Assembleia não pode mais conceder honrarias a condenados por corrupção

Lei promulgada por Gervásio Maia também proíbe designação de prédios públicos

Deputados terão que apresentar “nada consta” dos candidatos a receber homenagem na Casa. Foto: Francisco França

Não deveria ser nem necessário, mas é sempre bom existir barreiras. O presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB), promulgou lei aprovada pela Casa que proíbe a concessão de honrarias a pessoas condenadas por improbidade administrativa ou corrupção. Agora, atenção a um detalhe: a legislação veda apenas os condenados com sentença transitada em julgado. Ou seja, as que não cabem recurso. A restrição vai impedir que pessoas condenadas por crimes graves sejam agraciadas com títulos de cidadania ou com a Medalha Epitácio Pessoa, a maio comenda concedida pela Casa. A lei é resultado de um projeto do deputado Tovar Correia Lima (PSDB).

Mas não para por aí. A legislação proíbe ainda a concessão de comendas para os condenados por crimes dolosos contra a vida; os direitos humanos; a dignidade sexual, além dos implicados por exploração do trabalho escravo e maus tratos aos animais. As pessoas enquadradas nestes dispositivos também não poderão ser homenageadas com a nomeação de prédios públicos. O curioso em tudo isso é que para prestar a homenagem, agora, o autor do projeto de concessão de comenda terá que apresentar um “nada consta” para o agraciado. Pelo histórico de títulos concedidos pela Casa, a mudança provocará uma elevação considerável no conceito das homenagens.

 

Vereadores de Serraria ganham R$ 3,4 mil por mês e trabalham apenas seis dias por ano

Regimento Interno da prevê seis meses de férias e reuniões ocorrem seis vez por ano

Reunião dos vereadores na Câmara Municipal de Serraria. Foto: Divulgação

Os moradores da Baía da Traição, no Litoral Norte da Paraíba, andam revoltados com os vereadores da cidade. Tudo por que eles têm absurdos seis meses de férias e trabalham, quando muito, 24 dias por ano. A surreal carga de trabalho, no entanto, é vista como “excessiva” pelos moradores de Serraria, no Brejo paraibano. Eles contam que os parlamentares da cidade têm os mesmos seis meses de férias, mas são obrigados a trabalhar apenas uma vez nos meses em que têm trabalho. “Isso se não houver feriado no dia da sessão. Se ocorrer, eles adiam para o mês seguinte”, ressaltou um dos moradores da cidade, que pediu para não ser identificado “para evitar perseguições”. “As pessoas aqui gostam das coisas erradas”, acrescentou.

Reprodução de trecho do Regimento Interno aprovado em 1990. É o único disponível no site da Câmara Municipal

De tão absurdo, fomos atrás da história. Não podia ser verdade… mas era. A Lei Orgânica do Município e o Regimento Interno da Câmara preveem reuniões apenas nos meses de fevereiro a abril e, depois de um longo recesso, novamente entre os meses de setembro a novembro. Neste período, caso não sejam convocados extraordinariamente, os vereadores poderão se reunir apenas uma vez a cada mês. Quando a data específica definida no calendário coincide com algum feriado, a sessão é marcada para o mês seguinte. Não custa lembrar que os parlamentares da cidade foram eleitos ou renovaram o mandato no ano passado. Ou seja, são apenas sete meses no novo mandato.

Salários dos vereadores de Serraria. Reprodução: Sagres/TCE

Lamentavelmente, a regra é muito comum em muitos dos municípios paraibanos. Em contato com o presidente da Casa, ele deu uma justificativa para a polêmica. Gilvan da Costa Silva (PSD) negou que a folga seja tão grande. Disse que o Regimento Interno da Casa foi mudado, apesar de não lembrar quando e a mudança não constar no site da Câmara. Na publicação oficial, continuam os seis meses de férias. Ele alega, no entanto, que a nova regra prevê recesso em janeiro e julho. O calendário, no entanto, também não consta na Lei Orgânica do Município disponível no site da Prefeitura Municipal. As reuniões, segundo ele, ao invés de mensais, estão ocorrendo a cada 15 dias. É muito trabalho.

