Cássio x Ricardo: Aije da PBPrev vale o governo do Estado

Voto-vista da juíza Michelini Jatobá será apresentado nesta segunda (24)

A juíza Michelini Jatobá havia pedido vista na sessão do dia 17 deste mês. Foto: Divulgação

O julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral da Paraíba Previdência, a Aije da PBPrev, volta a monopolizar as atenções nesta segunda-feira (24). Os holofotes estarão voltados para a juíza Michelini de Oliveira Dantas Jatobá, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que apresentará seu voto-vista no processo.

A votação, até o momento, está empatada, com um voto pela improcedência da ação, dado pelo relator da matéria, o desembargador Romero Marcelo, e outro no sentido contrário, proferido pelo juiz Márcio Maranhão Brasilino.  LEIA MAIS

Com voto-vista de juíza, TRE retoma dia 24 julgamento da Aije da PBPrev

Ação pede a cassação do governador Ricardo Coutinho

A juíza Michelini Jatobá havia pedido vista na sessão do dia 17 deste mês. Foto: Divulgação

A juíza Michelini de Oliveira Dantas Jatobá, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), não fará uso de todo o tempo a que tem direito para a apresentação do voto-vista na Ação de Investigação Judicial Eleitoral da Paraíba Previdência, a famosa Aije da PBPrev. A magistrada comunicou à Corte que apresentará seu posicionamento sobre o caso já na próxima segunda-feira (24). A previsão inicial, concedida na última segunda-feira (17), era de dez dias, prorrogáveis por igual período. A data fixada pela presidente do Tribunal, Maria das Graças Morais Guedes, por isso, era o dia 4 de maio, já que não haverá sessão em 27 deste mês. LEIA MAIS

TJ investiga se texto inspirado em Mussum no Diário da Justiça foi obra de hacker

Tribunal de Justiça descarta falha proposital de servidores

Tribunal de Justiça da Paraíba abre investigação para apurar suposta invasão “hacker” no site do órgão. Foto: Rizemberg Felipe

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) abriu investigação para apurar as causas de uma das publicações do Diário da Justiça, desta terça-feira (19), ter trazido texto inspirado nas frases do humorista Mussum (já falecido), de Os Trapalhões. Uma das principais linhas da apuração é de uma suposta “invasão” hacker no site do Tribunal de Justiça. Outra possibilidade, admitida pelo órgão, e a mais provável, é de erro de edição mesmo, com a cópia do conteúdo do site Mussum Ipsum, muito utilizado por designers e diagramadores.

Apuração

Cópia da publicação no Diário da Justiça, publicada na página 44, nesta terça-feira (18)

A direção do Tribunal de Justiça, por meio de sua assessoria, informou que acionou o setor de Tecnologia da Informação do órgão para que seja apurada a suposta invasão do site. Caso seja detectado o ataque do site do órgão, eles vão acionar a Polícia Federal para que o caso seja investigado. O erro intencional, vindo de algum servidor, não integra, por enquanto, as suspeitas da Corte. A publicação vem gerando polêmica desde que entrou no ar e circulou em grupos fechados das ferramentas de compartilhamento de mensagens.

No Diário da Justiça foram publicadas, entre outras, as seguintes frases:

– “Cacilds vidis litro abertis”
– “Paisis, filhis, espíritis santis”
– “Leite de capivaris, leite de mula manquis”
– “Todo mundo vê os porris que eu tomo, mas ninguém vê os tombis que eu levis”
– “Casamentiss faiz malandris se pirulitá”
– Si u mundo tá muito paradis? Toma um mé que o mundo vai girazis!”

A publicação em questão faz referência à Comarca de Pilões e diz tratar-se de “processo cível e do trabalho”, tendo a Energisa como uma das partes. A seriedade, no entanto, acaba por aí. Ela relaciona entre os réus “Ayesa Caliope Beserra Fragôso Mussum Ipsum” e segue com Cacilds Vidis Litris Abertis.

Mussum ipsum

Erros do gênero não são raros em publicações oficiais. Em geral, o responsável pela publicação é “traído” pela falta de atenção. Em sites de design gráfico e editoração, “Lorem ipsum”, é possível copiar parágrafos inteiros para delimitar espaços para depois eles serem substituídos. Quando isso não acontece, dá no que deu no caso do TJPB. Muito provavelmente, o responsável pelo erro no Diário da Justiça recorreu ao site “Mussum ipsum”, que utiliza frases de Mussum em sequência.

