Anísio Maia frustra convite da Comissão da Mulher para Pâmela Bório

O deputado estadual Anísio Maia (PT) frustrou a esperança da deputada Daniella Ribeiro (PP) de ver a ex-primeira-dama Pâmela Bório prestando esclarecimentos na Assembleia Legislativa sobre o suposto uso da máquina do Estado para atacá-la. Bório fez as acusações após ser apresentada como pivô de uma briga com a babá do seu filho, Indaiá Moreira. Segundo ela, o governo estaria financiando os ataques a ela em blogs e portais de notícias.

Daniella Ribeiro sugeriu à deputada Camila Toscano (PSDB), presidente da Comissão Estadual de Mulheres, que fizesse o convite a Pâmela Bório para que ela explicasse as acusações que tem feito contra o estado. Toscano, no entanto, disse precisaria submeter a demanda à comissão, que tem dois deputados da oposição e três governistas. São Camila e Tovar Correia Lima (PSDB) da oposição e Estela Bezerra (PSB), Hervázio Bezerra (PSB) e Anísio Maia (PT), pelo governo.

Daniella Ribeiro usou uma entrevista na CBN para cobrar dos colegas Estela e Anísio que defendam a convocação. O petista, no entanto, se disse contra a convocação, por entender que o tema é privado do governador e da ex-premeira-dama. “É uma questão muito particular de ambos, por isso, não vou participar desse tema”, disse.

Para vereador, cortejo de acusados em Patos foi “desfile cívico” fora de época

Passados três dias do assassinato brutal do cabo da Polícia Militar Ubirajara Moreira Dias, em Patos, o que mais choca é o comportamento das autoridades do Estado. A Lei de Talião, do olho por olho, dente por dente, tem virado bandeira não apenas da PM, que, após prender os suspeitos, desfilou com eles em carro aberto, no maior estilo século XVIII. No caso deles, pode-se até dizer que a emotividade, por causa da morte de um colega, falou mais alto.

Patos

Mas não dá para entender um governador do Estado, no caso Ricardo Coutinho (PSB), fazendo o mesmo. E pior ainda é perceber que ele não está só no mundo político. Nesta terça-feira, o vereador de João Pessoa, João Almeida (SD), apresentou voto de aplauso para os policiais militares de Patos. Não apenas pela caçada aos assassinos do cabo, mas por, usando as palavras dele, terem feito “um desfile cívico com os bandidos”.

De uns tempos para cá, tem se tornado comum autoridades políticas, embaladas pela sede de popularidade, adotarem postura muito próxima da tese do “bandido bom é bandido morto”. Quando as coisas seguem por aí, para que se chegue ao estado em que os justiceiros passam a ser heróis é só um pulo. A experiência acumulada no mundo mostra que não se combate violência com violência, mas com educação e oportunidade.

Jogar com desinformação é fácil, pregar que se resolve violência baixando a maioridade penal é fácil. Difícil vai ser justificar quando nada disso der certo. No Brasil é comum cortar-se o braço por causa de unha encravada. Isso é comum sobretudo às autoridades. É bom lembrar que a violência tem lugar cativo na formação humana, mas ela não pode vir do Estado como instituição. Até por que Estado é o contrário de barbárie e não um instrumento para.

Muito além de Indaiá e das agressões “trocadas” entre Pâmela Bório e a babá

Já usei este espaço antes para comparar o comportamento da ex-primeira-dama da Paraíba, Pâmela Bório, com o da ex-primeira-dama de São Paulo, Nicéa Pitta. No caso da segunda, após desentendimento com Celso Pitta, ela abriu a boca e um escândalo corroeu a credibilidade do ex-marido. Já Pâmela, pode até não ter escândalo para denunciar, mas ela dá entender que tem e justamente a maior pedra no sapato de Ricardo Coutinho (PSB), o Jampa Digital.

Foto: Kleide Teixeira

Foto: Kleide Teixeira

Ela foi levada coercitivamente para depor nesta segunda-feira (8) sobre o caso da agressão que teria feito à babá Indaiá, que cuida do filho. As duas registraram Boletim de Ocorrência, mas Pâmela diz que o da babá, inclusive o exame de corpo de delito, foi mais rápido é ágil. Bem, mas o fato é que como um jogador que blefa ou que tem uma carta na manga, ela saiu do depoimento citando Bruno Ernesto, assassinado em circunstâncias misteriosas há dois anos.