Confira o link para a Lei Orgânica do Município

Confira o link para o Regimento Interno da Câmara

 

Baía da Traição: após polêmica, presidente da Câmara diz que vai rever férias de seis meses

Projeto, no entanto, só será apreciado lá para o mês de setembro, quando acabar o recesso

Luiz Sabino justifica pouco trabalho em vídeo divulgado nas redes sociais. Image/Reprodução

O presidente da Câmara de Vereadores da Baía da Traição, Luiz Sabino (PRB), finalmente apareceu. Depois de ser procurado pela TV Cabo Branco para falar sobre o fabuloso recesso de seis meses na Casa e ter dito não ter espaço na agenda, ele gravou um vídeo para se justificar. O posicionamento dele foi direcionado aos eleitores. O Legislativo da cidade localizada no Litoral Norte da Paraíba não realiza mais do que 24 sessões por ano.

Os parlamentares, na cidade, apesar do pouco trabalho, ganham consideráveis R$ 3,5 mil por mês. O ocupado presidente da Câmara, por outro lado, recebe o dobro, R$ 7 mil. Mesmo assim, as sessões ocorrem apenas em fevereiro, março e abril, são interrompidas por um longo recesso de 90 dias, para continuarem nos meses de setembro, outubro e novembro e nada mais. Quando trabalham, os vereadores frequentam uma sessão por semana.

Apesar disso, para Sabino, os parlamentares mirins da cidade trabalham muito, muito… Até existe uma tentativa de mudar esse quadro. Ela vem da vereadora Luíza Dantas (DEM). A parlamentar apresentou uma proposta para aumentar os dias de trabalho no primeiro semestre, mas a proposta foi engavetada. Não houve tempo para avaliá-la, por certo.

Composição dos vereadores da Câmara de Baía da Traição. Imagem: Reprodução/Cabo Branco

Sabino rebate a vereadora, que deu entrevista à TV Cabo Branco em matéria reproduzida para todo o país, ao ser exibida no Bom Dia Brasil, da Rede Globo. O presidente da Casa diz que quem não trabalha é a vereadora que, segundo ele, nem mora na cidade. “Ela é quem está curtindo o período para viajar”, diz. Pelo jeito, melhor seria que todos os vereadores morassem fora, já que apenas ela cobra a redução do recesso.

Se forem contabilizadas as 24 sessões por ano, divididos pelos R$ 45 mil recebidos (contando o 13º), cada uma delas custaria ao erário não menos do que R$ 1,8 mil. O primeiro secretário da Casa, José Roberto Silva (PRB), explicou que a lei que regula o recesso na Casa existe desde 1990. Isso para justificar que a decisão não é nova. Vale ressaltar, no entanto, que a mamata não deveria ter durado tanto. Não deveria nem ter existido.

Convenhamos, para tão pouco trabalho, os nove vereadores da cidade poderiam muito bem não receber salário algum.

Farra: vereadores de Santa Rita torram R$ 185 mil com diárias em quatro meses

Gasto exorbitante ocorre no momento em que servidores ainda tentam receber salários atrasados

Walter Paparazzo/G1

Os vereadores de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa, têm vivido um verdadeiro ‘conto de fadas’ com o dinheiro público. Enquanto os servidores municipais ainda brigam para receber salários atrasados, referente às gestões anteriores, os legisladores “surfam na onda” das viagens oficiais. Simpósios, congressos e gastos, muitos gastos, entram na lista. Só o presidente da Câmara Municipal, Saulo Gustavo de Souza (Podemos), gastou R$ 25,2 mil com diárias no período. Sozinho, ele torrou mais com diárias que todos os vereadores da Câmara Municipal de João Pessoa no mesmo período, que gastaram R$ 23,6 mil no mesmo período.

O blog fez um levantamento com base nos dados declarados pelas Câmaras Municipais ao Serviço de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres), do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Contabilizando-se as cinco maiores cidades da Paraíba, Santa Rita supera todas elas juntas. O Legislativo do município declarou gasto de R$ 185 mil com diárias em quatro meses. A cidade é seguida, em termos de gastos, pelas câmaras de João Pessoa, com R$ 23,6 mil; Bayeux, com R$ 5,5 mil; Campina Grande, com R$ 4,6 mil, e Patos, com R$ 3,3 mil. As diárias são liberadas, em geral, para o custeio da participação dos parlamentares em congressos pelo país afora ou outras modalidades de viagens oficiais.

