Supremo suspende nomeação de amigo do clã Bolsonaro para o comando da PF

Alexandre Ramagem se tornou íntimo de Carlos Bolsonaro e substituiria Maurício Valeixo

Em festa, Carlos Bolsonaro aparece ao lado de Alexandre Ramagem. Foto: Divulgação

O ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a diretoria-geral da Polícia Federal. Ele substituiria Alexandre Valeixo, exonerado do cargo pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na semana passada. A saída de Valeixo foi o pivô do rompimento entre o presidente e Sérgio Moro, então ministro da Justiça e que deixou o cargo acusando o gestor de tentativa de intervir politicamente na PF.

Ramagem é amigo pessoal da família Bolsonaro. Na semana passada, circularam fotos dele ao lado do vereador Carlos Bolsonaro (RJ) em uma festa de revéillon. A pressão para a nomeação dele para o lugar de Valeixo, de acordo com declarações de Sérgio Moro, teria ocorrido pelo desejo do presidente de preservar aliados alvos de investigações da PF, inclusive os próprios filhos. O gestor demonstrou interesse, também, de receber relatórios de investigação.

Na decisão, Moraes atendeu a um pedido do PDT, que entrou com um mandado de segurança no STF alegando “abuso de poder por desvio de finalidade” com a nomeação do delegado para a PF. Não é a primeira vez que o Supremo suspende uma nomeação do governo federal por indícios de ofensa “à moralidade pública. Em 2016, o ministro Gilmar Mendes suspendeu nomeação do ex-presidente Lula para cargo no governo de Dilma Rousseff (PT).

​”Defiro a medida liminar para suspender a eficácia do decreto [de nomeação] no que se refere à nomeação e posse de Alexandre Ramagem Rodrigues para o cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal”, diz a decisão do ministro do STF. Após a saída de Moro do governo sob a alegação de interferência política na Polícia Federal, a nomeação do novo diretor-geral da corporação pelo presidente Jair Bolsonaro virou alvo de uma série de ações na Justiça e de resistência no Congresso.

A nomeação de Ramagem, amigo do clã Bolsonaro que era diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), motivou uma ofensiva judicial para barrá-la, tendo em vista os interesses da família e de aliados do presidente em investigações da Polícia Federal.

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