Cícero Lucena confirma pré-candidatura a prefeito de João Pessoa

Ex-prefeito divulga vídeo no qual lembra processos enfrentados na Justiça e finaliza dizendo “eu digo sim” (para a pré-candidatura)

O ex-senador Cícero Lucena (PP) tornou pública, nesta quinta-feira (9), a disposição de disputar a prefeitura de João Pessoa. O progressista marcou para as 11h uma live para discutir a “João Pessoa pós-pandemia”, mas divulgou vídeo antes deixando clara a intenção. Lucena foi governador, ministro, senador e prefeito da capital, porém, acumulou “dissabores”, como ele mesmo se refere sobre o período no qual respondeu a processo por suposto desvio de recursos públicos.

“A vida pública trouxe dores que marcaram a minha alma. Caí, mas levantei. Sofri injustiças, tive minha vida exposta, tentaram me destruir, mas a fé que tenho em Deus me manteve em pé”, disse Lucena. O ex-prefeito foi alvo de denúncias de suposto desvio público durante a última gestão, finalizada em 2004. Ele chegou a ser preso durante a operação Confraria. Da época, restaram ainda condenação no Tribunal de Contas da União (TCU), que pode gerar problemas para o registro de candidatura.

O ex-senador voltou a cogitar a disputa eleitoral neste ano. Até 2019, a resposta para qualquer pergunta neste sentido vinha acompanhada de uma negativa. Cícero exerceu o último mandato eletivo até janeiro de 2015, quando deixou o Senado. Ele disputou a eleição para prefeito de João Pessoa em 2012, mas foi derrotado para o atual prefeito, Luciano Cartaxo (PV). Depois disso, teve as portas fechadas em 2014, quando pensou em disputar a reeleição para o Senado na chapa de Cássio Cunha Lima (PSDB).

Para o novo projeto, Cícero trocou a sigla tucana pelo PP, do deputado federal Aguinaldo Ribeiro. Com isso, poderá entrar na disputa pela prefeitura pela quarta vez, desde que entrou na política. Em duas delas, ele saiu vitorioso das urnas. O vídeo divulgado nesta quinta-feira seguiu o tom de que, depois de vencer os processos relacionados à operação Confraria, ele está pronto para tentar retornar à vida pública.

Jericó: mesmo com decretos proibindo, prefeito participa de carreata para “receber” o sobrinho pré-candidato

Carreata reuniu pessoas sem máscaras, quebrou o isolamento social na cidade e ocorreu muito antes do período eleitoral

A pequena cidade de Jericó, localizada a 337 quilômetros de João Pessoa, viu uma grande festa no sábado (4). A carreata contou com a presença do prefeito Cláudio Oliveira (Progressistas), o mesmo que assinou decretos orientando o isolamento social na cidade. A festa marcou a chegada ao município do empresário Hallysson Oliveira, virtual candidato a prefeito nas eleições deste ano com o apoio do tio. O evento provocou aglomeração, com muita gente sem máscara, além de ferir a legislação eleitoral.

O tema ganhou espaço nas redes sociais e na imprensa da região. A carreata, inclusive, pode trazer prejuízos eleitorais para o provável candidato, uma vez que é vedada a realização de eventos políticos de campanha antes de 27 de setembro. De acordo com o blog do jornalista Clinton Medeiros, o empresário tem negócios e mora no Estado do Maranhão. Mesmo assim, ganhou a simpatia do tio, atual prefeito, e demonstra interesse em disputar as eleições deste ano na cidade de 7,5 mil habitantes.

A carreata contraria, também, o decreto estadual editado pelo governador João Azevêdo. O ato proíbe a realização de manifestações que promovam aglomeração. De acordo com informações de moradores, a carreata foi encerrada com a chegada da polícia. Uma pessoa acabou se ferindo e foi socorrida para o Hospital de Catolé do Rocha, que fica a 37 quilômetros de Jericó.

