Hackfest recebe apoio da ONU e ganhará abrangência nacional

Eduardo Carlos (E) conversa com Octávio Paulo Neto e Gabriel Aragão sobre o Hackfest. Foto: Cógenes Lira

No momento em que o ‘Hackfest de Combate à Corrupção’ recebe o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), os seus organizadores anunciam que a próxima edição do evento, prevista para ocorrer entre 9 e 11 de junho deste ano, no Espaço Cultural, terá abrangência nacional. O projeto, promovido em parceria pelo Ministério Público da Paraíba, Rede Paraíba de Comunicação e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), deve ser incluído pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no rol das iniciativas alinhadas com o desenvolvimento sustentável.

O apoio da ONU ao Hackfest será formalizado durante reunião na tarde desta terça-feira (14), às 15h30, na sede do Ministério Público. O alto comissariado da entidade está na Paraíba deste esta segunda-feira com o objetivo ver formalizado o compromisso do estado com a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. A lista de reuniões incluem encontros com representares da Assembleia Legislativa, Governo da Paraíba, Ministério Público e Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU).

A programação também inclui participação no seminário gestão recursos hídricos, em Campina Grande, que tem como base a agenda dos Objetivos do Milênio (ODS). Ao todo, são 17 os objetivos do milênio, além de 169 metas a serem alcançadas até 2030. No caso do Hackfest, a iniciativa conta com o apoio também do  Ministério Público e Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU) e do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê).

Acordo

Vão estar presentes à reunião o diretor do Pnud no Brasil, Didier Trebucq; a residente assistente Maristela Baioni; o assessor sênior Haroldo Machado; a oficial de Programa do Pnud, Leva Lazareviciute; e a analista Inalda Beder. Eles serão recebidos pelo procurador-geral de Justiça do MPPB, Bertrand Asfora, pelo empresário Eduardo Carlos, da Rede Paraíba de Comunicação, e pelo coordenador do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPB, Octávio Paulo Neto, responsável pela realização do Hackfest.

“Creio que o ingresso da ONU, por meio do Pnud, no hackfest revela a convergência da iniciativa com alguns pontos para o desenvolvimento sustentável, entre os quais a cidadania responsável, por meio da efetiva participação das coisas e negócios públicos”, ressaltou Octávio Paulo Neto. Ele acrescentou ainda que o evento é uma grande conjunção de saberes e propósitos, todos direcionados para uma melhor compreensão de nosso papel na sociedade. “Sempre no viés do exercício da cidadania consciente”, acrescentou.

Utilidade do Hackfest

Outra novidade é que o Hackfest deste ano será o evento master e contará com vários outros satélites. Também chamado de hack day ou codefest, o hackfest é uma maratona de programação na qual hackers se reúnem por longos períodos, com o objetivo de explorar dados abertos, desvendar códigos e sistemas lógicos, além de discutir novas ideias e desenvolver projetos de software ou até mesmo de hardware. Por ser um evento público, a maratona dá visibilidade e transparência a essas atividades, além de divulgar os novos produtos gerados.

Em 2016, o MPPB realizou, de forma pioneira, duas edições do ‘Hackfest de Combate à Corrupção’. A primeira delas ocorreu em agosto, nas dependências da sede do MPPB em Campina Grande, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A segunda, no mês de outubro, foi realizada com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa.

Desembargador diz que Lobão na CCJ é prenúncio de “leis indecorosas”

Edson Lobão (E) conversa com Renan Calheiros e Romero Jucá. Todos são citados na Lava Jato. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

O desembargador paraibano Márcio Murilo da Cunha Ramos decidiu verbalizar, nas redes sociais, um sentimento que se tornou comum a várias autoridades do judiciário nos últimos dias. Para ele, a escolha pelo Senado de Edison Lobão (PMDB-MA) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) servirá para que os seus apoiadores elaborem “leis indecorosas para abafar a Lava Jato e ‘perseguir’ o juiz brasileiro”, diz o magistrado, encerrando a frase com um enigmático “Quem duvida?”