Os Trapalhões

O grupo era liderado pelo humorista Renato Aragão, o Didi. Pelo jeito, tem alguém saudosista e com muito bom humor na Justiça paraibana.

Diário do TJPB traz publicação inspirada em Mussum de “Os Trapalhões”

Mussum era um dos personagens de Os Trapalhões. Imagem: Divulgação

Alguém pregou uma grande peça nos responsáveis pela publicação oficial do Tribunal de Justiça da Paraíba. O Diário da Justiça, na edição desta terça-feira (18), trouxe uma publicação que se inicia com tom sério e sóbrio, como todas as outras. Faz referência à Vara de Pilões e diz tratar-se de “processo cível e do trabalho”, tendo a Energisa como uma das partes. A seriedade, no entanto, acaba por aí. Ela relaciona entre os réus “Ayesa Caliope Beserra Fragôso Mussum Ipsum” e segue com Cacilds Vidis Litris Abertis.

E quem pensa que acabou por aí, se engana. Todo o resto do texto da publicação oficial da Justiça do Estado da Paraíba, referente a Pilões, foi uma grande brincadeira. Foram incluídas frases absurdas como “Copo furadis é disculpa de bebadis”, “Leite e capivaris, leite de mula manquis” e “Casamentis faz malandriz se pirulitá”. As frases na linguagem do “i” eram muito comuns nas comédias encenadas por Mussum, personagem de Os trapalhões. O programa ia ao ar nos domingos e fez muito sucesso entre os anos 1970 e 1980.

A brincadeira não é minha. Custei a acreditar, mas está lá, na página 44 do Diário da Justiça do TJPB. Qualquer um pode conferir. Clique na foto para ampliar. O blog entrou em contato com a Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça e recebeu a reposta de que “haverá investigação sobre a publicação indevida”.

Mussum ipsum

Erros do gênero não são raros em publicações oficiais. Em geral, o responsável pela publicação é “traído” pela falta de atenção. Em sites de design gráfico e editoração, “Lorem ipsum” é um texto utilizado para preencher o espaço de texto em publicações, com a finalidade de verificar o layout, a tipografia e a formatação antes de usar o conteúdo real. Muitas vezes, esse texto também é utilizado em catálogos de tipografia para demonstrar textos e títulos escritos com diferentes fontes. Há uma versão muito usada no Judiciário para o mesmo fim. Trata-se do “Mussum ipsum”. A pessoa pode recorrer ao site para conferir espaços para a publicação, todos preenchidos com frases “absurdas” que poderiam ser ditas por Mussum.

Os Trapalhões

O grupo era liderado pelo humorista Renato Aragão, o Didi. Pelo jeito, tem alguém saudosista e com muito bom humor na Justiça paraibana.

Lava Jato: Supremo manda para a Polícia Federal inquérito contra Cássio

Cássio Cunha Lima alega que todas as doações recebidas por ele, em 2014, foram legais. Foto: Divulgação/Agência Senado

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), mandou para a Polícia Federal o inquérito contra o senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O parlamentar paraibano foi alvo de delação premiada de ex-executivos da construtora Norberto Odebrecht, que atribuíram a ele o recebimento de R$ 800 mil via “caixa 2” nas eleições de 2014. Naquele ano, o hoje vice-presidente do Senado disputou o governo do Estado contra Ricardo Coutinho (PSDB), que conseguiu a reeleição.

Cássio foi citado na delação premiada pelos ex-executivos da Odebrecht Alexandre José Lopes Barradas  e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis. Barradas chegou a dizer, em depoimento, que o parlamentar paraibano relutou em aceitar o dinheiro via “caixa 2”, mas acabou recebendo ao ser informado de que esta seria a única forma de ter acesso à contribuição. A versão repassada por Fernando Reis foi no sentido oposto, com a alegação de que o tucano já teria procurado o financiamento por meio de “caixa 2”. O codinome atribuído ao senador, segundo os delatores, era “Prosador”.

