Delação: Odebrecht doou para Cássio, mas esperava a Cagepa de bandeja

Fernando Reis diz que senador buscou “caixa 2”

Odebrecht

Fernando Reis diz que Odebrecht fez doação na esperança de investir em saneamento na Paraíba. Reprodução/YouTube

Os vídeos das delações feitas por ex e atuais executivos da empreiteira Norberto Odebrecht trouxeram uma grande carga de suspeição sobre o senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O material teve o sigilo levantado nesta quarta-feira (13) pelo ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). No vídeo, ao ser questionado sobre doações feitas ao parlamentar paraibano, o ex-presidente da Odebrecht AmbientalFernando Reis, alega que Cunha Lima teria recebido R$ 800 mil via “caixa 2“, em 2014. No pleito, o parlamentar disputou as eleições para o governo. A contrapartida seria dar a oportunidade para que a empresa prospectasse o investimento em saneamento básico na Paraíba, sugerindo a privatização ou terceirização do setor.

 

Reis, inclusive, revelou que o primeiro contato sobre o tema, na Paraíba, teve como alvo o governador Ricardo Coutinho (PSB). O socialista teria autorizado a prospecção para o que poderia se transformar em uma futura privatização da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). Só que, posteriormente, o próprio Coutinho teria desistido da ideia, por temer pressão das entidades sindicais. “No decorrer da campanha de 2014, um diretor nosso, Alexandre Barradas, foi procurado pelo senador Cássio Cunha Lima, que era candidato a voltar ao governo da Paraíba”, relatou Reis. “Pediu uma contribuição de campanha em caixa dois.”

Segundo Reis, o codinome de Cunha Lima no departamento de propinas da Odebrecht era “Prosador”. Ele disse que ficou acertada a doação de R$ 800 mil, que entraria por meio de “caixa 2” ou por outra empresa do grupo. A lista de doações do senador, referente a 2014, traz doação de R$ 200 mil pela Braskem, que o senador garante ser doação legal. No vídeo de Cássio, ele nega beneficiamento ilegal e defende que haja a investigação das denúncias.

 

Aguinaldo Ribeiro é cotado para voltar ao governo federal

Jhonathan Oliveira

O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) pode voltar a ocupar uma cadeira na Esplanada dos Ministérios. Depois de ter sido ministro das Cidades no primeiro governo de Dilma, o paraibano agora é cotado para o Ministério da Saúde. A indicação entraria nas negociações para garantir a reeleição de Rodrigo Maia como presidente da Câmara dos Deputados

De acordo com a Folha de São Paulo, o presidente Michel Temer se reuniu na segunda-feira (2) com os integrantes da articulação política para discutir a eleição na Câmara. A estratégia é fazer o PP e o PTB, que fazem parte do chamado ‘Centrão’, desistirem de lançar candidaturas avulsas contra Rodrigo Maia. Os desistentes seriam premiados com ministérios.

Além de levar Aguinaldo para o lugar de Ricardo Barros na Saúde, Temer também avalia trocar Ronaldo Nogueira por Jovair Arantes no Ministério do Trabalho.

De forma oficial, Temer tem afirmado que não se envolverá no processo eleitoral da Câmara, mas nos bastidores ele tem agido fortemente. Ele inclusive cancelou a ida ao Fórum Econômico de Davos, marcado para 17 a 20 de janeiro.

E por falar em saúde …

Antes de se preocupar com ministério, Aguinaldo Ribeiro precisou cuidar da própria saúde. Ele foi internado no Hospital Samaritano, em João Pessoa, na noite de segunda-feira (2), após sentir um incômodo. O parlamentar passou por um procedimento cirúrgico simples para a retirada de cálculo renal. Ele está bem e recebeu alta no final da manhã desta terça-feira (3).

