Carreata da vergonha: grupo ignora exemplo da Itália e pede fim do confinamento

Carreata de empresários e profissionais liberais ocorre em meio a alertas de risco de “genocídio”

Grupo bolsonarista faz carreata de apoio ao fim do confinamento. Foto: Walter Paparazzo/G1

Meu avô batia na tecla de que errar é humano, mas permanecer no erro é burrice. A lição é milenar, mas exige dois neurônios para ser compreendida até hoje. As carreatas de empresários, profissionais liberais e motoristas de aplicativo ocorreram em João Pessoa e Campina Grande ao mesmo tempo em que estatísticas do Imperial College London mostram que o Brasil pouparia mais de um milhão de vidas mantendo o isolamento social. O movimento de pessoas que só pensam em si ocorre em todo o Brasil, estimuladas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Os protestos seguem a linha do ocorrido em Turim, na Itália, a partir de 27 de fevereiro. Na época, o “#turim não pode parar” ocorria em meio a 12 mortes pelo Covid-19 e contagiou o país. O contágio foi bem além da frase fácil criada na capital econômica do país. Dias depois, toda a Itália, principalmente Turim, deixou de ter espaço para tantos corpos de pessoas vitimadas pela pandemia. Uma lição não aprendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fiador da campanha brasileira. Até um vídeo foi criado com a hashtag #obrasilnaopodeparar.

Uma decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro, neste sábado (28), proibiu a Presidência da República de pagar pela propagação do vídeo. Isso depois de gastos para a sua produção. O fato é que a irresponsabilidade do presidente, baseada em conceitos anticiência e anti-lógica, pode custar muitas vidas de brasileiros. O rol inclui, também, muitos eleitores do gestor. Os cálculos do Imperial College London estimam que 1,15 milhão de brasileiros poderão morrer por causa da propagação do novo Coronavírus se não houver isolamento.

Até para pessoas com pouca massa encefálica é fácil entender que não existe lógica que sustente que erros similares aos da China e da Itália não produzam resultados iguais. Os Estados Unidos seguiu na mesma linha do agora defendida por Jair Bolsonaro e o próprio Donald Trump voltou atrás. Agora ele obriga a GM a fabricar respiradores o quanto antes. O mesmo ocorreu com a Inglaterra, onde Boris Johnson relutou inicialmente. Depois de ele mesmo ser contaminado pelo novo Coronavírus e entrar em isolamento, usou os dados do Imperial College London para justificar o endurecimento do isolamento social no país.

O Brasil deve ultrapassar a marca de 100 mortes neste sábado (28), mas ainda engatinha rumo ao genocídio que veremos nos próximos dois meses. Os exemplos de outros países mostraram que quanto mais tempo se demora para tomar atitute, mais os efeitos são danosos e a solução é demorada. Tivemos uma sorte de ouro, de ver o exemplo dos outros países enfrentando a enfermidade primeiro. Agora jogamos essa vantagem estratégica no lixo. O maior fiador desta aventura macabra tem sido o presidente, cujo mandato não resistirá a 600 mil mortes.

Confira o resultado do cálculo matemático elaborado pelo Imperial College London para os cenários da COVID-19 no Brasil.

Cenário 1- Sem medidas de mitigação:
– População total: 212.559.409
– População infectada: 187.799.806
– Mortes: 1.152.283
– Indivíduos necessitando hospitalização: 6.206.514
– Indivíduos necessitando UTI: 1.527.536

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Cenário 2 – Com distanciamento social de toda a população:
– População infectada: 122.025.818
– Mortes: 627.047
– Indivíduos necessitando hospitalização: 3.496.359
– Indivíduos necessitando UTI: 831.381

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Cenário 3 – Com distanciamento social E REFORÇO do distanciamento dos idosos:
– População infectada: 120.836.850
– Mortes: 529.779
– Indivíduos necessitando hospitalização: 3.222.096
– Indivíduos necessitando UTI: 702.497