Reprodução

De acordo com Fernando Reis, a empreiteira esperava como contrapartida, caso Cássio Cunha Lima fosse eleito, a oportunidade de a empresa prospectar o investimento em saneamento básico na Paraíba, sugerindo a privatização ou terceirização do setor. O delator ressaltou que processo semelhante chegou a ser autorizado pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) em período anterior, mas o socialista desistiu da medida, temendo reação dos sindicatos ligados à Cagepa.

Defesa

O senador Cássio Cunha Lima divulgou vídeo ainda na semana passada com a defesa de que as investigações ocorram. Ele alegou que todas as doações que recebeu na campanha de 2014 foram declaradas à Justiça Eleitoral. Na lista de doações do parlamentar, na época, aparecer R$ 200 mil repassados pela Braskem, empresa ligada ao Grupo Odebrecht. No vídeo de Cássio, ele nega beneficiamento ilegal e defende que haja a investigação das denúncias.

Aije da PBPrev: ataque, defesa e prorrogação no julgamento que pode cassar Ricardo

Julgamento terá continuidade no dia 4 de maio

Defesa apresenta argumentos contra acusação durante o julgamento da Aije da PBPrev. Foto: Angélica Nunes

Quem assistiu ao primeiro dia de julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que pede a cassação dos mandatos do governador Ricardo Coutinho (PSB) e da sua vice, Lígia Feliciano (PDT), no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), percebeu que o embate será difícil. Tal qual nas partidas de futebol, após um embate pesado entre defesa e ataque (acusação), incluindo neste rol o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE), houve empate entre os magistrados e, na sequência, uma prorrogação.

O julgamento foi encerrado nesta segunda-feira (17) apenas com os votos do relator da matéria, Romero Marcelo, e do juiz Márcio Maranhão Brasilino. O primeiro votou pela improcedência da Aije da PBPrev, apesar de ter admitido, no seu voto, ação deliberada de servidores estaduais ligados ao governador para auferir benefícios eleitorais durante o microprocesso eleitoral. O entendimento dele, no entanto, foi o de que não existiu crime, já que os processos administrativos deferidos eram devidos.

Na divergência aberta por Márcio Maranhão, ele usou argumentos apresentados pelo procurador Marcos Alexandre Bezerra Wanderley de Queiroga, do Ministério Público Eleitoral. O magistrado comparou os pagamentos feitos pela PBPrev entre 2011 e o período do microprocesso eleitoral de 2014. No seu entendimento, houve abuso do poder político com viés econômico com o fim de beneficiar eleitoralmente o governador. Em dois meses, ele reforça, foram deferidos pagamentos comparáveis ao acumulado dos três exercícios financeiros anteriores.

Adiamento

A próxima a votar será a juíza Michelini de Oliveira Dantas, que pediu vista no processo. A presidente da Corte, Maria das Graças Morais Guedes, por isso, decidiu suspender o julgamento até que o voto-vista da magistrada seja apresentado. Ela terá dez dias para analisar melhor a ação, prorrogáveis por igual período. Observando-se o limite, a data provável para o retorno do julgamento será 4 de maio, já que não haverá sessão no dia 27 de abril por conta de viagens programadas de três membros da corte,

Depois de Michelini, os próximos membros da corte a votar serão Breno Wanderley César Segundo, Emiliano Zapata de Miranda Leitão, Antônio Carneiro de Paiva e, em caso de empate, a desembargadora Maria das Graças Morais Guedes. Esta é a quarta ação eleitoral proposta contra o governador Ricardo Coutinho referente às eleições de 2014. Já foram arquivadas as Aijes Fiscal, Policial e do Detran.

Ministério Público

O julgamento teve início com uma explanação feita pelo relator da ação, Romero Marcelo, que dava poucas pistas sobre o posicionamento dele na manifestação do voto. O magistrado enxergou anormalidade no pagamento dos benefícios em ano eleitoral em proporção maior que o de aos anteriores. Além disso, fez referências que levaram o público a entender que ele votaria pela cassação dos mandatos. A visão mudou na apresentação do voto, quando, em linhas gerais, apresentou entendeu que não houve potencial nas concessões de benefícios para desequilibrar o processo eleitoral e nem pagamento de benefícios indevidos.