‘Meia condenação’ de Dilma alimenta tese de golpe

ER_Julgamento-Impeachment-Dilma-Rousseff-terceiro-dia-segunda-feira_01308292016A manutenção dos direitos políticos de Dilma Rousseff (PT) no momento seguinte à aprovação do impedimento dela pelos senadores vai alimentar a tese de golpe parlamentar, tramado pela trinca Eduardo Cunha (PMDB)/Michel Temer (PMDB)/Aécio Neves (PSDB). A leitura é simples: se o Senado entende que houve cometimento de crime de responsabilidade e que, por isso, a petista não poderia permanecer no comando do país, nada justificaria que ela continuasse habilitada para o exercício de função pública e de poder ser eleita. Muito diferente do que ocorreu com Fernando Collor e uma visível releitura da lei.

O desfecho do processo de impeachment de Dilma sintetiza o que foi toda a caminhada dos debates desde a instalação, na Câmara dos Deputados. Os petistas e a própria ex-presidente se referia ao caso como peça de vingança do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). E eles têm razão. Foi largamente alardeada toda a condução e manobras do peemedebista para que o impeachment ganhasse peso e força para o afastamento da gestora, cujo maior crime em todo o processo foi a falta de habilidade política para sufocar as articulações.

A decisão cria as condições para que Eduardo Cunha, que terá o processo de cassação do mandato votado na Câmara dos Deputados no próximo mês, possa recorrer ao mesmo artifício. Poderá ser afastado do cargo e, mesmo assim, voltar à Câmara dos Deputados em 2019, desde que escape da praticamente certa condenação e prisão. A possibilidade foi alertada pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), líder da sigla tucana na Casa, e que é acusado pelos petistas de ser um dos artífices do “golpe”. O fato é que foi aberto um precedente gravíssimo, com potencial de livrar a cara de gente com passado muito sujo.

As votações tiveram placar expressivo, mas destoantes. Para afastar Dilma Rousseff, o resultado foi maior que o esperado. Foram 61 votos a favor e 20 contra. Já a votação que manteve a presidente habilitada foi de 42 a favor, 36 contra e 3 abstenções. Eram necessários dois terços dos senadores que a petista ficasse impedida de exercer funções públicas. “Minha solidariedade à jovem democracia brasileira. Meu inconformismo a tudo que busque golpear essa frágil construção que tanto custou ao Brasil”, disse o governador Ricardo Coutinho (PSB), um dos principais apoiadores da presidente.

O resumo da ópera é que Dilma Rousseff perdeu o mandato por causa da crise econômica revelada após as eleições de outubro de 2014. Além disso, a gestora teve a infelicidade de dar de cara com os escândalos de corrupção atingindo integrantes do governo e do seu grupo político. O fim da história todo mundo sabe. A vantagem em relação a Fernando Collor é que ela sai com todos os direitos inerentes aos ex-presidentes. Terá segurança e pessoal de apoio, já que cumpriu integralmente o primeiro mandato como presidente da República. O impeachment chegou ao fim, mas as polêmicas…

 

Ninguém se perde na volta pra casa

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Recorrendo à velha máxima de que “ninguém se perde na volta pra casa”, dou início a mais um desafio no Jornal da Paraíba, exatamente cinco anos depois de ter abraçado um projeto que me levou para uma longa temporada no Recife, onde editei política no Diario de Pernambuco. Uma experiência positiva, mas só completada com o retorno para João Pessoa, cidade que aprendi a amar e de onde não pretendo sair tão cedo.

Maquina

Completo também pelo retorno ao jornal que vi crescer, após a expansão editorial para todo o estado. Estava na primeira equipe do JP, em 2001, a partir de quando minha história de amor e dedicação a esse jornal teve início. Por isso, volto para abraçar um projeto que visa traçar um link entre a plataforma física, de papel, do periódico, e a virtual, no www.jornaldaparaiba.com.br.

Volto para cumprir a missão de informar, sempre levando em consideração a relevância das notícias para o leitor, bem como a repercussão dela na vida de quem nos motiva a buscar a melhor informação, a manchete do dia. Em tempo, gostaria de agradecer ao empresário Eduardo Carlos e ao superintendente da Rede Paraíba, Guilherme Lima, pelo crédito e a oportunidade. Pretendo retribuir a confiança com muito esforço para que o leitor do Jornal da Paraíba esteja sempre bem informado.