O nome de Edison Lobão foi escolhido na semana passada para a presidência da principal comissão da Casa, suplantando a postulação do paraibano Raimundo Lira. Lobão é citado nas delações premiadas colhidas no bojo da operação Lava Jato. Para chegar ao cargo, ele contou com as indicações dos poderosos ex-presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), ambos do PMDB e ambos também citados em delações premiadas. Lobão, inclusive, em entrevista, confessa que “caixa 2” é constitucional.

Confira a postagem

Foto: Reprodução/Facebook

 

Lava Jato: STF abre inquérito contra Renan, Jucá, Sarney e Sérgio Machado

Brasília – O ministro Luiz Edson Fachin é o atual relator da Lava Jato no Supremo. Foto:. Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin autorizou nesta quinta-feira (9) abertura de inquérito para investigar os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR), além do ex-senador José Sarney e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado. Os investigados são acusados crime de embaraço às investigações da Operação Lava Jato. O crime de embaraço se refere à tentativa de barrar ou atrapalhar uma investigação.

Fachin atendeu a um pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na segunda-feira (6). As acusações foram baseadas no acordo de delação premiada de Sérgio Machado e em conversas gravadas com os envolvidos. As gravações foram divulgadas no ano passado, após a retirada do sigilo do conteúdo das delações de Machado. Em uma das conversas, Romero Jucá citou um suposto “acordo nacional” para “estancar a sangria”.

Segundo o procurador, os acusados “demonstram a motivação de estancar e impedir, o quanto antes, os avanços da Operação Lava Jato em relação a políticos, especialmente do PMDB, do PSDB e do próprio PT, por meio de acordo com o STF e da aprovação de mudanças legislativas.”

Outro lado

O senador Romero Jucá nega que tenha tentado obstruir qualquer operação do Ministério Público e diz que a investigação e a quebra de sigilo do processo irão mostrar a verdade dos fatos.

Em nota, a assessoria de Renan Calheiros nega as acusações da PGR. “O senador Renan Calheiros reafirma que não fez nenhum ato para dificultar ou embaraçar qualquer investigação, já que é um defensor da independência entre os poderes. O inquérito comprovará os argumentos e do senador e, sem duvida, será arquivado por absoluta inconsistência.”, diz o texto.

Da Agência Brasil

Joás de Brito nomeia irmã de Cássio para chefe de gabinete da presidência

Joás de Brito conquistou dez votos para a disputa. Foto: Divulgação/TJPB

O novo presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Joás de Brito Pereira Filho, virou alvo dos internautas nas redes sociais no mesmo dia em que foi empossado no cargo, após intensa batalha interna. O motivo da polêmica não tem nada a ver com a judicialização do pleito, mas com a nomeação da irmã do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) para o cargo de chefe de gabinete da presidência. O nome de Glauce Cunha Lima foi publicado no Diário do Poder Judiciário desta quinta-feira (2), disponibilizado desde a noite desta quarta no portal do TJPB. Durante a sua posse, o magistrado anunciou a formação de uma equipe técnica.

Brito chegou ao Tribunal de Justiça há dez anos, como nome indicado na quota dos advogados através do quinto constitucional. Era o segundo nome de uma lista encabeçada pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Paraíba, Odon Bezerra, o mais votado pela categoria. O nome foi escolhido pelo então governador Cássio Cunha Lima, em 2007, provocando a irritação do primeiro colocado. Ainda em 2007, houve a primeira nomeação de Glauce Cunha Lima para o cargo de chefe de gabinete do magistrado, o que gerou polêmica já naquela época. De lá para cá, a nomeação foi constantemente renovada e, agora, teve como destino o gabinete da presidência.

A justificativa para a escolha pode até ser técnica, mas causa inevitável repercussão no campo político em uma corte que precisa, urgentemente, ser vacinada desta prática. A nomeação acontece também no mesmo dia em que Cássio Cunha Lima foi eleito para a primeira vice-presidência do Senado Federal.