O caso de Bruno Ernesto é emblemático para entender o Jampa Digital, que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Polícia Federal alega que o programa que previa distribuir internet gratuita na capital teve o dinheiro desviado, em 2010, para financiar a eleição de Ricardo Coutinho ao governo. Bruno era diretor do UMTI da Prefeitura de João Pessoa, o setor de informática, e é apontado como alguém que sabia demais.

No curso das investigações, ele foi sequestrado e morto. A família nunca aceitou o caso como um simples sequestro e até hoje cobra investigação mais profunda do ocorrido. As insinuações de Pâmela Bório ocorreram logo após o Jornal da Paraíba publicar novos fatos sobre as investigações. Se ela sabe algo forte sobre o caso, ainda não disse em público, mas manda recados e não há dúvidas de que é uma fonte privilegiada.

Acontece que, sobre o caso, Pâmela Bório já disse que enquanto as investigações estiverem sob a influência do estado, ela não crê em evolução. Confira o que ela publicou no Instagran logo após deixar a delegacia, na noite desta segunda-feira.

“Voltando ao fato da minha intimação à delegacia através de representação do governador contra mim, agradeço publicamente à mãe de Bruno Ernesto, Inês Ernesto, que entrou em contato por telefone com um blog, além de insistir em duas ligações com amigas em comum, para me defender da publicação encomendada contra mim. Os três sites que apresentaram as informações distorcidas do depoimento e da posição da família da vítima fatal serão responsabilizados em ações de danos. Infelizmente ainda há o que ser elucidado e isso, lamentavelmente, não depende de mim.
Após este meu esclarecimento, quero permanecer no meu direito ao silêncio com relação ao caso Jampa Digital e assassinato de Bruno Ernesto. Enquanto as investigações permanecerem nas instâncias condicionadas ao governo, nada mudará. Um governador exerce influência em vários seguimentos, do executivo ao judiciário e eu só quero estar desvinculada dele e dos poderes. Minhas escolhas refletem exatamente o meu distanciamento dessas pessoas, desse meio. Apesar de ter passado por violência doméstica e ainda sofrer violência moral, psicológica, patrimonial, nunca levei meu ex-marido a uma delegacia, tampouco na condição de pai que sequer paga pensão do próprio filho. Só anseio por paz no auge dos meus 31 anos – por coincidência, mesma idade de Bruno quando executado”.

Ricardo Coutinho e o jogo dos oito erros no caso dos bandidos feitos de troféus

Vou ter que começar esse artigo reafirmando minhas convicções de que bandido bom é bandido julgado pela Justiça e preso. Isso para não ter mal interpretado. Mas é bom dizer que do sábado, quando o cabo Ubirajara Moreira Dias foi brutalmente assassinado, em Patos, até esta segunda-feira (8), o governo do Estado como um todo não parou de errar. Apesar das comemorações que vão da cúpula da segurança ao mais alto posto do estado.

Mas vamos por partes. O primeiro fato preocupante é o fato de o cabo, quando tudo aconteceu, estava fazendo bico para melhorar a renda. A atividade é proibida pela Polícia Militar, porém, faz-se vista grossa justamente por causa de outro erro do Estado – o pagamento de salários baixos. O policial à paisana foi morto porque estava armado e o manuseio do revólver foi percebido por um dos bandidos.

A partir daí, começa o quarto erro. A Polícia Militar conclamou todos os policiais, até quem estava de folga, a iniciar uma caçada aos suspeitos, bem ao estilo tragam eles vivos ou mortos. E é fato que, na operação, dois morreram. Foram capturados cinco integrantes do grupo, sendo dois adolescentes. Daí vamos para o quinto erro. Eles foram levados em carro aberto, com a exposição pública dos suspeitos, bem no estilo século XVIII.

Mais ainda parece pouco. Vamos ao sexto erro. Os suspeitos foram conduzidos no meio da população, com ameaça de linchamento. As imagens da TV Cabo Branco, inclusive, mostram o momento em que um dos presos é agredido. O sétimo erro foi a reação da cúpula da Segurança Pública, que saiu em defesa de toda a barbárie que aconteceu em Patos. Nos discursos, a operação no estilo dente por dente foi aprovada.

