Calvário: magistrado manda para Justiça Eleitoral processo contra Gilberto e Gaeco recorre

Responsável pela 5ª Vara Criminal vê crime eleitoral em caso de suposta apropriação de S10 usada em campanha

Gilberto Carneiro poderá ter acusações analisadas pela Justiça Eleitoral. Foto: Divulgação

O juiz da 5ª Vara Criminal, Giovanni Magalhães Porto, mandou para a Justiça Eleitoral denúncia protocolada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba. A ação tem como alvos o ex-procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro, e o motorista Geo Luiz de Souza Fontes. Ambos foram acusados pelo órgão de envolvimento em suposta organização criminosa.

Contra Gilberto pesam acusações de concussão e ocultação de bens. Já o motorista, de acordo com a denúncia, foi acusado apenas de envolvimento em ocultação de patrimônio. A denúncia foi protocolada na 5ª Vara Criminal de João Pessoa. Ela foi a quarta protocolada na Justiça baseada na Operação Calvário, que investiga uma organização criminosa responsável por desvios de recursos públicos.

Na análise do caso, Giovanni Porto entendeu que a denúncia se enquadraria no entendimento do Supremo Tribunal Federal, de que casos de corrupção conexos com crimes eleitorais deveriam ser julgados pela Justiça Eleitoral. Por isso, ele se averbou incompetente para o julgamento do caso, que corre em segredo de Justiça. O Gaeco recorreu da decisão. Os casos de caixa 2, quando analisados pela Justiça Eleitoral, têm previsão de penas mais brandas que os de corrupção.

Reprodução

 

De acordo com a denúncia, em 2010, Gilberto Carneiro da Gama, com a ajuda de Geo Luiz de Souza Fontes, ocultou e dissimulou a natureza, origem, localização e a disposição de um veículo GM S10. O veículo foi adquirido por um empresário, supostamente a pedido do ex-procurador-geral, para ser usado na campanha eleitoral de 2010. A promessa era de que tudo não passaria de um empréstimo. A empresa era detentora de contratos na área de limpeza urbana na capital. De acordo com a denúncia, o pedido, da forma que foi feito, representa crime de concussão.

O veículo foi obtido, segundo o empresário, após Gilberto Carneiro ter exigido vantagem indevida ao proprietário de uma empresa quando ainda era procurador-geral do Município de João Pessoa. Posteriormente, o proprietário da empresa teria procurado Carneiro ao longo dos últimos oito anos, para reaver o veículo, mas o ex-procurador-geral do Estado não efetivou a devolução, enquanto ele e Geo Luiz de Souza Fontes teriam usufruído do bem.

Crimes
O MPPB denunciou Gilberto Carneiro da Gama pelos crimes de concussão (art. 316, caput, do Código Penal) e ocultação de bens (art. 1º da Lei n° 9613/98) e Geo Luiz de Souza Fontes também por ocultação de bens (art.1º da Lei n° 9613/98).

A denúncia requer ainda a decretação da perda de cargo, emprego, função pública ou mandato eletivo como efeito secundário (e necessário) da condenação (Art. 92, inciso I, alíneas “a” e “b”, do Código Penal) e a fixação do valor mínimo para reparação dos danos materiais causados pelas infrações penais, considerando os prejuízos sofridos pelo erário do Estado da Paraíba (Art. 387, IV, do CPP), equivalente ao valor do veículo GM S10, de aproximadamente R$ 81 mil.
A divulgação do seu conteúdo aguarda autorização judicial.

A ‘Calvário’
A Operação Calvário foi desencadeada no dia 14 de dezembro de 2018 para investigar núcleos de uma organização criminosa, gerida por Daniel Gomes da Silva, que se valeu da Cruz Vermelha Brasil – filial do Rio Grande do Sul (CVB/RS) e do Ipcep como instrumentos para a operacionalização de um esquema de propina no Estado da Paraíba. A organização seria responsável por desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, através de contratos firmados junto a unidades de saúde do Estado, que chegaram a R$ 1,1 bilhão. A Orcrim possuía atuação em outras unidades da federação, e exemplo do Rio de Janeiro. Até agora, foram realizadas três fases e a investigação segue em andamento.

