“Sinto saudades das pessoas, da política nem tanto”, diz Cássio sobre candidatura

Ex-senador foi ovacionado durante evento em Campina Grande no início da semana

Cássio Cunha Lima foi aplaudido por eleitores durante evento. Foto: Júlina Karoline

O ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB) demonstrou capilaridade política no início da semana, em Campina Grande. Isso ficou claro para quem assistiu à inauguração do Complexo Aluízio Campos, com a presença do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O tucano foi ovacionado pelo público e sentou ao lado do presidente na solenidade. Daí surgiram especulações de que o ex-parlamentar estaria de malas prontas para voltar à cidade e disputar as eleições de 2020. O ex-parlamentar, no entanto, nega que esse seja um projeto consolidado.

“O processo sucessório será conduzido pelo prefeito Romero (Rodrigues). Oportuna e tempestivamente irei conversar sobre o tema. Por enquanto, continuarei dedicado ao meu trabalho no segmento privado, consciente que para ajudar a Paraíba não é preciso ter mandato”, ressaltou Cunha Lima. Questionado sobre se a abordagem dos eleitores não o deixou com saudade da política, ele evitou se apegar a saudosismos. “Sinto muita saudades das pessoas, da política nem tanto”, despistou.

Cássio foi deputado federal constituinte, perfeito de Campina Grande em duas oportunidades, governador da Paraíba e senador. Nas eleições do ano passado, no entanto, sofreu uma grande derrota eleitoral, que o deixou sem mandato pela primeira vez. Ele ficou em quarto lugar nas eleições de 2018, atrás de Veneziano Vital do Rêgo (PSB), Daniella Ribeiro (PP) e Luiz Couto (PT). Apenas os dois primeiros foram eleitos.

Mesmo inocentado na Confraria, Cícero não quer mais voltar à vida pública

Quarta turma do TRF5 entendeu que o ex-prefeito não cometeu os crimes apontados pelo MPF

Cícero Lucena foi acusado de desvio de recursos públicos em obras na prefeitura de João Pessoa. Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

O ex-senador Cícero Lucena (PSDB) não faz planos de voltar à vida pública. Em contato com o blog, o tucano disse que não tem qualquer pretensão de disputas as eleições para prefeito de João Pessoa. Ele é cotado por aliados para o pleito do ano que vem. As especulações sobre um retorno à vida pública aumentaram depois da decisão da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), que o inocentou no caso que ficou conhecido como “Operação Confraria”.

Os desembargadores entenderam, no julgamento, que as provas juntas aos autos não eram suficientes para uma condenação do ex-prefeito de João Pessoa. A defesa foi feita pela advogada Fabíola Marques Monteiro. Os magistrados aceitaram os argumentos de que o material probatório, recolhido durante a Operação Confraria, não se confirmou. “As oitavas e as investigações como um todo não comprovaram as acusações”, ressaltou.

Fabíola diz que todos os convênios foram executados e os balancetes aprovados pelos órgãos de controle e pelos financiadores. Com a decisão, Cícero foi inocentado das acusações de fraudes em licitações, desvio de dinheiro público e participação em organização criminosa. O desfecho do processo aconteceu após 15 anos. Ela explicou que muitas das acusações já haviam sido rejeitadas anteriormente.

Sobre a volta à disputa de eleições, Cícero diz que se reuniu com a família e que a decisão foi a de que não haveria mais retorno. O posicionamento do ex-senador, ex-governador e ex-prefeito de João Pessoa agora é divergente da de meses atrás, quando ele admitia essa possibilidade.

Amigos do Rei: PF deflagra operação para investigar servidores do Incra na PB

Dirigentes são acusados de terem doado terrenos para familiares e prejuízo ao erário foi superior a R$ 9 milhões

Homens da Polícia Federal fazem varredura em escritórios do Incra. Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal na Paraíba deflagrou, na manhã desta quarta-feira (13), Operação Amigos do Rei. A ação foi desencadeada em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF). A investigação tem como objetivo de combater o desvio de recursos públicos diante de concessões irregulares de parcelas de terras nos Projetos de Assentamento do Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) no Estado da Paraíba.