Mas o erro mais revelador foi do governador Ricardo Coutinho, que usou o horário no rádio, a Voz do Governador, para dizer que os homens foram expostos em carro aberto porque não havia “camburões suficientes”. E mais, disse que a população de Patos “reconheceu que os policiais trabalharam corretamente e agiram, sim, porque tinham que cumprir o seu trabalho. E entregaram na delegacia esses bandidos”.

Aí, meu amigo, se o homem que manda no aparato policial pensa assim, que tudo foi normal, resta esperar pelo Ministério Público, que instaurou procedimento preparatório para apurar, junto com as Promotorias de Justiça Criminais e de Defesa da Criança e do Adolescente de Patos, as circunstâncias que levaram à prisão dos suspeitos. As imagens do que houve correram o Brasil. E o que era para ser uma operação exitosa, virou fiasco, porque o Estado vê bandido como troféu.

A Lei de Talião é o que tem regido o combate à criminalidade…

Redução da maioridade penal tem apoio da bancada paraibana

O tema é polêmico e mesmo os defensores da redução da maioridade penal falam da questão com receio de serem confrontados com dados que ponham a matéria por terra. E eles têm motivos para isso. A Proposta de Emenda à Constituição, com o sugestivo número 171, terá o relatório feito pela comissão especial criada para estudar o assunto apresentado na quarta-feira. De partida, tem a simpatia da maioria dos deputados paraibanos, mas é inconstitucional.

Reprodução

Reprodução

É lógico que esse negócio de constitucionalidade pode ser arranjado com o famoso jeitinho brasileiro, o que não impedirá que a matéria seja contestada no Supremo Tribunal Federal (STF). O fato é que a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, fere uma das cláusulas pétreas da Constituição de 1988 (aquelas que não podem ser modificadas por congressistas). O artigo 228 é claro: “São penalmente inimputáveis os menores de 18 anos”.

O argumento mais comum entre os defensores da matéria, inclusive os deputados paraibanos, é que os menores de 18 sabem exatamente o que estão fazendo quando cometem crimes. Além disso, são massa de manobra nas mãos de traficantes. Mas segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública, apenas 0,9% dos crimes registrados no país são cometidos por jovens com idades entre 16 e 18 anos.

O argumento de que a participação de jovens no mundo do crime é pequena pode ser confrontado pelo leitor, principalmente quem já foi vítima de um deles. Mas em uma escala de 100, você seria abordado 99 vezes por um maior de 18 anos e uma por alguém menor. Sem falar que uma penitenciária não seria o melhor lugar para se trabalhar a inserção de um jovem. Até porque elas estão falidas.

O Jornal da Paraíba ligou deputado por deputado. Ao todo, dos doze, nove foram localizados e se posicionaram sobre o assunto. Deles, sete são a favor da redução da maioridade penal e dois são contra. Os contrários permanecem os mesmos: Luiz Couto (PT) e Damião Feliciano (PDT). O PMDB do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), está fechado com o tema. Por isso, Hugo Motta, Veneziano Vital do Rêgo e Manoel Júnior.

Além dos peemedebistas, são a favor Rômulo Gouveia (PSD), Pedro Cunha Lima (PSDB), Wilson Filho (PTB) e Efraim Filho (DEM). Os deputados que não foram localizados pela reportagem são Wellington Roberto (PR), Benjamin Maranhão e Aguinaldo Ribeiro (PP).

Vou deixar aqui uma pergunta para os deputados: se a presença do estado com políticas públicas e educacionais fossem mais comuns ao cotidiano brasileiro, esse tema estaria em debate?

A “guerra santa” e eleitoreira de Eliza Virgínia contra os gays

É impressionante como a cada dia tem se tornado mais comum a saída das discussões sobre homossexualidade do privado para os parlamentos. Impressionante também a implicância alguns deputados e vereadores evangélicos com o tema, ao invés da busca pelas garantias sociais da população. Exemplo disso é a vereadora pessoense Eliza Virgínia (PSDB).

ElizaVirginia_olenildo Nascimento

A vereadora tem se tornado especialista em confrontar comerciais de empresas que, com a confusão, faturam alto com isso. Primeiro foram os outdoors de um dos motéis da Grande João Pessoa. Dizia que eles atentavam contra a família. Foram retirados e o motel ganhou mídia espontânea adoidado em cima da cobrança da vereadora. Agora é o Boticário.