 

Toffoli deixa para Gilmar Mendes decidir sobre liberdade de presos na Calvário

Despacho do presidente tem impacto sobre pelo menos sete alvos de mandados de prisão durante a operação

Gilmar Mendes durante encontro em João Pessoa. Foto: Suetoni Souto Maior

Caberá ao ministro Gilmar Mendes, relator da operação Calvário no Supremo Tribunal Federal (STF), decidir sobre a liberdade de pelo menos sete acusados presos. A decisão foi proferida pelo presidente da corte, Dias Toffoli, ao analisar o caso. Enquanto titular dos habeas corpus pleiteados durante as férias do Judiciário, o magistrado poderia ter decidido de pronto sobre a concessão ou não das solturas, mas decidiu não fazê-lo.

Com isso, o caso será analisado por Mendes no retorno aos trabalho na Corte, no próximo mês. Um grupo de agentes políticos e empresários recorreu ao Supremo após terem os pedidos de liberdade negados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A lista inclui Waldson de Souza, Coriolano Coutinho, José Arthur Viana, Márcio Nogueira, Valdemar Abdalla, Vladmir Neiva e Bruno Caldas.

A postura de Mendes nos julgamentos de casos anteriores tem enchido de esperança vários advogados dos suspeitos. O ministro tem sido um crítico ferrenho das prisões provisórias. No despacho publicado neste sábado (18), Toffoli disse que o caso dos presos na sétima fase da operação Calvário não se enquadra “na hipótese de atuação excepcional da Presidência (RISTF, art. 13, VIII). Encaminhem-se os autos ao gabinete do eminente relator para análise oportuna”.

Os suspeitos foram presos durante a sétima fase da operação Calvário, que recebeu o nome de Juízo Final. Dos alvos da operação, pelo menos 35 foram denunciados pelo Ministério Público da Paraíba na semana passada. Caberá ao desembargador Ricardo Vital de Almeida decidir quem, efetivamente, vai constar como réu no processo.

“Pés de Barro”: em novo vídeo, prefeito afastado aparece recebendo dinheiro

Empresário apresentou aos investigadores vídeo no qual o prefeito recebe sacola com dinheiro

Um novo vídeo relacionado à operação Pés de Barro, da Polícia Federal, complica a situação do prefeito de Uiraúna, João Bosco (PSDB). O gestor foi afastado do cargo na primeira fase da operação, em dezembro. Nas imagens, ele é esperado pelo empresário George Coelho, da Coenco, em um quarto de hotel. O gestor entra, os dois conversam sentados em uma campa, e o Bosco pega a sacola onde antes o empresário responsável pela construção da Adutora de Capivara havia posto um maço de dinheiro.

As imagens foram feitas pelo próprio empresário, com autorização da Justiça. Na TV, na hora da conversa entre os dois, passava reportagem sobre o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), ocorrida no ano passado. Operação da Polícia Federal investiga o pagamento de propina nas obras da Adutora Capivara, no Sertão do Estado.

Além do prefeito, é investigado na operação o deputado federal Wilson Santiago (PTB). Em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, tornada pública nesta quinta-feira (17), os dois tiveram bens bloqueados pela Justiça. Parentes dos suspeitos também foram alvos da decisão. Todos negam envolvimento no suposto recebimento de propina relacionado à obra.

Calvário: João exonera mulher de conselheiro citada em delação de Livânia

Georgina Cruz teria recebido R$ 50 mil de Livânia Farias para o pagamento de conselheiros

Reprodução/Diário Oficial do Estado/17/01/2020

O governador João Azevêdo (PSB) determinou a exoneração da servidora Georgina Maria Pinheiro Cruz. A publicação ocorreu na edição desta sexta-feira (17). Ela era assistente técnica da Secretaria de Planejamento e Gestão, comandada até recentemente por Waldson de Souza, preso na sétima fase da operação Calvário. E não para por aí. Ela foi citada na delação de Livânia Farias como responsável por levar, em mãos, R$ 50 mil que teriam sido usados para “convencer” auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) a mudarem acusações contra o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB).

