Daniella Ribeiro anuncia voto contra decreto de Bolsonaro sobre armas de fogo

Voto de Daniella é o segundo entre os três senadores paraibanos a apontarem para mais uma derrota do governo

Daniella Ribeiro tem assumido postura crítica ao decreto das armas. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Se depender da bancada paraibana, o decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que flexibiliza o porte de marmas no Brasil será derrubado na próxima terça-feira (18). Depois de Veneziano Vital do Rego (PSB), Daniella Ribeiro (PP) tornou público, neste sábado (15), a disposição de votar contra a matéria. O relatório favorável, vale ressaltar, foi rejeitado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), na semana passada. Foram 15 votos contrários e apenas 9 favoráveis ao parecer do senador Marcos do Val (Cidadania-ES). No contraponto a isso, foram aprovados sete  projetos de decreto legislativo que tornam sem efeito o texto assinado pelo presidente e que flexibiliza o porte de armas no Brasil.

Os projetos de decreto legislativos seguiram para a análise do Plenário em regime de urgência. O regulamento assinado em maio pelo presidente da República concede porte a 20 categorias profissionais e aumenta de 50 para 5 mil o número de munições que o proprietário de arma de fogo pode comprar anualmente. A CCJ adotou como parecer o voto de Veneziano. Para o parlamentar, o presidente “extrapolou o poder regulamentar”. “O decreto, ao não observar o princípio da razoabilidade, alterou profundamente o significado do Estatuto do Desarmamento, promovendo superlativamente a aquisição de armas de fogo pela população. O escopo da lei foi desarmar a população. O decreto extrapolou o poder regulamentar ao estabelecer a aquisição ilimitada de armas por uma mesma pessoa”, ressaltou o paraibano.

Neste sábado, em conversa com jornalistas, Daniella Ribeiro também criticou o armamento da população. O único que ainda falta se posicionar, entre os paraibanos, é o senador José Maranhão (MDB). Até entre os governistas, paira o temor em relação ao resultado final da votação no Senado. A possibilidade de derrota do presidente é muito grande. Neste sábado, ele usou as redes sociais para pedir ajuda aos eleitores. Ele quer que a parcela favorável da população ao armamento use as redes sociais para pressionar os parlamentares a aprovarem a matéria.

 

— As armas são o único meio para defesa de inocentes expostos à violência de bandidos. Todo cidadão tem direito à autodefesa. Sem esse direito, as pessoas ficam vulneráveis. E sem segurança não existe a liberdade. Se o cidadão estiver amparado pela lei para defender sua família, o criminoso vai pensar duas vezes antes de invadir uma residência ou um comércio — afirmou o relator.

Debates
Durante o debate na CCJ, na semana passada, os senadores contrários ao decreto das armas usaram dados oficiais para contestar a tese de que armando a população vai haver queda na violência. O senador Rogério Carvalho citou dados do Atlas da Violência, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O documento aponta que 71% dos homicídios ocorridos no país envolvem armas de fogo. Para ele, o decreto de Jair Bolsonaro é “um atentado à segurança da população”.

“E não há que se falar que há apoio popular à publicação deste decreto. Pesquisas já revelam que 61% da população é contra a posse de armas, sendo que houve aumento no percentual de pessoas que são favoráveis à restrição à posse de armas: enquanto em outubro 55% se disseram contra a posse de armas, no levantamento de dezembro esse índice aumentou para 61%”, disse Carvalho.

OS PDLs aprovados pela CCJ são assinados pelos senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA), Fabiano Contarato, Humberto Costa (PT-PE), Jaques Wagner (PT-BA), Jean Paul Prates (PT-RN), Paulo Paim (PT-RS), Paulo Rocha (PT-PA), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Rogério Carvalho e Zenaide Maia (Pros-RN).

Deputados se preparam para esforço concentrado e terão 43 dias de férias

Previsão é que sejam votados entre 20 e 30 projetos no esforço concentrado da segunda e da terça-feira

Deputados estaduais paraibanos terão que votar a LDO antes de entrar de férias na semana que vem. Foto: Divulgação/ALPB

Os deputados estaduais devem pendurar as chuteiras a partir da próxima quarta-feira (19). Eles ficarão de férias por 43 dias, com retorno aos trabalhos previsto apenas para o dia 1º de agosto, uma quinta-feira. Para isso, serão realizadas duas sessões na próxima semana. A da segunda-feira (17), será uma ordinária, convocada extraordinariamente, já que não é usual ter sessões às segundas. Ela será realizada no período da tarde. Já na terça-feira, a sessão vai começar no período da manhã, a partir das 9h. Neste caso, o presidente da Assembleia, Adriano Galdino (PSB), diz que não haverá tempo nem para o almoço. Será dada uma pausa para o lanche e, após isso, todos serão convocados para o retorno aos trabalhos.

