Bolsonaro e a cloroquina: de garoto propaganda a consumidor

Presidente testa positivo para a Covid-19, mas diz que está “perfeitamente bem” após tomar hidroxicloroquina

Jair Bolsonaro fiz ter sentido febre de 38º e dores no corpo no primeiro dia. Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou, nesta terça-feira (7), que testou positivo para a Covid-19. O gestor fez exames depois de passar mal no fim de semana, com dores no corpo e febre de 38º. Fez tomografia na segunda-feira e os pulmões se mostraram limpos. Fez então o exame para saber se foi contaminado pelo novo Coronavírus e o resultado foi divulgado nesta terça. Mas o mais curioso não é isso. Antes de saber do resultado, o gestor disse já ter tomado hidroxicloroquina e que, depois disso, ficou “perfeitamente bem”.

Desde o início da pandemia, o presidente se notabilizou pelo negacionismo da gravidade da doença que já matou 66 mil pessoas no Brasil. Quando surgiram os primeiros rumores de que tinha contraído a doença, alegou que não tinha contraído e que, se pegasse, não sentiria nada por causa do “histórico de atleta”. O fato ocorreu em março, quando vários membros da comitiva que viajou aos Estados Unidos testaram positivo para a Covid-19. Três exames feitos com nomes de terceiros deram negativo no caso de Bolsonaro. Apenas o último, com o nome real, deu positivo.

O mais surpreendente do episódio atual é que, na entrevista “coletiva” para divulgar o resultado, o presidente gastou grande parte do tempo para fazer propaganda da Cloroquina. O medicamento símbolo do atual governo não tem eficácia comprovada e se tornou popular apenas nos grupos bolsonaristas (incluindo médicos). Os testes com o medicamento foram suspensos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O mesmo foi feito pela FDA dos Estados Unidos, o equivalente à Anvisa no Brasil.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, comparou a eficácia da cloroquina ao uso das fitinhas do Senhor do Bonfim. O sucessor, Nelson Teich não quis nem saber do assunto. O efeito positivo, por isso, caberia muito mais à fé do usuário que ao efeito positivo. Não faltaram estudos, também, para indicar o risco de morte para as pessoas que apresentassem problemas cardíacos. Mesmo assim, o presidente continua sendo um dos maiores defensores da droga no mundo. E agora, considerando o teste alegadamente positivo, o presidente terá o desafio de comprovar a eficácia ele mesmo.

comentários - Bolsonaro e a cloroquina: de garoto propaganda a consumidor

  1. Lopes Disse:

    Oremos pela saúde do nosso presidente!

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