Executivo 13:30

Trauma fica sem médicos, MPT acusa cooperativa e ameaça acionar a Polícia Federal

Procurador alega que médicos foram ameaçados para não aceitarem contrato com o hospital

Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

 

O Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena está sem médicos neurologistas e vasculares desde as primeiras horas desta quarta-feira (26). A situação levou o Conselho Regional e Medicina (CRM) a lançar um alerta de que podem ocorrer mortes de vítimas de acidentes que, eventualmente, precisem do atendimento médico dos especialistas em falta na instituição de saúde.

A situação está no centro de um embate envolvendo o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Secretaria Estadual de Saúde (SES), o CRM e a cooperativa médica Neurovasc. O procurador do Trabalho, Eduardo Varandas, acusa a entidade de ter ameaçado os médicos que atenderam chamamento público do Estado para atuar de forma independente na instituição de saúde. Varandas ameaça levar o caso à Polícia Federal e à Superintendência Regional do Trabalho.

Tudo começou com a recomendação feita pelo Ministério Público do Trabalho para que os contratos no Hospital de Trauma deixassem de ser feitos via cooperativas e passassem a ocorrer por meio de contratos individuais com os profissionais médicos. O contrato atual da cooperativa com o Trauma ocorreria nesta quarta, porém, o MPT ofereceu à entidade a possibilidade de uma prorrogação até o dia 10 de setembro.

A proposta não foi aceita e houve a orientação aos médicos para que os profissionais que deixassem o hospital nesta quarta, não fossem substituídos. A consequência disso é que o Hospital de Emergência e Trauma ficou sem profissionais especializados nas duas áreas. O secretário Estadual de Saúde, Geraldo Medeiros, abriu processo seletivo simplificado, mas não conseguiu preencher as vagas.

Ele diz que foi lançado o edital para a contratação de cirurgiões vasculares, torácicos e neurológicos. “Foram habilitados 22 profissionais, alguns desistiram. A equipe de cirurgia torácica foi formada com novos profissionais. De vasculares temos dois e temos carência de neurocirurgiões, que não se inscreveram”, disse. Varandas acusa a cooperativa de ter ameaçado os pacientes. 

Geraldo Medeiros disse que enquanto a situação não estiver definida, serão usadas as equipes do Hospital Metropolitano para o atendimento aos pacientes do Hospital de Trauma. Eles serão levados de helicóptero de um hospital para outro, caso haja necessidade de urgência para procedimento cirúrgico. Varandas disse que vai tratar do caso com o CRM e aponta suspeitas de coação e assédio moral.

Os riscos de morte foram alertados pelo diretor de fiscalização do CRM, João Alberto Moraes. O repórter Hebert Araújo, da CBN, procurou o diretor da cooperativa Neurovasc, Valdir Delmiro. Ele negou as acusações e garantiu que a entidade não fez pressão sobre os profissionais. Diz que eles apenas não acharam razoável a proposta do MPT.

A proposta deles para o governo do Estado era a prorrogação do contrato por mais seis meses, com a possibilidade de estendê-lo por mais seis meses. Sobre a suposta pressão feita contra os profissionais, Delmiro disse que ela é “vazia”. “O estado fez chamada pública e soubemos de colegas de outras especialidades que foram chamados”, disse.

Mais Notícias

Comente
O seu endereço de email não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados com *