Hackfest contará com experiências da ONU na área de cidadania

Reunião no Ministério Público da Paraíba tratou sobre a nova edição do evento. Foto: Suetoni Souto Maior

As experiências acumuladas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) vão ser compartilhadas com os organizadores do ‘Hackfest de Combate à Corrupção’. A parceria entre a instituição ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) e o grupo responsável pelo evento (Ministério Público da Paraíba, Rede Paraíba de Comunicação e Universidade Federal de Campina Grande) foi acertada durante encontro na tarde desta terça-feira (14), na sede do Ministério Público. O know how da instituição será apresentado para os programadores que vão participar do evento, com o objetivo de municiá-los com informações voltadas para a área de cidadania.

O hackfest é uma maratona de programação na qual hackers se reúnem por longos períodos, com o objetivo de explorar dados abertos, desvendar códigos e sistemas lógicos, além de discutir novas ideias e desenvolver projetos de software ou até mesmo de hardware. Tudo isso para disponibilizar ferramentas para que a população possa fiscalizar a aplicação do dinheiro público. A próxima edição do Hackfest vai ocorrer entre os dias 9 e 11 de junho deste ano, no Espaço Cultural, e terá abrangência nacional. Será, também, mais ampla que as anteriores, com espaço para iniciativas como a Feira contra a Corrupção, Mostra de Cinema, Palestras e Oficinas, além de Food Trucks, Teatro Infantil e Contação de Histórias.

O Hackfest conta desde a sua primeira edição (esta é a terceira) com o apoio do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU) e, neste ano, contará com apoio também do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê). O acordo de intenções para o apoio do Pnud foi acertado em reunião com a participação do diretor do Pnud no Brasil, Didier Trebucq; a residente assistente Maristela Baioni; o assessor sênior Haroldo Machado; a oficial de Programa do Pnud, Leva Lazareviciute; e a analista Inalda Beder. No encontro, os coordenadores do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da CGU, Octávio Paulo Neto e Gabriel Aragão, respectivamente, fizeram explanações sobre as edições anteriores do evento e o que está sendo planejado para a nova edição.

Sustentabilidade

Durante o encontro, Didier Trebucq ressaltou que o Pnud tem o objetivo de firmar uma ampla aliança para concretizar os objetivos de sustentabilidade. E foi isso que trouxe os representantes da instituição à Paraíba, onde eles participaram de encontros com representantes da Assembleia Legislativa e do governo do Estado. Para ele, o Hackfest se enquadra no objetivo 16, entre os Objetivos do Milênio. Justamente o que trata de “Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis”.

“Creio que o ingresso da ONU, por meio do Pnud, no hackfest revela a convergência da iniciativa com alguns pontos para o desenvolvimento sustentável, entre os quais a cidadania responsável, por meio da efetiva participação das coisas e negócios públicos”, ressaltou o coordenador do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPB, Octávio Paulo Neto. Ele acrescentou ainda que o evento é uma grande conjunção de saberes e propósitos, todos direcionados para uma melhor compreensão de nosso papel na sociedade. “Sempre no viés do exercício da cidadania consciente”, acrescentou.

Já o coordenador da CGU, na Paraíba, Gabriel Aragão, ressaltou a conexão cidadã pretendida pelo Hackfest, não apenas pensando no municiamento da população com informações que possam subsidiá-la na fiscalização da aplicação do dinheiro público, mas também pensar em estratégias de comunicação para popularizar o projeto. As ferramentas desenvolvidas durante o Hackfest são disponibilizadas para a população no site www.eufiscal.org.

Raimundo Lira corre sério risco de “sobrar na curva” em Brasília e na Paraíba

O senador paraibano Raimundo Lira corre sério risco de sobrar na curva nas suas pretensões de se tornar proeminente entre as lideranças peemedebistas no Senado. Ele, inclusive, contava com isso para ter força necessária para isolar o grupo de José Maranhão dentro do PMDB paraibano e levar o partido de porteira fechada para o governador Ricardo Coutinho (PSB), em 2018. Mas não será tão fácil. O parlamentar sonhava em assumir a liderança do partido na Casa. Trabalhou quatro meses para isso e, no final, foi atropelado pelo ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), que assumiu o posto. Agora resta a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a principal da Casa, e ela não deve ficar com Lira.

