Cássio nega golpismo e diz que Ricardo é alvo da Procuradoria Eleitoral

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) tem demonstrado irritação com as declarações do governador Ricardo Coutinho (PSB), que, nesta semana, acusou o parlamentar de ter “aura golpista”, por, na visão do socialista, trabalhar pela cassação dele e da presidente Dilma Rousseff (PT). Por meio de sua assessoria, o tucano negou perseguição ao governo estadual, mas deixou claro que o gestor terá que responder à Justiça por suposto uso da máquina nas eleições.

O tucano disse ainda que suas queixas contra Ricardo Coutinho são restritas ao âmbito administrativo, com a cobrança do cumprimento das promessas de campanha, a exemplo da redução dos índices de violência. Sobre os processos que pedem a cassação do socialista, ele lembra que a maioria deles é puxada pela Procuradoria Regional Eleitoral. Ele lembra que o Ministério Público pede a cassação de Coutinho e da vice, Lígia Feliciano (PDT).

Entre os processos que o tucano vê com potencial de cassação do governador está o que acusa Ricardo Coutinho de fazer uso eleitoreiro do Empreender Paraíba. De acordo com relatório elaborado pela própria Controladoria Geral do Estado, o programa não tinha critérios rígidos para a concessão dos empréstimos, bem como a exigência de os beneficiados pagarem as prestações posteriormente.

PSDB gostaria, mas não faz planos para ter Manoel Júnior para disputar 2016

Fazendo as vezes de observadores privilegiados, dirigentes do PSDB paraibano acompanham a guerra interna no PMDB, que define no domingo quem vai comandar o partido, em João Pessoa, pelos próximos dois anos. O deputado federal Manoel Júnior briga para se manter no cargo, enquanto o deputado estadual Gervásio Maia ainda espera pela manutenção de acordo que o levaria ao poder sem bater chapa.

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Os dois partiram em direção aos diretorianos em busca de apoio para os seus pleitos. Júnior com o argumento de que será candidato a prefeito de João Pessoa de todo jeito. Maia com postura mais comedida e fugindo das acusações de que fará aliança com o PSB, se tiver o partido na mão. Dentro da polêmica, pela proximidade, muitos apostaram que Júnior trocaria o PMDB pelo PSDB, para ser candidato no próximo ano.

Contaria a favor do deputado federal a sua proximidade com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), que recebeu o apoio de Manoel Júnior no ano passado, mesmo com o PMDB tendo o hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, como candidato ao governo. A possibilidade, no entanto, é negada pelos tucanos, apesar de eles admitirem que a filiação seria muito bem-vinda.

“Em off, ele não vem porque é muito próximo ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Daí o pouco interesse de Manoel Júnior deixar o partido”, disse uma liderança tucana. Não custa lembrar que no momento mais tenso da “guerra” entre Cunha e Dilma Rousseff, Júnior foi para a linha de frente defender a renúncia da presidente. Postura que lhe custou a antipatia dos petistas.

Para resumir, o PSDB quer, mas não acredita na possibilidade de ter Manoel Júnior para a disputa de 2016, contra a reeleição do prefeito Luciano Cartaxo (PT).

Estado espera confirmação de agenda com a presidente Dilma na Paraíba

A presidente Dilma Rousseff (PT) deverá vir à Paraíba nos próximos meses. A agenda faz parte da tentativa de construir notícias positivas em relação ao governo e minimizar os efeitos da crise econômica e política que atingem o governo. Ainda na semana passada, a equipe da presidente entrou em contato com o governo do Estado para colher informações sobre o andamento das obras complementares da transposição de águas do rio São Francisco.

Foto: reprodução

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A consulta ocorre no momento em que o governador Ricardo Coutinho (PSB) eleva as críticas em relação ao Planalto. O gestor paraibano não cansa de dizer que apoia a continuidade do governo de Dilma Rousseff, mas cobra a liberação de recursos federais para a Paraíba, bem como a autorização para que o governo do Estado possa captar empréstimos com instituições internacionais. Ele defende também que a gestora assuma a condução política do governo federal.