A estimativa da Secretaria Legislativa é que de 20 a 30 projetos estejam prontos para ser votados. Entre eles está a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a LDO. Os parlamentares só poderão entrar de férias se ela for votada. A matéria estabelece os parâmetros para a tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA), votada no segundo semestre. Um dado curioso, neste ano, é a grande produção dos parlamentares. O levantamento feito pela Casa mostra um crescimento de 331,26% no número de matérias apresentadas pelos parlamentares paraibanos.

Ao todo, foram apresentadas nos primeiros seis meses deste ano 4.028 proposições. No mesmo período do ano passado, este número foi de 934 matérias legislativas. É bem verdade que, ao se falar da questão numérica, não tem como garantir qualidade nos projetos. Neste ano, teve deputado que protocolou projeto copiado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Neste caso, ele esqueceu de trocar o nome do estado do Sudeste pelo estado nordestino.

Assembleia aprovou, mas gratuidade em estacionamentos é inconstitucional

Deputados estaduais jogaram para a galera mais uma vez ou desconhecem os limites do Legislativo estadual

Adriano Galdino (C) foi um dos deputados que votaram contra a matéria por entender que ela é inconstitucional. Foto: Divulgação/ALPB

Os deputados estaduais paraibanos, por maioria, aprovaram mais um projeto inconstitucional nesta quarta-feira (12). A proposta acaba com a cobrança pelos estacionamentos em shoppings, hipermercados, supermercados e centro comerciais no Estado. O texto, vale ressaltar, tem apelo popular, mas não poderia tramitar no Legislativo estadual. A matéria arrancou o apoio da maioria dos parlamentares, mesmo a maioria deles sabendo que a lei viola iniciativa privativa da União por versar sobre matéria de direito civil já que trata do direito de propriedade. Ou seja, a tramitação de projeto do gênero só poderia ocorrer no Congresso Nacional.

O alerta, inclusive, foi feito pelo deputado João Henrique (PSDB). Constrangido por ter votado contra matéria com apelo popular, ele buscou justificar a sua posição de forma técnica. O presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), também votou contra, por causa do mesmo entendimento. O texto original foi apresentado pelo deputado Taciano Diniz (Avante) e sofreu alterações, com emenda apresentada pelo deputado Wilson Filho (PTB). O texto segue agora para a sanção ou veto do governador João Azevêdo (PSB) e, caso seja aprovado, ainda estará sujeito a Ações Diretas de Inconstitucionalidades (ADIs).

E não será o primeiro a enfrentar os tribunais. Em todos os estados onde leis do gênero foram aprovadas, elas foram derrubadas nos tribunais. O Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, já enfrentou vários questionamentos do gênero. Todos foram acatados pela Corte, derrubando leis do Distrito Federal, Goiás e São Paulo. Atualmente, lei com o mesmo teor aprovada no Rio Grande do Norte é alvo de demanda judicial na Suprema Corte. Em geral, a inconstitucionalidade tem sido decretada ainda nos Judiciários Estaduais.

O texto original, apresentado pelo deputado Taciano Diniz (Avante), previa a isenção do pagamento para quem consumisse R$ 30 ou mais nos estabelecimentos. Uma emenda modificou a matéria para que a cobrança não seja feita para quem fizer compras cujos valores correspondam ao equivalente a dez vezes o valor da tarifa ou mais. Também foi aprovada uma emenda que estabeleceu a tolerância de 20 minutos de tolerância no interior dos estacionamentos.

Se o objetivo era jogar para a galera, ele foi alcançado.