A cidade tem quatro casos confirmados do novo Coronavírus desde o início da pandemia. Atualmente, está situada na bandeira amarela em relação aos riscos de contaminações. Não há registros de mortes ocasionadas pela Covid-19. O perfil da prefeitura no Instagram traz um comunicado orientando as pessoas a ficarem em casa e evitarem aglomerações. Faltou às autoridades da cidade dar uma olhadinha.

Reprodução/Instagram/prefeituramunicipaldejerico

Em meio à pandemia, prefeitura de Pombal faz carreata e entrega brindes ao som do jingle eleitoral

Ex-deputado e virtual candidato à reeleição, Verissinho banca “arraiá itinerante” com dinheiro público

Os primeiros dias do mês de julho foram marcados por duas informações conflitantes na cidade de Pombal, no Sertão. A primeira foi liberação de R$ 4,2 milhões pelo Ministério da Saúde para o enfrentamento à Covid-19 no município. A segunda foi uma carreata ao som de muito forró e que provocou aglomerações por onde passou na cidade. Mas não apenas isso. O prefeito, ex-deputado estadual Doutor Verissinho (MDB), mandou distribuir kits de higiene ao som do jingle da campanha eleitoral dele de 2016. E aí está o problema: ele é virtual candidato à reeleição.

As ações ocorreram na quarta-feira (1º) e na quinta-feira e não demoraram para viralizar nas redes sociais na cidade sertaneja. O “Arraiá Itinerante” foi puxado pela primeira-dama e atual secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social, Mayenne Van Bandeira Lacerda. Ela também já foi candidata na cidade, mas foi derrotada em 2012. As imagens mostram que durante a entrega de brindes, os moradores de bairros mais carentes da cidade são convidados a sair às ruas para dançar.

“Olha eu, olha eu aqui de novo, junto e misturado com o povo. Olha eu, olha eu aqui de novo. Pronto para trabalhar pelo povo”, era o refrão do jingle tocado no carro de som que puxava a ação coordenada pelo município. É a mesma utilizada na campanha eleitoral de 2016, segundo o checado pelo blog. Também foram distruídas máscaras com emblema da prefeitura para os moradores. A mobilização acontece no momento em que a cidade registra 154 casos do novo Coronavírus. O número de infectados no Estado beira os 50 mil e 1.044 pessoas morreram desde o início da pandemia.

De acordo com o checado pelo blog, as imagens já foram repassadas para o Ministério Público. O órgão, vale ressaltar, tem aberto investigações sobre iniciativas semelhantes ocorridas em outros municípios. Pelo novo calendário eleitoral, a campanha de rua terá início após os registros de candidatura em 26 de setembro. Qualquer manifestação anterior a isso, principalmente com uso de dinheiro público, pode ser considerado crime eleitoral.

Vítor Hugo diz que vai recorrer de decisão que suspendeu abertura do comércio

Prefeito culpa João Pessoa por Cabedelo não figurar entre os municípios classificados com faixa amarela

O prefeito de Cabedelo, Vítor Hugo (DEM), vai recorrer da decisão que proibiu a flexibilização das regras de isolamento social na cidade. Uma decisão proferida pela juíza Tereza Cristina de Lyra Pereira Veloso proibiu a prefeitura de autorizar o funcionamento de comércio, shoppings, bares, restaurantes e academias. A liminar tornou sem efeito o decreto municipal, editado pelo prefeito.A liminar tornou sem efeito o decreto municipal, editado pelo prefeito.

“Nós vamos cumprir (a decisão) por que respeitamos a Justiça, como também temos direito de recorrer ao Tribunal por que acreditamos na Justiça. Baseado em números científicos e dados, nós acreditamos em nossa autonomia para governar. Alguns governantes já admitem que Cabedelo está na bandeira amarela. Só continua na bandeira laranja por que participa da Grande João Pessoa”, disse.

O prefeito alega que essa análise conjuntural faz com que se João Pessoa não baixar para a bandeira amarela, Cabedelo também não vai baixar. “Um grande equívoco. Cabedelo precisa ser avaliada por si só, por seus próprios índices e a forma que trata a Covid em nossa cidade. Um dos maiores índices de recuperados, acima de 85%, e um dos menores de letalidade da Paraíba nos dá o direito de reabrir o comércio”, diz.