Em busca da construção de uma agenda positiva, a presidente já foi ao Maranhão, Bahia, Pernambuco e estará nesta sexta-feira no Ceará. Procurado pelo blog, o presidente estadual do PT, Charliton Machado, evitou cravar data para a visita. Ele explicou que a disposição existe, mas nada foi definido ainda. O entendimento no partido é o de que Dilma precisa seguir o exemplo do ex-presidente Lula, que conseguiu reverter a queda na popularidade durante as denúncias do mensalão, em 2005, quando botou o pé na estrada.

Efeitos da crise na Paraíba vão além do bate-boca de Ricardo e Cássio

Enquanto as duas maiores lideranças políticas do Estado estão usando a imprensa para bater-boca, a Paraíba corre o risco de perder duas grandes fontes de investimento. E não falo aqui de dinheiro novo, não. Me refiro ao fechamento do Terminal de Logística de Carga (Teca) do Aeroporto Castro Pinto, bem como o fim das operações de cabotagem da Transpetro em Cabedelo.

O tema é tratado em matéria publicada nesta terça-feira (25) no Jornal da Paraíba. A matéria da repórter Larissa Claro mostra um risco de o estado perder R$ 3 bilhões por ano só com o fim da estocagem de combustíveis no Porto de Cabedelo, segundo estimativas do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo da Paraíba (Sindipetro).

Mas não para por aí. A ideia da Petrobras, buscando economia, é transferir toda a operação para o Porto de Suape, em Pernambuco. Resultado: além de a arrecadação de impostos ficar no estado vizinho, a distância e o frete fariam com que o preço do litro de gasolina vendido na Paraíba crescesse cerca de R$ 0,06. A entrega do produto também demoraria 12 horas a mais.

Coutinho anunciou nesta segunda-feira que vai procurar o superintendente da Infraero, Antônio Gustavo Matos, nesta quarta-feira, para pedir a manutenção dos serviços no Castro Pinto. Vai um pouquinho atrasado, já que quarta é o dia previsto para o fim das operações. As chances seriam maiores se a procura tivesse ocorrido há dois meses, quando houve o anúncio do fechamento.

Em relação à Petrobras, a reunião com a direção ainda não tem data marcada. Mas há a intenção. O momento seria para o governador reunir toda a bancada, incluindo o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), para “ocupar” a Petrobras e a Infraero, pelo menos fingindo unidade em prol do Estado. Em vez disso, continua o clima belicoso entre tucanos e socialistas quase um ano após a última eleição.

Ricardo na manhã desta terça-feira acuou o senador de ter “aura golpista” e querer derrubar um governo legitimamente eleito, fazendo referência ao dele próprio e ao da presidente Dilma Rousseff. Cássio por outro lado respondeu ao governador dizendo que ele tenta tirar o foco dos efeitos da crise econômica na Paraíba. Ele ainda jogou para a Justiça Eleitoral a responsabilidade por dar respostas à sociedade.

Se a energia desperdiçada dos dois fosse usada para defender a Paraíba…

Só depois de entrar no olho do furacão, Dilma decide cortar ministérios

A presidente Dilma Rousseff (PT) tem enfrentado muitas críticas desde o início do ano, quando anunciou o contingenciamento nos repasses de recursos para estados e municípios. Foram cortados, inicialmente, R$ 69 bilhões em investimentos, montante elevado em mais R$ 10 bilhões pouco depois. A justificativa é que o país precisava economizar para encarar a crise econômica. Apesar disso, nesse período, não houve qualquer corte na estrutura ministerial.

Só nesta segunda-feira (24), passados quase nove meses desde o início do Dilma II, a presidente tornou pública a intenção de reduzir de 39 para 29 número de ministérios. O anúncio foi feito pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. A medida faz parte de um pacote de reforma administrativa apresentado a ministros durante a reunião da coordenação política com a presidente Dilma Rousseff.

Os ministérios que serão extintos serão definidos até o fim de setembro por uma equipe do governo. “Nosso objetivo é chegar a uma meta de dez [ministérios]. Existem várias propostas possíveis para atingir essa meta. Precisamos ouvir todos os envolvidos, não tem nenhum ministério inicialmente apontado para ser extinto”, disse Barbosa à Agência Brasil.