O senador tem bradado para os quatro ventos, nos corredores do Senado, contra Renan Calheiros. Conta que o próprio senador alagoano o estimulou a trabalhar pela liderança e que ele tinha conquistado uma maioria para isso, mas recebeu uma rasteira. De última hora, suas pretensões para a CCJ foram minadas pelas indicações, com o aval de Calheiros, de Edson Lobão (MA) e Marta Suplicy (SP). Lobão é visto com desconfiança por causa das citações na Lava Jato e Marta não é vista como uma peemedebista genuína. Mesmo assim, despontam com força, o que arrancou a irritação de Raimundo Lira.

Lira foi o relator do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e ganhou muito conceito com isso, mas menos do que imaginava no contexto nacional. Resultado: corre o risco de parar em uma comissão de menor importância, o que o enfraquecerá na cruzada paraibana. Sem o poder nacional que esperava, corre o risco de ser engolido pela velha raposa José Maranhão. E o resultado disso será não ter o que oferecer em uma eventual aproximação com Ricardo Coutinho. Daí não é difícil imaginar o resultado desta relação. Da última vez que o senador peitou as lideranças peemedebistas, na década de 1990, teve que deixar o partido.

Gervásio exonera comissionados, mas ainda precisa abrir “caixa-preta”

O Diário do Poder Legislativo (DPL) trouxe nesta terça-feira (7) a publicação de uma portaria assinada pelo novo presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB), no qual ele exonera todos os servidores comissionados que integram a estrutura operacional da Casa. A medida, ele reforça, é para adequar a folha de pagamento à realidade financeira do poder. “Temos as nossas prioridades”, ressaltou, mostrando que as nomeações serão feitas sem pressa.

Última relação de servidores divulgada foi em junho de 2016 e números são suspeitos

O problema em toda essa história é que ninguém sabe exatamente quantos são os comissionados. O consenso existente, no entanto, é que não se restringe aos cinco informados pelo Legislativo ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). O poder, vale ressaltar, não informa com regularidade o quadro de pessoal à corte para que seja disponibilizado no Sistema de Acompanhamento dos Recursos da Sociedade (Sagres). Os dados mais recentes são de junho de 2015.

O número declarado é bem inferior ao existente, já que cada deputado possui uma cota de indicações, com alguns empregando mais de 20 servidores sem a necessidade de concurso público. O presidente do Tribunal de Contas do Estado, André Carlo Torres, informou que a corte está com “processos de acompanhamento abertos” para que se tenha informações mais rápidas e precisas sobre o assunto.

 

 

PF investiga professor da UFPB suspeito de usar diplomas falsos

Professor que teria falsificado diplomas dá aulas na UFPB há dez anos. Foto: Krystine Carneiro

Um professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) foi afastado do cargo nesta semana por causa de investigação da Polícia Federal sobre suposto uso de diplomas falsos para comprovar seu currículo. Conforme as primeiras informações da PF, ele atuava há dez anos na instituição. Todos os diplomas foram recolhidos para perícia e, segundo a instituição de ensino, o professor já foi afastado de sala de aula pela universidade.

A UFPB informou, por meio da assessoria, que foi informada da investigação sobre a falsificação de documentos pelo professor nesta segunda-feira (6). Ainda de acordo com a assessoria, o processo foi encaminhado para a Procuradoria Jurídica instituição de ensino e uma medida administrativa foi iniciada na Pró-reitoria de Gestão de Pessoas. Ele poderá ser exonerado da função, caso seja comprovado o crime. A Polícia Federal começou a investigar o caso após denúncia anônima.

A polícia apreendeu documentos na casa do suspeito, no bairro do Miramar, em João Pessoa. A medida administrativa foi tomada para que a relação profissional do suspeito seja suspensa até a situação ser esclarecida. A investigação criminal corre em segredo de justiça, por isso, a UFPB não divulgou o nome do suspeito, nem o curso no qual ele leciona.