Cabedelo tem 1.771 casos e 14 mortes registradas. A magistrada, no entanto, lembra que a cidade tem população flutuante e, por isso, muita gente é tratada em outras cidades. Por conta disso, os números referentes à cidade podem ser piores. A multa diária para o caso de descumprimento é de R$ 100 mil.

Prefeito defende primeira-dama que se cadastrou sem querer no auxílio emergencial

Prefeito de Alagoa Grande diz que a mulher decidiu testar o programa de cadastramento e recebeu dinheiro sem querer

A primeira-dama de Alagoa Grande, Adriana Karla de Melo Lima, precisa com urgência oferecer cursos com tutoriais para mais de 10 milhões de pessoas que tentaram, sem sucesso, receber o auxílio emergencial do governo federal. O benefício, que chega a R$ 1,2 mil no caso de mulheres chefes de família, foi criado para atender aos trabalhadores informais impedidos de trabalhar por causa da pandemia do novo Coronavírus.

Milhares de pessoas tentaram, em vão, se cadastrar e não conseguiram. A primeira-dama, porém, não encontrou dificuldade. Ela conseguiu receber duas parcelas de R$ 1,2 mil. O tema acabou gerando muita polêmica e dominou as discussões nas redes sociais na cidade. Foi preciso o prefeito Antônio da Silva Sobrinho (PSD) vir a público para dizer que tudo não se passou de um grande mal entendido.

De acordo com o prefeito, Adriana Karla, que é secretária de Ação Social do Município, acessou o programa do governo federal apenas para aprender como funcionava. O objetivo era ajudar outras pessoas a requisitar o auxílio emergencial. O prefeito jura de pés juntos que primeira-dama não finalizou o cadastro. Mesmo assim, ele assegura, o programa concedeu o benefício.

Aí você pode perguntar: mas por que ela recebeu duas parcelas do dinheiro sabendo que era errado? O prefeito responde dizendo que ela tentou devolver a primeira parcela, mas nem na Caixa Econômica se conseguiu informação sobre como fazer a devolução. Ele alega que foi constituído um advogado que, depois de novo contato com a Caixa Econômica, orientou a devolução do dinheiro.

Essa é toda a história contada pelo prefeito. Bom vai ser convencer o eleitor.

Peladão, descamisado e cervejas no “Big Brother” das autoridades durante a pandemia

Trabalhando de casa, muitos são flagrados em situações constrangedoras e casos viralizam

A pandemia do Coronavírus tem forçado todo mundo a um novo normal. As reuniões que antes se davam em salas e plenários, agora ocorrem por meio digital. E em casa, meu amigo, tem muita gente exercitando o que o brasileiro sabe fazer de melhor: a presepada. E aí não tem jeito, as gafes têm se estendido do Executivo ao Legislativo e, até, ao requintado e formal Judiciário. O caso do deputado Jeová Campos (PSB), em sessão nesta semana, foi só a ponta do iceberg.

Homem nu é flagrado durante teleconferência com a participação de Bolsonaro. Foto: Reprodução

Se formos para o topo da política nacional, vamos encontrar uma gafe envolvendo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em 14 de maio, o gestor reuniu o empresariado indicado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). No encontro, um dos participantes esqueceu de desligar a câmara do celular e foi flagrado no banho. Bolsonaro foi o primeiro a perceber.

“Ô, Paulo [Skaf], tem um colega aí no último quadrinho que tá, saiu fora, tá ok?”, disse o presidente. Ele, então, se dirigiu a Paulo Guedes que estava a seu lado. Ao ser alertado, o ministro da Economia afirmou: “Tem um cara tomando banho aí, peladão. Tem um peladão aí, fazendo isolamento peladão em casa e tal, beleza (risos). O cara foi ficando com calor com a conversa, aí foi tomar um banho frio…”.