A Justiça Federal decretou, ainda, o bloqueio de mais de R$ 148 mil das contas dos investigados. As ordens foram expedidas pela 16a Vara da Justiça Federal na Paraíba. A operação conta com a participação de 60 Policiais Federais, sendo realizado o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados, bem como na sede do Incra.

Dois servidores do Incra tiveram o afastamento do cargo público decretado pela Justiça Federal, sendo um deles o ex-Superintendente substituto do Órgão.

ENTENDA O CASO

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União receberam notícia anônima no sentido de que um servidor, que ocupava o cargo de chefe-substituto da Divisão de Desenvolvimento da Superintendência Regional do Incra na Paraíba, com ciência do ex-superintendente substituto, estaria beneficiando familiares e pessoas próximas de seu círculo pessoal, no sentido de conceder lotes de terra, em assentamentos, para pessoas que não preenchem os requisitos legais.

Além dos lotes, milhões de reais foram concedidos para financiar o desenvolvimento das parcelas de terra. Estima-se um prejuízo superior a R$ 9 milhões, apenas no período de janeiro de 2018 a maio de 2019.

CRIMES INVESTIGADOS

Os investigados responderão pelos crimes de falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informações e peculato, cujas penas, somadas, poderão alcançar mais de 20 anos de reclusão.

NOME DA OPERAÇÃO
O nome da operação, Amigos do Rei, é uma alusão à forma ilícita de agir de ex-gestores do Incra, no sentido de beneficiar familiares e amigos para obtenção de parcelas de terras e créditos.

Deputados de governo e oposição criam grupo para debater desenvolvimento

Alinhados: mesmo de espectros políticos diversos, parlamentares debatem pautas comuns

Deputados governistas e oposicionistas buscam pauta convergente. Foto: Divulgação

Um grupo de deputados habituados ao confronto na esfera política se reuniu para a construção de uma pauta conjunta para a Paraíba. O foco é o desenvolvimento do Estado, com o incentivo aos arranjos produtivos e busca de soluções para projetos. Entre os participantes estão nomes de esquerda, como Pollyanna Dutra (PSB), e da direita, como o Cabo Gilberto (PSL).

“É um grupo ‘paragovernista’, voltado para a discussão de medidas que visem o desenvolvimento do Estado”, ressaltou a presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia, Pollyanna Dutra. Ela diz que as reuniões serão semanais e o grupo quer fugir da “mesmice” e pautar, efetivamente, a busca pelo desenvolvimento.

Além de Pollyana, integra a base governista o deputado Chió Batista (Rede). Da oposição vêm nomes como Anderson Monteiro (SD), Tovar Correia Lima (PSDB), Camila Toscano (PSDB), Eduardo Carneiro (PRTB), Taciano Diniz (Avante) e Cabo Gilberto (PSL).

Os parlamentares, historicamente, não se entendem no aspecto politico-partidária. Mas se falam a mesma língua quando o assunto é a busca por uma pauta de desenvolvimento, a população tem o que comemorar.

 

Ao lado de Lula, Ricardo diz que vinda de Bolsonaro à Paraíba foi milagre do petista

Ex-governador se reuniu com o ex-presidente nesta terça-feira e colocou vídeo nas redes sociais

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) usou de ironia nesta terça-feira (12) para falar da vinda do presidente Jair Bolsonaro (PSL) à Paraíba. O gestor participou da inauguração do Complexo Residencial Aluízio Campos, em Campina Grande, nesta segunda. Ao lado do ex-presidente, em São Paulo, Coutinho falou que a saída do petista da prisão gerou o primeiro milagre: a vinda de Bolsonaro ao Estado para mandar religar as bombas da transposição. As águas do São Francisco não chegam à Paraíba desde março deste ano.

“Dizem lá na Paraíba que o primeiro milagre foi justamente este. Quem não queria ligar as bombas teve que ir lá ontem correndo. Soltaram Lula, então vamos correndo ligar as bombas porque senão ele vai vir aqui para, no braço, fazer com que a água volte a percorrer”, disse Coutinho. Para o que Lula respondeu: “se as águas estão voltando, então eu volto a sorrir”. O anúncio da volta do fornecimento de água foi feito pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto.