Veja como votaram os deputados paraibanos:

CONTRA
– Adriano
– Tovar
– Ricardo Barbosa
– João Henrique
– Jutay Meneses
– Lindolfo Pires

A FAVOR
– Bosco Carneiro
– Júnior Araujo
– Jeová Campos
– Edmilson Soares
– Wilson Filho
– Inácio Falcão
– Anisio Maia
– Raniery Paulino
– Walber Virgolino
– Cabo Gilberto
– Anderson Monteiro
– Nabor Wanderley
– Taciano Diniz
– Pollyana Dutra
– Camila Toscano
– Galego Souza
– Manoel Ludgerio
– Chió

Assembleia aprova fim da cobrança nos estacionamentos de shoppings

Projeto foi votado em meio a muitas polêmicas na Assembleia Legislativa e agora segue para sanção ou veto do governador

Deputados estaduais aprovam projeto sobre gratuidade em meio a muitas polêmicas durante a reunião. Foto: Divulgação/ALPB

Os deputados estaduais aprovaram, em meio a muita polêmica, um projeto que acaba com a cobrança pelos estacionamentos em shoppings, hipermercados, supermercados e centro comerciais no Estado. Houve embate até sobre a constitucionalidade da matéria. O texto original, apresentado pelo deputado Taciano Diniz (Avante), previa a isenção do pagamento para quem consumisse R$ 30 ou mais nos estabelecimentos. Uma emenda modificou a matéria para que a cobrança não seja feita para quem fizer compras cujos valores correspondam ao equivalente a dez vezes o valor da tarifa ou mais. Também foi aprovada uma emenda que estabeleceu a tolerância de 20 minutos de tolerância no interior dos estacionamentos.

O texto agora segue para a apreciação do governador João Azevêdo (PSB), a quem caberá sancionar ou vetar a matéria. A gratuidade, caso o texto seja mantido, será efetivada mediante a apresentação de notas fiscais que comprovem a despesa efetuada e permanência por no máximo cinco horas no interior do estabelecimento comercial. Caso seja ultrapassado o tempo de permanência, o excedente será cobrado conforme tabela de preços utilizados normalmente pelo estabelecimento. Para o autor da proposta, a cobrança prejudica o consumidor que tenha gastado valores significativos nos estabelecimentos. Ele cita ainda que a gratuidade em relação ao uso do estacionamento impulsionaria o consumo.

Taciano Diniz defendeu o projeto acrescentando que “o PL tem por objetivo, o respeito à dignidade e a proteção dos consumidores e seus interesses econômicos, reconhecendo a fragilidade do consumidor perante as grandes empresas no mercado de consumo e a ação governamental no sentido de proteger factualmente o consumidor”.

“Cachorro” é convidado a integrar mesa da Comissão de Meio Ambiente da Câmara

Audiência discutia o uso de cães da raça Beagle como cobaias em testes de laboratório. Homem vestido de cão ocupou espaço da Anvisa na mesa

A sessão da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados terminou em cachorrada nesta terça-feira (11). O grupo travava um debate a respeito do uso de cães da raça Beagle como cobaias para testes de laboratório. Representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram chamados para compor a mesa, mas ninguém apareceu. Foi quando ocorreu um evento inusitado. Um homem fantasiado de cachorro chamou a atenção ao sentar no lugar reservado ao público. Todos olharam com certa surpresa e alguns até com perplexidade.

O clima de perplexidade não acabou por aí. O homem foi convidado a tomar lugar à mesa dos trabalhos pelo deputado Fred Costa (Patriota-MG). O “cãozinho” ocupou, na sessão, o espaço destinado ao representante da Anvisa. O detalhe: o homem estava vestido de dálmata. Mesmo assim, foi lembrado pelos deputados. “Já que a Anvisa não se faz presente, eu vou convidar aquele que simboliza todos os animais para compor a mesa”, disse o parlamentar.

 

Usando notícia fake, deputado paraibano defende prisões de Moro e Dallangnol

Parlamentar se referiu a fake news divulgada em meio a mensagens reais, e graves, da troca de mensagens entre as autoridades

Jeová Campos fez discurso inflamado da tribuna da Assembleia Legislativa. Foto: Nyll Pereira/ALPB

Não há dúvidas de que a troca de mensagens entre o hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o coordenador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, é grave. Eu diria até gravíssima. Mas é bem verdade que a elas têm se juntado muitas fake news. Muitos diálogos que não constam nos originais divulgados pelo site The Intercept Brasil. O deputado estadual Jeová Campos (PSB), por exemplo, foi traído por uma das notícias falsas. Ele ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa da Paraíba, nesta terça-feira (11), para defender as prisões de Moro e Dallagnol.

“Moro tem que ser preso e Dallagnol tem que ser preso. Agiram criminosamente contra a democracia. É impossível aceitar como uma coisa normal. Eu escuto às vezes alguém tentando minimizar. O conteúdo é muito grave. Combinaram o processo, combinaram a sentença e combinaram no TRF4. O diálogo do Moro é claro em dizer: não se preocupa que nós temos quatro amigos no TRF4. E quem eram os quatro amigos? Os quatro desembargadores que fizeram o julgamento de uma sentença toda combinada”, disse o parlamentar, durante entrevista, após discurso em plenário.