No caso de Santa Rita, só para se ter uma ideia, o salário mensal dos vereadores é R$ 10 mil. O do presidente da Casa é de R$ 15 mil. Uma conta simples, vale ressaltar, indica que nos meses de fevereiro, março, abril e maio, os únicos declarados até agora, foram consumidos quase a média de um mês de salário para cada um dos parlamentares. Saulo Gustavo, para se ter uma ideia, participou de eventos em Natal, no Rio Grande do Norte, Fortaleza, no Ceará, e Maceió, em Alagoas. Na capital alagoana foram dois, vale ressaltar. O blog entrou em contato com o presidente da Câmara de Santa Rita, mas ele não retornou as ligações.

Colaborou Tiago Bernardino

Veneziano é o terceiro da bancada paraibana a anunciar voto contra Temer

Peemedebista entende que, assim como Dilma, Temer deve explicações à sociedade

Veneziano tem se distanciado das diretrizes do PMDB e corre o risco de ser expulso. Foto: Reprodução/Facebook

A militância histórica no PMDB não será empecilho para que o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo vote pela procedência da ação contra o presidente Michel Temer (PMDB). O ex-cabeludo tornou público nesta quarta-feira (12) que votará a favor do seguimento da ação. Ele é o terceiro paraibano a manifestar o voto a favor da denúncia formulada pelo Ministério Público Federal. Caberá à Câmara dos Deputados autorizar ou não que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra processo contra o gestor. Além de Veneziano, se manifestaram a favor os deputados Luiz Couto (PT) e Pedro Cunha Lima (PSDB).

O ponto dissonante em relação aos outros parlamentares favoráveis à investigação é que Veneziano integra o mesmo partido do presidente. Ao ser questionado sobre a ameaça de expulsão da sigla, o deputado diz estar preparado. “Não acredito que venha a acontecer, mas estou pronto para qualquer posição do partido”, ressaltou. Veneziano diz ter se decidido pela “acolhida da denúncia formulada pelo Ministério Público” apesar de ter identificado algumas “exacerbações interpretativas” na peça enviada à Câmara dos Deputados pelo STF. Os excessos, ele reforça, não tiram a gravidade das denúncias.

A métrica para a decisão, conforme o deputado, é a mesma usada para o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Diante das acusações, ele votou pela admissibilidade do processo. Entendia que a presidente precisaria apresentar sua defesa no Senado, que, naquele momento, tinha o papel de jugar a ex-presidente. Agora, com Temer, o entendimento é também pela admissibilidade. “A diferença é que a defesa dele ocorrerá no Supremo Tribunal Federal”, enfatizou, garantindo que a premissa é a mesma. Diante disso, assegura que votará com a mesma imparcialidade que usou para reprovar a terceirização e a reforma trabalhista, propostas pelo Executivo.

Dos parlamentares paraibanos, os outros três que se posicionaram a respeito do tema foram Hugo Motta e André Amaral, ambos do PMDB, e Aguinaldo Ribeiro (PP). Os três, vale ressaltar, são contra a admissibilidade do processo. Se mostram indecisos os deputados Wellington Roberto (PR), Wilson Filho (PTB), Efraim Filho (DEM), Damião Feliciano (PDT), Benjamin Maranhão (SD) e Rômulo Gouveia (PSD). Todos integram partidos com indicações no governo.

 

Confira como ficam as leis trabalhistas após aprovação da reforma no Congresso

Texto segue para sanção do presidente Michel Temer para entrar em vigor

Parlamentares votam projeto do governo em meio a protestos da oposição no Senado. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Depois da vitória governista no Senado, surgem as dúvidas da população sobre o que mudará no seu dia a adia. O blog traz, de forma sucinta, as principais mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Mais de 100 dispositivos foram alterados com o novo texto. A Reforma Trabalhista prevê, por exemplo, a supremacia do negociado sobre o legislado. Além disso, define o fim da assistência obrigatória do sindicato na extinção e na homologação do contrato de trabalho. Outro ponto na proposta aprovada com placar de 50 votos favoráveis contra 26, é o que acaba com a contribuição sindical obrigatória de um dia de salário dos trabalhadores.