O órgão atendeu uma recomendação dos Ministérios Públicos da Paraíba e Federal. A vazão, no entanto, é pequena, apenas para impedir a degradação maior do canal. A recomendação foi para que a vazão de água não fosse inferior a 0,8m³/s, visando garantir a mínima segurança hídrica à população do Cariri paraibano (alto curso do Rio Paraíba).

Bosco Carneiro deixa a base governista na Assembleia

Deputado fala em desconforto na base governista para anunciar mudança de posição

Bosco Carneiro diz que vai votar em matérias do governo apenas quando achar conveniente: Foto: Roberto Guedes/ALPB

O deputado estadual Bosco Carneiro (PPS) deixou a base governista na Assembleia Legislativa. Com isso, o grupo fiel ao governador João Azevêdo caiu para 23 parlamentares. Ainda assim, ele é majoritário na Casa. De saída, o parlamentar falou no desconforto que vinha sentindo por estar votando em demasia contra os projetos do governo.

Na semana passada, o deputado enviou correspondência ao governador colocando todos os cargos à disposição. O nome da mulher dele, Raquel Carneiro, foi a constar na lista dos exonerados ainda na sexta-feira (8). O acontecimento acabou causando desconforto para colegas de parlamento. O motivo: a mulher do parlamentar vem lutando contra um câncer.

Bosco Carneiro fez um discurso emocionado nesta terça-feira (12). Lembrou que integra a base governista desde 2014, quando aderiu à campanha de Ricardo Coutinho (PSB) à reeleição. De lá para cá, esteve sempre entre os parlamentares governistas. Em 2018, ele apoiou a eleição de João Azevêdo (PSB).

No discurso desta terça, na tribuna, Bosco prometeu votar em matérias do governo que ele concorde. O deputado se assumiu de oposição, segundo ele, para que sua postura não seja vista como dúbia.

Julian Lemos não seguirá Bolsonaro na criação de novo partido

Deputado diz que votará com o governo nas pautas que estiverem em consonância com suas convicções pessoais

Julian Lemos (E) foi dos primeiros a abraçarem a campanha de Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

O deputado federal Julian Lemos (PSL) não vai acompanhar o presidente Jair Bolsonaro na saída do partido. O gestor convocou os aliados mais próximos para uma reunião na tarde desta terça-feira (12), em Brasília. No evento, vai detalhar o projeto de criação de uma nova sigla. O parlamentar paraibano diz que não foi convidado para o evento e, caso fosse, não dá certeza de que mudaria de sigla.

“Para apoiar o presidente (Jair Bolsonaro) eu não preciso estar em outro partido, porque partido é tudo igual segundo a leitura hoje. E no partido PSL eu me encontro muito bem, assim como a grande maioria dos deputados”, ressaltou Lemos. A situação dele é parecida com a de grande parte dos parlamentares da sigla. Apesar de eleitos na mesma onda conservadora que levou o presidente à vitória, em 2018, a briga do bloco bolsonarista pelo comando da agremiação rachou o partido.

Ao todo, não muito mais do que 20 dos 53 deputados seguirão o presidente. A maioria se posicionou ao lado do dirigente nacional da sigla, Luciano Bivar (PSL-PE). Para criar o novo partido, Bolsonaro precisará que sejam recolhidas 500 mil assinaturas em nove estados. O prazo é curto. Tem que fazê-lo até março do ano que vem. Caso a sigla seja efetivamente criada, os deputados poderão migrar sem o risco de perderem o mandato.

Sobre uma eventual mudança de sigla, Julian Lemos diz que ela não faria sentido. “Não fui convidado para estar em outra legenda e se fosse convidado não sei se iria, porque eu preciso compreender qual vai ser a regra do jogo neste partido. Por que no começo tudo é muito bom, mas no decorrer do tempo o partido se torna de fato tudo igual. É poder, interesses e comando”, resumiu.

