Executivo 16:17

Calvário: defesa de Ricardo e Gaeco confrontam narrativas sobre denúncias contra o socialista

Promotores divulgam nota e exibem laudo de perícia dos áudios usados nas acusações

Ricardo Coutinho durante evento de campanha em João Pessoa. Foto: Bruna Cairo/Jornal da Paraíba

 

A defesa do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) tornou públicas acusações sérias contra o trabalho do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). O discurso é o de que a equipe ligada ao Ministério Público da Paraíba teria alterado diálogos do ex-gestor com o empresário Daniel Gomes da Silva, da Cruz Vermelha Brasileira (CVB), para incriminar o socialista. O Gaeco contesta as informações.

Em nota, o Ministério Público alegou que “todas as colaborações foram homologadas, nos mais diversos juízos, Superior Tribunal de Justiça, Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba (2° e 1°graus), e os áudios depositados pelo colaborador Daniel Gomes da Silva foram acostados em sua colaboração perante o Superior Tribunal de Justiça, submetidos ao setor técnico científico da polícia federal (perícia)”.

As acusações de alteração na narrativa para prejudicar o ex-governador foram publicadas pela Revista Carta Capital, nesta sexta-feira (30). Elas são fruto, dizem os advogados, de uma perícia independente. Os documentos, no entanto, não foram tornados públicos. Um dos trechos citados na reportagem trata de um diálogo entre Daniel e Coutinho no qual eles negociariam uma propina de 10% dos recursos repassados ao Hospital de Trauma. Este caso, de acordo com a defesa, teria sido distorcido.

No episódio apontado como criminoso, Gomes afirma: “Consigo trabalhar seguramente com 10%”. Coutinho pergunta: “Mas isso no começo ou no fim?” Gomes responde: “Posso fazer quando o senhor fizer a primeira entrada aqui, eu já consigo viabilizar parte, posso adiantar”. A defesa alega que na continuidade da frase, o contexto é explicado e ele teria a ver com a compra de “itens pequenos” para o hospital, não com propina.

Os advogados também apontam suposta distorção em um trecho no qual Coutinho afirmou: “Meu 13º já está certo”. Segundo os procuradores, a frase seria uma comemoração jocosa do então governador, animado em receber seu “próprio 13º”, fruto dos desvios. Quando se ouve a transcrição completa, diz a defesa com base na perícia, vê-se, porém, que se trata de uma menção à garantia de pagamento aos servidores públicos estaduais.

Os promotores do Gaeco, por outro lado, negam que tenha havido qualquer alteração no sentido das falas. Dizem, inclusive, que os laudos da Polícia Federal atestaram a integridade do conteúdo e que ele foi compartilhado com os diversos juízos onde o caso tramita. Diante das contestações dos advogados em relação às gravações, os promotores disseram em nota que possuem outros elementos de prova contra o ex-governador.

 

Reprodução/Laudo da PF

 

“É importante ressaltar que a colaboração é tão somente meio de obtenção de prova, portanto todas as ações penais aviadas em face dos múltiplos denunciados, se lastreiam em diversas matrizes de prova qualificadas, seguindo os mais rígidos critérios da boa prática jurídica”, diz a nota.

O ex-governador Ricardo Coutinho, que disputa a eleição para prefeito de João Pessoa, foi acusado pelo Ministério Público de ter comandado uma suposta organização criminosa que teria desviado R$ 134,2 milhões do Estado em oito anos. O postulante, no entanto, nega as acusações. Em entrevista na CBN nesta semana ele alegou que não há provas de enriquecimento ilícito por parte dele e que vai provar sua inocência.

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