Há também mudanças nas férias, que poderão ser parceladas em até três vezes no ano, além de novas regras para o trabalho remoto, também conhecido como home office. Para o patrão que não registrar o empregado, a multa foi elevada e pode chegar a R$ 3 mil. Atualmente, a multa é de um salário-mínimo regional. O PLC 38/2017, que flexibiliza a CLT, foi aprovado primeiro na Câmara dos Deputados, em abril. O texto votado no Senado nesta terça-feira (11) não sofreu alterações. O presidente Michel Temer (PMDB) prometeu editar uma Medida Provisória com alterações pontuais no texto aprovado no Congresso.

Veja o que muda:

 

Câmara de Bayeux define rito para eventual cassação de Berg Lima

Presidente aguarda acesso à investigação do MPPB ou denúncia para instalar comissão

O prefeito Berg Lima foi preso enquanto recebia propina de um fornecedor de Bayeux. Toda a ação foi filmada. Imagem/Reprodução

O presidente da Câmara Municipal de Bayeux, Mauri Batista (o Noquinha, do PSL), definiu o rito para um eventual processo de cassação do prefeito de Bayeux, Berg Lima (Podemos). O gestor está afastado do poder desde o dia 6, quando foi preso. Lima é acusado de corrupção passiva e foi flagrado enquanto cobrava propina de um fornecedor do município. O vice, Luiz Antônio (PSDB), foi empossado na semana passada pelo Legislativo. Noquinha descartou qualquer decisão antecipada. Ele vai esperar o retorno dos trabalhos na Casa, com o fim do recesso, no próximo mês, para dar sequência às medidas contra o gestor.

Noquinha explicou que a primeira posição da Casa será ter acesso à investigação. Toda a apuração foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público da Paraíba. O coordenador do grupo, Octávio Paulo Neto, informou que os dados serão repassados, mas poderão ser requeridos também pelo Legislativo. Outra vertente que poderá motivar a instalação da Comissão Processante, contra o gestor, é um pedido formal feito ao Legislativo. A Lei Orgânica do Município estabelece que o pedido pode ser protocolado por qualquer vereador, partido ou munícipe, desde que seja eleitor da cidade.

Ele explicou que caberá à comissão adotar todas as medidas administrativas cabíveis em seu desfavor do prefeito. “Serão obedecidos os preceitos legais e os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório e devido processo legal”, ressaltou Noquinha. Em caso de denúncia apresentada por um vereador, de acordo com a Lei Orgânica, ele não poderá integrar a comissão nem terá direito a voto. O advogado do prefeito Berg Lima, Shayner Asfora, protocolou nesta terça-feira (11), à tarde, um pedido de habeas corpus em favor do gestor no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Senadores aprovam texto-base da Reforma Trabalhista

Votação ocorreu em meio a manobras da oposição para impedir a disputa no voto

Brasília – Senadoras de oposição deixam a mesa e o presidente do Senado, Eunício Oliveira, retoma a sessão para votação da reforma trabalhista (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Não adiantou a manobra posta em prática por um grupo de senadoras para impedir a votação. O Senado aprovou, por maioria de votos, o texto base da Reforma Trabalhista nesta terça-feira (11). Ao todo, 50 parlamentares votaram a favor e 26 contra. Também foi registrada uma abstenção. O PLC 38/2017 flexibiliza o texto da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). A votação foi aberta e nominal. Enviada pelo governo ao Congresso Nacional no ano passado, o texto muda mais de 100 trechos da legislação em vigor. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em abril.

Neste momento, os senadores votam os destaques. Se não houver mudanças mudanças em relação ao texto aprovado na Câmara, o projeto seguirá para a sanção do presidente Michel Temer.