Por Cógenes Lira, especial para o Blog de Suetoni

Prefeitura multa Cagepa em R$ 291 mil por despejar esgoto em galerias

Prefeitura multa a Cagepa por causa de vazamento de esgoto. Foto: Divulgação

A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) foi multada em R$ 291 mil pela Secretaria de Meio Ambiente (Semam) da prefeitura de João Pessoa por suposto crime ambiental. A autuação aconteceu nesta segunda-feira (6) e foi motivada por um vazamento de esgotos entre as ruas Rua Índio Arabutan e Rua Juiz Amaro Bezerra, no Cabo Branco. Fiscais do órgão atribuem à companhia a responsabilidade pela poluição na orla da capital. O Ministério Público Federal (MPF) tem cobrado do Estado e da Prefeitura uma solução para o caso.

Em dezembro do ano passado, o MPF promoveu reunião com o chefe da Divisão de Fiscalização da Secretaria do Meio Ambiente de João Pessoa (Semam), Allison Cavalcanti de Araújo, e o então presidente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Marcus Vinícius Fernandes Neves, para tratar da poluição lançada no mar em praias de João Pessoa, a ponto de se afetar a balneabilidade de trechos do Bessa, além de Manaíra, Tambaú e Cabo Branco. As três praias “visitam” constantemente a relação das impróprias para o banho.

Pelas imagens divulgadas pela prefeitura, o esgoto escorria de um poço de visitas pertencente à rede coletora de esgotos da Cagepa e seguia para uma galeria pluvial. De lá, segundo os fiscais, o destino inevitável é o despejo na praia. O blog entrou em contato com a companhia e foi informado de que o vazamento foi detectado às 14h e o problema resolvido até as 16h. O transtorno ocorreu por causa do lançamento de uma pedra na rede coletora. O órgão prometeu se pronunciar de forma mais ampla sobre o assunto ainda na manhã desta terça.

 

Recado? PGR denuncia peemedebistas no mesmo dia em que Temer escolheu Moraes para o STF

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, é indicado pelo presidente Michel Temer para assumir uma vaga no STF Antonio Cruz/ Agência Brasil

Até parece recado da Procuradoria Geral da República (PGR). No mesmo dia em que o presidente Michel Temer (PMDB) indicou o ministro da Justiça Alexandre Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu à corte autorização para investigar algumas das principais lideranças políticas da sigla peemedebista. Foi pedida a abertura de inquérito contra os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR), além do ex-senador José Sarney e do ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado. O quarteto ganhou notoriedade após o vazamento de áudios gravados por Machado nos quais se discutia um acordo com o SRF para “estancar a sangria” aberta com a Lava Jato.

A pressão interna dos peemedebistas era pela nomeação de um ministro com perfil político, por causa do julgamento dos investigados na operação Lava Jato. Entre eles, vale ressaltar, estão vários peemedebistas e lideranças proeminentes da base aliada, bem como oposicionistas. Temer preferia um ministro com perfil técnico, parecido com o de Teori Zavascki, morto em acidente aéreo no mês passado. Zavascki era o relator das ações que investigavam o pagamento de propina por empreiteiras a políticos de vários partidos para ter vantagens nas licitações. Moraes é filiado ao PSDB, com ligações estreitas com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e ao presidente Michel Temer.

O anúncio da escola foi feito há pouco pelo Palácio do Planalto por meio do porta-voz da Presidência, Alexandre Parola. Segundo ele, o presidente decidiu submeter o nome de Moraes à aprovação do Senado tendo como base o seu currículo. “As sólidas credenciais acadêmicas e profissionais do dr. Alexandre de Moraes o qualificam para essa elevada responsabilidade no cargo de ministro da Suprema Corte no Brasil”, disse o porta-voz. Com a indicação, Moraes é o nome do governo para substituir o ministro Teori Zavascki, que morreu em um acidente aéreo em Paraty (RJ) no último dia 19. Para assumir a vaga, ele precisa antes ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, depois, aprovado pelos senadores.

Nesse fim de semana, Temer se dedicou às últimas conversas com amigos e auxiliares sobre a escolha do nome. De acordo com pessoas com acesso aos gabinetes da Corte, Moraes foi apoiado pelo ministro Gilmar Mendes, que chegou a trabalhar informalmente pela sua indicação junto ao presidente.
Saiba Mais Edson Fachin é sorteado novo relator da Lava Jato no Supremo, mas o ministro indicado pelo presidente será o revisor da ação.