Georgina é mulher do presidente do TCE, Arnóbio Alves Viana, que nesta semana fez críticas aos procedimentos do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba. A queixa do dirigente do órgão de controle diz respeito à citação do Tribunal de Contas do Estado na denúncia protocolada na Justiça, referente à sétima fase da Operação Calvário. Pelo menos três conselheiros são investigados. São eles: André Carlo Torres, Arthur Cunha Lima e Nominando Diniz. Os dois últimos foram afastados do cargo.

Na delação, Livânia conta que certo dia “Georgiana a chamou para conversar alegando que tinha um recado, onde a mesma disse que teria que passar a quantia de 50 mil pra ela pois tinha uns auditores que estavam querendo dinheiro senão iria dar tudo errado na conta do governador”. Georgina tinha salário de R$ 6,6 mil no cargo.

Mais operações? Gaeco coloca 50 malotes expostos ao sol

Da última vez que os recipientes foram “expostos” em grande quantidade, veio a fase Juízo Final da Operação Calvário

Já está virando tradição. O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), coloca ao sol os malotes usados em operações e algo de grande ocorre na sequência. Da última vez, foram vinte malotes vazios e veio a Operação Calvário na fase apelidada de Juízo Final. Foram mais de 50 mandados cumpridos em dezembro do ano passado. Na manhã desta quinta-feira (16) foram expostos 50 malotes.

Nos últimos anos, saíram das gavetas do Gaeco operações como Calvário, Xeque-Mate e Cidade Luz. Só Deus sabe o que virá por aí.

Desembargador notifica Ricardo e mais 34 denunciados na última fase da operação Calvário

Suspeitos terão que responder por acusações no prazo de 15 dias

Ricardo Vital de Almeida determina que delatores sejam os primeiros a serem notificados. Foto: Divulgação/TJPB

O desembargador Ricardo Vital de Almeida determinou a notificação dos 35 denunciados pelo Ministério Público estadual na última fase da Operação Calvário. Os acusados terão o prazo de 15 dias para oferecerem resposta, conforme dispõe o artigo 223 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça da Paraíba. Pelo despacho do magistrados, os primeiros a serem notificados serão os suspeitos que funcionaram como agentes colaboradores.

Pelo despacho do desembargador, deverão ser notificados, inicialmente, os seguintes denunciados, os quais figuram como agentes colaboradores: Livânia Maria da Silva Farias, Ivan Burity de Almeida, Leandro Nunes Azevedo, Maria Laura Caldas de Almeida Carneiro e Daniel Gomes da Silva. Apresentadas as defesas escritas por parte destes, ou transcorrido o prazo legalmente previsto para tanto, serão notificados os demais denunciados.

São eles: Ricardo Vieira Coutinho, Estelizabel Bezerra de Souza, Maria Aparecida Ramos de Meneses, Márcia de Figueiredo Lucena Lira, Waldson Dias de Souza, Gilberto Carneiro da Gama, Coriolano Coutinho, José Edvaldo Rosas, Cláudia Luciana de Sousa Mascena Veras, Aracilba Alves da Rocha, Francisco das Chagas Ferreira, Ney Robinson Suassuna, Geo Luiz de Souza Fontes, Bruno Miguel Teixeira de Avelar Pereira Caldas, Jair Éder Araújo Pessoa Júnior, Raquel Vieira Coutinho, Benny Pereira de Lima, Breno Dornelles Pahim Filho, Breno Dornelles Pahim Neto, Denise Krummenauer Pahim, Saulo Pereira Fernandes, Keydison Samuel de Sousa Santiago, Maurício Rocha Neves, David Clemente Monteiro Correia, José Arthur Viana Teixeira, Vladimir dos Santos Neiva, Valdemar Ábila, Márcio Nogueira Vignoli, Hilário Ananias Queiroz Nogueira e Jardel da Silva Aderico.

