o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) servirá de termômetro para se aferir o poder do antipetismo. Se houver uma grande movimentação, dela podem surgir as bases para um eventual impedimento da gestora, independente do grau de culpa dela com os escândalos hora denunciado pela operação Lava Jato. Nada supera a pressão popular.

Abaixo, o vídeo Chega, feito pela banda “Os Reaça” para o protesto:

O fato mais forte em defesa da presidente Dilma, até o momento, é não existir nada concreto que a ligue aos escândalos. Nada ainda que justifique o impeachment. Até porque incompetência política e administrativa ainda não são previstas como crime no Código Penal. Tudo muda, no entanto, se houve pressão popular. Ela pode verdadeiramente influenciar a questão jurídica e legislativa, nos moldes do que ocorreu com Fernando Collor de Mello.

Abaixo, a contraofensiva petista:

Nao golpe

Em viagem recente a Brasília, procurei conversar com jornalistas, políticos e até personalidades do mundo jurídico – uma delas militando na Procuradoria da República. Resultado: a participação das ruas surge como ponto crucial, na avaliação de todos eles, para uma eventual cassação ou impeachment. Os adversários de Dilma, notadamente o PSDB, atacam em várias frentes. Impeachment ou cassação por questão eleitoral. O que vier é lucro.

Vejo como erro, no entanto, a manifestação do PSDB de apoio ao movimento. O partido assumiu papel de protagonismo nos protestos, apesar de o distanciamento histórico não ter apagado o passado de escândalos que evolveu a gestão de Fernando Henrique Cardoso. E o que aconteceu na época não dá para ser comparado com o agora, pelo fato de que antes praticamente nada era investigado. Ia para baixo do tapete. Todos lembram disso.

Apesar de pouco provável, Dilma estaria frita se fossem repetidos os movimentos de junho de 2013, quando as pessoas foram às ruas com pautas difusas, mas sinceras e não contaminadas por partidos políticos. O cenário para este domingo permanece um completo mistério. A mobilização para atrair os manifestantes foi muito acanhada. Quem se esforçou mesmo foi o PSDB, que entende pouco de rua e corre o risco de converter o movimento em comício.

Por conta disso, se a frequência for boa, o PSDB pode comemorar. O partido entende, no entanto, que a melhor bandeira não é a do impeachment. Até porque ela favorece o PMDB, que veria o atual vice-presidente, Michel Temer, assumindo o poder. Nesse meio tempo, até a eleição, prepararia o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para a sucessão. Resta ao PSDB que o clima se agrave a ponto de pressionar o TSE a cassar Dilma por crime eleitoral.

A cassação por crime eleitoral suscitaria uma nova eleição. Com isso, o senador Aécio Neves, segundo colocado no pleito do ano passado, tentaria, agora com mais chances, chegar à Presidência da República. Isso independente de boa parte dos organizadores do movimento flertarem perigosamente com um golpe militar. O fato de o protesto ter concentração em frente ao Grupamento de Engenharia do Exército, em João Pessoa, alimenta a desconfiança.

Petistas e tucanos já chegaram à conclusão de que se o protesto tivesse ocorrido uma semana antes, a participação popular seria maior. Na semana passada, Dilma Rousseff amargou algumas de suas maiores derrotas na Câmara. Foi isso que fez a petista despertar. Não por acaso, além de uma agenda positiva, a presidente buscou o apoio da Justiça e do Legislativo. Resultado: adiamento para o julgamento das contas no TCU e congelamento de ações no TSE.

Com o auxílio do ex-presidente Lula, expert em sair de enrascada política, Dilma conseguiu isolar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua pauta bomba que tem como destino preparar a Casa para o impeachment da presidente. Nesse contexto, foi vital puxar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ), para o lado dela. O contexto no PMDB é que se o carro do impeachment embalar, atropela o PMDB, porque pressiona também o TSE.

Tudo muda, no entanto, se os protestos de hoje em todo o país forem de grandes proporções.

Bancada jovem do PSDB lança vídeo com convocação para protestos

Os integrantes da bancada jovem do PSDB na Câmara dos Deputados divulgaram vídeo com convocação para o protesto contra a presidente Dilma Rousseff (PT), marcado para domingo nas principais cidades do Brasil. Na Paraíba, o evento promovido pelo movimento “Vem pra rua” acontecerá em João Pessoa e em Campina Grande. Entre os participantes do vídeo está o deputado federal paraibano Pedro Cunha Lima, filho do senador Cássio Cunha Lima, também defensor das manifestações. Nas imagens, em sequência, eles vão surgindo e dizendo que não aguentam mais “tanta roubalheira”, “mentira” e “incompetência”. O desfecho é dizendo que domingo eles vão para a rua.

O grupo faz parte da ala mais radical em defesa do impeachment da presidente. Os “cabeças pretas”, como são chamados no partido, fazem um contraponto à ala mais antiga, a dos “cabeças brancas”, formada por expoentes como o ex-presidente Fernando Henrique e o senador Aloysio Nunes (SP), que preferem ver a presidente “sangrar” no cargo e ser derrotada nas urnas. Isso caso não surja um crime que a implique de forma clara. Em João Pessoa, o protesto tem concentração em frente ao Grupamento de Engenharia e Construção, do Exército, de onde os manifestantes seguem em direção ao Busto de Tamandaré. E como já deixaram claro, os deputados do PSDB estarão presentes