 

Alexandre Moraes: de advogado do PCC a cotado para ministro do Supremo

Brasília – Presidente Michel Temer dá posse ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Alexandre de Moraes, em cerimônia no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ministro da Justiça Alexandre de Moraes chegou a esta segunda-feira (6) como o favorito para assumir o posto de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), vago desde a morte de Teori Zavascki no mês passado. A escolha, em vias de ser confirmada pelo presidente Michel Temer (PMDB), é elogiada por juristas e políticos, mas principalmente pela última categoria citada. Receberia, apesar disso, a reprovação do próprio ministro, caso fosse consultado anos antes sobre matéria similar. A tese de doutorado dele, defendida em 2000, apontava como ilegal a nomeação, pelo presidente, de detentores de cargo comissionado para o posto, “de maneira a evitar-se demonstração de gratidão política”. E gratidão é tudo o que a classe política espera dele como julgador na Lava Jato.

Moraes é um advogado com conhecimento jurídico incontestável, é bom reconhecer. Apesar disso, poderá chegar ao cargo comprometido demais para o exercício das suas funções. Se a gente fosse usar linguagem bíblica para se referir ao caso, diria que a nomeação de agora será para que se cumpra as palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR), outro implicado pela Lava Jato, que, em áudio vazado no ano passado, falou em derrubar o governo Dilma (fato já consumado) e fazer um acordo com o Supremo para “delimitar a Lava Jato”. Está tudo na delação do ex-executivo da Transpetro, Sérgio Machado. Romero foi demitido do cargo de ministro do Planejamento após o escândalo, mas a pressão por uma solução política para frear a Lava Jato virou um fantasma que via de regra assombra o governo.

Houve pressão recente sobre Michel Temer, também citado nas delações premiadas como suspeito do recebimento de propina. O presidente demonstrava preferência por alguém com perfil técnico, para evitar acusações de tentativa de atrapalhar a operação Lava Jato. Um dos nomes favoritos era o de Ives Granda Filho, presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho). As posições machistas do magistrado surgiam como empecilho, mas pelo menos ele não era ligado demais à política. Contra Alexandre Moraes pesou ainda algumas limitações vivenciadas como ministro da Justiça, a exemplo da incapacidade para apresentar soluções para a crise carcerária.

Passado controverso

O jornal Extra, do Rio de Janeiro, fez matéria no ano passado mostrando o passado pouco ortodoxo do novo possível ministro. Há na biografia dele práticas pouco elogiáveis para quem quer assumir um cargo de tamanha envergadura. Lógico que a afirmativa de que todos têm direito a um advogado é válida, mesmo no caso dos clientes com piores perfis. Como advogado, Moraes defendeu o hoje praticamente leproso Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ex-parlamentar era o todo-poderoso da Câmara dos Deputados até o ano passado e atualmente se espreme em uma cela de presídio por causa dos crimes investigados pela Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato.

Em 2015, reportagem do “Estado de S. Paulo” afirmou que Alexandre Moraes constava no Tribunal de Justiça de São Paulo como advogado em pelo menos 123 processos da área civil da Transcooper. A cooperativa é uma das cinco empresas e associações que está presente em uma investigação que trilha movimentações de lavagem de dinheiro e corrupção engendrado pela organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). À época, Alexandre disse, por meio de nota, que “renunciou a todos os processos que atuava como um dos sócios do escritório de advocacia” e que estava de licença da OAB durante o período investigado.

Alexandre de Moraes também foi promotor de Justiça, secretário de Segurança Pública e secretário de Justiça no Estado de São Paulo. Ele é filiado ao PSDB de São Paulo e poderá chegar ao Ministério da Justiça com uma enorme ligação política – a mesma que ele condenou no passado. Durante o processo de escolha, Temer consultou o ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ouviu dele os maiores elogios ao futuro ministro do STF. Sobre a escolha, como cidadão, eu particularmente concordo com a avaliação de Moraes, a do doutorando, quando ele considerava a prática ilegal.