O entendimento passou ao largo da manifestação do Ministério Público, que apresentou um voto duro e bem fundamentado. O procurador Marcos Alexandre apresentou dados que, na visão dele, mostravam o caráter meramente eleitoreiro na operação iniciada com a nomeação de Ramalho Leite para a presidência da PBPrev, em agosto de 2014. Em dois meses, ele alegou, foram acertados os pagamentos dos benefícios para 1.658 processos, de forma inédita.

O procurador citou um memorando editado pelo gestor dando conta de compromisso assumido com a categoria dos professores. Ao todo, foram pagos R$ 7,2 milhões, acertados, segundo Marcos Alexandre, ainda durante o processo eleitoral. Parte dos recursos foram pagos antes e parte após as eleições. No comparativo com anos anteriores, ele alegou que o montante pago em 2014 foi comparável com o acumulado dos anos de 2011 a 2014.

O resultado, por enquanto, é imprevisível. O placar já tem data para ser mexido.

 

 

Aije da PBPrev: veja a ordem de votação no julgamento do TRE

Aije da PBPrev será julgada nesta segunda-feira (17). Foto: Rizemberg Felipe

O julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) da PBPrev, nesta segunda-feira (17), ocorre pelo menos dois anos e seis meses depois de ser protocolada na Justiça Eleitoral. Nela, a coligação A Vontade do Povo, encabeçada no pleito de 2014 pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB), acusa o governador e candidato à reeleição, Ricardo Coutinho (PSB), de abuso do poder econômico no pleito que confirmou a reeleição dele. Segundo o Ministério Público Eleitoral, o governo teria pago R$ 7,2 milhões em benefícios previdenciários no ano eleitoral, um montante 1000% maior que no ano anterior. Confira a ordem de votação durante o julgamento:

  1. Romero Marcelo – O magistrado é vice-presidente da corte e corregedor. Caberá a ele ler o voto e abrir espaço para os advogados de acusação e defesa, além do Ministério Público Eleitoral. Este último já se manifestou pela procedência da denúncia;
  2. Márcio Maranhão Brasilino – será o primeiro a votar após a manifestação dos advogados;
  3. Micheline de Oliveira Dantas;
  4. Breno Wanderley César Segundo;
  5. Emiliano Zapata de Miranda Leitão;
  6. Antônio Carneiro de Paiva;
  7. Maria das Graças Morais Guedes – A presidente da Corte vota em caso de empate.

Aije da PBPrev: confira as estratégias de Ricardo e Cássio em novo round no TRE

Cassado em 2007, Cássio cobra coerência da Justiça Eleitoral

Ex-aliados: Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima agora duelam na Justiça Eleitoral Foto: Rizemberg Felipe

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) será a arena do mais novo embate entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O novo round do confronto que não se encerrou com o fechamento das urnas, em 2014, ocorrerá nesta segunda-feira (17), às 14h30, com o julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) da PBPrev. O embate contará com estratégias bem definidas dos advogados de acusação e defesa.

O ponto de desequilíbrio pró-Cássio é o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) pela condenação do governador. A defesa, no entanto, acredita que o período de instrução processual serviu para derrubar as teses da acusação. Eles acham que conseguirão a maioria dos votos da corte pela rejeição da denúncia de abuso do poder econômico no pleito de 2014.

A Aije da PBPrev é relatada pelo desembargador Romero Marcelo, atual vice-presidente e corregedor da Corte. A ação foi proposta pela coligação ‘A Vontade do Povo’ ainda durante a campanha de 2014, na qual foi denunciada, conforme alegação da acusação, uma enxurrada de pagamentos de retroativos no âmbito da PBPrev, no período eleitoral.

O parecer do Ministério Público Eleitoral aponta que foram pagos benefícios a servidores estaduais, em 2014, no ano eleitoral, mais de R$ 7 milhões às vésperas do primeiro turno. O montante é muito maior que o volume pago em anos anteriores. O órgão, portanto, pede a cassação dos diplomas de Ricardo Coutinho e sua vice, Lígia Feliciano (PDT), além da inelegibilidade de Coutinho e do presidente do órgão, naquele ano, Ramalho Leite.

“O investigado Severino Ramalho Leite, em benefício do investigado Ricardo Vieira Coutinho, utilizou os atos de sua competência no PBPrev de maneira desvirtuada, afastando-se do fim público, visando tão somente angariar votos para a sua candidatura e, consequentemente, afetar a normalidade e legitimidade do pleito de 2014”, diz o parecer do Ministério Público.