Ao ser informado que o diálogo referido é fake news, ele contemporizou. “Se é fake news eu não posso fizer esse fato, mas o que tem circulado na imprensa de todo o Brasil (é grave). Inclusive, os diálogos de Moro, combinando esse processo, eu posso dizer que até este agora não houve um desmentido nem do Moro nem do Dellagnol que os conteúdos são autênticos e estão em toda a mídia nacional”, disse Campos. O parlamentar evitou, também, traçar comparativo entre os casos denunciados no contexto nacional e as investigações da operação Calvário, na Paraíba. “A Calvário não tem nada a ver com esse caso grave nacional”, acrescentou.

Imagem: Reprodução/Fato ou Fake/G1

Deputado quer revogação do título de cidadania de Lula e defende honraria para Moro e Mourão

Wallber Virgolino alega não querer “um conterrâneo criminoso” em justificativa dada à imprensa

Wallber Virgolino aponta propostas como necessárias à moralidade. Foto: Divulgação/ALPB

O deputado estadual Wallber Virgolino (Patri) protocolou na Assembleia Legislativa um projeto que pede a revogação do “Título de Cidadão Paraibano” concedido pela Casa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A honraria foi aprovada pelos parlamentares em novembro de 2003, proposta, na época, por um deputado tucano, o hoje prefeito de Guarabira, Zenóbio Toscano. O patriota apresentou como justificativa para a proposta o fato de não querer um conterrâneo “criminoso”. A matéria, recheada de polêmicas, chega à Casa junto com o pedido de honrarias para o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), e para o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Este último, quando juiz federal, foi responsável pela determinação da prisão de Lula.

“A gente fala em combate à corrupção. A gente fala em preservar a moralidade pública. O ex-presidente Lula, ele responde a vários processos, e é condenado em segunda instância por dois processos. Eu particularmente não quero ter um conterrâneo criminoso. Muita gente valoriza, porque politiza a situação, mas nós temos que encarar essa conduta de forma séria”, disse Virgolino, errando na quantidade de condenações em segunda instância. O título de Cidadania de Lula foi entregue em 19 de março de 2017, 14 anos após ele ser agraciado com a comenda. A honraria foi entregue durante a inauguração informal da transposição de águas do São Francisco. A oficial foi feita pelo então presidente Michel Temer (MDB). Este último também chegou a ser preso.

Em março de 2017, a Assembleia Legislativa também aprovou a concessão da maior honraria da Casa ao ex-presidente. A “Medalha de Epitácio Pessoa” foi aprovada com o placar de 26 votos a favor e cinco contrários. Na mesma sessão, a honraria também foi concedida para beneficiar a ex-presidente Dilma Rousseff. A possibilidade de sucesso do deputado do Patriota, no entanto, é remota. Isso pelo fato de o atual governador, João Azevêdo (PSB), aliado de Lula, ter maioria absoluta na Casa. O deputado queria que as matérias fossem apreciadas em regime de urgência, com votação ainda nesta terça-feira. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela maioria dos parlamentares e terá, por isso, que tramitar nas comissões.

Moro e Mourão

Sobre o título de Cidadania requerido para Hamilton Mourão, Virgolino disse que era uma questão de respeito. “Temos que ter patriotismo, valorizar homens públicos que realmente defenderam o Brasil”, disse. Já sobre Sérgio Moro, ele foi mais enfático ao lembrar o perfil do ministro. “Tudo o que acontece no Brasil de combate à corrupção foi estimulado por Sérgio Moro. A Operação Calvário só existiu na Paraíba por que Sérgio Moro deu início à Lava-Jato. Ele estimulou homens públicos da qualidade de Octávio Paulo Neto e Ricardo Vital e por si só ele merece homenagem, sem falar que ele é ministro da República”, disse.

Fraudes no INSS: Daniella e Maranhão dizem sim para MP de Bolsonaro e Veneziano vota contra

Dois dos três senadores paraibanos engrossaram coro de 55 votos a favor da MP que disciplina o combate à corrupção no INSS

Daniella Ribeiro (D) acompanha discussão sobre votação de MP do INSS. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O Senado aprovou, na noite desta segunda-feira (3), a Medida Provisória (MP) 871/2019, que visa o combate a fraudes no sistema previdenciário. A MP foi aprovada no último dia antes de perder sua validade e segue para sanção presidencial. Em uma segunda, dia atípico para votações em plenário, 68 senadores registraram presença. Destes, 55 votaram a favor da MP e 12 contra. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não registrou voto. Da Paraíba, Veneziano Vital do Rêgo (PSB) foi o único a votar contra a medida. Daniella Ribeiro (PP) e José Maranhão (MDB) votaram com o governo em favor do sim.

