Executivo 18:50

Ataque de Roberto Cavalcanti à imprensa tem tipificação penal: “incitação à violência”

Dono de emissoras de rádio e TV sugere que jornalistas sejam “apedrejados” na rua por exercerem o dever constitucional de informar

Roberto Cavalcanti afronta as liberdades constitucionais com ataque à imprensa. Foto: Divulgação/Agência Senado

Ex-senador da República, empresário bem-sucedido da área de comunicação e até mesmo, membro da Academia Paraibana de Letras. Estas eram, até agora, as credenciais comumente usadas para se referir ao empresário Roberto Cavalcanti. A elas foram acrescentadas, nesta quinta-feira (14), outra nada elogiosa, a de quem passou a defender que os jornalistas e radialistas que divulgarem as mortes causadas pelo novo Coronavírus sejam “apedrejados” na rua. Vejam bem, falo do apedrejamento de quem exerce o dever constitucional de  bem informar à população.

As primeiras credenciais parecem, à primeira vista, incompatíveis com esta última, mas, infelizmente, é a mais pura verdade. Durante entrevista ao programa Correio Debate, da Rádio Correio, veículo integrante do Sistema Correio de Comunicação, o empresário ultrapassou em muitas jardas os limites da coerência e da legalidade. Na manifestação dele, além da clara afronta às regras democráticas e à liberdade imprensa, houve infração a dispositivo do Código Penal, que trata da incitação à prática de crime.

Veja o que diz o Código Penal: 

CP – Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940
Art. 286 – Incitar, publicamente, a prática de crime:
Pena – detenção, de três a seis meses, ou multa.
Apologia de crime ou criminoso

O empresário usou os microfones da emissora de rádio para defender que os jornalistas sejam amordaçados, lançando a população no desconhecimento e na escuridão característicos das ditaduras. Mas não apenas isso, exalou afronta à dignidade humana ao insinuar que as emissoras e, por tabela, seus profissionais, divulgam as mortes caudadas pela pandemia como se fossem gols da seleção. Com isso, pôs em dúvida o caráter de quem sai às ruas todos os dias no cumprimento do dever constitucional.

“Tem determinadas emissoras que dão placar de quantos morreram no país. Parece que são gols da seleção do Brasil. ‘Hoje, 10 mil gols, batemos o recorde.’ Isso é uma vergonha. Isso é um país que deveria ter vergonha na cara. O jornalista, o radialista que fizesse um negócio desses deveria ser apedrejado na rua”, disse o ex-senador do Republicanos.

As declarações do empresário ocorrem no momento em que o país passou a registrar perto de mil mortes diárias. Uma carga que põe à prova os nervos dos profissionais incumbidos de buscar, apurar e transmitir as notícias. Jornalistas que saem de casa sabendo que os casos da Covid-19 registrad0s na Paraíba já passam em muito dos 3 mil em contagem eivada de subnotificações. Que temem pela vida de colegas, amigos e familiares. E, mesmo assim, estão no batente todos os dias.

Profissionais que, assim como o empresário, não veem a hora de ver o setor produtivo rodando a toda velocidade, de poder levar novamente os filhos para a escola e ter, definitivamente, suas vidas de volta. Profissionais que, hoje, já são atacados nas ruas por pessoas que levam consigo a mesma avaliação deturpada e mesquinha do agora mais novo agressor da categoria. Talvez com gravidade menor por não serem donos de empresas imbuídas do dever da defesa da verdade, da justiça e da livre iniciativa.

O empresário chegou a pedir desculpas depois do “desabafo”, quando criticou o “assassinato de empresas” diante dos impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus no país. “Na verdade, eu descarrego esse meu silêncio de 62 dias para hoje — talvez me exaltei, peço desculpas. A minha forma de conduzir no dia a dia é da parcimônia, de agregar, de conquistar, mas tem momentos em que você assiste ao assassinato de pessoas, ao assassinato de empresas”, afirmou.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba divulgou nota sobre o ocorrido e classificou as declarações de Roberto Cavalcanti de chocantes. Bem, isso ninguém pode negar. Mas é importante lembrar que para além disso, elas afrontaram a democracia, a liberdade de imprensa e a legalidade. É triste, mas não é descabido dizer que um pedido de desculpas diante de todo o ocorrido é pouco.

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COMENTÁRIOS

  1. Avatar for Suetoni
    H. Romeu. Pinto

    Esse sujeito só é lembrado pelos escândalos da Finor e da Polyutil, quando teve de assumir as pressas um cargo de senador dado de mão beijada por Ze Maranhão para não ir preso. Não tem moral nenhuma.

  2. Avatar for Suetoni
    revolta

    a boca fala o q o coração está cheio.(adagio popular) acostumados ao lucro fácil e desproporcional ficam loucos quando o dinheiro não esta entrando aos montes . empresas calcadas de muita ajuda do estado e pouca ou nenhuma competência ficam apavorados quando as tetas da viúva secam. mais um motivo para pararmos de criar heróis e semi deuses como fizeram com este senhor. ele deveria era dividir um pouco do muito que já ganhou com os pobres talvez aliviasse um pouco a alma.

  3. Avatar for Suetoni
    revolta

    aquele processo na justiça federal quantas anda.aquele q o semideus responde por vários a exatos 16 anoa não anda.e quem ae locupleta di dinheiro publico merece o q

  4. Avatar for Suetoni
    Pedro Pontes de Azevedo

    Suetoni, tenho acompanhado sempre os seus textos e os de Silvio Osias para saber notícias da minha Paraíba. Parabéns pela clareza e coragem, aos dois. Sigam fortes no dever de informar, doa a quem doer.

  5. Avatar for Suetoni
    Andrea Bezerra Lyra

    O Ministério Público da Paraíba tão destemido já apresentou DENUNCIA contra o possível CRIME??

    Acompanhe esse caso, nos mantenha informados, por favor.

  6. Avatar for Suetoni
    Andrea Bezerra Lyra

    Nobre Jornalista,

    Investigue aí na justiça federal como anda o processo que o mesmo responde, por favor.
    Mande pro Fantástico uma pauta, vê se os DES-TEMIDOS Juízes Federais da Paraíba julgam logo, né??

    Pq as colunas sociais antigamente mostravam.sempre regabofes eles se confraternizando.

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