O comercial de perfumes da empresa mostra dois casais homossexuais e um hétero de forma sutil, sem nada que possa ser alegado como agressivo. Foi o suficiente para a vereadora seguir o exemplo do pastor Silas Malafaia e pregar o boicote à marca. A polêmica está feita. O Boticário vai ganhar mídia gratuita e a vereadora pontos com o eleitorado conservador.

Mas como fica o cidadão pouco preocupado com a individualidade de quem optar pelo relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo? Sinceramente, é muita falta do que fazer. A vereadora apresentou apenas três projetos neste ano, sendo que um deles é para a concessão de isenção de IPTU para as igrejas evangélicas. Realmente, tem sobrado tempo na agenda…

Chuva de ministros na Paraíba não comove petistas deixados de lado

Nunca antes na história da Paraíba tantos ministros da presidente Dilma Rousseff (PT) desembarcaram no estado em tão pouco tempo e com tão pouco ou quase nada para oferecer. Só nesta semana vieram Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário), George Hilton (Esporte) e Gilberto Kassab (Cidades). O modus operandi de todos eles é fazer a social com os políticos, posar para fotos e não anunciar nenhum ou quase nenhum convênio.

Foto: Roberto Guedes/ALPB

Foto: Roberto Guedes/ALPB

A situação andou chateando o deputado estadual Anísio Maia, uma vez que apesar de os auxiliares do governo estarem vindo para tentar criar uma agenda positiva para a presidente Dilma, o PT não tem tido a primazia nas articulações. Para a próxima semana, por exemplo, o ministro Gilberto Occhi (Integração Nacional) vem a Paraíba trazendo na bagagem a magra promessa de liberar R$ 18 milhões, dos R$ 75 milhões cobrados para o combate à seca.

Para a vinda, estão disputando espaço para as fotos ao lado dele os deputados estaduais Daniella Ribeiro (PP) e Jeová Campos (PSB). Isso com direito a troca de acusações de que um está querendo melar a agenda pensada pelo outro. Anísio Maia, por outro lado, se mostrou descontente com a sequência de visitas de ministros sem resultado prático. Além de Occhi, desembarca nos próximos dias no estado o ministro Henrique Alves (Turismo).

“Se até a véspera da vinda do ministro não houver recursos novos, não vou participar da reunião. Vou procurar algo mais interessante para fazer. Não serei um inocente útil. Se for para vir a Paraíba sem trazer recursos novos, economize o dinheiro da passagem de avião, ministro! Melhor ficar em Brasília mesmo!”, disse Anísio.

O deputado petista criticou os deputados e prefeitos ‘marqueteiros’, que teimam em fazer uso político da liberação de pequenos montantes de recursos do Governo Federal. Gilberto Occhi liberou R$ 18 milhões, mas – segundo Anísio – é um montante minúsculo frente às nossas necessidades.

“No Ceará, os deputados estão cobrando do governo federal R$ 600 milhões. Aqui cobram R$ 80 milhões e fazem festa com R$ 18 milhões. Não podemos ser massa de manipulação da politicagem e do marketing mesquinho dos políticos que são responsáveis pela nova indústria da seca. Não adianta vintém nem ninharia. Queremos verbas de verdade”, finalizou Anísio.

Se nem os petistas estão iludidos com as visitas…

MPF e o pote de turmalinas azuis de João Henrique

Um dia depois de ocupar a tribuna da Assembleia Legislativa para mandar o recado aos marginais de que não é rico, o deputado estadual João Henrique (DEM) volta às manchetes. E o motivo: ficar rico, muito rico. O parlamentar é acusado pelo Ministério Público Federal de ter aproveitado a interdição da mina pertencente à Parazul Mineração Comércio e Exploração LTDA. para tentar chegar, pelo subsolo, ao veio de pedras descoberto pela concorrente.

Tourmaline (2)

Bem, mas antes de ir adiante nesta história, vamos relembrar o pronunciamento de João Henrique na Assembleia, onde ele é vice-presidente. Apesar de declarar irrisórios R$ 2,6 milhões de patrimônio (comparado ao valor de mercado dos bens), o deputado bradou da tribuna que não é rico e, por isso, se alguém o sequestrar ou a alguém da família, ficará sem resgate. Ele acusa a Polícia Federal de tê-lo envolvido no escândalo das turmalinas por má-fé.