No dia 15 de abril, já sob os riscos da pandemia, uma sessão virtual no Tribunal de Justiça do Amapá ganhou destaque nas redes sociais. O motivo: um dos desembargadores estava lá, sem camisa, já com as imagens rolando. O magistrado em questão foi Carmo Antônio. Depois da polêmica, a corte divulgou uma nota, na qual explicava que o magistrado estava sem roupa antes do início da sessão. Infelizmente, reforça a nota, a câmara já estava ligada e as imagens vazaram.

A Paraíba contribuiu para rol de gafes com o caso do deputado estadual Jeová Campos (PSB). O deputado participava de uma sessão remota, na Assembleia Legislativa, e pediu para entrar na discussão. Sem perceber, deixou o celular filmar o lado oposto de onde estava. As imagens vistas, com isso, foram de uma mesa com duas garrafas (vazias) de cerveja, uma rede e uma tábua de carne.

No Paraná, o nível das sessões não anda muito alto durante a pandemia. Em meio à sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o deputado Nelson Justus perdeu a linha achando que o microfone estava desligado. Se referindo a um dos colegas do parlamento, ele baixou o nível com uma frase infeliz. Confira abaixo:

Médico Ítalo Kumamoto faz apelo emocionado: “fiquem em casa”

Médico participou de reunião com Ministérios Públicos Estadual e Federal e defende isolamento social

Quem acompanha as postagens do médico Ítalo Kumamoto nas redes sociais pôde constatar, nesta quarta-feira (20), um apelo emocionado. O cardiologista pediu, mais uma vez, para que todos que puderem fiquem em casa. E o alerta tem um motivo: o risco de colapso no sistema de saúde paraibano, tanto o público como o privado, por causa do novo Coronavírus.

“Os hospitais estão sobrecarregados, púbicos e privados. Se a situação continuar, no nível em que estamos vivendo hoje, as pessoas relaxando o isolamento social, as medidas preventivas contra o coronavírus, nós não vamos ter leitos para pacientes que precisarem ser internados, seja em enfermaria, seja em apartamento, seja numa UTI pelo Covid”, disse Kumamoto.

A posição do médico foi manifestada após reunião com representantes dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, além das secretarias de Saúde do Estado e do Município. Ele alerta, no vídeo, que não haverá vaga nas instituições de saúde para o tratamento dos pacientes, caso as pessoas continuem desrespeitando o isolamento social. O próprio Italo lembra que está em isolamento há 6o dias.

Conhecido pelo alinhamento ideológico com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o médico tem passado longe dos preceitos defendidos pelo gestor de extrema-direita. A posição do presidente, no sentido contrário da do médico, tem sido a de determinar a abertura de toda a atividade econômica, mantendo isoladas apenas as pessoas que integram o grupo de risco.

Kumamoto, por outro lado, defende que apenas as pessoas que atuem em funções essenciais saiam de casa. E o motivo para a avaliação dele é matemática: com crescimento exponencial das infecções, não haverá estrutura de saúde que chegue para garantir o atendimento da população caso todo mundo adoeça ao mesmo tempo.

Advogado de Berg Lima alega suspeição de Ricardo Vital e gera polêmica

Inácio Queiroz proferiu discurso durante sessão que votou cassação de Berg na Câmara de Bayeux

Berg Lima foi flagrado em vídeo feito por empresário justamente no momento em que recebia dinheiro supostamente de propina. Imagem: Reprodução

O advogado de Berg Lima (PL), Inácio Queiroz, gerou polêmica entre políticos e juristas, nesta semana, por conta de suas posições futuristas. O defensor alegou em pronunciamento na Câmara de Bayeux que o desembargador Ricardo Vital de Almeida, relator de ação contra o prefeito no Tribunal de Justiça, “terá que se averbar  suspeito”. A tese foi proferida durante a sessão realizada no Legislativo para votar o pedido de cassação do gestor, acusado de pagamentos ilegais de adicionais noturnos aos guardas municipais.

