Prefeitos querem prorrogação de mandatos, mas dificilmente terão apoio no Congresso

Lideranças do Congresso trabalham com perspectiva de adiamento das eleições para novembro

George Coelho diz que muitos prefeitos idosos não poderão disputar as eleições por causa do novo Coronavírus. Foto: Divulgação/Famup

Os prefeitos paraibanos encamparam uma cruzada para tentar o adiamento das eleições deste ano para 2022. E eles não estão sozinhos nesta empreitada: contam com o apoio dos gestores no Brasil inteiro. Alegam, para isso, que os efeitos do novo Coronavírus inviabilizaram qualquer possibilidade de eleição neste ano. De acordo com o presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), George Coelho (Cidadania), grande parte dos atuais prefeitos não terão como disputar eleições, se elas ocorrerem neste ano, por integrarem o grupo de risco do novo Coronavírus.

O argumento de Coelho é o de que 82% dos atuais prefeitos estão aptos a disputar a reeleição. Deles, pelo menos a metade tem mais de 60 anos e, por isso, integra o grupo de risco da Covid-19. “O calendário eleitoral prevê muitas atividades que só podem ser realizadas com aglomeração de pessoas. Como esses prefeitos que integram o grupo de risco vão fazer convenções e coisas do gênero?”, questionou, lembrando que nem chegamos ainda no pico de contaminações do novo Coronavírus e as eleições deste ano estão previstas para outubro.

Em contato com o blog, o líder da bancada paraibana no Congresso, Efraim Filho (DEM), disse que as chances de unificação das eleições em 2022 são remotas. O parlamentar acredita que as discussões na Câmara dos Deputados devem seguir o caminho do adiamento para o mês de novembro. As datas prováveis que mais agradam às lideranças dos partidos é o primeiro turno no dia 15 de novembro e o segundo turno no dia 29.

“Não podemos usar a pandemia para passar a imagem de que a democracia é descartável. É preciso manter o significado de que o cidadão pode escolher quem comanda os destinos das prefeituras e das câmaras municipais”, explicou Efraim Filho, dizendo que é a hora de manter a democracia viva.

Convenções

Os prefeitos, por outro lado, falam em risco de aglomerações. Eles lembram as convenções partidárias e as convenções partidárias, previstas no calendário eleitoral para se realizarem de 20 de julho a 5 de agosto. De acordo com os gestores, por conta do isolamento social não poderão contar com o debate entre pré-candidatos e convencionais, pois, na esmagadora maioria dos municípios brasileiros, o eleitor em geral não tem como participar de teleconferências, e o voto, que possibilitará a escolha dos candidatos, não poderá contar com a participação dos maiores de 60 anos, sem que estes ponham em risco a sua saúde.

Também ficariam impossibilitados de concorrer milhares de candidatos com mais de 60 anos, eles reforçam. Atualmente no Brasil 1.313 prefeitos em exercício têm mais de 60 anos e, destes, 1.040 têm o direito de concorrer à reeleição. No último pleito, apenas 18% dos atuais prefeitos foram reeleitos, portanto, atualmente, 82% dos prefeitos em exercício têm o direito de concorrer à reeleição. O direito à reeleição é constitucional e a Democracia assegura a todos os cidadãos o direito de votar e de ser votado.

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