O texto aprovado nesta segunda-feira estabelece um programa de revisão dos benefícios com indícios de irregularidades e autoriza o pagamento de um bônus para os servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para cada processo analisado fora do horário de trabalho. A proposta também exige um cadastro para o trabalhador rural feito pelo governo, e não mais pelos sindicatos, como é feito hoje e restringe o pagamento de auxílio-reclusão apenas aos casos de pena em regime fechado.

O texto prevê ainda que o INSS terá acesso a dados da Receita Federal, do Sistema Único de Saúde (SUS) e das movimentações do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O acesso aos dados médicos pode ainda incluir entidades privadas por meio de convênio. O governo avalia que a medida vai economizar R$ 10 bilhões por ano. No alvo, estão indícios de irregularidades em auxílios-doença, aposentadorias por invalidez e Benefícios de Prestação Continuada (BPC).

Caso haja algum indício de irregularidade, o beneficiário terá 30 dias para apresentar defesa, sendo 60 dias para o trabalhador rural, para o agricultor familiar e para o segurado especial. Se não apresentar a defesa no prazo ou ela for considerada insuficiente, o benefício será suspenso, cabendo recurso em até 30 dias.

Acordo para votação
O bloco de oposição do Senado, composto por Rede, Cidadania, PDT e PSB, fez um acordo com o líder do governo, Fernando Bezerra (MDB-PE), para registrar quórum e não obstruir a votação da MP. O acordo foi alinhavado em reunião, na tarde de hoje. Participaram da reunião senadores da oposição, além de Bezerra e do secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho.

Os senadores da oposição se mostraram insatisfeitos com o prazo considerado curto para que os trabalhadores rurais e pescadores se cadastrem junto ao Ministério da Economia e validem o tempo de serviço. Para viabilizar a votação, eles, conseguiram um compromisso do governo para alterar os prazos para cadastramento no texto da reforma da Previdência.

Com o acordo, o governo incluirá na reforma um dispositivo que aumenta o prazo para cadastramento dos trabalhadores rurais e pescadores, caso pelo menos 50% desses trabalhadores não se cadastrem em um prazo de cinco anos.

“Acertamos, os senadores da oposição, a contribuir com o quórum e sem pedido de verificação. Se ao longo de 5 anos não for viabilizado o cadastramento de pelo menos 50% dos trabalhadores rurais e pescadores do país, o prazo será renovado até um prazo exequível a ser atingido”, disse o líder da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Em sua fala no plenário, Fernando Bezerra garantiu o cumprimento do acordo por parte do governo. “Quero garantir o acordo, que foi apreciado pelo deputado Samuel Moreira [PSDB-SP], relator da reforma na Comissão Especial. E ele acordou com o conceito da proposta de criarmos um gatilho. O governo teve abertura para negociar, flexibilizar e atender muitas as preocupações colocadas”.

Quórum mínimo
O quórum mínimo para garantir a votação, de 41 senadores, foi atingido após as 17h, horário previsto por Bezerra para que isso ocorresse. Apesar dos oposicionistas selarem o acordo, ainda persistiam senadores contrários à MP como chegou da Câmara.

Alguns senadores se queixaram do trecho que tira os sindicatos do processo de cadastramento previdenciário de trabalhadores rurais. Para eles, a exclusão dos sindicatos no processo dificulta que os trabalhadores rurais façam o cadastro, uma vez que precisam se deslocar, muitas vezes de localidades afastadas, para postos do INSS. “Estamos colocando sindicatos como se fossem organizações criminosas. E isso não é verdade”, disse Eliziane Gama (Cidadania-MA).

Durante as falas, senadores de vários partidos trouxeram à tona novamente a insatisfação com a Câmara dos Deputados, por entregarem ao Senado uma MP às vésperas do vencimento. Vários senadores afirmaram que não são “carimbadores” das decisões vindas da Câmara e criticaram o pouco tempo para apreciação dessa e de outras medidas provisórias.