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Cenário 4 – Com supressão tardia
– População infectada: 49.599.016
– Mortes: 206.087
– Indivíduos necessitando hospitalização: 1.182.457
– Indivíduos necessitando UTI: 460.361
– Demanda por hospitalização no pico da pandemia: 460.361
– Demanda por leitos de UTI no pico da pandemia: 97.044

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Cenário 5 – Com supressão precoce
– População infectada: 11.457.197
– Mortes: 44.212
– Indivíduos necessitando hospitalização: 250.182
– Indivíduos necessitando UTI: 57.423
– Demanda por hospitalização no pico da pandemia: 72.398
– Demanda por leitos de UTI no pico da pandemia: 15.432

Em resumo, para o Imperial College, no Brasil, a diferença entre ficarem todos em casa (supressão) ou adotar uma estratégia mais branda de mitigação e proteção apenas dos grupos de risco pode ser da ordem de MEIO MILHÃO de vidas.

Advogado recolhe prints para denunciar apoiadores de ato pró-fim de confinamento

Olímpio Rocha deve protocolar notícia-crime no Ministério Público da Paraíba

Olímpio Rocha recolhe casos para serem denunciados ao MPPB. Foto: Divulgação

O advogado Olímpio Rocha lançou uma campanha nas redes sociais pedindo que as pessoas denunciem os apoiadores do ato contra o confinamento. Há carreatas programadas para Campina Grande, nesta sexta-feira, e João Pessoa, neste sábado (28), com pedidos de fim do confinamento decidido pelo governo do Estado e pelas prefeituras das duas cidades.

Integrante do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Rocha tem pedido que as pessoas façam prints de postagens dos apoiadores do ano nas redes sociais para que eles sejam denunciados. Uma notícia-crime será apresentada ao Ministério Público da Paraíba. Ele entende que há pelo menos dois crimes sendo cometidos. O primeiro diz respeito ao crime de desobediência, já que há decretos disciplinando a quarentena e outro diz respeito à medida sanitária adotada pelos Executivos.

Os atos estão sendo programados para Campina Grande e João Pessoa. Ambos seguem orientação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tem se posicionado contra as restrições impostas pelos governadores de prefeitos.

Bolsonaro e apoiadores fazem “roleta-russa” com a vida dos outros

Presidente comete o mesmo erro dos comandantes máximos dos Estados Unidos, Itália e Inglaterra

Bolsonaro dobra aposta com a vida dos outros e estimula protestos. Foto: Renato Araújo/ABr

Quanto vale a vida dos seus pais, tios e avós? E dos seus irmãos? Para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores, vale bem menos que salvar a economia. Ou melhor, do que eles pensam ser o salvar a economia. A prática, em todo o mundo, mostrou que atitudes do gênero só ampliam o fosso. As experiências foram vistas na China, Itália, Espanha, Inglaterra e Estados Unidos. Todos colocaram a economia na frente da vida das pessoas e se deram mal.

Na China, tão criticada pelos bolsonaristas, a atitude inicial foi tentar esconder o problema. Alguém pode dizer no que isso deu? O país que mais cresce no mundo deverá enfrentar, pela primeira vez em longos anos, crescimento negativo. Os Estados Unidos do ídolo da trupe brasileira, Donald Trump, é hoje o país com o maior número de infectados. Daqui a se tornar o de maior número de mortos é um passo.

Não dá para ter diagnóstico diferente da Itália. Assim como nos casos de China, Estados Unidos e Inglaterra, o país riu na cara da pandemia. Entrou na lista dos mais atingidos pela doença, vitimando até o primeiro ministro Boris Johnson. Lembram dele? Foi aquele que mandou as pessoas continuarem nas suas atividades econômicas. Ele tem visão diferente agora e pede para todos ficarem em casa.

O caso mais grave ocorreu na Itália, onde as mortes vitimaram milhares de pessoas. O primeiro ministro do país, Giuseppe Conte, foi aquele que proibiu as gestões regionais de pararem o turismo e a indústria. Ele assistiu, na sequência, as viaturas militares levarem os corpus dos mortos, afetados pela pandemia. Adianta pedir desculpas agora pelos erros de antes?

