Executivo 13:18

Cabo Branco: moradores dizem que obra da prefeitura em barreira causou dano ambiental

Rochas depositadas no sopé da Barreira do Cabo Branco teriam sido arrastadas pelo mar e depositadas ao longo da praia

Orla de Cabo Branco tem acumulado pedras na faixa de areia. Foto: Divulgação

A tão sonhada contenção na Barreira do Cabo Branco tem causado um efeito colateral indesejado. Essa, pelo menos, é a tese levantada por moradores da orla. Eles acreditam que parte das pedras colocadas pela prefeitura no sopé da falésia, para reduzir a energia das ondas, na verdade, estão sendo arrastadas pela maré e depositadas ao longo da praia. O resultado disso, na visão deles, tem sido a “destruição” da faixa de areia, agora ocupada por muitas pedras.

O problema é facilmente identificado quando se comparam fotos de antes da obra e as tiradas agora. Onde havia uma faixa de areia clara, agora há pedras de tamanho aproximado ao de um paralelepípedo. O engenheiro e professor Francisco Sarmento, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), acredita que houve dimensionamento equivocado do tamanho das pedras utilizadas. Segundo ele, elas são facilmente arrastadas pelo mar.

Imagens do Google mostram o mesmo trecho da praia sem as pedras. Foto: Reprodução/Google Earth

Sarmento é ex-secretário de Infraestrutura do Estado e participou ativamente da execução das obras da transposição. Ele diz que o problema talvez não tivesse ocorrido se os quebra-mares planejados pela prefeitura tivessem sido construídos. A estrutura ficaria no mar e provavelmente reduziria a energia das ondas que acessam a costa.  “Como não foi feito, as rochas depositadas estão sendo arrastadas”, disse.

A tese dos moradores é contestada pela prefeitura de João Pessoa. O coordenador da Defesa Civil, Noé Estrela, fez vistoria na praia mais cedo. Depois da análise, ele alegou que as rochas encontradas na praia são diferentes das depositadas no sopé da barreira e que fazem parte do trabalho de contenção da falésia. As primeiras, ele garante, são formadas por sedimentares e seixos, enquanto as depositadas na barreira são granilíticas.

Prefeitura alega que rochas na praia são formadas por seixos e sedimentares. Foto: Secom-JP

Estrela também contesta a capacidade das correntes para arrastar rochas de até cinco quilos por mais de 400 metros. Ele acredita que as rochas encontradas na faixa de areia e que não são seixos ou sedimentares, vêm dos gabiões construídos para proteger a calçadinha. Em alguns pontos, as telas romperam, soltando as pedras. Confrontado com a informação de que o trecho de pedras citado pelos moradores fica um pouco mais abaixo e só é visto com a maré baixa, Noé Estrela disse que fará nova inspeção no fim da tarde no local.

Enrocamento na Barreira do Cabo Branco começou neste ano. Foto: Divulgação/Secom-JP

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