Joás usa citações bíblicas ao falar de união na Corte durante posse na presidência do TJPB

Joás de Brito toma posse na presidência do Tribunal de Justiça. Foto: Reprodução/TJPB

O desembargador Joás de Brito Pereira Filho iniciou o seu discurso, durante a posse na presidência do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), nesta quarta-feira (1°), com uma citação bíblica. O trecho escolhido foi extraído de Isaias 46, 3-4; 9-12 e fala sobre o quanto são “felizes os que temem o Senhor, os que andam em seus caminhos”. O texto, no discurso, deu o tom do desafio colocado como meta pelo magistrado, que terá como uma das suas principais missões a busca pela unidade no Judiciário. A eleição que culminou com a escolha dele para o comando do TJPB abriu feridas, reveladas com sucessivos embates e brigas que deixaram os corredores do Tribunal de Justiça e ganharam as ruas.

“Hoje, recebo uma nova e árdua missão: a de comandar o Poder Judiciário do nosso Estado. Sei das dificuldades que irei enfrentar, mas terei ao meu lado os meus pares e, mais próximos, os eminentes desembargadores João Benedito da Silva, na condição de vice-presidente, e José Aurélio da Cruz, na corregedoria”, disse Joás de Brito. Ele tratou de fazer referência, também, ao processo eleitoral ainda sub judice que o levou ao poder. Lembrou do recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na anulação da primeira eleição, que conduziria João Alves para o comando da Corte. Alegou que tudo foi feito para que fosse respeitada a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

Apelo à unidade

“Para que essa missão possa frutificar, sei que precisarei buscar o apoio dos meus pares. Isso passa, necessariamente, por um processo de pacificação, pacificação essa que lutarei fortemente para alcançá-la. Procurarei ouvir a todos, abraçarei os projetos que me apresentarem e que sirvam para o engrandecimento e fortalecimento do Poder Judiciário”, ressaltou Brito, reforçando como argumento a lembrança do tempo em que as disputas pela presidência não existiam, já que, pelo critério de antiguidade, todos chegariam ao topo da carreira na magistratura. No pleito do dia 16 de novembro, anulado pelo STF, foram eleitos João Alves da Silva Júnior, Leandro dos Santos e José Aurélio da Cruz, para os cargos de presidente, vice e Corregedor.

“Sei também da minha responsabilidade, principalmente, por estarmos vivendo um momento bastante delicado na vida nacional, onde se sabe que esse Poder é ‘o último esteio de preservação das instituições, a última barricada para que a ordem seja mantida, a última fortaleza da proteção dos direitos individuais, a última trincheira de um país assolado por escândalos políticos’, tomando por empréstimo as palavras do Professor Yves Gandra Martins, ao referir-se ao Supremo Tribunal Federal”, ressaltou.

Joás de Brito prometeu também esforço para atualizar a LOJE e o Regimento Interno. Prometeu formar uma equipe de trabalho forte e técnica. Além disso, assegurou que manterá um relacionamento amistoso e respeitoso com todos os servidores, membros da magistratura, do ministério público, da advocacia pública e privada, bem como os respectivos órgãos de classe, associações e sindicatos. Uma queixa antiga foi respondida antecipadamente pelo magistrado, com a promessa de que implantará critérios objetivos para a substituição de juízes, além de austeridade e total transparência na execução do orçamento, controlando os gastos e cumprindo, à risca, as recomendações e orientações do Tribunal de Contas do Estado.

Histórico
A reclamação acatada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki (já falecido), contesta a regra adotada nas duas últimas eleições para o comando da casa, baseada no voto direto e não mais pelo critério de antiguidade. Com a decisão, a atual mesa teve a sua vigência prolongada e convocou novas eleições. Há outro recurso tramitando no Supremo, só que desta vez contestando a eleição de Joás de Brito.

