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Operação Além-mar: traficantes com atuação na Paraíba tinham frota de aviões, helicópteros e caminhões

Operação identifica atuação conjunta de quatro grupos autônomos de traficantes de drogas com atuação conjunta em todo o Brasil e no exterior.

Polícia Federal apreende helicópteros em poder dos traficantes. Foto: divulgação/PF

 

O grupo de traficantes alvo da Polícia Federal no cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão na Paraíba e em outros 12 estados possuíam um patrimônio milionário. O grupo mantinha uma frota de sete aviões, cinco helicópteros e 42 caminhões, que era usados para o sucesso da empresa criminosa. Havia ainda propriedades rurais que foram sequestrados por determinação judicial.

A Justiça determinou, ainda, o bloqueio de R$ 100 milhões em nome dos traficantes, acusados de abastecer o mercado brasileiro e internacional. Os mandados foram cumpridos na Paraíba, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Roraima, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Ao todo, quatro facções criminosas trabalhavam em conjunto.

A operação Além-Mar é coordenada pela Polícia Federal em Pernambuco. A ação investiga esquema de Tráfico Internacional de Drogas e Lavagem de Dinheiro. Estão sendo cumpridos 139 mandados de busca e apreensão e 50 mandados de prisão, sendo 20 prisões preventivas e 30 prisões temporárias. Pelo menos 630 policiais federais participam da ação autorizada pela 4ª Vara Federal – Seção Judiciária de Pernambuco.

Quatro organizações criminosas autônomas, atuando em conexão, viabilizavam o esquema de tráfico internacional de drogas investigado, por meio do qual toneladas de cocaína foram exportadas para a Europa via portos brasileiros, especialmente no Porto de Natal/RN.

A primeira, estabelecida em São Paulo/SP, promove reiteradamente a internação de cocaína pela fronteira com o Paraguai, transportando-a via aérea até o estado de São Paulo e distribuindo-a no atacado para organizações criminosas estabelecidas no Brasil e na Europa.

A segunda, estabelecida em Campinas/SP, parceira da anterior, recebe a cocaína internalizada no território nacional para distribuição interna e exportação para Cabo Verde e Europa.

A terceira, estabelecida em Recife/PE, é integrada por empresários do setor de transporte de cargas, funcionários e motoristas de caminhão cooptados e provê a logística de transporte rodoviário da droga e o armazenamento de carga até o momento de sua ocultação nos containers.

A quarta organização criminosa, estabelecida na região do Braz, em São Paulo/SP, atua como banco paralelo, disponibilizando sua rede de contas bancárias (titularizadas por empresas fantasma, de fachada ou em nome de “laranjas”) para movimentação de recursos de terceiros, de origem ilícita, mediante controle de crédito/débito, cujas restituições se dão em espécie e a partir de TEDs, inclusive com compensação de movimentação havida no exterior (dólar-cabo).

Prisões em flagrante e apreensões de drogas ao longo das investigações caracterizaram um modus operandi dividido em três fases: INTERNAÇÃO da cocaína pela fronteira com o Paraguai e armazenamento no interior de São Paulo; TRANSPORTE INTERNO da droga para as regiões de embarque marítimo e armazenamento em galpões; TRANSPORTE INTERNACIONAL mediante embarque da droga em navios de carga (contaminação de containers) ou veleiros.

Durante a fase sigilosa das investigações foram presas 12 pessoas e apreendidas mais de 11 toneladas de cocaína, no Brasil e na Europa, relacionados ao esquema criminoso. Dentre esses presos estava um grande traficante que permaneceu foragido da justiça brasileira por 10 anos e era procurado pela Polícia Federal e pela National Crime Agency – NCA, do Reino Unido. Ele foi preso em Jundiaí/SP em março/2019.

As investigações foram iniciadas no ano de 2018 a partir de informações difundidas à Coordenação Geral de Prevenção e Repressão ao Tráfico de Drogas – CGPRE, da Polícia Federal pela National Crime Agency – NCA, como resultado de parceria estabelecida para reprimir o tráfico de cocaína destinada à Europa. Mesmo diante da situação de emergência de saúde pública e o isolamento social imposto, o esquema criminoso não foi interrompido, tendo sido apreendidos entre os meses de março/20 e julho/20 mais de 1,5 tonelada de cocaína.

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