O governo brasileiro ganhou uma oportunidade de ouro. O presidente Jair Bolsonaro viu os sacos de corpos sendo levados em outros países. Mesmo assim, encampa uma campanha irresponsável e irracional pró-mercado. As experiências semelhantes mostram que quem tentou isso agravou a crise e levou para a soleira da casa as mortes de pessoas queridas.

As carreatas programadas para João Pessoa e Campina Grande, nesta sexta-feira e no sábado, precisam ser impedidas com uso da força policial. Cadeia é o mínimo para genocidas potenciais. A história mostra que existe limite para tudo, menos para a burrice. Bolsonaro e seus apoiadores comprovam esta máxima. Se não for isso, então temos que observar desvio de caráter mesmo.

João autoriza, com restrições, funcionamento de restaurantes, oficinas, bancos e lotéricas

Lojas de material de construção também poderão abrir as portas para pronta entrega

João Azevêdo flexibiliza o funcionamento de vários setores. Foto: Divulgação/Secom-PB

Um dia depois do decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) determinando a reabertura das casas lotéricas, o governador João Azevêdo (Cidadania) flexibilizar alguns pontos das proibições no Estado. Houve mudanças no funcionamento das agências bancárias e lotéricas, mas todos com orientações para que se evite a aglomeração de pessoas.

O atendimento presencial nas agências bancárias do Estado será restrito ao pagamento de salários, aposentadorias e benefícios do Bolsa Família e aos serviços que não podem ser realizados nos caixas eletrônicos e canais de atendimento remoto. As casas lotéricas também voltam a funcionar, devendo organizar e priorizar o atendimento para os pagamentos dos beneficiários do Bolsa Família.

Os estabelecimentos deverão adotar medidas de proteção aos seus funcionários, clientes e colaboradores, estabelecendo a distância de 1,5 metros entre cada pessoa e adotando, quando possível, sistemas de escala, alteração de jornadas e revezamento de turnos, para reduzir o fluxo e não permitir a aglomeração de pessoas.

O decreto também disciplina o funcionamento de restaurantes e lanchonetes localizados em rodovias federais e estaduais, desde que não situados em áreas urbanas. Os comércios devem fornecer apenas alimentação pronta, priorizando o atendimento aos motoristas de transporte de carga, respeitando a distância mínima de 1,5 metros entre os clientes e observando as demais regras sanitárias.

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Sobre o Coronavírus, Bolsonaro diz que o brasileiro “pula na lama” e não pega nada

Depois de 77 mortes registradas, presidente faz piada sobre a saúde dos brasileiros

Bolsonaro tem se colocado contra o confinamento definido pelos governadores. Foto: Divulgação/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez piada nesta quinta-feira (26) sobre os riscos da pandemia do novo Coronavírus. Ele não crê que acontecerá no Brasil o mesmo que ocorre nos Estados Unidos, provável novo epicentro das mortes por Covid-19. O gestor, que vem defendendo o fim do confinamento, descreveu o brasileiro como alguém imune a doenças. Para o presidente, o brasileiro pula no esgoto e não acontece nada com ele.

“Eu acho que não vai chegar a esse ponto [dos Estados Unidos]. Até porque o brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali. Ele sai, mergulha e não acontece nada com ele”, disse o presidente, no mesmo dia em que o número de mortos no país subiu para 77. Ao todo, já são 2.915 pessoas dia​gnosticadas com o coronavírus no Brasil.

As declarações do presidente foram dadas na entrada do Palácio da Alvorada, onde concedeu uma entrevista à imprensa. Bolsonaro diz que tem muita gente no país já contaminada pelo vírus e que já desenvolveu anticorpos. O posicionamento do presidente, em relação à pandemia, vai no sentido contrário da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos países mais ricos do mundo, que também enfrentam a doença. Só nosEstados Unidos já foram 1.173 mortes.

“Eu acho até que muita gente já foi infectada no Brasil há poucas semanas ou meses. E eles já tem anticorpos que ajuda a não proliferar isso daí. Estou esperançoso que isso seja realmente uma realidade”, disse o presidente. Bolsonaro minimizou em diversas ocasiões os impactos do Covid-19 e criticou medidas de restrição de movimento que têm sido adotadas por governadores.