Agora, vamos aos fatos narrados pelo Ministério Público. Para os procuradores, essa história de não rico de João Henrique é conversa para boi dormir. O tal veio disputado pela Paraíba Tourmaline Mineração LTDA., empresa pertencente ao deputado, e a Parazul, tem potencial exploratório superior a R$ 3 bilhões. Durante a operação, enquanto a Parazul foi interditada, os funcionários da empresa do deputado passaram a trabalhar dia e noite para atingir o veio.

A coisa lá para as bandas de Salgadinho, onde ficam as minas, não é muito diferente dos filmes de bangue-bangue, do velho Oeste, com capangas fortemente armados e algo muito mais valioso que ouro a ser extraído. Apesar de em um primeiro momento ter dito que não extraia a turmalina azul, João Henrique posteriormente admitiu que foram apreendidas pedras em sua casa. Além do mais, o MPF declarou que a exploração ocorria sem o pagamento de royalties.

Na próxima terça-feira, voltam as sessões na Assembleia Legislativa. Resta saber qual será o discurso adotado pelo deputado. O de “eu não sou rico”, definitivamente, não vai colar.

Enquanto o governo não admitir a violência, não dá para esperar mudança

Os alunos da Escola Estadual Luzia Simões Bertolline, no Jardim Planalto, em João Pessoa, voltaram às aulas nesta quarta-feira (3) no mesmo momento em que a violência domina a pauta política. De um lado, os deputados e senadores de oposição batendo na tecla de que a violência vem aumentando. Do outro, o governo e os parlamentares governistas dizendo o contrário. Erro retórico dos dois lados, mas principalmente do governo porque a violência é real.

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

O sentimento é o de que enquanto o governo do Estado não admitir que o problema existe, a população vai continuar refém do medo, porque ela tem batido à nossa porta. Dia sim, outro também, temos recebido notícias de casos como homicídios, incêndios de ônibus, arrombamentos de bancos, tiroteios e assaltos sofridos por amigos. Levantamento apresentado pelo deputado Bruno Cunha Lima (PSDB) na Assembleia mostra que 645 paraibanos foram assassinados este ano.

Todos ouviram o pedido de socorro de uma diretora na escola estadual invadida e saqueada com episódios de terror na última segunda-feira. A situação não pode ser negada e precisa ser mudada, mas isso não pode ser feito simplesmente com o uso da retórica de que não existe violência ou que a oposição está se aproveitando para potencializar eventos pontuais. Não é isso. O problema existe e foi atestado pelo Mapa da Violência.

O estudo divulgado mostra uma crescente nos casos de homicídios em João Pessoa, em particular, e na Paraíba como um todo entre 2002 e 2012. A capital paraibana saiu do posto de 13ª cidade mais violenta para os jovens, para a posição de segunda mais violenta. E isso não é pouco. Basta citar que o Recife, no vizinho estado de Pernambuco, a nossa maior referência de violência, é hoje muito mais tranquila que a antes pacata João Pessoa. Ficou em 11º lugar no mesmo ranking das capitais.

Mesmo quem não é especialista em segurança, como eu, tem plenas condições de dizer que o trabalho feito pelo governo do estado no combate à violência não está surtindo o efeito prometido. E se está, ele é tão discreto que não é percebido. Os hoje críticos do governador Ricardo Coutinho (PSB) precisam justificar o porquê de quando estavam no poder não terem feito o suficiente para impedir a escalada. Isso é fato, mas a população, neste momento, precisa cobrar do gestor da hora.

Acreditem, João Henrique pede a bandidos para não sequestrá-lo porque não é rico

Quem foi à Assembleia Legislativa da Paraíba para cobrir a sessão, nesta terça-feira (2), se viu diante de uma situação inusitada. Indignado, o deputado estadual João Henrique (DEM), vice-presidente da Casa, ocupou a tribuna para atacar a Polícia Federal. Entre outras coisas, alegou que precisará andar acompanhado de seguranças, porque o envolvimento do nome dele na operação Sete Chaves, que investiga o tráfico de turmalinas azuis fez todo mundo achar que ele é bilionário.