Acompanhe a votação

Senadoras almoçam no plenário para impedir votação da Reforma Trabalhista

Tropa de choque: Gleisi, Lídice, Vanessa, Fátima e Regina Sousa ocuparam a mesa

Senadoras almoçam na mesa dos trabalhos, no plenário, para impedir o retorno do presidente da Casa, Eunício Oliveira. Foto: Jaciara Aires/Senado

A estratégia da oposição, para impedir a votação da Reforma Trabalhista, no Senado, parece ter dado certo. Depois de frustrar a tentativa do presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), de dar início à votação, um grupo de senadoras oposicionistas decidiu não arredar o pé da mesa de trabalhos. Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI), inclusive, decidiram almoçar no plenário. Elas chegaram cedo ao Legislativo, dispostas a impedir o início dos trabalhos. Por volta das 11h, aproveitando a ausência de Oliveira, ocuparam a mesa. Pelas regras, qualquer parlamentar pode abrir os trabalhos, desde que haja quórum.

Os transtornos foram gerados depois que Eunício Oliveira chegou à mesa e foi impedido de ocupar a presidência dos trabalhos. Pouco mais de uma hora depois da abertura da sessão extraordinária, o parlamentar suspendeu a sessão por tempo indeterminado. A decisão foi tomada depois que a senadora Fátima Bezerra, que conduzia os trabalhos, se negou a dar o assento da presidência. O senador mandou desligar os microfones e apagar as luzes. Eunício Oliveira convocou uma reunião no gabinete da Presidência com diversos senadores e líderes para tratar da retomada da sessão de votação da reforma trabalhista. Ao deixar o plenário, o presidente do Senado disse que a votação será retomada “quando a ditadura permitir”.

Presidente suspendeu os trabalhos no plenário após manobra da oposição. Foto: Reprodução/TV Senado.

O prédio do Senado está sob a proteção da tropa de choque da Polícia Militar de Brasília e o acesso está restrito a parlamentares, servidores e pessoas credenciadas. Sob protesto da oposição, o acesso às galerias não foi liberado a visitantes. A versão final da proposta foi colocada em votação após dois meses e meio do início da sua tramitação no Senado. Para ser aprovado, o projeto precisa de maioria simples, ou seja, metade mais um dos senadores presentes à sessão. O texto que tramita no Senado prevê que as alterações entram em vigor 120 dias após a publicação da lei no Diário Oficial da União. A expectativa é de que, se aprovada da forma como está, as novas regras começem a valer a partir de novembro.

Protestos

Assim que começou a sessão, integrantes de Centrais Sindicais começaram a ocupar o gramado em frente ao espelho d’água do Congresso em protesto contra a reforma trabalhista. Até o fechamento desta reportagem, a manifestação seguia pacificamente. Ontem (10), uma carta assinada por 14 entidades, dentre as quais Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados Brasil (OAB) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), condenou o texto da reforma trabalhista. No documento, as entidades pedem a rejeição do texto, que classificam como retrocesso. “O texto está contaminado por inúmeras, evidentes e irreparáveis inconstitucionalidades e retrocessos de toda espécie, formais e materiais”, dizem as entidades.

Texto

A proposição a ser analisada prevê, além da supremacia do negociado sobre o legislado, o fim da assistência obrigatória do sindicato na extinção e na homologação do contrato de trabalho. Além disso, extingue a contribuição sindical obrigatória de um dia de salário dos trabalhadores. Há também mudanças nas férias, que poderão ser parceladas em até três vezes no ano, e regras para o trabalho remoto, também conhecido como home office. Para o patrão que não registrar o empregado, a multa foi elevada e pode chegar a R$ 3 mil. Atualmente, a multa é de um salário-mínimo regional.

Para que a proposta não tenha que voltar para análise pela Câmara dos Deputados, os senadores não podem fazer nenhuma mudança de mérito no texto. Por isso, para acelerar a tramitação no Senado, todas as emendas apresentadas nas comissões e em plenário foram rejeitadas pelos relatores, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e Romero Jucá (PMDB-RR). Em resposta aos pontos polêmicos da proposta, há um compromisso do presidente Michel Temer de vetar seis pontosda reforma. A ideia é aperfeiçoar esses pontos para que eles sejam reapresentados via medida provisória ou projeto de lei.