Ele já se referiu à enfermidade como “gripezinha” e argumentou que ações como o fechamento de comércios e divisas entre os estados causam prejuízos econômicos para o país.

Prefeito de Cabedelo anuncia empréstimo para socorrer pequenos empresários

Volume de recursos é pequeno e deve ajudar poucos comerciantes, mas foge do zero no placar

Vítor Hugo anunciou medidas por meio das redes sociais. Foto: Suetoni Souto Maior

O prefeito de Cabedelo, Vítor Hugo (DEM), anunciou nesta quinta-feira (26) a criação de linha de crédito para socorrer pequenos empresários por causa do novo Coronavírus. Com as portas fechadas, muitos deles temem a quebradeira. O volume de recursos anunciado pelo prefeito é pequeno e a amplitude, também. Mesmo assim, tira o escore do zero em relação a providências para o setor.

Ao todo, estão sendo oferecidos R$ 300 mil para os empréstimos, que poderão ser concedidos a 100 empresários. Ou seja, o volume médio destinado para cada empréstimo é de R$ 3 mil. Mesmo assim, em vídeo divulgado, o prefeito diz ser possível a concessão de empréstimos de até R$ 10 mil. Os interessados devem se inscrever no site da prefeitura.

Os pequenos empresários terão tolerância de quatro meses para começar a pagar pelo empréstimo, que poderá ser quitado em 24 meses.

O endereço do site é cabedelo.pb.gov.br. Os telefones para contato são 3250-3109 ou 9 9952-0714.

Rede colaborativa tem ajudado laboratório da UEPB a elevar produção de máscaras para doação

Nutes já consegue fabricar 150 protetores faciais por dia, mas trabalha para ampliar a produção

Protetores faciais ajudam no combate à infecção dos profissionais de saúde. Foto: Divulgação/Nutes

O trabalho tem consumido todas as 24 horas do dia no Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde (Nutes), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). A missão do grupo tem sido a produção de protetores faciais para serem usados por profissionais da saúde, na Paraíba. A equipe, que hoje soma 15 pessoas, tem conseguido a colaboração de gente interessada em disponibilizar tempo e insumos para ajudar a confeccionar os equipamentos destinados a proteger quem trabalha para salvar vidas.

O protetor facial, desenvolvido pelo engenheiro Rodolfo Castelo Branco (coordenador técnico) e pela coordenadora do LT3D, Yasmyne Martins, deve ser usado para a proteção das máscaras, principalmente a N95. “Com esse protetor os profissionais de saúde poderão usar as máscaras N95 por mais tempo na luta contra o Covid-19, pois vai funcionar como um protetor destas máscaras, que já começam a faltar no mercado”, destacou Yasmyne Martins.

O grupo conseguiu agregar a participação de pessoas com impressoras 3D à disposição e dispostas a ajudar. “Passamos o arquivo de impressão e essas pessoas estão imprimindo o equipamento em Princesa Isabel, Patos, João Pessoa e aqui em Campina Grande”, disse o professor Misael Morais. O custo de cada uma das máscaras é de R$ 6 e elas são entregues gratuitamente aos profissionais de saúde. O insumos para a produção estão sendo custeados através de doações.

O professor Mizael explicou que a produção poderia ter grande impulso, mas para isso seriam necessárias máquinas injetoras. Para isso, seria necessário a ajuda do empresariado. O professor explicou que as pessoas têm colaborado. Ele cita como exemplo o material para confeccionar o molde. Ele tem custo estimado de R$ 20 mil. “Um empresário tinha este material e não quis receber nada. Fez doação. Também ofereceu o insumo (polipropileno) para fabricação das peças”, disse.

O protetor facial está sendo distribuído aos profissionais dos hospitais que preencheram um cadastro anteriormente. Entre as informações solicitadas está o número de profissionais de saúde da UTI que lidam diretamente com pacientes acometidos pelo Covid-19.

