Executivo 11:22

Decreto vai endurecer regras de isolamento, mas João e Cartaxo evitam falar em ‘lockdown’

Presente na reunião dos gestores, Vítor Hugo diz que discordou de algumas medidas, mas foi voto vencido na definição do que chamou de ‘lockdown’

Medidas de isolamento são para evitar colapso nos hospitais da Região Metropolitana. Foto: Governo do Maranhão

A reunião do governador João Azevêdo (Cidadania) com os prefeitos da Região Metropolitana de João Pessoa terminou nesta sexta-feira (29) com um acordo e várias versões sobre as medidas de endurecimento do isolamento social. Um grupo saiu do encontro classificando as medidas de ‘lockdown’, outro de ‘isolamento social rígido’. A divergência semântica, no entanto, não muda o fato de que haverá um endurecimento das regras para desestimular a circulação de pessoas na região.

O prefeito de Cabedelo, Vítor Hugo (DEM), demonstrou estranheza com a divergência semântica. Em conversa com o blog e em entrevista à CBN, nesta sexta-feira, ele não teve dúvidas ao afirmar que o decreto que será publicado neste sábado (30) se trata de um ‘lockdown’. O uso do termo, no entanto, foi descartado por Azevêdo e o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV). Eles preferem chamar as medidas de ‘isolamento social rígido’, inspirados no modelo usado em Fortaleza, no Ceará.

As medidas adotadas na capital cearense tinham como base permitir a saída das pessoas apenas para o acesso ao trabalho em atividades essenciais ou acesso a serviços essenciais. O governador diz que as medidas são para garantir o isolamento social, para evitar o colapso nos hospitais. Em entrevista à TV Cabo Branco, o prefeito Luciano Cartaxo disse que serão instaladas barreiras entre as cidades da Região Metropolitana, mas que também haverá barreiras entre os bairros da capital.

Um dos responsáveis pela discussão das medidas, ouvido pelo blog em condição de anonimato, explicou que as medidas que vão compor o decreto do governo do Estado são inspirado no modelo de Fortaleza. A mesma informação foi passada ao blog pelo prefeito Vítor Hugo. Até as obras públicas serão proibidas neste período, entre os dias 4 e 14 de junho. Serão permitidas apenas as atividades voltadas para serviços essenciais.

Medidas mais duras de isolamento social com uso de ‘lockdown’ foram adotadas em Manaus (AM), Belém (PA), São Luís (MA), Fortaleza (CE) e Recife (PE). Em todas, a medida tem sido adotada para dar lugar a um plano de flexibilização da atividade econômica na sequência. No caso de Pernambuco, as medidas serão anunciadas na próxima segunda-feira (1).

Na Paraíba, haverá um trabalho educativo entre o dia 1 de junho e o dia 4. Depois disso, as medidas serão endurecidas até o dia 14. O prefeito Luciano Cartaxo garante que, depois disso, haverá medidas de flexibilização, para abertura do comércio. O mesmo é dito pelo governador João Azevêdo e deve constar já no decreto que será publicado no fim da tarde deste sábado.

Meta do plano de contingência não foi atingida

As medidas mais duras de isolamento, que João e Cartaxo não querem chamar de ‘lockdown’, servirão para suprir a deficiência do plano de contingência do Estado. Um levantamento feito pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) mostrou que das 405 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) prometidas, apenas 278 foram entregues. Ou seja, não mais que 68,6% da meta. Em relação às enfermarias, o plano previa 923, mas apenas 530 foram concluídas. Ou seja, 57% do total.

A lotação dos leitos de UTI na Região Metropolitana é de 89%. Já o recorte do estado mostra ocupação de 75%. Em Campina Grande, a situação é mais grave, com 91% de ocupação. Até esta sexta-feira, o número de infectados no Estado foi de 12.011, o que resultou na morte de 327 pessoas até agora. Os de contaminação já foram registrados em 191 dos 223 municípios paraibanos.

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