As notificações serão acompanhadas de cópias da denúncia do Ministério Público e do despacho proferido pelo desembargador Ricardo Vital. “Tratando-se de prazo comum, dada a pluralidade de denunciados, devem os autos permanecer na Secretaria do Pleno do TJPB ou no Gabinete, conforme o caso, não privilegiando a defesa de um deles em prejuízo dos demais e da própria celeridade processual e razoável duração do processo”, destaca o relator.

Protocolada no último dia 13, a denúncia do Ministério Público, com 223 páginas, acusa 35 agentes públicos, empresários e operadores financeiros de formarem uma organização criminosa (Orcrim) para a prática de delitos, como corrupção e lavagem de ativos, através de atividades de organizações sociais (OSs) na saúde e da adoção de inexigibilidades (fraudadas) na educação.

A Operação Calvário foi desencadeada no dia 14 de dezembro de 2018 para investigar núcleos de uma organização criminosa, gerida por Daniel Gomes da Silva, que se valeu da Cruz Vermelha Brasil – filial do Rio Grande do Sul (CVB/RS) e do Ipcep como instrumentos para a operacionalização de um esquema de propina no Estado da Paraíba. A organização seria responsável por desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, através de contratos firmados junto a unidades de saúde do Estado, que chegaram a R$ 1,1 bilhão.

Com informações do Tribunal de Justiça da Paraíba

Lobby faz João Azevêdo adiar para 2022 vigência de regras previdenciárias dos militares

Novas regras dizem respeito à entrada para a inatividade e tempo de serviço para aposentadoria

João Azevêdo adiou a vigência das regras previdenciárias para os militares. Foto: Angélica Nunes

O mesmo lobby que fez os governadores de vários estados adiarem a vigências das novas regras de aposentadoria para os militares, fez efeito na Paraíba. Decreto publicado pelo governador João Azevêdo (sem partido) no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (16), adia para 31 de dezembro de 2021 o início da vigência das mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional. As alterações influenciam em questões como inatividade remunerada e pensões para beneficiários, além do tempo mínimo de serviço para a aposentadoria.

O decreto, na prática, faz com que as novas regras passem a valer no dia a dia dos militares apenas em 2022. O Congresso Nacional alterou alguns dos dispositivos do Estatuto dos Militares. As regras valem para as Forças Armadas, mas são aplicadas também em relação a Policiais Militares e Bombeiros, considerados forças auxiliares. As mudanças estabelecem, por exemplo, 35 anos como tempo mínimo para a entrada na reserva remunerada.

A medida adotada agora, na Paraíba, é a mesma reproduzida por estados como Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Neste último, o governador João Dória (PSDB) tinha se colocado contra o lobby dos militares. Ele acabou voltando atrás e estendeu em 12 meses o prazo para a vigência das novas regras. As alterações, no caso da Paraíba, fazem referência aos artigos 24-F e 24-G da Lei Nº 13.954, de 16 de dezembro de 2019. O governo do Estado não divulgou ainda o impacto financeiro da concessão.

Confira os artigos que definem as mudanças nas regras previdenciárias. Imagem: Reprodução

A medida ocorre no mês anterior ao retorno das discussões sobre a reforma da Previdência, que é travada na Assembleia Legislativa. O governo mandou para a Casa um Projeto de Lei Complementar e uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tratam sobre mudanças nas regras previdenciárias. A mudança em questão diz respeito à alíquota de contribuição dos servidores públicos. A proposta do Executivo é elevar de 11% para 14% o montante dobrado dos profissionais. O tema chegou na Assembleia no ano passado, mas não foi adiante.

Denúncia da Calvário põe TCE e MPPB em rota de colisão. Confira os áudios

Presidente do TCE critica denúncia contra conselheiros e coordenador do Gaeco questiona: “vai auditar processos engavetados?”

O conselheiro Arnóbio Alves fez cobranças sobre denúncias do MPPB. Foto: Divulgação/TCE-PB

A presença de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) entre os investigados na Operação Calvário colocou o órgão em rota de colisão com o Ministério Público da Paraíba (MPPB). Em nota divulgada para a imprensa, nesta quarta-feira (15), o presidente do órgão de controle acusou o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) de estar criminalizando a instituição Tribunal de Contas. O posicionamento causou a reação do coordenador do Gaeco, Octávio Paulo Neto, que cobrou investigação interna do órgão sobre processos engavetados por conselheiros.