Outra medida

Semana passada, o Laboratório de Computação Biomédica desenvolveu, em caráter de urgência, uma plataforma de monitoramento remoto para gerenciar os estudos epidemiológicos do novo coronavírus na Paraíba. A solução vai permitir o acesso em tempo real à evolução dos casos e a partir desses dados disponibilizados por meio do acesso remoto o infectologista poderá acompanhar a evolução do quadro de um maior número de pacientes.

 

Coronavírus: pressionado por pastores, Bolsonaro libera cultos religiosos

Presidente eleva atividade à categoria de “essencial” e passa por cima de determinação de governadores sobre evitar aglomerações

Apesar de se definir como católico, Bolsonaro foi batizado por um pastor e tem a maioria dos apoiadores no público evangélico. Foto: Divulgação

As instituições religiosas de todos os credos poderão abrir as portas e permitir a aglomeração de pessoas. A determinação foi editada em decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), cedendo à pressão de pastores evangélicos, base eleitoral do gestor. O decreto foi publicado nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial da União (DOU) e já está em vigor. A Igreja Católica, na Paraíba, manterá as portas fechadas, seguindo a orientação do Vaticano, para evitar a propagação do novo Coronavírus.

O decreto de Bolsonaro inclui as atividades religiosas como parte da lista de atividades e serviços considerados essenciais em meio ao combate ao novo coronavírus. Com o status, elas ficam autorizadas a funcionar mesmo durante restrição ou quarentena em razão do vírus. Segundo o texto, no entanto, o funcionamento deverá obedecer as determinações do Ministério da Saúde.

O conteúdo tem validade imediata e não precisa de aprovação do Congresso Nacional. O posicionamento desobedece a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta o isolamento social por causa do novo Coronavírus. Na prática, o presidente coloca em risco a vida da população, em atitude muito parecida com as primeiras adotadas pelo governo italiano, o país mais afetado do mundo pela pandemia.

Em fevereiro, Bolsonaro sancionou a lei que trata de quarentena durante a epidemia de Coronavírus no Brasil. Na sexta-feira (20), o presidente alterou o texto da lei por meio de uma medida provisória, que estabeleceu que devem ser resguardados da quarentena “o exercício e o funcionamento de serviços públicos e atividades essenciais”.

A MP deu ao presidente o poder de decidir por si quais são as atividades consideradas essenciais. O funcionamento de atividades religiosas vinha sendo limitado com as medidas de combate ao Coronavírus tomadas pelos governadores dos estados como forma de evitar aglomerações e reduzir as possibilidades de contágio do vírus.

Na maioria dos estados, os cultos religiosos e missas vinham ocorrendo por meio da internet, rádios ou TVs. As exceções se deram em casos específicos, em cidades como como São Paulo e Rio de Janeiro. Nelas, os cultos religiosos foram autorizados a ocorrer somente após entidades religiosas entrarem com ações na Justiça.

O arcebispo da Paraíba, Dom Delson, deu entrevista nesta quarta-feira sinalizando com a permanência das igrejas Católicas fechadas. As orientações religiosos estão sendo feitas apenas por meio de telefone, redes sociais ou por missas realizadas por meios eletrônicos. O funcionamento, em relação às outras denominações religiosas, vai depender apenas da avaliação de cada uma delas.

Nesta terça-feira (24), em pronunciamento em rede nacional de televisão no qual contrariou especialistas e recomendações dadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Bolsonaro criticou as medidas de distanciamento social tomadas pelos estados e pediu a ‘volta à normalidade’ e o fim do ‘confinamento em massa’. Criticou, também, o fechamento das escolas.

Bolsonaro muda o tom em videoconferência com governadores do NE e anuncia pacote de R$ 88,2 bilhões

João Azevêdo cobrou implantação de um programa de renda básica para autônomos, testes rápidos, insumos e EPIs

Por Larissa Claro

O presidente Jair Bolsonaro em videoconferência com governadores do Nordeste. Foto: Isac Nóbrega/PR

O governador João Azevêdo participou, nesta segunda-feira (23), de videoconferência com o presidente da República Jair Bolsonaro, para discutir ações de enfrentamento ao coronavírus e ouvir respostas do governo federal às demandas apresentadas pelo Fórum de Governadores do Brasil.