Votações

Julian Lemos diz que a saída de Bolsonaro da sigla não implicará em mudança de sua postura nas votações. Vai votar nos temas que estiverem em consonância com as suas convicções. “O PSL é um partido de cunho liberal e conservador. É o Partido Social Liberal, não do socialismo, mas do social e do liberalismo mesmo. O próprio presidente Bivar já escreveu livro sobre liberalismo econômico. É um homem muito inteligente, totalmente alinhado com as pautas do governo. Pragmaticamente falando é isso”, ressaltou.

Sobre eventuais discussões em relação à eleição presidencial de 2022, a postura do parlamentar é cautelosa. “É muito cedo para falar. A política, tu sabes, é como as nuvens. Agora está de um jeito, amanhã está de outro. A gente não sabe como vai ficar, mas o partido terá vida própria, não tenha dúvidas disso”, disse Lemos, citando frase do político mineiro Magalhães Pinto.

 

 

 

“Quem passa dos 60 já está com o prazo de validade vencido”, diz Bolsonaro

Presidente participou da inauguração do Complexo Aluízio Campos em Campina Grande

Jair Bolsonaro posa para foto ao lado de família contemplada com unidade habitacional. Foto: Divulgação/Presidência da República

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez discurso nesta segunda-feira (11) de exaltação ao povo nordestino. Ele participou da inauguração do Complexo Habitacional Aluízio Campos, em Campina Grande. O gestor lembrou o sangue “cabra da peste” que circula nas veias da filha mais nova, neta de um nordestino do Ceará. Bolsonaro também defendeu as reformas implementadas pelo governo dele e assegurou que hoje existem políticos melhores.

Dos políticos referidos pelo presidente, o destaque ficou para o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD), tratado pelo mandatário como “governador”. Os elogios também foram fartos para o ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB), que não conseguiu renovar o mandato em 2018. Ele ficou em quarto lugar na corrida eleitoral. O tucano chegou ao evento ovacionado pelos beneficiários da entrega das casas e foi convidado pelo presidente a subir palanque. “Ele chegou modestamente e queria ficar na segunda fileira. Eu disse, não, fica na primeira fileira e se não tiver vaga, fica na minha cadeira”, brincou.

Em outro ponto do discurso, falando de improviso, o presidente causou polêmica e foi confrontado com gritos amigáveis do público dizendo “não é não”. Ele fez piada com os sexagenários, citando a si próprio e ao ex-senador. “Eu não vou perguntar a idade do Cássio, mas acho que ele está na minha face dos 60 anos, mais ou menos. Somos sexagenários. Costumo dizer, Cássio, Rubens Novais, entre outros: quem passa dos 60 já está com o prazo de validade vencido”, disse Bolsonaro. Cássio, um pouco sem jeito, apenas acenou afirmativamente. O ex-senador, no entanto, tem 56 anos.

Vendo a reação do público, Bolsonaro procurou contemporizar. “Mas, dado esse prazo de validade vencido, nós queremos cada vez mais viver cada dia, cada minuto, cada segundo com mais intensidade. E cada vez mais nós queremos trabalhar por esse povo maravilhoso do Brasil”, ressaltou. Antes disso, ele tinha brincado também com o presidente do Banco do Brasil, Rubens Novais. Disse que uma criança havia chamado o dirigente de vovô. “Você não é vovô, não. Você é o Papai Noel”.

O presidente também rememorou própria história política. Lembrou o início da carreira política. Ele disse que não pensava que se tornaria vereador e conseguiu. O passo seguinte foi virar deputado federal. “Depois resolvi ser candidato a presidente da República sem um grande partido, sem fundo partidário e com grande parte da mídia nos criticando. Mas seguimos em frente com este objetivo. Quis Deus me dar uma segunda vida no dia meia dúzia de setembro do ano passado. E também pelas mãos da grande maioria de vocês, já que aqui eu fui vitorioso no primeiro e no segundo turno. Recebi a missão de administrar este país”, disse Bolsonaro.