Foto: Felipe Gesteira

Foto: Felipe Gesteira

As investigações em curso, encabeçadas pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal, mostram que há minas no esquema com potencial exploratório de 1 bilhão de dólares, o que supera a marca de R$ 3 bilhões. João Henrique, apesar de investigado, se apressa em dizer que não é o caso dele. O parlamentar, em seu discurso, chegou a apelar aos “bandidos” da Paraíba que não sequestrem a ele ou a qualquer pessoa da família, porque não haverá resgate.

É bom lembrar que inicialmente o deputado disse que não tinha encontrado as pedras preciosas em sua mina, em Salgadinho. Depois que a PF exibiu as turmalinas apreendidas, ele admitiu. O Ministério Público Federal alega que elas eram exploradas nas terras do parlamentar, mas que ele não pagava royalties ao governo federal pela exploração. Elas, segundo a polícia, eram levadas para o Rio Grande do Norte, “esquentadas”, seguia para Minas Gerais e depois eram vendidas no exterior.

Quanto ao patrimônio bilionário, ao menos levando em consideração o que foi declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no momento do registro de sua candidatura, mostra que ele tem razão de se queixar. Muita gente, no entanto, vai achar que os valores são um tanto quanto modestos para o que poderia valer se fosse posto à venda. A fazenda onde fica a mina de turmalinas, em Salgadinho, por exemplo, foi avaliado pelo deputado em sua prestação de contas por R$ 109 mil.

A empresa Paraíba Tourmaline Mineração LTDA, contabilizando os seus 50%, foi avaliada pelo deputado em sua declaração de bens em R$ 100 mil. A outra metade é da mulher dele, a prefeita de Monteiro, Edna Henrique. O patrimônio ainda inclui apartamento de alto padrão por R$ 70 mil, em Tambauzinho, em João Pessoa, além de casa no Jardim Oceania, na mesma cidade, pelos mesmos R$ 70 mil. Se ele colocar todo o patrimônio à venda, apura os R$ 2,6 milhões declarados em poucas horas.

Confira a declaração de bens apresentada ao TSE por João Henrique em 2014

Descrição e valor do bem

IMOVEL RURAL DEN. SACO DA ONCA, SAO JOSE DA BATALHA, MUN. SALGADINHO, PB. – DETENTOR DE TITULOS MINERAIS: ALVARAIS NO 3.184 DE 31.07.1996. (ANOTAR NO ALVARA EM NOME DA DOUTORA EDNACE.
R$ 109.085,00

LINHA TELEFONICA 246-5540-PB.
R$ 1.040,94

LINHA TELEFONICA 222-4477, JOAO PESSOA-PB.
R$ 1.133,38

UMA CASA RESIDENCIAL SITUADA NA RUA CEL. JOAO SANTA CRUZ, NO 182, NA CIDADE MONTEIRO – PB, AD. MARIA DO CARMO LINS CAVALCANTI E HERDEIROS, CPF NO 569.733.304-87
R$ 35.000,00

BANCO DO BRASIL S.A – AGENCIA 0229-1 CONTA NO 24408-2 – MONTEIRO PB
R$ 6.663,33

UMA AREA DE TERRA DESMEMBRADA DE AREA MAIOR, LOC. NA PROP. SAO BERNARDO, NA CIDADE DE MONTEIRO – PB, MEDINDO 3 HA 9.603,95 M2, AD. DE DJACI ALEIXO DOS SANTOS – CPF NO 142.170.404-82
R$ 30.000,00

DISPONIBILIDADE
R$ 250.000,00

UM APARTAMENTO NO 403, EDIF. LUCIANA, AV. MIRIAN RABELO > C/IOLANDA CAVALCANTE, JOAO PESSOA-PB. – AD. DEZ/91.
R$ 16.655,34

UMA CASA SITUADA NA CIDADE DE MONTEIRO, PB.
R$ 11.103,54

HILUX TOYOTA SW4 4X4 SRV A/T BANCO COURO ANO/MODELO 2011 COR PRATA – PLACA OFH 0025 PB, AD. CARVALHO E FILHO LTDA – CNPJ NO 08.568.255/0001-67, CONF. NF-E NO 42406 EM 21/09/2011
R$ 158.000,00