O encontro virtual reuniu os governadores do Nordeste, que em grande parte fazem oposição ao governo federal, e mostrou uma postura mais “institucional” do presidente, que chegou, inclusive, a parabenizá-los “pelos entendimentos e cooperação para se vencer os obstáculos”. Bolsonaro ainda anunciou um pacote  de R$ 88,2 bilhões para atender estados e municípios no combate a pandemia da Covid-19.

Na ocasião, o governador João Azevêdo cobrou a necessidade da instituição da renda básica da cidadania para atender neste momento os profissionais autônomos; solicitou o envio de insumos e equipamentos de proteção individual (EPI) e questionou sobre o prazo de entrega dos testes rápidos para o diagnóstico da Covid-19 nos Estados.

“Eu acho que esse é o caminho, de o governo federal assumir o que é preciso, que é o comando de todas as ações, em um momento tão diferente no Brasil, que terá de rever, inclusive, vários conceitos, após a saída dessa crise, não só no campo econômico, mas de urbanização de cidades, por exemplo”, pontuou o governador da Paraíba.

Em postagens no Twitter na tarde de ontem, em meio as agendas com os governadores do Norte e Nordeste, o presidente anunciou, de forma macro, a divisão do pacote de socorro aos Estados e municípios: informou que pretende suspender o pagamento de R$ 12,6 bilhões de dívidas dos estados com a União. Também confirmou a recomposição, por parte do governo federal, de R$ 16 bilhões nos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – a ajuda compensará a perda de arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os cofres estaduais.

Outras iniciativas do governo para minimizar a crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus no Brasil é a transferência de R$ 8 bilhões de recursos para fundos de saúde estaduais e municipais que, segundo ele, representa o dobro do valor pedido pelos governadores. E mais: R$ 2 bilhões com assistência social; R$ 9,6 bilhões com renegociação de estados e municípios com bancos; e R$ 40 bilhões com operações facilitadas de crédito.

Nos últimos dias, o presidente não escondeu críticas aos governadores de todas as regiões do país à forma como estão reagindo à pandemia. “O povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírus”, disse no último domingo (22). Ao contrário do que prega o próprio Ministério da Saúde, Bolsonaro considera as iniciativas dos Estado excessivas. A suspensão do transporte público e o fechamento do comércio, por exemplo, causam “histeria”, segundo o presidente, e prejudicam a economia.

Nas reuniões desta segunda, contudo, Bolsonaro resolveu agir com a diplomacia que o cargo exige. “Todos nós queremos, ao final dessa batalha, sair fortalecidos”, disse aos governadores.

Mas ainda ontem, após a videoconferência, uma decisão da Justiça colocou os governadores do Nordeste mais uma vez em lado oposto ao presidente. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a União apresente dados que indiquem o motivo dos cortes realizados até o momento e suspenda as demais restrições ao programa Bolsa Família. Sete Estados nordestinos, entre eles a Paraíba, entraram com ação judicial pedindo a proibição dos cortes neste período de enfrentamento a pandemia do novo coronavírus.  A ação ainda terá julgamento definitivo.

 

 

 

 

Cartaxo participa de videoconferência com Bolsonaro e cobra prazo para chegada de respiradores e EPIs

Presidente voltou a dizer que mídia faz alarde sobre pandemia, mas garantiu que não faltará recursos para ‘atenuar o problema’; encontro virtual reuniu prefeitos das Capitais

Por Larissa Claro

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), participou de uma videoconferência com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no final da manhã deste domingo (22). Na ocasião, o gestor solicitou a estruturação de um cronograma de distribuição e chegada de respiradores, monitores e novos equipamentos de proteção individual (EPI), para possibilitar a abertura de novos leitos, sobretudo de UTI, destinados ao atendimento de pacientes infectados com o novo coronavírus.

O encontro virtual reuniu os prefeitos das Capitais e foi solicitada pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), da qual Luciano Cartaxo é vice-presidente de Regiões Metropolitanas.