Com informações da Agência Brasil

Preso, Flávio do Cabaré toma posse na Câmara do Conde com uso de procuração

Sem poder ocupar o cargo, vereador protocolou pedido de licença de 120 dias sem vencimento. Luiz de Bihino assume a vaga

Flávio do Cabaré foi preso durante ato na Câmara do Conde. Foto: Reprodução/Youtube

Acabou a novela. O suplente Flávio do Cabaré (PR) foi empossado nesta quinta-feira (39) como titular de mandato na Câmara Municipal do Conde. O inusitado é que a posse ocorrida às 11h foi feita por procuração. O irmão dele, Fábio Melo, representou o agora vereador que, logo em seguida à posse, protocolou um pedido de licença por 120 dias. A ausência na solenidade se deu por causa da prisão preventiva, ocorrida há pouco mais de um mês. Cabaré, apelido de Flávio Melo, é acusado de envolvimento em uma suposta rede de prostituição que envolve atuação entre Paraíba e Pernambuco. O advogado do parlamentar, Júnior Moura, tentou por meio de recurso autorização para que ele fosse empossado, pessoalmente, mas não teve resposta da Justiça.

A vaga para Flávio do Cabaré foi aberta com a renúncia de Fernando Boca Louca (Avante). O parlamentar é acusado da contratação de servidores fantasmas e de se apropriar da maior parte dos salários deles. O caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O próprio Boca Louca funcionou como delator, apontando crimes de outros colegas da Casa. Coube ao suplente o protocolo de um pedido de cassação do então titular do cargo por quebra do decoro parlamentar. Durante um protesto pela moralidade no Legislativo e contra a corrupção, no dia 25 de abril, Cabaré foi preso preventivamente, em cumprimento a mandado de prisão expedido pela 2ª Vara Mista de Sapé expedido em agosto de 2018.

Como não vai ter como exercer o mandato, por causa da prisão, Flávio do Cabaré foi substituído na posse por Fábio Melo, o irmão. Após a solenidade, munido da procuração emitida pelo agora titular, Fábio protocolou pedido de licença por 120 dias. Neste período, a defesa vai protocolar novos pedidos de soltura para o parlamentar. Júnior Moura disse que nesta semana foram ouvidas três testemunhas sobre as acusações. Entre elas, duas mulheres arroladas como vítimas do suposto esquema de exploração sexual. “Elas negaram os crimes”, assegurou o advogado. Enquanto isso, a Câmara dará posse ao segundo suplente, Luiz de Bihino (PR). Se em 120 dias a defesa não conseguir a liberdade de Cabaré, o suplente deve ser efetivado no cargo.

Julian Lemos é acusado de dar cabeçada em deputado. Ele nega a agressão

No empurra-empurra, paraibano usa a cabeça para confrontar o deputado Expedito Netto e será denunciado no Conselho de Ética

O deputado federal paraibano Julian Lemos (PSL-PB) será denunciado no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados nesta semana. A promessa foi feita pelo também deputado Expedito Netto (PSD-RO). Ele diz ter sido alvo de uma cabeçada, dada pelo parlamentar paraibano. A confusão ocorreu durante sessão realizada nesta quarta-feira (29). “Se a moda de agressão no plenário pega, estamos perdidos”, disse o rodoniense à coluna de Guilherme Amado, da revista Época. O deputado paraibano, por outro lado, tem visão distinta do ocorrido e acusa o colega de ter agido com malícia.

Confira o vídeo:

As imagens mostram o momento em que, postado próximo à mesa, Julian Lemos sofre um “encostão” com a passagem do deputado Edmilson Rodrigues, do PSOL do Pará. Há troca de farpas, mas a turma do deixa disso age rápido. Em seguida, Netto aparece e toma as dores do colega paraense. O paraibano não gosta e confronta o parlamentar do PSD. As imagens mostram o momento em que Julian encosta a testa na do colega e faz o enfrentamento. Para Netto, uma cabeçada. Para Lemos, uma encostada no corpo e um confronto.

“As imagens são claras. Eu estava na minha. Aí passa um deputado do Psol e me dá uma pancada. Eu reclamo, mas até aí tudo bem, ele vai embora. Passa um outro… este aí puxa minha camisa e começa a dizer uma palavras comigo, me chamar de bombado e tirar onda mesmo. Aí eu não faço nada. Simplesmente encosto no corpo dele, minha cabeça cola na dele e eu vou para cima, mas não agredindo nem dando cabeçada. Até por que, não sei se você já me viu pessoalmente. Se eu fosse dar uma cabeçada num cara desses, ou ele caia ou eu saía com o nariz sangrando”, explicou Julian Lemos.

Vejam as imagens e tirem suas conclusões…