Veja o que diz a acusação:

. Em 2013, a PBPrev provou o pagamento de apenas 163 processos a servidores estaduais. Já em 2014, em pleno ano eleitoral, o volume subiu para 1658, ou seja, mais de 1000% de aumento;

. Entre a realização do primeiro e segundo turnos das eleições de 2014 foram analisados, deferidos e pagos um quantidade superior ao somatório dos três exercícios financeiras anteriores (2011, 2012 e 2013);

. Em 2013, a PBPrev pagou apenas R$ 2 milhões para o pagamento de benefícios dos servidores. Já em 2014, foram mais de R$ 7 milhões pagos às vésperas do primeiro turno;

Veja o que diz a defesa:

. A acusação, desde o início, encampou uma linha de desvirtuamento de dados e de omissão de informações;

. A instrução processual foi por demais importante, pois permitiu que demonstrássemos a absoluta regularidade das ações administrativas da PBPrev e a clara ausência de qualquer desvio de finalidade eleitoral;

. Estamos convictos que o TRE velará pela defesa do princípio democrático e pela escolha soberana do povo paraibano, que, em 2014, deixou clara sua opção pelo ciclo do trabalho empreendido pelo Governador Ricardo Coutinho, contrariando posturas crônicas de privilégio e de populismo que travavam o desenvolvimento do nosso Estado.

Delator que acertou propina para o PMDB em reunião com Temer foi ouvido na Paraíba

Reunião teria fixado doação de US$ 40 milhões ao partido

Depoimento de Marcio Faria

Márcio Faria, ex-executivo da Odebrecht, presta depoimento na Paraíba. Imagem: Reprodução/YouTube

O delator que deu detalhes sobre a suposta doação de US$ 40 milhões (R$ 124 milhões) em propina para o PMDB, em 2010, foi ouvido por procuradores da República na Paraíba. O depoimento, considerado um dos mais bombásticos na operação Lava Jato, foi colhido do ex-diretor da área internacional da empreiteira Norberto Odebrecht, Márcio Faria da Silva.

O delator foi ouvido pelos procuradores Bruno Barros de Assunção e Bruno Galvão Paiva, no dia 14 de dezembro, dentro da operação montada pela Procuradoria Geral da República (PGR) para agilizar a oitiva dos 77 executivos e ex-executivos da empreiteira. No depoimento, ele falou da “compra do PMDB” em reunião com a presença do presidente Michel Temer, em 2010.

No depoimento, o delator falou que a reunião ocorreu no escritório político de Temer, em São Paulo, na rua Antônio Batuira, 470. Lá estava presente o ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Coube a Cunha introduzir a reunião, com a presença de Temer, então candidato a vice de Dilma Rousseff (PT).

Na hora de tratar dos valores, propriamente ditos, Temer deixou a sala, mas não sem antes dizer que, caso houvesse qualquer problema, os rapazes presentes (Eduardo Cunha e o ex-ministro Henrique Alves) resolveriam. Márcio Faria lembrou que a reunião foi descrita em uma das perguntas feitas a Temer, na qualidade de testemunha, por Eduardo Cunha e cortadas pelo juiz Sérgio Moro.

“Vossa Excelência em conhecimento se houve alguma reunião sua com fornecedores da área internacional da Petrobrás com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antôio Batuira, n° 470, em São Paulo/SP, justamente com o Sr. João Augusto Henriques?”, dizia a 34ª  das 41 perguntas encaminhadas por Eduardo Cunha a Michel Temer. Esta foi uma das cortadas pelo juiz Sérgio Moro.

No depoimento colhido na Procuradoria da República na Paraíba, o delator afirma que o encontro foi marcado para “abençoar” um acordo que envolvia o pagamento de propina para garantir o andamento de um contrato da Odebrecht com a diretoria Internacional da Petrobras – que, segundo ele, era comandada à época pelo PMDB.