A reação de Viana teve como motivo o texto da denúncia protocolada pelo Ministério Público no qual afirma que o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) tinha amplo domínio sobre segmentos dos demais poderes. Um exemplo seria a atuação de parcela dos conselheiros. Pelo menos três deles integram o rol de investigados. A lista inclui Arthur Cunha Lima, Nominando Diniz e André Carlo Torres. Os dois primeiros foram afastados do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Confira o trecho da denúncia protocolada após a sétima fase da Operação Calvário:

Reprodução/Denúcia/MPPB

O presidente do TCE, Anóbio Viana, reagiu à acusação: “Uma instituição não comete crimes, quem comete crime são as pessoas. A pessoa que comete deve ser denunciada e punida. A instituição é sagrada. Na igreja católica se os padres cometem pecados, que respondam. Não a igreja católica. O TCE é uma instituição e deve ser respeitada. Quem se porta contra uma instituição está acabando com os pilares da democracia. As pessoas devem ser identificadas e responder.

Octávio Paulo Neto rebate argumentos do conselheiro. Foto: Júlia Karolyne

O coordenador do Gaeco, Octávio Paulo Neto reagiu. “Me causa certo espanto a nota veiculada pelo conselheiro Arnóbio Viana, até porque ele, ao invés de veicular as medidas adotadas pelo Tribunal de Contas para auditar os processos que ficaram engavetados por anos e anos, no caso da Cruz Vermelha e outros casos, bem assim, outras circunstâncias bem peculiares”, pontuou Octávio.

Confira o áudio:

 

O promotor também fez cobranças em relação à necessidade de colaboração do Tribunal de Contas do Estado para elucidar o caso. “O que eu queria ver, Suetoni, do nobre presidente do Tribunal de Contas do Estado era que queria auxiliar no esclarecimento dos fatos e não ficar com essa narrativa infantil”, ressaltou.

Confira o áudio:

TJ prevê dificuldades, mas vai implantar juízes de garantias

“Se é lei, tem que ser cumprido”, diz o presidente do Tribunal de Justiça, Márcio Murilo

O presidente dos TJ, Márcio Murilo, coordenou reunião para discutir a implantação dos juízes de garantia. Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça vai implantar os juízes de garantia. O tema foi definido na ‘lei anticrime’, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), e impõe distinção entre os magistrados que atuam na fase inicial dos processos e os que decidem no final. O presidente do TJPB, Márcio Murilo, diz que a tendência, na Paraíba, será a criação de varas regionais de juízes de garantias. Eles atuariam nos processos criminais nas comarcas que estiverem no raio de atuação.

A tendência é que haja um juiz de garantias para cada seis juízes criminais. Os magistrados defendem que haja mais tempo para que a definição desta mecânica de trabalho. “É algo muito novo, que precisará ser experimentado”, diz Murilo.

O tema foi colocado em pauta em reunião puxada pelo presidente do TJPB nesta terça-feira (15). Além do corregedor-geral de Justiça, desembargador Romero Marcelo da Fonseca, e do presidente da Associação dos Magistrados da Paraíba (AMPB), juiz Max Nunes, participaram do encontro de trabalho magistrados e representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública.

“Lei é lei. Sabemos que haverá um custo elevado para o Tribunal, mas vamos instituir o Juiz de Garantias em todas as unidades judiciárias. Já estamos repensando as estatísticas e logísticas das varas criminais da Paraíba, mas estamos avançando, ao lado de todo o elenco que atua em nosso sistema de Justiça”, adiantou o presidente do TJPB. O desembargador-presidente revelou que a ideia mais equilibrada foi a de regionalizar os juízos de garantia e plantões em todas as circunscrições, para tonar viável a implementação da Lei nº 13.964/19 (Lei Anticrime).