“Esse é um processo que envolve todo o governo federal, todos os órgãos e autarquias, envolve também uma melhor governança de empresas estatais, é um processo que precisa ser construído a várias mãos, deve ser feito com participação dos diversos ministérios, dos diversos órgãos e estatais do governo”, acrescentou. A definição dos ministérios que serão extintos vai levar em conta critérios de gestão e políticos, como o atendimento a partidos da base aliada do governo, que comandam algumas pastas.

Efraim Filho assegura que DEM é oposição a Cartaxo

A cobrança do vereador de João Pessoa, Lucas de Brito (DEM), de uma posição oficial do seu partido em relação à oposição ou não ao prefeito Luciano Cartaxo (PT), foi vista como desnecessária pelo deputado federal Efraim Filho. Brito fez pronunciamento na Câmara Municipal de João Pessoa, na semana passada, dando prazo até esta semana para a resposta. Ele alega que se a sigla não se pronunciar, vai mudar de partido.

Atualmente, o DEM tem dois vereadores em João Pessoa, um governista e outro da oposição. Enquanto Lucas de Brito faz críticas sistemáticas ao gestor, Bosquinho atua na base de apoio. Efraim Filho reforça, no entanto, que o partido dele é oposição ao prefeito e vai fiscalizar o governo. “Essa é uma posição muito transparente e tenho respondido que sou oposição sempre que questionado”, disse o democrata.

Sobre a possibilidade de Lucas de Brito migrar para a Rede, partido da ex-senadora e ex-presidenciável Marina Silva, isso foi visto com ressalva por Efraim Filho. Ele lembrou o quanto tem sido temerária a disputa de eleições por partidos novos, sem tempo de televisão e com restrições orçamentárias.

Disputa interna no PMDB assume ares de Fla-Flu de novela mexicana

Quanto mais se aproxima o dia 30, prazo de vigência prorrogada da atual composição da direção do PMDB em João Pessoa, mais se eleva o tom da discórdia entre o deputado federal Manoel Júnior e o deputado estadual Gervásio Maia. A situação é quase irremediável, coisa de novela mexicana mesmo, onde o atual presidente, Manoel Júnior, é descrito por Maia como o vilão da história. Já Maia é visto como um “bebê chorão”.

É muito difícil imaginar ser possível sair um acordo daí. Manoel Júnior tem dito aos interlocutores que vai disputar novo mandato à frente do partido, para bater chapa com um Gervásio Maia, que se recusa a entrar na disputa. Ele cobra acordo feito há dois anos, quando ficou acertado em ata que o deputado federal comandaria o diretório de João Pessoa por dois anos e Maia ficaria os outros dois.

O deputado estadual sabe que tem menor capital político em João Pessoa, por isso, se recusa a entrar na disputa. A capacidade de fazer acordos, aliás, tem sido o trunfo do peemedebista nas últimas conquistas. Ele fechou acordo com o PSB para a eleição de Adriano Galdino para a presidência da Assembleia Legislativa e recebeu de volta a garantia de que comandaria o poder nos últimos dois anos da legislatura.

Essa habilidade não vai ajudar o peemedebista na solução da discórdia paroquial. Maia já sabe que não adianta bater na porta do presidente estadual do partido, o senador José Maranhão. O parlamentar está convencido de que Manoel Júnior deve ser o presidente do partido e preparar as bases para a disputa no ano que vem, em João Pessoa. Conclusão: para Maia, restará disputar o comando do partido ou ficar chorando pelos cantos.

Perto de Cunha, Severino Cavalcanti era o próprio pixuleco

Corrupção é corrupção, seja ela grande ou pequena, mas têm sido injustas as comparações entre os malfeitos atribuídos ao atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ex-presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE). O primeiro foi denunciado no Supremo Tribunal Federal (STF) ontem e acusado de operar U$ 80 milhões em propinas para facilitar contratos da Petrobras com a Camargo Correia. O segundo, um mensalinho na Câmara.