Sem papas na língua, Queiroz chamou de fake news as informações de que o prefeito estaria na mira desembargador responsável pela operação Calvário no segundo grau. No caso de Berg, a acusação contra ele, na área criminal, no Tribunal de Justiça, é aquela de que ele cobrou propina de empresário como condição para o pagamento de dívidas antigas da prefeitura. O gestor foi flagrado em vídeo embolsando R$ 3,5 mil supostamente pagos a título de propina.

Para um público composto por vereadores, apoiadores e adversários do prefeito, na sessão da última quinta-feira, na Câmara, Inácio Queiroz foi taxativo ao afirmar a necessidade de suspeição. “Berg Lima, há poucos dias, disseram que Berg Lima está na mira de Ricardo Vital. Ricardo Vital não pode julgar processo de Berg Lima. Ele averbou suspeição no criminal em processo anterior. A suspeição perdura ainda. Então espalhando fake news”, assegurou.

O magistrado, ao que consta, de fato se averbou suspeito em demanda judicial anterior, que tinha Berg como alvo, mas há quem diga que a métrica para o processo atual é outra. Afinal, um juiz pode se averbar suspeito por diversos motivos, não apenas por relação com o acusado. Pode ser por proximidade com uma das testemunhas, por exemplo. Há quem diga também que se a estratégia de defesa de Berg na área criminal for essa, ele poderá ter uma “surpresa desagradável”.

O caso em questão, o da suposta cobrança de propina, ocorreu em 2017, no primeiro ano de gestão do prefeito. De lá para cá, ele foi afastado do cargo e preso. Depois assumiu o cargo, mas há riscos de novo afastamento do cargo por causa de processos nas áreas criminal e civil. O sucesso dele nas demandas, por enquanto, está restrito aos processos políticos, mandados pela Câmara de Bayeux.

Em relação aos processos criminais, melhor esperar para ver…

Operação Calvário: “trouxe mangas” era senha de Livânia para Ricardo sobre propinas

Em delação premiada, ex-secretária de Administração do Estado conta que entregou R$ 1,8 milhão pessoalmente a Ricardo Coutinho

Leandro Nunes com caixa de vinho que o Ministério Público acredita ser de dinheiro. Foto: Reprodução/Fantástico

A delação da ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias,  sempre foi um mistério. Muitos se questionavam sobre o que, realmente, ela tinha dito aos promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado, do Ministério Público da Paraíba. Sabia-se, no entanto, que ela contou muito. O blog teve acesso a vasto material e pôde constatar que ela falou bastante. Disse até que “trouxe umas mangas de Sousa para você” era a senha para que o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) soubesse que ela trazia propina, muita propina com dinheiro em espécie.

Em uma das oportunidades, o montante foi de R$ 800 mil, recebidos diretamente de Jardel Aderico, da Inteligência Relacional. O empresário foi preso na quinta fase da operação Calvário. Ele é acusado de envolvimento em esquema de desvio de recursos em contratos da Educação. O ex-governador foi preso na sétima fase da operação, que foi batizada de Juízo Final. Livânia conta que do mesmo Aderico recebeu mais R$ 1 milhão, que foram levados novamente em mãos e entregues ao governador na Granja Santana.

Veja o vídeo:

Estes casos ocorreram a partir de 2014, mas a origem das negociações de supostas propinas teria ocorrido muito antes. Antes de Aderico já estava no radar outro delator: o mandatário da Cruz Vermelha Brasileira, Daniel Gomes da Silva. Ele deu detalhes ao Ministério Público sobre supostos pagamentos de propinas negociadas diretamente com o agora ex-governador Ricardo Coutinho (PSB). Um esquema iniciado em 2010, com doações para campanha, e que teria se perpetuado para beneficiar também o atual governador, João Azevêdo (sem partido).

Livânia conta que conheceu Daniel ainda em 2010, trazido à Paraíba através do ex-senador Ney Suassuna. A apresentação foi intermediada por Fabrício Suassuna, filho de Ney. De lá, ele foi conversar com Ricardo Coutinho, segundo a delação. Na conversa, prometeu ajuda para a campanha daquele ano. Naquele momento, ainda não havia contrato com a Cruz Vermelha Brasileira. Ricardo teria mandado ele acertar tudo com Livânia. Ela fala no repasse de R$ 200 mil.