 

Novo relator da Lava Jato no STF deve ser escolhido entre cinco ministros

Jhonathan Oliveira

O novo relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser escolhido na quarta-feira (1º). A expectativa é que a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, faça um sorteio entre os ministros da 2ª Turma, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes

Cármen Lúcia deve fazer sorteio entre os ministros da 2ª Turma (José Cruz/Agência Brasil)

Segundo matéria publicada pela ‘Folha de São Paulo’, nesta terça-feira (31), o novo relator vai herdar de Teori Zavascki, que morreu em acidente aéreo no dia 20 de janeiro, apenas os processos da Lava Jato. As demais matérias vão ser entregues ao novo ministro, que ainda será indicada pelo presidente Michel Temer.

Um quinto ministro deve entrar no sorteio para a relatoria. De acordo com a Folha, Cármen tem conversado com os colegas sobre a possibilidade de Edson Fachin mudar da Primeira para a Segunda Turma, assumindo o posto de Teori. Essa mudança só poderá ocorrer se os quatro ministros mais antigos–Marco Aurélio Mello, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber– não queiram mudar de turma. Fachin precisa apresentar um ofício à presidente formalizando o pedido de troca.

Caberá ao novo relator da Lava Jato manter ou não o sigilo das delações premiadas dos 77 executivos e ex-executivos da construtora Odebrecht, que foram homologadas por Cármen Lúcia na segunda-feira (30). A possível revelação dos detalhes dos depoimentos gera calafrios em Brasília pois políticos de vários partidos devem ser citados.

Joás de Brito toma posse na presidência do TJPB nesta quarta

Joás de Brito (C), ao lado de João Benedito e José Aurélio da Cruz. Foto: Angélica Nunes

Angélica Nunes

Mesmo sem uma decisão definitiva sobre a legalidade da eleição da nova mesa diretora do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), o desembargador Joás de Brito Pereira Filho toma posse nesta quarta-feira (1º) como o novo presidente para os próximos dois anos. Além dele, o desembargador João Benedito assume a vice-presidência e José Aurélio a Corregedoria de Justiça. A solenidade será realizada às 16h, no Centro Cultural Ariano Suassuna, no Tribunal de Contas do Estado da Paraíba.

Pela manhã, uma missa em Ação de Graças será celebrada pelo Monsenhor Ivônio Cassiano. A celebração ocorre às 10h, na Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, Praça Dom Ulrico, Centro.

A eleição da Mesa para o biênio 2017/2018, realizada no último dia 22 de dezembro, é alvo de um mandato de segurança impetrado por seis desembargadores, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. A matéria ainda não foi apreciada, o que pode provocar uma nova reviravolta no caso, com uma terceira eleição no Tribunal para o mesmo período.

A ‘novela’ começou quando a primeira eleição, realizada no dia 14 de novembro, na qual foi eleito o desembargador João Alves da Silva para presidente, foi anulada por meio de uma ação movida também no STF pelo desembargador Márcio Murilo, que é do grupo de Joás de Brito. Então relator do processo, o ministro Teori Zavascki  (falecido) acatou o argumentou de que o pleito não observou o que disciplina a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

Segundo a Loman, devem ser eleitos para os três cargos da Mesa Diretor do Judiciário os desembargadores mais antigos, em sistema de rodízio. Tal procedimento não foi observado pelo TJPB ao preterir o direito ao cargo de presidente do desembargador Márcio Murilo Ramos.

Com a anulação, uma segunda eleição foi feita, sem as presenças de nove desembargadores insatisfeitos com a decisão, resultando na eleição de Joás de Brito, já que Márcio Murilo declinou do direito alegando motivos pessoais.

O grupo dos insatisfeitos, liderado pelo desembargador Saulo Benevides, que é do grupo de João Alves, protocolou, então, o mandato de segurança, que ainda aguarda apreciação da ministra, que assumiu o processo após a morte do relator. O fundamento do pedido de anulação é praticamente o mesmo do processo anterior, feito pelo desembargador Márcio Murilo Ramos. Eles alegam que os procedimentos adotados no TJPB e postos em prática pelo presidente Marcos Cavalcanti nos dois pleitos não observaram o que manda a Loman.