Barreira do Cabo Branco

Durante a entrega do Aluízio Campos, o ministro do Desenvolvimento Regional Gustavo Canuto anunciou a liberação de R$ 1 milhão para investimento na Barreira do Cabo Branco. O tema foi discutido pela bancada paraibana na semana passada, quando o grupo foi acompanhado do prefeito Luciano Cartaxo (PV) para encontro com o ministro.

Canuto também revelou que foram abertas as comportas no fim de semana para autorizar o envio de água para o rio Paraíba e, consequentemente, para Campina Grande.

Taurus é acionada pelo MPPB por venda de “armamento não confiável”

Estado da Paraíba adquiriu R$ 3 milhões em armas para a Secretaria de Segurança e Defesa Social

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ajuizou uma ação civil pública contra a Forjas Taurus. O órgão requer a substituição ou ressarcimento ao Estado da Paraíba pela compra de armas de fogo que, segundo teste do Exército e relatório da Secretaria de Segurança e Defesa Social, apresentaram falhas e defeitos. De acordo com a investigação do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (Ncap), “o Estado, seja com recursos próprios seja com recursos da União, por meio de convênios, gastou mais de R$ 3 milhões para obter um armamento não confiável e defeituoso em sua maioria”, para ser usado pelas polícias Civil e Militar da Paraíba.

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A Ação Civil Pública tramita desde a última quarta-feira (06/11), na 5ª Vara de Fazenda Pública da Capital. A investigação foi iniciada pelo Ncap, após reportagem jornalística em telejornal nacional em novembro de 2017, que deu origem ao inquérito. De acordo com a ação, a matéria relatava “falhas ocorridas em algumas armas da empresa Taurus, as quais, por questão de monopólio determinado pelo Governo Federal, eram utilizadas pelas forças de Segurança do Estado da Paraíba”.

A partir daí, o Ncap requereu ao Estado e entidades policiais um levantamento completo das armas utilizadas pelas polícias e as fornecidas nos últimos 15 anos, bem como possíveis relatórios e estudos relacionados à qualidade das armas. A Secretaria de Segurança informou defeitos em 17 armamentos da Taurus. Instrutores ouvidos também relataram panes nas armas. O Exército abriu um procedimento investigativo que culminou com uma série de recomendações indicando a “inconfiabilidade desses armamentos em face das diversas falhas e incidentes”.

Os promotores do Ncap que assinam a ACP concluíram que “as referidas pistolas são uma ameaça à atividade policial, pois não merecem confiança, podendo, em uma ação policial, falhar, seja dando pane, seja efetuando disparo sem o acionamento do gatilho, e ocasionar um incidente fatal”. Verificou-se que a empresa Taurus fez mudança no armamento, que refletiu na sua qualidade.

“Essa mudança oculta e premeditada da empresa Forjas Taurus vem causando pânico nos agentes policiais, que estão utilizando um armamento inseguro no exercício da atividade-fim, podendo causar, por exemplo, pane no momento de uma troca de tiro com bandidos, deixando desprotegido o policial, ou efetuar um disparo acidental sem haver o acionamento do gatilho, ocasionando o seu ferimento ou de qualquer pessoa inocente”, diz trecho da ACP.

Pedidos do MP

Na ACP, o Ministério Público requer a imediata substituição de todos os modelos de pistola 24/7, 40 S&W e dos modelos PT 840 e PT 840P existentes pelas Forças de Segurança do Estado da Paraíba, incluindo o Corpo de Bombeiro Militar e outros órgãos, pela Forjas Taurus ou o ressarcimento do valor pelas armas adquiridas com a devida correção monetária.

O MP ainda requer o pagamento de danos morais coletivos, em valor não inferir a R$ 3 milhões, “em reparação à sociedade paraibana, pelos iminentes riscos de perdas de vidas humanas e de causar maculas indeléveis à integridade física de cidadãos, e por ter atingido o patrimônio público, uma vez que o Estado da Paraíba adquiriu um produto sabidamente modificado em seu projeto originário e, consequentemente, defeituoso”.

Os promotores pedem a condenação da empresa e que a causa seja fixada em R$ 6 milhões, considerando-se os valores das armas em questão adquiridas pelo Estado da Paraíba e pela quantia do dano moral estimado. A ACP relacionada à Taurus foi ajuizada pelos promotores José Guilherme Soares Lemos, Túlio César Fernandes Neves e Cláudio Antônio Cavalcanti.