Severino Cavalcanti cobrava R$ 10 mil mensais de um restaurante na Câmara dos Deputados, para garantir a manutenção dele. Cunha, bem mais. Cavalcanti renunciou ao mandato para se defender das acusações e evitar uma cassação. Cunha pode até cair, mas fará isso atirando, apesar de lideranças de dez partidos já trabalharem pela saída dele. Cavalcanti foi essencial para segurar o processo de impeachment do ex-presidente Lula, em 2005. Cunha, por outro lado, é homem bomba.

O procurador da República, Rodrigo Janot, fez constar na denúncia contra Cunha que “tiranos sempre caem”, em referência a frase de Mahatma Ghandi. Severino Cavalcanti, sem apoio no Congresso Nacional, caiu logo. Cunha promete lutar, mas é bom que se diga. Se o Supremo aceitar a denúncia, o bicho pega…

Suspeição de Nominando Diniz compromete quase toda a corte do TCE

O governador Ricardo Coutinho (PSB) colocou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) em uma saia justa por causa da suspeição lançada contra o conselheiro Nominando Diniz, relator das contas do Executivo, em 2014. Tudo por que se a corte considerar pertinentes as acusações do gestor, por tabela, quase todos os conselheiros serão levados à condição de suspeitos. No caso específico, Coutinho pediu a suspeição de Nominando por ele, no passado, ter figurado entre os aliados políticos do senador Cássio Cunha Lima (PSDB).

A denúncia se refere também aos laços de amizade entre o conselheiro e o senador, que, no caso prático, diz respeito ao fato de Nominando Diniz ter coordenado a campanha de Cássio Cunha Lima em 2002. Com isso, caberá ao presidente do Tribunal de Contas do Estado, Arthur Cunha Lima, primo de Cássio, definir um relator para o processo, que, pela lógica, não poderá ser Fernando Catão, tio de Cássio; Fábio Nogueira, amigo de infância de Cássio; nem Arnóbio Viana, nomeado para o tribunal pelo ex-governador Ronaldo Cunha Lima, pai de Cássio.

O único conselheiro que sobraria para relatar o caso seria André Carlo Torres, que foi nomeado pelo governador em 2012. Mas é bom lembrar que mesmo com a remota possibilidade de o relatório indicar que Nominando Diniz precisa se averbar suspeito nas contas de Ricardo, ele terá um voto diante dos outros cinco. Torres é o único entre os conselheiros que não chegou ao cargo por indicação política, já que ele é da cota dos auditores. A outra vaga ainda não foi preenchida pelo governador entre os indicados na lista tríplice.

Pela lógica, se Ricardo Coutinho for pedir a suspeição de todo mundo que tem ou teve alguma ligação com Cássio Cunha Lima, não haverá rodízio na apreciação das contas dele. Ou seja, se as escolhas para o TCE não têm cara de republicanas, apesar de constitucionais, o pedido de suspeição do governador segue no mesmo sentido.

Presidente estadual do PT cobra entrega de cargos de Manoel Júnior

Os petistas não perdoaram as declarações do deputado federal Manoel Júnior (PMDB), que, em manifestações recentes, pediu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em contato com o blog, o presidente estadual da sigla, Charliton Machado, cobrou que o parlamentar “largue o osso” e entregue os cargos, fazendo referência à frase dita pelo ex-governador do Ceará, Cid Gomes, durante pronunciamento na Câmara dos Deputados, quando ocupava o Ministério da Educação.

Confira o recado do dirigente:

“Em tempos de cinismo e covardia, cabe ao deputado Manoel Júnior negar o óbvio: suas indicações em cargos de gerência do INSS e áreas estratégicas na CBTU (planejamento/licitação), apenas para citar alguns desses espaços tão bem reivindicados pelo nobre parlamentar desde o governo Lula. Parafraseando o ex-governador do Ceará, Cid Gomes: se o nobre parlamentar não acredita no projeto político que governa o país, tenha pelo menos a dignidade de “soltar o osso!” Caso contrário, vai continuar cultivando o princípio da mentira piedosa”, disse Charliton Machado.