De acordo com Faria, a propina, que ele diz ter sido exigida por um interlocutor do PMDB não identificado, foi de 5% sobre o valor do contrato, o que equivalia “em volta de US$ 40 milhões.” Faria também relatou na delação que o e-mail em que recebeu com os detalhes da reunião para a formalizar o acordo dizia que o encontro serviria para a “compra do PMDB”.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela assessoria de Temer:

Nota à imprensa

O presidente Michel Temer jamais tratou de valores com o senhor Márcio Faria. A narrativa divulgada hoje não corresponde aos fatos e está baseada em uma mentira absoluta. Nunca aconteceu encontro em que estivesse presente o ex-presidente da Câmara, Henrique Alves, com tais participantes.

O que realmente ocorreu foi que, em 2010, na cidade de São Paulo, Faria foi levado ao presidente pelo então deputado Eduardo Cunha. A conversa, rápida e superficial, não versou sobre valores ou contratos na Petrobras. E isso já foi esclarecido anteriormente, quando da divulgação dessa suposta reunião.

O presidente contesta de forma categórica qualquer envolvimento de seu nome em negócios escusos. Nunca atuou em defesa de interesses particulares na Petrobras, nem defendeu pagamento de valores indevidos a terceiros.
Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República

Lista de Fachin: veja no gráfico como PMDB, PT e PSDB lideram denúncias

Quatro paraibanos aparecem entre os denunciados

Veja a participação dos partidos na relação dos denunciados

Os três maiores partidos do Brasil em número de parlamentares são também os que mais darão trabalho à Procuradoria Geral da República (PGR). PMDB, partido que atualmente comanda a Presidência da República, seguida de PT e PSDB, as duas antecessoras no poder central, respondem por quase 60% das lideranças a serem investigadas.

Da Paraíba, integram as lista o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, e o senador paraibano, mas eleito pelo Rio de Janeiro, Lindbergh Farias (PT). O ex-deputado federal Inaldo Leitão também aparece entre os que serão investigados, mas, sem foro privilegiado, o caso dele será apreciado na primeira instância.

Os nomes foram revelados em delação premiada pelos executivos e ex-executivos da empreiteira Norberto Odebrecht e incluem políticos, arrecadadores de campanha e ministros. Ao todo, foram autorizadas pelo ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), 83 inquéritos.

Confira a lista e o gráfico

PMDB

1. Senador da República Romero Jucá Filho (PMDB-RR)
2. Senador da República Renan Calheiros (PMDB-AL)
3. Governador do Estado de Alagoas Renan Filho (PMDB)
4. Ministro da Casa Civil Eliseu Lemos Padilha (PMDB-RS)
5. Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Wellington Moreira Franco (PMDB)
6. Ministro de Estado da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB)
7. Senador da República Edison Lobão (PMDB-PA)
8. Senadora da República Marta Suplicy (PMDB-SP)
9. Senadora da República Kátia Regina de Abreu (PMDB-TO)
10. Senador da República Eduardo Braga (PMDB-AM)
11. Senador da República Valdir Raupp (PMDB-RO)
12. Senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)
13. Senador da República Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
14. Deputado Federal Jarbas de Andrade Vasconcelos (PMDB-PE)
15. Deputado Federal Pedro Paulo (PMDB-RJ)
16. Deputado federal Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)
17. Deputado Federal Daniel Vilela (PMDB-GO)
18. Ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho (ex-senador do PMDB-PB)
19. Eduardo Paes (PMDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro
20. Márcio Toledo, arrecadador das campanhas da senadora Suplicy
21. Moisés Pinto Gomes, marido da senadora Kátia Abreu, em nome de quem teria recebido os recursos
22. Luís Alberto Maguito Vilela, ex-Senador da República e Prefeito Municipal de Aparecida de Goiânia entre os anos de 2012 e 2014
23. João Carlos Gonçalves Ribeiro, que então era secretário de Planejamento do Estado de Rondônia
24. Ulisses César Martins de Sousa, à época Procurador-Geral do Estado do Maranhão
25. Rodrigo de Holanda Menezes Jucá, então candidato a vice-governador de Roraima, filho de Romer Jucá