UM GALPAO EM GUARABIRA NO LUGAR JUÁ, SENDO COMPOSTO POR: UMA CANTINA, 05 (CINCO) PREDIOS DESTINADOS A GALPAO INDUSTRIAL, ADQ. DE FRANCISCO ANTUNES SOBRINHO E SUA MULHER MARIA DOLORES SARMENTO ANTUNES
R$ 21.000,00

UMA CASA SITUADA A RUA JOAO CANCIO DA SILVA, 1492, JOAO PESSOA-PB.
R$ 55.269,21

UM VEICULO MARCA TOYOTA, CAMIONETA 1999, RENAVAM: 202913, COR VERDE ESCURA, AD. A FIRMA CARVALHO & FILHOS LTDA, NF: 004035, DE 07.08.1999 > PLACA MNI 4888
R$ 45.000,00

BANCO BRADESCO S.A – AGENCIA 1041 CONTA 133.533-2
R$ 28.191,67

PART. NO CAPITAL SOCIAL DA FIRMA: PARAIBA TOURMALINE MINERACAO LTDA, 50% INTEGRALIZADO EM 01.08.2000: R$ 100.000,00 > CGC: 03.769.695/0001-69, CONSTITUIDA EM 01.08.2000, > ALVARA 3.185 DE 31.07.1996.
R$ 100.000,00

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A – AGENCIA 3175 CONTA 10003350
R$ 10.363,57

UM APARTAMENTO SITUADO A RUA CLEMENTINO DE OLIVEIRA, 157, APTO 802, TIPO B, TAMBAUZINHO-PB.
R$ 70.025,96

UMA CASA SITUADA A RUA GERALDO PORTO, 139, JOAO PESSOA-PB.
R$ 41.638,35

UM IMOVEL UR DEN JUÁ GUARABIRA/PB E UM LOTE DE TERRENO PROP. 01 NO TRECHO DE GUARABIRA A PIRPIRIBUBA, ADQ. DO SR. RAIMUNDO N. PINTO GADELHA E SUA ESPOSA LE2 ZE LIV. A SIMONE MELO P. GADELHA
R$ 129.000,00

ALVARA NO 3515 PROCESSO DNPM NO 846005/2001- 0014
R$ 1.000,00

UMA AREA DE TERRA MEDINDO 146,175 HEC, NA PROP. SAO JOAO, LOC. A MARGEM DA BR 412, DENTRO DO PERIMETRO UR. DA CID. DE MONTEIRO-PB
R$ 25.200,00

UMA CASA SITUADA A PRACA DOM URICO, 87, JOAO PESSOA-PB.
R$ 27.758,90

ALVARA NO 2730 – PROCESSO DNPM NO 846038/2003-0019
R$ 1.000,00

CASA NO 1480, SITO A AV. JOAO CANCIO DA SILVA – MANAIRA, JOAO PESSOA – PB, AD. DENYSE ROLIM DE BRITTO – CPF NO 396.614.404-25
R$ 155.000,00

01 RETROESCAVADEIRA B110B 4X4 SERIE HBZN110BJBAH02679 – MARCA NEW HOLLAND CONSTRUCAO, ANO/MODELO 2011, AD DE GMP MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA – CNPJ NO 06.196.577/0001-05
R$ 183.000,00

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A – AGENCIA 4188 CONTA 10001470
R$ 82.682,63

UMA CASA SITUADA A RUA FRANCISCA GONCALVES DE ABRANTES, 100, JARDIM OCEANIA, BESSA, JOAO PESSOA-PB. > AD. ROSANILDA GERMANO DOS SANTOS, LIVRO 1A. 4-4, FL. 073, 6O TAB.-JP-EM 03.06.96
R$ 70.000,00

ALVARA CONFORME PROCESSO NO 846229/2003
R$ 1.000,00

APTO NO 184 NO 18O PAV. BL. 03 TORRE GERIVA C/ 02 VAGAS NA GAR. COND. VEREDA PARAISO NA RUA ARTUR PRADO, 621 – LIBERDADE – SAO PAULO – SP, ADQ. DE RES. ANHUMAS LTDA – CNPJ NO 07.187.413/0001-76
R$ 800.000,00

01 RETROESCAVADEIRA B110B 4X4 SERIE HBZN110BCBAH02983 – MARCA NEW HOLLAND, ANO/MODELO 2011, AD DE GMP MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA – CNPJ NO 06.196.577/0001-05
R$ 183.000,00

Total
R$ 2.648.811,82