 

Festa na direita: Bolsonaro virá a Campina Grande e a Cabedelo nesta semana

Os militantes da direita paraibana estão organizando caravanas para receber o deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que virá nesta semana à Paraíba. Ele vai a Campina Grande, na quarta-feira (8), e Cabedelo, na quinta (9). Na agenda, conferências sobre família, como prioridade nacional, economia e segurança. Os temas, inclusive, têm sido recorrentes nas entrevistas do parlamentar durante agendas pelo país afora. O grupo promete uma grande festa para recepcionar o parlamentar, nos moldes da registrada ano passado em João Pessoa. No desembarque no Aeroporto Castro Pinto, em Bayeux, ele posou para fotos, foi carregado nos braços e, depois, deu palestra na Câmara de Vereadores da capital.

De acordo com a presidente da Direita Paraíba, Morgana Macena, o convite para a vinda do polêmico parlamentar foi feito ainda no ano passado. O evento é organizado por Direita Paraíba, Ordem dos Conservadores, Foro Campina Grande, Legítima Defesa e Juliam Lemos. “Vamos ter a participação de juízes, promotores e líderes cristãos”, reforçou Morgana. Bolsonaro é conhecido pela defesa de uma pauta mais conservadora no Congresso e, vez por outra, defender o período da ditadura militar (1964-1985). Ele ganhou notoriedade nacional principalmente após o embate para impedir a distribuição nas escolas de cartilhas que tratavam sobre orientação sexual, tratadas por ele como “Kit Gay”.

A recepção em Campina Grande será no Aeroporto João Suassuna, às 14h. A conferência vai acontecer no Centro de Convenções do Hotel Gardem, às 19h30 da quarta-feira. Na quinta, em Cabedelo, o encontro será no Forte Santa Catarina, às 19h.

 

Punido, promotor acusado de atirar em travesti vai atuar em casos similares ao dele

Punição foi aplicada pelo Conselho Estadual de Ministério Público. Foto: Divulgação/MPPB

As punições para juízes e promotores que cometeram algum tipo de crime, aos olhos da população, é por demais complacente. Deveriam ser exemplares, por se tratar de agentes públicos que têm como dever fazer cumprir a lei. Um caso, em particular, tem chamado a atenção por causa da ironia do destino. Trata-se da remoção compulsória do promotor Aluísio Cavalcanti Bezerra da Comarca de Cabedelo, no Litoral paraibano, para o 1º Tribunal do Júri de Campina Grande. A punição dele será atuar em casos similares ao dele, que foi alvo de uma punição administrativa por ter supostamente atirado em uma travesti na orla da capital. Na época, ela acusou o promotor de não ter pago por um programa.

A decisão foi tomada pelo Conselho Superior do Ministério Público, que aprovou um relatório da Corregedoria Geral do órgão, opinando pela punição administrativa. O suposto ataque à travesti ocorreu em outubro de 2015, na orla de João Pessoa. Bezerra foi denunciado pelos crimes de disparo de arma de fogo e lesão corporal culposa, porque, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral de Justiça, ele teria disparado contra o chão, durante uma discussão com a travesti. O 1º Tribunal do Júri de Campina Grande é responsável pelo julgamento dos casos de crimes dolosos cometidos contra a vida – grande parte deles praticados por disparos de arma de fogo.

Aluísio alegou, na época da sindicância instaurada pelo MP, que tentava se defender de uma tentativa de assalto. O corregedor-geral do MPPB, procurador Luciano Maracajá, explicou que a punição administrativa máxima que a legislação prevê para o promotor é a remoção para outra comarca. “Como a primeira vaga aberta foi a do 1º Tribunal do Júri de Campina Grande, houve a remoção”, informou Luciano, acrescentando que a lei não prevê juízo de valor. Maracajá ainda pontuou que, no aspecto jurídico, o promotor Aluísio Cavalcanti responde ao processo no Tribunal de Justiça do Estado.