PT
1. Deputado Federal Marco Maia (PT-RS)
2. Deputado Federal Carlos Zarattini (PT-SP)
3. Senador da República Paulo Rocha (PT-PA)
4. Senador Humberto Sérgio Costa Lima (PT-PE)
5. Senador da República Jorge Viana (PT-AC)
6. Senador Lindbergh Farias (PT-RJ)
7. Deputado Federal Vander Loubet (PT-MS)
8. Deputado Federal Nelson Pellegrino (PT-BA)
9. Deputado Federal Vicente “Vicentinho” Paulo da Silva (PT-SP)
10. Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS)
11. Deputado Federal Zeca Dirceu (PT-SP)
12. Deputado Federal Zeca do PT (PT-MS)
13. Deputado Federal Vicente Cândido (PT-SP)
14. Deputado Federal Décio Lima (PT-SC)
15. Deputado Federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)
16. Governador do Estado do Acre Tião Viana (PT)
17. Cândido Vaccarezza (ex-deputado federal PT)
18. Guido Mantega (ex-ministro)
19. Paulo Bernardo da Silva, então ministro de Estado
20. José Dirceu
21. Deputada Estadual em Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC)

PSDB
1. Senador Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG)
2. Ministro das Cidades Bruno Cavalcanti de Araújo (PSDB-PE)
3. Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)
4. Senador da República Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
5. Senador da República Dalírio José Beber (PSDB-SC)
6. Senador da República José Serra (PSDB-SP)
7. Senador da República Eduardo Amorim (PSDB-SE)
8. Senador da República Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
9. Deputado Federal Jutahy Júnior (PSDB-BA)
10. Deputado Federal João Paulo Papa (PSDB-SP)
11. Deputada Federal Yeda Crusius (PSDB-RS)
12. Deputado Federal Betinho Gomes (PSDB-PE)
13. Senador Antônio Anastasia (PSDB-MG)
14. Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio
15. Napoleão Bernardes, Prefeito Municipal de Blumenau/SC
16. Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais/Codemig
17. Humberto Kasper
18. Marco Arildo Prates da Cunha

PP
1. Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Borges Maggi (PP)
2. Senador da República Ciro Nogueira (PP-PI)
3. Senador da República Ivo Cassol (PP-RO)
4. Deputado Federal Mário Negromonte Jr. (PP-BA)
5. Deputado Federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)
6. Deputado Federal Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)
7. Deputado Federal Cacá Leão (PP-BA)
8. Deputado Federal Júlio Lopes (PP-RJ)
9. Prefeita Municipal de Mossoró/RN Rosalba Ciarlini (PP), ex-governadora do Estado

DEM
1. Deputado Federal Rodrigo Maia (DEM-RM), presidente da Câmara
2. Senador da República José Agripino Maia (DEM-RN)
3. Senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
4. Deputado Federal José Carlos Aleluia (DEM-BA)
5. Deputado Federal Felipe Maia (DEM-RN)
6. Deputado Federal Ônix Lorenzoni (DEM-RS)
7. Deputado Federal Rodrigo Garcia (DEM-SP)
8. César Maia (DEM), vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-deputado federal

PSD
1. Ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab (PSD)
2. Senador Omar Aziz (PSD-AM)
3. Deputado Federal Fábio Faria (PSD-RN)
4. Deputado Federal Heráclito Fortes (PSB-PI)
5. Deputado Federal Antônio Brito (PSD-BA)
6. Governador do Estado do Rio Grande do Norte Robinson Faria (PSD)

PR
1. Deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA)
2. Deputado federal Milton Monti (PR-SP)
3. Deputado Federal Alfredo Nascimento (PR-AM)
4. Valdemar da Costa Neto (PR)

PCdoB
1. Senadora da República Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
2. Eron Bezerra, marido da senadra Grazziotin
3. Deputado Federal Daniel Almeida (PCdoB-BA)
4. Vado da Famárcia, ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho

PSB
1. Senador da República Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
2. Senadora da República Lidice da Mata (PSB-BA)
3. Deputado Federal José Reinaldo (PSB-MA), por fatos de quando era governador do Maranhão

PRB
1. Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Antônio Pereira (PRB)
2. Deputado Federal Celso Russomano (PRB-SP)
3. Deputado Federal Beto Mansur (PRB-SP)

PTB
1. Deputado Federal Paes Landim (PTB-PI)
2. Edvaldo Pereira de Brito, então candidato ao cargo de senador pela Bahia nas eleições 2010

PPS
1. Ministro da Cultura Roberto Freire (PPS)
2. Deputado Federal Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)

SD
Deputado Federal Paulinho da Força (SD-SP)

PTC
Senador da República Fernando Afonso Collor de Mello (PTC-AL)

PMN
José Feliciano