 

Bancada paraibana só verá culpa em Temer se ele tatuar na testa “Sou ladrão e vacilão”

Gravações de áudios e “mala levada na carreira” não parecem graves

Michel Temer é acusado de corrupção passiva pelo Ministério Público Federal. Foto: Divulgação/PR

A bancada federal paraibana, tirando algumas exceções, vive em um mundo desconectado do real. E isso é muito latente quando a análise em questão tem a ver com as chances de o presidente Michel Temer (PMDB) concluir o mandato. Tirando os deputados federais Luiz Couto (PT) e Pedro Cunha Lima (PSDB) e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), todos evitam falar em culpa do presidente. Cássio, entre os críticos, foi além e disse acreditar que, em 15 dias, teremos um novo presidente do Brasil. Mas os três figuram como pontos fora da curva em relação ao gestor. Os outros dizem que vão primeiro analisar as acusações a defesa para tirar suas conclusões.

Para este grupo, composto por outros 12 parlamentares paraibanos (entre senadores e deputados), para ser culpado, o presidente precisaria, no mínimo, escrever na testa “Eu sou ladrão e vacilão”. O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma gravação, feita pelo empresário Joesley Batista, da JBS, pedindo a Temer a indicação de um interlocutor. O presidente indicou o então deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para, segundo ele, tratar de “tudo, tudo”. “Da minha mais inteira confiança”. O parlamentar, depois disso, negociou interferência no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e foi flagrado correndo com uma mala de dinheiro. O MPF diz que o dinheiro era o tutor de Loures, ou seja, Temer.

Se isso não fosse suficientemente grave, o empresário entrou no Palácio do Jaburu, residência oficial do presidente, sem se identificar tarde da noite. Com o presidente, confessou dezenas de crimes, entre eles, a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas, pelo visto, isso não é evidência suficiente. O presidente é alvo de um pedido de abertura de processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Se a Câmara dos Deputados aprovar com pelo menos dois terços dos votos (342) e o plenário da Suprema Corte referendar o pedido, o gestor será afastado por 180 dias. Durante este período, enquanto réu, ele poderá ser condenado e perder o cargo.

Ataque

Nas contas de Cássio, neo-adversário de Temer, esse momento está próximo. Para o senador Raimundo Lira, que recebeu recentemente o aval do presidente para assumir a liderança do PMDB no Senado, esta é apenas uma opinião do tucano. O deputado federal Hugo Motta (PMDB) segue no mesmo caminho. Diz ser preciso esperar o parecer do relator do pedido na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Sérgio Zveiter (PMDB-RJ). A partir daí, haverá a votação no plenário. Ele acredita que o gestor consegue angariar 172 votos para livrar o pescoço na Câmara dos Deputados. “Estimular a instabilidade é um desserviço ao país”, diz o parlamentar.

O deputado Wilson Santiago (PTB) é outro que tem visto pouco o noticiário em relação à denúncia formulada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele alega que não recebeu as provas repassadas pela PGR. Citou que o deputado Pedro Cunha Lima, que integra a CCJ e defende o afastamento do presidente, tem mais propriedade para se posicionar. “Como advogado, vou ler item por item para decidir”, ressalta. Diz que a população, quando questionada, alega ser contra Temer, “mas quando se fala em trocar o presidente, metade diz sim e metade diz não”. É preciso saber onde esta consulta está sendo feita. Não vale perguntar ao deputado Carlos Marun (PMDB-RS) e ao senador Romero Jucá (PMDB-RO).

O deputado federal Rômulo Gouveia ouviu o presidente do seu partido, o ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab, falar na semana passada que Temer é o melhor para o Brasil. Apesar disso, o parlamentar enxerga dificuldades para o presidente. Mesmo sem antecipar sua posição, enquanto julgador na Câmara dos Deputados, disse que a sigla discutirá sua posição na próxima terça-feira (18). “Acredito que a manutenção dele será difícil diante desta situação”, ressaltou.

Dos 15 parlamentares paraibanos (12 deputados e três senadores), apenas três já se posicionaram a favor da saída de Temer do poder. A votação para que se decida sobre a abertura do processo contra Temer ocorre na Câmara dos Deputados. Se posicionaram a favor da investigação os deputados Pedro Cunha Lima e Luiz Couto. Hugo Motta e André Amaral, ambos do PMDB, se disseram contra. Em cima do muro, outros oito parlamentares se equilibram sem anunciar qual posição será adotada.

Colaborou Angélica Nunes