Cotado para o STF ataca união homoafetiva e defende submissão da mulher

Ives Gandra atualmente preside o TST e surge como nome mais forte para a vaga de Teori (Foto: Kleide Teixeira)

Jhonathan Oliveira

Se for confirmado o nome de Ives Gandra Martins Filho para a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF), como a imprensa nacional tem apostado, a indicação vai gerar polêmica. Isso porque o atual presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) é dono de posições ultraconservadoras. O jornal ‘Folha de São Paulo’ relembrou nesta quarta-feira (25) um artigo do magistrado no qual, dentre outras coisas, ele compara união homoafetiva com relação entre humanos e animais.

“O casamento de dois homens ou duas mulheres é tão antinatural quanto uma mulher casar com um cachorro”, afirma Gandra Filho, no artigo publicado no livro “Tratado de Direito Constitucional” (2012), coletânea organizada pelo ministro do STF Gilmar Mendes, por Ives Gandra pai e pelo advogado Carlos Valder.

Ainda sobre os homossexuais, Gandra diz que “casais homoafetivos não devem ter os mesmos direitos dos heterossexuais, isso deturpa o conceito de família”. O presidente do TSE também defende que “a mulher deve obedecer e ser submissa ao marido”.

O artigo com as declarações polêmicas é sobre direitos fundamentais. No texto, ele diz ser contra decisões da corte da qual deve passar a fazer parte. Além do reconhecimento da união homoafetiva, ele cita a liberação das células-tronco para pesquisa e a permissão para destruir embriões humanos em pesquisas. Ele também é contrário ao aborto, ao divórcio e à distribuição de anticoncepcionais em hospitais públicos.

Segundo a ‘Folha’, as posições de Gandra têm relações com a organização católica Opus Dei, da qual ele e o pai fazem parte. O grupo levanta como bandeiras, por exemplo, o ataque ao aborto em qualquer situação e a defesa da família apenas como a união entre homem e mulher.

“Por simples impossibilidade natural, ante a ausência de bipolaridade sexual (feminino e masculino), não há que se falar, pois, em casamento entre dois homens ou duas mulheres, como não se pode falar em casamento de uma mulher com seu cachorro ou de um homem com seu cavalo (pode ser qualquer tipo de sociedade ou união, menos matrimonial)”, defende Gandra.

O ministro não quis falar sobre o polêmico artigo com a Folha de São Paulo. Ele é um dos idealizadores da minirreforma trabalhista anunciada por Temer, que deve ser votada ainda no primeiro semestre no Congresso Nacional.

Processo de anulação da eleição do TJPB estava nas mãos de Teori

Jhonathan Oliveira

Tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF), o embate jurídico em torno da eleição para a mesa diretora do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) vai ser prolongado após a morte do ministro Teori Zavascki. Ele era relator do processo movido pelo desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos que resultou na anulação da eleição de João Alves para a presidência do órgão. A decisão foi dada em caráter liminar e havia a expectativa pelo julgamento do mérito, que agora só deve ocorrer após a indicação de um novo ministro para a suprema corte.

Ministro anulação eleição de João Alves em decisão liminar (Foto: Divulgação)

A liminar que anulou a eleição foi dada por Teori em 16 de dezembro. Ele acatou os argumentos de Márcio Murilo, de que deveria ser respeitado o artigo 102 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que estabelece a antiguidade como critério a ser seguido para definição dos candidatos a presidente do Tribunal de Justiça. Com isso, o presidente Marcos Cavalcanti convocou uma nova eleição que resultou na escolha de Joás de Brito para dirigir o órgão.

Em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA, há 15 dias, o presidente eleito Joás de Brito deixou claro que sua manutenção no cargo dependeria do STF. “Eu vou tomar posse provisoriamente e somente após a última palavra do Supremo é que será definitivo”, afirmou. O desembargador assume o comando do TJPB no dia 1º de fevereiro.