O Ncap

O Ncap é o órgão do MPPB que tem atribuição de controle externo da atividade policial, ou seja, investiga crimes praticados por policiais, instaura procedimento preparatório ou inquérito civil e promove a respectiva ação por ato de improbidade administrativa, assim como pode ajuizar ações civis públicas para a defesa dos interesses difusos e coletivos ou individuais homogêneos vinculados à segurança pública.

Falando em decepção, Julian Lemos não vai a inauguração com Bolsonaro

Deputado anunciado como coordenador da campanha do presidente no Nordeste se diz ressentido com posturas do presidente

O deputado federal Julian Lemos (PSL) não vai mais para a inauguração do Complexo Aluísio Campos, em Campina Grande. Ele havia anunciado, durante a semana, que estaria ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no evento. Dava sinais, até, de que engoliria os desentendimentos recentes com o prefeito Romero Rodrigues (PSD). Mas mudou de ideia. Em nota sobre a desistência, diz que bate à porta dele o “sentimento da decepção”.

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O motivo seria a aproximação do presidente com os deputados do centrão. A referência direta é ao fato de Bolsonaro vir à Paraíba ao lado do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP). “Jamais pensei que um dia viveria para assistir Jair Bolsonaro, exemplo de moralidade, desembarcar, em minha terra, do avião presidencial na companhia de Agnaldo Ribeiro, líder do Centrão (o qual combatemos em campanha), Réu no STF acusado de compor a organização criminosa mais conhecida como ‘Quadrilhão do PP’ e sequer ter pedido um voto para o atual presidente. E ainda mais absurdo manter a mãe do referido deputado no comando da Funasa entre outros órgãos na Paraíba”, disse.

Lemos tem entrado em rota de colisão com figuras proeminentes do círculo bolsonarista desde o ano passado. O primeiro foi o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), que, entre outras coisas, ironizou o deputado por ter dito, durante o período eleitoral, que era o coordenador no Nordeste da campanha do então candidato do PSL à Presidência. O ataque ocorreu mesmo existindo vídeos com o próprio Bolsonaro elogiando a atuação do paraibano na campanha. Mais recentemente, Lemos integrou o grupo de Bivar na briga pelo comando do partido. Mesmo assim, em suas declarações, o parlamentar tem adotado postura respeitosa com o presidente.

A nota divulgada pelo deputado também tem críticas ao prefeito Romero Rodrigues. Confira a nota:

Nota ao meu querido povo conservador da Paraíba.

Ao tempo que bate à minha porta o sentimento da decepção, ao mesmo tempo surge o dever e a coragem para falar o que precisa ser dito doa a quem doer. Não compactuar com certos caminhos e decisões tomadas pelo meu Presidente Jair Bolsonaro posto que jamais pensei que um dia viveria para assistir Jair Bolsonaro, exemplo de moralidade, desembarcar, em minha terra, do avião presidencial na companhia de Agnaldo Ribeiro, líder do Centrão (o qual combatemos em campanha), Réu no STF acusado de compor a organização criminosa mais conhecida como “Quadrilhão do PP” e sequer ter pedido um voto para o atual presidente. E ainda mais absurdo manter a mãe do referido deputado no comando da Funasa entre outros órgãos na Paraíba. São os ideais que se vão e os corruptos que se chegam. Não bastasse isso, também será recepcionado pelo Prefeito Romero Rodrigues, cuja administração está atolada até o pescoço no esquema de corrupção mais conhecido como “Operação Famintos”. Não assistirei de perto a esse fato, não me farei presente a esse “evento” não farei parte dessa hipocrisia política e desse teatro, não foi pra isso que lutei quase 4 anos da minha vida. Vou seguir firme nos meu ideais de mudança da política no Brasil. Sonhava trazer o meu Presidente novamente a minha terra para anunciar as verdadeira (SIC) mudanças que a Paraíba precisa, mas infelizmente não é isto que está acontecendo.

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