Na última sexta-feira (10), terminou o prazo para que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebesse, em consulta pública, sugestões e informações a respeito da implementação da norma no Judiciário. É esta a legislação que trata a respeito do Juiz de Garantias. Até o fim do prazo, mais de 90 sugestões foram enviadas ao grupo de trabalho instituído pelo Conselho para estudar a aplicação da nova lei.

Márcio Murilo disse, ainda, que é praticamente impossível dentro de 30 dias efetivar o sistema. “Isso requer mudanças legislativa, estrutural e resoluções do Tribunal, o que demanda meses para a efetivação da lei. Então, a gente espera uma ampliação do prazo por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), caso contrário, teremos grandes dificuldades”, acrescentou.

A grande preocupação é que a reestruturação desejada, pelo TJ, terá que ser aprovada pela Assembleia Legislativa e isso requer tempo. Caso a determinação seja para o cumprimento, a tendência é para que sejam utilizados os juízes auxiliares. O problema, nestes casos, é que eles ficarão impedidos sempre que substituírem os titulares na fase de instrução dos processos. Não haverá solução fácil para o cumprimento da legislação, dizem os dirigentes do TJPB.

 

Justiça paraibana falha em demora para julgar denúncias de corrupção

Em tempos de Calvário, não custa lembrar que em Bayeux, Cabedelo e Patos as denúncias foram feitas e ninguém foi julgado ainda

O ciclo de investigações dos crimes de corrupção, na Paraíba, anda meio capenga. De um lado, o Ministério Público tem apresentado denúncias graves contra gestores municipais e estaduais. Do outro, a Justiça tem demonstrado uma demora excessiva para julgar os casos. O resultado disso é instabilidade política em várias cidades. Os mais graves são os casos de Bayeux, Cabedelo e Patos. Nas três cidades, essa demora provocou distorções e prejuízos para a população.

Berg Lima foi flagrado em vídeo feito por empresário justamente no momento em que recebia dinheiro supostamente de propina. Imagem: Reprodução

Em tempos de operação Calvário, com denúncias produzidas quase que semanalmente, chama a atenção o caso de Bayeux. Era 5 de julho de 2017 quando o prefeito Berg Lima foi preso, no primeiro ano de mandato. Ele foi flagrado em vídeo recebendo dinheiro de um empresário para liberar pagamentos na prefeitura. O gestor foi sucedido pelo vice na prefeitura, Carlos Antônio (PSDB), que foi cassado meses depois. Então assumiu o presidente da Câmara, Noquinha (PSL). Ele ficou no cargo até decisão do Tribunal de Justiça definir o retorno de Berg. Estamos no último ano de mandato e Berg não foi julgado e continua prefeito.

O caso de Cabedelo não é menos absurdo. Atualmente, há 29 vereadores recebendo salários de R$ 8 mil todos os meses. O caso se deve ao fato de a operação Xeque-Mate ter sido deflagrada em abril de 2019, mas o caso não ter sido julgado ainda. Dez vereadores dos 15 existentes foram afastados do cargo. Depois, entre os suplentes, mais quatro foram afastados. Isso faz com que a conta seja elevada para 14 – todos com presunção de inocência em dia. Por isso, eles estão afastados e recebendo dinheiro. É possível dizer que se Leto Viana não tivesse renunciado ao cargo de prefeito enquanto estava preso, ele estaria ainda recebendo os salários de R$ 18 mil. Um tapa na cara do cidadão.

Em Patos o caso não é menos complicado. O prefeito Dinaldinho Wanderley (PSDB) está afastado desde agosto de 2018. Ele foi relacionado entre os suspeitos de crime na operação Cidade Luz. De lá para cá, foi sucedido pelo vice, Bonifácio Rocha (PPS). Este último renunciou ao cargo, dando lugar ao presidente da Câmara, Sales Júnior (PRB), que também abriu mão do cargo. Sobrou para o atual prefeito interino, o vereador Ivanes Lacerda (MDB). E o que não falta na cidade sertaneja é desafios.

Tudo isso para comprovar o dito popular de que quando a Justiça tarda, ela falha.