Embora tenha dito que buscará atender às reivindicações dos prefeitos, chamou atenção no discurso do presidente Bolsonaro, mais uma vez, as acusações dirigidas à mídia em relação ao tratamento dado a pandemia no Brasil: “Buscaremos atenuar o problema e, da nossa parte, não faltará recursos para a saúde e para o fim dos empregos. Há um alarmismo muito grande por parte da grande mídia, mas no que for possível, atenderemos, até porque é nossa obrigação fazer isso aí”, declarou.

Sobre a reunião, o prefeito de João Pessoa disse que a maioria das medidas restritivas já foram tomadas pelos prefeitos  das grandes capitais do país. “Estamos chegando em outra fase importante de combate ao novo coronavírus. Fico feliz de que o documento encaminhado por nós da FNP, ao presidente e ministro, contemple realmente grande parte das nossas demandas aqui em João Pessoa. Mas reforço a importância de um cronograma estruturado para a chegada dos equipamentos que serão importantes para abertura de novos leitos, principalmente de UTI”, disse o prefeito.

Luciano Cartaxo ainda destacou a importância de o Ministério da Saúde manter o pagamento do teto financeiro dos hospitais filantrópicos e privados e também destacou a estratégia adotada pela Prefeitura de João Pessoa para a campanha de vacinação, que mobilizará mil profissionais a partir desta segunda (23). “Serão 68 ginásios de escolas e creches atendendo aos idosos para fazer a vacinação contra a influenza em espaços amplos e abertos, que evitam as aglomerações”, afirmou.

A FNP propôs a instalação imediata de um Comitê Interfederativo de Gestão de Crise com a participação das três instâncias do executivo (prefeitos, governadores e Governo Federal), que permita a troca de informações e compartilhamento de decisões. O comitê propiciará ações mais eficazes e harmônicas para o país, respeitando as competências institucionais e legais, através de reuniões virtuais duas vezes por semana.

Em relação aos recursos, o prefeito Luciano Cartaxo e demais gestores de capitais solicitaram apoio aos municípios com a disponibilização de novos investimentos para o enfrentamento ao vírus, e que a sua distribuição leve em consideração a prevalência do número de pacientes infectados e a estrutura médico-hospitalar disponível em cada cidade. Além disso, destacaram que é nas grandes cidades onde se apresentará  a mais significativa evolução do número de casos de contaminação,  local onde também está o maior número de leitos em UTIs.

A FNP tem como foco de atuação os 406 municípios com mais de 80 mil habitantes, recorte que abrange 100% das capitais, 61% dos habitantes e 75% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Estes municípios contam com 27.941 leitos de UTI do SUS e 43% dos leitos do país estão nas capitais.

Solicitações:
– Habilitação de 500 hospitais e pequeno porte (HPPs), de 30 a 60 leitos, credenciados pelo SUS para recepcionar pacientes que estão internados em hospitais de médio e grande porte, no valor de R$ 7.200/leito, para disponibilizar vagas nesses hospitais de referência, para atender pacientes com COVID-19;
– Apoio financeiro à internação de pacientes com COVID-19 com o valor de R$ 1.500 por leito por ate 7 dias;
– Apoio financeiro à locação e/ou aquisição de ambulâncias com UTI, incluindo despesas com pessoal por três meses;
– Financiamento da instalação de “portas de entrada” nas UPAS com o valor equivalente a 3 vezes o valor mensal de custeio daquela unidade;
– Apoio financeiro de R$ 2,00 por habitante para a instalação de leitos extras em hospitais de referência  para todas as 438 regiões de saúde do país;
– Apoio financeiro aos municípios médios e grandes (acima de 80 mil habitantes) com repasse extraordinário de R$ 10,00 por habitante para a instalação de leitos extras, contratação de pessoal, aquisição de insumos e equipamentos (termômetro digital, oxímetros, equipamentos de UTI, respiradores, monitores, etc);
– Contratação de 4 mil médicos cubanos para voltar a trabalhar no Sistema Único de Saúde, pelo programa Mais Médicos, com o objetivo de enfrentar a crise do coronavírus.