Tiros na praia
O fato aconteceu no dia 10 de outubro de 2015, na Praia do Cabo Branco, em João Pessoa, quando uma travesti procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência, afirmando que fora baleada duas vezes após tentar fazer a cobrança de um programa. Os tiros foram disparados de dentro de um carro e, na época, o promotor Aluísio Cavalcanti, que atuava na Promotoria de Cabedelo confirmou que o veículo envolvido na ocorrência pertencia a ele. No entanto, garantiu que quem usava no momento da confusão era um motorista. A versão foi mudada durante o processo a sindicância aberta pela Corregedoria na apuração da sindicância que resultou na abertura do processo disciplinar. Em dezembro daquele ano, o corregedor-geral disse que “ficou constatada a materialidade dos fatos, houve os disparos e ele (Aluísio) foi o autor”.
Segundo Luciano Maracajá, quando foi ouvido pela corregedoria o promotor mudou a história e se colocou no lugar que antes ele tinha dito ser do seu motorista. “Ele disse que foi vítima de uma tentativa de assalto e que atirou como forma de defesa. O promotor também nega ter atirado na vítima, diz que disparou no chão”, completou. Durante o processo administrativo disciplinar, o promotor Aluísio Cavalcanti voltou a ser ouvido, tendo o amplo direito de defesa. Além dele, testemunhas e a travesti que foi atingida pelos tiros também prestaram depoimento ao Ministério Público da Paraíba.
Com informações de Josusmar Barbosa

 

A política, a Lava Jato e as eleições de 2018

Nunca a política tradicional foi tão relegada à condição de coadjuvante no processo sucessório das eleições brasileiras. Os próprios políticos já enxergam dúvidas em suas carreiras, a ponto de se reunirem nas sombras para tramar mudanças na legislação que garantam a impunidade nos casos de corrupção. O fato é que praticamente todos, com maior ou menor gravidade, fizeram uso de práticas ilegais para chegar ao poder. Até mesmo a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), contra quem não pesam acusações de enriquecimento ilícito, corre o risco de ver a chapa que a elegeu em 2014 ser cassada por corrupção eleitoral. Se isso ocorrer, o atual presidente, Michel Temer (PMDB), também dança.

O presidente estadual do PSDB, Ruy Carneiro, em conversa com o blog, repetiu o que já é ponto passivo nas conversas políticas: é a Lava Jato que vai dizer, até 2018, quem serão os candidatos a presidente, governador, senador, deputados… E não é para menos. Como foi dito no início do texto, o financiamento empresarial por meio de caixa 2, embebido em favores políticos a empreiteiros e grandes corporações, praticamente marcou a forma de fazer política no Brasil nos últimos anos. De onde vinha o dinheiro para campanhas milionárias? Todos se perguntavam isso e a operação Lava Jato tem dado as respostas.

Talvez por isso, o também tucano Cássio Cunha Lima, ao analisar pergunta feita sobre sucessores em caso de cassação de Michel Temer (que ele acha inevitável), apontou a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, como melhor nome. De uma vez, duvidou das chances de sobrevivência de Temer e ainda decretou a morte da política tradicional. Mas ele tem razão para isso. O mítico Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente mais popular da história do país, vive hoje a incerteza se estará livre da prisão em 2018. Por isso, fez ataques à Lava Jato (com certa razão) até no velório da mulher, a ex-primeira-dama Marisa Letícia, falecida na última sexta-feira.

Futurologia

Vamos supor que o presidente Michel Temer realmente alcance êxito no seu programa econômico e escape ainda da cassação no TSE. Dificilmente ele sairá com a imagem (já cambaleante) das delações de executivos e empresários na Lava Jato. O que dizer do senador Aécio Neves (PSDB-MG)? É o principal nome da oposição para a disputa da Presidência. Rivaliza com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), como opção tucana para a disputa. Mesmo assim, se forem colocadas em linha reta as acusações contra ele em diversas delações (análise com certo exagero do escriba), a lista sairá de Minas Gerais até Brasília, sem repetições.

As delações também incluem Marina Silva (Rede), a mesma que se vende como espécie de Madre Tereza de Calcutá da política brasileira. De fato, é difícil imaginar quais nomes terão as biografias resistentes a ponto de sobreviver à Lava Jato. Mesmo com pecados cometidos pelo juiz Sérgio Moro, que cometeu erros incontestes em alguns momentos, e mesmo de exageros como os do procurador Delta Dallagnol (que já beiraram o disparate), a operação segue ditando quem vive e quem respira por aparelhos entre os presidenciáveis. Resta torcer que balança da Justiça não pese mais para um lado que para o outro, como já foi registrado em várias oportunidades.

A Justiça tem tudo para dar uma grande contribuição para a mudança na política brasileira, caso aja com equilíbrio, mas a palavra final para isso caberá ao eleitor.