O desembargador João Alves tinha entrado com um agravo contra a decisão de Teori, mas o ministro ainda não tinha decidido sobre ele. O recurso vai seguir para o novo relator do processo, que deve ser o ministro indicado pelo presidente Michel Temer para a vaga de Zavascki.

O Regimento Interno do Supremo, no artigo 38, estabelece que em casos de morte os processos deverão ser herdados pelo ministro que ocupar a vaga. Outro trecho do documento diz que a presidente do STF, a ministra Cármen Lúcia, tem a prerrogativa de, a seu critério, ordenar a redistribuição de processos. A tendência é que a segunda possibilidade seja aplicada aos processos da Lava Jato, mas dificilmente ao caso do TJPB.

Outro processo

Além do processo que estava no gabinete de Teori Zavascki, um outro foi movido por um grupo de seis desembargadores para tentar anular a eleição de Joás de Brito. Em função do recesso parlamentar, o mandado de segurança foi encaminhado para a presidente Cármen Lúcia.

Somadas, penas aplicadas na Lava Jato chegam a 1.200 anos

Muitas algemas foram utilizadas durante o ano pela Polícia Federal. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O ano de 2016 foi o mais produtivo da Lava Jato, operação que apura o esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras e outros órgãos da administração federal. A avaliação é do Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), responsável pela condução da força tarefa desde 2014.

Em balanço divulgado na quinta-feira (29), a procuradoria paranaense relata que em 2016 foram deflagradas 17 operações e oferecidas 20 denúncias contra acusados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiros e organização criminosa. O número supera as ações realizadas nos dois anos anteriores.

Em 2016, também ocorreu a terceira restituição de recursos aos cofres da Petrobras, por meio de acordos de delação premiada e de leniência. Em novembro, a empresa recebeu de volta mais de R$ 204 milhões, o maior valor já devolvido pela justiça criminal brasileira a uma vítima. Desde o início da operação, aproximadamente R$ 500 milhões foram devolvidos à Petrobras.

Segundo a nota, de 2014 até o momento foram cumpridos 103 mandados de prisão temporária, 79 de prisões preventivas, 730 de busca e apreensão, 197 de condução coercitiva e seis prisões em flagrante. A prisão do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, em novembro, foi uma das ações desenvolvidas este ano pelo MPF-PR em parceria com a procuradoria fluminense.

O balanço do MPF-PR também faz menção ao projeto de iniciativa popular conhecido como pacote anticorrupção, que, segundo a nota, foi desfigurado pela Câmara dos Deputados para inibir a atuação dos procuradores. Para a procuradoria, as alterações feitas foram “claramente retaliatórias”.

O Ministério Público Federal do Paraná também critica a lei de abuso de autoridade e outras iniciativas apresentadas no Congresso, como as propostas de alteração na Lei de Repatriação de Recursos e na lei que trata dos acordos de leniência. As mudanças propostas pelos parlamentares teriam o intuito de abrir a possibilidade de impunidade e anistia para crimes graves de corrupção e lavagem de dinheiro.

Os procuradores responsáveis pela força-tarefa afirmam ainda que é a sociedade que protegerá a Operação Lava Jato das investidas do Legislativo e alertam para o impacto econômico da corrupção. “Apenas a sociedade poderá levar o país na direção certa, com reformas políticas e do sistema de justiça que previnam novos escândalos de corrupção e nos coloquem nos trilhos do desenvolvimento econômico e social”, diz Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa.

“Estudos mundiais revelam que, se queremos uma economia forte, precisamos passar pela diminuição dos índices de corrupção. Dizer que o combate à corrupção prejudica a economia não só ignora as reais causas da crise como também que o caminho para o desenvolvimento econômico e social passa pelo enfrentamento desse mal”, disse o procurador Orlando Martello.

Da Agência Brasil