Covid-19: TCU classifica de ineficiente o Comitê de Crise do governo federal

Ministro paraibano Vital do Rêgo Filho critica medidas “incoerentes” e falta de médicos no corpo técnico

Vital do Rêgo determina que o governo divulgue atas das reuniões do Comitê de Crise/ Foto: Reprodução/G1

Imagine um grupo escalado para enfrentar um incêndio sem um bombeiro. É mais ou menos esta a lógica do Comitê de Crise criado pelo governo federal para enfrentar os efeitos da Covid-19. Não há, sequer, um médico no grupo comandado pelo ministro da Casa Civil, general Braga Neto. As constatações fazem parte do relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). O documento, relatado pelo ministro paraibano Vital do Rêgo Filho, se notabilizou por chamar as coisas pelo nome das coisas e “ineficiente” foi o adjetivo mais leve.

Isso pelo fato de o comitê não ser conseguido, sequer, estabelecer as diretrizes do governo para o enfrentamento da crise. Não custa lembrar que os números oficiais falam em quase 54 mil mortes causadas pelo contágio com o novo Coronavírus. No relatório, o ministro afirma que a auditoria na atuação do comitê de enfrentamento da crise “não identificou a definição de diretrizes estratégicas capazes de estabelecer objetivos a serem perseguidos por todos os entes e atores envolvidos”.

O relatório aponta para o risco de desperdício do dinheiro público e mortes causadas pela Covid-19. A falta de médicos na equipe é apontada como um problema grave pelo ministro, que é formado em medicina. Sem fazer referência à militarização do Ministério da Saúde, ele lembrou que o órgão é comandado há mais de um mês de forma interina por um general de formado. Trata-se de Eduardo Pazuello. Vital lembra que “os cargos-chave do Ministério da Saúde, de livre nomeação e exoneração, não vêm sendo ocupados por profissionais com essa formação específica.”

Vital do Rêgo recomendou, também, a inclusão, como membros permanentes do Comitê de Crise da Covid-19, dos presidentes do Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, com direito a voz e a voto. Entretanto, como se trata de uma recomendação, o governo não é obrigado a cumpri-la. O ministro criticou, também, a tentativa do governo federal de mascarar a divulgação dos dados oficiais.

O relatório do ministro paraibano foi aprovado por unanimidade. Outra exigência estabelecida foi que, dentro de 15 dias, as atas das reuniões passem a ser publicadas. É o mínimo a ser exigido do governo.

comentários - Covid-19: TCU classifica de ineficiente o Comitê de Crise do governo federal

  1. rfm Disse:

    Um cara que é ladrão do petrolão dando regulares no governo. Como é que pode? Só no Brasil.

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