Confira o vídeo:

Livânia contou que em meio às negociações, após os contratos firmados, Daniel Gomes perguntou quanto ela queria que fosse acrescentado nos contratos a título de propina. Foi definido um repasse de pouco mais de R$ 300 mil por mês, que eram pagos muitas vezes de forma acumulada. Os contratos até 2018 consumiram do Estado algo em torno de R$ 1,2 bilhão.

Veja o vídeo:

Livânia conta que no fim do ano passado, foi abordada por Daniel Gomes, que queria falar urgentemente com Coriolano Coutinho, irmão do ex-governador. Ela garante que a “coisa” que ele dizia ter em mãos para entregar era dinheiro de propina.

Veja o vídeo:

Livânia contou, também, que houve acumulação de valores pagos, a título de propina, pelos contratos da Cruz Vermelha Brasileira e o Instituto de Psicologia Clínica e Educacional (Ipcep), ambos comandados por Daniel Gomes.

Veja o vídeo:

Livânia deu detalhes, também, sobre o repasse de quase R$ 900 mil a título de propina para a campanha eleitoral do ano passado. O dinheiro é aquele que foi recebido por Leandro Nunes Azevêdo, assessor de Livânia. A promessa era de repasse de R$ 700 mil, mas o dinheiro que constava na caixa de vinho era muito superior.

Confira:

Os assuntos tratados sobre as propinas já haviam sido motivo de conversa de Daniel Gomes com o próprio Ricardo Coutinho. Em negociação gravada pelo delator, o ex-governador teria sido informado sobre contratos que deveriam render 10% de propina. Os repasses teriam sido feitos. Em outro caso, o próprio governador faz as cobranças.

Confira:

Bayeux: vereador pede compra de bafômetro e colega admite que toma uma

Presidente da Casa critica polêmica gerada por Adriano Martins e não vai comprar o bafômetro

Bafômetro em legislativos não é exatamente uma novidade na Paraíba. Foto: Jornal da USP

A polêmica está formada na Câmara de Bayeux. Nesta quinta-feira (29), o vereador Adriano Martins (MDB) subiu à tribuna para apresentar requerimento para a compra de um bafômetro para a Casa. O parlamentar se disse incomodado com a chegada todos os dias de colegas na sessão alcoolizados. “Quero pedir a compra de um bafômetro para que em todas as sessões vereadores façam bafômetro aqui…. eu preciso que esse requerimento seja aprovado e preste atenção em quem vai votar contra, viu?”, provocou o emedebista.

A manifestação de Adriano Martins acabou gerando revolta em outros vereadores. Um deles foi Betinho da RS (Podemos). Ele fez discurso dizendo criticando a postura do colega. Disse, inclusive, sobre a proposta de compra do bafômetro, que veste a carapuça. Engraçado é que na construção da frase ele quase se refere à cachaça. “Tem um parlamenta que chamou aqui alguns de cachaceiros. Eu vou pegar essa chacha… essa carapuça e dizer que tomo uma”, disse.

Confira:

O presidente da Câmara, Jefferson Kita (PSB), procurou contemporizar. Ele criticou a postura de Adriano Martins e atribuiu à desavença pessoal com Betinho o uso da tribuna para cobrar a compra de um bafômetro. Ele assegurou que não vai haver a compra do equipamento. O caso de Bayeux fez lembrar fato semelhante ocorrido em Piancó, no Sertão. Na legislatura passada houve a compra de bafômetro e vereador também admitindo que bebe. Na época, Antônio Hermógenes disse que bebia de cinco a seis doses por dia obedecendo recomendação do cardiologista.

Hermógenes não apenas foi reeleito, como conseguiu votos suficientes para ser eleito presidente da Câmara. Com isso, o uso do bafômetro nas sessões foi abolido.